Joaquim Rodrigues
Amar, é um desafio à autoridade dos pessimistas, de todos
os mal-amados, dos donos da verdade, dos descrentes da felicidade, dos vigias
da vida alheia, e todos que estão contra. Quem ama desobedece à lógica de um
contra o outro, à fórmula do cada um por si, ao vício odioso do confronto, mas
o amor ainda tem os seus valores.
Conheço um casal que namoravam há cerca de três anos, e
recentemente terminaram, essa relação, na verdade confesso que até a mim doeu essa
separação. Tanto tempo junto, jurando amor, combinando tantas coisas para o
futuro que adivinhava ser como um conto de fadas, e de repente cada um para o
seu lado, cada um sem um destino marcado.
Pois é, quando a gente vive por fora conseguimos ver o
que é mais difícil ver por dentro, conseguimos reflectir melhor, de fora a
história é mais fácil de entender, é como no cinema, os personagens são outros,
não somos nós entendemos melhor, e a gente só sente montanhas de desejo em ser
o actor, ou actriz, o desejo para abraçar para beijar forte como eles o fazem no
final da cena, mas isso é só no cinema, na vida real, o ser humano é muito pequeno
para encarar a eternidade, e grande demais para se acostumar com a rotina. Foi
só pensar sobre os relacionamentos de hoje, e logo começamos a entender que talvez
seja por esse motivo que hoje não duram muito, sei lá!
Talvez eles precisem desse adeus, pensei, talvez fosse
porque o ano novo entrou, talvez tenham os dois, novos planos, mas se assim
for, talvez então andassem os dois a mentir um ao outro, com beijinhos e
abraços gastando três anos de amor impossível, não sei.
Agora tenho olhado melhor para eles, ele continua no seu
trabalho, viaja e depois se junta aos amigos contando suas histórias que na sua
vida vai tendo, histórias incríveis. E ela ficou mais desligada, muito mais
independente mas também mais bonita.
Notei também que os dois têm novas amizades, novas
paixões, novas emoções, o tempo vai passando e quase já não se lembram mais um
do outro, e do que os dois juntos passaram.
Ele foi viver para uma outra cidade, e ela continuou a
viver na mesma cidade.
A semana passada fomos todos chamados para uma festa
todos os amigos, era uma festa anual serve para todos os amigos se unirem, na
altura não sei porquê levantou-me a curiosidade de quem iria aparecer na festa,
e os dois estavam lá. É verdade depois de alguns anos eles se terem separado, estavam
os dois na festa, era ali o primeiro reencontro.
Ela estava linda demais, penteado novo de corpo esbelto
enfiado num vestido sensual, capaz de fazer inveja a qualquer outra mulher que
lá se encontrava.
De repente eu não pude deixar de reparar a troca de
olhares constante dos dois. Foram se juntando e conversaram a noite toda, e vi
ela sorrir, e ele muito interessado em lhe dar a máxima atenção, e até passar a
mão no rosto dela, nunca mais distância alguma existiu. E durante todo o tempo
que a festa durou, nunca mais eles se distanciaram um do outro.
No dia seguinte ele contou-me que a tinha convidado para
jantarem os dois no próximo fim-de-semana e, desde então, eles nunca mais se
separaram. Encontrei-a no shopping um dia destes, e com um sorriso no rosto, ela
me disse
- Conheci um novo
amor - eu fiquei de rosto sério esperando entender melhor.
- Conheci um novo
amor, e amo muito, e continua a ser, a mesma pessoa.
Então comecei a entender que o amor é um senhor teimoso
de braços cruzados, vai andando até conseguir o que quer, todos podemos
atravessar o mundo de um lado a outro, virar tudo do avesso, mudar nossos
gostos, nossos planos, podemos até casar novamente, ter filhos e mudar de
cidade, mas o que tiver que ser teu, sempre será.
Não adianta discutir com o amor, ele não nos ouve, ele
até nos pode dar um tempo, mas quando ele escolhe duas vidas, duas almas elas tornam-se
bússola uma da outra. Não se perdem nem nunca se largam.
“25/09/2016”
(Joaquim Rodrigues)
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