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sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Maeva" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dez dias de Amor"


Ela vem a Portugal pela primeira vez em muitos anos de sua vida. Chega de avião o transporte possível de cá chegar, trazendo a reboque uma mala de rodinhas. Está de férias e decidiu tirar uns dias sozinha na cidade do Porto, onde não conhece ninguém. Vai ficar uma semana num pequeno e agradável hotel para os lados de Matosinhos uma pequena cidade um pouco mais a norte da cidade do Porto a cidade que ela vem visitar.
Entra no hotel, vai ver o quarto, deixa a mala e volta a sair sem demora, excitada com a perspetiva de aproveitar o resto da tarde. Vai vagueando por Matosinhos, a reparar nos turistas que andam por ali com a maravilhosa sensação de ser também como uma estrangeira numa terra estranha. Mete por uma ruazinha estreita e, chegando ao fim, dá com um café de especto acolhedor. Como tem fome e quer refugiar-se do calor, entra e senta-se a uma mesa. O empregado que vem atendê-la fala-lhe em inglês. Ela solta uma risadinha e pergunta-lhe com o seu sotaque do Brasil.
- O que o levou a pensar que fosse estrangeira?
- Ele coça a sua cabeleira já rara, desgrenhada, ligeiramente embaraçado. Ela com cabelo bem tratado ligeiramente castanho claro, olhos castanhos, ar um pouco perdido e sem pressa.
- Achei que era, explica-se, peço desculpa.
Ela ri-se, divertida com a situação.
- Não faz mal, diz ela.
  - Não é estrangeira mas é de fora, nota ele.
- Sim, é verdade, sou Brasileira, vivo no estado Rio Grande do Sul.
- Pois, já tinha reparado no sotaque.


(Joaquim Rodrigues)
Ele vai voltando à mesa dela, para saber se precisa de alguma coisa, para fazer conversa. Ela acha-lhe graça e responde-lhe com gosto. É um homem entroncado, descontraído, veste jeans e t-shirt, tem uma alegria natural que a entusiasma. À saída, vai abrir-lhe a porta e pergunta-lhe se tenciona voltar.  - Talvez, responde ela, enigmática.
Despede-se, volta ao calor excessivo que ainda faz ao fim da tarde. Mas nos dias seguintes regressa sempre para tomar o pequeno-almoço e ele lá está para a servir, maravilhado por tornar a vê-la. Ela fica a saber que está ali a trabalhar porque tinha ficado desempregado, mas que contava ser por pouco tempo, já tinha em vista algo melhor, e como a vida continua tem que ser, e trabalha ali para pagar os custos de uma casa onde ele vive, fica a saber outras coisas dele. Passam juntos todas as noites, no quarto dela.
Ao fim de o 10º dia, ele leva-a ao avião, e depois de a beijar com paixão ajuda-a a subir com a mala e só volta com a partida deste já em movimento. Regressa a casa com um sorriso triste, já com saudades. Três meses depois ainda sente a mesma azia no fundo do seu estômago, a mesma que sentiu ao ver aquela mulher que o amou com o máximo carinho partir, ele quando se lembra disto deixa sempre cair uma lágrima.
Ela passada alguns meses talvez porque não aguentasse voltou! Entra no café mas não o vê, pergunta por ele a uma empregada. Fica a saber que se despediu e não deixou nenhum contacto. O número de telefone que ele lhe deu já não funciona, procurou-o no Facebook e não o encontrou. De modo que sai do café desconsolada e, após alguns dias a procurá-lo pelos lugares em que andaram, volta ao Brasil com uma desilusão.
Nunca mais saberá nada dele, nunca mais voltará a vê-lo, mas ficará sempre com a melancólica recordação daquele amor de 10 dias.

(10/06/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Na Cabana" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Rio"


"Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Rosa"


"Importante é você Comigo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Trinta dias, Trinta Anos"


Conhecem-se no comboio, algures entre Portugal e França. Ela vai para Paris, ele para Berlim. Têm ambos vinte e poucos anos e viajam sozinhos. Vêem-se pela primeira vez quando se sentam frente a frente numa carruagem de passagem por Espanha. Ele surpreende-a a espreitar por cima do livro que tem nas suas mãos, interessada na capa do livro que ele lê. Sorri-lhe.
- Já leste este? Pergunta-lhe.
- Não, responde ela, é bom?
- Para dizer a verdade, não estou a adorar.
- E o teu? Ela encolhe os ombros.
- Eh ! Já li melhor.
E é o início de uma longa conversa que lhes permite conhecerem-se melhor. Vão assim, por aquelas horas todas, na companhia um do outro, sempre a falar, sem darem pelo tempo a passar.
Chegados a Paris, despedem-se com a sensação de terem uma ligação, como se se conhecessem há muito mais do que aquelas escassas horas no comboio. Mas antes, ele propõe-lhe trocarem de livros.
- Lês o meu e eu leio o teu, depois digo-te o que achei, e tu fazes o mesmo.
- Combinado, - concorda ela.
(Joaquim Rodrigues)
Ele lê o livro dela durante o resto da viagem. Ela faz o mesmo em Paris. Em breve estão de novo em contacto telefonico, a propósito dos livros, ou tendo estes como desculpa para voltarem a falar, pois ficou-lhes uma enorme vontade de se juntarem outra vez. Atravessam a semana seguinte em permanente contacto, falando ao telefone, dizendo onde estão, o que fazem, o que pensam das coisas que vêm ou experimentam.
Por fim, não resistindo à distância que os separa, acabam por combinar um encontro em Estrasburgo, a meio caminho entre Paris e Berlim. Cada um deverá tomar o seu comboio em direção à cidade francesa, junto à fronteira com a Alemanha.
Passaram-se trinta anos. Ele está na estação em Estrasburgo quando ela chega. Abraçam-se. Falam em inglês, porque ela não sabe alemão e ele não sabe francês. Ela repara que ele agora tem o cabelo todo branco, mas de resto continua o mesmo. Também ela tem umas rugas mais, mas reconhece-lhe o mesmo sorriso juvenil de antigamente. Já lá vão tantos anos e hoje deixaram as suas famílias por vinte e quatro horas, para se reverem.
Recentemente, descobriram-se por sorte no Facebook e mantiveram o contacto, sempre que podem, corem para o Facebook para matar aquela saudade que os vai roendo por dentro.
Mas agora sentam-se num café, abanam a cabeça com um sorriso desconcertado e pensam como poderiam ter sido diferentes as suas vidas se tivessem chegado a reencontrar-se naquela época. Tinham combinado regressar a Estrasburgo trinta dias mais tarde, mas afinal, por motivos distantes que hoje lhes parecem menores, embora determinantes na altura, só o fizeram trinta anos depois.

(12/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Calma de Rosas" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ingénua Felina"

(Joaquim Rodrigues)

Amo o teu olhar cor de mel.
Esse teu sorriso de felina.
Conheço tua alma teu fel.
Essa tua paixão assassina.
 
No teu coração de papel.
És uma ingénua menina.
Pintas o amor com pincel.
Nessa tua vida libertina.
 
Tu guardas nas tuas entranhas.
Todos os desejos mais puros.
E na essência das manhas.
 
Tu seduzes os imaturos.
Que caiam em tuas manhas.
Nesses momentos obscuros.
 
(12/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Será?" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tão Forte e tão Frágil"


Normalmente, ela é muito senhor de si, muito segura. Bem, pelo menos é a imagem que as pessoas têm de si, que ela própria projeta. Mas por vezes perde a confiança subitamente e então fica deprimida, quase assustada. Basta uma palavra errada que lhe digam, uma crítica maldosa, e fica infeliz para o resto do dia. É difícil de explicar esse seu sentimento, ela mesma não consegue arranjar uma explicação muito racional. Sabe o que o desencadeia, mas não sabe porque é tão forte, porque uma simples frase negativa de alguém a seu respeito tem o poder de a desmoralizar.
Habitualmente, reage como as pessoas esperam que reaja, mal, responde mal, agressiva. Mas só ela sabe como essa reação dura, que procura anular quem a põe em xeque, é afinal uma fraqueza. As pessoas retraem-se quando lhes fala assim, levanta a voz, disparata, no entanto, depois não é capaz de esquecer, fica a empreender no que aconteceu, no que lhe disseram, no que disse. Nessas alturas sente-se muito frágil, olha em redor no trabalho e tem a sensação de que todos os colegas estão com um pensamento crítico sobre ela, não obstante cada um estar na sua vida, ocupado com o seu trabalho.

(Joaquim Rodrigues)
Hoje é um desses dias e, quando sai do emprego, caminha pela rua com as pernas a tremer. Sente-se insegura e ocorre-lhe a ideia absurda de que um destes dias pode quebrar-se algo dentro de si, na sua cabeça, e nunca mais conseguir ter controlo sobre os pensamentos, sobre as emoções, tornar-se definitivamente incoerente. Pergunta-se se será isso a loucura, se todas as pessoas sentem o mesmo, se anda o mundo inteiro à beira da loucura mas, tal como ela, esconde esse medo dos outros.
Vai na rua, passa defronte de uma montra, vê-se de relance, pára, volta-se para o vidro fingindo-se interessada nos artigos da loja. Fica ali uns instantes a observar-se. A imagem que o vidro reflete não é a pessoa que está ali. A pessoa que ela vê é bonita, vestida de um modo atraente, quase ousado, de saia curta, desinibida, como que andando pela vida sem uma preocupação.
Chega a casa, tranca a porta, prepara um chá e vai enroscar-se no sofá, sentindo-se fraca e irritada. Pensa que lhe falta alguém que a abrace nestas alturas, oferecendo-lhe a certeza do refúgio seguro que a liberte de todos os medos.
No entanto, recebe uma mensagem no telemóvel, um convite para jantar. Suspira. Ele é a pessoa certa no momento certo. E decide que chega de sentir pena de si própria e, já mais animada, responde-lhe que sim, com uma esperança de que a noite lhe salve o dia.
“Mulher, pensa nisso por favor, a tua vida não depende só de um dia, mesmo que esse dia não seja muito bom, logo a felicidade chega via mensagem.

(12/04/2013)
Rodrigues Joaquim: