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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"Uma noite feliz"



No salão de portas abertas, soltam-se os sons musicais de uma banda onde todos os fim-de semana faz encher o espaço noturno, com diversão até de madrugada. A voz do vocalista da banda é profunda, acompanhada por musicos com muita experiencia, canta uma música de Roberto Carlos, “Sorriso bonito, olhar de quem sabe, um pouco da vida”. Ele encostado ao balcão, embala o gelo no copo... de uísque. Tem um cigarro esquecido a queimar entre os dedos a pensar nela, espera por ela sem saber se vem.
Da janela ao fundo do salão chegam-lhe rumores de vidas alheias, gargalhadas, passos na calçada molhada de uma chuva recente que lhe atraem o olhar. Dois vultos fugazes passam lá fora de braço dado, ficando-lhe registados na retina como uma fotografia tremida ao piscar do néon azul, branco, violeta, que ilumina as letras gastas do nome que dá ao salão de baile. Ele pensa nela, imagina-se a dançar com ela enquanto espera por ela sem saber se vem.
A banda agora toca "I'm Just a scarecrow without you Baby, please don't disappear, I beg your pardon dear”. E o seu cantor canta do fundo da alma.
Ela surge à porta, dá alguns passos já no interior do salão. Ali parada, consegue ver a luz amarela que incide sobre o pianista da banda. Vê as suas mãos tranquilas correndo ao de leve sobre o teclado, e ouve a voz profunda, de quem canta: "Eu nunca quis dizer aquelas coisas que eu te disse, aquilo era uma paisagem na minha cabeça"I didn't mean those things I Said You are the landscape of my dreams”.
(Joaquim Rodrigues)
Ela localiza-o encostado ao balcão do bar, a fazer-lhe sinal com o braço levantado, um copo na mão, como que saudando a sua chegada.
Ele segue-a com os olhos à medida que ela se aproxima. Traz um vestido cor de areia, justo na cintura, que brilha ligeiramente no escuro, o cabelo apanhado, brincos, duas luas cheias nas orelhas, um sorriso triste. Juntam-se num longo abraço, e o vocalista canta, "I beg your pardon dear".
Ele pousou o copo no balcão, apagou o cigarro, segura-a pela mão, leva-a para o centro da pista estreita-a contra si passando-lhe os braços pela cintura. Ela passa os seus à volta do pescoço dele.
Dançam assim, devagar. Ela esconde o rosto nele. Ele sente-a respirar no seu pescoço, sente-lhe o perfume no seu cabelo. Depois fá-la rodopiar numa volta lenta e segura-a pela mão quando ela se desequilibra ao rodar sobre os sapatos a rir-se. Puxa-a e ela volta para ele. Continuam abraçados depois de a música acabar, desejando prolongar a madrugada que se aproxima do fim. Pensam que poderiam ficar sempre assim, mas a noite está a terminar e com ela a magia. Amanhã volta tudo ao normal.
- Gosto tanto disto, diz ela.
- Danças mais uma comigo? Pergunta ele.
- Claro que sim, ainda estamos aqui, ainda estamos a dançar, responde-lhe ela.

(18/01/2014)
Joaquim Rodrigues

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