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quinta-feira, 21 de março de 2013

"Primavera"



Ela passou o sábado ocupada a tratar da roupa, mudar os lençóis das camas, aspirar, enfim, a fazer o que vai ficando para trás durante a semana, entre o emprego e o filho. Hoje, como ele foi para casa do pai, aproveitou. Mas quando a luz do dia acaba e se senta sozinha na sala, a penumbra e o silêncio trazem uma melancolia. De modo que decide sair, ver gente, tomar um café. Na rua, vai caminhando devagar, apreciando o perfume da Primavera. Pára por momentos, atraída por uma montra.
Ele cruza-se com ela nesse momento e vê-a a sorrir sozinha, a olhar para a montra, mas não percebe a razão. Foi porque achou graça a uma bola de vidro, daquelas que neva se for agitada. Mais à frente, ele dá com uma esplanada e pára a ponderar. Há uma mesa livre e o ambiente é convidativo. A noite está amena e as pessoas conversam animadamente ali à beira do movimento tranquilo do bairro. Pensa não tenho pressa para nada, encolhe os ombros instintivamente e resolve ficar. Já na esplanada, ela repara numa mesa vazia e, ao passar por ele, vê-o avançar também para a mesa. Sorriem um para o outro, constrangidos.
- Quer sentar-se? Pergunta ele.
- Não, deixe estar, responde ela.
- Parece que não há mais nenhuma livre, diz ele, podemos ficar os dois nesta, se não se importar.
Ela hesita um segundo, mas aceita. Apresentam-se, pedem cafés, falam do tempo maravilhoso que faz. Depois descobrem que moram no mesmo bairro e cresceram na mesma escola, embora não se lembrem um do outro. Ela refere que tem um filho, que hoje está com o pai. Ele mostra-lhe a mão aberta, sem aliança e diz.
 - Eu ainda nem sequer casei.
 Passou uma hora e, repentinamente, ela anuncia que tem de ir. Contudo, de regresso a casa, pensa que gostou dele e recrimina-se por ter cedido aos receios, por se ter afastado, por não se querer apaixonar com medo de sofrer. Já ele, pensa que estúpido, nem sequer lhe pedi o contacto! E, num impulso, vai atrás dela. Percorre dois quarteirões a correr, sem a descobrir, volta para trás, lança um olhar em redor e dá com ela no passeio do lado de lá. Atravessa a rua, chama-a, alcança-a quase sem fôlego. Ela vira-se, surpreendida, e ele a rir-se, a arquejar, pede-lhe só um bocadinho para recuperar.
- Que foi? Pergunta-lhe, divertida.
- É que não me deu o seu número de telemóvel e podem passar mais vinte anos sem nos voltarmos a cruzar.
Ela solta uma gargalhada, dá-lhe o número, diz-lhe adeus outra vez. Deixa-a ir com um aceno cansado, encosta-se a um carro, grava o número e liga-lhe. Ela acabou de virar a esquina, abana a cabeça, atende.
- E já agora, diz ele, como estamos os dois sozinhos, não quer vir jantar comigo?

(27/02/2013)
Joaquim Rodrigues:

quarta-feira, 20 de março de 2013

"Nunca desvalorizo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Anjo da Guarda"



Às três e meia da manhã, concentrado no computador, agarra sem olhar no maço de tabaco mas percebe que os seus dedos não encontram nenhum cigarro. Tenciona prolongar o serão para acabar de vez o processo. Mas sem cigarros não consegue pensar, sente-se irracional, como se o fumo tivesse realmente a ver com isso, mas a verdade é que o ajuda. Desde o acidente, tem mais dificuldade em concentrar-se. Suspira, contrariado, decide ir à bomba de gasolina comprar tabaco.
Entretanto! Às três e meia da manhã, quando dobra a bata com gestos cansados, o seu turno no hospital já terminou há muito, mas um casamento que começou mal entrou de urgência e foi uma confusão com cento e cinquenta convidados intoxicados a expelir de jorro um mar de camarões venenosos para os baldes arranjados à pressa.
Chega à rua e inspira o ar fresco da noite, apercebendo-se como se acaba insensível ao ambiente saturado lá de dentro. Pensa na mãe a dizer-lhe que passa demasiado tempo no hospital e que vai casar com um médico ou ficar solteira. Encolhe os ombros ao pensamento, só quer ir para casa. Mas lembra-se que não tem cigarros e que terá de passar pela bomba de gasolina. Compra um maço de tabaco que lhe chega através da caixa de segurança empurrada pelo homem no outro lado do vidro, abre-o, retira um cigarro, procura o isqueiro nos bolsos mas uma chama acende-se à frente dela. Leva o cigarro à boca, acende-o. Levanta os olhos e sente um impacto de reconhecimento ao ver aquele rosto sorridente. Diz um obrigado mudo de espanto.
- De nada, responde ele, e afasta-se, ficando por ali encostado a uma moto. Ela hesita em falar com ele, mas é irresistível. Aproxima-se.
- Não se lembra de mim, pois não?
- Não, responde-lhe, surpreendido.
- O acidente há uns anos, diz ela. Quantos foram? Pensa, quase quatro.
Parece que o está a ver, inanimado no asfalto como morto, a moto desfeita, a ressuscitá-lo com manobras respiratórias, os seus olhos confusos, assustados, presos aos dela, a segurar-lhe a mão enquanto não chega a ambulância. Foi o seu primeiro salvamento, nunca mais o viu. Conta-lhe tudo.
- Foi você! Exclama ele com os olhos turvos de emoção, e abraça-a num impulso, o meu anjo da guarda.
E ela sem saber o que fazer às mãos, embaraçada.
- Não imagina o que eu a procurei, queria tanto agradecer-lhe, percorri os hospitais todos!
Seis meses passaram. Ela acaba o turno e vai para casa. Ele está à sua espera a trabalhar no computador e levanta-se logo para a abraçar. Nunca se cansa de a abraçar. E para ela é a melhor hora do dia, quando volta para ele.
A mãe agora abana a cabeça e diz-lhe com uma fatalidade que não casou com o médico, casou com o paciente!

(04/11/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Frozen" (HD) Joaquim Rodrigues


"Quero um Doce"



Meu desejo de hoje, e sempre.
Foi sempre o que eu mais quis.
Enrolar-me no teu prazer.
E me sentir contigo, feliz.

Eu quero que uses o meu corpo.
E quero que me experimentes.
Quero de mim tomes conta.
Uses tua língua, e teus dentes.

Cheios de vontade contigo eu quero.
Os teus beijos, teu lado de louca.
Teu lado rude mexer no teu vício.
Quero estar contigo, quero tua boca.

(20/03/2013)
Rodrigues Joaquim

"A Solidão é um Pecado" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amores Desencontrados"



Acordo com o som da chuva a bater na minha janela, olho para o relógio da mesinha de cabeceira e reparo que já é tarde, abro os olhos lentamente, olho em redor, estou sozinho. Vejo-me ao espelho na casa de banho, passo a mão pelo queixo áspero da barba por fazer, deixo-a ficar assim. Tomo um duche demorado, visto, calças de ganga, t-shirt, sapatos de ténis, um casaco grosso por cima. Saio de casa, entro no carro, arranco em direção ao mar. Sento-me numa esplanada de Gaia tomo o café da manhã, e vou ver a praia vazia, assaltada pelas ondas. Apesar do Inverno, está um dia bom. O sol aquece. Na água, por entre a espuma da rebentação selvagem, saltam as velas das pranchas que ganham velocidade com o vento forte, para lá e para cá, sem dificuldade aparente. Eu coloca os pés em cima de uma cadeira em frente e deixo-me ficar a observar as manobras das pranchas. Posso ficar uma, duas horas assim, a admirar a praia, as pranchas, as velas, até o pôr-do-sol chegar. O telemóvel anuncia uma mensagem. Levanto os óculos de sol para ler melhor o texto. Largo o aparelho em cima da mesa sem responder à mensagem. É de uma mulher com quem não me apetece falar. Mais uma, tenho várias semelhantes que me foram sendo enviadas durante o dia por outras mulheres. Não me apetece nenhuma delas. A única que quero já não me envia mensagens, nem telefona. Nem sei bem porquê, só sei que desistiu de mim sem qualquer explicação. E a culpa não é de ninguém, não há culpa, há só aquele vazio da saudade de alguém que já não está aqui perto de mim. Sou um homem na sua ilha. Sou bom no que faço, um trabalho solitário que me dá muito dinheiro e fama e não me ocupa muito tempo. As pessoas dizem-me coisas mas com inveja, que é o ideal, muito por pouco. Eu limito-me a sorri-lhes. Não sou casado e não tenho filhos a cargo. Sobra-me tempo, e espaço, na minha vida. Não há mais ninguém na esplanada. Sinto fome, reparo que me esqueci de almoçar. Agora penso em jantar. Solto um suspiro de resignação, agarro no telemóvel, passo em revista as mensagens por responder. Qual ade ser? Não quero jantar nem acabar a noite sozinho. Enquanto vejo os nomes, penso que todas me deram bastante prazer, mas foi só isso. Só uma me deu seu amor, a que não me responde, e eu também lhe dei o meu amor. Acabo a cerveja, peço outra. Bebo sem pressa, enquanto me decido. Envio uma mensagem, combino o jantar. Entretanto a tarde vai caindo, o sol enfraquece, levanta-se um vento frio. Daqui a pouco vou-me embora a pensar nela, onde estará? O que estará a fazer, essa mulher? E vou a pensar na ironia dos amores, tantas vezes desencontrados.

(24/10/2012)
Joaquim Rodrigues

"Estou Navegando" (HD) Joaquim Rodrigues


"Infidilidade"



Eu sei que estou errado, e não devo fazer nada do que fiz.
Agora  tu não me queres, porque pensas que tenho compromisso.
Mas acho que devemos esquecer, e tentar mais uma vez.
Vou te provar minha fidilidade, deixa de lado essa tua timidez.
 
O que eu sinto por ti, é de coração, não posso negar.
Vivo é com medo, porque eu me, apaixonei de verdade.
Se pensas que eu tenho outra, não tens culpa disso.
E se ela descobrir é uma reposição, não pense nisso.
 
Se existe alguém errado nesta história sou eu.
Eu quis foi viver uma aventura, foi um sonho meu.
Desculpa-me, e deixa fluir, o tempo vai mostrar a verdade.
Mas se não quiseres que posso fazer? Eu vou tentar, te esquecer.
 
Mas por favor te peço, em nome dos dois, dá uma oportunidade.
Vamos viver este nosso belo romance, quero mostrar-te o meu amor!
Tudo aquilo eu não pude evitar por amor, agora deixa! Sem maldade.
Aquilo aconteceu, foi sem querer te magoar, não mando no meu coração.
Me apaixonei por você, eu vou te dar muito orgulho e prazer, acredita.
Vou te envolver, em mim, quero te enlouquecer.
 
(20/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Lembra-te de Mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Minha Amiga Isabel"



As diferentes experiências que vamos tendo ao longo da nossa vida faz com que inevitavelmente, por vezes pense-mos que certamente se o conhecimento que temos presentemente fosse o mesmo no passado agiriamos de forma totalmente diferente! Mas, não é esse o enigma da vida? Claro que cometemos erros, passamos por crises, sofremos com conflitos, mas estes encerram uma dupla oportunidade, a de aprender e amadurecer. É preciso encarar a mudança e a vida: mesmo se a primeira relação vier a acontecer de novo, jamais será a primeira relação, pois essa aconteceu e acabou certamente será uma outra relação deferente, quanto as pessoas nela envolvidas. Bem isto a propósito da mulher que foi até hoje acho! A minha melhor amiga, aquela com quem mais tempo passei momentos de felicidade, e me ajudou a ver um lado da vida que nem a minha companheira de ninho seria capaz de mo fazer ver.
(Culturalmente não são iguais, a Isabel é uma mulher culta bastante inteligente, nunca seria capaz de trocar a minha companhia por coisas supérfluas como ver telenovelas, senhora educada de bom diálogo e que não dispensa uma boa conversa. Confidenciávamos muita coisa, está sempre disposta a ouvir com paciência. A mulher inteligente que é, sempre a fez meditar bem, e talvez ela tenha montes de razão sobre a teoria do casamento, nunca foi dependente de ninguém nem precisa, usufrui de um salário acima da média. A única mancha na sua vida parecia ser o ter ficado desde há cinco anos a viver só depois de lhe ter falecido avó com quem foi criada, numa casa que daria um bom ninho dos melhores para ter filhos quantos quisesse, com espaço onde poderiam brincar sem problema algum. Eu até costumava brincar com ela sobre isso.
- Um dia os dois vamos começar a encher esta casa de gente – mas por opção nunca quis casar.
- Querido Joaquim! Vou contar-te uma novidade engraçada! Por sinal tenho um pretendente. Pensava que já não existiam pretendentes no seculo XXI, mas enganei-me deve ser um fenômeno imprevisível e intemporal, como os terramotos. – Sabes, no tempo da minha avó, o meu avô andou a ronda-la durante três anos até conseguir conquista-la. Namoravam pela janela. Ela lá em cima, ele cá em baixo. Como a minha avó vivia no segundo andar, a vizinha do primeiro andar tornou-se amiga dos dois. Felizmente era gorda e nada bonita, pelo que não oferecia nenhum perigo ao início do romance. Os meus avós foram casados 60 anos. E muito felizes. Tudo isto graças a um namoro à janela. Pelo que, bem vistas as coisas, embora fossem outros tempos, ele conseguiu conquista-la. - Joaquim, a minha avó era linda, loira de olho azul, alta com boa figura, chique a valer. Sabes como é! Assim como eu! “Corchete” dos pés à cabeça. Toda ela era vestidos, sapatos de salto alto e carteiras de verniz e de crocodilo, casacos de pele e saídas de piscina do mais elegante que já vi. O meu avô era baixo, careca, com os dentes ligeiramente salientes que lhe davam um certo look cavalar, nariz grande e olhos de cão vadio. Mas tinha uma grande qualidade que superava a sua fraca figura: era muito persistente. Apresentava-se todos os fins-de-semana, quando saia do Colégio militar, qual Príncipe que namora com Rapunzel. Nunca soube se chegou a subir por umas escadas de corda a minha avó nunca usou tranças compridas, o que inviabiliza a técnica engenhosa descrita no conto de fadas e imagino que a vizinha do meio a fazer de “chapeou” também não o teria permitido. O facto é que ao fim de alguns anos, a minha avó foi-se habituando à presença daquele rapaz persistente e acabou por ceder a casar com ele. Diz esse grande poeta “Vinícios de Morais” submetendo a sabedoria popular que (Quem feio ama, bonito lhe carece) e eu acho que ele está carregado de razão. Embora feliz com o casamento, a minha avó nunca deixou de reparar em bonitos rapazes como ela dizia, fossem eles amigos das filhas, das netas, netos, primos e sobrinhos. Uma vez, ao conhecer um namorado meu, exclamou:
 - “ Lindo rapaz, minha querida! Muitos parabéns por teres um namorado tão bonito! E, virando-se para ele, acrescentou:
 - Sempre gostei de homens bonitos, e olhe, casei-me com aquela tampa de açucareiro que ali vai.
A tampa de açucareiro era o meu avô, e quando esta cena se deu, já eram casados há mais de 40 anos. Tudo isto Joaquim, desculpa-me, é para contar que o meu pretendente, embora bem na vida e com os dentes direitinhos, me faz lembrar um pouco o meu avô, essencialmente pela falta de estatura. A sabedoria popular diz também que os homens não se medem aos palmos, mas eu sou como o poeta, gosto de subverter tudo à minha maneira e para mim os homens medem-se por tudo e mais alguma coisa, da inteligência e educação à generosidade, passando pela altura real. Um homem baixo será sempre um homem baixo e daqui não saio, daqui ninguém me tira. Não acho nem bem nem mal, mas para mim não serve. Se calhar a minha avó apaixonou-se pelo rapaz que via lá em baixo na rua exatamente por isso, porque nunca se apercebeu da altura dele. E como já não vou viver 60 anos, para quê pensar em casar-me com este? Nada disso, prefiro continuar como estou. A tal vizinha nunca casou, ainda é viva e trata-se de uma das pessoas mais felizes e realizadas que já conheci.
- Hahahahah, desculpa Joaquim, se quiseres dormir podes te estender ai meu querido! Hahahahah falo muito, não falo? Meu bem, Eu, hé!

01/05/2012:
Rodrigues Joaquim:

"I, Miss you" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tolice"



Quando a gente pensa.
Que beijar uma pessoa.
Nos faz esquecer a outra.
É uma tolice.
 
A gente nunca esquece.
A outra pessoa.
Como ainda pensa mais nela.
 
Não existe, momento certo.
Para dizer o que a gente sente.
 
Mas quem está te ouvindo.
Não te compreender.
Não te merece.
 
Quem não compreender um olhar.
Muito menos compreenderá.
Uma longa explicação.
 
(20/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Uma unica Vez" (HD) Joaquim Rodrigues


"Se Descobrires"



Eles trocam um olhar distante por entre cabeças que se movem, por entre luzes que piscam várias cores. Aparecem, desaparecem, procuram-se, encontram-se. Estão numa festa ao ar livre. Ele sorri-lhe lá de longe, ela finge que não é nada consigo. Ele levanta os braços teatralmente, como quem pergunta então? Ela acha-lhe graça, cede-lhe um sorriso, ele leva a mão aberta ao peito e sorri-lhe de uma forma cômica. Ele aproxima-se, furando pela multidão, ela deixa esmorecer o sorriso, preocupada com a ousadia dele. Agora está diante dela, inclina-se para a frente, fala alto para se fazer ouvir sobre a música da festa.
- Estás boa? Já não te via há tanto tempo!, diz.
- Aldrabão, nem me conheces!
- Não?!, admira-se.
- Não, diz ela, com veemência.
- Olha, afirma ele, não sei dizer o teu nome mas tenho a certeza que já estive contigo antes.
Ela diz que não com a cabeça. Um amigo aproxima-se, ela vira-se e começam a conversar, deixando-o suspenso num embaraço. Ele desanima e vai-se embora. Volta a vê-lo ao fim da noite, quando vai a sair da festa, três, quatro metros à frente. Pensa que há algo nele que a atrai, morde o lábio a ponderar uma fantasia, e se... Aproxima-se dele já lá fora, no passeio, movida por um impulso, afunda os dedos no seu cabelo ao mesmo tempo que lhe dá um beijo prolongado no rosto. Depois diz-lhe um segredo: - Descobre quem eu sou e o meu coração é teu.
Deixa no ar uma gargalhadinha fugaz, volta-se e vai-se embora depressa, a pensar que deve estar doida para ter feito aquilo. Ele, espantado, grita-lhe.
- Diz-me ao menos o teu nome!
- Na, na, na... replica ela a rir-se, sem se voltar para trás.
Ele está no estúdio de fotografia, ao fim do dia, a fumar um cigarro antes de sair. Os seus olhos passeiam ao acaso pelas fotografias penduradas na parede à sua frente até se concentrarem numa concreta. Raparigas em pose de ballet. De súbito, reconhece-a.
"Eu sabia!, pensa, sentindo o coração acelerar. Há quanto tempo foi aquilo?, pergunta-se. Um ano e meio, dois no máximo.
Ela dança uma coreografia solitária frente ao espelho, no estúdio, movendo-se com graciosidade feminina. Quando a música acaba fica a pairar um momento no silêncio, observando-se no reflexo, presa a algum pensamento. Depois, como que despertando, abaixa-se para apanhar uma toalha, limpa o rosto, volta-se e tem um sobressalto ao vê-lo ao fundo do estúdio, de pé, segurando um ramo de flores. Aproxima-se devagarinho, muito espantada, tapando a boca com a mão.
- Vim reclamar o teu coração, anuncia ele, oferecendo-lhe as flores.
Ela recebe-as, atrapalhada, ao mesmo tempo encantada e embaraçada.
- Como é que soubeste?
- Se descobrires, responde ele a sorrir, dou-te o meu coração.

(28/12/2012)
Rodrigues Joaquim:

" A Graça do Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Meu, e Teu Sonho"



Teu sonho.
Será sempre, meu desejo.
Meu teu, nosso Amor.
Meu desejo, meu prazer.
Meu carinho, meu tesão.
Meu suor, meu toque.
Meu cheiro, meu sabor.
Meu sonho.
Será sempre, teu desejo.
Teu prazer, teu carinho.
Teu tesão, teu suor.
Teu toque, teu cheiro.
Teu sabor, teu sonho.
Meu teu, nosso amor.
 
(20/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Gelado do Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Nossa Aventura"



Eu quero-te, amar minha donzela.
Quero sentir teu corpo de forma pura.
Beijar teus seios, de mulher bela.
Falar-te no ouvido, desta ventura.
 
Quero-te fazer sentir, mas com cautela.
Ouvir-te gemer, numa murmura.
Apertar-te nos meus braços casta e bela.
Entrar em ti, mas com ternura.
 
Mirar teus vergonhosos, mas lindos olhos.
E beijar tua boca, com prazer profundo.
E apertar teus dois pimpolhos.
Te ver rendida em fim, ao amor fecundo.
E ditosa murmurar em teus brancos olhos.
Este sim! É o maior prazer do mundo.
 
(20/03/2013)
Rodrigues Joaquim

terça-feira, 19 de março de 2013

"Nostálgia" (HD) Joaquim Rodrigues


"Queria ser Poeta"



Como eu queria ser poeta.
Para te contar o que sentia.
Todas as histórias de coração.
Nos poemas que eu faria.
 
Histórias alegres e tristes.
Que tenho no pensamento.
E me beijavas se sentistes.
O que neste momento sinto.
 
Como seria bom eu ser poeta.
Saber brincar com os poemas.
Eu sempre usaria o meu amor.
Em todos os principais temas.
 
Há noite eu, te teria pela certa.
E me inspiravas na minha escrita.
Como eu amava ser um poeta.
 
(19/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"De Amigo" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Chave"



Abre teu coração quando tua alma, parecer pequena.
Mesmo quando achares que amar não mais vale a pena.
Abre o teu coração!
E quando a noite chegar e a solidão te alcançar.
Ainda assim eu te peço! Abre teu coração!
Vou-te contar um segredo posso?!.
Um coração, só abre por dentro! E só o dono, tem a chave!
E se ele, se fecha ou se abre. Depende, unicamente de ti.
Abre!Tira dele as mágoas.
E joga fora todas as tristezas.
Deixa somente, doces lembranças.
E faz dele, um lugarzinho.
Para acolher as belezas, que a vida te reserva.
Tenho toda a certeza que a ternura vai fluir.
E de coração renovado, terás fontes de alegria.
E será maravilhoso, te ver cheia de amor a sorrir.
 
(19/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Ainda te Sinto" (HD) Joaquim Rodrigues


"Estranhos Intimos"



Ali estão os dois, sentados frente a frente, separados pela distância cautelosa de uma mesa de permeio. Ele não estende o braço para agarrar a mão dela como antigamente. Ela não faz nada para o incentivar. Observam-se apenas, entrecortando o silêncio com alguns, espaçados, comentários de circunstância, como se não se conhecessem intimamente, não tivessem tido uma relação, não tivessem feito amor numa outra vida. Sentem-se dois estranhos acabados de se conhecer. Tudo o que foram juntos parece-lhes que se passou há uma eternidade. E no entanto, bastou-lhes reencontrarem-se para se reconhecerem. Ele ainda se lembra do perfume dela, dos seus olhos; ela ainda sabe de cor todos os traços do rosto dele; ambos conhecem as particularidades um do outro: a forma como se riem, o q ue os faz rir, o que gostam e o que não gostam, as expressões que usam, os comentários que faziam e que tinham um significado particular, só deles. Sentem-se como desconhecidos que sabem tudo um do outro. Pediram cafés, o empregado vem com a bandeja e serve-os, com açúcar para ela, com adoçante para ele. O empregado retira-se e eles trocam os pacotinhos com um sorriso cúmplice. Baixam os olhos enquanto mexem o café, ele demora-se um pouco mais, ela observa-o atenta aos pormenores, estuda o silêncio dele, na ânsia de lhe ler os pensamentos. Ele levanta os olhos e sorri-lhe, um sorriso aberto que dissipa uma nuvem. Ela retribui-lhe um rosto iluminado. Começam a falar com a alegria de sempre, abandonando a cautela, sem darem pelo tempo que pára, uma, duas horas seguidas, evitando tocar no que os separou. Divertem-se, entendem-se com facilidade, mas a vida não parou e já não estão no mesmo ponto em que ficaram. Separaram-se, de facto, e parece-lhes inverosímil que um dia tivessem tido a certeza inabalável de que nada os poderia afastar um do outro. E quando voltam a olhar para o relógio e regressam à terra, quando comentam.
 - Hui, é tão tarde, tenho de ir.
 - Pois, eu também.
O sorriso esbate-se nos seus lábios e ambos sentem a nostalgia de um tempo que não se repete, de um amor incondicional que ficou pelo caminho, como tantos outros amores jurados com alma e coração. Despedem-se com um abraço apertado, mas não combinam outro encontro.
 - Foi bom rever-te, diz ele.
Ela fecha os olhos um segundo, enquanto assente com a cabeça.
 - Também gostei muito, afirma.
Ele segura-lhe a mão como antigamente, sorriem, ela recua um passo, as mãos largam-se devagar, ela faz uma expressão engraçada, triste, que quer dizer é a vida, ele imita-a com um encolher de ombros exagerado, e partem, cada um para seu lado, perguntando-se se vão repetir em breve.

(19/03/2013
Rodrigues Joaquim:

"Viver Feliz" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Vida"



Eu já perdoei erros quase imperdoáveis.
E já substitui pessoas insubstituíveis.
Já me esqueci de pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso.
Já me dececionei com pessoas, que eu nunca pensei me dececionar.
Mas já dececionei alguém que eu não queria e já abracei para proteger.
Já dei risadas quando não devia, e depois chorei.
Já fiz amigos eternos, e já fiz amigos que eu nunca mais vi.
E Já amei muito, e fui amado, mas também já fui rejeitado e fiquei triste.
Fui amado e não amei, e já gritei e pulei de tanta felicidade.
Já vivi de amor e fiz juras eternas.
E já levei na cara muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos.
Já liguei só para escutar uma voz.
Já me apaixonei por um sorriso.
Já pensei que fosse morrer de tanta saudade, mas fiquei por amor a mim.
E já tive medo de perder alguém especial, e acabei perdendo, mas vivi! E ainda vivo!
Não passo pela vida, eu amo-a adoro viver, e tu também não deverias passar!
Bom mesmo é ir à luta com determinação.
E abraçar a vida com paixão.
Perder com classe, e vencer com ousadia.
Porque o mundo pertence a quem é atrevido.
A quem se faz especial, porque a vida é algo especial.
E a vida é linda, para ser insignificante.
 
(19/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Dama de Vermelho" (HD) Joaquim Rodrigues


"AMOR"


Quando te vi eras tudo, eras tudo para mim!.
Eras quase como uma deusa, a quem se ama e venera.
Que tem todas as virtudes, como não há outra assim.
Essa princesa encantada, que desde sempre eu quisera.
Amei-te, pois com loucura, com desespero e até com dor.
Amei-te como e talvez, outra vez não possa amar.
Queria ser teu para sempre, queria ser o teu amor.
Poder olhar-te nos olhos, e a tua boca beijar.
Por te amar eu desespero.
E também por não te amar.
Não sei, não sei o que quero!.
Ó Deus vem-me ajudar.
 
Talvez eu quisesse ter-te.
Para sempre à minha beira.
Tua beleza sorver-te.
Toda a vida, a vida inteira.
 
(19/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Para Sempre" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Flor"



Que sorte tu tens, meu amor.
Quem me dera ter também!
Recebeste uma linda, flor.
E nem soubeste de quem.
 
Pobre florinha, tão querida.
Que teve os carinhos meus.
Ela vai ficar esquecida.
Pois não lhe darás os teus.
 
Se a tua sorte eu tivesse.
Ó meu Deus o que eu faria.
Que carinhos lhe daria.
O que a uns só envaidece.
A outros, dava aventura.
Maior, mais terna mais pura!
 
(19/03/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 18 de março de 2013

" O Invisivel" (HD) Joaquim Rodrigues


"Até Já"


 Hoje sinto os meus pés cansados.
Minha mente leva-me ao alto, ao pico da montanha.
Esse sim é o meu abjetivo, é onde eu quero chegar.
Onde eu mais preciso chegar.
Quero me sentir, e me esquecer de todo o fardo.
Que tem a cara do mundo.
Meu corpo se curva a cada passo, e ficam pelo caminho.
As sementes do que não quero.
Eu seleciono tudo, e a espaços sinto sede de ti.
Mas tu ficaste pelo caminho.
Agora há um lugar vazio, para quem chegar.
Mas neste momento, chegar ao alto da montanha.
É o objetivo.
Só pergunto como serei eu lá no alto? Eh! Ainda não sei.
Talvez na descida eu veja que tudo, está melhor.
Agora por favor o objetivo, é lá chegar ao cimo!
- Até já!!??
 
(18/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Amizade Adoravel a Minha"



Sempre adorei as pessoas que sabem fazer amigos.
Que são sociáveis.
Que se interessam pelo contentamento do próximo.
E que nunca os atrapalham.
É dessa gente que a melhor parte do mundo é feito.
Que dá o lado útil da vida, o construtivo o leal, o bom.
Que adianta o negativismo?
Os tristes estão sempre muito longe da vitoria, do sucesso.
E até mesmo de uma certa estabilidade vivencial.
A tristeza não é o lado normal da criatura.

Como adoro as pessoas que amam a vida, que gostam de viver.
Que são alegres, que sabem valorizar cada minuto de felicidade.
Adoro as pessoas que sabem desesperar quando outras desesperam.
Guardando a sua fé.
Adoro as pessoas que sabem cultivar o lado bom.
Que sabem discernir o justo valor das causas e das coisas.
Que amparam com sinceridade os que erram na caminhada da vida.
Adoro pessoas que lutam pela sua liberdade.
Que gostam da luz do sol, da brisa, da lua, do mar.
E daquela paisagem infinita.

Pessoas que saibam olhar para cima à noite e ver estrelas.
Sempre com atitude de quem sonha!
É preciso ter a sensação da plenitude.
A consciência firme de que fazemos parte do infinito.
Mas eu quero que todos saibam, que nada é mais positivo para mim.
Do que os momentos de alegria desta vida, que é simplesmente uma passagem!

(18/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"A música,e o Silêncio" (HD) Joaquim Rodrigues


"Mágoas"


Minhas mágoas tantas são.
Mas não as conto a ninguém.
Guardo-as no meu coração.
E levo-as para o Além.
 
Hei-de fazer por sorrir.
Mesmo sem vontade ter.
Já que sabendo mentir.
Poderei menos sofrer.
 
Pensar na vida, na morte.
Chorar um perdido amor.
Lamentar a minha sorte.
Não, não, não quero pensar.
Quero ter força, calor.
Quero rir, quero folgar!
 
(18/03/2013)
Joaquim Rodrigues

" Com muito Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Isolados"



Estou te esperando à tanto tempo!
Que um dia, perco esta minha timidez.
E te convido para nós os dois nos isolarmos do resto do mundo!

 Te levo comigo! E os dois vamos visitar a Mansão.
Que o meu avô me ofereceu no dia em que eu fiz anos.
E então aí, fazes tudo o que me tens andado.
A prometer fazer!
 
(17/03/2013)
Joaquim Rodrigues...

domingo, 17 de março de 2013

"Amor ao Longe" (HD) Joaquim Rodrigues


"Encantado da Vida"



Quando ele recebe o telefonema reconhece logo aquela voz do passado recente. Embora tivessem deixado de falar frequentemente, não a esqueceu e fica surpreendido por lhe ligar agora. Em tempos ela disse-lhe que eram um caso arrumado, no entanto volta a ligar-lhe para saber dele. Conversam um pouco, desligam e é tudo.
Passam-se alguns dias. Ele vai ao centro comercial fazer compras de final de dia e, ao virar da esquina no final de um corredor, dá com ela por acaso. Cumprimentam-se com a familiaridade de sempre, mas ele tem as mãos carregadas de sacos e ela fica ligeiramente embaraçada com a surpresa e diz que vai com pressa. Dali a pouco, ela envia-lhe uma mensagem simpática para o telemóvel.
  "Gostei de te ver” – diz a mensagem dela.
 "Eu também gostei muito de te ver” - Responde-lhe ele.
É curioso, porque não se cruzam há três anos e, subitamente, parece que o destino os empurra um para o outro. Ele fica a pensar nisto sem saber bem como interpretar a coincidência. Ela fica a pensar nele, um pouco aflita, porque lhe parece que o tempo deles passou e não terão uma segunda oportunidade. Acaba uma semana, e acaba outra. Não voltam a falar. Ele envia-lhe uma mensagem por impulso, reagindo a um pensamento, a uma perplexidade.
“Porque me deixaste? “
“Porque na altura não acreditei em nós” - responde-lhe.
“E agora?”
“Agora acredito” - diz a mensagem dela.
Quando a viu pela primeira vez ficou encantado para toda a vida. Em breve, disse-lhe que era preciosa, uma raridade, que a desejava. Ela, desconsertada, acabou por admitir que o amava. Porém, a vida afastou-os e hoje ele não está convencido que ela continue a pensar o mesmo de outrora. Decide que não deve forçar nada, que se realmente for uma inevitabilidade voltarem um para o outro o destino encarregar-se-á de a trazer de volta. Pois bem, ela não está disposta a esperar pelos caprichos do destino e envia-lhe outra mensagem a convidá-lo para se encontrarem. Combinam na mesma esquina do mesmo centro comercial. Desta vez ele percebe que ainda a ama tanto como antigamente. Logo que a vê sabe que continua encantado para a vida. De modo que a abraça e a beija e percebe que tinha mais saudades do que estava disposto a admitir a si próprio, talvez para se defender de uma tristeza infinita. Mas agora tem de arriscar. Ela também tem a certeza e diz-lhe ao ouvido.
- Nem imaginas a falta que me fizeste.
- Amo-te, responde-lhe ele.
- Ainda bem, diz ela, porque não tenciono deixar que saias da minha vida novamente.

( 17/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Amor Ausente" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ausencia"



Eu acho que sei, o que é ausência.
Ausência, é sentir teu perfume, e não estares presente.
É eu escutar sozinho, aquelas músicas, que nós os dois mais gostamos.
E fazer um esforço para não chorar.
Ausência, é lembrar-me de ti.
E de todos aqueles momentos felizes juntos e tremer.
Ausência, eu acho que sei o que é.
É sentir a falta da felicidade que tu me dás.
E de toda aquela alegria, que me bens dar.
E a teu lado sentir, que o que é bom, é contigo estar.
E ver teu olhar, e te dizer, vem-me beijar.
Ausência, eu acho que sei o que é!.
É procurar nos jardins, teu sorriso, e não o encontrar.
É me estender na minha cama à noite, e te imaginar.
E lembrar-me do teu rosto e vibrar.
Ausência é eu ser obrigado a pensar.
Enquanto o que eu mais quero, é sim te amar.
E tu não estás aqui, não estás comigo, estás ausente!.
 
(16/03/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 16 de março de 2013

"Bohemia" (HD) Joaquim Rodrigues


"Aquele Amor"



Quando amamos alguém, não perdemos só a cabeça, perdemos também o coração. Sentimos o coração saltar para fora do peito, mas depois quando volta, já não é o mesmo, é outro, com cicatrizes novas.
Às vezes volta muito maior, se o amor for feliz, outras, regressa feito numa bola de trapos, é preciso reconstruí-lo com paciência, dedicação e muito amor-próprio. E outras vezes não volta. Fica do outro lado da vida, da vida de quem não quis ficar para o ajudar, para ficar do nosso lado.
Hoje ainda penso em ti, de todos aqueles dias felizes que passamos juntos, hoje ainda sinto saudades tuas. Mas saudades um do outro é algo que vamos sentir sempre não é mesmo?
Quando duas pessoas já foram tão próximo uma do outro como nós fomos, e viveram essa proximidade de uma maneira única, aquilo a que tão raramente podem chamar intimidade, há marcas que ficam para sempre, sendo por isso inútil, e até ingénuo tentar apaga-las. Mede-se o poder de uma mulher sobre um homem pelo tempo que ele gasta a pensar nela durante a sua ausência, ao passo que se mede o poder de um homem sobre uma mulher quando este está com ela.

(15/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Amar um Sonho" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Meu Sonho"



Quando amamos alguém, temos sempre tempo para essa pessoa porque tudo nela nos faz feliz. E se ela não vem ter connosco, nós ficamos esperando.
É como lidarmos com o verbo esperar, o verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. E a nossa vida transforma-se como se fosse uma estação de comboios, o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível.
É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.
O que mais dói quando se ama alguém, é imaginar tudo o que não conseguimos realizar juntos. O que vivemos é um tesouro que nunca se apaga da memória, mas é o que não construímos que nos entristece e mata.
O poeta ao falar de amor deixa-o no papel e lá fica para sempre escrito as suas palavras. E se vier a transformar-se em qualquer outra coisa, será sempre uma outra forma de amor: o papel vem das árvores, mas (o amor vem de dentro de nós, vem do peito esse nunca morre), mesmo depois de cortado das árvores, o papel é prensado e transformado. Amar é como plantar uma só semente, e tu já plantaste a tua no meu coração.

(15/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Mar, Calmo" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Mar"



Eu temo muito o mar, o mar enorme.
Solene, enraivecido, turbulento.
Erguido em vagalhões, rugindo ao vento.
O mar sublime, o mar que nunca dorme.
 
Eu temo o largo mar rebelde, informe.
De vítimas famélicas, sedento.
E creio ouvir em cada seu lamento.
Os ruídos dum túmulo disforme.
 
Contudo, num barquinho transparente.
No seu dorso feroz vou blasonar.
Tufada a vela e na água quase assente.
E ouvindo muito ao perto o seu bramar.
Eu rindo, sem cuidados, simplesmente.
Escarro, com desdém, no grande mar.
 
(16/03/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 15 de março de 2013

"Dança de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Dança do Amor"



Minha querida amiga! Ainda hoje sinto o teu cheiro, o cheiro do teu corpo, do teu perfume, sinto teu cheiro desde aquela noite, que saímos para dançar, um cheiro que me excita e me faz lembrar de ti a todo momento. Passado todo este tempo pensei então, te convidar para dançar novamente neste fim-de-semana aceitas? Pois eu quero voltar a dançar contigo! Quero repetir todos os passos de dança, que demos, naquele dia, dançar contigo de rosto coladinho, e sentir teu respirar fungante no meu ouvido e te conduzir e te embalar em meus braços, ao som de uma música romântica, a música que tu escolheres. Quero dançar contigo um bolero, um tango, uma balsa, ou então um passo-doble quero é dançar contigo!
Quero dançar encostadinho a ti, e fazer aqueles nossos passos de dança descontraídos como fossemos voar nas asas do amor! E quero sentir o calor do teu corpo, sentir teu transpirar teu suor, e continuar dançando sem nunca parar. E depois sair para a rua sentirmos o vento nos refrescar e continuar perdido na dança do amor. Este fim-de semana quero dançar contigo à noite, no baile, ou na rua ao luar, ao dia à luz do Sol, na areia da praia, na água do mar, ou simplesmente na luz de um farol, quero é contigo dançar!
E quero sentir teu corpo úmido, sentir teu pé, o meu pisar, te ver voar como uma estrela em bicos de pés e me beijar, e feita numa estrela que me quer iluminar. Quero assim passar mais um serão contigo a dançar ter-te na minha mão! Juntar o nosso amor nesta dança e voltar! Voltar com teu odor teu perfume na minha ilusão.

09/09/2012:
Joaquim Rodrigues:

"Esta Noite" (HD) Joaquim Rodrigues


"É Lindo"



Deitada e arrebitada em fofo leito.
Deixas erguer tua virginal camisa.
Na sombra eu vejo teu estreito.
No meio de tuas coxas se divisa.
 
Pelo loiro em círculo imperfeito.
Papudos beicinhos lhe matiza.
Húmidos mas meu alvo perfeito.
Nessa cor vermelha discada e lisa.
 
Tua pele voraz de guelras encrespando.
Arrumas, e abres para mim entre gemidos.
E tu mulher tremes, de olhos quebrados.
Como é lindo ver, te perder os sentidos.
Mas vais com a mesma ânsia trabalhando.
Meus sentidos de homem ficam perdidos.
 
(15/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Hero" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Meu Pensamento"



Quando penso em nós dois, tua boca me torna ansioso, penso que já não há limites para meus lábios, percorrendo teu corpo num crescente e incontrolável frenesim de desejo sufocado! Ensaiados perdemos o frágil controlo que nos resta nesta nossa maratona de amor. As poucas peças de roupa que ainda nos cobrem são arrancadas em desespero enquanto nossas bocas se unem num beijo alucinado, para em seguida deslizar por nossos corpos, beijando-os, e acariciando-os mordendo levemente, aspirando com prazer o odor erotizante que arrepia da nossa pele molhada de prazer, deixando-nos completamente ensandecidos.
É assim que eu nos imagino minha querida. Todos os dias, todas as noites, e é assim que mal acordo eu começo a pensar! Tu e eu, mais ninguém, num amor intenso sem ter mais nada. Eu encontrei minha paz no teu sorriso, minha força no teu existir, nossos dois corações num só destino, num só segredo, dois corações numa mesma vida que se encaixam perfeitamente e dependem um do outro. Apenas um coração seria solidão, seria um céu nublado sem estrelas, seria um espetáculo sem público, uma lua sem claridade, um coração sem sentimentos. Minha alma se identifica, (quando há uma história de dois corações), as estrelas renascem, e o espetáculo é aplaudido de pé. A força de dois corações é imenso, chega a ultrapassar o tempo, e navega a correr para a …FELICIDADE!

(15/03/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 14 de março de 2013

"Amor Secreto" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Poema"



O poema é como um corpo, de mulher.
Tem de ser suave, leve, e belo.
Tem de possuir, pontos sensíveis.
Que com um simples toque o faça vibrar.
Tem de ser forte, delicado flexível.
Mas inquebrável.
Para alguns é impenetrável.
Mas para alguém é especial.
É aberto transparente claro.
 
(14/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Bom Dia Tristeza" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Palhaço"



Por eu gostar de levar a vida na brincadeira.
Tu um dia me chama-te de covarde e palhaço.
Lembra?.
Mas na verdade se tu tivesses acreditado.
Nas minhas brincadeiras de dizer verdades.
Terias ouvido muitas verdades.
Que insisto em dizer brincando.
Falei sim muitas vezes, como um palhaço.
Mas nunca como um covarde!
Porque sempre acreditei.
Na seriedade da plateia que sorria!.
 
(13/09/2012)
Joaquim Rodrigues

"Aniron" (HD) Joaquim Rodrigues


"Silêncio ao Jantar"



Um silêncio pautado por gestos lento marca a rotina tranquila do jantar. À mesa, o casal ensimesmado é como que uma ilha serena rodeada de águas alvoroçadas. Perto dele, um grupo de jovens contrasta com uma vozearia animada, e outras mesas mais completam a sala do restaurante cheia de conversas descontraídas de sábado à noite. Tanto ele como ela já passaram dos sessenta e vão entrando sem sobressaltos no ocaso de uma vida que nem sempre foi desenhada pelas escolhas mais certeiras, ou, enfim, sem arrependimentos. Mas foram as que foram e ambos acreditam que já não vão a tempo de as corrigir. Ele molha uma tosta no pratinho de azeite, leva-a à boca, mastiga-a demoradamente, em silêncio. Ela observa-o sem qualquer perplexidade. Conhece-lhe os silêncios tão bem quanto é capaz de lhe antecipar as respostas. Se lhe perguntasse agora o que está a pensar, ele demoraria uma pequena eternidade a responder para, finalmente, dizer: - Nada. Como se fosse possível ser um vazio de ideias enquanto mastiga uma tosta. Por isso, não lhe pergunta. E, no entanto, gostaria que ele dissesse qualquer coisa, nem que fosse para embirrar, para sacudir a apatia em que vai soçobrando a sua companhia. Houve um tempo em que ele ponderou mudar tudo, ousou sonhar de novo. Quis outro rumo com outra mulher. Ainda hoje acredita que era a mulher da sua vida. Mas não foi capaz de trocar uma vida pela outra, de enfrentar a dúvida da mulher certa pela mulher perfeita. Houve um tempo em que tudo ainda era possível, mas claudicou, faltou-lhe a coragem. Ela bebe um gole de água, pousa delicadamente o copo no lugar exato onde estava, cumprindo o espírito metódico de que nem se apercebe. Ele observa-a a limpar a boca com o guardanapo. Sabe que o ama mais do que o tolera, mais do que ele a tolera sem mágoa, pois não tem uma crítica para ela, nada que o incentive a detestá-la. Reconhece-lhe a dedicação exemplar, apesar da desilusão, apesar de saber que não merece o amor dela, e a única forma que tem para a recompensar é cumprir a promessa íntima de ficar com ela até ao fim. O empregado serve-os. Comem com vagar, num silêncio entrecortado por comentários breves que não dão azo a verdadeiras conversas. Por vezes, fica-lhes a impressão de que não têm nada a dizer um ao outro, que não seriam capazes de falar cinco minutos de um assunto em comum ou de uma futilidade qualquer. Pagam a conta, ele ajuda-a a vestir o casaco, saem do restaurante, vão caminhando ao frio para casa, perto. Um ligeiro assomo de culpa leva-o a dar-lhe o braço, sem saber que ela leva sempre um sentimento de gratidão por ter ficado quando podia ter partido.

(03/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"28 graus"


"Desejo"


Desejo teu corpo perto de mim.
Desejo para eu te poder tocar.
Desejo mexer encostado em tí.
Desejo como um louco te amar.
 
Desejo tua boca e o teu beijo.
Desejo tudo que me faz arder.
Tuas mãos no meu corpo desejo.
Desejo teus suspiros de prazer.
 
Desejo no meu colo te sentar.
Desejo em tuas pernas mexer.
Desejo teus lábios eu molhar.
Desejo teus beijos derreter.
 
 .Desejo o sabor da tua saliva
Desejo minha vida adocicada.
Desejo rasgar teus sentidos.
Desejo tua alma alucinada.
 
Desejo te esfregar toda em mim.
Desejo seguir em frente não parar.
Desejo te ouvir pedir assim, assim.
Desejo sentir amor me apaixonar.
 
(14/03/2013)
Joaquim Rodrigues

           
 

"Infinito"


"O Rio"




   Ó rio que Vais Correndo.
  Levas meu bem que eu Adoro.
  Se te faltarem as Águas.
 Levas as Lágrimas que Choro.
                                                              
Aí vai meu Coração.
Se o quiseres Matar podes.
Olha que estás dentro Dele
 Se o Matas também Morres.
                                                                                                                                                                       (Joaquim Rodrigues)