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quarta-feira, 20 de julho de 2016

"Se tudo fosse Permitido"


Joaquim Rodrigues


Se tudo fosse permitido os dois teríamos um dia lindo 
faríamos as nuvens mais belas, muito mais claras 
caminhava-mos de mãos dadas no parque da cidade 
e tomávamos café no pequeno bar que lá existe 
e ao recolher do Sol, íamos em murmúrios de amor, juntinhos, para casa 

se tudo fosse permitido, só apenas um dia contigo 
sentávamos os dois na relva do jardim perto do lago 
e tu atiravas aos pássaros o pão que eu guardei no bolso do meu casaco 
soltávamos risadas divertidas pela disputa que tu tinhas com as aves 
e eu, por ter passado o dia contigo, seria um homem muito feliz 

se tudo fosse permitido, ajudávamos a limpar as nossas cabeças, um ao outro
e assim, o nosso mundo seria muito mais feliz, muito mais perfeito 
eu segurava o teu corpo com os meus braços, olhava-te fundo dos teus olhos 
e perto dos teus lábios da tua boca, eu corrigia todo tempo perdido todo desejo 
tudo o que tu pedes há muito por ser profundo deixava-me perder no teu beijo 

se tudo fosse permitido, os dois num só dia transformávamos lágrimas em sorrisos 
tristezas em alegrias, e num só dia construíamos a felicidade que o mundo mais precisa 
mesmo que o tempo fosse pouco atirávamos para o ar muito amor e carinho 
e fazíamos ao redor do nosso mundo a felicidade de olhares de admiração 
se tudo fosse permitido, dávamos ao mundo uma lição

 “20/07/2016” 
(Joaquim Rodrigues

"Recochete" HD



                         Joaquim Rodrigues

"ALMA GEMEA"


Não existe sonho nenhum mais lindo, mais importante na nossa vida, que o sonho de ter um dia uma alma gémea, nem que seja no fim do mundo, uma alma bem perto da nossa como a vida.
O que fica a restar depois de tudo o que fizemos e dissemos? A gente pode traí-la contrariá-la, mesmo sabendo, que nunca podemos conhecê-la. Só a podemos conhecer através duma alma gémea mas como é que conseguimos falar com ela? Mas como faze-lo se as almas gémeas quase nunca se encontram?
Mas na verdade quando as almas gémeas se encontram, elas abraçam-se beijam-se, e tornam esses momentos muito especiais, momentos em que alguém nos diz algo que nunca ouvimos dizer antes, que reconhecemos sem saber de onde, que nos faz mergulhar num infinito sem querer, é como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, que nunca pensamos vir a ter.
Ficamos com o coração aos pulos, aos saltos dentro do peito, e aí, a alma sente o coração a soluçar como um doido, que nos chega a chatear.
 A alma é uma nuvem branca onde estão riscados todos os sinais indecifráveis da nossa existência, a alma não muda, não se mostra, não se dá a conhecer, o coração ama, mas é na alma que o amor mora todos os amores de toda a nossa vida. A alma solta o coração, deixa-o à solta, porque ela sabe que o coração é tonto, não se preocupa com ele, sai do corpo, porque tem mais que fazer.
E o que faz então a alma? Manda escondidamente na parte da nossa vida que não tem expressão material ou física. A alma não tem desejo, não tem saudades, não sofre nem ri, a alma decide o que o coração e a razão decidir.
A alma não é uma essência ou um espírito, é a fonte, o repositório, a configuração interior. A alma é aquilo, de que não se pode falar. A não ser que se encontre uma alma gémea. Gémea não é ser igual, é parecida, não é um espelho, é uma janela, não é um reflexo, é uma refracção. Como é que se reconhece uma alma gémea? Reconhece-se num abraço, o coração pára de bater, a existência é interrompida, no abraço do irmão, do amigo, da amante, há sensação, do corpo, do tempo, do coração. Há sempre a noção dum gesto posterior, no abraço de duas almas gémeas, mesmo quando se amam, o abraço parece o fim. Uma pessoa sente-se, ao mesmo tempo, protegida e protectora. E a paz é inteira, nenhum outro gesto, nenhuma outra palavra, é precisa para a completar, pode passar a vida toda, não importa.
Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se um alívio imenso de não ter de viver, não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença.
(20/07/2016)
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues