Joaquim Rodrigues
O meu blog: “histórias do coração” ele mostra a beleza e todas as maravilhas que existem em nossas vidas em todos nossos sentimentos tudo em forma encantadora de palavras que nos saem do meu coração, um coração que acredita na vida na felicidade de tudo que a vida nos reserva. O meu coração é um livro sobre o amor que vivem na minha alma. (Aqui encontramos poemas, música, e histórias da vida real) (Joaquim Rodrigues)
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
"Viver"
Joaquim Rodrigues
Nunca senti vergonha de amar alguém, os sentimentos que
eu sempre expus, foram sempre verdadeiros, naturais e justos. Todos nós na
nossa vida amamos sempre alguém, mas como tudo na vida acaba?
Acaba porque talvez seja um amor daqueles amores
descartáveis, talvez seja porque como todos nós estamos marchando em bando para
esse precipício sem fundo, que é transformar o afecto em satisfação do ego.
E lá vamos nós, galopando, sedentos e tropeçantes, lá
vamos nós, reduzindo o amor à citação da frase bonita nas redes sociais, lá
vamos nós, reduzindo o amor a uma selfs bonita, mesmo distante, superficial e
irreal.
Todos nós fazemos promessas que nunca vamos cumprir!
Damos a mão ao desconhecido jurando ser um velho amigo, esquecemos, no entanto,
das lacunas individuais do outro. Esquecemos das rachaduras que há, no eu, que
se transporta para você e para os nós, fingimos que o outro não está ali,
porque o importante é a nossa projecção ficar intacta, no nosso ego, e se
prejudicamos o outro, passa a ser um problema dele, desde que estejamos bem
connosco mesmo.
Ai! …O amor dos sonhos. O amor desenhado e pré concebido.
O amor e seu passo em falso, o amor do sorriso aberto no canto da boca, fazendo
uma fenda, tudo isso é inabalável até o primeiro estalo, até o mirado no tecto
de olhar triste, até o desmoronamento até virarmos ameaça, é ai que a gente
pula do barco antes que este se afunde, não existe bote preferencial, é cada um
por si, e Deus por todos.
É aí que deixa de haver marinheiro, quem mais acreditou
que se lasquem, a falácia não se sustenta, o amor coisa nenhuma, e sim vaidade,
o amor coisa nenhuma, e sim um passatempo, o amor coisa nenhuma, e sim, uma
droga alucinogénia da sua própria e única felicidade, e assim acaba o efeito, a
ressaca, acaba a droga da imaginação do amor, o amor? Vamos é negociar como o
fazem os traficantes.
O amor entorpecente, com mais ressaca, com mais vício,
até ficarmos todos irreconhecíveis, revirando qualquer lixo para uma refeição
saudável, somos óptimos teóricos, mas não somos pragmáticos, tentamos ensinar é
ao outro aquilo que que não sabemos, e muitas das vezes a quem mais sabe do que
nós sabemos. Somos Ph.D. em teorização socrática do amor, mas desarmamos logo
tudo na primeira questão que aparece.
Culpamos sempre Deus, por tudo que fazemos, culpamos
nosso modelo económico, culpamos a sociedade, e esquecemos que a sociedade
somos nós mesmo.
Suplicamos, mais amor, “por favor”, mas não temos nada a
oferecer, a não ser uma noite vazia, uma estação do ano, uma garrafa de vinho
barato.
Se o outro não está mais para servir a bomba de
endorfina, descartamo-nos dele. Fazemos dos nossos parceiros traficantes do
bem-estar, afinal, para que serve um garçom com a bandeja sem nada, vazia?
Vamos é chamar outro, e outro, e outro, até encontrar
quem nos sirva, morrer pobre não está no nosso sonho, não vamos é fechar o bar,
sem encontrar nada, e acabar caídos na calçada praguejando Deus ou a pouca
sorte ao infinito, só porque não somos capaz de reconhecer quando erramos.
É verdade que já estamos em outros tempos, que a idade já
não nos ajuda a convencer ninguém, mas deixar de tentar não se ganha nada.
Também é verdade que quase ninguém leva a sério a
promessa, (de que nos vamos amar até que a morte nos separe?), e talvez seja
mais saudável assim.
As relações acabam, a vida é um rio com várias fluentes,
que nem sempre corre para o mesmo lado, tem sempre quem mude o seu trajecto, o
trajecto muda, mas o rio segue a sua viagem, o problema é quando achamos que no
mundo, a definição do amor ideal é só para satisfazer nossos desejos, e viver
nossos sonhos, o problema é quando perdemos a noção do sagrado, mentimos com
todos os dentes que temos na boca, e conseguimos convencer o mundo, (só o mundo
que nos é igual pois é claro), e compramos todo o tempo do profano.
E assim, as juras dão lugar ao silêncio, e ao sentimento
não correspondido em uma via de mão única, basta rasgar umas fotos do outro,
virar as costas ao outro, que o outro logo deixa de existir.
E vamos repetindo sempre os mesmos erros, e vamos
seguindo todos, nessa marcha fúnebre, que é a dor do amor morrido, podemos
saber que não nos fizeram juras eternas, podemos saber que ninguém pode
prometer nada, mas quem vive com o amor, acredita que fosse verdade, mas nada
foi feito para durar.
Mas nunca podemos é, sentir vergonha de amar, a vida é
constituída com amor, sem amor não existe vida, o amor-próprio, e o amor ao
próximo também.
(21/08/2017)
Joaquim Rodrigues"O palhaço"
Joaquim Rodrigues
Por eu levar a minha vida sempre a brincar
um dia chamaste-me
covarde e palhaço
mas na verdade o que aconteceu,
foi que nunca acreditaste
em mim,
na minha maneira de brincar,
dizendo verdades!
Se tu acreditasses,
terias ouvido muitas verdades
que eu digo a brincar.
Posso ter-me portado
muitas vezes como um palhaço,
mas
nunca como um covarde.
Tudo porque eu sempre acreditei,
na seriedade da plateia
que nunca parava de rir.
(13/09/2014)
Joaquim Rodrigues
"Despedida Sentida"
Joaquim Rodrigues
Começo por agradecer a Deus por eu te ter conhecido, e
passado momentos muito felizes contigo. Agradeço a Deus por me ter dado o
prazer de te ter conhecido pessoalmente, te ter tocado e abraçado com abraços
ternurentos como foram sempre os meus, de beijar tua boca com muito amor,
agradeço a Deus porque teria morrido antes se não tivesse beijado você, e assim
cumpri um sonho desde o primeiro dia que te conheci, um sonho que me ia matando
de desejo.
Adorei ficar a teu lado, te ver ali na minha frente tão
pertinho sentir o teu cheiro, o calor do teu corpo, adorei olhar nos teus olhos
ternurentos, quando tu me abraçavas, e me fazias sentir um homem amado,
obrigado por me fazeres sentir tantas sensações boas, como, o teu cheiro que era
único pra mim, eu já me tinha habituado a ele, já o notava ao longe, obrigado
por sentir-me tão amado obrigado.
Confesso, que poderia ter sentido muito mais de você,
muito mais, mas cada segundo que estive a teu lado foi o meu melhor, e eu aproveitei
o máximo, foi a teu lado que eu só vivi o momento nada mais, foi a teu lado que
consegui esquecer tudo que eu já tinha vivido pra trás, todo o meu sofrimento.
Foi pouco aquilo que Deus me deu contigo, mas foi lindo,
poderia ser mais, mas Deus é quem sabe, Deus só nos dá aquilo a que temos
direito, deu-me momentos mágicos deu-me o prazer de sentir um sonho na
realidade, de passar a sentir a esperança renascer, e por isso só posso ficar
muito, mas muito agradecido.
A gente na vida, não podemos é idealizar tudo o que
sonhamos, nem tudo o que a gente deseja está ao nosso alcance. E eu
idealizei-te demais, eu nunca pensei que existe-se horas de partir. Muito menos
como o fizemos.
Se pudéssemos voltar o tempo para trás, eu confesso que voltaria até ao
primeiro beijo, mas já não há tempo, foi-se o tempo, esvaziou-se o tempo por entre
nossos dedos, mas nunca vou esquecer o meu amor! Pois o meu amor por você, para
mim será eterno.
Agora o que eu não quero, é que sintas pena de mim, ou
penses que sofro por ti, quero que fiques feliz, pela oportunidade que eu tive
a teu lado, e sempre te lembrares que eu tentei te cativar, fazendo o meu melhor, o que estava ao meu alcance, o que eu podia fazer, se por acaso eu em
alguma coisa falhei nunca foi intenção minha eu sempre te quis muito bem, porque te amei. Nunca te pedi nada em troca,
porque estavas o tempo todo dentro de mim, e era tudo o que eu mais queria. Só quero
que tenhas uma certeza que tudo que eu disse e escrevi pra você, eu fui sempre sincero.
Quero que sejas feliz e encontres o amor como tu desejas,
que tenhas um amor mais forte que o meu, é isso que eu espero. Não posso mentir
se disser que não está a ser difícil! Mas agora eu liberto o teu coração, e só
posso dizer, seja sempre feliz sempre…Adeus meu amor!
(21/07/2017)
Joaquim Rodriguesdomingo, 20 de agosto de 2017
"Saudades"
Joaquim Rodrigues
Sinto
ainda a frescura de um perfume que ainda deixa o ar com o aroma da saudade.
Sinto ainda o cheiro do seu hálito que me chegou tão doce e tão fresco, trazido
pelo vento.
Sinto
a saudade do entardecer, do final dos nossos dias juntos, saudades daquelas
tardes de Verão que mais pareciam de outono, do friozinho que sentia dentro e
fora do meu corpo só porque ali estavas tu comigo. Saudades da pracinha que eu
e tu visitávamos, saudade daquela árvore de cheiro agreste que lá havia, que deixava
cair as suas flores pálidas, dando um ar de nostalgia.
Lembro-me
de uma tarde em que eu tremia a teu lado, acho que se fosse retratada em uma
tela aquela tarde, ganharia uma cor especial, um rubro-alaranjado do pôr-do-sol
que teimava nos visitar de vez em vez. Talvez algumas gotas de amor a deixariam
com uma aparência menos bucólica.
É
inegável o bem que me fez hoje eu lá voltar àquela praça escolhida por nós
dois, íamos lá namorar, como não existisse lugar mais nenhum para namorar e
poder sentir o nosso amor, sempre no fim das tardes Outonais numa época de
Verão.
Eu
hoje ainda sinto o perfume das pétalas daquela flor que caia sobre nós da árvore
que lá havia. Tudo era lindo, parecia uma encomenda dos anjos do céu, a
impressão que dava, que a cada "Te amo" que trocávamos, eles
derramavam uma cascata de flores e sorriam satisfeitos pela missão cumprida.
Á
muito tempo alguém me disse que nunca temesse amar, que mesmo que fosse um amor
passageiro que eu o acolhesse que o guardasse com carinho. Nessa época eu perguntei
porquê, mas hoje eu sei e sinto a resposta que recebi.
É
sobrenatural, tem muitas emoções, sinto desejo de viver cada segundo, de sorrir
cada momento, de amar sempre. Sinto desejo de a ter comigo para aquecer todas
as tardes frias de um outono em tempos de Verão.
Tudo
isto, como posso eu, esquecer? Se não paro de sentir o perfume das pétalas
caídas e perfumadas de todos aqueles meus dias a seu lado? A cada dia que eu
regresso atrás daqueles lindos e felizes momentos, como eu vou esquecer se até
o cheiro do seu hálito eu sinto? E o seu paladar também.
(29/06/2017)
Joaquim
Rodriguessábado, 19 de agosto de 2017
"Um amor vulgar"
Joaquim Rodrigues
A um sábado há tarde eles os dois entram no supermercado
vai às compras, são um casal vulgar, na casa dos sessenta, daqueles que ninguém
repara duas vezes, quando cruzam com eles. Ele veste um fato cinza escuro,
gasto, de má qualidade, e usa gravata apesar de ser fim-de-semana. Ela traz um
dos seus eternos vestidos leves de Verão, floridos, que dão a impressão de
serem todos iguais e todos igualmente banais.
Demoram-se cerca de uma hora pelos corredores do
supermercado. Escolhem criteriosamente os produtos que compram, e trocam uma ou
duas palavras sobre a marca dos cereais ou do azeite e, estando os dois de
acordo, colocam-nos no carrinho. Nenhum deles toma uma decisão autónoma e faz
uma compra por impulso. Tudo o que levam obedece à regra do consenso. Dir-se-á
que é uma negociação inútil, visto que no final levam exactamente as mesmas
compras de sempre, mas trata-se de um ritual antigo que lhes dá prazer cumprir.
Colocam os produtos no tapete rolante da caixa, onde a
empregada jovem vai passando com eficiente indiferença as embalagens pela
máquina que lê o código de barras. A rapariga não abre a boca, senão para lhes
perguntar se querem sacos e para os informar do total da conta. E muito se
poderia dizer sobre uma pessoa pelas compras que faz. Mas ela só está
interessada em verificar quanto tempo falta para acabar o turno.
Ele enche dois sacos de plástico enquanto ela atrapalha a
fila de clientes ao apresentar um maço de papéis de desconto que obriga a
empregada a verificar antes de fazer a conta. Depois, tira uma nota da carteira
e alguns trocos do porta-moedas. Saem do supermercado, atravessam a rua,
colocam os sacos no porta-bagagens do carro, voltam a trancá-lo, dirigem-se
para a pastelaria ali mesmo em frente, sentam-se na esplanada. Pedem dois cafés
e dois pastéis de nata. E, se não pedissem, o empregado saberia o que lhes deveria
trazer, pois vão lá há anos e, que ele se lembre, nunca fizeram um pedido
diferente.
Não conversam muito, mas há uma ternura óbvia na forma
como comunicam com um olhar cúmplice ou um gesto atencioso. Demoram-se ali
cerca de meia hora. Há sempre uma ou outra pessoa que entra ou sai da
pastelaria e que os cumprimenta educadamente, gente conhecida do bairro, só
isso. Eles não têm propriamente amigos, nem filhos, nem sequer família
afastada. Vivem um para o outro com uma dedicação pacífica, muito agarrados às
rotinas quotidianas. Houve um tempo em que pensaram em viajar um pouco, depois
de se reformarem, mas, chegada a altura, acabaram por desistir da ideia. São um
casal sem ideias. Ainda assim, são felizes à sua maneira, enfim, moderadamente
felizes, como tudo na vida deles.
(18/07/2014)
"O lênço de papel"
Joaquim Rodrigues
Na vida a gente aprende de tudo, aprendemos como podemos
ver o amor, e como o amor muitas vezes nos faz
chorar, e como durante esse período de tempo consome-se dezenas de lenços de
papel, só para limpar a ranheta que largamos.
Todos tipos de lenços
usados são muito frágeis, e todos os namorados não param de ter erros
ortográficos, foi sempre assim, e sempre assim será! Ainda hoje na reprodução
dos lenços originais, os erros não foram corrigidos, se tu aceitares, só te
posso aconselhar duas coisas.
Primeiro proponho que
participes num concurso, reescreves todas as quadras que tens na tua memória em
lenços de papel, mas escreve sem erros.
Segundo vais ter de lembrar
que eu existi na tua vida, e que as quadras que escreveres têm sempre forçosamente
de ter o meu nome, caso contrário, o que reescreveres nunca vai ser verdadeiro.
Convém te preparares bem, para entrares no concurso, para não falhares, entras
então numa biblioteca, pode ser a biblioteca da vida, pois ela ensina muito
bem, e lê tudo sobre pessoas que não param de consumir papel, e então é ai, que
tu me vais conhecer melhor.
Aproveita para aprender de onde sai o papel
para fazer os lenços dos ranhosos, e como os lenços depois são feitos.
Quanto ao concurso atenção
só serão aceites os melhores trabalhos. Mas se tu fores inteligente, talvez
consigas, talvez sejas a melhor, depois já não tens de consumir papel. Portanto
despacha-te há um prémio para o melhor trabalho. Eu já mandei o meu.
“Meu amor deixa-me
eu chorar até eu me cansar e consumir todo este papel, só quero que me leves
para um lugar qualquer contigo e chorar há vontade, mas onde Deus nos possa
ouvir aos dois”
(26/07/2017)
Joaquim Rodrigues"Reflexão"
Joaquim Rodrigues
Hoje acordei e lembrei-me que afinal sou um felizardo,
ainda tenho mais um dia para viver e para tentar ser mais um dia feliz, e até me
deu uma vontade enorme de gritar ao mundo que me dessem ouvidos. Eu sei que não
devemos levar as coisas muito a sério, nem os trabalhos devem ser levados tão a
sério!
Por isso devemos nos limitar a existir e não levar nada
até ao limite, nunca deixe que a sua casa as suas janelas brilhem mais do que o
brilho que você é capaz de transmitir. E pense que até a camada de pó vai
proteger a madeira que está por baixo dela!
Uma casa só vai virar um lar quando você for capaz de
escrever “Eu amo-te” sobre os móveis.
Antigamente havia quem gastava-se no mínimo 10 horas por
semana para se manter tudo bem limpo em casa. Caso alguém aparecesse para nos
visitar estaria todo o nosso orgulho protegido. Mas depois descobrimos que ninguém
passa por acaso lá por casa para nos visitar. Hoje todos estão muito ocupados
viajando, passeando, se divertindo, vão aproveitando a vida!
E se agora, alguém aparece de repente cá em casa como eu me
vou sentir? Não tenho que explicar a minha vida nem a situação da minha casa a
ninguém e pronto. As pessoas não estão interessadas em saber o que eu fiquei
fazendo o dia todo enquanto elas passeavam, como deve ser! Se divertiam, e
aproveitavam a vida.
Caso você ainda não tenha percebido, a vida é curta,
aproveite-a, e tire o pó, só se precisar
Porque será sempre muito melhor pintar um quadro ou
escrever uma carta a alguém que amamos ou mandar um SMS, dar um passeio, uma
caminhada saudável, ou visitar uma amiga/o, fazer um bolo e lamber a colher suja
de massa, ou então plantar e regar umas sementinhas na entrada da sua porta,
talvez quando alguém pensar ser a sua visita, possa gostar de ver.
Mas pense bem, na
diferença que existe entre o querer e o precisar, limpe o pó só se precisar.
Porque você vai ter muito tempo livre é para beber
champanhe, nadar na praia (ou na piscina), escalar montanhas, brincar com os
cachorros, ouvir música e ler livros, curtir os amigos e correr, fazer tudo que
podemos fazer nesta vida, que tem o seu final ali já. Aproveite a vida. Nunca esqueça
que não passamos de uma alma solta, libre, só assim a vida vale a pena, ser
vivida, ninguém é escravo de nada nesta vida, e você também não! Por isso, tire
o pó só se precisar. A vida continua lá fora, o sol ilumina nossos olhos, o
vento agita-nos os cabelos, um floco de neve, ou as gotas da chuva caindo
mansamente. Pense bem, este dia está a chegar ao fim, ele não volta jamais.
Tire então pó, só se precisar.
Mas atenção não se esqueça que você vai envelhecer e muitas
coisas não vão ser tão fácil de fazer como agora o é.
E quando você partir,
como todos nós partiremos um dia, quando fazer aquela viagem que todos temos de
fazer, você também vai virar pó, e ninguém vai-se lembrar de quantas contas
você pagou nesta vida, nem de sua casa tão limpinha, mas vão se lembrar de sua
amizade, de sua alegria e do que você ensinou a todos nesta vida que afinal é
tão curta.
“Não é o que você juntou, e sim o que você espalhou que reflecte
como você viveu a vida.”
(19/08/2017)
quinta-feira, 18 de maio de 2017
"Imaginação"
Joaquim Rodrigues
Um dia os dois combinaram fazer uma história de Amor, eles estavam decididos, nada os iria conseguir impedir. Seria uma história com um destino feliz onde não seria permitido algum caminho difícil, nem estradas com atalhos. Eles seriam assim duas pessoas cheias de esperança, de amor, e paciência.
Os dois foram coleccionando todos os detalhes juntos, todos
os sonhos que tinham, e só compreende isso quem tem alguém a seu lado sonhando
o mesmo sonho. Queriam pertencer um ao outro, e sobre isso, estavam decididos a
tudo, cada dia que passava, a solidão diminuía e o desejo aumentava, e nada os
fazia parar tudo estava mais perto do início do que do fim.
Ele hoje vê a tarde terminar, o Céu abre-se sobre a
cidade e um Sol frágil irrompe por entre as nuvens douradas que se dispersam
lentamente a favor de um vento suave. Observa a noite a descer pelos prédios,
as sombras que crescem, pesadas, os candeeiros que se acendem, repara no
movimento, nos passos abafados de transeuntes ensimesmados, nota o ambiente
soturno que o rodeia, enquanto se lembra dela, como fosse verdade estar ali à
sua espera numa esquina de uma rua. Imagina que ela vai ter com ele ali, que
vai ao seu encontro, vai dizer-lhe que não o quer mais, que tem razões mais que
suficientes para o fazer, como acredita no amor imagina que ela talvez leve com
ela uma lágrima fácil, um embaraço que a deixe contristada. Imagina-a a saiu de
casa, a descer a rua, parar a meio para respirar fundo, e ganhar coragem, mas
logo retomar o caminho decidida.
Ele vai permanecendo ali encostado ao carro a pensar
nela, consciente de que talvez a vai perder, treme só em imaginar, mas pensa
que assim será o que tem de ser feito, quando o amor acaba. Não é a primeira
vez que o abandona e não é a primeira vez que ele não desiste dela.
O que ela deseja não é claro para ele, existem muitas
coisas mal explicadas que ele nunca entendeu e nunca soube a convencer do erro e
desejava tanto entender. Ela quer amor, diz, sentir-se feliz, e ele não tem
tudo o que a faz feliz. Já antes o apagou da sua cabeça, da sua vida, como
nunca tivesse dependido do seu ombro, do seu abraço. E no entanto ele lembra-se
que voltou sempre que precisou dele.
Ele ama-a mas não a entende. Ela vai e vem ao sabor de
sentimentos insondáveis, de humores variáveis, de fantasias inconstantes. De repente
passa pela cabeça dele que assim um dia acabarão definitivamente separados. Um dia,
calcula, ela acabará sozinha.
Ela gosta dele, houve alturas em que necessitou muito do
seu apoio, mas, na realidade, em toda a sua vida, nunca conseguiu ser feliz com
ninguém. Parece desdenhar quem a ama. Usa e descarta. Parece que persegue uma
quimera de amor, e ele nada disso alguma vez percebeu. Hoje é o dia certo para
se imaginar como seria.
Ela chega ao pé dele já noite se instalou, cumprimenta-o
com um beijo no rosto, fria e distante. Conversam, sente que é altura de se
separarem, e diz-lhe.
- É isso que tu queres?
- Pergunta ele.
- É, faz que sim
com a cabeça.
Ele encolhe os ombros e diz.
- Está bem.
Ela incomodada com a sua reacção, pergunta-lhe.
- Não ficas
chateado comigo?
- Não, responde.
- Muito bem,
afirma, então, vamos falando.
- Sim, claro,
concorda ele.
Despedem-se, ele entra no carro, ela afasta-se, subindo a
rua. Vai irritada porque ele não se importou. Ele importou-se, mas está farto
dos seus caprichos de menina mimada que não sabe o que quer. Para ele, o fim é
quase um alívio. Para ela é um choque. Desta vez ele não fará nada para a
convencer a mudar de ideias. Desta vez ela percebe que vai mesmo perde-lo, mas,
como é orgulhosa, não será capaz de voltar com a palavra atrás. Sentem-se ambos
mal, miseráveis, e, no entanto, já não há nada a fazer, o seu amor está
condenado, ou não?
(18/05/2017)
Joaquim Rodriguesterça-feira, 16 de maio de 2017
segunda-feira, 15 de maio de 2017
"AMOR NO PARQUE"
Joaquim Rodrigues
Pode parecer cruel mas era no meu muro, que tinhas o teu ponto de equilíbrio, e eu amava ver o meu amor respeitado como tem que ser. Os passeios contigo eram sempre como entrar num belo e anestesiante paraíso que eu não conhecia. Então já lá no jardim dos amores-perfeitos, eras só tu que contavas malmequeres.
Quando tudo mudou, quando era mais forte do que alguma
vez fora e, desde aquele dia, tenso como nunca mais. Perdia-me sempre nos teus
passos quando te encostava a um lugar que tu conhecias, assim como no muro, ou
me pedias para sentar num banco do jardim para poderes ficar ali a olhar nos
meus olhos, e me fazias sentir que não existia, que não estava exactamente
atrás de ti a fazer-te subir nas pontas dos pés até aos olhos vítreos, na parede
do louvor à pressão.
Pode não parecer, mas saiamos do jardim do parque-da-cidade
onde me levavas, muito antes que as portas fechassem, e perto da nossa hora
limite, a fazer fé no martírio que desatou a apossar-se de nós os dois, quando
nos começávamos a sentir já infelizes, desconfiado um do outro e de tudo, e
muito antes do após abandono. Nesse dia, o que deixamos de consumir ardeu a sós
e ardeu para sempre.
Ainda me lembro, à medida que nos aproximávamos das árvores,
era o cimento da cidade que começava a aparecer mais líquido. Desorientava-se
da formação matriculando-se no tronco, nunca mais calçada, e muito menos cinza,
uma antecipação de subida rubra.
Sei como nos perdíamos com o olhar pela copa daquelas árvores
lá no parque, e como lá em cima, sendo perto, parecia tao mais longe do que o
lado oposto do lago que lá existia. E como toda aquela paisagem imensa
oferecida aos meus olhos me fazia tão bem, aos meus olhos, porque tu já
conhecias, e eu só com meu olhar te agradecia.
Desabotoávamos o olhar do plano geral para chegar à
geografia das folhas, à circunferência da copa das árvores, a poucos metros
altos. Mas quando me pedias que eu subisse, ou me levantasse, fazia questão de
te dizer que nunca recolhi folhas que não se inscrevessem poesia no chão,
“Nesse tempo tudo era poesia, aquela poesia que ficou gravada do meu peito
aquela que aqui eu escrevo”. Quando afinal comecei a perceber da minha
fragilidade, me senti muito só, era como desejar o que nunca fui capaz de ter.
Só em lembrar já pode ser cruel, porque passou a ser com
medo que frequentei aqueles lugares. Não me sentia capaz de reconhecer quem eu
era, e com quem eu andava. Era eu e um ritmo tonto que eu não conseguia
controlar, uma falta de confiança por nunca conseguir, te sentir completamente
comigo, completamente a meu lado, por nunca saber o que estava a chegar de
novo, ou um olhar de querer que o tempo passasse que me deixava completamente desconfortável.
Mas deambulava sem heroísmo a teu lado, e sentia no teu olhar
uma falta de confiança em mim até chegar a coragem de confesso, que afinal
nunca tinha existido, e que a comoção estava gasta, e que todas as agitações só
apareciam em pequenas porções relâmpago, sempre por lugares onde tu me levavas,
lugares que me fazia esquecer tudo, até folhas secas, que com o tempo foram
perdendo as vísceras. Eu quis sempre esvaziar-te em mim, encher-me por dentro
com as cordas do baloiço, entregar-te ao meu suporte, cada caminhada a teu lado
parecia um infinito.
Mas passou a ser amargo o tempo, porque tu assim o
querias, trocavas o meu tudo que era só teu, por todos os avisos que vinham de
fora de nós, e assim fazias de um lugar só nosso controlado por o outros
indesejáveis seres que nada nos acrescentava, mas que nunca deixaram de andar
ao nosso lado. Até no lago do parque que para mim fazia parte do meu paraíso,
não nos deixavam em paz.
E sem perceberes, tornavas o lugar não só escolhido para
nós os dois, mas sim para muitos outros, e tu nunca te preocupaste para que eu
não percebesse. Fazias do lindo passeio do parque algo que já lá não tinha chão
onde pudesse apanhar folhas secas.
Bem antes dos portões se fecharem, eu olhava para a copa
do muro que desfilava em cimento entre árvores, e sem ponto de passagem e sem
plano geral, obrigavas-me a dizer mil vezes o que faço eu aqui.
(15/05/2017)
Joaquim Rodriguessegunda-feira, 6 de março de 2017
"Difinição de Amor"
Joaquim rodrigues
Um velhinho entrou num consultório
médico para fazer um curativo, pois numa tarefa de casa tinha-se magoado numa mão na qual havia um profundo corte. Muito apressado o velhinho pediu
urgência no seu atendimento, pois tinha um compromisso muito sério a fazer.
O médico que o atendia levantou os olhos na sua direcção e muito curioso perguntou.
- O que tem você a fazer de tão urgente, para ser mais importante que o corte de sua mão? - perguntou o médico.
O simpático velhinho logo respondeu.
- Todas as manhãs eu tenho de visitar a minha esposa que está em tratamento numa outra clínica com o mal de Alzheimer e em fase já muito avançada.
O médico, preocupado com o atraso do atendimento, voltou a perguntar ao velhote.
- O que tem você a fazer de tão urgente, para ser mais importante que o corte de sua mão? - perguntou o médico.
O simpático velhinho logo respondeu.
- Todas as manhãs eu tenho de visitar a minha esposa que está em tratamento numa outra clínica com o mal de Alzheimer e em fase já muito avançada.
O médico, preocupado com o atraso do atendimento, voltou a perguntar ao velhote.
– Então? Mas hoje ela vai ficar muito preocupada com sua
demora?
O velhinho respondeu.
– Não, ela já não me conhece já não sabe quem eu sou, já vai para quase cinco anos que ela não me reconhece.
O médico então questionou o velhote.
– Mas então para que tanta pressa em vê-la todas as
manhãs, se ela já não o reconhece?
O velhinho então deu um sorriso e, batendo de leve no
ombro do médico, respondeu.
– Ela não me reconhece é verdade, não sabe quem eu sou
isso é tudo verdade Doutor, mas eu sei muito bem quem ela é!
O médico teve que aguentar forte para não deixar cair as
lágrimas que sentia querer cair pelo seu rosto, enquanto pensava.
“ O verdadeiro Amor
é isto! Não se resume ao físico, nem ao romantismo, o verdadeiro Amor é a aceitação
de tudo que o outro é. De tudo que foi um dia, do que será amanhã, e do que já não
é mais!
(05/03/2017)
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