O meu blog: “histórias do coração” ele mostra a beleza e todas as maravilhas que existem em nossas vidas em todos nossos sentimentos tudo em forma encantadora de palavras que nos saem do meu coração, um coração que acredita na vida na felicidade de tudo que a vida nos reserva. O meu coração é um livro sobre o amor que vivem na minha alma. (Aqui encontramos poemas, música, e histórias da vida real) (Joaquim Rodrigues)
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
"Vamos Reagir"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Falo das alegrias que se tornam rotinas, com que se conta: comprar revistas, jantar ao balcão, dormir junto do mar, dizer disparates, beber de mais, rir. Coisas assim.
São essas coisas, entre as quais o amor, que não se podem deitar fora sem, pelo menos, morrer primeiro.
"15/11/2013)
(Joaquim Rodrigues)
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
"Amor, ou Paixão"
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(Joaquim Rodrigues)
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A Paixão é um fogo que nos aquece o peito.
Que arde por dentro, nos inflama, e satisfaz.
Nos leva ao delírio, e nos mexe, nossa alma.
Nosso corpo, nossa mente, mas ferir, ela é capaz.
Enquanto o amor, é como uma brisa matinal.
É o que precisamos, uma estrada de ternura.
Nos dá carinho, afeto, aquele fogo essencial.
Nos trás prazer, toda fonte, da felicidade pura.
A paixão se torna como uma ação, devastadora.
Enquanto o amor nos faz feliz, é um encantamento.
A paixão é perigosa, roí por dentro, nos deixa marcas.
Mas o amor não! Nos dá vida, nos alivia, o sofrimento.
A paixão como ela é, nem sempre nos leva ao amor.
E nem sempre no amor, existe paixão.
Mas os dois juntos teimam, em nos confundir.
Com tudo o que tem de belo, a sua sedução.
Eu procuro, em todos meus sentimentos, me equilibrar.
Seja na paixão, no amor, no carinho, ou nas emoções.
Mas como gosto de viver, amo a vida, e de me enlaçar.
Vou amando com paixão, e me entrego sem restrições.
(29/04/2013)
Joaquim Rodrigues
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
"Longa Jornada"
Passados aqueles anos todos, ali estão os dois, sentados no bar da praia numa tarde soalheira de Outono a tomar uma bebida, ensimesmados num silêncio cúmplice, a contemplar o mar embravecido. Ele dá consigo a refletir na longa jornada que tem sido a sua vida. Pensa em tudo o que passaram, e não foi pouco, nas longas noites de vigília quando os filhos adoeceram, no nascimento dos netos, na luta diária da sua carreira profissional. Recorda as aflições e as inúmeras situações em que teve a sensação de que não haveria saída para os problemas. O acidente do filho, a altura em que perdeu o emprego. Mas o filho recuperou e até já casou e já lhe deu dois netos; e o emprego que conseguiu a seguir revelou-se bem melhor do que aquele que tinha.
Lá em baixo na areia, à beira-mar, uma gaivota porfia com outra por um bocado de pão e ele assiste distraído ao bater de asas das aves pelo seu pedaço de sobrevivência. Curiosamente, repara, tem mais dificuldade em lembrar-se das piores alturas do que das boas recordações. Supõe que a memória tem tendência para apagar as tormentas do passado, enquanto as coisas boas perduram com uma certa nostalgia. São momentos felizes que passou sem se aperceber então de como eram valiosos.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Ainda agora sabe que não pode viver sem ela, que conta com o seu apoio como sempre contou nas épocas mais complicadas. Hoje, tem a sensação de que enfrentaram juntos tudo o que havia para ultrapassar e isso reforçou a sua união, transmite-lhes um sentimento de intimidade e de sucesso.
No mar, um surfista solitário é engolido por uma onda, enrolado pela água na rebentação, emerge em segundos por entre a espuma. Ele admira-lhe a força da juventude com uma pontinha de inveja. Em tempos, também entrou no mar com uma prancha. Já lá vão os anos em que experimentava os desportos que lhe dava na gana. Sorri com um pensamento ufano, considerando que a vida nos atropela a cada instante, mas há sempre uma saída, graças à nossa extraordinária capacidade de resistência.
O Sol vai descendo lentamente no horizonte, pintando o céu em tons de laranja, de uma beleza única, arrebatadora. É uma hora romântica. Põe os olhos na mulher, sentada ao lado, bebendo um chá com as mãos em concha para aproveitar o calor da chávena. Ela sente-se observada, volta a cabeça, estende-lhe a mão, segura a dele, oferece-lhe um sorriso tranquilizador e, nesse instante, ele sabe que está tudo bem e não há motivo para preocupações.
(09/11/2013)
Joaquim Rodrigues
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
"O Risco"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Quem tem sentido de humor.
Só pode ser uma pessoa feliz.
Embora rir, corra algum risco.
O de ser apontado de tolo, de louco.
Existem muitos outros riscos.
Exemplo! Para quem chora.
Pode ser acusado de sentimental.
Cumprimentar é se envolver.
Já desabafar nossos sentimentos.
É também correr sério risco.
Mostramos tudo o que somos.
Tudo o que sentimos.
Ao defender nossos sonhos.
Nossas ideias, e pensamentos.
Também correremos alguns riscos.
O de perder pessoas amigas.
Amar, é correr um sério risco.
De não ser correspondido.
Quanto ao vivermos.
O risco é termos um dia de morrer.
Confiar, é arriscar nos dececionarmos.
Como ser valente, o risco é de fracassar.
Por tudo isso, o melhor que fazemos.
É deitar fora os riscos, porque o maior risco.
É nunca na vida, ter arriscado nada.
"11/11/2013"
(Joaquim Rodrigues)
terça-feira, 5 de novembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
"O Casamento"
- Tive ciúmes que alguém pudesse apanhar os teus lindos cabelos, e dei-lhes um beijinho e atirei-os ao vento, disse-lhe.
- Agora tenho eu ciúmes que alguém apanhe o cabelo com os beijinhos teus.
Casaram um com o outro nesse momento. Já tinham casado cinco vezes entre o parque e a praia. Casar é o que acontece quando duas pessoas descobrem que, por estarem a fazer ou terem feito uma coisa grande ou pequena, e se sentem que são as duas únicas pessoas no mundo. Todas as outras pessoas não podem fazer parte daquele prazer. Aquele prazer só é possível para duas pessoas concretamente, para ele e para ela.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Pararam o carro com o mar em frente, e viram um homem a rir-se, leva uma mulher a rir-se nos braços pelo mar adentro e não a deixa cair até ela pedir. Há cuidado, medo de desiludir, proteção, ternura e vontade de agradar.
Depressa eles perceberam que estão a rir-se juntos, de uma coisa a que só eles acham graça, que é rirem-se os dois de uma mesma coisa.
- Casas comigo hoje, meu amor?
- Caso hoje, e todas as vezes que tu quiseres, Vez após vez.
E abraçaram-se mesmo ali, beijaram-se com todo o carinho, e voltaram a chamar o mundo para eles. Voltaram a casar.
(03/11/2013)
Joaquim Rodrigues
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
"Um Desastre ao Jantar"
Por ser muito importante para o futuro de suas vidas, escolheram os dois jantar fora e falarem tudo o que tinham para falar. Não podiam demorar muito mais tempo. Ela, com o seu ar desempoeirado e impertinente, de nariz arrebitado, soltou um provido chorrilho de imprecações que lhe provocou um grande embaraço. Ficou quedo e mudo, lívido, incapaz de uma réplica à altura. Depois, ela levantou-se e saiu de cabeça erguida, deixando-o a jantar sozinho, com a sensação de ter em redor o restaurante dividido entre os olhares femininos de condenação pousando sobre si e as expressões compassivas dos seus pares masculinos. Sendo um restaurante de luxo, caiu um silêncio espantado perante o escândalo, seguido de um lento retomar das conversas em sussurros contidos, depois que ela, erguendo-se de rompante e atirando o guardanapo de pano para cima da mesa, deixou a sala com um passo determinado. Ele olhou em redor com um sorriso forçado, comprometido, como que dizendo
"mulheres, que fazer?".
Logo enfiando os olhos no prato para não ter de encarar ninguém. O empregado, discreto, apaziguador, veio perguntar.
- O senhor deseja mais vinho?
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| (Joaquim Rodrigues) |
- Com certeza, disse o empregado, num murmúrio de respeito.
"Que barraca, pensou, envergonhado, tomando uma golada valente de vinho, mas eu mereci, eu mereci, e acompanhou esta reflexão com um menear de cabeça carregado de fatalidade, um encolher de ombros resignado, gestos inconscientes de quem não se apercebe que está a sublinhar os pensamentos com expressões corporais, como se falando com alguém.
Era aquilo o culminar espetacular de quatro semanas de romance, um mês de paixão desabrida, sem moderação, falando-se já de um casamento urgente, de um futuro para sempre. Enfim, o afeto vivo, avassalador, esfumou-se nele como um pavio curto, enquanto ela, exultante de entusiasmo, planeava já a festa, a lista dos presentes, o padre! Aborreceu-se, quis libertar-se, sacudir o apuro em que se via, convidou-a para jantar fora num ambiente requintado, de cerimónia, acreditando que haveria só uma reação de tristeza contida.
“ Qual quê, uma explosão indignada, foi o que foi! Bem feito, censurou-se, para aprender a não ser esperto e a ser mais corajoso. Acabou o vinho, pediu a conta, levantou-se e foi andando para a saída com o vil peso da derrota sobre os ombros.
(24/10/2013)
(Joaquim Rodrigues)
"Alma"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Quando de manhã eu acordo, penso logo em ti.
E logo sinto o meu coração se erguer de alegria.
Uma alegria estonteante.
Como as estrelas do céu cheias de vontade de abraçar o planeta.
E todo o meu corpo é como uma semente do bem.
Uma harmonia entre o meu espirito e a minha alma.
Eu sei que os nossos caminhos podem ser imperfeitos.
Mas o que importa isso?
Lembra-te que o céu é azul, e lá há estrelas.
O céu sempre brilhou para nos completar.
É como as flores que sempre iluminaram o amor.
E sempre nos deu uma corrente, uma energia pura.
Sempre nos faz unir eternamente.
Penso em nós os dois entrelaçados num apaixonado beijo.
Envolvidos os dois, neste perfume da alma, que nos consome.
E nos faz unir nosso sangue há vida.
Como sempre nos deu esperança pausada, em sonhos, e paz.
Amar-te-ei sempre, como um eterno enamorado.
Os meus carinhos te aquecerão todos os dias, todos os momentos.
E ao leres os meus versos, os que eu escrevo, serão para ti.
Senti-os, como a mais linda história de amor, que tu já algum dia leste.
(24/10/2013)
Joaquim Rodrigues
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
"Amantes"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Hoje ficamos o dia em casa.
Sós desligamo-nos de tudo, dispensamos roupa.
contei todas as curvas do teu corpo nu. e nelas me perdi.
Ama-mo-nos em todo lado da casa.
Rebolamos no chão, trepamos as paredes
E respiramos exaustos.
Somos duas almas unidas, só tu e eu existimos.
Se é verdade o amor ser cego, os dois somos cegos de amor.
Os dois nascemos para o amor para unir o teu e o meu corpo.
Eu beijo-te com todo o meu prazer.
Provei o sabor da tua língua, 69 vezes,
Beijos magoados, e nos magoamos mais e mais.
Não fomos prisioneiros um do outro.
Somos livres,
Hoje libertamo-nos do mundo.
Para nos ligar ao nosso instinto animal
Ao nosso amor.
Rende-mo-nos ao nosso cansaço.
E morremos no nosso quente, e cúmplice leito.
Abro os olhos e lá estás tu.
Rosto deitado na minha almofada.
E um sorriso atrevido que eu adoro.
Sorriso malicioso desafiando a continuar.
E logo tudo voltou ao princípio.
Novamente o amor voltou, rolou pelo chão.
Nas paredes, ao som da tua música preferida.
A música que, passou a ser a minha.
O meu corpo atravessa o teu corpo.
E tu recebes dele a minha presença.
Tudo o que tu mais desejavas dele.
E tu serena, te entregas ao meu pecado.
Eu, beijo os teus lindos e saborosos seios.
Tu gemes de prazer.
O teu gemer dá-me vontade de te fazer mal.
De te apagar o fogo ardente que queima teu corpo.
Como eu adoro-te ver gemer meu amor.
Vou descendo pelo teu corpo.
Decidido apagar o fogo da tua carne.
O fogo que te queima o teu prazer.
Decidido desço sem medo ao teu vulcão já em erupção.
E nele me perco até me queimar.
Afinal, tu me fizeste prisioneiro do amor.
Desse teu vulcão, jorrando lava, mas que eu extingui.
(12/10/2013)
Joaquim Rodrigues
terça-feira, 15 de outubro de 2013
"Apaixonado"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Ontem à noite, eu passei há tua porta.
Não te vi. mas escorreguei e caí na lama!
Como era já, a uma hora morta.
Pensei com seria tão bom, ter caído na tua cama!
Tinha-te dado muito, mas muito amor.
Que há muito, eu te desejo dar.
Sinto um aperto no coração que me causa dor.
Sinto muitos desejos, eu quero te beijar.
Passei na tua rua, para te dar uma flor.
Comprei-a numa loja na tua rua.
Como não te pude entregar guardei-a.
Como não te pude entregar guardei-a.
Quando a quiseres meu amor ela é tua.
Este poema é um, um pouco infeliz.
Mas se quiseres, podes contar ao mundo.
Quem o escreveu, quem o mandou.
Quem o escreveu, quem o mandou.
Diz que foi um louco apaixonado, que sempre diz.
Que foi há muito tempo, por ti se apaixonou.
(14/10/2013)
Joaquim Rodrigues
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
"Uma Surpreendente Paixão"
Há muito tempo, ela tem um segredo que não lhe conta. Porém, esse segredo impede-a de continuar com ele e, assim, contra toda a certeza do seu instinto, abandona-o miseravelmente com a alma num pranto. Escorraça-o sem um pingo de piedade, sem um sinal de compaixão. Diz-lhe que não o ama, não o quer, que a deixe de uma vez. Ofende-o com a insensibilidade que desmente os seus verdadeiros sentimentos, contraria tudo o que ela o deixou pensar na última semana de arrebatamento, vira costas e afasta-se, entra no comboio que a levará a casa, senta-se à janela com uma primeira lágrima a escorrer-lhe pelo rosto.
Ele fica no início do cais, incrédulo, a vê-la subir para a carruagem. E ela não se atreve sequer a espreitar por cima do ombro, receando não se conter e saltar do comboio e correr para os seus braços. Ele espera pelos primeiros solavancos tímidos dos vagões, enfia as mãos resignadas nos bolsos do casaco e retira-se, enfim, indo em direção à saída da estação.
Ela tem algumas horas de viagem para se recompor, limpa os olhos marejados de uma mágoa surpreendente. Pergunta-se como foi possível apaixonar-se em cinco dias. Era só uma semana de trabalho bastante atarefada, reuniões e debates num agradável hotel à beira-mar. Sabe que foi irresponsável, que se deixou ir sem pensar. Sabe que não devia ter dado aquele passeio pela praia, que não devia ter ficado a conversar com ele à lareira, na sala, nem, finalmente, ter subido ao quarto na sua companhia.
Pensa no marido, na filha pequena, diz a si própria que tudo não passou de um desvario, de um deslize que vai calar fundo e jamais se repetirá. Sente-se aliviada por não lhe ter contado que era casada e por não lhe ter dado nenhum contacto pessoal. Procura convencer-se de que voltará à sua rotina normal e esquecer. No entanto, já vai no fim da viagem e continua a não encontrar uma explicação razoável para o sentimento tão forte que teve por ele, que tem, como nunca teve por ninguém. Não o verá mais, supõe, fora de questão, não pode, mas parece-lhe tremendamente injusto que seja assim.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Ela hoje é uma mulher divorciada seu casamento nunca mais foi o mesmo desde que eles se deixaram de ver. Foram muitas as vezes que pensou nele que o procurou, mas nunca o encontrou, desistiu.
Nas suas costas ele ouve vozes femininas, pessoas que acabam de chegar ao bar, mas não dá importância, contínua com olhar profundo a fumar o seu cigarro a imaginar como é sobrenatural a força que o mar tem.
Ela depois de sentada com a sua melhor amiga muda de cor como quem desfalece, amiga preocupada pergunta.
- Estás bem?
Ela abana a cabeça afirmativa, mas a emoção a faz passar a mão na cara para limpar a lágrima que escorre no seu rosto, amiga volta a perguntar.
- Então? O que se passa contigo? Queres ir embora?
Ele ao ouvir a conversa das suas vizinhas de esplanada deixa por minutos de olhar o mar e volta-se para trás. E quando os seus olhos se encontram, ficam ali se olhando por segundos sem forças, sem palavras, frente a frente, olhos, nos olhos.
- Ok, já percebi tudo, responde amiga.
(13/10/2013
(Joaquim Rodrigues)
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
"Vento Amigo"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Oh vento usa a tua força.
E vai ter com o meu amor.
Acaricia-a e volta para mim.
E conta-me tudo por favor.
Quero sentir sua mão suave.
E ver sua beleza na lua.
Do meu amor ela não sabe.
Sem ela, sou uma alma nua.
Aqui sentado, estou eu e o mar.
Onde me refujo todos os dias.
O mesmo planeta o mesmo ar.
Vai vento amigo ver se a vias.
Amanha volto aqui novamente.
Para me contares as novidades.
Fixa por favor, este demente.
Que vive morrendo, de saudades
(2013/10/10)
(Joaquim Rodrigues)
terça-feira, 8 de outubro de 2013
"O Artista"
Chamam-lhe o artista. É músico há tanto tempo que pode ficar horas seguidas a contar episódios memoráveis da sua carreira emérita. Houve uma época em que tocava e cantava para plateias imensas, ao lado de outros grandes de então.
Hoje, senta-se, noite após noite, no banco alto em cima do palco curto, ao fundo do bar. Tem uma guitarra e um microfone e quando atua volta a haver magia.
Ao fim-de-semana, o bar enche-se de gente alegre que bebe e dança ao ritmo da sua guitarra dedilhada com a mestria de uma experiência de meio século de canções compostas no velho estúdio, em casa. Mandou construí-lo com apuros tecnológicos de um tempo antigo. Agora, é só o seu cantinho nostálgico com instrumentos desatualizados, gravadores de fita que já ninguém usa, uma mesa de mistura empoeirada atrás de um vidro sujo. Velhos cartazes descoloridos que anunciam épicos concertos esquecidos, descolam-se da parede isoladora, encardida por décadas de cigarros inspiradores.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Já na rua, faz uma pausa para acender um cigarro, antes de se pôr a caminho de casa. Fecha a porta, deixa a guitarra na entrada, passa pela cozinha, leva para a sala um copo cheio de gelo, deita-lhe uma boa dose de uísque. Tira o colete e as botas de cano alto, solta o rabo-de-cavalo grisalho, senta-se na poltrona, estica as pernas, liga a televisão e acende mais um cigarro. E ali fica a beber e a fumar madrugada dentro, recordando com mágoa a mulher que tanto amou, mas que perdeu no ano passado. Lamenta não ter tido filhos porque era feliz e tinha tudo o que um homem podia desejar na vida.
Hoje em dia, o artista é só uma cara vagamente conhecida, um nome que está na ponta da língua mas não sai, algumas músicas que os mais velhos ainda recordam. Adormece sozinho, com o copo na mão, a garrafa vazia deitada no chão. Dorme, apagado pelo álcool, um sono justo e sem sonhos.
(08/10/2013)
(Joaquim Rodrigues)
"Como Quem Chora"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Ao
escrever os meus versos.
Sou
como um desencantado.
Escrevo
tudo como quem chora.
Envolvido
num pranto, sem motivo.
Escrevo
tudo, mas tudo o que sinto.
E
expulso o que tenho, cá para fora
São
versos de angústia, ou voz rouca.
Meus
lábios presos, secos, gretados.
Passo
a vida, contra o tempo que corre.
Que
me deixa uma secura, amarga na boca.
Mas
nunca hei-me deixar de escrever.
Os
meus versos, como quem morre.
“08/10/2013”
(Joaquim
Rodrigues)
terça-feira, 1 de outubro de 2013
"Uma conversa Casual"
O rapazinho, sentado num banco público, num jardim com vista panorâmica sobre a cidade, come um gelado ao lado do pai.
- Porque é que te foste embora? Pergunta, entre duas lambidelas no gelado. O pai volta a cabeça para o observar. A pergunta foi feita num tom casual, como se não tivesse importância, mas apanhou-o de surpresa, deixou-o em alerta.
- Não me fui embora, responde-lhe, estou aqui contigo, não estou?
- Estás, mas já não dormes lá em casa.
- Porque agora tenho outra casa, que também é tua.
- Porque é que tens outra casa?
- Porque eu e a mãe decidimos viver assim. Às vezes, os casais preferem separar-se e ficar cada um na sua casa.
O miúdo cai em silêncio, por momentos, a absorver esta informação, enquanto continua a comer o gelado. Tem a boca suja como se a tivesse pintado de vermelho. O pai limpa-a com um guardanapo de papel.
- E vocês nunca mais vão voltar a viver juntos?
- Não, vamos viver cada um na sua casa.
- Hum, está bem. Sabes, tenho um amigo na escola que os pais dele também vivem cada um na sua casa. E ele diz que os pais discutiam muito, antes de se separarem, como vocês.
- Nós não vamos discutir mais, diz o pai.
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| (Joaquim Rodrigues) |
- Já não gostas da mãe?
- Gosto, mas é diferente, já não quero viver com ela e ela também já não quer viver comigo.
- E eu vou viver com quem?
- Com os dois. Uns dias ficas com a mãe, noutros comigo.
- Era mais fácil se não discutissem mais e continuassem a viver juntos, comigo.
- Assim também vai ser bom, vais ver. Terás dois quartos, vais gostar.
O filho acaba de comer o gelado. O pai volta a limpar-lhe a boca.
- Quando eu for grande e casar, não vou separar-me nunca, declara, determinado. Nesse momento, ele vê-a ao fundo do jardim, a aproximar-se. Aponta na sua direção.
- Olha quem vem ali, diz.
O miúdo reconhece a mãe, corre para ela, abraçam-se. Vai ao encontro deles, troca umas palavras amigáveis com ela, despede-se do filho, fica a observá-los a afastarem-se. Acende então o cigarro proibido, torna a sentar-se no banco, a recapitular a conversa com o filho, a analisar a sua vida, o que fez mal, o mal que terá feito à criança, ainda que involuntariamente. Mãe e filho desaparecem do seu campo de visão e ele sente um vazio. Sabe que não haverá um recuo, não voltará atrás, mas, nesse instante, tem a sensação de ter ficado sozinho no mundo.
(01/09/2013)
Joaquim Rodrigues
"Fantasias"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Eu quando invento um poema, nele, lembro sempre o amor.
O amor faz-me sobreviver, dá-me paz, luz, no meu dia-a-dia.
Escrevo sempre em rimas, a vida faz-me rimar no amor, na dor.
E assim entrego-me com o coração á minha escrita, à poesia.
Escrevo um poema com lágrimas nos olhos, e na mão, uma flor.
E quando molhada de orvalho, eu o bebo na paz da melodia.
Flor que colho de madrugada ao nascer do sol com muito amor.
Para te oferecer com carinho, ternura, alma e fantasia.
Continuarei a escrever sem nunca me sentir estrela.
Escreverei enquanto podere, e o verso morra.
Durmo e acordo, serei eu, em cada momento de mim.
Sempre escreverei, como um pintor pinta, uma aguarela.
Junto ao mar, com uma montanha em frente, ou na minha janela.
Eu quererei sempre ver o encanto da vida, o meu jardim.
(01/10/2013)
Joaquim Rodrigues
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
"Eu, e o Mar"
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| (Joaquim Rodrigues) |
O meu principal defeito.
É a demora.
Demoro demasiado tempo.
A livrar-me de dores, e culpas.
Mas um dia vou acordar deste pesadelo.
E acabar com este meu defeito.
E vou ter todas as forças necessárias.
Para seguir em frente.
Eu sei, que mesmo que fosse um anjo.
Ou soubesse falar a sua língua.
As minhas palavras seriam sempre demoradas.
Palavras perdidas no amor.
Este meu defeito é como este mar na minha frente.
Ele que é imenso.
Mas também vai perdendo o seu tempo a beijar areia!
Demoramos demasiado tempo, eu, e o Mar!
(27/09/2013)
Joaquim Rodrigues
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
"Nunca Mais"
Depois de uma doce noite de amor, ela levanta-se da cama e atira-lhe a sentença brutal.
- O meu marido volta amanhã e não podes vir cá a casa nunca mais. Aliás, não me telefones, não me procures, esquece que eu existo.
Ele senta-se na cama, aparvalhado, pensando o que dizer, por fim responde-lhe exatamente isto.
- Não queres voltar a ver-me. E isto, hoje? Diz ele, apontando para a cama dela, do marido, e onde ele se encontra despido, sem compreender o que lhe deu.
- Isto, replica ela já a vestir-se, foi a última vez. Ponto final.
- Julguei que me amavas, protesta ele, perplexo com o alarde de frieza dela.
- Julgaste mal. Gosto de ti, mas não te amo.
- Enganaste-me, então, conclui, descoroçoado, saindo também da cama, numa desorientação, à procura da roupa espalhada pelos destroços do amor, no chão, enrodilhada nas cobertas atiradas para trás. Ela enfia uma camisola pela cabeça e desponta indignada com a acusação dele.
- Enganei-te?! Não digas disparates. Não sabias que eu era casada?
- Sim, claro que sabia.
- Não sabias que o meu marido voltaria em breve?
- Sabia, mas o que tem isso a ver com...
- Alguma vez te disse que o deixaria para ficar contigo?
- Não, não disseste.
- Então, talvez te tivesses enganado a ti próprio, e não eu, que te enganei.
Ele percorre cabisbaixo o corredor que conduz à porta da rua. Ela segue-o. Ele abre a porta e volta-se, destroçado.
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| (Joaquim Rodrigues) |
- Não, meu querido, não quero. Dá-lhe um beijo na testa. Agora vai lá para casa, ter com a tua mulher.
Ele chega à rua, dirige-se para o carro a pentear-se com os dedos, senta-se ao volante a olhar em frente, com a chave na mão pousada no colo. Não quer acreditar no que acabou de lhe acontecer. Conheceu-a há um mês, viveram quatro semanas loucas, enquanto o marido estava para fora numa viagem de trabalho.
Apaixonou-se, está louco por ela e, bem, não imagina que ela faz sempre isto, tem um amante ocasional quando o marido se ausenta algumas semanas, mas depois regressa à sua vida normal. Quando ele está, é dedicada, não quer confusões. Ele respira fundo, leva a chave à ignição, a pensar no erro monumental que cometeu.
Nessa mesma tarde ele separou-se da mulher, saiu de casa. Estava eufórico. Ia dar-lhe a boa notícia quando ela anunciou que não o queria voltar a ver.
(23/09/2013)
Joaquim Rodrigues
sábado, 21 de setembro de 2013
"Eu Sou Aquele"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Eu sou aquele
Que cruza contigo,
e tu, nunca o vez!
Eu sou aquele.
A quem chamam de
triste.
Porque choro, sem
saber porquê.
Eu sou aquele.
Com quem tu
sonhas-te um dia.
Mas sempre fui para
ti, uma visão.
Eu sou aquele.
Por quem tu vieste
ao mundo para o ver.
E nunca o encontraste.
Eu sou aquele.
Que podes não querer que seja, o teu Deus.
O teu rei, ou
o teu Príncipe.
Mas se tu quiseres.
Servirei o teu
coração, a tua emoção.
E aí, me prendo, há
corrente do teu sangue.
E divido contigo
minha fortuna todos os dias.
Todo o meu ouro
será teu.
E sempre serei
aquele.
Que ligarei a tua, à minha
vida, ao meu amor!
(21/09/2013)
Joaquim Rodrigues
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
"Estou Aqui"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Tu és a pessoa que eu mais admiro.
Aquela que eu, não tenho duvidas.
Eu quero-te a meu lado.
Mas vais ter que perdoar os meus erros.
Esquecer todos os erros do passado.
Pode-se sempre recomeçar de novo.
Vasta, um simples gesto de carinho, de amor.
Quem ama nada consegue atrapalhar esse amor.
O amor é forte demais para ser vencido assim.
Estou aqui para te confessar, eu te adoro, te amo.
Vamos dar mais uma chance ao nosso amor.
Nós precisamos dessa chance mesmo que seja a última.
Eu só não quero é, te perder!
Vamos recomeçar, o mundo é nosso hoje!
Perdoa-me! Mereço mais uma oportunidade!
Deita fora o orgulho, eu estou aqui.
Quero-te fazer muito feliz, e me sentir feliz também.
E juntos tenho a certeza seremos muito felizes.
(23/06/2013)
Joaquim Rodrigues
"É bom Recordar"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Quando recordo o meu passado.
Logo me faz lembrar.
As noites de luar.
O céu estrelado.
Existem momentos.
Que me faz recordar!
Recordar os olhares.
Recordar os sorrisos.
Recordar as seduções.
E recordo nossos corpos.
Nossa pele transpirada.
Colada, uma na outra.
Recordo os passeios.
Dados de mãos dadas.
Os olhares carinhosos.
Sozinhos em muitas, noites.
Muitos dias!
É isso aí! Ser feliz.
É recordar, também.
Como é bom, recordar!
(10/09/2013)
Joaquim Rodrigues)
"Amantes, Desesperados"
Conhecem-se por acaso, numa discoteca. Conversam junto ao bar enquanto tomam uma bebida, sentem-se atraídos um pelo outro. De manhã, abrem os olhos, riem-se e repetem tudo, mas com menor urgência do que na noite anterior.
Nos meses seguintes, vão a festas, saltam de discoteca em discoteca, correm para o avião, fazem fins-de-semana compridos em Barcelona, fecham-se em quartos de hotel durante o dia e percorrem a noite a um ritmo alucinante. Têm a sensação de que o mundo gira em redor deles, de que a felicidade lhes pertence e nada poderá alterar isso.
Contudo, a primeira discussão deita-os abaixo, põe a nu a fragilidade da relação. Uma noite, ele conversa alguns minutos com uma mulher e ela vê-o a fazer-lhe uma carícia, a trocar um sorriso com a desconhecida, num momento de excessiva intimidade. Nessa noite discutem, separam-se. Passa um mês. Encontram-se na discoteca. Ele está com a namorada nova, ela com o namorado recente. Trocam algumas palavras e afastam-se. No dia seguinte, porém, ele envia-lhe uma mensagem para o telemóvel, ela responde-lhe.
Passam a noite juntos, têm-se como amantes desesperados. Ele pergunta-lhe o que a levou a afastar-se.
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| (Joaquim Rodrigues) |
- O que é o suficiente para ti? Se te amava como nunca amei outra mulher.
- Ah! Solta uma pequena gargalhada, foi por isso que me ignoraste quando te apareceu a outra.
- Disparate, defende-se ele, era só uma amiga.
- Sabes, eu precisava que fosse só eu, precisava que ignorasses todas as outras.
Ele sai da cama, começa a vestir-se.
- Quer dizer que não poderia voltar a falar com outra mulher?
- Isso mesmo, diz ela com determinação, era assim antes, só nós dois.
Ele enfia umas calças.
- Mas isso não faz sentido, diz, não podemos viver isolados do mundo.
- Para mim faz muito sentido, afirma, também a vestir-se.
- Podemos voltar a ser só os dois, ouve-se a dizer, resignado, embora não acredite realmente que tal seja possível.
- Não, replica ela, ajeitando o vestido, já não, quebraste a magia. E, dito isto, agarra na carteira e vai-se embora.
Ele pensa que ela é doida, todavia não consegue esquecê-la, está obcecado por ela, não é capaz de manter outras relações. Telefona-lhe, mas o seu número está desativado, procura-a em casa, mas ela mudou-se. Desapareceu, simplesmente, nunca mais a vê, e, para todo o sempre, será como uma louca recordação, ou talvez um sonho que nunca aconteceu.
(06/09/2013)
Joaquim Rodrigues
"Vagas da vida"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Amor!
Lembras-te daqueles dias de Outono.
Que os dois, passamos juntos?
Foram dias de chuva.
Dias de vento.
Dias quentes e frios?
Percorríamos sempre.
A estrada do nosso desejo.
Os teus cabelos molhados.
Eram como um rio selvagem.
E de abraços afogados.
Tu me apertavas neles.
Ao por do sol.
Teus lábios era um doce proibido.
Nessas quentes madrugadas, apetecidas.
A noite amanhecia.
Sem que dessemos conta da noite passar.
Eu contigo derramei tanto suor.
Como se derrama vagas da vida.
E foi por lá, que meu coração ficou!
Hoje eu sei, que um dia de chuva.
É tão belo, como é, um dia de sol.
Os dois existem cada um, com sua beleza.
É Por isso, que a gente não é ninguém!
Somos só, um resto de alguém!
(16/09/2013)
Joaquim Rodrigues
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