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quinta-feira, 30 de maio de 2013

"Um Inesquecivel Momento"


Está sentada no largo cadeirão de cabedal gasto, o seu favorito, na sala. Tem as pernas recolhidas sob si, puxa as calças do pijama para tapar os pés descalços, distraidamente, sem tirar os olhos da página que lê. Mas logo fecha o livro no colo, tendo um pensamento súbito, talvez sugerido pela leitura, levanta os olhos e observa-o a ler o dele, sentado no outro sofá.
- Nunca mais serei aquela que um dia fui, murmura.
Ele levanta os olhos do livro, surpreendido. Vê que o contempla com um olhar melancólico e Sorri-lhe, ela sorri-lhe de volta, acentuando a melancolia na sua doce expressão.
- Que disseste? Pergunta ele.
- Estava a pensar que, depois de ti, nunca mais serei aquela que um dia fui. Diz, como se fosse uma consciencialização de algo que sabia mas nunca ponderou, e que agora a atinge, reveladoramente. Ele sorri-lhe ainda, desconfiado do seu pensamento.
- Algum arrependimento de última hora? Pergunta ele.
Ela sorri-lhe ainda mais, com uma secreta euforia de felicidade, porque está com ele e é tudo o que deseja, apesar de ser ainda um pouco irreal. Abana a cabeça.
- Nenhum arrependimento, afirma, pelo contrário.
- Ah, bom, diz ele, agora assustaste-me.

(Joaquim Rodrigues)
Ela ri-se e a curta gargalhada ecoa na sala de escassa mobília, que tanto trabalho lhes deu e, no entanto, continua a parecer vazia. Mudaram-se há quase uma semana e é a primeira noite que sossegam, que pegam num livro, que não estão sempre a falar.
- Lê o teu livro, estava só a pensar alto, diz ela, voltando a abrir o seu no colo, esperançada que ele não se renda à leitura. Ele recomeça a ler, mas não consegue voltar a concentrar-se nas palavras. Desiste, pergunta-lhe.
- Mas porque pensaste isso? O que queres dizer?
- Não te preocupes, foi um pensamento bom, responde-lhe, satisfeita porque ele não aguentou nem um minuto em silêncio.
- Mas, pensaste alto, agora explica-me, insiste ele.
Ela vê-o um pouco preocupado e isso agrada-lhe, dá-lhe segurança, entende-o como um sinal de que gosta dela e não a quer perder. Mas quer sossegá-lo.
- Está bem, diz, eu explico, estava a pensar que só nos conhecemos há uns meses e já me mudaste para melhor. Estou feliz e nunca mais serei a mesma. Percebes agora?
- Sim, diz ele, mais descansado.
- Acho que é importante pensarmos nas coisas que nos fazem felizes, acrescenta ela, eu pensei nisto agora e tenho a certeza de que nunca mais me vou esquecer deste momento, aqui contigo.
- Como a chuva a cair-nos no rosto numa tarde quente, diz ele a brincar.
- Isso mesmo, concorda, séria. Ele levanta-se, aproxima-se, fá-la levantar-se, abraça-a, e diz-lhe.
  - Tens razão, sabes? Também não me vou esquecer deste momento, nunca mais.

(28/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 29 de maio de 2013

"Quero Viver" (HD) Joaquim Rodrigues


"Só há uma Vida"



As palavras são como falsos.
Desde que as promessas os desonram!
Elas tornam-se de tal maneira impostoras.
Que me repugna servir-me delas.
Para provar que tenho a minha razão.
 
Afinal aprendemos.
Que é difícil traçar uma linha reta.
Ser amigo, e não ferir sentimentos.
Mas ao mesmo tempo.
Lutar pelos nossos ideais valores.
E pelas coisas em que acreditamos na vida.
 
Podemos facilmente perdoar.
Uma criança que tem medo do escuro.
A real tragedia da vida.
É quando um homem tem medo da Luz.
 
Há três coisas na vida.
Que nunca voltam atrás.
A flecha lançada.
A palavra pronunciada.
E a oportunidade perdida.
 
(29/05/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 27 de maio de 2013

"Boa noite Tristeza" (HD) Joaquim Rodrigues


"Existência"

(Joaquim Rodrigues)
 
Sempre existe um motivo.
Nas nossas vidas.
Para acharmos.
Que não fomos bons.
O suficiente.
 
E que se torna por vezes.
Uma batalha perdida.
No final de cada episódio.
De nossas vidas.
 
Durante a nossa vida.
Conhecemos pessoas.
Que vêm, E que ficam.
Outras que vêm e passam.
 
Existem aquelas.
Que vêm e ficam.
E depois de algum tempo.
Se vão.
 
Mas existem aquelas.
Que vêm e se vão.
Mas com uma.
Enorme vontade de ficar!
 
(26/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"A Minha é a tua Escolha" (HD) Joaquim Rodrigues


domingo, 26 de maio de 2013

"Um Amor Urgênte"


Ele sai do prédio onde ela vivia! Um pouco desorientado. Acabou de saber pela vizinha dela que já não a apanhou. Chega à rua e procura um táxi. Mas não vê nenhum. Vem um autocarro e entra sem pensar, mas logo percebe que não tem passe nem moedas para pagar o bilhete. Discute com o motorista, diz-lhe que é uma urgência, o homem olha para ele espantado.
  - Que tipo de urgência? Pergunta.
  - Uma urgência de amor! Exclama, um pouco mais alto do que pretendia, mas a aflição e a irredutibilidade do motorista levam-no a quase gritar.
  - Ó, meu amigo, urgências dessas são todos os dias! Replica o homem, ou paga o bilhete ou sai.
- Tem multibanco? Pergunta, já desesperado.
O motorista oferece-lhe uma daquelas expressões de falta de paciência. Ele ergue as mãos, como se pedisse desculpa.
- Só perguntei, diz.
O motorista força um sorriso, como que a chamar-lhe parvo. Várias mãos estendem-se na sua direção, mãos de passageiros solidários que lhe oferecem moedas. Agradece-lhes muito, paga, percorre o corredor do autocarro com um sorriso embaraçado de gratidão. Tenta o telemóvel, nada. O autocarro é demasiado lento. Olha para o relógio, tem quarenta e cinco minutos, no máximo. Olha pela janela e vê um táxi vazio que acompanha o autocarro. Faz-lhe sinais com as mãos, mas o taxista não o vê. Dali a pouco estão os passageiros todos a acenar ao táxi. O homem vê-os, encosta no primeiro sinal, ele grita ao motorista para abrir a porta, o motorista grita de volta que só na próxima paragem, os passageiros gritam ao motorista, este encolhe os ombros. Salta do autocarro mais à frente e entra no táxi.
  - Para o aeroporto por favor rápido, indica.
 
(Joaquim Rodrigues)
Já só tem trinta minutos. O aeroporto está mesmo ali à frente, a um quilómetro, mas o trânsito não avança. Decide sair e correr. Já só tem quinze minutos. Entra no aeroporto com falta de ar. Chega ao controlo dos bilhetes, explica.
 - Por favor preciso de falar com uma passageira que já entrou, é uma urgência.
O segurança diz que não pode passar, indica-lhe um balcão onde poderá pedir para chamarem a pessoa pelos altifalantes. Faltam cinco minutos. Não chegou a tempo. Cansado e desiludido, com a camisa toda molhada de transpirado senta-se a uma mesa no bar, ainda afogueado, desmoralizado e com ar triste. No entanto, levanta a cabeça e ali está ela.
  - Não partiste?
  - Não, depois da vergonha que me fizeste passar, responde-lhe, a sorrir.
Ele também sorri.
  - Desculpa.
No derradeiro minuto, arrancou o microfone à funcionária e fez-lhe uma declaração de amor que foi ouvida em todo o aeroporto. Ela avisou que já não partia e saiu da sala de embarque debaixo de uma salva de palmas e assobios felizes.
- Não podia deixar-te partir assim, diz ele.
Ela abana a cabeça, desconcertada.
  - O que vou fazer contigo?
  - Fica comigo o resto da vida, diz, e logo saberás.

(26/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Obrigado" (HD) Joaquim Rodrigues


sábado, 25 de maio de 2013

"Eu Vi a Mão de Deus"

(Joaquim Rodrigues)

 
Eu olhei! E vi a mão de Deus.
Ela parecia estar em toda parte.
No Sol, no Ceu, no horizonte.
No sorriso das pessoas.
Que cruzavam por mim.

Para tudo que eu olhei, eu vi uma luz.
O que parece ter chamado atenção.
Era uma mão muito iluminada.
Aquela mão dava paz, a quem a merecia.
A quem fazia o bem.

Uma mão, que se desviava.
De quem mentia, de quem culpava.
Sinto pena, poucos a terem visto.
Mas ela estava ali, tão pertinho de mim.
E em toda a parte.

Nas águas, nas árvores, nos pássaros.
Que por aqui passaram, e em tudo.
Do mais vulgar que havia.
Mas parecia falar?  Ama sempre.
Faz o bem, e receberás o bem!


Uma mão incrivelmente linda.
E poderosa! Trouxe vida.
A quem por ali andava. Eu vi!
Poucos a viram mas a mão está por perto.
Está em toda a parte.
 

E vai dando sua graça com prazer.
A todos que acreditam nela.
Em todo o lado eu vi, a mão de Deus!
 (25/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Um Sorriso Apaixonado" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Sorriso"


Ele foi sozinho passar alguns dias de férias a um país estrangeiro, que no seu caso, sempre representa uma aventura assinalável, porque sempre o fez acompanhado! Mas desta vez não deu, foi mesmo só! Há mais de 20 anos sempre tivera um interesse especial em conhecer aquele país, só o conhecia pela televisão, e até aí bastava-lhe. Meteu-se ao caminho e lá foi ele apanhar o transporte que o levaria ao sonho de 20 anos. E desta vez o faria distanciar de sua casa mais de 6000 Km. De modo que se deixou ir atrás de uma curiosidade nova, e decidiu conhecer outro país que não o seu. Escolheu-o sem critério. Dado que desconhecia o mundo todo, pensou que qualquer um lhe servia para começar.
E agora ali está ele, na capital de um país distante, pasmado com uma pirâmide de vidro. À sua frente tem um museu e decide entrar. Aguarda na fila, compra o bilhete, percorre as salas com quadros de pintores célebres de que nunca ouviu falar. Há um pequeno, que todos querem ver e mostra o retrato de uma mulher com um sorriso enigmático. Não percebe por que motivo esse quadro atrai tanta gente, mas fica preso à ambiguidade daquele sorriso tímido. Sente uma vontade irresistível de comentar o assunto com alguém, olha em redor, à direita está uma mulher da sua idade.
 - É estranho o sorriso dela, diz, parece que não estava nada interessada em ser retratada.

(Joaquim Rodrigues)
A mulher olha para ele, um pouco espantada. Não percebeu o que disse, mas depois começa a falar numa língua desconhecida. Nenhum dos dois compreende o que o outro diz, mas de repente ela cala-se, encolhe os ombros e oferece-lhe um sorriso encantador que o deixa rendido.
Estão sozinhos numa cidade estranha, desamparados, sem saberem falar a língua local, mas aquele sorriso aberto é suficiente para se entenderem. Ambos precisam de companhia e continuam juntos pelo museu fora, comentando por gestos o que veem. À saída ele vira-se para ela e pergunta-lhe.
 - Quer vir comigo tomar um café?
Ela percebe a palavra café, sorri-lhe de novo com aquela expressão que o cativou na primeira vez.
 - Café, ok! Responde.
Descobrem uma esplanada e sentam-se a uma mesa, felizes por estarem juntos, divertidos com a comunicação errática, procurando maneiras imaginativas de se fazerem entender. E desde esse dia e durante os dias que se seguem não se largaram mais, bastando-lhes sempre um sorriso quando a língua falhava.

(07/09/2012)
Joaquim Rodrigues

"Um Anjo" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Anjo"



Um dia me chamaste de anjo.
E eu, me senti no céu!
Imaginei que tinha umas asas enormes!
E com carinho te abraçava com elas.
E, te protegia de todos os teus medos.
 
E eu, ao teu lado me sentia um herói!
Um herói orgulhoso por ser teu protetor.
Por te ter ali junto a mim.
Que foi sempre o que mais desejei!
 
E assim finalmente te olhar nos olhos.
Te tocar quando eu quisesse.
Te dar todo meu carinho, te beijar.
Afinal eu gosto de viver abraçado ao amor.
 
Mas minha querida amiga, minha amada.
Tens que aprender também a saber.
Que os anjos também fraquejam como tudo na vida!
Fraquejam porque têm coração como todos os seres vivos!
 
Os anjos também amam minha querida.
Os anjos também fraquejam.
Tanto vestem a capa de heróis que são suas asas.
Como se deixam cair, e ficam à mercê do coração!
 
Mas hoje quero-te lembrar que te adoro!
Adoro quando me chamas de teu anjo!
Me arrepia, eu fico como paralisado.
Sem saber o que te responder!
 
Eu tenho tanta coisa para te dizer!
Mas penso que vai chegar o dia!
De te apertar num abraço.
E te chamar de minha querida.
 
Tenho pensado tanto como é preciso aprender.
E saber perder, saber ouvir, e não responder!
Prefiro ficar calado quando não quero dizer o que penso.
Do que ter que falar e não te dizer nada.
 
Mas por favor nunca pares de me chamar anjo.
adoro que me toques com palavras, mexe comigo.
E lembra-te sempre que um homem.
Quando fica calado perante uma mulher.
É porque tem muita consideração por ela!
 
(19/12/ 2012)
Joaquim Rodrigues

"Fragil" (HD) Joaquim Rodrigues


"Escolhas Erradas"


Quando sinto a noite chegar.
E aquela brisa do mar, a me envolver.
De ti sempre me irei lembrar.
E não tenho teus braços, para me aquecer.
 
Vou-me sentir muito triste e até só.
Me lembrando de todos, nossos bons momentos.
E envolvido nesta minha tristeza, de dar dó.
Me lembrarei da felicidade daqueles tempos.
 
Agora sei, como era feliz e não sabia.
E mesmo assim, te mandei embora.
Só me resta apenas, este vazio, agora.
 
E seguir a minha vida com lembranças.
Vou pedir a Deus felicidade.
Que deitei fora, e só colhi tempestade, não bonanças.
 
(24/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Um conto que não estava Bem" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Varanda do Hotel"


Foi há muito, muito tempo, mas ele lembra-se como se fosse hoje desse episódio fugaz que o marcou indelevelmente a vida. De tempos a tempos ainda regressa ao hotel onde a conheceu, já não com a esperança de a reencontrar, embora, no fundo, persista a fantasia de imaginar como seria se desse com ela tantos anos depois. Faz hoje exatamente dez anos que se conheceram na larga varanda onde serviam refeições leves. Lembra-se de ter fechado os olhos protegidos pelos óculos escuros, deleitado com o Sol quente do final desse Inverno, e, ao reabri-los, ter reparado que ela se sentara à mesa do lado. Sorriu-lhe, ela retribuiu. Era uma mulher bonita e o seu cabelo, de um amarelo quase branco, fulgia com o reflexo da intensa claridade do dia. Acendeu um cigarro, estendeu-lhe o maço, ela rejeitou educadamente.
- Obrigado, não fumo, disse.
Comentou que era agradável aproveitar aquela varanda num dia soalheiro. Ela concordou. Continuou a falar. Não era o seu género meter conversa, muito menos sair-se bem, mas estava inspirado, eloquente, bem-disposto, fê-la rir-se com gosto. À frente deles estendia-se um extraordinário jardim desenhado à tesoura, com sebes geometricamente recortadas. A conversa fluiu pela tarde, continuou durante um passeio tranquilo pelo jardim florido, acabou de novo na varanda com o Sol mortiço, uma chávena de chá. E, no final do dia, ficaram com a sensação de se conhecerem há muito. Convidou-a para jantar, ela recusou.
 

 - Hoje não posso, disse, mas talvez amanhã, se nos encontrarmos aqui.
- Combinado, respondeu, entusiasmado.
- Combinadíssimo, reforçou ela, sorridente.
No entanto, no dia seguinte não compareceu ao encontro e, ainda hoje, ele não sabe porquê. Não estava hospedada no hotel e não havia forma de a localizar, perdeu-lhe irremediavelmente o rasto. Contudo, ficou sempre aquela impressão de se entenderem perfeitamente, de natural cumplicidade. Agora, sentado à mesma mesa, na mesma varanda do hotel, fecha os olhos e imagina que, ao reabri-los, como seria ao descobri-la sentada ali ao lado como na primeira vez. Isso não acontece, evidentemente. Mais tarde, ao sair do hotel, cruza-se com uma mulher de cabelo loiro quase branco no preciso momento em que o empregado o chama, trazendo uma chave esquecida, e ele, voltando-se para o homem, não dá atenção ao vulto que passa por trás de si. Ela também não lhe vê o rosto e não o reconhece de costas. Ele vai-se embora e ela vai sentar-se na varanda, à mesma mesa de sempre, onde, por vezes, gosta de aproveitar o sol e imaginar como seria se ele aparecesse de repente e retomassem a conversa como se não tivessem passado dez anos.

(10/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Partidas" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tu Consegues"



Tu vais conseguir com o tempo, tudo o que queres.
E vais perceber também, que para se ser feliz.
Com uma outra pessoa.
Tu precisas em primeiro lugar, não precisares dela.
 
Percebes também, que aquele alguém que tu amas.
Ou achas que amas, mas que não quer nada contigo.
Definitivamente não é a pessoa da tua vida.
Tu vais aprender a gostar de ti, a cuidar de ti.
 
E principalmente gostar de quem também gosta de ti.
O segredo é não correr atrás das borboletas.
E sim cuidar do teu jardim, para que essas borboletas.
Venham até ti no final de contas.
 
Tu vais encontrar quem estás procurando, tenho a certeza.
Como vais encontrar, quem está procurando por ti!
EH! Eu acredito, que tu vais conseguir encontrar o que queres.
Mas por favor, tens que aprender primeiro a gostar de ti.
 
(22/05/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 21 de maio de 2013

"Lenda" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Minha Avó"

(Joaquim Rodrigues)
Parece que ainda estou a ver a minha avó ao longe na sua silhueta descontraída, vestida de tarde, essa sim era uma mulher, e nunca lhe fizeram homenagem alguma por ter sido mulher como hoje fazem. (hoje a mulher tem muitas vénias, tem até o seu dia internacional).
Minha avó subia a calçada na calma amarelada do dia que suportava uma beleza silenciosa. Era já velha com os seus oitenta anos (a idade não serve só para envelhecer), magra, de mãos enroladas, vestida de negro, rosto cansado pelos tantos anos já vividos sobre aquela face que, tantas tardes, como aquela já viu e viveu.
Sobe com a energia possível, carregada de umas sacas de quilos de compras, que ao passar pela mercearia ela as tinha pedido que as pesasse. Quando chegava ao cimo da calçada chegava sempre transpirada mas feliz, ela foi uma mulher feliz, o que não entendo é que era feliz para que todos os outros o fôssemos, principalmente os que a rodeava como eu. Hoje sei que era verdadeira e pura, a felicidade da minha avó.
Quando chega o Dia Internacional da Mulher, é bonito, fica mesmo bem, é fixe tecer comentários elogiosos sobre a mulher. Quase nenhum especialista que se pronuncia pelos média, a torto e a direito, e pretende exibi-la como género superior a expõe, e a apresenta como a origem de conflitos. Ninguém a quer ver como personagem capaz de incendiar uma casa, estragar uma relação, de levar aos arames uma companhia, uma família.
A mulher de hoje não é a mãe querida, que se torna na avó querida de outrora, e da fantasia, que se perdia por entre tachos e panelas, e que nos criava sempre debaixo da saia, com o amor e o carinho de mulher, que reluzia por dentro. Já sei que a vida é feita de coisas boas e más, que existem pessoas más e boas pessoas, mas temos que falar disso porque é preciso. A mulher do tempo moderno não é deusa, e é cada vez mais espécie do sexo feminino, mais capa de revista, do urbano e mundano, e menos da cozinha e do consenso sociofamiliar. Sobre ela atraem necessidades novas, apelam exigências sociais que moldam para padrões de vida exigentes e egoístas, às vezes degradantes, que lhe induziram características que não a beneficiam, antes a despem, antes a tomam mais dependente, insatisfeita, mais objeto, que outros mais bem-intencionados a anunciam como revolução e emancipação.
Coisa polémica será sempre a mulher de hoje! Para mim, a minha Avó, e todas as avós do mundo, hoje como sempre merecem uma homenagem!

(11/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Gostasses Tu de mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Cofre"

(Joaquim Rodrigues)

 
Para todos os meus amigos.
Hoje tenho uma verdade a dizer.
Mas para o saber.
 
Vais ter é que ler tudo o que te escrevo aqui!
Se o fizeres, vais passar a conhecer-me melhor.
E ai, ficarás mais há vontade.
Para comentares algo de mim.
Mas com todo o respeito claro.

Quando eu amo alguém.
Eu guardo esse amor.
No meu cofre a sete chaves.
Assim ninguém conseguirá.
Roubar o que de mais importante.
Eu tenho na minha vida.

Amar é olhar para dentro de nós mesmo.
E dizer! Eu quero, é viver intensamente.
E sonhar, e me perder no meio de tantos sonhos!
 

É estar presente mesmo até na ausência.
É vencer através do silêncio.
Amar é ser adulto e criança ao mesmo tempo.
É viver a vida em versos.
A maior e mais emocionante experiência humana.

Amar é ter o Sol, e querer só se aquecer nele.
É ter o Céu azul e querer apenas uma estrela.
É ter o Mar e querer apenas uma gota de Água.
Amar é ter o Mundo, a seus pés.
E apenas querer-vos a todos aqui.
Guardados no meu cofre.
(21/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Tudo tem Limite" (HD) Joaquim Rodrigues


segunda-feira, 20 de maio de 2013

"Perdidos na Festa"


Passadas quatro horas de se conhecerem na festa. Ele diz-lhe em tom de brincadeira.
- Se algum dia a reencontrar, peço-a em casamento.
 Ela ri-se,super divertida, mas não o leva a sério. Estão rodeados de gente que conversa e dança ao ritmo da música da banda que toca num estrado. É a primeira vez que ele veio a este arraial, que só acontece uma vez por ano, e é a primeira vez que fala com ela. Conheceu-a por acaso, deu com ela no meio da confusão, sorriu-lhe, disse uma piada e ainda ali estão, quatro horas depois, a conversar, a rir-se, em perfeita harmonia, entendendo-se instintivamente. Há uma alegria que os rodeia, que os preenche, apesar de só saberem o nome próprio um do outro, pois nem lhes ocorreu perguntar mais nada. É, para ambos, definitivamente, uma noite divertida com a pessoa certa. Os copos estão vazios, ele oferece-se para ir buscar mais duas cervejas. Ela aceita, diz que fica ali à espera. Ele demora-se no bar, porque há muita gente ao balcão e poucos empregados. Quando volta ao local onde a deixou, ela já não está lá. Olha em redor, por entre centenas de rostos iluminados por luzes frenéticas que alternam de cor a cada segundo, mas não a vê. Procura-a por todo o recinto da festa, fura por entre corpos que se apertam no espaço exíguo para tanta gente, examina todas as áreas, indiferente às vozes, aos rumores de gargalhadas, concentrado só no objetivo de a localizar, determinado a descobri-la naquela confusão alegre. Mas é como se ela se tivesse evaporado, não a encontra em lado nenhum.
 

Ao fim da noite, regressa a casa, sozinho e frustrado, perguntando-se o que terá acontecido, o que a terá levado a ir-se embora. Pensou que ela tinha gostado de si, que estavam em sintonia, e no entanto perdeu-a, ou ela foi-se embora, não sabe.
Volta ao mesmo arraial no ano seguinte e vem do bar com duas cervejas na mão quando se vê defronte dela no exato lugar onde a deixara na festa anterior. Reconhece-a imediatamente.
  - Demoraste um ano a trazer essas cervejas, diz ela com graça, satisfeita por o ver novamente.
Ele entrega-lhe o copo que era para um amigo e pergunta-lhe.
- O que lhe aconteceu?
 - Fui à casa de banho e, quando voltei, nunca mais te vi.
- Procurei-te por todo o lado, diz ele.
- E eu a ti, responde ela.
 - Queres casar comigo? Pergunta-lhe algumas horas depois.
Ela solta uma gargalhada. Não te esqueceste da promessa, repara.
 - Claro que não, exclama ele, fingindo-se indignado.
Passou um ano. É a terceira vez que vão ao arraial e a primeira em que vão juntos. Casaram há quinze dias, mas fizeram questão de voltar a tempo da festa onde se conheceram, e se perderam, e se reencontraram. E já decidiram que hão-de continuar a vir todos os anos.

(19/05/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 18 de maio de 2013

"Beijo Gelado" (HD) Joaquim Rodrigues


"Hoje no Cinema"


Já não podes mais negar.
te deixas transparecer.
não queres mais continuar.
no cinema, deu para ver.
 
Sei, que sou difícil de lidar.
e muito te faço sofrer.
mas juro, nunca te quis magoar.
com medo de te perder.

Eu sempre fui, e sou assim.
já me tentaram foi mudar.
 tenho é este defeito em mim.
nasci assim, nasci para me dar.
 
Sinto é medo de ficar sozinho.
 isso é que me faz refletir.
mas um coração com carinho.
tem sempre um caminho a seguir.
 
por amor, sempre quis tentar.
mas nunca mudar meu ser.
não gosto, te ver chorar.
no momento de te perder.
 
numa relação a dois.
a vida é para viver e amar.
se nada ficar para depois.
vale sempre a pena, continuar.

(17/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"Mulher" (HD) Joaqum Rodrigues


"As Pontas do Cabelo"


- Amor, tu não reparas-te nada de novo em mim?
 - hmmmm, não sei. Não sei mesmo, o que é que tu tens de novo?
 - Vá lá. Tenta. Já disseste algumas coisas contínuas.
 - Os sapatos. São os sapatos. São? Esses sapatos são novos? Não tinhas já esses sapatos?
 - Frio, muito frio. Já, já tinha estes. Até os comprei contigo. Já os tenho há uma data de tempo.
- Não sei então! A sério, não sei mesmo. Estou aqui há cinco minutos a dizer se é disto, se é daquilo, já estou a ficar um bocado sem juízo. Diz lá.
 - Não digo. Repara tu. Não desistas. Tem mais graça assim. Faz um esforço.
 - Já disse que não sei. Um esforço estou eu a fazer desde que cheguei.
- Não notas nada?
 - Não, já disse que não noto nada.
 - Não vês nada diferente em mim? Não há nada um bocadinho diferente?
 - Mas tu estás a gozar comigo? Não, não noto nada diferente. já te disse. E começo a achar que sim, que estás a gozar comigo.
 - Não, não estou a gozar contigo. Pensava é que ias reparar. É só isso.
 - Pois, eu também pensava que ia reparar. Quando perguntaste se eu não tinha notado nada diferente em ti, até me senti mal por não ter dado conta. «É o costume», já sei que é o que tu vais dizer. Mas palavra que eu não consigo perceber o que é.
 - Então faz um esforço, bolas! Esforça-te. Procura. Puxa pela cabeça. Olha para mim com olhos de ver. Se estou a perguntar-te é por alguma razão, não achas?
 - Mas eu já olhei. Não faço outra coisa desde que perguntaste.
 - Sabes o que é que eu acho? Que tu não reparas em mim. Agora a serio. Não reparas, pois não? Não olhas para mim, sequer. Vivo contigo há cinco anos, mas tu não olhas para mim. Eu podia ter o cabelo a arder, vestido de baiana, um macaco em cima do ombro, que tu não ias reparar. Nem sei bem se tu me conheces. A sério. Não faças essa cara, estou a falar a sério. Tu não me conheces.
- Oh, valham-me os santinhos. Para o que havíamos de estar fadados a esta hora da noite. São oito horas. Tenho fome. Vamos jantar. Não sei o que te deu nem de onde é que veio essa conversa. Não amues, vá lá.


(Joaquim Rodrigues)

- Eu não estou a amuar. Estou só triste porque tu não reparaste. Nunca reparas em nada. Se não for eu a chamar-te a atenção, tu nem olhas para mim. - Mas reparar no quê? Reparar no quê? Já te perguntei se tinhas cortado o cabelo. Disseste que não. Não arranjaste os dentes. Não tens uns óculos novos. A tua cara está igual ao que estava hoje quando saí de casa. Esse casaco é o mesmo. Acho. Essas calças são as mesmas. Os sapatos, pelos vistos, também. Palavra de honra, não sei o que queres que eu note de diferente em ti. Não aumentaste de peso num dia. Não diminuíste de peso. Eu não sei o que possa ser. Só sei que estou com fome e estamos aqui há uma data de tempo porque tu estás a amuar.
 - Já te disse que não estou a amuar. Olha, é o cinto. Estás contente? É o cinto?
- O cinto? Tu estás a fazer este escarfeu todo por causa da porra do cinto? Tu estavas à espera de que eu reparasse nisso? E ficaste assim porque eu não reparei num cinto?
 - Eu estou-me nas tintas para o cinto. Quero é que tu repares em mim.
 - Mas eu reparo em ti querido. Só não tenho muita pachorra quando tens esses ataques de diva e pareces uma gaja. A sério. As mulheres é que ficam assim quando os maridos não reparam que elas cortaram meio centímetro de cabelo porque tinham as pontas espigadas. Ou quando não veem que elas têm uma cor de Báton nova. Vá não amues,
- Não estou amuado.
- Então anda jantar.
 - Não vou. Não tenho fome. Vou ficar aqui. De braços cruzados. Eu e o meu cinto novo. Aquele em que tu não reparaste.

(16/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Desejo" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Amor e o Tempo"

(Joaquim Rodrigues)
Pela montanha alcantilada.
Todos quatro em alegre companhia.
O Amor, O Tempo, a minha Amada.
E eu, subia-mos um dia.
 
Da minha amada no gentil semblante.
Já se viam indícios de cansaço.
O amor passava-nos adiante.
E o tempo acelerava-nos o passo.
 
- Amor, amor! Mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira.
Não pode com certeza caminhar.
A minha, doce companheira!
 
De súbito, o amor e o tempo, combinados.
Abrem as asas trémulas ao vento.
- Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis? Neste momento?
 
Volta-se o amor e diz com azedume.
- Tende paciência, amigos, meus!
Eu sempre tive este costume.
De fugir com o tempo.
Adeus, adeus!
 
(16/05/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 14 de maio de 2013

"Longos Momentos" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tormento de Amor"

(Joaquim Rodrigues)

Nada, me importa agora.
Tudo morreu para mim.
Não tenho dia nem hora.
Só uma tristeza sem-fim.

Meu amor por ti morreu.
E só agora é que vejo.
Como te amava Deus meu.
Era amor era desejo.

Não me quiseste lamento.
Tinha tanto para te dar.
E só recordo um tormento.

Tormento que já passou.
Mas que ainda me faz chorar.
Porque em mim nada ficou.
 

(14/05/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 12 de maio de 2013

"Carrie" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Passado com História"



Ela tem um velho rádio no balcão da cozinha, que gosta de ligar de manhã. Acorda muito cedo, arranja-se, dá as suas voltas pela casa e acaba na cozinha. Fica a ouvir música enquanto prepara uma refeição a contar com a filha que costuma vir almoçar. Mas não esteve sempre sozinha, perdeu o marido no ano passado. A filha quando senta-se à mesa acha-a um pouco abatida, e diz-lhe.
- Tens que começar a sair mais mãe.
- Não me apetece sair, responde-lhe, antes ia a todo o lado, mas era com o teu pai.
- Quem me dera ter um casamento como o vosso, desabafa a filha, a pensar no namorado que deixou há pouco.
- Ah, não julgues que foram só alegrias, diz ela. Antes de nos casarmos, estivemos dois anos sem nos vermos.
- A sério? Não sabia isso, diz a filha, espantada.
Ele era um jovem co-piloto no início da carreira e passava muito tempo a voar. Estavam apaixonados e já falavam em casamento, mas ela quase não o via, e acabaram por se separar. Dois anos mais tarde, ela está noiva e vai casar dali a uma semana. Quando se encontram num bar. Ela tem o anel de noivado no dedo e faz a despedida de solteira com um grupo de amigas. Os seus olhos cruzam-se e, nesse preciso momento, ela sente um impacto tremendo, como se o passado nunca tivesse passado realmente e ele estivesse ali porque lhe pertence, porque pertencem naturalmente um ao outro. Não consegue vê-lo de outra maneira. Ele aproxima-se, ela tem uns escassos segundos para se recompor, e ficam por uns momentos a conversar. Conta-lhe
- Vou-me casar, estou aqui nesta festinha com minhas amigas como despedida de solteira.
Nessa noite ela não dorme sossegada, não consegue conciliar o sono, enfim, não dorme de todo. De manhã batem à porta, ela vai abrir e ali está ele, à sua frente.
- Que fazes aqui? Pergunta-lhe, estupefacta.
- Não foi fácil dar contigo, afirma ele.
- Mudei-me há dois anos.
- Eu sei, também te procurei nessa altura e tinhas desaparecido.
- Eu nunca soube que me procuraras, pensei que tinhas desistido de mim, simplesmente.
- Nunca desisti de ti, diz ele, achei que tinha sido o contrário, que não me querias ver, e daí a tua mudança de casa.
Ela não sabe o que pensar, não sabe o que dizer nem o que fazer. Ele está ali, e ela vai casar-se com outro. Ele convida-a para almoçar e, sem que o tivessem planeado, passam o dia juntos, e os seguintes.
 - De modo que casei na data prevista, mas com o teu pai, conta à filha. Foi terrível o que fiz ao outro, diz, parecendo ainda embaraçada com a situação, mas era o homem da minha vida e não podia desistir dele, nunca desisti, na realidade, só pensava que não o podia ter.
A filha, incrédula, emocionada, pensa na história da mãe, no namorado, na asneira que foi deixá-lo, e decide que tem de fazer algo rapidamente para não o perder de vez.

(12/05/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 10 de maio de 2013

"Preciso de Ti" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Luz dos meus Olhos"


Senta-te aqui a meu lado, amor!
Gostas que te conte segredos?
 
Sempre que eu penso em ti.
Tenho a sensação, de ver teus olhos.
 
Eles olham para mim, e têm um sorriso lindo.
Me faz lembrar sempre, esta paisagem.
 
E me dá paz, só de lembrar esse teu olhar.
A luz que vejo é do pôr-do-sol, no horizonte.

E no seu interior um mundo cheio de amor.
Um sorriso belo! Deslumbrante, que me seduz.
 
Que revela uma alegria provocante.
É a primeira coisa que vejo todos os dias.
 
Tu és tão linda, e me faz sorrir meu coração.
Que tenho pensado, que só pode ser amor!
 
(10/05/2013)
Joaquim Rodrigues

" Perfeito Coração" (HD) Joaquim Rodrigues


"Falar de Amor"


Numa manhã cinzenta desta semana, vi um velhote com um ramo de cinco túlipas vermelhas na mão, e me fez ficar curioso! Quando o vi, eu tinha acabado de abrir minha janela pela manhã.
O velhote ia com o ramo empinado na mão, reparei que nem a sua posição, nem o seu rosto denotavam qualquer informação que pudesse dar a entender a curiosidade que existe em mim. Fiquei curioso, porque ainda meio adormecido, eu queria era saber para quem ele levava o ramo das tulipas vermelhas. Naquele momento não deixei de pensar!
   “Um dia, quando eu tiver a idade dele, e já estiver demasiado antiquado. Se esta cena se passar comigo nessa altura, prometo Joaquim, tu vais-te sentir muito feliz! Porque um velhinho na rua com flores na mão, e depois de sair do seu carro, tem sempre história garantida, e tem história daquelas que deveriam estar nos nossos murais todos os dias, e não estão! Por falta de tempo, por inércia, porque deixamos de nos importar com as coisas pequenas da vida. Fossem as túlipas para uma amante tardia, ou para uma mulher precocemente falecida, ali havia uma história com toda certeza!"
 
(Joaquim Rodrigues)
E eu sabia que ali havia mais do que uma simples história. Havia uma história à qual eu poderia acrescentar algum mural nela, espécie de fábula que nos ajudam a explicar o mundo real com base em moralidades e supostos, que todos nós conhecemos.
 Aquele homem ia levar flores a alguém, sem que isso tivesse sido obrigado pelo calendário que é o dia dos namorados. Antecipou-se, até! A sua agenda era diferente da economia e do comércio mundial. A sua idade, a sua experiencia, o facto de ser do tempo em que não havia dia de S. Valentim a leste do seu mundo cultural! Tudo isso, e muito mais poderia estar na origem da sua decisão de comprar flores num dia qualquer.
E isso para mim, dava um bom final para a minha história de amor! Como me dá um bom argumento para este meu texto em que me obrigou a falar do meu futuro. E a sonhar que ainda aí serei muito feliz, caminhando na rua com um ramo de túlipas vermelhas na mão.
O romantismo de que estamos todos necessitados, não pode vir só em dias como aquele que está marcado no calendário para se namorar, como aquele velhinho o fez! Afinal, nunca foi proibido, falar de amor, todos os dias!

(09/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Queres Falar" (HD) Joaquim Rodrigues


quinta-feira, 9 de maio de 2013

"Até Já"


Sinto os meus pés cansados.
Minha mente leva-me ao alto.
Ao pico da montanha.
Esse sim é o meu objetivo.
 
É onde eu quero chegar.
Onde eu preciso chegar.
Quero me sentir e me esquecer.
De todo o fardo, que tem a cara do mundo.
 
Meu corpo se curva a cada passo meu.
E ficam pelo caminho, as sementes.
Do que não quero.
Eu seleciono tudo.
 
E a espaços sinto sede de ti.
Mas tu ficaste pelo caminho.
Agora há um lugar vazio.
Para quem chegar.

Mas neste momento.
Chegar ao alto da montanha.
É o meu objetivo, só pergunto.
Como serei eu, lá no alto?
 
Eh! Ainda não sei.
Talvez na descida, eu veja.
Que tudo afinal está melhor.
Agora o objetivo, é lá chegar ao cimo.
 
Então! Até já?
 
(09/05/2013)
Joaquim Rodrigues.

"Bebé Azul" (HD) Joaquim Rodrigues


"Obrigado"


A todos os invejosos, o meu muito obrigado!
A todos eles, fico agradecido por terem cuidado
Da minha vida.
E por me ajudarem a ver, o valor da sua amizade.

 Reparei que cuidaram, muito bem!
Enquanto eles perdiam o seu tempo.
Eu resolvia os meus problemas.
E ia, me sentindo, muito feliz.

 Àqueles que tentaram derrubar-me.
Só me resta agradecer, obrigado!
Porque perderam tempo e paciência.
E me deixarem muito mais forte.

 Aos que traíram minha amizade.
Também lhes agradeço!
Obrigado, por me ensinarem.
A ignorar quem não presta!

 (08/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"És meu Vicio" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Último Romãntico"

Ana tem 55 anos e o Carlos 57! Eles namoraram, na adolescência, e depois terminaram tudo. Casaram com outras pessoas, fizeram as suas vidas, tiveram filhos. Mas, por força do destino, por coincidência ou simplesmente porque sim!
«Eu prefiro a versão do destino», um dia voltaram a encontrar-se. Eles mal se viram! Logo se aproximaram um do outro, e deram um abraço demorado e tudo deixou de se mover naquele momento, e só passado alguns segundos, notaram que daquele abraço eles os dois já estavam a precisar desde à trinta e muitos anos. Como se o mundo tivesse ficado, assim, congelado, trinta anos à espera deste reencontro. Ana ainda trazia ao pescoço uma medalha que Carlos lhe tinha destinado, há trinta anos, para o Dia de São Valentim.
Começaram a viver juntos no final do ano passado, e um dia destes casam. Aquele sonho com que faz o Carlos ser um homem romântico está quase acontecer! Esperou três décadas, mas brevemente vai concretizar-se. O de Ana já passou à prática. Foi lindo os ver recordar, o tempo da adolescência! A Ana contou.
 - Sabes, ainda uso esta medalha que trago ao pescoço em forma de colar, sempre a estimei durante estas décadas, senti sempre que esta medalha me fazia recordar o primeiro beijo, a primeira discussão como só os adultos o faziam. nesta medalha está cá tudo.
Ele sorrindo feliz por Ana ainda ter a medalha que ele se lembra muito bem lhe ter oferecido, diz.
 - Lembro-me quando tu te metes-te comigo, lembra ele.


Ana abana a cabeça.
- «Não, não, não, nada disso, tu sim!
- Uma vez eu estava a jogar flippers e tu começaste a dar-me empurrões, uns toques, uns pontapés, responde ele.
Ana arqueia o sobrolho, e nega tal coisa, respondendo.
 - Tu é que não paravas de me fazer olhinhos, e atiravas larachas para me provocar.
Não importa. O que interessa para o caso é que, quando ela tinha 14 anos e ele 16, em Agosto de 70, começaram um namorico, muito amaldiçoado por uma fação da família dela, que não queria ver a filha namorar um rapaz lá da terra.
- Os meus pais achavam que eu era muito nova, mas sobretudo odiavam o falatório. E além disso creio que o meu pai sentia que uma relação com um rapaz da terra era um recuar nos planos que ele tinha para mim. Ele queria mais para a filha como todos os pais. Mas lembro-me muito bem que apesar da idade, tu fos-te para mim o homem mais romântico que eu um dia namorei, e ao longo do tempo quando eu ouvia falar de romantismo logo me lembrava de ti, diz ela no seu jeito. Mas quando eu tive que ter a difícil tarefa de te informar que meus pais não concordavam com nada daquilo? Nem emaginas, sempre me escapou uma lágrima por me lembrar tudo isso! Então uso esta medalha que tu um dia me deste, porque sempre a amei muito.
Ele abraçou-a e lhe deu um beijo carinhoso na testa, e tapando-lhe com mão a boca, respondeu.
 - Pronto amor, não digas mais nada, isso foi à trinta anos.

(08/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Romantico" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Poema"



O poema é como um corpo, de mulher.
Tem de ser suave, leve, e belo.
 
Tem de possuir, pontos sensíveis.
Que com um simples toque o faça vibrar.
 
Tem de ser forte, delicado flexível.
Mas inquebrável.
 
Para alguns é impenetrável.
Mas para alguém é especial.
É aberto transparente claro.
 
  (14/03/2013)
Joaquim Rodrigues