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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"Uma Surpreendente Paixão"


Há muito tempo, ela tem um segredo que não lhe conta. Porém, esse segredo impede-a de continuar com ele e, assim, contra toda a certeza do seu instinto, abandona-o miseravelmente com a alma num pranto. Escorraça-o sem um pingo de piedade, sem um sinal de compaixão. Diz-lhe que não o ama, não o quer, que a deixe de uma vez. Ofende-o com a insensibilidade que desmente os seus verdadeiros sentimentos, contraria tudo o que ela o deixou pensar na última semana de arrebatamento, vira costas e afasta-se, entra no comboio que a levará a casa, senta-se à janela com uma primeira lágrima a escorrer-lhe pelo rosto.
Ele fica no início do cais, incrédulo, a vê-la subir para a carruagem. E ela não se atreve sequer a espreitar por cima do ombro, receando não se conter e saltar do comboio e correr para os seus braços. Ele espera pelos primeiros solavancos tímidos dos vagões, enfia as mãos resignadas nos bolsos do casaco e retira-se, enfim, indo em direção à saída da estação.
Ela tem algumas horas de viagem para se recompor, limpa os olhos marejados de uma mágoa surpreendente. Pergunta-se como foi possível apaixonar-se em cinco dias. Era só uma semana de trabalho bastante atarefada, reuniões e debates num agradável hotel à beira-mar. Sabe que foi irresponsável, que se deixou ir sem pensar. Sabe que não devia ter dado aquele passeio pela praia, que não devia ter ficado a conversar com ele à lareira, na sala, nem, finalmente, ter subido ao quarto na sua companhia.
Pensa no marido, na filha pequena, diz a si própria que tudo não passou de um desvario, de um deslize que vai calar fundo e jamais se repetirá. Sente-se aliviada por não lhe ter contado que era casada e por não lhe ter dado nenhum contacto pessoal. Procura convencer-se de que voltará à sua rotina normal e esquecer. No entanto, já vai no fim da viagem e continua a não encontrar uma explicação razoável para o sentimento tão forte que teve por ele, que tem, como nunca teve por ninguém. Não o verá mais, supõe, fora de questão, não pode, mas parece-lhe tremendamente injusto que seja assim.

(Joaquim Rodrigues)
Dois anos depois, ele fuma um cigarro sentado na explanada do costume com vistas para o Mar. É um dia de Outono um pouco cinzento, são muitos os dias que ele gosta de sentar ali apreciando os sons característicos e exuberantes, que as ondas do mar fazem ao bater nas rochas, o mar lhe dá a paz que precisa.
Ela hoje é uma mulher divorciada seu casamento nunca mais foi o mesmo desde que eles se deixaram de ver. Foram muitas as vezes que pensou nele que o procurou, mas nunca o encontrou, desistiu.
Nas suas costas ele ouve vozes femininas, pessoas que acabam de chegar ao bar, mas não dá importância, contínua com olhar profundo a fumar o seu cigarro a imaginar como é sobrenatural a força que o mar tem.
Ela depois de sentada com a sua melhor amiga muda de cor como quem desfalece, amiga preocupada pergunta.
- Estás bem?
Ela abana a cabeça afirmativa, mas a emoção a faz passar a mão na cara para limpar a lágrima que escorre no seu rosto, amiga volta a perguntar.
 - Então? O que se passa contigo? Queres ir embora?
Ele ao ouvir a conversa das suas vizinhas de esplanada deixa por minutos de olhar o mar e volta-se para trás. E quando os seus olhos se encontram, ficam ali se olhando por segundos sem forças, sem palavras, frente a frente, olhos, nos olhos.
- Ok, já percebi tudo, responde amiga.

(13/10/2013
(Joaquim Rodrigues)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"Morrer de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Vento Amigo"

(Joaquim Rodrigues)

Oh vento usa a tua força.
E vai ter com o meu amor.
Acaricia-a e volta para mim.
E conta-me tudo por favor.
 
Quero sentir sua mão suave.
E ver sua beleza na lua.
Do meu amor ela não sabe.
Sem ela, sou uma alma nua.
 
Aqui sentado, estou eu e o mar.
Onde me refujo todos os dias.
O mesmo planeta o mesmo ar.
Vai vento amigo ver se a vias.
 
Amanha volto aqui novamente.
Para me contares as novidades.
Fixa por favor, este demente.
Que vive morrendo, de saudades

(2013/10/10)
(Joaquim Rodrigues)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

"Que Mundo Maravilhoso" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Artista"


Chamam-lhe o artista. É músico há tanto tempo que pode ficar horas seguidas a contar episódios memoráveis da sua carreira emérita. Houve uma época em que tocava e cantava para plateias imensas, ao lado de outros grandes de então.
Hoje, senta-se, noite após noite, no banco alto em cima do palco curto, ao fundo do bar. Tem uma guitarra e um microfone e quando atua volta a haver magia.
Ao fim-de-semana, o bar enche-se de gente alegre que bebe e dança ao ritmo da sua guitarra dedilhada com a mestria de uma experiência de meio século de canções compostas no velho estúdio, em casa. Mandou construí-lo com apuros tecnológicos de um tempo antigo. Agora, é só o seu cantinho nostálgico com instrumentos desatualizados, gravadores de fita que já ninguém usa, uma mesa de mistura empoeirada atrás de um vidro sujo. Velhos cartazes descoloridos que anunciam épicos concertos esquecidos, descolam-se da parede isoladora, encardida por décadas de cigarros inspiradores.

(Joaquim Rodrigues)
Ao fim da noite, o artista deixa o palco exíguo e atravessa a sala, furando por entre os clientes, levando a guitarra enfiada no estojo. Faz as contas com o dono do bar ao fundo do balcão, recolhe o dinheiro, sai discretamente, sem se fazer notado, sem que alguém o interpele.
Já na rua, faz uma pausa para acender um cigarro, antes de se pôr a caminho de casa. Fecha a porta, deixa a guitarra na entrada, passa pela cozinha, leva para a sala um copo cheio de gelo, deita-lhe uma boa dose de uísque. Tira o colete e as botas de cano alto, solta o rabo-de-cavalo grisalho, senta-se na poltrona, estica as pernas, liga a televisão e acende mais um cigarro. E ali fica a beber e a fumar madrugada dentro, recordando com mágoa a mulher que tanto amou, mas que perdeu no ano passado. Lamenta não ter tido filhos porque era feliz e tinha tudo o que um homem podia desejar na vida.
Hoje em dia, o artista é só uma cara vagamente conhecida, um nome que está na ponta da língua mas não sai, algumas músicas que os mais velhos ainda recordam. Adormece sozinho, com o copo na mão, a garrafa vazia deitada no chão. Dorme, apagado pelo álcool, um sono justo e sem sonhos.

(08/10/2013)
(Joaquim Rodrigues)

"Gostava que Fosses Ela" (HD) Joaquim Rodrigues


"Como Quem Chora"

(Joaquim Rodrigues)
Ao escrever os meus versos.
Sou como um desencantado.
Escrevo tudo como quem chora.
 
Envolvido num pranto, sem motivo.
Escrevo tudo, mas tudo o que sinto.
E expulso o que tenho, cá para fora
 
São versos de angústia, ou voz rouca.
Meus lábios presos, secos, gretados.
Passo a vida, contra o tempo que corre.
 
Que me deixa uma secura, amarga na boca.
Mas nunca hei-me deixar de escrever.
Os meus versos, como quem morre.
 
“08/10/2013”
(Joaquim Rodrigues)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

"Sonhos" (HD) Joaquim Rodrigues


"Uma conversa Casual"


O rapazinho, sentado num banco público, num jardim com vista panorâmica sobre a cidade, come um gelado ao lado do pai.
  - Porque é que te foste embora? Pergunta, entre duas lambidelas no gelado. O pai volta a cabeça para o observar. A pergunta foi feita num tom casual, como se não tivesse importância, mas apanhou-o de surpresa, deixou-o em alerta.
- Não me fui embora, responde-lhe, estou aqui contigo, não estou?
- Estás, mas já não dormes lá em casa.
- Porque agora tenho outra casa, que também é tua.
- Porque é que tens outra casa?
- Porque eu e a mãe decidimos viver assim. Às vezes, os casais preferem separar-se e ficar cada um na sua casa.
O miúdo cai em silêncio, por momentos, a absorver esta informação, enquanto continua a comer o gelado. Tem a boca suja como se a tivesse pintado de vermelho. O pai limpa-a com um guardanapo de papel.
 - E vocês nunca mais vão voltar a viver juntos?
 - Não, vamos viver cada um na sua casa.
- Hum, está bem. Sabes, tenho um amigo na escola que os pais dele também vivem cada um na sua casa. E ele diz que os pais discutiam muito, antes de se separarem, como vocês.
- Nós não vamos discutir mais, diz o pai.
(Joaquim Rodrigues)
Sente uma súbita necessidade de fumar, leva a mão ao bolso, mas não quer fazê-lo à frente do filho e reprime o gesto. A criança continua a falar no mesmo tom inocente, casual, mas cada frase, cada dúvida, é como uma seta apontada ao coração do pai, gela-lhe o sangue.
- Já não gostas da mãe?
- Gosto, mas é diferente, já não quero viver com ela e ela também já não quer viver comigo.
- E eu vou viver com quem?
- Com os dois. Uns dias ficas com a mãe, noutros comigo.
- Era mais fácil se não discutissem mais e continuassem a viver juntos, comigo.
- Assim também vai ser bom, vais ver. Terás dois quartos, vais gostar.
O filho acaba de comer o gelado. O pai volta a limpar-lhe a boca.
- Quando eu for grande e casar, não vou separar-me nunca, declara, determinado. Nesse momento, ele vê-a ao fundo do jardim, a aproximar-se. Aponta na sua direção.
- Olha quem vem ali, diz.
O miúdo reconhece a mãe, corre para ela, abraçam-se. Vai ao encontro deles, troca umas palavras amigáveis com ela, despede-se do filho, fica a observá-los a afastarem-se. Acende então o cigarro proibido, torna a sentar-se no banco, a recapitular a conversa com o filho, a analisar a sua vida, o que fez mal, o mal que terá feito à criança, ainda que involuntariamente. Mãe e filho desaparecem do seu campo de visão e ele sente um vazio. Sabe que não haverá um recuo, não voltará atrás, mas, nesse instante, tem a sensação de ter ficado sozinho no mundo.

(01/09/2013)
Joaquim Rodrigues

"Dama,dama,dama" (HD) Joaquim Rodrigues


"Fantasias"

(Joaquim Rodrigues)

Eu quando invento um poema, nele, lembro sempre o amor.
O amor faz-me sobreviver, dá-me paz, luz, no meu dia-a-dia.
Escrevo sempre em rimas, a vida faz-me rimar no amor, na dor.
E assim entrego-me com o coração á minha escrita, à poesia.
 
Escrevo um poema com lágrimas nos olhos, e na mão, uma flor.
E quando molhada de orvalho, eu o bebo na paz da melodia.
Flor que colho de madrugada ao nascer do sol com muito amor.
Para te oferecer com carinho, ternura, alma e fantasia.
 
Continuarei a escrever sem nunca me sentir estrela.
Escreverei enquanto podere, e o verso morra.
Durmo e acordo, serei eu, em cada momento de mim.
Sempre escreverei, como um pintor pinta, uma aguarela.
Junto ao mar, com uma montanha em frente, ou na minha janela.
Eu quererei sempre ver o encanto da vida, o meu jardim.
 
(01/10/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Eu, e o Mar"

(Joaquim Rodrigues)

O meu principal defeito.
É a demora.
Demoro demasiado tempo.
A livrar-me de dores, e culpas.
Mas um dia vou acordar deste pesadelo.
E acabar com este meu defeito.
E vou ter todas as forças necessárias.
Para seguir em frente.
Eu sei, que mesmo que fosse um anjo.
Ou soubesse falar a sua língua.
As minhas palavras seriam sempre demoradas.
Palavras perdidas no amor.
Este meu defeito é como este mar na minha frente.
Ele que é imenso.
Mas também vai perdendo o seu tempo a beijar areia!
Demoramos demasiado tempo, eu, e o Mar!
 
(27/09/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

"Oh, Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Nunca Mais"


Depois de uma doce noite de amor, ela levanta-se da cama e atira-lhe a sentença brutal.
- O meu marido volta amanhã e não podes vir cá a casa nunca mais. Aliás, não me telefones, não me procures, esquece que eu existo.
Ele senta-se na cama, aparvalhado, pensando o que dizer, por fim responde-lhe exatamente isto.
  - Não queres voltar a ver-me. E isto, hoje? Diz ele, apontando para a cama dela, do marido, e onde ele se encontra despido, sem compreender o que lhe deu.
 - Isto, replica ela já a vestir-se, foi a última vez. Ponto final.
- Julguei que me amavas, protesta ele, perplexo com o alarde de frieza dela.
- Julgaste mal. Gosto de ti, mas não te amo.
- Enganaste-me, então, conclui, descoroçoado, saindo também da cama, numa desorientação, à procura da roupa espalhada pelos destroços do amor, no chão, enrodilhada nas cobertas atiradas para trás. Ela enfia uma camisola pela cabeça e desponta indignada com a acusação dele.
- Enganei-te?! Não digas disparates. Não sabias que eu era casada?
- Sim, claro que sabia.
- Não sabias que o meu marido voltaria em breve?
- Sabia, mas o que tem isso a ver com...
 - Alguma vez te disse que o deixaria para ficar contigo?
- Não, não disseste.
- Então, talvez te tivesses enganado a ti próprio, e não eu, que te enganei.
Ele percorre cabisbaixo o corredor que conduz à porta da rua. Ela segue-o. Ele abre a porta e volta-se, destroçado.

(Joaquim Rodrigues)
- Não queres pensar melhor, reconsiderar?
- Não, meu querido, não quero. Dá-lhe um beijo na testa. Agora vai lá para casa, ter com a tua mulher.
Ele chega à rua, dirige-se para o carro a pentear-se com os dedos, senta-se ao volante a olhar em frente, com a chave na mão pousada no colo. Não quer acreditar no que acabou de lhe acontecer. Conheceu-a há um mês, viveram quatro semanas loucas, enquanto o marido estava para fora numa viagem de trabalho.
Apaixonou-se, está louco por ela e, bem, não imagina que ela faz sempre isto, tem um amante ocasional quando o marido se ausenta algumas semanas, mas depois regressa à sua vida normal. Quando ele está, é dedicada, não quer confusões. Ele respira fundo, leva a chave à ignição, a pensar no erro monumental que cometeu.
Nessa mesma tarde ele separou-se da mulher, saiu de casa. Estava eufórico. Ia dar-lhe a boa notícia quando ela anunciou que não o queria voltar a ver.

(23/09/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 21 de setembro de 2013

" Se Gostasses de Mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"Eu Sou Aquele"

(Joaquim Rodrigues)

Eu sou aquele
Que cruza contigo, e tu, nunca o vez!
Eu sou aquele.
A quem chamam de triste.
Porque choro, sem saber porquê.
Eu sou aquele.
Com quem tu sonhas-te um dia.
Mas sempre fui para ti, uma visão.
Eu sou aquele.
Por quem tu vieste ao mundo para o ver.
E nunca o encontraste.
Eu sou aquele.
Que podes não querer que seja, o teu Deus.
O teu rei, ou o teu Príncipe.
Mas se tu quiseres.
Servirei o teu coração, a tua emoção.
E aí, me prendo, há corrente do teu sangue.
E divido contigo minha fortuna todos os dias.
Todo o meu ouro será teu.
E sempre serei aquele.
Que ligarei a tua, à minha vida, ao meu amor!
 
(21/09/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Sentir"


Estar com meus amigos.
É o mesmo, que viajar no amor.
Viajando pelo planeta.
Sem sentir nenhum limite!
 
(18/09/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

"Quem quer Viver para Sempre" (HD) Joaquim Rodrigues


"Estou Aqui"

(Joaquim Rodrigues)

Tu és a pessoa que eu mais admiro.
Aquela que eu, não tenho duvidas.
 Eu quero-te a meu lado.
Mas vais ter que perdoar os meus erros.
Esquecer todos os erros do passado.
Pode-se sempre recomeçar de novo.
Vasta, um simples gesto de carinho, de amor.
Quem ama nada consegue atrapalhar esse amor.
O amor é forte demais para ser vencido assim.
Estou aqui para te confessar, eu te adoro, te amo.
Vamos dar mais uma chance ao nosso amor.
Nós precisamos dessa chance mesmo que seja a última.
Eu só não quero é, te perder!
Vamos recomeçar, o mundo é nosso hoje!
Perdoa-me! Mereço mais uma oportunidade!
Deita fora o orgulho, eu estou aqui.
Quero-te fazer muito feliz, e me sentir feliz também.
E juntos tenho a certeza seremos muito felizes.
 
(23/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"28 Graus há Sombra" (HD) Joaquim Rodrigues


"É bom Recordar"

(Joaquim Rodrigues)


 
Quando recordo o meu passado.
Logo me faz lembrar.
As noites de luar.
O céu estrelado.
 
Existem momentos.
Que me faz recordar!
Recordar os olhares.
Recordar os sorrisos.
Recordar as seduções.
 
E recordo nossos corpos.
Nossa pele transpirada.
Colada, uma na outra.
Recordo os passeios.
Dados de mãos dadas.
 
Os olhares carinhosos.
Sozinhos em muitas, noites.
Muitos dias!
É isso aí! Ser feliz.
É recordar, também.
Como é bom, recordar!
 
(10/09/2013)
Joaquim Rodrigues)

"Sonho" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amantes, Desesperados"


Conhecem-se por acaso, numa discoteca. Conversam junto ao bar enquanto tomam uma bebida, sentem-se atraídos um pelo outro. De manhã, abrem os olhos, riem-se e repetem tudo, mas com menor urgência do que na noite anterior.
Nos meses seguintes, vão a festas, saltam de discoteca em discoteca, correm para o avião, fazem fins-de-semana compridos em Barcelona, fecham-se em quartos de hotel durante o dia e percorrem a noite a um ritmo alucinante. Têm a sensação de que o mundo gira em redor deles, de que a felicidade lhes pertence e nada poderá alterar isso.
Contudo, a primeira discussão deita-os abaixo, põe a nu a fragilidade da relação. Uma noite, ele conversa alguns minutos com uma mulher e ela vê-o a fazer-lhe uma carícia, a trocar um sorriso com a desconhecida, num momento de excessiva intimidade. Nessa noite discutem, separam-se. Passa um mês. Encontram-se na discoteca. Ele está com a namorada nova, ela com o namorado recente. Trocam algumas palavras e afastam-se. No dia seguinte, porém, ele envia-lhe uma mensagem para o telemóvel, ela responde-lhe.
Passam a noite juntos, têm-se como amantes desesperados. Ele pergunta-lhe o que a levou a afastar-se.


(Joaquim Rodrigues)
- Não me amavas o suficiente, diz ela, sentada na cama, nua, com uma almofada no colo.
- O que é o suficiente para ti? Se te amava como nunca amei outra mulher.
  - Ah! Solta uma pequena gargalhada, foi por isso que me ignoraste quando te apareceu a outra.
- Disparate, defende-se ele, era só uma amiga.
- Sabes, eu precisava que fosse só eu, precisava que ignorasses todas as outras.
Ele sai da cama, começa a vestir-se.
- Quer dizer que não poderia voltar a falar com outra mulher?
- Isso mesmo, diz ela com determinação, era assim antes, só nós dois.
Ele enfia umas calças.
  - Mas isso não faz sentido, diz, não podemos viver isolados do mundo.
- Para mim faz muito sentido, afirma, também a vestir-se.
 - Podemos voltar a ser só os dois, ouve-se a dizer, resignado, embora não acredite realmente que tal seja possível.
- Não, replica ela, ajeitando o vestido, já não, quebraste a magia. E, dito isto, agarra na carteira e vai-se embora.
Ele pensa que ela é doida, todavia não consegue esquecê-la, está obcecado por ela, não é capaz de manter outras relações. Telefona-lhe, mas o seu número está desativado, procura-a em casa, mas ela mudou-se. Desapareceu, simplesmente, nunca mais a vê, e, para todo o sempre, será como uma louca recordação, ou talvez um sonho que nunca aconteceu.

(06/09/2013)
Joaquim Rodrigues

"Se tu não Existisses" (HD) Joaquim Rodrigues


"Vagas da vida"


(Joaquim Rodrigues)
Amor!
Lembras-te daqueles dias de Outono.
Que os dois, passamos juntos?
Foram dias de chuva.
Dias de vento.
Dias quentes e frios?
Percorríamos sempre.
A estrada do nosso desejo.
Os teus cabelos molhados.
Eram como um rio selvagem.
E de abraços afogados.
Tu me apertavas neles.
Ao por do sol.
Teus lábios era um doce proibido.
Nessas quentes madrugadas, apetecidas.
A noite amanhecia.
Sem que dessemos conta da noite passar.
Eu contigo derramei tanto suor.
Como se derrama vagas da vida.
E foi por lá, que meu coração ficou!
Hoje eu sei, que um dia de chuva.
 É tão belo, como é, um dia de sol.
 Os dois existem cada um, com sua beleza.
É Por isso, que a gente não é ninguém!
Somos só, um resto de alguém!
 
(16/09/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 8 de setembro de 2013

"Para Ti!" (HD) Joaquim Rodrigues


"Retalhos da Vida"


(Joaquim Rodrigues)
Lembranças que vão tão distantes.
Mas que sinto boa e bela sensação.
Da infância e como ela era antes.
Tão vivas ainda em meu coração.
 
Lembro de um lindo, e belo lugar.
Que lá tinha, meu nome gravado.
Com um jardim de rosas, de amar.
E lembro como lá, eu fui amado.
 
Eh! Eu ainda hoje, sinto o cheiro.
Como eu adorava aquela beleza.
Meu avô, o forno e o pão caseiro.
O pomar as frutas e tanta pureza.
 
Dos meus joelhos machucados.
Nas arvores trepar seus galhos.
Como era bela minha infância.
Digno de manta de retalhos.
 
Hoje vivo aqui, é tão diferente.
Os jardins são pedra e cimento.
Com a maldade de muita gente.
E falta de amor, no pensamento.
 
Meu balanço, feito com carinho.
Retalhos de uma vida de paixão.
Aos amigos abraço ou beijinho.
Fala o Joaquim com o coração.
Se te cruzares comigo eu contigo.
Te estendo amigo, a minha mão.
 
(Joaquim Rodrigues)

sábado, 7 de setembro de 2013

"Anel de Rubi" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Distãncia"


(Joaquim Rodrigues)
Que longe está meu amor...
Neste mundo imperfeito...
Meu coração sente dor...
Que abala todo o meu peito...
 
Queria atravessar este mar...
Fosse a nado vestido ou nu...
E com amor um beijo dar...
Na tua doce boca amada Lu...
 
Como ficaria feliz e contente...
Te abraçar, amar, te beijar...
E falar ao coração o que sente...
Queres que te ame? Vou amar...
Minha saudade nunca mente!
 
(06/09/2013)
Rodrigues Joaquim...

"Quixote" Julio Inglésias (HD) Joaquim Rodrigues


"Encantado para a Vida"


Quando ele recebe o telefonema reconhece logo aquela voz do passado recente. Embora tivessem deixado de falar frequentemente, não a esqueceu e fica surpreendido por lhe ligar agora. Em tempos ela disse-lhe que eram um caso arrumado, no entanto volta a ligar-lhe para saber dele. Conversam um pouco, desligam e é tudo.
Passam-se alguns dias. Ele vai ao centro comercial fazer compras de final de dia e, ao virar da esquina no final de um corredor, dá com ela por acaso. Cumprimentam-se com a familiaridade de sempre, mas ele tem as mãos carregadas de sacos e ela fica ligeiramente embaraçada com a surpresa e diz que vai com pressa. Dali a pouco, ela envia-lhe uma mensagem simpática para o telemóvel.
  "Gostei de te ver” – diz a mensagem dela.
“ Eu também gostei muito de te ver” - Responde-lhe ele.
É curioso, porque não se cruzam há três anos e, subitamente, parece que o destino os empurra um para o outro. Ele fica a pensar nisto sem saber bem como interpretar a coincidência. Ela fica a pensar nele, um pouco aflita, porque lhe parece que o tempo deles passou e não terão uma segunda oportunidade.

(Joaquim Rodrigues)
Acaba uma semana, e acaba outra. Não voltam a falar. Ele envia-lhe uma mensagem por impulso, reagindo a um pensamento, a uma perplexidade.
“Porque me deixaste? “
“Porque na altura não acreditei em nós” - responde-lhe.
“E agora?”
“Agora acredito” - diz a mensagem dela.
Quando a viu pela primeira vez ficou encantado para toda a vida. Em breve, disse-lhe que era preciosa, uma raridade, que a desejava. Ela, desconsertada, acabou por admitir que o amava. Porém, a vida afastou-os e hoje ele não está convencido que ela continue a pensar o mesmo de outrora. Decide que não deve forçar nada, que se realmente for uma inevitabilidade voltarem um para o outro o destino encarregar-se-á de a trazer de volta. Pois bem, ela não está disposta a esperar pelos caprichos do destino e envia-lhe outra mensagem a convidá-lo para se encontrarem. Combinam na mesma esquina do mesmo centro comercial. Desta vez ele percebe que ainda a ama tanto como antigamente. Logo que a vê sabe que continua encantado para a vida. De modo que a abraça e a beija e percebe que tinha mais saudades do que estava disposto a admitir a si próprio, talvez para se defender de uma tristeza infinita. Mas agora tem de arriscar. Ela também tem a certeza e diz-lhe ao ouvido.
 - Nem imaginas a falta que me fizeste.
- Amo-te, responde-lhe ele.
- Ainda bem, diz ela, porque não tenciono deixar que saias da minha vida novamente.

  (20/08/2013)
Joaquim Rodrigues

"Open Your Heart" (HD) Joaquim Rodrigues


"A luz dos meus Olhos"

(Joaquim Rodrigues)

Senta-te aqui a meu lado, amor!
Gostas que te conte segredos?
Sempre que eu penso em ti.
Tenho a sensação, de ver teus olhos.
Eles olham para mim, e têm um sorriso lindo.
Me faz lembrar sempre, esta paisagem.
E me dá paz, só de lembrar esse teu olhar.
A luz que vejo é do pôr-do-sol, no horizonte.
E no seu interior um mundo cheio de amor.
Um sorriso belo!
Deslumbrante, que me seduz.
Que revela uma alegria provocante.
É a primeira coisa que vejo todos os dias.
Tu és tão linda, e me faz sorrir meu coração.
Que tenho pensado, muito no amor!
 
(10/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

"A ternura dos Quarenta" (HD) Joaquim Rodrigues


"És tu que Controlas"

(Joaquim Rodrigues)

 
É da tua cabeça!
O cinzento não é cor.
O frio, não é frio.
E a chuva molha parvos.
O conformismo não tem de ser.
O pessimismo é para meninos.
E o difícil depende do ponto de vista.
Resiste.
Não te deixes cair.
Tu controlas.
(Anda, és tu que controlas)
Sabes?
A tua cabeça comanda o teu corpo.
E o teu corpo ainda é calor.
Alimenta-o e faz-te há luz.
Pratica a fotossíntese.
Mostra o teu lado solar.
E mete-o em look.
Lá por estar a chover.
Não tens de baixar a cabeça.
Sem lamúrias.
Não pares, insiste!
Mostra-lhe o moral com que vens.
Um direto de esquerda.
E acabará por ir ao tapete.
Ele não é mais forte que tu.
O Inverno é psicológico.
(03/09/2013)
Joaquim Rodrigues


"Ni he Olvidar" (HD) Joaquim Rodrigues


" Uma conversa Casual"


 O rapazinho, sentado num banco público, num jardim com vista panorâmica sobre a cidade, come um gelado ao lado do pai.
- Porque é que te foste embora? Pergunta, entre duas lambidelas no gelado.
O pai volta a cabeça para o observar. A pergunta foi feita num tom casual, como se não tivesse importância, mas apanhou-o de surpresa, deixou-o em alerta.
- Não me fui embora, responde-lhe, estou aqui contigo, não estou?
- Estás, mas já não dormes lá em casa.
- Porque agora tenho outra casa, que também é tua.
- Porque é que tens outra casa?
- Porque eu e a mãe decidimos viver assim. Às vezes, os casais preferem separar-se e ficar cada um na sua casa.
O miúdo cai em silêncio, por momentos, a absorver esta informação, enquanto continua a comer o gelado. Tem a boca suja como se a tivesse pintado de vermelho. O pai limpa-a com um guardanapo de papel.
- E vocês nunca mais vão voltar a viver juntos?
- Não, vamos viver cada um na sua casa.
- Hum, está bem. Sabes, tenho um amigo na escola que os pais dele também vivem cada um na sua casa. E ele diz que os pais discutiam muito, antes de se separarem, como vocês.
- Nós não vamos discutir mais, diz o pai.

(Joaquim Rodrigues)
 Sente uma súbita necessidade de fumar, leva a mão ao bolso, mas não quer fazê-lo à frente do filho e reprime o gesto. A criança continua a falar no mesmo tom inocente, casual, mas cada frase, cada dúvida, é como uma seta ao coração do pai, gela-lhe o sangue.
- Já não gostas da mãe?
- Gosto, mas é diferente, já não quero viver com ela e ela também já não quer viver comigo.
- E eu vou viver com quem?
- Com os dois. Uns dias ficas com a mãe, noutros comigo.
- Era mais fácil se não discutissem mais e continuassem a viver juntos, comigo.
- Assim também vai ser bom, vais ver. Terás dois quartos, vais gostar.
O filho acaba de comer o gelado. O pai volta a limpar-lhe a boca.
- Quando eu for grande e casar, não vou separar-me nunca, declara, determinado.
Nesse momento, ele vê-a ao fundo do jardim, a aproximar-se. Aponta na sua direção.
- Olha quem vem ali, diz. O miúdo reconhece a mãe, corre para ela, abraçam-se.
 Vai ao encontro deles, troca umas palavras amigáveis com ela, despede-se do filho, fica a observá-los a afastarem-se. Acende então o cigarro proibido, torna a sentar-se no banco, a recapitular a conversa com o filho, a analisar a sua vida, o que fez mal, o mal que terá feito à criança, ainda que involuntariamente. Mãe e filho desaparecem do seu campo de visão e ele sente um vazio. Sabe que não haverá um recuo, não voltará atrás, mas, nesse instante, tem a sensação de ter ficado sozinho no mundo.

(01/09/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

" O Beijo Infinito "HD" Joaquim Rodrigues


"És o meu Poema"


(Joaquim Rodrigues)

Leva-me até onde eu quero ir.
Quero-te tocar quero-te sentir.
Faz-me cansar esgota-me meus sentidos até ao fim.
Se quiseres, posso até morrer nos teus braços.
E me colar sem limites no teu corpo.
E ficarei assim, do princípio ao fim.
 
Sinto-me morrer quando estás longe.
Tu longe não te posso tocar como eu quero.
Quero-te dar o que mais desejas.
Os meus pedaços, aqueles que a distância consome.
Quero que me ilumines com a luz do teu olhar.
E me mostres algo que ninguém mais vê só eu.
 
Anda Mata-me! Anda, terminar o que começaste.
Porque desde que me surgiste não há dia que não te deseje.
Quero- te conhecer por dentro, lamber o suor do teu corpo.
E quero que tires de mim o que tens a tirar.
Quero-me sentir dentro de ti .
E ouvir o teu gemido sussurrante.
 
ÁI, eu não consigo explicar.
Hoje a minha mente viaja, em busca do teu amor.
Sinto-te aliviada de dor nesse teu orgasmo infinito.
E mandas-me continuar aquilo que estou a fazer.
E em palavras suaves nasce um amor violento.
É grande o desalento de dois corações perdidos.
 
E tu despertas num talento sem comparação.
Cheia de um desejo, que vivia escondido.
Sensual, erótico real nada fingido.
Tu meu amor, és o meu verdadeiro poema.
Não te vás embora agora.
Sem ti não sou eu! Sou um qualquer.
 
(30/08/2013)
Joaquim Rodrigues

"Onde traçar a Linha" HD" Joaquim Rodrigues


"Amor Distante"


(Joaquim Rodrigues)


Existe uma cidade.
Onde há um milhão e meio de pessoas.
E outra cidade onde há!
Cinco milhões e meio de pessoas.
Mas as duas cidades.
São muito longe uma da outra.
Numa dessas cidades é verão.
E na outra cidade é inverno.
Em cada uma dessas cidades.
Há uma pessoa.
Mas essas duas pessoas.
Estão muito distantes uma da outra!
Elas as duas têm um segredo.
Um sonho! Um sonho lindo.
Nunca deixar de pensar no amor há distancia.
Assim como se cuida. De uma planta de estufa.
 
(16/08/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 25 de agosto de 2013

"O Meu Poema"


(Joaquim Rodrigues)
Enquanto a dor não me deixa.
A dor da minha própria solidão.
Vou citando este meu poema.
Com carinho, amizade e paixão!
 
"Oh solidão, que me tiras meu ser.
E a toda a hora me acompanhas.
Solidão, que tanto me faz sofrer.
E de lágrimas, meu rosto tu banhas!"
 
23/08/2013
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"Te Amo, Assim!" (HD) Joaquim Rodrigues


"É Irónico o Destino"


Todas as manhãs ele sai de casa bem cedo. Levanta-se muito cedo porque não consegue dormir vai há onze anos, um mês e cinco dias. Sabe exatamente quanto tempo já passou porque o conta como um encarcerado conta os dias de sua pena.
Sai para a rua e como sempre, passa na loja de fruta a comprar cerejas, se for época delas, ou laranjas, que há durante o ano inteiro. Em seguida passa pela tabacaria, cumprimenta o ancião que está atrás do balcão que lhe entrega um maço de tabaco da marca que ele fuma sem necessidade de o solicitar. Como se encontra na rua, talvez compre pão e mais alguma coisa em falta, senão regressa logo a casa.
Já em casa vai sentar-se à secretária no pequeno escritório que mantém inalterado desde que compraram o apartamento, há vinte e dois anos, sim! Já lá vai vinte e dois anos! Tal como todas as outras divisões. Recusa-se a mudar seja o que for, apesar de, a certa altura, a filha ter insistido para que o fizesse. De qualquer modo, desistiu de o convencer quando percebeu que era inútil continuar a insistir com ele. Quando está no escritório sozinho liga sempre o computador, mas nunca chega a escrever uma única linha.
O seu editor telefona-lhe às dez a perguntar como vai o novo livro. Responde-lhe sempre o mesmo que lhe diz todos os dias desde há onze anos.
 - Está a andar bem.
O último livro que ele escreveu, nessa época, foi um sucesso tal que, se editasse realmente um livro novo, seria o acontecimento literário da década. O editor sabia disso, ele tinha a certeza disso.
 
(Joaquim Rodrigues)
Faz o seu almoço, como todos os dias, qualquer coisa lhe serve, come na cozinha, e volta para o computador, e, todos os dias, invariavelmente, acaba por lhe escrever uma carta que começa assim.
- Se tu soubesses minha querida! As saudades que eu tenho de ti.
Não se conforma por lhe ter sobrevivido e, de certa forma, isso não foi o que aconteceu, pois limita-se a existir desde então.
Foi uma coisa estúpida, ela tropeçou no passeio, caiu na estrada, foi atropelada. Ele tinha-se oferecido para a levar de carro, mas ela disse que não valia a pena e ele não insistiu, pois estava lançado a escrever e não quis cortar o raciocínio. Não há dia que não pense nisso, que deveria se ter levantado logo. Se a tivesse levado de carro, ela ainda estaria a seu lado, como deveria estar. Não se perdoa por isso.
É irónico o destino, sim, mas como é! Numa destas manhãs, ele vem a descer a rua e a pequenita que vai à sua frente pela mão da mãe, larga-a inesperadamente e foge-lhe. É um segundo decisivo. Ele salta sem pensar, empurra a criança para a mãe, e é apanhado em cheio pelo carro que não consegue travar a tempo. Está deitado de costas no asfalto a ver o céu muito azul, a pensar que o destino é irónico, e o destino de todos nós é sim irónico! E esse é o seu último pensamento.
Passados três meses depois, a sua filha vai ter com o editor dele e entrega-lhe todas as cartas que o pai escreveu para a mãe. Descobriu-as no computador quando desmanchava a casa. São centenas e, quando forem editadas em livro, serão o acontecimento literário da década.
 
18/08/2013
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"Como Louco" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Tango"


(Joaquim Rodrigues)
 
Com meus olhos!
Percorro o teu corpo que dispo lentamente.
E as minhas mãos entrelaçadas nas tuas.
Dissipam o palco, num tango.
Avanço!
Rodopio na pista num passo de dança.
Nossos corpos balançam.
Bailemos agora um tango.
Somos dois loucos!
E, nossos passos embriagados,
Cadenciados compassados.
São longos, rasgados.
Rasgo o teu decote  e olho os teus seios.
Isto não é passo! É dança.
Dancemos os dois, freneticamente sós.
Unidos colados! Entrelaçados!
Afastados? Nós?
(Num tango?)
Vamos, dancemos agora os dois.
Um tango!
 
(Joaquim Rodrigues)