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sexta-feira, 29 de março de 2013

"Felicidade completa"

(Felicidade)

Ela vive num apartamento demasiado grande para uma pessoa só. Aquele apartamento já foi um apartamento cheio de gente, pois foi casada e teve três filhos. Hoje por causa da felicidade que passou mais tempo arredada dela vive só. Separada dos três filhos que por conta das suas profissionalizações ou amores encontrados, vivem longe dela.
Ela ganha o suficiente para levar a vida no que mais precisa. Adora o apartamento, o refúgio que lhe dá segurança. Tem a impressão de ter tudo em excesso na vida, menos amor, evidentemente. A insegurança que sente leva-a a esmerar-se. É agressiva por ter pânico de falhar. Não sai muito e o apartamento acaba por lhe suscitar um misto de sensações, é o lugar onde se sente melhor mas também onde se sente sozinha. É o espelho da sua felicidade muito incompleta. Por vezes chega cansada, senta-se no sofá e deixa escapar um suspiro que não sabe se é de alívio se de angústia por não ter mais onde ir. O vizinho bate-lhe à porta e anuncia-lhe que vai dar uma festa nessa noite e que a quer convidar.
 - O barulho não a vai deixar dormir, diz ele.
Ela fica tão atrapalhada que recusa só para se livrar do embaraço, desculpa-se com um trabalho importante que trouxe para casa. Passa a noite acordada na cama a ouvir a música da festa, a lutar com a timidez, derrotada por ser incapaz de se levantar, arranjar-se e ir para a festa, como tanto deseja.
  "Bato à porta dele, digo que já despachei o trabalho e pronto.,diz a si própria para se convencer."
Mas continua paralisada e sabe que não vai ter coragem. Lamenta que o vizinho não a tenha insistido mais e adormece com lágrimas de frustração.
De manhã cruza-se com o vizinho, descem juntos no elevador, ele pergunta-lhe.
- Bom dia, linda vizinha! O barulho ontem há noite a incomodou muito?
- Não! - Responde ela como querendo se machucar a si própria.
- E a festa correu bem?
- Sim, sim! Muito divertida, diz ele, pena foi você não ter vindo.
Ela cora e sente-se estúpida por isso. Ele acha-a adorável. Ela acha-o perfeito com aqueles jeans, alegre, descontraído, bonito. Costuma suspirar quando pensa nele e sabe exatamente porquê.
Passa o dia bem humorada, embora se ache tonta por não ter razão para otimismos. Sempre pensou que não estava à altura dele, que é bom demais para si. No entanto, ele ficou intrigado. À noite volta a bater-lhe à porta e convida-a para jantar. Ela fica aflita, gagueja, mas ele diz com graça.
  - Não aceito outra rejeição.
Ela ri-se, desconcertada, pede tempo para se arranjar. Toca à campainha, ele abre, elogia o seu vestido, diz que está deslumbrante, leva-a para a varanda onde está posta a mesa com vela acesa, oferece-lhe um copo de vinho. Sentam-se a conversar e ela pensa, controlando uma euforia, que talvez possa alcançar finalmente a felicidade completa.

(29/03/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Fala Coração" (HD) Joaquim Rodrigues


"Demente"

(Demente. Apaixonado)

Quantas bocas já beijas-te, meu amor?
Com tua boca ardente, e apaixonada.
A quantas emprestas-te teu sabor.
Quantos homens minha amada.
 
Felizes, para esses teus olhos olharam.
Felizes esse teu calor, eles sorveram.
Felizes todo teu corpo, tatearam.
Felizes, porque contigo viveram.
 
Tua boca andou de uma para outra, sem ver.
E sem nunca perceber que te amo tanto.
E a mim, nunca me deste nada para viver.
Nem que fosse um só beijo, um somente.
Abrandaria um pouco este meu pranto.
E jamais se sentiria assim, este demente!
 
(29/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Tango" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dança do Amor"



Hoje quero dançar contigo.
Dançar a dança do amor, do nosso amor e ama-la.
Dançar a noite inteira, numa na sala ou numa rua qualquer.
Eu quero é dançar.
Hoje o céu vai ter duas estrelas, se chover não faz mal.
A música nos embala.
Quero sentir teu corpo colado no meu, e ver teus olhos cheios de prazer.
Os meus olhando.
E nessa nossa dança cheia de felicidade e prazer.
Quero meu amor abraçar aperta-la.
Quanto há música.
Pode ser uma música qualquer.
Um slow, uma balsa, uma rumba, ou até um tango.
E sentirmo-nos como duas crianças, numa festa.
Só sentir simplesmente a dança.
E assim marcar a nossa existência, para no futuro.
Termos essa lembrança.
Se formos vistos por alguém, e nos chamar de loucos.
Assim seja, porque só é feliz quem corta as amarras da vida.
E não quer morrer aos poucos.
Já estou imaginando, estamos no baile.
Teu rosto encostado ao meu.
Aí! A vida pára, só tu e eu.
Só nós dois, e a nossa grande paixão.
Porque não?
Só nós sabemos mais ninguém sabe.
Porque somos dois, a felicidade não é só para mim.
Temos os dois, esta aventura, viver um grande amor, nos amar.
 E sentir assim.
Sentir teu corpo e ter a certeza, que não é em sonho, estás comigo.
Sentir teu calor, ver no teu olhar, o prazer de ficar.
Amor! Hoje eu quero dançar contigo.
 
(29/03/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 28 de março de 2013

"Canção de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


" Meu estado de Alma"

(Joaquim Rodrigues)
Quem me dera que voltasse ao meu coração.
A doce alegria, que me encantava esse teu rosto.
Quem me dera, que voltasse toda minha paixão.
Aquele grande amor, que tanto, me deu gosto.
 
Quem me dera! Ó, quem me dera.
Outra vez poder sentir, esse meu desejo.
Que me dava a tua imagem, de ternura.
Que me dava o teu sorriso nossa aventura.
 
Que me deixa-se! Esta minha louca miragem!
Agora ando, bem perto de enlouquecer.
 
Muito triste, por não ter, o teu amor.
Porem tudo isso, é este meu viver desde que te vi.
Agora arrasto os passos, com desespero com dor.
Agora nada resta, estou sozinho, estou sem ti.
Podes falar! Ó desventura, podes bem dizer.
Morri!
 
(28/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Memórias de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Desafio de Amor"




Ela abriu a torneira e deixou a água quente jorrar para dentro da banheira, de seguida olhou para o relógio.
 "O Tony deve estar mesmo a chegar, pensou."
Por isso despiu-se e mergulhou naquele mar de espuma que lhe cobria as formas do seu corpo. Fechou os olhos e ouviu a porta a abrir-se. Fora boa ideia ter-lhe dado a chave de casa. Nunca o fizera antes isso. Devia estar mesmo apaixonada. Se calhar pela primeira vez na sua vida. Aos 53 anos! Escutou a voz dele a ecoar pelo corredor. Chamava o seu nome. Não lhe respondeu. Queria que ele a encontrasse ali. Mal formulara esse desejo no seu cérebro, o rosto atraente de Tony espreitou pela casa. Os olhos brilharam. Gostava do que via, isso era inquestionável.
- Volto já, disse ele voltando para trás.
Ela sabia que ele tinha ido ao quarto pousar a mala e despir o fato (terno). Voltou nu, para junto dela e beijou-lhe os lábios com volúpia. O mero contato daqueles lábios com os seus despertara-lhe o desejo, que se apoderava de si como suaves ondas de calor. Ele entrou então dentro da banheira, cuja água transbordou com o peso dos dois corpos, que ficaram juntos, colados. Beijaram-se com paixão, as línguas enroladas como se fossem amantes. Em poucos segundos, Marta, sentiu o pénis de Tony a ficar ereto no contato com o seu ventre liso. Por isso, abriu as pernas para que ele a penetrasse de imediato. Quando ele entrou dentro dela, estremeceu e gemeu com intensidade, fincando-lhe as unhas nas costas. Ele começou a mexer-se ao mesmo tempo que, com as mãos, lhe tocava nos seios, brincando com os mamilos rosados, apertando-os com sensualidade entre as pontas dos dedos. Não demorou muito até Marta, chegar o Clímax e todos os seus sentidos se renderem àquelas ondas mágicas que percorriam. Foi então a vez de Tony experimentar um orgasmo, que lhe roubou o folego. Ficaram mais tempo deitados, a acariciarem-se dentro de água.
- Ficas cá esta noite? Pergunta Marta.
Mas de imediato, sentiu que tinha pisado um território perigoso que se comprometera a evitar. Mas era porém, mais forte do que ela. Estava apaixonada. Era impossível dividi-lo muito mais tempo com outra mulher. Tony saíra da banheira.
- Sabes que é complicado, disse ele.
Nenhuma surpresa. Desde que ele lhe contara, da primeira vez que a levara a jantar, que era casado, que lidava diariamente com uma situação dúbia, incongruente com os seus princípios. De início, negara o óbvio, que se pudesse envolver com um homem casado. Esquecia-se de que estava já apaixonada por ele, por isso, numa noite em que Tony irrompera pelo seu apartamento, Marta fora incapaz de lhe fechar a porta. Como poderia faze-lo, quando todo o seu corpo chamava por ele? Desde então, vivia daqueles breves encontros.
- É só enquanto não resolvo uns sérios problemas pessoais podes acreditar, relembrou-lhe Tony, nessa noite quando estavam já na sala. Seria verdade? Era altura de saber.
- Tony, estive a pensar, e cheguei a uma conclusão. Não nos vamos ver durante 30 dias a contar de hoje. Espero por ti daqui a um mês no hotel do costume, às nove horas da noite. Se não vieres, saberei qual foi a tua escolha.
Tony negou inicialmente, dizendo que essa sua conclusão era uma loucura.
- Não compreendes que não posso viver sem ti? Marta, tu és a única coisa autêntica que tenho na minha vida.
Marta sofria com estas palavras, mas tinha pensado no assunto. Nunca seria feliz assim. Por isso, disse-lhe que era uma decisão irredutível. Por fim, Tony acedeu.
- Daqui a um mês, estarei lá, disse.
Beijou-a então com paixão desesperada, que era já saudade e tristeza. Fizeram amor mais uma vez e Marta, não conseguiu deixar de pensar que podia ser muito bem a última vez que estavam juntos. Por isso, amaram-se com uma ternura infinita, devagar, deixando tempo para saborearem o corpo um do outro, a expressão dos seus rostos e prazer. Foi por isso um momento ainda mais intenso do que algum outro, até então.
Trinta dias passaram, devagar, riscados um a um no calendário de Marta. Por fim, chegou o momento tão esperado. Vestiu o vestido lilás, que sabia ser o preferido de Tony. Com medo, no fundo, não acreditava que ele pudesse aparecer, pediu na recepção do hotel a chave do quarto e meteu-se no elevador. Abriu-a devagar, e a surpresa aquase a fez desmaiar, pois sentiu suas pernas desfalecer de emoção. Sentado na cama, estava Tony, sorrindo-lhe.

(28/03/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Smile" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Palhaço"



Por eu gostar de levar a vida na brincadeira.
Tu um dia me chamas-te de cobarde e palhaço.
Lembras-te?
Mas na verdade se tu tivesses acreditado.
Nas minhas brincadeiras de dizer verdades.
Terias ouvido muitas verdades.
Que insisto em dizer a brincar.
Falei de facto muitos vezes como um palhaço.
Mas nunca como um covarde.
Porque sempre acreditei.
Na seriedade da plateia.
Que sempre sorria !!!
 
(28/03/2013)
Joaquim Rodrigus

quarta-feira, 27 de março de 2013

"Ama-me" (HD) Joaquim Rodrigues


"Meu Amor"



Meu amor.
Eu preciso de ti, para ser feliz.
Preciso do som da tua voz.
Para me segurar meu espírito.
E a minha alegria.
 
A tua presença.
Deixa meus sentidos acordados.
E meu coração bate muito mais rápido.
Sem a tua presença.
Parece não querer bater mais.
 
Meu amor.
Quero sentir todos os aromas de tua pele.
Quero-me sentir feliz contigo.
Porque só penso em ti.
E tu estás comigo sempre.
Em pensamento todos os dias.
 
Quero-te cheirar, te acariciar.
Vem para perto de mim.
Quero deixar de sentir a sensação que sinto.
Que longe de ti, a minha vida é triste.
Sinto o meu tempo passar.
 
Meu amor.
Mas hoje, eu sinto o meu corpo animado e quente.
Como se tu estivesses aqui.
Como se tu sussurrasses no meu ouvido, muito suave.
Sinto o teu perfume os poros de tua pele.
A minha loucura!
Porque tens as mais sedutoras.
E doces fluidos corporais, e que eu tanto amo, tu sabes.
 
Hoje sinto-me amarrado em teu corpo.
Um corpo de mulher além do meu.
O teu corpo.
Que é belo, que eu desejo, que eu amo.
Meu amor.
 
(27/03/2013)
Joaquim Rodrigues

" Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Meu Coração"


Como o amor.
costuma andar sempre.
Em viagem.
Eu, um dia.
Vou encontrar.
A companheira.
Que tanto preciso!
 
A companheira que vai ser.
A fonte da minha vida.
A força da minha alegria.
O centro das minhas atenções.
E de todo o meu imenso.
Amor e Carinho!
 
(27/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Café dq Manhã" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Amor mora ali ao Lado"



Eles se cruzaram a primeira vez há meses! E aí se passaram a conhecer de vista! Se tinham cruzado um pelo outro, porque viviam no mesmo bairro, e isso se tornava fácil de eles se ver na rua. Mas já se voltaram a cruzar no supermercado, no café, de passearem os cães no jardim. Ela mora dois prédios ao lado do dele, não sabe o seu nome, nem o que faz, mas conhece-lhe algumas rotinas, já ouviu a sua voz, aprecia a forma de ele se vestir. Acha-o atraente e fica atenta quando o vê. Ele gosta de levar um livro consigo quando vai com o cão ao jardim. Senta-se num banco a ler, mas, se ela chega, não consegue concentrar-se. Finge que lê, espreita-a por cima do livro, maravilhado com o seu jeito distraído de caminhar num vaivém constante enquanto fala ao telemóvel, rodando o vestido numa volta graciosa ao fim de alguns passos casuais. Adora o seu sorriso encantador, o modo como inclina a cabeça para trás e lança um risinho espontâneo para o ar a meio da conversa.
É sábado, estão sentados numa esplanada do jardim, ambos sozinhos, em mesas próximas, frente a frente. Ela pede um café, deita o açúcar, mexe-o demoradamente com a colher, distraída a observá-lo a ler o jornal. Fantasia que ele vai erguer os olhos a qualquer instante e surpreendê-la a olhar, que lhe sorri e se levanta para ir à sua mesa apresentar-se. Sorri com a ideia no momento em que ele levanta os olhos do jornal, mas apressa-se a desviar os seus, a virar a cara, com vontade de rir. Ele repara que ela desvia o olhar, volta a página do jornal, baixa os olhos por um segundo e torna a olhar. Ela não se atreve a fitá-lo, concentra-se na chávena de café à sua frente. Ele imagina a ir ter com ela para meter conversa. Por um instante, sente-se tentado, pergunta-se se teria coragem. Porque não?, pensa. Mas então ela chama o empregado para lhe pedir a conta e o momento passa. Ele deixa-se estar sentado e ela vai-se embora.
No domingo cruzam-se no átrio de um cinema. Estão ambos acompanhados, vão a salas diferentes. Sustêm a respiração a escassos metros um do outro, os seus olhos fixam-se num espanto recíproco, num relâmpago eterno, e, pela primeira vez, assumem um reconhecimento mútuo, pois ele sorri-lhe e ela faz-lhe uma vénia ligeira com a cabeça, de um modo divertido. A meio da semana ele vai almoçar com um cliente importante a um restaurante requintado da moda e lá está ela para o receber, sorridente, desinibida, dona de um caderno onde escreve à mão e opõe vistos nos nomes das pessoas que chegam com mesa marcada. É relações públicas e veste-se de forma discretamente elegante, uma camisa preta, uma saia arroxeada de seda.
 - Parece que nos encontramos em todo o lado, comenta ele, encantado por a ver.
Ela ri-se.
 - É o destino, graceja.
Dois dias mais tarde, ele chega ao jardim, solta a trela do cão e este corre para junto do dela. Ele aproxima-se dela, sentada num banco, aponta para o lugar ao seu lado, ela faz-lhe sinal com a mão para que se sente.
 - Agora que já sabe o meu nome, diz ele, gostava de saber o seu.
Ela ri-se, diz como se chama e depois começam a falar com naturalidade, como se conhecessem desde sempre.

(17/03/2013)
Rodrigues Joaquim:

"Espetáculo" (HD) Joaquim Rodrigues


" Desabafo"

"Desabafo do Joaquim"

"Azul" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Sol Existe"



"Torneró" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amor e Carinho"



Sabemos que o poeta, é um ressuscitador.
Ressuscita a saudade,
ressuscita o amor.
Ressuscita a paixão,
ressuscita até a dor.
É no silencio da calma, no conflito da razão.
Que escreve versos e trovas,
falando de paixão.
Corre nas veias o sangue,
da saudade e do amor.
O poeta sim senhor! É um grande sonhador.
Qual poeta que não fala,
de amor no seu versado?
Os poemas sem amor,
não têm significado.
Despromovido de ternura, nem sentimento igual.
Falta-lhe a imaginação,
falta-lhe amor no coração.
Eternos são os poetas, criadores e criativos.
Criam amor criam ilusão,
mantêm a paixão acesa.
Nos seus versos ele mostra, no amor toda beleza.
 
(27/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"O que é o Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


terça-feira, 26 de março de 2013

"Parabéns"



"Como é bom recordar! Tenho dias que fecho os olhos e esforço-me! Vejo-me naquela janela antiga, sinto a vizinhança da minha amada, como se fosse agora mesmo! Bem, se o afeto que eu lhe jurei, permanece ainda vivo em mim! Mas como é bom recordar! Ela pergunta-se o que estará ele a pensar. Ele espreita o seu decote pelo canto do olho. Ela pensa que ele deve achá-la uma tagarela insuportável. Ele só está a imaginar coisas com ela. Ela receia que ele ache que não é suficientemente inteligente, ou culta, sabe lá. Ele pensa que a quer abraçar e beijar. Estão no carro, à porta de casa dela. Foram jantar fora, porque ele faz anos amanhã e aproveitou o pretexto do aniversário para a convidar. Ela ainda não fez dezoito anos e mal conseguiu acreditar quando ele, que já tem dezanove, a convidou. Ficou cinco minutos de boca aberta, incrédula, cheia de calor, nervosa, aflita e a morrer de felicidade. Ele pensou que nunca mais seria capaz de a enfrentar se ela dissesse que não e teve a consciência do coração a bombear no peito como um cavalo de corridas durante os três minutos que ela demorou a responder-lhe. Por fim, aquiesceu e ele pôde voltar a respirar. Claro que foi tudo mais fácil por terem tido a conversa através do chat. Escolheram um restaurante à beira-rio, uma esplanada com um ambiente agradável. Ele foi buscá-la a casa e no caminho não falaram muito. Ela tem amigas que pegam no telefone, ligam a um rapaz e convidam-no para sair, assim, sem mais nem menos. E às vezes odeia-se por ser tão tímida e não se atrever a fazer nada do género. Já ele, nunca teve uma namorada e todos os dias se pergunta como farão aqueles seus amigos que conseguem saltar de namorada em namorada com uma rapidez estonteante.
O jantar decorre sem constrangimentos, a conversa flui facilmente e eles, surpreendidos, conseguem relaxar, aproveitam a companhia um do outro, divertem-se. Ele sente-se aliviado por ela falar tanto e não o obrigar a inventar assunto. Ela, no início, estava tão nervosa que desatou a falar, horrorizada com a perspetiva de caírem num silêncio constrangedor. Mas depois embalou na conversa e ultrapassou a timidez ao ver que ele se ria, divertidíssimo com as suas histórias. No entanto, agora estão no carro e ela pensa que ele deve achá-la uma chata, porque caíram finalmente em silêncio e, provavelmente, ele não diz nada porque está mortinho por se ver livre dela. Ele está a pensar que correu tudo mal porque não conseguiu dizer-lhe que gosta dela. Paralisado, vê-a abrir a porta, despedir--se, partir. Um desastre, pensa. Mas ela tem uma inspiração, volta atrás, abre a porta, entra de joelhos no banco e lembra que é meia-noite!
 - Já me ia embora sem te dar os parabéns, diz.
E, na hesitação de um abraço desajeitado, os seus lábios encontram-se e beijam-se finalmente como desejaram e imaginaram durante a noite inteira.

(28/10/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Amar Alguém" (HD) Joaquim Rodrigues


"Carta a uma Desconhecida"



As tuas cartas vêm tocadas.
Duma ideal melancolia.
Não sei quem és! Mas todavia.
Beijo essas letras desmaiadas.
 
Como as rosas perfumadas.
Que a sombra esconde à luz do dia.
As tuas cartas vêm tocadas.
Duma ideal melancolia.
 
Nas minhas horas tresloucadas.
Horas de febre e de agonia.
Como esperança fugidia.
De mil quimeras iriadas.
As tuas cartas vêm tocadas.
 
(26/03/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 25 de março de 2013

"Quero Amar Sempre" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dez dias de Amor"



Ela vem a Portugal pela primeira vez em muitos anos de sua vida. Chega de avião o transporte possível de cá chegar, trazendo a reboque uma mala de rodinhas. Está de férias e decidiu tirar uns dias sozinha na cidade do Porto, onde não conhece ninguém.
Vai ficar uma semana num pequeno e agradável hotel para os lados de Matosinhos uma pequena cidade um pouco mais a norte da cidade do Porto a cidade que ela vem visitar. Entra no hotel, vai ver o quarto, deixa a mala e volta a sair sem demora, excitada com a perspetiva de aproveitar o resto da tarde. Vai vagueando por Matosinhos, a reparar nos turistas que andam por ali com a maravilhosa sensação de ser também como uma estrangeira numa terra estranha. Mete por uma ruazinha estreita e, chegando ao fim, dá com um café de especto acolhedor. Como tem fome e quer refugiar-se do calor, entra e senta-se a uma mesa. O empregado que vem atendê-la fala-lhe em inglês. Ela solta uma risadinha e pergunta-lhe com o seu sotaque do Brasil.
- O que o levou a pensar que fosse estrangeira?
Ele coça a sua cabeleira já rara, desgrenhada, ligeiramente embaraçado. Ela com cabelo bem tratado ligeiramente castanho claro, olhos castanhos, ar um pouco perdido e sem pressa.
- Achei que era, explica-se, peço desculpa.
Ela ri-se, divertida com a situação.
- Não faz mal, diz ela.
- Não é estrangeira mas é de fora, nota ele.
- Sim, é verdade, sou Brasileira, vivo no estado Rio Grande do Sul.
- Pois, já tinha reparado no sotaque.
Ele vai voltando à mesa dela, para saber se precisa de alguma coisa, para fazer conversa. Ela acha-lhe graça e responde-lhe com gosto. É um homem entroncado, descontraído, veste jeans e t-shirt, tem uma alegria natural que a entusiasma. À saída, vai abrir-lhe a porta e pergunta-lhe se tenciona voltar.
 - Talvez, responde ela, enigmática.
Despede-se, volta ao calor excessivo que ainda faz ao fim da tarde. Mas nos dias seguintes regressa sempre para tomar o pequeno-almoço e ele lá está para a servir, maravilhado por tornar a vê-la. Ela fica a saber que está ali a trabalhar porque tinha ficado desempregado, mas que contava ser por pouco tempo, já tinha em vista algo melhor, e como a vida continua tem que ser, e trabalha ali para pagar os custos de uma casa onde ele vive, fica a saber outras coisas dele. Passam juntos todas as noites, no quarto dela. Ao fim de o 10º dia, ele leva-a ao avião, e depois de a beijar com paixão ajuda-a a subir com a mala e só volta com a partida deste já em movimento.
Regressa a casa com um sorriso triste, já com saudades. Três meses depois ainda sente a mesma azia no fundo do seu estômago, a mesma que sentiu ao ver aquela mulher que o amou com o máximo carinho partir, ele quando se lembra disto deixa sempre cair uma lágrima.
Ela passada alguns meses talvez porque não aguentasse voltou! Entra no café mas não o vê, pergunta por ele a uma empregada. Fica a saber que se despediu e não deixou nenhum contacto. O número de telefone que ele lhe deu já não funciona, procurou-o no Facebook e não o encontrou. De modo que sai do café desconsolada e, após alguns dias a procurá-lo pelos lugares em que andaram, volta ao Brasil com uma desilusão.
Nunca mais saberá nada dele, nunca mais voltará a vê-lo, mas ficará sempre com a melancólica recordação daquele amor de 10 dias.

(14/07/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Yes" (HD) Joaquim Rodrigues


"Há Amor"



"Te Amo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Meu Desejo"



Tu és o meu desejo.
Esta noite eu desejo tudo de ti.
Desejo que sejas uma super mulher.
Uma mulher,super meiga.
E me dês uma super noite.
Esta noite, tu és o meu desejo.
Desejo que a noite seja mega.
A nossa maior noite.
A mais gigante.
A noite onde o amor seja profundo.
Algo do mais imenso, e poderoso.
Sempre abundante, forte e meigo.
Esta noite eu quero-te como um doce.
Um doce cremoso, saboroso.
Que mo faças comer todo. 
Sentir tua boca muito louca.
E saborear todos teus beijos de amor.
Querida, eu esta noite desejo-te.
 
(25/03/2013)
Rodrigues Joaquim

"Perdidamente" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ela é Catrastófica"



Encontrou-a numa festa em casa de amigos comuns e quis conhecê-la porque, embora não fosse a mais bonita, era a alegria em pessoa, e toda ela irradiava uma promessa de felicidade.
Aproximou-se dela mas teve dificuldade em manter uma conversa, pois via-a falar com as pessoas e não parava quieta na sua boa disposição de sorriso aberto e gargalhada fácil. Espalhava essa boa disposição pelas salas por onde circulava com um desembaraço mundano. Parecia conhecer toda a gente, ao contrário dele que à entrada reconhecera apenas algumas caras dispersas e fez um esforço pela noite fora para não ficar sozinho, apesar de ver as companhias ocasionais desfazerem-se ao fim de algumas palavras de circunstância. Agora que a festa acalmou e muitos convidados foram partindo, ele desistiu de falar com alguém e consola-se com o conforto de um sofá, com uma última bebida na mão, a observar as pessoas, como que pairando sobre o ambiente. Ela vem e senta-se ao seu lado, surpreendentemente, começa a tagarelar com ele. Afinal, não o perdera de vista.
De manhã ele vai correr à beira-rio e volta a encontrá-la. Ela mostra-se radiante, tão alegre como na noite passada.
- Que coincidência, exclama.
- O mundo é pequeno, diz ele.
Embora ambos saibam que ela referira que costumava correr ali aos domingos. Vão tomar um café juntos num barzinho ali mesmo em frente. Ela fala muito, é expressiva e divertida, ele está deslumbrado e contagiado com tanta alegria, porque ela o faz rir e isso é bom.
Passa um mês e mais outro. Ele está na sala a ver televisão. Ela senta-se ao seu lado a falar. Conta várias histórias encadeadas sem parar. Ele só quer ver televisão, mas não sabe como dizer-lhe isto, nem ela lhe permite que o diga, pois fala sem parar e sem o ouvir. O entusiasmo inicial foi tanto que já vivem juntos em casa dele. Bem, o entusiasmo inicial feneceu, ela quer atenção o tempo todo e ele quer ver televisão em paz. Ao fim de algum tempo, compreendeu que ela não é tão alegre como aparentava, é dada a altos e baixos, a euforias seguidas de depressões profundas, e ele, que é apenas normal, fica perdido neste carrossel de emoções excessivas. Ela fez-lhe uma cena de ciúmes e partiu metade do serviço no chão da cozinha. Noutra ocasião, quis fazer o jantar e provocou um incêndio. Parece um filme! Ela é catastrófica e ele quer recuperar a sua vida, o seu sossego, sentar-se no sofá sem correr risco de morte. De modo que, apanhando-a fora de casa, muda a fechadura da porta da rua, põe-lhe as malas no lado de lá e um bilhete sucinto:
- Fui para o Brasil.
Em seguida vai para a sala ver um filme, sem som, sem fazer um ruído, aliviado, a pensar que só quer é ficar sossegado a ver televisão em paz.

(10/10/2012)
Joaquim Rodrigues

"Você Acredita" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ouça-me"



"Dormindo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Honestidade"



"Ilumina minha vida" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Carta a Minha Mana"



Olá mana! Como estás tu? E os meus sobrinhos lindos estão bem? Tenho saudades vossas. E dos pais, claro. E do teu bolo de brigadeiro. E de umas amêijoas à Bulhão Pato.) E do sol de Portugal também tenho saudades. Sinto falta do sol. Estou a escrever-te este e-mail depois de abrir a tua encomenda. Já recebi!
 Adorei a surpresa.«Keep Calm and Trust Me: I"m Portuguese.» Bela T-shirt. É que é isso mesmo. É exatamente isso que sinto por aqui. É o que te dizia há dias, quando falámos. As Dinamarquesas não confiam em mim. Ou não confiam nos homens. Nem dão hipótese. Despacham um gajo em três tempos. Mais! Para começarem a andar com um tipo, têm de ser elas a decidir isso. Mesmo que eles faça a corte como deve ser e mesmo que eles, claramente, as conquistes, elas enfiam na cabeça que foram elas que lhes deram a volta. É uma cena cultural delas. Quando têm namorados, não foram elas que cederam aos avanços deles. Foram eles que foram conquistados por elas. Ou então sou eu que não percebo nada disto. Às tantas sou tão Portuga, e penso de tal maneira como um latino, que acho que temos de ser nós a conquistar as mulheres. E escusas de me chamar machista. Olha, não sei. Quando vim viver para cá, um colega Português que trabalha comigo lá no atelier avisou-me logo disso. Eu não liguei muito, mas já vi que ele tem razão. A coisa anda mesmo complicada para o teu irmãozinho. Eu, que sou lusitano de gema, Portuguesinho de alma e coração, ando meio perdido no reino das nórdicas. Isto de ser emigrante faz-nos a olhar para o engate de maneira diferente. Um gajo vive até aos 35 anos no país à beira-mar plantado, acha que sabe umas coisas e que o que não sabe aprende e, de repente, aterra noutra realidade. E eu achava que era muito viajado, e que já tinha visto muito. Qual quê?! Uma coisa é viajar, outra é viver noutro país. Muda tudo. Muda o tempo, muda a comida, muda a forma como as pessoas falam, e muda a conquista. Arrastar a asa para cima de uma portuguesa é uma coisa. Dar a volta a uma dinamarquesa é outra. Não é que seja mais difícil ou mais fácil. É diferente. E ou aprendemos depressa, ou ficamos a apanhar bonés.
Olha que os meus amigos que estão noutros países dizem o mesmo. O Carlos está em Düsseldorf e diz o mesmo das alemãs. O Pedro já esteve na Polónia e na Holanda, agora está em Londres, e queixa-se das colegas de trabalho: ou são distantes à brava ou só o querem para sexo. He he he. Tu acreditas nisto? De vez em quando falamos todos por Skype e o Vasco, que está em Madrid, goza connosco. Está sempre a perguntar se já sabemos como é que funcionam as mulheres do Norte. O problema não é engatar gajas. O problema é conquistá-las. É diferente.
Há coisas que são iguais no mundo inteiro: conheces alguém, dás dois dedos de conversa, bebes um copo, ou dois, ou três, o álcool faz efeito, fazes a outra pessoa rir, ou há química ou não há, e pronto. O sexo é mesmo uma linguagem universal. Um dia quando de fartares do enjoado do meu cunhado Português, vais ver (he he he, desculpa, não resisti).
Só em Portugal é que as mulheres são umas complicadinhas e só vão para a cama na terceira ou quarta vez que saem com alguém. Um amigo meu dinamarquês já esteve aí e diz que as Portuguesas são as afegãs da Europa, que só falta andarem de burca. É um exagero, mas é verdade que quanto mais te afastas do Sul, mais descontraídas são as mulheres. Não são oferecidas. São descomplicadas. Mas isso é no sexo. No engate. Se queres conquistar alguém aqui, tens de pensar de forma diferente. E eu ainda não descobri. Mas não vou desistir. Pode ser que a tua T-shirt ajude.
Um beijinho de saudades.

(24/03/2013)
Joaquim Rodrigues

" Ceder" (HD) Joaquim Rodrigues


domingo, 24 de março de 2013

"O Meu Amor Morreu"



Meu amor era tão grande.
Era enorme.
Mas o mar é muito maior.
O mar o meu amor venceu .
E agora Jaz.
Jaz tranquilo na praia.
 
Agora só existe as lágrimas.
Nos meus olhos.
Será que meu amor morreu?
O meu amor era a minha veia.
A veia da minha vida, do meu corpo.
Minha casa, minha alma.
Meu amor era como uma semente!
 
Era como flor de seda perfumada.
O anjo que sempre me acompanhou.
O amor me abandonou me deixou.
 
(24/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Ainda te Amo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Na Pastelaria"



Na pastelaria, ela diz ao empregado o que o marido deseja antes mesmo de ele ter oportunidade de fazer o pedido. Conhece-o tão bem que tem o hábito irritante de lhe acabar as frases, não o deixando completar o que ia a dizer. Enquanto ele bebe o seu café curto, pedido por ela, ergue os olhos do jornal levado por um pensamento súbito, observa-a a folhear uma revista, tem a perturbadora sensação de que a vida deles anda sempre à roda, repetindo-se eternamente. Ela sente-se observada, surpreende-o a vigiá-la, pergunta-lhe.
- O que foi?
 Ele baixa o jornal, tira os óculos, pousa a mão sobre as páginas abertas no colo, comenta com ela esta perplexidade.
- Não tens a impressão de que a nossa vida é sempre igual, que tudo se repete e já há nada de novo que nos espante?
- Não sejas tonto, desde que te conheço que adoras a rotina, reponde-lhe com um encolher de ombros. É verdade, pensa, ela tem razão, como poderia não ter se são quase vinte anos juntos? Ela sabe o que ele come, o que bebe, o que veste, o que gosta e o que não gosta. Por vezes, desconfia que ela conspira para o anular. É sempre ela que fala pelos dois, que responde por ele, diz aos amigos o que ele pensa dos assuntos sem o deixar falar. Antecipa-se permanentemente, e ele dá consigo a contrariar a sua própria natureza só para a baralhar, para não a deixar ter tantas certezas a seu respeito. Compra um casaco que nunca compraria, encomenda um almoço que não aprecia particularmente.
 "Estará a ficar paranoico? Pergunta-se".
Estão ambos a chegar aos quarenta, e ele foi ganhando o hábito de olhar para ela com olhos críticos. As particularidades naturais da sua idiossincrasia, que antes costumavam encantá-lo, agora irritam-no. Tudo nela o irrita, tornou-se implicativo e só não passam a vida a discutir porque ela não cai na esparrela. É tolerante e inteligente e passa por cima das suas embirrações sem alimentar as pequenas polémicas que ele vai lançando, não permitindo que se tornem verdadeiras discussões. Ela acaba o café, fecha a revista, afirma que têm de se ir embora por isto e por aquilo, enfim, tem o dia planeado e nem lhe ocorre perguntar-lhe se está de acordo. Ele resmunga que já vão, demora-se um minuto, fingindo que acaba de ler uma notícia, fecha o jornal e acede em partir.
Caminham pelo passeio, ela dá-lhe o braço e vai a tagarelar enquanto ele se remete a um silêncio rancoroso, que ela não nota, ou ignora. Por vezes pensa como seria feliz se a deixasse definitivamente, mas não passa disso, porque, no fundo, não saberia o que fazer com a sua vida se não a tivesse. E essa fatalidade ainda o deixa mais deprimido.

(24/03/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 23 de março de 2013

"Meu Cheiro"



" Poema de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ciúme"



Conheci minha namorada no facebook, e no dia em que nos vimos pessoalmente pela primeira vez. Ela logo percebeu que afinal eu não tinha 190 m de altura, e não tinha olho azul nem cabelo loiro! E também ficou a saber que a foto que eu tinha no meu mural, já tinha quatro ou cinco anos. E já lá vão seis anos agora. A verdade é que tudo isto podia ter corrido mal. Mas realmente há coisas que não se explicam. A lei da atração é uma delas, (na verdade, até se explica, e com dados científicos, mas agora, seis anos volvidos, não interessa nada). Vem se calhar interessa sim! Porque tenho sentido alguns ciúmes dela!
- Quem era aquele?
- Quem?
- Aquele gajo com quem estavas a falar.
- Qual gajo?
- Qual gajo…aquele com ar de Betinho. Com sapatos de vela e camisa de ganga. Ao pé dos iogurtes. - Um muito alto? De olho azul? Era o Nuno. Meu colega. Do contencioso. Já te falei dele.
- Ui… o que tem a mania que engata as miúdas todas do escritório? Ah é esse? Pois, faz sentido.
- O que é que faz sentido? Olha esta agora. O ciúminho a atacar no supermercado.
- Eu não estou com ciúmes. Tu é que estavas toda derretida a falar com ele. Ainda bem que estavas na zona dos frios.
 - Oh, meu amor. Estás mesmo com ciúmes… Vá lá, já passou… pronto, pronto. Eu não fico chateada. Mas não te estiques.
- Eu não estou a esticar-me. Ele é que estava a esticar-se para cima de ti. E tu estavas a achar piada.
- Mau! Mas tu estás parvo? O Nuno é meu colega, dou-me bem com ele. Era o que faltava não poder cumprimentar as pessoas, só porque o meu querido resolve fazer uma cena de ciúmes no meio das hortaliças.
- Está bem. Sou eu que estou a ver coisas, agora. O tipo estava todo meloso para ti. Não sei o que é que estava a dizer, mas tu estavas a achar muita piada. Das minhas piadas não te ris assim.
- Olha, se não sabes o que é que ele estava a dizer, foi porque não quiseste. Se me viste a falar com alguém, podias ter-te aproximado e eu apresentava-to. Aliás, era melhor isso do que estares a espreitar e a fazer essa figura.
- Não foi preciso espreitar nada. Tu estavas no meio do corredor. Á frente de toda a gente. E não me aproximei porque vocês estavam tãããão íntimo, que não quis estragar o momento.
- Sim, quando eu quero que se metam comigo abanco ao pé dos iogurtes e da manteiga à espera que me façam olhinhos. Olha, estás a esta distância de ficar aqui sozinho. Levas tu os sacos para casa que te lixas. Eu vou à minha vida. Já foste buscar o leite?
- Não. Vou depois. És tu que tens a lista. Eu só estou a falar do que vi. E não gostei.
- Não gostaste, problema teu. Já te disse que devias ter-te aproximado e eu apresentava-to. Se eu te visse com uma gaja no supermercado, julgas que ficava a observar de longe e a fazer um filme na minha cabeça?
- E porque é que estavas tão simpática?
- Mas eu não estava simpática por ser ele. Eu sou simpática sempre. Bolas, estás a enervar-me! Eu trabalho com ele, vejo-o todos os dias. Ainda hoje almoçamos.
- Almoçaste com ele?
- Com ele e com mais gente. Com ele, com a Elisabete, a Marta e o Luís. Que tu conheces.
- Curiosamente só não o conheço a ele.
- E hoje perdeste uma boa oportunidade de o conhecer. Ele até perguntou pelo meu namorado. Achou estranho eu estar sozinha.
- Disseste que eu era um tipo grande e forte e inteligente e com sentido de humor?
- Não! Disse que és um idiota e que fazes cenas de ciúmes típicas de um adolescente.
- Se o gajo fosse baixinho e gordo tu não lhe achavas tanta piada.
- Se ele fosse baixinho e gordo tu não tinhas ficado tão roído.
- Deve ser o rei do escritório. E tem ar de convencido. É casado?
- Divorciado. Mas tem namorada.
- Coitada. Deve ter um belo par de cornos.
- Sei lá se ela tem um par de cornos. Não falo com ele sobre essas coisas. É um tipo divertido, dou-me bem com ele e mais nada. Vá, dá-me um beijo, ó ciumento.
- Vai pedir um beijo ao teu colega.

(23/03/2013)
 Joaquim Rodrigues

"Só com Você" (HD) Joaquim Rodrigues


"Menina"



"Ária" (HD) Joaquim Rodrigues


" Você"



"13 de Setembro" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Carroça Vazia"



Quando eu era criança, uma certa manhã meu Pai levou-me a dar um passeio num monte perto de minha casa, e lá fomos os dois com muito prazer.
A meio do passeio meu pai parou de repente, e depois de um pequeno silêncio perguntou -me.
- Além do cantar dos pássaros, tu ouves mais alguma coisa Joaquim?
Apurei meus ouvidos durante alguns segundos, e respondi a meu Pai.
 - Estou a ouvir o barulho de uma carroça.
 - Isso mesmo, respondeu meu pai. É uma carroça vazia.
- Uma carroça vazia? - Pai como podes saber que é uma carroça vazia, se ainda não a vimos?
- Pois não Joaquim, ainda não a vimos, mas é fácil saber que é uma carroça vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz.
As coisas que a gente aprende com nossos Pais. Hoje passado tantos anos quando vejo uma pessoa a falar demais interrompendo a conversa de toda gente, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo.
“Joaquim, Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho filho, lembra-te sempre disso”

sexta-feira, 22 de março de 2013

"O Céu é Sempre Azul" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Sónia e o Facebook"



Ela era bonita, tinha cabelos escuros e compridos, lábios carnudos e olhos grandes que fitavam o mundo com ar de desafio. Alta esguia, um pouco para a sua idade, apesar de não usar saltos. Já olhava de cima para baixo para alguns de nós, os minorcas que ainda haviam de crescer e ganhar pelo na barba, ainda por cima era inteligente. Tirava boas notas, mesmo que passasse o tempo a tagarelar com a colega do lado. Os anos passaram e ela ficou mais gira, e mais alta, e passou a usar saltos, e com o cabelo mais comprido que lhe ficava muito bem agora sim estava linda a minha colega de escola. Entretanto eu também cresci, mas ela nunca me ligou. Era um colega porreiro, mas não podia aspirar a nada mais. Tudo que não fosse admira-la e de longe! Beijos, escapadelas às traseiras do ginásio e passar de mão dada com ela pelo meio do pavilhão polivalente no intervalo grande! Estava reservado para os gajos da associação de estudantes, os amigos dela altos, com pinta de betinhos, sapatos de vela, blusões de couro e idade para saírem até tarde. Esses idiotas por quem as miúdas do liceu suspiravam e que eu, e os outros invejávamos secretamente. Não pelos blusões de couro, mas porque sacavam sempre as miúdas mais giras. Acabaram-se os anos do secundário, veio a faculdade, o mercado de trabalho e tudo o que cabe no mundo dos crescidos. E nunca mais ninguém a viu!
“Eu especialmente”.
É fácil perder o rasto a alguém quando se vive numa cidade grande. De vez em quando, nas jantaradas ou encontros acidentais com antigos colegas, falava-se dela. Já nem o nome lembrava, mas nunca mais ninguém a tinha visto. Mas até nisto eu sou um herói, porque foi na semana passada que eu a encontrei! O pior é que não foi no supermercado, no cinema ou na rua. Foi mesmo nesse sitio onde as pessoas se encontram todas hoje, “O Facebook”.
- Será ela? Caramba! Está diferente. Não, não pode ser. Não pode ser nisto que se tornou aquela miúda interessante, com um sorriso lindo, que me encantava, (secretamente) cabelo comprido, lábios carnudos e as outras coisas todas, do primeiro parágrafo. Safa! Parece careca rapou o cabelo? Porquê? Era tão lindo o cabelo dela! O cisne gracioso de pernas altas e brancas, e movimentos elegantes se transformou num patinho feio com mau aspeto, com dentes estragados.
Mas infelizmente era ela sim! Tinha casado e tido dois filhos um rapaz e uma menina, mas se encontrava muito doente, e mais não disse, eu também não forcei porque com a doença não se brinca. Mas hoje já sei o que aconteceu à minha apaixonada secreta do tempo de liceu a infelicidade lhe tinha batido à porta, tinha ficado sem um seio, devido a um “câncer” que lhe tinha aparecido durante a gravidez da menina seu segundo filho. Os colegas antigos de liceu os que mantiveram o contacto e os outros todos que o Facebook reuniu virtualmente, já a adicionaram e ela parece tão feliz por nos ter reencontrado como nós estamos admirados e tristes pelo que a vida lhe fez. Mais dia, menos dia, alguém vai perguntar a “Sónia” se está melhor. Até lá, ficamos todos a pensar no que a vida nos pode fazer a nós.

(01/11/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Cartas de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Vontade de Ti"



" O Menino do Mar" (HD) Joaquim Rodrigues


"Diferênças"



"Mulher Bruxa" (HD) Joaquim Rodrigues


"As Voltas do Destino"



Quando naquela Sexta-Feira as duas amigas se encontraram sós depois de o horário de trabalho ter chegado ao fim, voltaram a se questionarem o que já seria talvez a decima vez, pois a festa era nesse fim-de-semana:
- Vens ou não passar o fim-de-semana connosco? Questionou.
A pergunta da amiga era lógica, se ela jurara a pés juntos que a sua história com o Joaquim fazia parte do passado, não havia motivo para não querer ir passar aquele fim-de-semana fora só porque ele ia lá estar. Tinha duas hipóteses, ou mantinha-se fiel à mentira, e ai não havia desculpa para recusar o convite, ou então dizia a verdade e confessava a Marta que ainda estava apaixonada por ele. Teimosa por natureza, Edna ficou pela primeira hipótese. Seria forte e iria passar aquele fim-de-semana com todo o grupo de amigos onde, por azar, se incluía Joaquim. A decisão custou-lhe caro. Andou a restante semana angustiada sem saber o que a esperava. Será que ele ia com a namorada? Afinal, o que acontecera entre eles fora breve e fugaz como um dia de Sol no Inverno. Duas pessoas que se tinham conhecido e sentido irresistivelmente atraídas uma pela outra e passado uma noite de amor. Uma só noite de amor, mas que Edna jamais esqueceria até ao fim dos seus dias. Tinham-se amado em sua casa, ligeiramente entontecidos pelo vinho bebido ao jantar, mas ela nunca estivera tão consciente de que desejava aquele homem. Que queria que ele tocasse no seu corpo, a acariciasse como a brisa da tarde, a beijasse com os lábios carnudos que tão facilmente sorriam como ficavam sérios. Gostava do seu corpo firme, da sua pele morena, dos seus olhos de um castanho luminoso, e sentia que também ele a desejava. E se dúvidas existissem na sua mente ter-se-ia dissipado mal entrou no apartamento, quando ele lhe roubou um beijo que fez o seu coração bater mais depressa e lhe roubou o ar. A partir daí caíram nos braços um do outro, despiram-se com ansia, misturaram as línguas e as pernas, ele devassou com os lábios o seu corpo e ela estremecera de paixão e prazer quando ele a penetrara docemente, olhando-a nos olhos, sussurrando-lhe palavras ternas ao ouvido que ela jamais esqueceria. Depois, moveram-se em compasso, sentindo cada pequena sensação de prazer e a volúpia a aumentar como uma onda até ao clímax. Dormiram aninhados nos braços um do outro e Edna permitiu-se acreditar que assim seria para sempre. Porém, de manha, escutou a sua voz vinda da sala, a falar ao telemóvel, e ouviu as palavras dele.
- Amor, desculpa não ter avisado, mas fui sair com o António ontem à noite e fiquei a dormir em casa dele.
Deitada na cama, Edna sentiu que todo o seu mundo ruía. As lágrimas começaram a cair pelo seu rosto e foi assim que Joaquim a encontrou quando chegou ao quarto.
- Não digas nada e sai de minha casa ,disse-lhe.
Joaquim não se atreveu a defender-se, mas a forma triste e apaixonada como a olhou antes de deixar a sua casa entrou direta ao seu coração. Aquilo acontecera há duas semanas atrás. Desde então, nunca mais vira Joaquim, mas foi ele a primeira pessoa com quem se deparou quando entrou na imensa casa de Marta naquele fim-de-semana. Falaram-se claramente constrangidos, mas a química estava lá? Quando os seus olhos se encontravam, prendiam-se um no outro de forma irresistível. De tal forma que foram apanhados desprevenidos por uma voz feminina a seu lado.
- Não me apresentas? Edna estremeceu.
Era a namorada de Joaquim. Sabia que aquilo podia acontecer, mas na verdade não estava preparada. A outra deve ter lido no seu rosto o desconforto, porque foi irônica quando disse.
- É um prazer conhece-la. Arrastando depois um atarantado Joaquim para fora da sala. Todavia, do que Edna se apercebeu é que era impossível esconder o que sentiam um pelo outro. Os seus olhos atraiam-se irresistivelmente e, quando isso não acontecia, apercebia-se que Joaquim estava calado, pensativo, chegando a responder com alguma brusquidão à namorada, que parecia decidida a trata-lo como um cachorro de trela. No final dessa noite, Edna sentiu que precisava de paz e foi até à varanda. E eis que Joaquim também lá estava. Primeiro olharam-se, em silêncio, o coração a querer saltar do peito, depois ele disse.
- Sabes Edna me desculpa, eu nunca mais consegui te esquecer desde aquele dia, tenho pensado em ti todos estes meus dias e noites que.
Mas não pode dizer mais nada, porque nisto a sua namorada surgiu na varanda. Acusou-o de traição e a ela de uma sem vergonha. Edna ficou chocada, sem reação. Por fim, a outra obrigou Joaquim a tomar uma decisão ali, naquele instante.
 - Quero saber com quem queres ficar?
Para espanto de Edna, Joaquim não hesitou e, olhando-a nos olhos, disse.
- Com a Edna!.

(22/03/2013)
Rodrigues Joaquim:

"Atrás do Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Eu, e Tu"



Querida, confesso que adoro te ver gemer.
E sempre que me pedes, que continue fazendo.
No teu corpo suado e húmido de prazer.
Meu sexo no teu, vou metendo.
 
Na tua mão, o meu sexo já ardia.
E o teu era como fogo arder.
Como louco teu corpo, por tua boca pedia.
Dá-me meu querido, muito, muito prazer.
 
Minha amada não tem vergonha.
 Gosta por trás, de frente, e até virada.
Nossos dias de amor é uma maratona.
Só assim, ela gosta de ser amada.
 
Na tua saia minha mão vou metendo.
E beijando teus lábios, eu tesão sentia.
Na tua mão ele foi crescendo.
E muitas chamadas sacanas, ele fazia.
 
(22/03/2013)
Rodrigues Joaquim

"Triste Pena" (HD) Joaquim Rodrigues


"Eu"



"Estranho da noite" (HD) Joaquim Rodrigues


"Envelhecer"



“ ME DESCULPEM MAS OS HOMENS TAMBÉM PRECISAM DE MIMOS” . É suposto eu vir a ter uma crise da meia-idade e a pôr em causa todo o sentido da minha vida mas!
Este é o ano do meu quintoagéssimo aniversário. Daqui a sete meses, continuará a minha gloriosa caminhada nos "entas" que já começou há dez anos, e dos "entas", como se costuma dizer na minha terra, geralmente já não se sai como tenho reparado, depois dos quarenta agora os cinquenta.
Segundo a mais respeitável literatura, é suposto eu vir a ter uma crise da meia-idade e a pôr em causa todo o sentido da minha vida, acompanhando a invasão do cocuruto pelos cabelos brancos (que já começou) e o interesse dos médicos pela minha próstata (que ainda não começou). Tudo isto me preocupa num único sentido: poderei não estar à altura da situação. Num mundo onde o corpo jovem é tão cultivado e a sabedoria dos velhos tão desprezada (reparem como já pareço um deles a falar), detestaria não saber conviver com as minhas rugas, como aquelas estrelas que começam a colecionar operações plásticas por não suportarem o seu próprio reflexo. Saber envelhecer é uma extraordinária arte, apenas suplantada pela arte de saber morrer. E deve ser por isso que nos últimos tempos não me sai da cabeça uma belíssima canção da Amélia Muge, construída a partir de versos de Grabato Dias, que diz: "Estar vivo é estar à morte/ cativo de um pilim da sorte." É possível que um pessimista considere tais versos um reflexo da tragédia que é este mundo, e viva na permanente angústia de que um dia a sorte acabe. Mas eu, que sou mais dado a otimismos, entendo-os como uma celebração da vida, essa graça incrível que nos foi dada (pela sorte, por Deus, pelo que quiserem), e que exatamente por ser tão frágil e tão curta convém ser celebrada a cada momento. Daí que a minha esperança de futuro cinquentão resida nesta outra esperança: a de que em vez de me deprimir com tudo aquilo que deixo de ser capaz de fazer, comece a agradecer tudo aquilo que ainda está ao meu alcance. Que à medida que for vendo cada vez menos e ouvindo cada vez pior, haja sentidos interiores que se apurem, de forma a poder festejar o mais pequeno "pilim". De certo modo, é o que já me acontece, graças à exigência de criar dois filhos, que nos levam o tempo e a paciência a um ponto que, quais místicos de trazer por casa, passamos a apreciar as coisas mais simples com uma profundidade inimaginável. Um duche quente, um momento de silêncio, um abraço ao deitar nunca me souberam tão bem quanto hoje. Se os 50 me derem mais disso, então eles que venham. Cá estarei – ainda que curvado – para os receber.

(22/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Quem Ama Faz" (HD) Joaquim Rodrigues


"Paciencia"


"Para Tí" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Beijo"



"Tu vez meu Olhar" (HD) Joaquim Rodrigues


"Teu Beijo"