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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

"SAUDADES"


Olá,minha querida amiga 
como era bom 
que tu me escutasses um pouco 
tu estás ai minha amiga? 

quero contar-te uma coisa 
que tu vais gostar de saber 
eu quero que tu saibas 
que eu sinto-me cheio 

é verdade minha amiga 
sinto-me cheio de fé 
de sede, de fome, de frio 
sinto-me cheio de tudo querida 

mas hoje eu descobri amiga
que a causa de eu andar doente
e do que eu mais sinto falta
é de saudades de ti 
*** 
(25/10/2015) 
Joaquim Rodrigues


 
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

"UNICA MULHER" HD

                                                              Joaquim Rodrigues

"SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE"


há dias em que as emoções 
são difíceis de abater 
em que qualquer simples palavra 
faz uma lágrima escorrer ! 

Basta um simples “ olá, como vai?” 
e logo a emoção vem 
Dá uma sacudidela 
parece que nada é bem! 

Até um gesto carinhoso 
nos fere às vezes a alma 
será o cansaço da espera 
que nos faz ficar sem calma? 

E estes comportamentos 
quem me os saberá explicar 
não há meio, não há jeito 
de os aprender a controlar! 

Só há apenas um modo 
é apelar à razão 
esquecer o que nos vai na alma
e o que sente o coração! 

Apenas uma coisa queria eu saber 
isso eu peço com fervor 
era que alguém me ensinasse 
a odiar o amor!

 (25/10/2015) 
Joaquim Rodrigues

                                                                 Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 25 de junho de 2015

"Hoje"

                                                                Joaquim Rodrigues

"Fica comigo" HD

                                                                    Joaquim Rodrigues

“O HOMEM DO RESTAURANTE”


- “O que pode levar uma mulher bonita a amar um homem feio?”, Pergunta-se ele, obcecado por esta perplexidade, sempre que a vê entrar no seu restaurante.
Ela costuma vir almoçar com os colegas de trabalho e, se não aparece um dia, ele fica sorumbático e preocupado. Não sabe nada dela, nada mais do que o seu nome e que trabalha ali perto, mas por ela, vai para a cozinha e compraz-se a preparar pessoalmente as refeições que lhe serve. Ela gosta da atenção especial que ele lhe dá, embora não veja nesses gestos mais do que a atitude magnânima de quem quer servir bem. Tanta simpatia não passa despercebida aos colegas e, para a espicaçar, dizem que só vão ao restaurante se ela for, porque assim são servidos como Reis. Dizem que o dono do restaurante está apaixonado por ela! Ri-se mas não os leva a sério.
Hoje, vai ao restaurante só com uma amiga que veio para almoçarem e porem a conversa em dia. Ele aproxima-se da mesa, (a felicidade em pessoa), recomenda-lhes um prato especial que se oferece para preparar exclusivamente para as duas. Elas aceitam, e lá vai ele para o forno cozinhar cheio de amor. A amiga, espantada, abre muito os olhos e exclama.
 - O homem está apaixonado por ti!
 - Está nada, és tonta, ele é sempre assim, réplica, desvalorizando o espanto da amiga.
 - Ah, diz esta, é sempre assim?

Joaquim Rodrigues

Ele pensa que não está à altura da sua cliente preferida, que é tão bonita que pode ter quem quiser e, portanto, nunca reparará nele. Está imerso nestas reflexões enquanto os seus empregados se divertem a comentar em segredo a paixão do patrão. Leva a travessa para a mesa e fica atrás do balcão a observar a reacção delas, que, evidentemente, é de grande satisfação, pois é realmente bom cozinheiro. Quase no final da refeição, a amiga declara que tem um compromisso urgente e precisa de ir embora.
 - Depois contas-me como correu com o chefe, diz, com uma piscadela de olho cúmplice.
Ela abana a cabeça, numa leve censura. E ele vendo-a sozinha, aproveita a oportunidade e traz-lhe a sua melhor sobremesa, atreve-se a sentar-se à mesa, consegue arrancar-lhe uma gargalhada. E ela pensa que, pelo menos, já a conquistou pela boa disposição e pela comida.
Depois desse dia, arranja maneira de aparecer muitas vezes sozinha, e não só para almoçar, pois até já jantaram os dois e ficaram a conversar muito depois de o restaurante fechar. E ele descobriu que afinal não é uma conquista impossível. O que não sabe é que ela não é tão bonita como a vê, nem ele tão desinteressante como se imagina.
 (15/06/2015)
Joaquim Rodrigues

sábado, 23 de maio de 2015

"AMOR" HD

                                                                    Joaquim Rodrigues

"UMA HISTÓRIA SIMPLES"


Ainda não me contaste meu amor
aquela história do homem 
que transformou os teus olhos em insónias? 
ainda não contaste acerca daqueles poetas 
que constroem poemas em castelos de areia?

se esta noite tu não conseguires dormir
nem empurrar o sono para dentro
se esta noite tu ficares acordada
eu prometo, que ficarei contigo acordado também

então eu te contarei uma história de um homem
que passava horas e noites sem dormir
era como não soubesse ler ou escrever
mas guardava pacientemente minutos de silêncios
em baixo da tua almofada da tua respiração 

 (22/05/2015) 
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

domingo, 17 de maio de 2015

"LONGE DO AMOR"


Ele sentiu um tremendo golpe com a partida dela, aquilo foi como tivesse perdido metade de si, no entanto o seu pensamento era exagerado, mas que naquela altura lhe pareceu mais do que evidente, de não poder voltar a amar outra mulher com a mesma sinceridade. Não há nada mais puro que o amor que admite todos os desastres com a certeza de sobreviver a qualquer contratempo. Era assim a paixão dele, mesmo nos piores momentos, quando mal se falavam e ele se fazia desentendido para não ter de rebater a perpétua insatisfação dela. Por fim ela anunciou-lhe que se ia embora. Fez as malas, saiu de casa, telefonou-lhe mais tarde a avisa-lo de que já não estaria lá quando voltasse. Tinha pressa de partir e alardeou até uma alegria insensata com o intuito despropositado de lhe mostrar que a separação não lhe pesava nem um bocadinho. Este seu espírito vingativo surpreendeu-o muito, pois pensou sempre não haver nas desavenças deles nada de tão grave que não pudesse ser remediado. Mas a mente humana é capaz de esconder ressentimentos insondáveis e, quando ele lhe apelou ao bom senso e lhe pediu que o ouvisse com a promessa de escutar também as suas razões, ela remeteu-se a um silêncio obstinado que era, evidentemente, mais uma forma de retaliar por algo que ele não entendia, mas ela não esclarecia. Ficaram assim separados por este desencontro absurdo, ela convencida de que ele sabia bem as suas razões, ele tentando adivinhá-las. No fim, tudo se resumia a isto, ela acreditava que ele não a amava o suficiente ou, pelo menos, não tanto quanto ela o desejava.

                                                                    Joaquim Rodrigues

Estava convencida de que poderia deixa-la num dia qualquer sem dor nem remorsos e, em virtude dessa angústia permanente, foi germinando nela uma mágoa que depois de ganhar raízes se desenvolveu livremente até se tornar destrutiva. Agora, na mente dela as suspeitas eram bem reais e o desencanto nada tinha a ver com a insegurança crónica que lhe toldava o humor e a tornava cada vez mais exigente e sufocante. O resultado perverso desse processo insano foi chegar ao ponto de já não o amar desesperadamente e até o querer muito menos do que ele a ela. Destruiu o amor de uma vida por causa de equivoco do coração, mas ficou tão tranquila por não se sentir dependente dele que se animou com o desejo pueril de o castigar com um desprezo despudorado. A injustiça soube-lhe bem. Provavelmente, no futuro, ela conquistará um homem que não a apaixone e que possa manipular facilmente, e assim poderá viver com serenidade. E sem amor.

 (16/05/2015)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 28 de abril de 2015

"Nós os dois" HD

Joaquim Rodrigues

“Ternura na nossa vida”

Joaquim Rodrigues

Juntos, fomos crescendo, os dois juntos, tu e eu 
foram momentos fantásticos, que nós os dois 
passamos, mergulhamos em tantas promessas
que nunca foram faladas, só o nosso olhar 
prometia, nunca falamos mas a emoção tomou 
sempre conta de tudo, a emoção vivia cercada 
da nossa ternura, do nosso carinho, do nosso 
prazer sem fim, mas só o nosso olhar conduzia 
a nossa Inocência mas intensa vontade. 
Vivíamos entre suspiros abafados e encontros
furtivos. Aguentamos todas as brisas que 
sopravam ao entardecer, todas as tempestades 
que os dois sentíamos no peito, mas Isso durou 
só até ao primeiro abraço e findou no prazer do 
primeiro beijo. Foram beijos ardentes, beijos 
furtivos molhados na chuva, no frio, abraços 
apertos quentes, tão quentes como o sol de verão, 
e o nosso inocente desejo fervia mesmo em dias
 gelados. Há, nunca existiu clima que apagasse 
a chama que até hoje nos esquenta nos acende, 
nos une, nos inflama, porque o nosso amor! 
É um amor esplendoroso, inocente e puro. 

 (28/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

sábado, 25 de abril de 2015

"Como eu te amo" HD

Joaquim Rodrigues


"O AMOR"


Ele quando era mais novo procurava mulheres mais velhas. Gostava de se apresentar perante os amigos na companhia de mulheres maduras, ou, pelo menos, que pensava serem maduras. Não era exactamente verdade, pois nessa altura ainda era muito jovem e elas, embora um pouco mais adultas e ponderadas, não deixavam de ser igualmente jovens. Casou-se com a mais bonita dessas namoradas, mulher vistosa que, pela sua beleza e sabedoria, o entusiasmava e enchia de orgulho. Pensava ele que estava apaixonado por ela. No entanto, a sua deusa da beleza murchou em segredo sem que ele notasse, porque, como conviviam diariamente, não tinha o distanciamento necessário para se aperceber das suas transformações indeléveis. Porém, houve um determinado dia em que, estando a conversar com ela à beira de uma piscina sobre algum assunto inocente e irrelevante, deu subitamente consigo a reparar que a sua mulher envelhecera. Perguntou-se como fora possível que isso tivesse acontecido sem que ele se apercebesse. Mas era um facto indisfarçável, as rugas vincadas no rosto, as peles descaídas nos braços flácidos. Embora consciente de que não a podia culpar de nada, sentiu-se enganado e, desde então, tinha que admitir, envergonhado da presença dela a seu lado.

Joaquim Rodrigues

Divorciou-se. Aos quarenta anos iniciou uma nova vida regulada pelo deslumbramento por mulheres mais jovens e, novamente, sentia-se orgulhoso das suas companheiras, belas e invejáveis. Foram tempos estonteantes de romances leves e fugazes, sempre marcados por expectativas nunca concretizadas, com namoradas caprichosas, insatisfeitas e manipuladoras. Alimentavam-lhe o ego, mas consumiam-lhe a alma. Hoje, com quase sessenta anos, tem a seu lado uma mulher apenas cinco anos mais nova. Nestas idades as diferenças tendem a esbater-se. E, pela primeira vez, sabe que ama realmente, pois, quando ela ainda não era sua, imaginava a felicidade como nunca fora capaz de imaginar, e agora, quando não está com ela, sente penosamente a sua falta. Percebeu, com espanto, que passou a vida a amar pelas razoes erradas e que nunca descobrira realmente o amor. E agora também sabe que o amor não tem medida, mas só é verdadeiro quando não está subordinado a projectos, aparências ou a outros motivos mesquinhos que nada têm a ver com simples prazer de uma companhia indispensável. Sim, pensa, olhando para ela com orgulho, o amor é isto. Depois, abraça-a impulsivamente.
 - O que foi? Pergunta ela, sorridente.
 - Nada, responde, amo-te.

 (25/04/2015)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 15 de abril de 2015

"Depressão"

Concentrada nas suas vontades, tu nem vê 
aparece como quem não queira, assim mansa
nunca avisa qual o propósito, nem o  porquê
toma conta de ti, faz-te mal, tira-te a esperança

és prisioneira da infelicidade esse é o teu espelho
esguía como sempre foste, segura nesse teu existir
mas triste sem saber porquê, doente de olho vermelho
sempre isolada de ti, nessa tua desventura sem sorrir

passam os dias, sem fazer nada, cai uma lágrima
que ocultas, no teu belo e já muito amado rosto
és assim, tornas-te numa oferta chamada lástima
sempre teimosa vivendo uma vida, sem gosto

tens de abandonar essa tua apatia
deixa de viver esse teu mundo confuso,
não patenteeis com a covardia
fala comigo eu acertarei teu fuso

(15/04/2015)
Joaquim Rodrigues

                                                                  Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 13 de abril de 2015

"Eu não quero viver sem o teu amor" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

"A vida é uma luta"

Se a luta que tu travas para ser feliz
Está a demorar muito tempo a chegar
O melhor que tens a fazer
É continuar a lutar sem nunca desanimar
Olha que ninguém consegues subir o Evereste
De uma só vez, Só com um passo atrás do outro.

(13/04/2015)

Joaquim Rodrigues

                                                                Joaquim Rodrigues

"Ventos Selvagens" HD

                                                              Joaquim Rodrigues

"Amo-te"

A vida é mesmo assim! 
Por vezes bate uma saudade 
que só nos dá vontade de gritar 
AMO-TE !!! 

(13/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

"Subir ao amor" HD

Joaquim Rodrigues

domingo, 12 de abril de 2015

"HUMILDADE"


A noite depois de jantar com o marido e de arrumar a cozinha enquanto ele dormita já no sofá em frente à televisão. Ela sai de casa. Tem o álibi perfeito para se ausentar sem levantar suspeitas ao seu marido comatoso, esgotado de um dia de trabalho. Vai passear o cão. Embora se demore sempre uma hora e meia na rua, tempo mais do que suficiente para não dizer demasiado para o animal fazer as suas necessidades, ela não tem nada a recear. O marido baba-se a dormir no sofá e nem dá pelo passar do tempo, mas, mesmo que desse, era-lhe indiferente. Ele tem uma fraca auto-estima e, consequentemente, não a tem em grande conta. Pensa que se ela fosse mulher de muitos predicados não estaria com ele. Esta sua indigente consideração pelo dois dá-lhe segurança, nada teme, pois tem a certeza de que a mulher não o pode enganar porque ninguém a quer. Não podia estar mais enganado. Ela sai com o cão, percorre nem cinquenta metros, entra no terceiro prédio a contar do seu. O vizinho, que todas as manhãs cumprimenta gentilmente o marido dela na rua, espera-a ansiosamente. Faz agora seis meses, o vizinho surpreendeu a mulher com outro homem na sua própria cama. 

                                                                 Joaquim Rodrigues

Depararam-se, agora delicia-se com as carnes opulentas e moles da amante, e o que lhe dá mais gozo é ela trair o marido por sua causa. Ele está convencido de que as mulheres têm vantagem em relação aos homens porque, como eles vão com a primeira que conquistarem, elas podem escolher aquele que quiserem. A sua mulher escolheu-o, mas depois escolheu o colega de trabalho sem que, e tem a certeza disso, tivesse feito nada para o ter, foi a oportunidade, ele seduziu-a durante as horas que passavam na empresa. Ele ainda a deseja, mas odeia-a pela humilhação. De modo que o seu caso secreto com a vizinha representa, ao mesmo tempo, uma compensação pela perda sofrida e uma vingança, ainda que se desforre no vizinho inocente. A mulher que lhe bate à porta com um cãozinho odioso que fecham na cozinha antes de se enredarem nos lençóis desfeitos da cama dele, pensa que o amante é um milagre inesperado, um homem muito melhor do que o seu, e o caso com ele é algo que nunca imaginou que ainda fosse possível viver. Sente-se renascida e abençoada pela sorte. Quem diria que um tipo tão bem apessoado haveria de olhar para si? Ela sempre achou que não podia ambicionar melhor do que o marido, homem bom mas medíocre, por isso agarra-se a cada momento do seu adultério com felicidade e deleite, certa de que é só até ele se fartar. 

(10/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

"Meu amigo está longe" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

" Sou um palhaço"


De ar e figura patética, tu oh palhaço
Finges ter alegria de coração triste
Rosto pintado, e cabelo palha de, aço
Imitando um boneco desengonçado

Dele todos se riem às gargalhadas
É alegria de crianças e outros muitos
É sucesso absoluto de palhaçadas
Onde quem mais ri, são os adultos

Sempre perguntei quem é o palhaço?
Trago esta triste recordação de infância
Serei eu, será ele, quem eu sou palhaço
Arrasto comigo a ideia, nesta distância

Tenho saudades da infância e da pipoca
Do mundo em uma tenda onde ele mora
Hoje o circo é outro é viver todos na toca
Eu sou o palhaço que não ri, mas chora

Até amizade fugiu sem deixar abraços
O novo de ontem é o velho infindável
Tudo mudou, o mundo é diferente

O desafio é continuar como palhaços
Hoje nada é igual, tudo é descartável
Olha que o fim vem já ali, de repente

 (26/03/2015)
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

"Não me condenes por amor" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 6 de abril de 2015

"DESESPERO"


Toda esta paz que eu sinto no meu peito / Toda esta acalmaria que teima não passar /
É como tempestade que me atira para o leito / Esse lugar onde um dia eu vou chegar /
O tempo e a vida nunca nos dão tréguas / Apenas nos deixa apenas descansar um pouco /
Invade-nos o peito de constantes mágoas / Longe da paz que hoje me vai pondo louco /
Invade a minha alma a minha intimidade pura / E leva-me ao lugar que tu dormias comigo /
Rouba-me pensamentos que em mim, ainda dura / Foram noites amor, que eu passei contigo /
Esta loucura quando chega nunca pede licença / Nunca se identifica nunca nos encoraja /
Nunca pede licença acomoda-se no nosso peito / Invade nosso sangue e em nassas veias viaja /

A calma de hoje não pode ser um adeus / É os melhores momentos, meus sonhos de amor /
Lembro aquele tempo, teu corpo nos braços meus / Apertando com carinho, e beijos, longe da dor/
Esperar o amanhã pode ser muito tarde eu sei / É muito tempo a carregar o peso que me dás /
Divido com todos, contigo e com quem eu amei / Podes escolher à vontade deixa-me só em paz/ Partiste procuras outro amor que te respeita / Dividiste sentimentos o teu amor que não era meu /
Hoje troquei a forte dor de peito por esta calma suspeita / Só tenho certeza que este foi um doce dia que me pertenceu.

 (06/04/2015)
Joaquim Rodrigues



Joaquim Rodrigues

sábado, 4 de abril de 2015

"OMEGA" SKYROVER = HD


O FANTASMA


Desculpa-me eu estar muito mais velho assim / 
E eu já não ter pensamentos como tem os novos /
Desculpa-me eu ter ficado assim um velho sem graça / 
Que faz lembrar as árvores sem folhas no inverno /
É que agora todos meus dias são cinzentos sabias? / 
E as sombras nos meus olhos são intermináveis /
Peço-te desculpa por tu veres tudo isso em mim / 
Por veres destroços, só destroços, imagens sem glória /
Desculpa-me, por esta pele seca, este rosto cheio de rugas / 
A culpa é do tempo, podes crer, foi ele que pintou este quadro /
Por favor, desculpa este velho de pálpebras descaídas / 
Desculpa-me por eu ser assim, ser um fantasma /

(03/04/2015)

Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"EU"




Arde-me este ardor tamanho
Que me inflama tão profundo
Pois o amor que te tenho
É do tamanho do mundo.
(J.R)

"Evie"

                                                                  Joaquim Rodrigues

"Longe de ti"



 Ele partiu para longe em viagem de trabalho e deixou para trás uma dúvida entre eles. Telefona-lhe à noite de lá, do hotel.
- Como estás? – Pergunta-lhe.
- Estou bem, - Responde ela, estou em casa, e a viagem, está a correr b...em?
A sua voz simula uma alegria que não sente, pois, embora feliz por o ouvir, já tem saudades dele.
- Está tudo a correr bem, diz ele, mas tenho saudades tuas.
- Eu também, ouve-a dizer com palavras sumidas, abafadas pela voz embargada por uma inquietação.
Faz-se um silêncio, sentido na linha. Ele muda de mão o telemóvel, volta-se na cadeira. Está sentado no bar do hotel, que dá para o átrio. Os seus olhos registam de relance a confusão da entrada de um grupo de turistas barulhentos que vêm a arrastar as malas e se dirigem ao balcão da recepção. Volta-se de novo para a frente, onde uma televisão por cima do bar está a dar notícias de um acontecimento actual que prende a atenção do mundo.
 

                                                                 Joaquim Rodrigues
Depois ela começa a falar das suas preocupações pessoais, que gosta de desabafar com ele, de lhe pedir uma opinião, um conselho. Ele levanta-se e atravessa o átrio a ouvi-la, passa pela porta de entrada e sai para o exterior, onde nota a queda abrupta da temperatura. Lá fora faz frio negativo, a que ele se sacrifica para poder fumar um cigarro enquanto fala ao telefone.
Dali a pouco, ela esgota o assunto, cala-se. Quando ele estava por perto, ela andava perdida numa angústia, dividida entre o amor que lhe tinha e as dificuldades que enfrentavam. A vida corria mais depressa que eles, ultrapassara-os, impedindo-os de serem felizes sem obstáculos, mas, assim que ele lhe anuncia que partia, sentiu uma imensa falta dele.
- Tens mesmo de ir? – Perguntou-lhe.
- Tenho, confirmou, terminante.
- Quando eu regressar, diz-lhe ele agora ao telefone, vamos fazer tudo diferente.
- Vamos, concorda ela.
- Vamos fazer com que a nossa vida resulte.
- Sim, é isso que eu quero.
- Tens a certeza?
- Tenho, garante-lhe ela, agora tenho.
Ele diz que a ama, ela responde-lhe o mesmo, desligam. Antes, os problemas pareciam-lhes demasiado difíceis, mas hoje à noite, separados por milhares de quilómetros, percebem ambos que não podem viver afastados, que precisam um do outro e que não há problema, por maior que seja, que vá impedi-los de ficarem juntos.
 

(30/11/2014)
Joaquim Rodrigues

sábado, 22 de março de 2014

"Fala-me de amor"


                                                                       (Joaquim Rodrigues)

"O ladrão de Sonhos)

(Joaquim Rodrigues)
                                     

                                                             

“A quem telefonar?”


Estão agora os dois sentados frente a frente naquele salão de chá. Tomam chá num acolhedor café da rua de Santa Catarina, na cidade do Porto. Está uma tarde chuvosa e a água escorre pelos vidros das janelas, derramando neles a melancolia do inverno, ela declara com amargura.
 - Os homens são todos iguais, umas bestas! Não se pode confiar neles.
Ele pousa nela os seus olhos perplexos, e logo pensa que dizer mal dos homens no primeiro encontro não é a melhor estratégia romântica.
 - Meã culpa, defeito meu desculpa.
Conheceram-se no Facebook numa daquelas noites muito chuvosas e frias que nos deprime e nos faz ficar em casa. Passaram a trocar mensagens e acabaram por combinar este encontro. Desde o seu divórcio, já passaram alguns anos, ela não voltou a casar. Nesse período, teve dois namorados, nenhum por mais de seis meses. Diz que não acerta, que só lhe aparecem homens que não prestam. Ele tem um sorriso benévolo e pensa, mas não diz, que nunca casou, já teve muitas namoradas, nenhuma por mais de seis meses nos últimos anos, e está muito bem assim. Então porque se queixa ela? Queixa-se porque, apesar de ter tido um casamento miserável durante cinco anos, ambiciona casar-se novamente. A sua extrema sensibilidade em relação a esse fracasso não lhe destruiu só o casamento, mas também as três relações subsequentes. Com efeito, ela tem saltado de falhanço em falhanço porque saiu magoada e desconfiada do casamento e
(Joaquim Rodrigues)
estendeu os sentimentos negativos aos dois namorados seguintes. Mas não tem a lucidez suficiente para entender que, ao tratar os namorados como culpados e ao fazer-lhes exigências insensatas, o seu comportamento irascível provoca uma reação de desconforto e de rejeição.
Ela tem cinquenta e dois anos e um sentimento de urgência, quer, desesperadamente, corrigir o pesadelo desse casamento falhado e retomar o sonho de uma relação que lhe permita ser feliz o resto de sua vida e ter uma segurança no futuro que ainda resta. Mantem-se, portanto, num limbo, com a sensação de ter a vida suspensa já há anos. Só considera o futuro, falta-lhe a tranquilidade necessária para aproveitar o presente. Ele não sabe nada disto, evidentemente, mas, ao escutá-la no decorrer da tarde, vai começando a ter uma ideia dos motivos da sua amargura. Em redor, o sábado vai-se escoando num rumor de conversas serenas, de chávenas fumegantes, de chuva a bater nas janelas. Finalmente, pensa que poderia dizer-lhe que os homens não são todos iguais, que ela é que os faz todos iguais, porém, já a ouviu lamentar-se tanto que começa a sentir-se saturado. Paga a conta levanta-se olha para ela e pergunta.
 - Vamos?
Saem. Tinha pensado convidá-la para jantar, mas desistiu da ideia. Acompanha-a ao táxi e despede-se sem promessas. Depois, respira fundo o ar fresco da noite e pensa.
 “A quem hei-de telefonar agora, para compensar este fiasco?”

 (23/02/2014)
Joaquim Rodrigues

"O Vento"

                             
                                                             (Joaquim Rodrigues)

"Será sempre um olhar" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                              (Joaquim Rodrigues)

“Acredita no teu futuro”


Hoje ela já sabe o seu futuro. Ela tem a perfeita noção de que a sua vida se foi compondo de raros e preciosos momentos de grande felicidade. Um determinado Natal em que recebeu um presente especial das mãos do pai, era ainda criança, o dia em que concluiu o curso superior, o instante em que deu o primeiro beijo quão namorado e o dia em que casou com ele, a madrugada em que lhe passaram para os braços o filho recém-nascido. São momentos de felicidade gravados na sua memória. No entanto, para além desses instantâneos de alegria descomedida, persiste a sensação de uma vida sem graça, no seu todo. Teve a infância fácil e despreocupada que qualquer criança merece. Depois, sentiu-se traída pela natureza ao descobrir que não passava de uma rapariga vulgar, pouco abençoada pela beleza, que não despertava o interesse dos rapazes. Finalmente, cativou um jovem tão pouco interessante quanto ela e, sabe-o agora, confundiu o alivio com felicidade e a necessidade de amar com amor verdadeiro. Casou. Vinte anos passaram. O filho cresceu e saiu de casa. Ela pensou que se fechava um ciclo. Entretanto, ia trabalhar dia após dia, semana após semana, na empresa vulgar onde tinha um emprego banal. O seu sonho era largar tudo e partir, a sua fantasia foi por de lado um bocadinho do ordenado durante anos a fio para um dia concretizar o seu sonho.
(Joaquim Rodrigues)
Mas, no fundo, nunca acreditou que chegasse a dar o passo decisivo. Era só um sonho muito pouco realista e, portanto, nada faria para tornar verdadeiro. E, pensando bem, nem sequer se pode dizer que fosse um sonho muito original. Ela própria pensava que havia milhões de pessoas com a mesma ideia vaga de largar tudo e partir. E que, sendo uma ideia tão vaga que não chegava a ser um plano, nunca partiam realmente. Por isso, continuou no seu trabalho aborrecido, a sentir-se encurralada e a pensar num futuro diferente, esquecendo-se de viver o presente. Até que o mundo se encarregou de decidir por ela a mudança que sonhava. Com a chegada da crise económica, a empresa onde trabalhava foi arrastada na avalancha das falências e ficou desempregada. Agora, ali está ela sozinha, sentada num banco publico à frente da praia de Copacabana. A noite caiu morna e ela, sem nada para fazer, escuta o rumorejar da cidade enquanto fuma um cigarro. Com quarenta e sete anos, está feliz porque realizou o seu sonho, embora sinta um cliché e tenha feito esta descoberta surpreendente de que tem saudades do marido. Apaga o cigarro, suspira, levanta-se e regressa ao hotel a sorrir. Já decidiu voltar para casa, mas desta vez para viver o momento, ser feliz e não se preocupar com o futuro.

 (13/03/2014)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"SIM,SIM" (HD) Joaquim Rodrigues


"Uma noite feliz"



No salão de portas abertas, soltam-se os sons musicais de uma banda onde todos os fim-de semana faz encher o espaço noturno, com diversão até de madrugada. A voz do vocalista da banda é profunda, acompanhada por musicos com muita experiencia, canta uma música de Roberto Carlos, “Sorriso bonito, olhar de quem sabe, um pouco da vida”. Ele encostado ao balcão, embala o gelo no copo... de uísque. Tem um cigarro esquecido a queimar entre os dedos a pensar nela, espera por ela sem saber se vem.
Da janela ao fundo do salão chegam-lhe rumores de vidas alheias, gargalhadas, passos na calçada molhada de uma chuva recente que lhe atraem o olhar. Dois vultos fugazes passam lá fora de braço dado, ficando-lhe registados na retina como uma fotografia tremida ao piscar do néon azul, branco, violeta, que ilumina as letras gastas do nome que dá ao salão de baile. Ele pensa nela, imagina-se a dançar com ela enquanto espera por ela sem saber se vem.
A banda agora toca "I'm Just a scarecrow without you Baby, please don't disappear, I beg your pardon dear”. E o seu cantor canta do fundo da alma.
Ela surge à porta, dá alguns passos já no interior do salão. Ali parada, consegue ver a luz amarela que incide sobre o pianista da banda. Vê as suas mãos tranquilas correndo ao de leve sobre o teclado, e ouve a voz profunda, de quem canta: "Eu nunca quis dizer aquelas coisas que eu te disse, aquilo era uma paisagem na minha cabeça"I didn't mean those things I Said You are the landscape of my dreams”.
(Joaquim Rodrigues)
Ela localiza-o encostado ao balcão do bar, a fazer-lhe sinal com o braço levantado, um copo na mão, como que saudando a sua chegada.
Ele segue-a com os olhos à medida que ela se aproxima. Traz um vestido cor de areia, justo na cintura, que brilha ligeiramente no escuro, o cabelo apanhado, brincos, duas luas cheias nas orelhas, um sorriso triste. Juntam-se num longo abraço, e o vocalista canta, "I beg your pardon dear".
Ele pousou o copo no balcão, apagou o cigarro, segura-a pela mão, leva-a para o centro da pista estreita-a contra si passando-lhe os braços pela cintura. Ela passa os seus à volta do pescoço dele.
Dançam assim, devagar. Ela esconde o rosto nele. Ele sente-a respirar no seu pescoço, sente-lhe o perfume no seu cabelo. Depois fá-la rodopiar numa volta lenta e segura-a pela mão quando ela se desequilibra ao rodar sobre os sapatos a rir-se. Puxa-a e ela volta para ele. Continuam abraçados depois de a música acabar, desejando prolongar a madrugada que se aproxima do fim. Pensam que poderiam ficar sempre assim, mas a noite está a terminar e com ela a magia. Amanhã volta tudo ao normal.
- Gosto tanto disto, diz ela.
- Danças mais uma comigo? Pergunta ele.
- Claro que sim, ainda estamos aqui, ainda estamos a dançar, responde-lhe ela.

(18/01/2014)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

"Preciso do teu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues)


                                                               (Joaquim Rodrigues)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

"O Anjo da Guarda"


São três e meia da manhã, ele está concentrado no computador, agarra sem olhar no maço de tabaco que tem em cima da mesa, mas percebe que os seus dedos não encontram nenhum cigarro. Tenciona prolongar o serão para acabar de vez o processo, mas sem cigarros não consegue pensar, sente-se irracional, como se o fumo tivesse realmente a ver com isso, mas na verdade é que o ajuda. Desde aquele maldito acidente, tem sentido muito mais dificuldade em concentrar-se. Suspira fundo, olha para o relógio e vê que já são horas tardias e não tem onde ir comprar cigarros, mas contrariado, decide ir à bomba de gasolina comprar tabaco.
São já três e meia da manhã, quando ela dobra a bata com gestos cansados, o seu turno no hospital já terminou há muito, mas um casamento que começou muito mal entrou de urgência e foi o que se viu uma confusão, com cento e cinquenta convidados intoxicados a expelir de jorro um mar de camarões venenosos para os baldes arranjados à pressa, que a obrigou a permanecer muito mais tempo até para lá do horário, que ela tinha a cumprir. Finalmente chega à rua e inspira o ar fresco da noite, e logo apercebe como se acaba insensível ao ambiente saturado lá de dentro, e pensa na mãe a dizer-lhe.
  “ Passas demasiado tempo no hospital filha, assim com esse andar ainda vais casar com um médico, ou então ficar solteira”.
Encolhe os ombros ao pensamento, só quer ir para casa. Mas de repente lembra-se que não tem cigarros e que terá de passar pela bomba de gasolina para os comprar, porque se alguma vez um cigarro lhe fez falta, nunca mais do que agora. Então faz um pequeno desvio e passa pela bomba de gasolina, afinal era o único lugar que encontrava naquele momento para os comprar. Compra um maço de tabaco que lhe chega através da caixa de segurança empurrada pelo homem no outro lado do vidro, abre-o, retira um cigarro, procura o isqueiro nos bolsos mas uma chama acende-se à frente dela. Leva o cigarro à boca, acende-o. Levanta os olhos e sente um impacto de reconhecimento ao ver aquele rosto sorridente. Diz um obrigado mudo de espanto.
 - De nada, responde ele, e afasta-se, ficando por ali encostado a uma moto.
 
(Joaquim Rodrigues)
Ela fica a olhar de longe para ele, hesita em falar com ele, mas é irresistível, descobre aquela força que lhe é habitual e. Aproxima-se dele.
  - Não se lembra de mim, pois não?
  - Não, responde-lhe, surpreendido.
  - O acidente há uns anos, diz ela. Quantos foram? Pensa, quase quatro. Parece que o está a ver, inanimado no asfalto como morto, a moto desfeita, a ressuscitá-lo com manobras respiratórias, os seus olhos confusos, assustados, presos aos dela, a segurar-lhe a mão enquanto não chega a ambulância. Foi o seu primeiro salvamento, nunca mais o viu. Conta-lhe tudo.
 - Foi você! Exclama ele com os olhos turvos de emoção, e abraça-a num impulso, como que um imã a o obrigar, sem resistência alguma.
  - O meu anjo da guarda. E ela sem saber o que fazer às mãos, embaraçada.
  - Não imagina o que eu a procurei, queria tanto agradecer-lhe, percorri os hospitais todos! E nunca a encontrei, e finalmente este abraço, finalmente abracei o meu anjo da guarda, desculpe-me por favor. Ela ficou ali quietinha com os braços dele ao seu redor, e retribui-o também porque são destes abraços emocionados que é feito o belo, do nosso mundo.
Seis meses passaram. E ela acaba o turno e vai logo para casa. Ele está à sua espera a trabalhar no computador e mal a sente chegar, levanta-se logo para a abraçar. Nunca se cansa de a abraçar. E para ela é a melhor hora do dia, quando volta para ele.
A mãe agora abana a cabeça ao vê-los todos os dias abraçados, e diz-lhe com uma fatalidade mas feliz.
 - Não casas-te com um médico, mas casas-te com um paciente!

(Joaquim Rodrigues)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

"Vencer ao Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Como descer ao Inferno"


(Joaquim Rodrigues)
 
- Tu gostas de mim, Joaquim?
Há palavras que nos consegue gelar o sangue que nos corre nas veias, e nos faz paralisar os nervos faciais, e ficamos assim, sem conseguir ter uma resposta, mesmo que façamos um grande esforço para o conseguir.
Vivemos no tempo que conseguimos confundir o amor com muitas outras coisas, coisas essas, que todos nós vamos fazendo ao longo da vida. Quando passamos por aqueles dias que algo mau se apodera da nossa mente, isso tem um nome, (o dia da raiva) tudo somos capaz de fazer, e dizer, mesmo que para isso, seja preciso usar as ferramentas do amor.
 - Tu gostas de mim, Joaquim?
Para ela, ele é o homem mais bonito e charmoso que ela conhece na sua página do Facebook pelo menos foi assim que ela se apresentou sempre para ele. Quando ele acaba de escrever mais uma história, ela adora, logo fica súper excitada, se reconhece dentro da história imagina ser a protagonista da mesma, se vê sempre, dentro dela. Por isso não lhe resiste ao charme, e à sua maneira tão carinhosa, que ele tem com ela. Sempre reconheceu nele um talento especial naquilo que escreve, e por isso, é sua admiradora. Chegam a passar muitos minutos, horas, dias, e até noites, a conversar, e assim criam uma amizade que rapidamente é uma dependência para eles os dois.
- Tu gostas de mim, Joaquim?
Cristo nasceu, e logo tratou de fazer um planeta há sua imagem, há imagem do homem. União entre os homens, e uma vida com amor, muito amor. Mas não deu resultado, um dia Cristo foi crucificado, e o planeta que” Ele” queria, com ou sem amor, continuou. Acabei de ler um livro de seu nome, (Como descer ao Inferno). Eu acho que já desci, ao Inferno! E eu, como Cristo. Amava.

(27/12/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 7 de dezembro de 2013

"O Natal"

(Joaquim Rodrigues)


 
A noite de natal é em todo mundo.
Onde juntamos amor com esperança.
 Seria tão bom que o natal em todo mundo.
Fosse igual para todos, e alegria nas crianças .

Crianças tristes, magras e famintas.
Crianças sujas descalças chorando.
Que na rua estendem as mãozitas.
Porque o mundo está se ma-ribando.

 Tivesse eu algum poder.
Eu saberia o que fazer.
Não haveria em todo mundo.
Nenhuma criança, a sofrer.

Neste natal a Deus eu vou pedir.
Amor para os pequeninos.
Alegria para quem chora.
E pão para os pobrezinhos.

E se eu conseguir ajudar quem sofre.
E a cada um, eu dar a minha mão.
Vou passar o natal feliz com certeza.
Mas com muita paz, no coração.

(Joaquim Rodrigues)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"Fica" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                                (Joaquim Rodrigues)

sábado, 30 de novembro de 2013

"Final Feliz"


Muito se escreveu depois sobre aquele velho homem que vinha a subir vagarosamente a rua com um passo inseguro e, todavia, determinado. Por mais do que uma vez teve de se deter, ganhar fôlego, retomar a marcha, seguindo em frente pelo passeio estreito. A subida, um pouco inclinada, para ele, era como uma escalada vertiginosa. Ainda assim, não vacilou na vontade de chegar ao seu destino, persistente, confiante de que o esforçou valia a pena.
Via-se que era um homem elegante, alto, enxuto, exuberante, vestido com esmero, mesmo se envergando um fato de corte antiquado, de colete cuidadosamente abotoado. Usava uma camisa branca, uma gravata clara com o nó grosso corretamente apertado, e não descurara o pormenor do lenço perfumado ao peito, no bolso do casaco. Era, em suma, um homem orgulhoso com uma vida longa, de muitas conquistas. Mais tarde, apurou-se que teria pouco mais de oitenta anos e, apesar do desfecho ingrato dessa caminhada matinal, encontrava-se em boa forma.
Chegou a meio da rua, virou a esquina, seguiu a direito ao longo do muro alto que entrava por um jardim que havia ao fundo, formando um vasto canto verdejante e fresco de árvores frondosas e caminhos calcetados, delimitados por largos espaços de relva viçosa, bem aparada. O velho homem foi em busca de um banco público nesse jardim agradável e abrigado do burburinho inquietante do trânsito das primeiras horas, que agitava a rua do colégio que ele demorara muito a subir. Sentou-se, enfim, extenuado, no banco de madeira. Pescou do bolso do colete um relógio de ouro preso a uma corrente, abriu a tampa com dedos trémulos, consultou com espanto a hora exata a que o seu coração exausto parou, definitivamente.

(Joaquim Rodrigues)
Uma mulher que se aproximava reparou que ele viu as horas e olhou para ela a sorrir, antes de deixar cair o queixo sobre o peito. O rosto escondido pela aba negra do chapéu de feltro dava a impressão de que dormitava. Mas não!
Estranhamente, constatou-se que não trazia documentos e não foi possível identificá-lo. A sua fotografia saiu nos jornais dos dias seguintes e o país inquietou-se com o mistério do ancião elegante que ninguém conhecia, até acabar esquecido sem uma resolução satisfatória. Não se inteirou quem era ele nem o seu propósito nessa derradeira manhã.
Mas se houvesse forma de descobrir o que o levara ali, ficar-se-ia a saber que ia ao encontro da mulher que amara mais do que todas. Um dia, essa mulher especial prometera encontrar-se com ele naquele jardim, mas não aparecera. Contudo, por alguma razão insondável, ele imaginara que ela viria naquela manhã e que ficariam, enfim, juntos por muitos e muitos anos. Na verdade, morreu feliz, convencido de que ela estava a chegar.

(30/11/2013)
(Joaquim Rodrigues)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"Delilah" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                                 (Joaquim Rodrigues)

"Sou um Convencido"


Todas as coisas boas, como o amor e a sabedoria, nunca trazem a felicidade pela simples razão que as coisas boas têm, para ser boas, de ser «boas por si mesmas». Não podem ser boas por aquilo que trazem. Pelo contrário, têm um preço. O mais das vezes, o preço do amor e da sabedoria, ambos artigos finos, artigos de luxo, coisas boas, é a infelicidade.
Quando gente ama, ou quando se estuda muito, ficamos sujeito às vontades e às verdades mais alheias. Nada depende de nós ou quase nada. E sofremos. Irritamos as pessoas que esperam que o amor traga a felicidade. É como esperar que os morangos tragam as natas. O amor não é um meio para atingir um fim. Não é através do amor que se chega à felicidade. O amor é um exagerador, exagera os êxtases e as agonias, torna tudo o que não lhe diz respeito (como o mundo inteiro) numa coisa pequenina. Assim como a arte tem de ser pela arte e a ciência pela ciência (seria um horror ouvir alguém dizer.

(Joaquim Rodrigues)
- Eu quero ser pintor ou biólogo para ganhar muito dinheiro e ir a muitas festas e ter duas carrinhas Volvo com galgos do Afeganistão lá dentro.
 O amor tem de ser só pelo amor. Custe o que custar. Ora, o amor é uma coisa rara. Para se ser feliz, é preciso ser-se um pouco cegueta. Entre as coisas que as pessoas miseráveis, normais, estão sempre a chamar às pessoas felizes, há, ingénua, lírica, naïf, boazinha. Aquela de que gosto mais.
 - É, vives noutro mundo?
Haverá coisa melhor do que viver noutro mundo, para quem conheça minimamente este?
Não acreditar que alguém nos queira fazer mal é um sinal seguro de felicidade. Quem é mesmo feliz é a pessoa que pensa.
- “No fundo, até os meus inimigos gostam um bocadinho de mim” É por isso que as pessoas felizes são sempre bastante convencidas como eu o sou.

(Joaquim Rodrigues)