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terça-feira, 2 de abril de 2013

"Caminho Triste na Solidão"



Preciso de cuidar mais de mim.
Sinto-me cansado de mais.
Leio de mais, escrevo demais.
Ouço demais, e vejo demais.
Estou parado demais.
Estou recebendo demais.
 
Recebo mais, do que mereço receber.
O céu parece demasiado azul! Azul demais.
A música é mais triste!
Do que os tristes mais precisam.
 
Deixem-me sair daqui.
Porque a única coisa que sei fazer é sentir.
Preciso que me ensinem, a enganar-me.
Preciso que me ensinem!
A interromper a tristeza.
 
Sinto que vivo demais, e durmo de menos.
Acordo para acordar os outros.
É como se a luz me acompanhasse.
É como o sol quando nasce.
Viesse propositadamente, acordar-me.
 
Estou sozinho demais.
Nas minhas estrelas, não há noite nem amor.
Tenho as mãos vazias, viradas para o Céu.
Como se a lua, as tivesse recebido.
Como tivessem lá ficado.
Encharcadas de tinta, da escuridão.
Continuo minha caminhada sozinho!.
Levo comigo a tristeza, a solidão!
 
(02/04/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 1 de abril de 2013

"Não é um Adeus" (HD) Joaquim Rodrigues


" O Sr. Metódico"



À hora de almoço, ele sai do escritório e vai pelo bulício da rua, atravessando solitário pelas correntes de transeuntes, imune à confusão da cidade. Não pensa em nada, cumpre apenas a sua rotina. Entra numa papelaria e dirige-se ao corredor das revistas e dos jornais para comprar qualquer coisa para ler durante o almoço, no restaurante do costume, ali ao lado. Agarra no jornal de sempre sem olhar para os títulos, distrai-se ainda a ver as capas das revistas, como faz todos os dias, mas, como também acontece todos os dias, acaba por não se decidir a comprar nenhuma. Desiste das revistas e aproxima-se do balcão à entrada da loja para pagar o jornal. A sua vida é uma sucessão de acontecimentos que se repetem ao longo da semana sem novidade.
Vive sozinho, nunca casou, sabe que não tem uma existência emocionante mas tem a versão a tudo o que interfere com a sua normalidade. No escritório é metódico e preza as coisas feitas a tempo e horas. Os chefes confiam nele por ser trabalhador e não falhar, os colegas consideram-no um chato, ele prefere pensar que é uma pessoa séria, afável mas inflexível nos prazos, exigente com todas as vírgulas.
Sentada na beira de um banco alto, com um pé no chão e o outro apoiado na travessa do banco, ela vai atendendo as pessoas, recebendo o dinheiro, devolvendo o troco. Faz aquilo com rapidez e eficiência, sem se enganar, embora pareça que tem a cabeça noutro lado qualquer. É vagamente simpática com os clientes, correcta mas de poucas falas. Há porém um cliente que atrai a sua atenção e, hoje, quando ele se aproxima, recebe o dinheiro do jornal e oferece-lhe uma revista com um sorriso aberto.
 - É uma oferta, diz.
Ele, espantado, pergunta-lhe.
 - Porquê?
 - Porque nunca se decide qual deve comprar, e hoje apetece-me oferecer-lhe esta, responde ela.
E a sua atitude deixa-o desarmado. Agradece, leva a revista. Ao almoço folheia-a, pensativo, perturbado pelo gesto dela, pelo seu sorriso bonito, surpreendido por nunca ter reparado nela apesar de a ver todos os dias. Ainda mais surpreendido por ela ter reparado em si.
À tarde tem dificuldade em concentrar-se no trabalho, à noite tem dificuldade em adormecer. Não obstante, acorda bem-disposto e passa a manhã ansioso a olhar para o relógio, à espera da hora do almoço. Contra todas as regras, sai cinco minutos mais cedo, corre para a papelaria, ignora o jornal, compra uma revista, aguarda impaciente a sua vez para pagar.
 - Olá! Exclama ela, radiante, estou a ver que desistiu do jornal.
 - Vou seguir o seu conselho, diz, entusiasmado, para variar. E depois, numa inspiração, pergunta. 
 - Como te chamas?

(01/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Eu Quero Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Flor"



Que sorte tu tens, meu amor!
Quem ma dera ter também!
Recebeste uma flor.
E nem soubeste de quem.
 
Pobre florinha, tão querida.
Que teve os carinhos meus.
Vai é ficar esquecida.
Pois não lhe darás os teus.
 
Se a tua sorte eu tivesse.
Ó meu amor o que eu faria!
Que carinho lhe daria!
 
O que a uma só envaidece.
A outra dava aventura.
Maior, mais terna, mais pura!
 
(01/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Sem Palavras" (HD) Joaquim Rodrigues


"Os meus Relógios"



Na minha Sala, tão sozinho.
Olho ao meu redor, e vejo.
Vejo um frasco de perfume.
Para esta vida de estrume.
Me ajudar a suportar.
Minora-me o azedume.

Os relógios são tantos.
Meus relógios.
Na minha sala tão sozinho.
Eu me lembro muito bem.
Cada um, história tem.
E toda para contar.
Já que são tristes também.

O do avô.
O do meu materno avô.
Na minha sala tão sozinho.
Sua imagem vejo agora.
Como nos tempos de outrora.
Quando visitar-me vinha.
E eu adorava essa hora.

Do paterno.
Do meu querido avô paterno!
Na minha sala tão sozinho.
Como não me hei-de lembrar.
Se há pouco foi a enterrar.
Se desta cabeça minha.
Não se pode ainda apagar?

O de música.
O despertador de música.
Que me obriga ouvir.
Na minha sala, tão sozinho.
Vejo-me, então, a sorrir.
 
(31/03/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 31 de março de 2013

"Conduzir" (HD) Joaquim Rodrigues


"Chocar com o Destino"



Se não tivesse começado a chover repentinamente, ela não teria corrido a abrigar-se na livraria e, nesse caso, não teria chocado com ele ao entrar por ali adentro como um furacão, no seu estilo desajeitado de sempre.
Mas agora lá está ela de cócoras com os restos do aguaceiro a escorrerem-lhe da gabardina, pelas mangas, para as mãos molhadas, para as folhas de papel espalhadas pelo chão. Ele faz um esforço para controlar a irritação, pensando que preferia que ela não tocasse nas folhas para não fazer mais estragos, mas vê-a tão atrapalhada que não tem coragem de a repreender. Ela deposita-lhe nas mãos um molho de folhas amarrotado. Tem um sorriso comprometido, o cabelo desalinhado, os olhos verdes muito abertos. Pede-lhe mil desculpas. Ele força-se a sorrir,
  - Não faz mal, diz.
  - É um livro? Pergunta-lhe.
“É um ano de trabalho, pensa ele”.
  - É, é um manuscrito, responde-lhe.
- Boa sorte, espero que o consiga editar, diz ela.
Ele sorri, e desta vez é um sorriso genuíno. Ela deambula por entre as bancadas à espera que a chuva passe, pega num livro, lê vagamente a contracapa, pousa-o. Dali a pouco agarra noutro livro de um autor consagrado e, ao ver a fotografia dele na badana, reconhece o homem com quem chocou há pouco. Faz uma careta ao lembrar-se que lhe desejou boa sorte para o livro, como se fosse um novato qualquer.
Sobe a rua quando o sol irrompe por entre as nuvens e um brilho novo refulge nas pedras da calçada molhada. Passa ao lado das esplanadas, onde o poeta de bronze se eterniza sentado de perna cruzada. Os turistas retornam às mesas depois da borrasca. Descobre-o numa dessas mesas debaixo de um chapéu-de--sol, concentrado, a dar uma ordem às páginas que caíram ao chão. Ele ergue os olhos e ali está ela outra vez.
  - Devo-lhe um duplo pedido de desculpas, diz, por lhe ter espalhado as folhas pelo chão e por não o ter reconhecido.
Ele ri-se.
- Não se quer sentar?
  - Não incomodo?
  - Desde que não mexa em nada, diz ele com um ar sério de quem está a brincar.
  - Prometo que não toco em nada, responde ela.
Tira o livro dele do saco que comprou na livraria e pede-lhe um autógrafo.
  - Reconheci-o pela fotografia, afirma, se não tivesse chocado consigo não o teria comprado, comenta, com a cabeça de lado, observando-o a assinar com uma caligrafia expedita.
Ele faz que sim com a cabeça, a pensar que se ela não se tivesse sentado à sua frente não estaria agora hipnotizado pelos seus olhos verdes e a perguntar-se se terá sido o destino que chocou consigo e se ela não poderá ser a mulher da sua vida, embora nenhum dos dois o saiba. Enfim, o costume: vê a vida como uma ficção caprichosa que talvez escreva mais tarde, mesmo sem ainda não conhecer o fim da história.

(31/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Lady" (HD) Joaquim Rodrigues


"Sonho Meu"


 
Quem me dera ser feliz.
Ao menos só por um dia.
Mas o criador não quiz.
Dar-me nenhuma alegria.
 
Sentir no meu coração.
Uns momentos de prazer.
Saborear a emoção.
Dum dia de amor, viver!
 
Era um só dia meus Deus!
Olhos nos olhos de alguem.
Lábios dela em lábios meus.
 
Mais não queria, meu senhor.
Do que levar pró Além.
Comigo, um dia de amor.
 
(31/03/2013)
Joaquim Rodrigues


"Mudanças" (HD) Joaquim Rodrigues


"Secalhar, não é Amor!"



Ao início foi uma história de amor como outra qualquer. Como tantas outras, um rapaz conhece uma rapariga, engraçam um com o outro, bebem uns copos, trocam umas gargalhadas, depois umas carícias, encostam os corpos e o resto é química. Hormonas. Neurotransmissores. Reações fisiológicas e emocionais. Nada de novo. Nada que nunca ninguém tivesse passado. Nada que nunca ninguém tivesse vivido.
Mas havia uma coisa que os distinguia dos outros casais que conheciam. Peter, o alemão alto de Hamburgo, não tinha nenhum amigo com uma namorada Portuguesa. E Ana, a morena de olhos claros do Porto, não tinha amiga nenhuma com um namorado alemão. Algumas já se tinham enrolado com uns turistas de Düsseldorf, numas férias de verão há muito, muito tempo, mas isso não contava. Peter e Ana conheceram-se quando ela fez Erasmus em Munique. Queria ir para o centro da Europa porque, acreditava, era ali que estavam as melhores oportunidades de emprego quando acabasse o curso. Tinha razão. E por lá foi ficando. De trabalho em trabalho, foi ganhando currículo, aperfeiçoando competências, desenvolvendo experiência. Em Portugal tinha a família, os amigos, as férias, os afetos. Também tinha emprego, se quisesse, mas não tão bem pago. Peter também tinha arranjado emprego num banco, depois noutro, fora promovido, estava lançado. Foi assim durante três anos. Durante três longos anos, a relação durou. A cumplicidade estava garantida, o sentimento também. Mas havia uma coisa constante que ia chateando. Não matava mas moía. Aqueles dois gostavam-se mas o Norte e o Sul chocavam em feitios. E era constante. Volta não volta, Peter falava do sol de Portugal que invejava, mas desdenhava da capacidade de trabalho que dizia não existir no Pais de Ana. E Ana elogiava a ordem alemã, mas lamentava-se da falta de improviso germânica.
Há três semanas, o verniz estalou. Cansada de ver o namorado elogiar as políticas da chanceler Merkel e do ministro Schäuble, farta de ver Peter acenar com a cabeça cada vez que os amigos dele falavam da preguiça do Sul em oposição ao trabalho do Norte, Ana deu um murro na mesa. Discutiram. Gritaram. Atiraram coisas ao chão. Durante duas horas de tensão, ela chamou a si todas as dores de quem está farto de apertar o cinto. E ele berrou em nome da capacidade de poupança de quem está cansado de «trabalhar para os outros gastarem».
Naquelas duas horas, passaram em revista economia, finanças, hábitos, costumes, políticas, eleições, preconceitos. Ela não gostou do que ouviu e saiu de casa. Ele não gostou do que disse e pediu-lhe para ela voltar.
Ana ainda ponderou, mas as notícias falaram mais alto. E a família. E os amigos. Ela bem queria olhar para ele e não ver Berlim nem Bruxelas em forma de homem, mas do Porto as notícias do resgate financeiro da troika, dos bancos encerrados, da votação no parlamento à taxa aos depósitos, da falta de moedas e dos protestos na rua, tudo isso falou mais alto. Sim, se calhar não havia amor, e por isso não sobreviveram à crise.
Talvez fosse. Mas o certo é que o divórcio Norte-Sul de Peter e Ana deixou esta orgulhosa. Ainda ontem, em trocas de e-mails com amigos que lhe perguntavam se ela estava bem, fazia trocadilhos de finanças, como «os créditos da paixão acabaram» ou «os juros da relação já não são cobrados». Ainda assim, contínua triste. Ele também. E não há volta a dar a isso. Com ou sem empréstimos, vamos esperar para ver !.

(31/03/2013)
Joaquim Rodrigues

" Vida Maravilhosa" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tormento de Amor"


 
Fez-se ao largo um vapor.
Que nos levava a nós dois.
E ao nosso amor.
Era de prata o luar.
Que nos beijava depois.
 
No alto Mar.
Para que nós vivessemos bem.
Nosso olhar apaixonado.
Só tu e eu, mais ninguém.
 
Só tu e eu, meu amor.
Nesse barquinho encantado.
Desde manhã ao sol-por.
Viagem maravilhosa.
Que nos deixava assim ver.
A vida tão cor de Rosa.
 
Não quero mais acordar.
Nem posso nunca esquecer.
O quanto te pude amar.
Minha vida foi um sonho.
Um sonho de amor contigo.
Que se tornou bem medonho.
 
Pois o desespero atroz.
De quem ama e, por castigo.
Do amor não houve a voz.
É algo que, torturando.
A pouco e pouco também.
A vida nos vai tirando.
 
O sonho ajuda a viver.
Mas faz mais mal do que bem.
Já que aumenta o nosso querer.
 
(31/03/2013)
Joaquim Rodrigues




sábado, 30 de março de 2013

"Amo-te Mulher" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Mulher e o Tempo"



Ela se vê ao espelho depois do banho com uma expressão de fatalidade no rosto. Passou aquela idade em que não tinha de se preocupar com o corpo. Agora, parece-lhe que já não tem tudo no sítio. Por mais que lute contra os efeitos do tempo, não há forma de se sentir satisfeita, e no entanto os homens continuam a elogiá-la. Só ela sabe como, lentamente, vai deixando de corresponder às suas próprias exigências e tem de se esforçar para aceitar as pequenas transformações que vão surgindo contra a sua vontade. Solta um suspiro silencioso, enrola-se na toalha, seca o cabelo, gasta quase vinte minutos com o secador, olhando-se ao espelho pensativa, deixando a mente vaguear pelas ideias de sempre, devaneando sobre a vida, sobre o que teve, o que tem, o que não tem, o que gosta ria de ter.
 " Já teve filhos, já se divorciou, anda à procura de um novo caminho, de um outro futuro. Sorri ao espelho, um sorriso malandro".
Pensa que já passou por tanto e não se arrepende de nada. Vai para o quarto vestir-se. Abre o armário, escolhe um vestido leve, por estriar, que comprou para este Verão, veste-o, volta ao espelho, observa-se apreciadora, com a cabeça de lado, sente-se satisfeita. Depois gasta mais algum tempo na casa de banho a pintar os olhos, a pôr um pouco de perfume no pescoço, a dar uma derradeira penteadela para soltar o cabelo ao seu gosto. Escolhe uma carteira, transfere para lá a tralha infindável que tem no saco de todos os dias, deixando de parte uma ou outra coisa de que não vai precisar hoje. Anda às voltas pela casa, descalça, à procura de um casaquinho fino preto que não sabe onde guardou. Encontra-o, volta ao quarto e escolhe umas sandálias de fitas que enrola nos tornozelos e prende com um laço. Ainda tem alguns minutos para a hora marcada. Vai ao computador matar esse tempo, no Facebook.
Dali a pouco recebe uma mensagem dele no telemóvel, a dizer que está a chegar. Desliga o computador, apanha a carteira, o casaco, dá uma última olhadela ao espelho da entrada e sai de casa. Quando entra no carro, ele recebe-a de boca aberta com um elogio sincero, diz-lhe.
 - Estás linda.
Ela sorri, feliz com o efeito que provocou nele, mas pensa.
 "Se tu soubesses o trabalho que tenho para ficar assim".
E mais uma vez lembra-se que há uns anos atrás bastava-lhe vestir qualquer coisa rapidamente e o efeito era o mesmo. Mas depois ri para dentro com a ideia de que ainda consegue fazê-lo abrir a boca de espanto quando a vê entrar no carro.

(25/08/2012)
Rodrigues Joaquim:

"É Preciso ter fé" (HD) Joaquim Rodrigues


"Meu Pesar"


 
Tinha tanto que dizer, tanto, tanto.
E as palavras não me saiem.
Nem sequer me sai o pranto.
Nem as lágrimas me caiem.
 
Não sei  o que sinto em mim.
Que morto me faz andar.
Nunca, nunca estive assim.
Nunca senti tal pesar.
 
A vida não tem sentido.
Para alguns pobres mortais.
Tudo lhes é proibido.
 
É uma triste e negra sorte.
Que os perssegue, a esses tais.
Desde o berço até à morte.
 
(30/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Meu Café é Azul" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Risco de Amar"



Ela não se queria apaixonar porque sabia que a paixão era uma armadilha, sabia que se fosse rejeitada mais tarde levaria meses, talvez anos, a esquecer. Já passara por isso e a perspetiva de repetir era perturbadora. Depois disso decidira ser livre, não se apaixonar. Tivera alguns casos esporádicos, mas não se prendera a ninguém. Mas agora voltou ao mesmo e está alarmada porque só percebeu o que lhe aconteceu demasiado tarde.
Trabalha num hotel, conheceu-o quando estava de serviço no bar. Achou-lhe graça, mas não deu importância. No entanto, ele apareceu no dia seguinte, e todos os dias dessa semana, à mesma hora. Ele viaja muito em trabalho, vem a Lisboa regularmente. Na vez seguinte deu com ela logo à chegada, no balcão da receção. O seu rosto iluminou-se quando a viu , disse.
 -  Gosto muito de a reencontrar.
E para ela naquele momento, aquela declaração, não foram indiferentes. Sorriu, e respondeu educadamente.
 - É um prazer recebê-lo novamente no hotel.
Tratou-o por senhor. Mas na verdade sentiu uma emoção que a surpreendeu. Mais tarde, ele foi ao balcão, perguntou-lhe se não iria estar de serviço no bar. Como ela dissesse que não, pediu-lhe que fosse lá ter com ele depois de sair de serviço. Ela recusou, não poderia fazê-lo. Ele coçou a cabeça, atrapalhado, mas não desistiu, convidou-a para sair. Apanhada de surpresa, ela disse que não, inventou uma desculpa. Ele disse.
 - Não faz mal, tenho a semana toda para a convencer.
Agora ela dá consigo a sofrer à espera do dia em que ele regresse ao hotel. Falam sempre ao telefone, mas receia que um dia ele mude de hotel e a esqueça. Por isso, decidiu que não podia continuar nessa angústia, e telefonou-lhe, disse-lhe que era altura de se separarem. Ele respondeu-lhe.
 -  Tenho uma semana para reconsiderar, até ao seu regresso.
Ela fraquejou na sua determinação.
 -  Está bem, uma semana, mas pediu-lhe que não telefonasse.
Os dias são lentos, a semana demora a passar. Ela está na receção e pergunta-se porque não lhe liga ele, porque não ignora o seu pedido. Sente uma tentação de lhe telefonar, mas resiste. Está apaixonada e assustada com a força desse sentimento, com o risco de ele a deixar, com a possibilidade de ele não voltar no fim da semana. Mas ele volta. Chega com um ramo de flores e declara à frente dos colegas, de uma multidão de hóspedes.
 - Não podes desistir de mim porque te amo e quero casar contigo.
Ela, emocionada, ri-se com lágrimas nos olhos. Então, diz ele.
 - Vais responder-me ou deixar-me aqui nesta expectativa?
Ela engole em seco, recompõe-se, responde-lhe sem pensar duas vezes.
 - Sim!
Ele debruça-se sobre o balcão, beija-a, e há uma salva de palmas geral na receção.

(14/06/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Liberdade" (HD) Joaquim Rodrgues


"Sozinho"




No meu quarto, tão sozinho.
Eu penso em quais as razões.
Para tantas convenções.
E, nesta cabeça minha.
Não entra a confirmação.
Doi-me sempre o coração!
 
Porque somos tão fechados.
De amor-próprio tão ciosos.
Tão mesquinhos e vaidosos?
Para isto fomos criados?
Nada podemos fazer?
Assim o estou a crer.
 
Mas louvado seja aquele.
Que se resolve a lutar.
Para outra vida encontrar.
Pois nem tudo que fez Ele.
Saiu perfeito, afinal.
E aí é que está o mal!
 
(30/03/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 29 de março de 2013

"My Love" (HD) Joaquim Rodrigues


"Sonho de Amor"




Quero morrer, mas dantes disso quero.
Quero beijar-te longa, longamente.
Por esse beijo tanto desespero.
Que se o não tenho morro tristemente.
 
Lábios tão belos como esses teus.
Não vi eu nunca em ninguém, jamais.
Assim uns lábios não são para os meus.
Que são tão feios, mesquinhos, banais.
 
Que morrer tenho, pois, ò meu amor.
Sem te beijar, sem me beijares a mim.
Que morrer tenho com tão grande dor.
 
Sonhasse ao menos, uma vez somente.
Enquanto durmo atormentado sim.
Sonhasse ao menos para morrer contente.
 
(29/03/2013)
Joaquim Rodrigues


"Olá! Vizinha" (HD) Joaquim Rodrigues


"Felicidade completa"

(Felicidade)

Ela vive num apartamento demasiado grande para uma pessoa só. Aquele apartamento já foi um apartamento cheio de gente, pois foi casada e teve três filhos. Hoje por causa da felicidade que passou mais tempo arredada dela vive só. Separada dos três filhos que por conta das suas profissionalizações ou amores encontrados, vivem longe dela.
Ela ganha o suficiente para levar a vida no que mais precisa. Adora o apartamento, o refúgio que lhe dá segurança. Tem a impressão de ter tudo em excesso na vida, menos amor, evidentemente. A insegurança que sente leva-a a esmerar-se. É agressiva por ter pânico de falhar. Não sai muito e o apartamento acaba por lhe suscitar um misto de sensações, é o lugar onde se sente melhor mas também onde se sente sozinha. É o espelho da sua felicidade muito incompleta. Por vezes chega cansada, senta-se no sofá e deixa escapar um suspiro que não sabe se é de alívio se de angústia por não ter mais onde ir. O vizinho bate-lhe à porta e anuncia-lhe que vai dar uma festa nessa noite e que a quer convidar.
 - O barulho não a vai deixar dormir, diz ele.
Ela fica tão atrapalhada que recusa só para se livrar do embaraço, desculpa-se com um trabalho importante que trouxe para casa. Passa a noite acordada na cama a ouvir a música da festa, a lutar com a timidez, derrotada por ser incapaz de se levantar, arranjar-se e ir para a festa, como tanto deseja.
  "Bato à porta dele, digo que já despachei o trabalho e pronto.,diz a si própria para se convencer."
Mas continua paralisada e sabe que não vai ter coragem. Lamenta que o vizinho não a tenha insistido mais e adormece com lágrimas de frustração.
De manhã cruza-se com o vizinho, descem juntos no elevador, ele pergunta-lhe.
- Bom dia, linda vizinha! O barulho ontem há noite a incomodou muito?
- Não! - Responde ela como querendo se machucar a si própria.
- E a festa correu bem?
- Sim, sim! Muito divertida, diz ele, pena foi você não ter vindo.
Ela cora e sente-se estúpida por isso. Ele acha-a adorável. Ela acha-o perfeito com aqueles jeans, alegre, descontraído, bonito. Costuma suspirar quando pensa nele e sabe exatamente porquê.
Passa o dia bem humorada, embora se ache tonta por não ter razão para otimismos. Sempre pensou que não estava à altura dele, que é bom demais para si. No entanto, ele ficou intrigado. À noite volta a bater-lhe à porta e convida-a para jantar. Ela fica aflita, gagueja, mas ele diz com graça.
  - Não aceito outra rejeição.
Ela ri-se, desconcertada, pede tempo para se arranjar. Toca à campainha, ele abre, elogia o seu vestido, diz que está deslumbrante, leva-a para a varanda onde está posta a mesa com vela acesa, oferece-lhe um copo de vinho. Sentam-se a conversar e ela pensa, controlando uma euforia, que talvez possa alcançar finalmente a felicidade completa.

(29/03/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Fala Coração" (HD) Joaquim Rodrigues


"Demente"

(Demente. Apaixonado)

Quantas bocas já beijas-te, meu amor?
Com tua boca ardente, e apaixonada.
A quantas emprestas-te teu sabor.
Quantos homens minha amada.
 
Felizes, para esses teus olhos olharam.
Felizes esse teu calor, eles sorveram.
Felizes todo teu corpo, tatearam.
Felizes, porque contigo viveram.
 
Tua boca andou de uma para outra, sem ver.
E sem nunca perceber que te amo tanto.
E a mim, nunca me deste nada para viver.
Nem que fosse um só beijo, um somente.
Abrandaria um pouco este meu pranto.
E jamais se sentiria assim, este demente!
 
(29/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Tango" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dança do Amor"



Hoje quero dançar contigo.
Dançar a dança do amor, do nosso amor e ama-la.
Dançar a noite inteira, numa na sala ou numa rua qualquer.
Eu quero é dançar.
Hoje o céu vai ter duas estrelas, se chover não faz mal.
A música nos embala.
Quero sentir teu corpo colado no meu, e ver teus olhos cheios de prazer.
Os meus olhando.
E nessa nossa dança cheia de felicidade e prazer.
Quero meu amor abraçar aperta-la.
Quanto há música.
Pode ser uma música qualquer.
Um slow, uma balsa, uma rumba, ou até um tango.
E sentirmo-nos como duas crianças, numa festa.
Só sentir simplesmente a dança.
E assim marcar a nossa existência, para no futuro.
Termos essa lembrança.
Se formos vistos por alguém, e nos chamar de loucos.
Assim seja, porque só é feliz quem corta as amarras da vida.
E não quer morrer aos poucos.
Já estou imaginando, estamos no baile.
Teu rosto encostado ao meu.
Aí! A vida pára, só tu e eu.
Só nós dois, e a nossa grande paixão.
Porque não?
Só nós sabemos mais ninguém sabe.
Porque somos dois, a felicidade não é só para mim.
Temos os dois, esta aventura, viver um grande amor, nos amar.
 E sentir assim.
Sentir teu corpo e ter a certeza, que não é em sonho, estás comigo.
Sentir teu calor, ver no teu olhar, o prazer de ficar.
Amor! Hoje eu quero dançar contigo.
 
(29/03/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 28 de março de 2013

"Canção de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


" Meu estado de Alma"

(Joaquim Rodrigues)
Quem me dera que voltasse ao meu coração.
A doce alegria, que me encantava esse teu rosto.
Quem me dera, que voltasse toda minha paixão.
Aquele grande amor, que tanto, me deu gosto.
 
Quem me dera! Ó, quem me dera.
Outra vez poder sentir, esse meu desejo.
Que me dava a tua imagem, de ternura.
Que me dava o teu sorriso nossa aventura.
 
Que me deixa-se! Esta minha louca miragem!
Agora ando, bem perto de enlouquecer.
 
Muito triste, por não ter, o teu amor.
Porem tudo isso, é este meu viver desde que te vi.
Agora arrasto os passos, com desespero com dor.
Agora nada resta, estou sozinho, estou sem ti.
Podes falar! Ó desventura, podes bem dizer.
Morri!
 
(28/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Memórias de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Desafio de Amor"




Ela abriu a torneira e deixou a água quente jorrar para dentro da banheira, de seguida olhou para o relógio.
 "O Tony deve estar mesmo a chegar, pensou."
Por isso despiu-se e mergulhou naquele mar de espuma que lhe cobria as formas do seu corpo. Fechou os olhos e ouviu a porta a abrir-se. Fora boa ideia ter-lhe dado a chave de casa. Nunca o fizera antes isso. Devia estar mesmo apaixonada. Se calhar pela primeira vez na sua vida. Aos 53 anos! Escutou a voz dele a ecoar pelo corredor. Chamava o seu nome. Não lhe respondeu. Queria que ele a encontrasse ali. Mal formulara esse desejo no seu cérebro, o rosto atraente de Tony espreitou pela casa. Os olhos brilharam. Gostava do que via, isso era inquestionável.
- Volto já, disse ele voltando para trás.
Ela sabia que ele tinha ido ao quarto pousar a mala e despir o fato (terno). Voltou nu, para junto dela e beijou-lhe os lábios com volúpia. O mero contato daqueles lábios com os seus despertara-lhe o desejo, que se apoderava de si como suaves ondas de calor. Ele entrou então dentro da banheira, cuja água transbordou com o peso dos dois corpos, que ficaram juntos, colados. Beijaram-se com paixão, as línguas enroladas como se fossem amantes. Em poucos segundos, Marta, sentiu o pénis de Tony a ficar ereto no contato com o seu ventre liso. Por isso, abriu as pernas para que ele a penetrasse de imediato. Quando ele entrou dentro dela, estremeceu e gemeu com intensidade, fincando-lhe as unhas nas costas. Ele começou a mexer-se ao mesmo tempo que, com as mãos, lhe tocava nos seios, brincando com os mamilos rosados, apertando-os com sensualidade entre as pontas dos dedos. Não demorou muito até Marta, chegar o Clímax e todos os seus sentidos se renderem àquelas ondas mágicas que percorriam. Foi então a vez de Tony experimentar um orgasmo, que lhe roubou o folego. Ficaram mais tempo deitados, a acariciarem-se dentro de água.
- Ficas cá esta noite? Pergunta Marta.
Mas de imediato, sentiu que tinha pisado um território perigoso que se comprometera a evitar. Mas era porém, mais forte do que ela. Estava apaixonada. Era impossível dividi-lo muito mais tempo com outra mulher. Tony saíra da banheira.
- Sabes que é complicado, disse ele.
Nenhuma surpresa. Desde que ele lhe contara, da primeira vez que a levara a jantar, que era casado, que lidava diariamente com uma situação dúbia, incongruente com os seus princípios. De início, negara o óbvio, que se pudesse envolver com um homem casado. Esquecia-se de que estava já apaixonada por ele, por isso, numa noite em que Tony irrompera pelo seu apartamento, Marta fora incapaz de lhe fechar a porta. Como poderia faze-lo, quando todo o seu corpo chamava por ele? Desde então, vivia daqueles breves encontros.
- É só enquanto não resolvo uns sérios problemas pessoais podes acreditar, relembrou-lhe Tony, nessa noite quando estavam já na sala. Seria verdade? Era altura de saber.
- Tony, estive a pensar, e cheguei a uma conclusão. Não nos vamos ver durante 30 dias a contar de hoje. Espero por ti daqui a um mês no hotel do costume, às nove horas da noite. Se não vieres, saberei qual foi a tua escolha.
Tony negou inicialmente, dizendo que essa sua conclusão era uma loucura.
- Não compreendes que não posso viver sem ti? Marta, tu és a única coisa autêntica que tenho na minha vida.
Marta sofria com estas palavras, mas tinha pensado no assunto. Nunca seria feliz assim. Por isso, disse-lhe que era uma decisão irredutível. Por fim, Tony acedeu.
- Daqui a um mês, estarei lá, disse.
Beijou-a então com paixão desesperada, que era já saudade e tristeza. Fizeram amor mais uma vez e Marta, não conseguiu deixar de pensar que podia ser muito bem a última vez que estavam juntos. Por isso, amaram-se com uma ternura infinita, devagar, deixando tempo para saborearem o corpo um do outro, a expressão dos seus rostos e prazer. Foi por isso um momento ainda mais intenso do que algum outro, até então.
Trinta dias passaram, devagar, riscados um a um no calendário de Marta. Por fim, chegou o momento tão esperado. Vestiu o vestido lilás, que sabia ser o preferido de Tony. Com medo, no fundo, não acreditava que ele pudesse aparecer, pediu na recepção do hotel a chave do quarto e meteu-se no elevador. Abriu-a devagar, e a surpresa aquase a fez desmaiar, pois sentiu suas pernas desfalecer de emoção. Sentado na cama, estava Tony, sorrindo-lhe.

(28/03/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Smile" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Palhaço"



Por eu gostar de levar a vida na brincadeira.
Tu um dia me chamas-te de cobarde e palhaço.
Lembras-te?
Mas na verdade se tu tivesses acreditado.
Nas minhas brincadeiras de dizer verdades.
Terias ouvido muitas verdades.
Que insisto em dizer a brincar.
Falei de facto muitos vezes como um palhaço.
Mas nunca como um covarde.
Porque sempre acreditei.
Na seriedade da plateia.
Que sempre sorria !!!
 
(28/03/2013)
Joaquim Rodrigus

quarta-feira, 27 de março de 2013

"Ama-me" (HD) Joaquim Rodrigues


"Meu Amor"



Meu amor.
Eu preciso de ti, para ser feliz.
Preciso do som da tua voz.
Para me segurar meu espírito.
E a minha alegria.
 
A tua presença.
Deixa meus sentidos acordados.
E meu coração bate muito mais rápido.
Sem a tua presença.
Parece não querer bater mais.
 
Meu amor.
Quero sentir todos os aromas de tua pele.
Quero-me sentir feliz contigo.
Porque só penso em ti.
E tu estás comigo sempre.
Em pensamento todos os dias.
 
Quero-te cheirar, te acariciar.
Vem para perto de mim.
Quero deixar de sentir a sensação que sinto.
Que longe de ti, a minha vida é triste.
Sinto o meu tempo passar.
 
Meu amor.
Mas hoje, eu sinto o meu corpo animado e quente.
Como se tu estivesses aqui.
Como se tu sussurrasses no meu ouvido, muito suave.
Sinto o teu perfume os poros de tua pele.
A minha loucura!
Porque tens as mais sedutoras.
E doces fluidos corporais, e que eu tanto amo, tu sabes.
 
Hoje sinto-me amarrado em teu corpo.
Um corpo de mulher além do meu.
O teu corpo.
Que é belo, que eu desejo, que eu amo.
Meu amor.
 
(27/03/2013)
Joaquim Rodrigues

" Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Meu Coração"


Como o amor.
costuma andar sempre.
Em viagem.
Eu, um dia.
Vou encontrar.
A companheira.
Que tanto preciso!
 
A companheira que vai ser.
A fonte da minha vida.
A força da minha alegria.
O centro das minhas atenções.
E de todo o meu imenso.
Amor e Carinho!
 
(27/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Café dq Manhã" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Amor mora ali ao Lado"



Eles se cruzaram a primeira vez há meses! E aí se passaram a conhecer de vista! Se tinham cruzado um pelo outro, porque viviam no mesmo bairro, e isso se tornava fácil de eles se ver na rua. Mas já se voltaram a cruzar no supermercado, no café, de passearem os cães no jardim. Ela mora dois prédios ao lado do dele, não sabe o seu nome, nem o que faz, mas conhece-lhe algumas rotinas, já ouviu a sua voz, aprecia a forma de ele se vestir. Acha-o atraente e fica atenta quando o vê. Ele gosta de levar um livro consigo quando vai com o cão ao jardim. Senta-se num banco a ler, mas, se ela chega, não consegue concentrar-se. Finge que lê, espreita-a por cima do livro, maravilhado com o seu jeito distraído de caminhar num vaivém constante enquanto fala ao telemóvel, rodando o vestido numa volta graciosa ao fim de alguns passos casuais. Adora o seu sorriso encantador, o modo como inclina a cabeça para trás e lança um risinho espontâneo para o ar a meio da conversa.
É sábado, estão sentados numa esplanada do jardim, ambos sozinhos, em mesas próximas, frente a frente. Ela pede um café, deita o açúcar, mexe-o demoradamente com a colher, distraída a observá-lo a ler o jornal. Fantasia que ele vai erguer os olhos a qualquer instante e surpreendê-la a olhar, que lhe sorri e se levanta para ir à sua mesa apresentar-se. Sorri com a ideia no momento em que ele levanta os olhos do jornal, mas apressa-se a desviar os seus, a virar a cara, com vontade de rir. Ele repara que ela desvia o olhar, volta a página do jornal, baixa os olhos por um segundo e torna a olhar. Ela não se atreve a fitá-lo, concentra-se na chávena de café à sua frente. Ele imagina a ir ter com ela para meter conversa. Por um instante, sente-se tentado, pergunta-se se teria coragem. Porque não?, pensa. Mas então ela chama o empregado para lhe pedir a conta e o momento passa. Ele deixa-se estar sentado e ela vai-se embora.
No domingo cruzam-se no átrio de um cinema. Estão ambos acompanhados, vão a salas diferentes. Sustêm a respiração a escassos metros um do outro, os seus olhos fixam-se num espanto recíproco, num relâmpago eterno, e, pela primeira vez, assumem um reconhecimento mútuo, pois ele sorri-lhe e ela faz-lhe uma vénia ligeira com a cabeça, de um modo divertido. A meio da semana ele vai almoçar com um cliente importante a um restaurante requintado da moda e lá está ela para o receber, sorridente, desinibida, dona de um caderno onde escreve à mão e opõe vistos nos nomes das pessoas que chegam com mesa marcada. É relações públicas e veste-se de forma discretamente elegante, uma camisa preta, uma saia arroxeada de seda.
 - Parece que nos encontramos em todo o lado, comenta ele, encantado por a ver.
Ela ri-se.
 - É o destino, graceja.
Dois dias mais tarde, ele chega ao jardim, solta a trela do cão e este corre para junto do dela. Ele aproxima-se dela, sentada num banco, aponta para o lugar ao seu lado, ela faz-lhe sinal com a mão para que se sente.
 - Agora que já sabe o meu nome, diz ele, gostava de saber o seu.
Ela ri-se, diz como se chama e depois começam a falar com naturalidade, como se conhecessem desde sempre.

(17/03/2013)
Rodrigues Joaquim:

"Espetáculo" (HD) Joaquim Rodrigues


" Desabafo"

"Desabafo do Joaquim"

"Azul" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Sol Existe"



"Torneró" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amor e Carinho"



Sabemos que o poeta, é um ressuscitador.
Ressuscita a saudade,
ressuscita o amor.
Ressuscita a paixão,
ressuscita até a dor.
É no silencio da calma, no conflito da razão.
Que escreve versos e trovas,
falando de paixão.
Corre nas veias o sangue,
da saudade e do amor.
O poeta sim senhor! É um grande sonhador.
Qual poeta que não fala,
de amor no seu versado?
Os poemas sem amor,
não têm significado.
Despromovido de ternura, nem sentimento igual.
Falta-lhe a imaginação,
falta-lhe amor no coração.
Eternos são os poetas, criadores e criativos.
Criam amor criam ilusão,
mantêm a paixão acesa.
Nos seus versos ele mostra, no amor toda beleza.
 
(27/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"O que é o Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


terça-feira, 26 de março de 2013

"Parabéns"



"Como é bom recordar! Tenho dias que fecho os olhos e esforço-me! Vejo-me naquela janela antiga, sinto a vizinhança da minha amada, como se fosse agora mesmo! Bem, se o afeto que eu lhe jurei, permanece ainda vivo em mim! Mas como é bom recordar! Ela pergunta-se o que estará ele a pensar. Ele espreita o seu decote pelo canto do olho. Ela pensa que ele deve achá-la uma tagarela insuportável. Ele só está a imaginar coisas com ela. Ela receia que ele ache que não é suficientemente inteligente, ou culta, sabe lá. Ele pensa que a quer abraçar e beijar. Estão no carro, à porta de casa dela. Foram jantar fora, porque ele faz anos amanhã e aproveitou o pretexto do aniversário para a convidar. Ela ainda não fez dezoito anos e mal conseguiu acreditar quando ele, que já tem dezanove, a convidou. Ficou cinco minutos de boca aberta, incrédula, cheia de calor, nervosa, aflita e a morrer de felicidade. Ele pensou que nunca mais seria capaz de a enfrentar se ela dissesse que não e teve a consciência do coração a bombear no peito como um cavalo de corridas durante os três minutos que ela demorou a responder-lhe. Por fim, aquiesceu e ele pôde voltar a respirar. Claro que foi tudo mais fácil por terem tido a conversa através do chat. Escolheram um restaurante à beira-rio, uma esplanada com um ambiente agradável. Ele foi buscá-la a casa e no caminho não falaram muito. Ela tem amigas que pegam no telefone, ligam a um rapaz e convidam-no para sair, assim, sem mais nem menos. E às vezes odeia-se por ser tão tímida e não se atrever a fazer nada do género. Já ele, nunca teve uma namorada e todos os dias se pergunta como farão aqueles seus amigos que conseguem saltar de namorada em namorada com uma rapidez estonteante.
O jantar decorre sem constrangimentos, a conversa flui facilmente e eles, surpreendidos, conseguem relaxar, aproveitam a companhia um do outro, divertem-se. Ele sente-se aliviado por ela falar tanto e não o obrigar a inventar assunto. Ela, no início, estava tão nervosa que desatou a falar, horrorizada com a perspetiva de caírem num silêncio constrangedor. Mas depois embalou na conversa e ultrapassou a timidez ao ver que ele se ria, divertidíssimo com as suas histórias. No entanto, agora estão no carro e ela pensa que ele deve achá-la uma chata, porque caíram finalmente em silêncio e, provavelmente, ele não diz nada porque está mortinho por se ver livre dela. Ele está a pensar que correu tudo mal porque não conseguiu dizer-lhe que gosta dela. Paralisado, vê-a abrir a porta, despedir--se, partir. Um desastre, pensa. Mas ela tem uma inspiração, volta atrás, abre a porta, entra de joelhos no banco e lembra que é meia-noite!
 - Já me ia embora sem te dar os parabéns, diz.
E, na hesitação de um abraço desajeitado, os seus lábios encontram-se e beijam-se finalmente como desejaram e imaginaram durante a noite inteira.

(28/10/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Amar Alguém" (HD) Joaquim Rodrigues


"Carta a uma Desconhecida"



As tuas cartas vêm tocadas.
Duma ideal melancolia.
Não sei quem és! Mas todavia.
Beijo essas letras desmaiadas.
 
Como as rosas perfumadas.
Que a sombra esconde à luz do dia.
As tuas cartas vêm tocadas.
Duma ideal melancolia.
 
Nas minhas horas tresloucadas.
Horas de febre e de agonia.
Como esperança fugidia.
De mil quimeras iriadas.
As tuas cartas vêm tocadas.
 
(26/03/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 25 de março de 2013

"Quero Amar Sempre" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dez dias de Amor"



Ela vem a Portugal pela primeira vez em muitos anos de sua vida. Chega de avião o transporte possível de cá chegar, trazendo a reboque uma mala de rodinhas. Está de férias e decidiu tirar uns dias sozinha na cidade do Porto, onde não conhece ninguém.
Vai ficar uma semana num pequeno e agradável hotel para os lados de Matosinhos uma pequena cidade um pouco mais a norte da cidade do Porto a cidade que ela vem visitar. Entra no hotel, vai ver o quarto, deixa a mala e volta a sair sem demora, excitada com a perspetiva de aproveitar o resto da tarde. Vai vagueando por Matosinhos, a reparar nos turistas que andam por ali com a maravilhosa sensação de ser também como uma estrangeira numa terra estranha. Mete por uma ruazinha estreita e, chegando ao fim, dá com um café de especto acolhedor. Como tem fome e quer refugiar-se do calor, entra e senta-se a uma mesa. O empregado que vem atendê-la fala-lhe em inglês. Ela solta uma risadinha e pergunta-lhe com o seu sotaque do Brasil.
- O que o levou a pensar que fosse estrangeira?
Ele coça a sua cabeleira já rara, desgrenhada, ligeiramente embaraçado. Ela com cabelo bem tratado ligeiramente castanho claro, olhos castanhos, ar um pouco perdido e sem pressa.
- Achei que era, explica-se, peço desculpa.
Ela ri-se, divertida com a situação.
- Não faz mal, diz ela.
- Não é estrangeira mas é de fora, nota ele.
- Sim, é verdade, sou Brasileira, vivo no estado Rio Grande do Sul.
- Pois, já tinha reparado no sotaque.
Ele vai voltando à mesa dela, para saber se precisa de alguma coisa, para fazer conversa. Ela acha-lhe graça e responde-lhe com gosto. É um homem entroncado, descontraído, veste jeans e t-shirt, tem uma alegria natural que a entusiasma. À saída, vai abrir-lhe a porta e pergunta-lhe se tenciona voltar.
 - Talvez, responde ela, enigmática.
Despede-se, volta ao calor excessivo que ainda faz ao fim da tarde. Mas nos dias seguintes regressa sempre para tomar o pequeno-almoço e ele lá está para a servir, maravilhado por tornar a vê-la. Ela fica a saber que está ali a trabalhar porque tinha ficado desempregado, mas que contava ser por pouco tempo, já tinha em vista algo melhor, e como a vida continua tem que ser, e trabalha ali para pagar os custos de uma casa onde ele vive, fica a saber outras coisas dele. Passam juntos todas as noites, no quarto dela. Ao fim de o 10º dia, ele leva-a ao avião, e depois de a beijar com paixão ajuda-a a subir com a mala e só volta com a partida deste já em movimento.
Regressa a casa com um sorriso triste, já com saudades. Três meses depois ainda sente a mesma azia no fundo do seu estômago, a mesma que sentiu ao ver aquela mulher que o amou com o máximo carinho partir, ele quando se lembra disto deixa sempre cair uma lágrima.
Ela passada alguns meses talvez porque não aguentasse voltou! Entra no café mas não o vê, pergunta por ele a uma empregada. Fica a saber que se despediu e não deixou nenhum contacto. O número de telefone que ele lhe deu já não funciona, procurou-o no Facebook e não o encontrou. De modo que sai do café desconsolada e, após alguns dias a procurá-lo pelos lugares em que andaram, volta ao Brasil com uma desilusão.
Nunca mais saberá nada dele, nunca mais voltará a vê-lo, mas ficará sempre com a melancólica recordação daquele amor de 10 dias.

(14/07/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Yes" (HD) Joaquim Rodrigues


"Há Amor"



"Te Amo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Meu Desejo"



Tu és o meu desejo.
Esta noite eu desejo tudo de ti.
Desejo que sejas uma super mulher.
Uma mulher,super meiga.
E me dês uma super noite.
Esta noite, tu és o meu desejo.
Desejo que a noite seja mega.
A nossa maior noite.
A mais gigante.
A noite onde o amor seja profundo.
Algo do mais imenso, e poderoso.
Sempre abundante, forte e meigo.
Esta noite eu quero-te como um doce.
Um doce cremoso, saboroso.
Que mo faças comer todo. 
Sentir tua boca muito louca.
E saborear todos teus beijos de amor.
Querida, eu esta noite desejo-te.
 
(25/03/2013)
Rodrigues Joaquim

"Perdidamente" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ela é Catrastófica"



Encontrou-a numa festa em casa de amigos comuns e quis conhecê-la porque, embora não fosse a mais bonita, era a alegria em pessoa, e toda ela irradiava uma promessa de felicidade.
Aproximou-se dela mas teve dificuldade em manter uma conversa, pois via-a falar com as pessoas e não parava quieta na sua boa disposição de sorriso aberto e gargalhada fácil. Espalhava essa boa disposição pelas salas por onde circulava com um desembaraço mundano. Parecia conhecer toda a gente, ao contrário dele que à entrada reconhecera apenas algumas caras dispersas e fez um esforço pela noite fora para não ficar sozinho, apesar de ver as companhias ocasionais desfazerem-se ao fim de algumas palavras de circunstância. Agora que a festa acalmou e muitos convidados foram partindo, ele desistiu de falar com alguém e consola-se com o conforto de um sofá, com uma última bebida na mão, a observar as pessoas, como que pairando sobre o ambiente. Ela vem e senta-se ao seu lado, surpreendentemente, começa a tagarelar com ele. Afinal, não o perdera de vista.
De manhã ele vai correr à beira-rio e volta a encontrá-la. Ela mostra-se radiante, tão alegre como na noite passada.
- Que coincidência, exclama.
- O mundo é pequeno, diz ele.
Embora ambos saibam que ela referira que costumava correr ali aos domingos. Vão tomar um café juntos num barzinho ali mesmo em frente. Ela fala muito, é expressiva e divertida, ele está deslumbrado e contagiado com tanta alegria, porque ela o faz rir e isso é bom.
Passa um mês e mais outro. Ele está na sala a ver televisão. Ela senta-se ao seu lado a falar. Conta várias histórias encadeadas sem parar. Ele só quer ver televisão, mas não sabe como dizer-lhe isto, nem ela lhe permite que o diga, pois fala sem parar e sem o ouvir. O entusiasmo inicial foi tanto que já vivem juntos em casa dele. Bem, o entusiasmo inicial feneceu, ela quer atenção o tempo todo e ele quer ver televisão em paz. Ao fim de algum tempo, compreendeu que ela não é tão alegre como aparentava, é dada a altos e baixos, a euforias seguidas de depressões profundas, e ele, que é apenas normal, fica perdido neste carrossel de emoções excessivas. Ela fez-lhe uma cena de ciúmes e partiu metade do serviço no chão da cozinha. Noutra ocasião, quis fazer o jantar e provocou um incêndio. Parece um filme! Ela é catastrófica e ele quer recuperar a sua vida, o seu sossego, sentar-se no sofá sem correr risco de morte. De modo que, apanhando-a fora de casa, muda a fechadura da porta da rua, põe-lhe as malas no lado de lá e um bilhete sucinto:
- Fui para o Brasil.
Em seguida vai para a sala ver um filme, sem som, sem fazer um ruído, aliviado, a pensar que só quer é ficar sossegado a ver televisão em paz.

(10/10/2012)
Joaquim Rodrigues

"Você Acredita" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ouça-me"



"Dormindo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Honestidade"



"Ilumina minha vida" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Carta a Minha Mana"



Olá mana! Como estás tu? E os meus sobrinhos lindos estão bem? Tenho saudades vossas. E dos pais, claro. E do teu bolo de brigadeiro. E de umas amêijoas à Bulhão Pato.) E do sol de Portugal também tenho saudades. Sinto falta do sol. Estou a escrever-te este e-mail depois de abrir a tua encomenda. Já recebi!
 Adorei a surpresa.«Keep Calm and Trust Me: I"m Portuguese.» Bela T-shirt. É que é isso mesmo. É exatamente isso que sinto por aqui. É o que te dizia há dias, quando falámos. As Dinamarquesas não confiam em mim. Ou não confiam nos homens. Nem dão hipótese. Despacham um gajo em três tempos. Mais! Para começarem a andar com um tipo, têm de ser elas a decidir isso. Mesmo que eles faça a corte como deve ser e mesmo que eles, claramente, as conquistes, elas enfiam na cabeça que foram elas que lhes deram a volta. É uma cena cultural delas. Quando têm namorados, não foram elas que cederam aos avanços deles. Foram eles que foram conquistados por elas. Ou então sou eu que não percebo nada disto. Às tantas sou tão Portuga, e penso de tal maneira como um latino, que acho que temos de ser nós a conquistar as mulheres. E escusas de me chamar machista. Olha, não sei. Quando vim viver para cá, um colega Português que trabalha comigo lá no atelier avisou-me logo disso. Eu não liguei muito, mas já vi que ele tem razão. A coisa anda mesmo complicada para o teu irmãozinho. Eu, que sou lusitano de gema, Portuguesinho de alma e coração, ando meio perdido no reino das nórdicas. Isto de ser emigrante faz-nos a olhar para o engate de maneira diferente. Um gajo vive até aos 35 anos no país à beira-mar plantado, acha que sabe umas coisas e que o que não sabe aprende e, de repente, aterra noutra realidade. E eu achava que era muito viajado, e que já tinha visto muito. Qual quê?! Uma coisa é viajar, outra é viver noutro país. Muda tudo. Muda o tempo, muda a comida, muda a forma como as pessoas falam, e muda a conquista. Arrastar a asa para cima de uma portuguesa é uma coisa. Dar a volta a uma dinamarquesa é outra. Não é que seja mais difícil ou mais fácil. É diferente. E ou aprendemos depressa, ou ficamos a apanhar bonés.
Olha que os meus amigos que estão noutros países dizem o mesmo. O Carlos está em Düsseldorf e diz o mesmo das alemãs. O Pedro já esteve na Polónia e na Holanda, agora está em Londres, e queixa-se das colegas de trabalho: ou são distantes à brava ou só o querem para sexo. He he he. Tu acreditas nisto? De vez em quando falamos todos por Skype e o Vasco, que está em Madrid, goza connosco. Está sempre a perguntar se já sabemos como é que funcionam as mulheres do Norte. O problema não é engatar gajas. O problema é conquistá-las. É diferente.
Há coisas que são iguais no mundo inteiro: conheces alguém, dás dois dedos de conversa, bebes um copo, ou dois, ou três, o álcool faz efeito, fazes a outra pessoa rir, ou há química ou não há, e pronto. O sexo é mesmo uma linguagem universal. Um dia quando de fartares do enjoado do meu cunhado Português, vais ver (he he he, desculpa, não resisti).
Só em Portugal é que as mulheres são umas complicadinhas e só vão para a cama na terceira ou quarta vez que saem com alguém. Um amigo meu dinamarquês já esteve aí e diz que as Portuguesas são as afegãs da Europa, que só falta andarem de burca. É um exagero, mas é verdade que quanto mais te afastas do Sul, mais descontraídas são as mulheres. Não são oferecidas. São descomplicadas. Mas isso é no sexo. No engate. Se queres conquistar alguém aqui, tens de pensar de forma diferente. E eu ainda não descobri. Mas não vou desistir. Pode ser que a tua T-shirt ajude.
Um beijinho de saudades.

(24/03/2013)
Joaquim Rodrigues

" Ceder" (HD) Joaquim Rodrigues