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sábado, 25 de maio de 2013

"O Sorriso"


Ele foi sozinho passar alguns dias de férias a um país estrangeiro, que no seu caso, sempre representa uma aventura assinalável, porque sempre o fez acompanhado! Mas desta vez não deu, foi mesmo só! Há mais de 20 anos sempre tivera um interesse especial em conhecer aquele país, só o conhecia pela televisão, e até aí bastava-lhe. Meteu-se ao caminho e lá foi ele apanhar o transporte que o levaria ao sonho de 20 anos. E desta vez o faria distanciar de sua casa mais de 6000 Km. De modo que se deixou ir atrás de uma curiosidade nova, e decidiu conhecer outro país que não o seu. Escolheu-o sem critério. Dado que desconhecia o mundo todo, pensou que qualquer um lhe servia para começar.
E agora ali está ele, na capital de um país distante, pasmado com uma pirâmide de vidro. À sua frente tem um museu e decide entrar. Aguarda na fila, compra o bilhete, percorre as salas com quadros de pintores célebres de que nunca ouviu falar. Há um pequeno, que todos querem ver e mostra o retrato de uma mulher com um sorriso enigmático. Não percebe por que motivo esse quadro atrai tanta gente, mas fica preso à ambiguidade daquele sorriso tímido. Sente uma vontade irresistível de comentar o assunto com alguém, olha em redor, à direita está uma mulher da sua idade.
 - É estranho o sorriso dela, diz, parece que não estava nada interessada em ser retratada.

(Joaquim Rodrigues)
A mulher olha para ele, um pouco espantada. Não percebeu o que disse, mas depois começa a falar numa língua desconhecida. Nenhum dos dois compreende o que o outro diz, mas de repente ela cala-se, encolhe os ombros e oferece-lhe um sorriso encantador que o deixa rendido.
Estão sozinhos numa cidade estranha, desamparados, sem saberem falar a língua local, mas aquele sorriso aberto é suficiente para se entenderem. Ambos precisam de companhia e continuam juntos pelo museu fora, comentando por gestos o que veem. À saída ele vira-se para ela e pergunta-lhe.
 - Quer vir comigo tomar um café?
Ela percebe a palavra café, sorri-lhe de novo com aquela expressão que o cativou na primeira vez.
 - Café, ok! Responde.
Descobrem uma esplanada e sentam-se a uma mesa, felizes por estarem juntos, divertidos com a comunicação errática, procurando maneiras imaginativas de se fazerem entender. E desde esse dia e durante os dias que se seguem não se largaram mais, bastando-lhes sempre um sorriso quando a língua falhava.

(07/09/2012)
Joaquim Rodrigues

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