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sábado, 25 de maio de 2013

"Escolhas Erradas"


Quando sinto a noite chegar.
E aquela brisa do mar, a me envolver.
De ti sempre me irei lembrar.
E não tenho teus braços, para me aquecer.
 
Vou-me sentir muito triste e até só.
Me lembrando de todos, nossos bons momentos.
E envolvido nesta minha tristeza, de dar dó.
Me lembrarei da felicidade daqueles tempos.
 
Agora sei, como era feliz e não sabia.
E mesmo assim, te mandei embora.
Só me resta apenas, este vazio, agora.
 
E seguir a minha vida com lembranças.
Vou pedir a Deus felicidade.
Que deitei fora, e só colhi tempestade, não bonanças.
 
(24/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Um conto que não estava Bem" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Varanda do Hotel"


Foi há muito, muito tempo, mas ele lembra-se como se fosse hoje desse episódio fugaz que o marcou indelevelmente a vida. De tempos a tempos ainda regressa ao hotel onde a conheceu, já não com a esperança de a reencontrar, embora, no fundo, persista a fantasia de imaginar como seria se desse com ela tantos anos depois. Faz hoje exatamente dez anos que se conheceram na larga varanda onde serviam refeições leves. Lembra-se de ter fechado os olhos protegidos pelos óculos escuros, deleitado com o Sol quente do final desse Inverno, e, ao reabri-los, ter reparado que ela se sentara à mesa do lado. Sorriu-lhe, ela retribuiu. Era uma mulher bonita e o seu cabelo, de um amarelo quase branco, fulgia com o reflexo da intensa claridade do dia. Acendeu um cigarro, estendeu-lhe o maço, ela rejeitou educadamente.
- Obrigado, não fumo, disse.
Comentou que era agradável aproveitar aquela varanda num dia soalheiro. Ela concordou. Continuou a falar. Não era o seu género meter conversa, muito menos sair-se bem, mas estava inspirado, eloquente, bem-disposto, fê-la rir-se com gosto. À frente deles estendia-se um extraordinário jardim desenhado à tesoura, com sebes geometricamente recortadas. A conversa fluiu pela tarde, continuou durante um passeio tranquilo pelo jardim florido, acabou de novo na varanda com o Sol mortiço, uma chávena de chá. E, no final do dia, ficaram com a sensação de se conhecerem há muito. Convidou-a para jantar, ela recusou.
 

 - Hoje não posso, disse, mas talvez amanhã, se nos encontrarmos aqui.
- Combinado, respondeu, entusiasmado.
- Combinadíssimo, reforçou ela, sorridente.
No entanto, no dia seguinte não compareceu ao encontro e, ainda hoje, ele não sabe porquê. Não estava hospedada no hotel e não havia forma de a localizar, perdeu-lhe irremediavelmente o rasto. Contudo, ficou sempre aquela impressão de se entenderem perfeitamente, de natural cumplicidade. Agora, sentado à mesma mesa, na mesma varanda do hotel, fecha os olhos e imagina que, ao reabri-los, como seria ao descobri-la sentada ali ao lado como na primeira vez. Isso não acontece, evidentemente. Mais tarde, ao sair do hotel, cruza-se com uma mulher de cabelo loiro quase branco no preciso momento em que o empregado o chama, trazendo uma chave esquecida, e ele, voltando-se para o homem, não dá atenção ao vulto que passa por trás de si. Ela também não lhe vê o rosto e não o reconhece de costas. Ele vai-se embora e ela vai sentar-se na varanda, à mesma mesa de sempre, onde, por vezes, gosta de aproveitar o sol e imaginar como seria se ele aparecesse de repente e retomassem a conversa como se não tivessem passado dez anos.

(10/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Partidas" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tu Consegues"



Tu vais conseguir com o tempo, tudo o que queres.
E vais perceber também, que para se ser feliz.
Com uma outra pessoa.
Tu precisas em primeiro lugar, não precisares dela.
 
Percebes também, que aquele alguém que tu amas.
Ou achas que amas, mas que não quer nada contigo.
Definitivamente não é a pessoa da tua vida.
Tu vais aprender a gostar de ti, a cuidar de ti.
 
E principalmente gostar de quem também gosta de ti.
O segredo é não correr atrás das borboletas.
E sim cuidar do teu jardim, para que essas borboletas.
Venham até ti no final de contas.
 
Tu vais encontrar quem estás procurando, tenho a certeza.
Como vais encontrar, quem está procurando por ti!
EH! Eu acredito, que tu vais conseguir encontrar o que queres.
Mas por favor, tens que aprender primeiro a gostar de ti.
 
(22/05/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 21 de maio de 2013

"Lenda" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Minha Avó"

(Joaquim Rodrigues)
Parece que ainda estou a ver a minha avó ao longe na sua silhueta descontraída, vestida de tarde, essa sim era uma mulher, e nunca lhe fizeram homenagem alguma por ter sido mulher como hoje fazem. (hoje a mulher tem muitas vénias, tem até o seu dia internacional).
Minha avó subia a calçada na calma amarelada do dia que suportava uma beleza silenciosa. Era já velha com os seus oitenta anos (a idade não serve só para envelhecer), magra, de mãos enroladas, vestida de negro, rosto cansado pelos tantos anos já vividos sobre aquela face que, tantas tardes, como aquela já viu e viveu.
Sobe com a energia possível, carregada de umas sacas de quilos de compras, que ao passar pela mercearia ela as tinha pedido que as pesasse. Quando chegava ao cimo da calçada chegava sempre transpirada mas feliz, ela foi uma mulher feliz, o que não entendo é que era feliz para que todos os outros o fôssemos, principalmente os que a rodeava como eu. Hoje sei que era verdadeira e pura, a felicidade da minha avó.
Quando chega o Dia Internacional da Mulher, é bonito, fica mesmo bem, é fixe tecer comentários elogiosos sobre a mulher. Quase nenhum especialista que se pronuncia pelos média, a torto e a direito, e pretende exibi-la como género superior a expõe, e a apresenta como a origem de conflitos. Ninguém a quer ver como personagem capaz de incendiar uma casa, estragar uma relação, de levar aos arames uma companhia, uma família.
A mulher de hoje não é a mãe querida, que se torna na avó querida de outrora, e da fantasia, que se perdia por entre tachos e panelas, e que nos criava sempre debaixo da saia, com o amor e o carinho de mulher, que reluzia por dentro. Já sei que a vida é feita de coisas boas e más, que existem pessoas más e boas pessoas, mas temos que falar disso porque é preciso. A mulher do tempo moderno não é deusa, e é cada vez mais espécie do sexo feminino, mais capa de revista, do urbano e mundano, e menos da cozinha e do consenso sociofamiliar. Sobre ela atraem necessidades novas, apelam exigências sociais que moldam para padrões de vida exigentes e egoístas, às vezes degradantes, que lhe induziram características que não a beneficiam, antes a despem, antes a tomam mais dependente, insatisfeita, mais objeto, que outros mais bem-intencionados a anunciam como revolução e emancipação.
Coisa polémica será sempre a mulher de hoje! Para mim, a minha Avó, e todas as avós do mundo, hoje como sempre merecem uma homenagem!

(11/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Gostasses Tu de mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Cofre"

(Joaquim Rodrigues)

 
Para todos os meus amigos.
Hoje tenho uma verdade a dizer.
Mas para o saber.
 
Vais ter é que ler tudo o que te escrevo aqui!
Se o fizeres, vais passar a conhecer-me melhor.
E ai, ficarás mais há vontade.
Para comentares algo de mim.
Mas com todo o respeito claro.

Quando eu amo alguém.
Eu guardo esse amor.
No meu cofre a sete chaves.
Assim ninguém conseguirá.
Roubar o que de mais importante.
Eu tenho na minha vida.

Amar é olhar para dentro de nós mesmo.
E dizer! Eu quero, é viver intensamente.
E sonhar, e me perder no meio de tantos sonhos!
 

É estar presente mesmo até na ausência.
É vencer através do silêncio.
Amar é ser adulto e criança ao mesmo tempo.
É viver a vida em versos.
A maior e mais emocionante experiência humana.

Amar é ter o Sol, e querer só se aquecer nele.
É ter o Céu azul e querer apenas uma estrela.
É ter o Mar e querer apenas uma gota de Água.
Amar é ter o Mundo, a seus pés.
E apenas querer-vos a todos aqui.
Guardados no meu cofre.
(21/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Tudo tem Limite" (HD) Joaquim Rodrigues


segunda-feira, 20 de maio de 2013

"Perdidos na Festa"


Passadas quatro horas de se conhecerem na festa. Ele diz-lhe em tom de brincadeira.
- Se algum dia a reencontrar, peço-a em casamento.
 Ela ri-se,super divertida, mas não o leva a sério. Estão rodeados de gente que conversa e dança ao ritmo da música da banda que toca num estrado. É a primeira vez que ele veio a este arraial, que só acontece uma vez por ano, e é a primeira vez que fala com ela. Conheceu-a por acaso, deu com ela no meio da confusão, sorriu-lhe, disse uma piada e ainda ali estão, quatro horas depois, a conversar, a rir-se, em perfeita harmonia, entendendo-se instintivamente. Há uma alegria que os rodeia, que os preenche, apesar de só saberem o nome próprio um do outro, pois nem lhes ocorreu perguntar mais nada. É, para ambos, definitivamente, uma noite divertida com a pessoa certa. Os copos estão vazios, ele oferece-se para ir buscar mais duas cervejas. Ela aceita, diz que fica ali à espera. Ele demora-se no bar, porque há muita gente ao balcão e poucos empregados. Quando volta ao local onde a deixou, ela já não está lá. Olha em redor, por entre centenas de rostos iluminados por luzes frenéticas que alternam de cor a cada segundo, mas não a vê. Procura-a por todo o recinto da festa, fura por entre corpos que se apertam no espaço exíguo para tanta gente, examina todas as áreas, indiferente às vozes, aos rumores de gargalhadas, concentrado só no objetivo de a localizar, determinado a descobri-la naquela confusão alegre. Mas é como se ela se tivesse evaporado, não a encontra em lado nenhum.
 

Ao fim da noite, regressa a casa, sozinho e frustrado, perguntando-se o que terá acontecido, o que a terá levado a ir-se embora. Pensou que ela tinha gostado de si, que estavam em sintonia, e no entanto perdeu-a, ou ela foi-se embora, não sabe.
Volta ao mesmo arraial no ano seguinte e vem do bar com duas cervejas na mão quando se vê defronte dela no exato lugar onde a deixara na festa anterior. Reconhece-a imediatamente.
  - Demoraste um ano a trazer essas cervejas, diz ela com graça, satisfeita por o ver novamente.
Ele entrega-lhe o copo que era para um amigo e pergunta-lhe.
- O que lhe aconteceu?
 - Fui à casa de banho e, quando voltei, nunca mais te vi.
- Procurei-te por todo o lado, diz ele.
- E eu a ti, responde ela.
 - Queres casar comigo? Pergunta-lhe algumas horas depois.
Ela solta uma gargalhada. Não te esqueceste da promessa, repara.
 - Claro que não, exclama ele, fingindo-se indignado.
Passou um ano. É a terceira vez que vão ao arraial e a primeira em que vão juntos. Casaram há quinze dias, mas fizeram questão de voltar a tempo da festa onde se conheceram, e se perderam, e se reencontraram. E já decidiram que hão-de continuar a vir todos os anos.

(19/05/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 18 de maio de 2013

"Beijo Gelado" (HD) Joaquim Rodrigues


"Hoje no Cinema"


Já não podes mais negar.
te deixas transparecer.
não queres mais continuar.
no cinema, deu para ver.
 
Sei, que sou difícil de lidar.
e muito te faço sofrer.
mas juro, nunca te quis magoar.
com medo de te perder.

Eu sempre fui, e sou assim.
já me tentaram foi mudar.
 tenho é este defeito em mim.
nasci assim, nasci para me dar.
 
Sinto é medo de ficar sozinho.
 isso é que me faz refletir.
mas um coração com carinho.
tem sempre um caminho a seguir.
 
por amor, sempre quis tentar.
mas nunca mudar meu ser.
não gosto, te ver chorar.
no momento de te perder.
 
numa relação a dois.
a vida é para viver e amar.
se nada ficar para depois.
vale sempre a pena, continuar.

(17/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"Mulher" (HD) Joaqum Rodrigues


"As Pontas do Cabelo"


- Amor, tu não reparas-te nada de novo em mim?
 - hmmmm, não sei. Não sei mesmo, o que é que tu tens de novo?
 - Vá lá. Tenta. Já disseste algumas coisas contínuas.
 - Os sapatos. São os sapatos. São? Esses sapatos são novos? Não tinhas já esses sapatos?
 - Frio, muito frio. Já, já tinha estes. Até os comprei contigo. Já os tenho há uma data de tempo.
- Não sei então! A sério, não sei mesmo. Estou aqui há cinco minutos a dizer se é disto, se é daquilo, já estou a ficar um bocado sem juízo. Diz lá.
 - Não digo. Repara tu. Não desistas. Tem mais graça assim. Faz um esforço.
 - Já disse que não sei. Um esforço estou eu a fazer desde que cheguei.
- Não notas nada?
 - Não, já disse que não noto nada.
 - Não vês nada diferente em mim? Não há nada um bocadinho diferente?
 - Mas tu estás a gozar comigo? Não, não noto nada diferente. já te disse. E começo a achar que sim, que estás a gozar comigo.
 - Não, não estou a gozar contigo. Pensava é que ias reparar. É só isso.
 - Pois, eu também pensava que ia reparar. Quando perguntaste se eu não tinha notado nada diferente em ti, até me senti mal por não ter dado conta. «É o costume», já sei que é o que tu vais dizer. Mas palavra que eu não consigo perceber o que é.
 - Então faz um esforço, bolas! Esforça-te. Procura. Puxa pela cabeça. Olha para mim com olhos de ver. Se estou a perguntar-te é por alguma razão, não achas?
 - Mas eu já olhei. Não faço outra coisa desde que perguntaste.
 - Sabes o que é que eu acho? Que tu não reparas em mim. Agora a serio. Não reparas, pois não? Não olhas para mim, sequer. Vivo contigo há cinco anos, mas tu não olhas para mim. Eu podia ter o cabelo a arder, vestido de baiana, um macaco em cima do ombro, que tu não ias reparar. Nem sei bem se tu me conheces. A sério. Não faças essa cara, estou a falar a sério. Tu não me conheces.
- Oh, valham-me os santinhos. Para o que havíamos de estar fadados a esta hora da noite. São oito horas. Tenho fome. Vamos jantar. Não sei o que te deu nem de onde é que veio essa conversa. Não amues, vá lá.


(Joaquim Rodrigues)

- Eu não estou a amuar. Estou só triste porque tu não reparaste. Nunca reparas em nada. Se não for eu a chamar-te a atenção, tu nem olhas para mim. - Mas reparar no quê? Reparar no quê? Já te perguntei se tinhas cortado o cabelo. Disseste que não. Não arranjaste os dentes. Não tens uns óculos novos. A tua cara está igual ao que estava hoje quando saí de casa. Esse casaco é o mesmo. Acho. Essas calças são as mesmas. Os sapatos, pelos vistos, também. Palavra de honra, não sei o que queres que eu note de diferente em ti. Não aumentaste de peso num dia. Não diminuíste de peso. Eu não sei o que possa ser. Só sei que estou com fome e estamos aqui há uma data de tempo porque tu estás a amuar.
 - Já te disse que não estou a amuar. Olha, é o cinto. Estás contente? É o cinto?
- O cinto? Tu estás a fazer este escarfeu todo por causa da porra do cinto? Tu estavas à espera de que eu reparasse nisso? E ficaste assim porque eu não reparei num cinto?
 - Eu estou-me nas tintas para o cinto. Quero é que tu repares em mim.
 - Mas eu reparo em ti querido. Só não tenho muita pachorra quando tens esses ataques de diva e pareces uma gaja. A sério. As mulheres é que ficam assim quando os maridos não reparam que elas cortaram meio centímetro de cabelo porque tinham as pontas espigadas. Ou quando não veem que elas têm uma cor de Báton nova. Vá não amues,
- Não estou amuado.
- Então anda jantar.
 - Não vou. Não tenho fome. Vou ficar aqui. De braços cruzados. Eu e o meu cinto novo. Aquele em que tu não reparaste.

(16/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Desejo" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Amor e o Tempo"

(Joaquim Rodrigues)
Pela montanha alcantilada.
Todos quatro em alegre companhia.
O Amor, O Tempo, a minha Amada.
E eu, subia-mos um dia.
 
Da minha amada no gentil semblante.
Já se viam indícios de cansaço.
O amor passava-nos adiante.
E o tempo acelerava-nos o passo.
 
- Amor, amor! Mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira.
Não pode com certeza caminhar.
A minha, doce companheira!
 
De súbito, o amor e o tempo, combinados.
Abrem as asas trémulas ao vento.
- Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis? Neste momento?
 
Volta-se o amor e diz com azedume.
- Tende paciência, amigos, meus!
Eu sempre tive este costume.
De fugir com o tempo.
Adeus, adeus!
 
(16/05/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 14 de maio de 2013

"Longos Momentos" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tormento de Amor"

(Joaquim Rodrigues)

Nada, me importa agora.
Tudo morreu para mim.
Não tenho dia nem hora.
Só uma tristeza sem-fim.

Meu amor por ti morreu.
E só agora é que vejo.
Como te amava Deus meu.
Era amor era desejo.

Não me quiseste lamento.
Tinha tanto para te dar.
E só recordo um tormento.

Tormento que já passou.
Mas que ainda me faz chorar.
Porque em mim nada ficou.
 

(14/05/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 12 de maio de 2013

"Carrie" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Passado com História"



Ela tem um velho rádio no balcão da cozinha, que gosta de ligar de manhã. Acorda muito cedo, arranja-se, dá as suas voltas pela casa e acaba na cozinha. Fica a ouvir música enquanto prepara uma refeição a contar com a filha que costuma vir almoçar. Mas não esteve sempre sozinha, perdeu o marido no ano passado. A filha quando senta-se à mesa acha-a um pouco abatida, e diz-lhe.
- Tens que começar a sair mais mãe.
- Não me apetece sair, responde-lhe, antes ia a todo o lado, mas era com o teu pai.
- Quem me dera ter um casamento como o vosso, desabafa a filha, a pensar no namorado que deixou há pouco.
- Ah, não julgues que foram só alegrias, diz ela. Antes de nos casarmos, estivemos dois anos sem nos vermos.
- A sério? Não sabia isso, diz a filha, espantada.
Ele era um jovem co-piloto no início da carreira e passava muito tempo a voar. Estavam apaixonados e já falavam em casamento, mas ela quase não o via, e acabaram por se separar. Dois anos mais tarde, ela está noiva e vai casar dali a uma semana. Quando se encontram num bar. Ela tem o anel de noivado no dedo e faz a despedida de solteira com um grupo de amigas. Os seus olhos cruzam-se e, nesse preciso momento, ela sente um impacto tremendo, como se o passado nunca tivesse passado realmente e ele estivesse ali porque lhe pertence, porque pertencem naturalmente um ao outro. Não consegue vê-lo de outra maneira. Ele aproxima-se, ela tem uns escassos segundos para se recompor, e ficam por uns momentos a conversar. Conta-lhe
- Vou-me casar, estou aqui nesta festinha com minhas amigas como despedida de solteira.
Nessa noite ela não dorme sossegada, não consegue conciliar o sono, enfim, não dorme de todo. De manhã batem à porta, ela vai abrir e ali está ele, à sua frente.
- Que fazes aqui? Pergunta-lhe, estupefacta.
- Não foi fácil dar contigo, afirma ele.
- Mudei-me há dois anos.
- Eu sei, também te procurei nessa altura e tinhas desaparecido.
- Eu nunca soube que me procuraras, pensei que tinhas desistido de mim, simplesmente.
- Nunca desisti de ti, diz ele, achei que tinha sido o contrário, que não me querias ver, e daí a tua mudança de casa.
Ela não sabe o que pensar, não sabe o que dizer nem o que fazer. Ele está ali, e ela vai casar-se com outro. Ele convida-a para almoçar e, sem que o tivessem planeado, passam o dia juntos, e os seguintes.
 - De modo que casei na data prevista, mas com o teu pai, conta à filha. Foi terrível o que fiz ao outro, diz, parecendo ainda embaraçada com a situação, mas era o homem da minha vida e não podia desistir dele, nunca desisti, na realidade, só pensava que não o podia ter.
A filha, incrédula, emocionada, pensa na história da mãe, no namorado, na asneira que foi deixá-lo, e decide que tem de fazer algo rapidamente para não o perder de vez.

(12/05/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 10 de maio de 2013

"Preciso de Ti" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Luz dos meus Olhos"


Senta-te aqui a meu lado, amor!
Gostas que te conte segredos?
 
Sempre que eu penso em ti.
Tenho a sensação, de ver teus olhos.
 
Eles olham para mim, e têm um sorriso lindo.
Me faz lembrar sempre, esta paisagem.
 
E me dá paz, só de lembrar esse teu olhar.
A luz que vejo é do pôr-do-sol, no horizonte.

E no seu interior um mundo cheio de amor.
Um sorriso belo! Deslumbrante, que me seduz.
 
Que revela uma alegria provocante.
É a primeira coisa que vejo todos os dias.
 
Tu és tão linda, e me faz sorrir meu coração.
Que tenho pensado, que só pode ser amor!
 
(10/05/2013)
Joaquim Rodrigues

" Perfeito Coração" (HD) Joaquim Rodrigues


"Falar de Amor"


Numa manhã cinzenta desta semana, vi um velhote com um ramo de cinco túlipas vermelhas na mão, e me fez ficar curioso! Quando o vi, eu tinha acabado de abrir minha janela pela manhã.
O velhote ia com o ramo empinado na mão, reparei que nem a sua posição, nem o seu rosto denotavam qualquer informação que pudesse dar a entender a curiosidade que existe em mim. Fiquei curioso, porque ainda meio adormecido, eu queria era saber para quem ele levava o ramo das tulipas vermelhas. Naquele momento não deixei de pensar!
   “Um dia, quando eu tiver a idade dele, e já estiver demasiado antiquado. Se esta cena se passar comigo nessa altura, prometo Joaquim, tu vais-te sentir muito feliz! Porque um velhinho na rua com flores na mão, e depois de sair do seu carro, tem sempre história garantida, e tem história daquelas que deveriam estar nos nossos murais todos os dias, e não estão! Por falta de tempo, por inércia, porque deixamos de nos importar com as coisas pequenas da vida. Fossem as túlipas para uma amante tardia, ou para uma mulher precocemente falecida, ali havia uma história com toda certeza!"
 
(Joaquim Rodrigues)
E eu sabia que ali havia mais do que uma simples história. Havia uma história à qual eu poderia acrescentar algum mural nela, espécie de fábula que nos ajudam a explicar o mundo real com base em moralidades e supostos, que todos nós conhecemos.
 Aquele homem ia levar flores a alguém, sem que isso tivesse sido obrigado pelo calendário que é o dia dos namorados. Antecipou-se, até! A sua agenda era diferente da economia e do comércio mundial. A sua idade, a sua experiencia, o facto de ser do tempo em que não havia dia de S. Valentim a leste do seu mundo cultural! Tudo isso, e muito mais poderia estar na origem da sua decisão de comprar flores num dia qualquer.
E isso para mim, dava um bom final para a minha história de amor! Como me dá um bom argumento para este meu texto em que me obrigou a falar do meu futuro. E a sonhar que ainda aí serei muito feliz, caminhando na rua com um ramo de túlipas vermelhas na mão.
O romantismo de que estamos todos necessitados, não pode vir só em dias como aquele que está marcado no calendário para se namorar, como aquele velhinho o fez! Afinal, nunca foi proibido, falar de amor, todos os dias!

(09/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Queres Falar" (HD) Joaquim Rodrigues


quinta-feira, 9 de maio de 2013

"Até Já"


Sinto os meus pés cansados.
Minha mente leva-me ao alto.
Ao pico da montanha.
Esse sim é o meu objetivo.
 
É onde eu quero chegar.
Onde eu preciso chegar.
Quero me sentir e me esquecer.
De todo o fardo, que tem a cara do mundo.
 
Meu corpo se curva a cada passo meu.
E ficam pelo caminho, as sementes.
Do que não quero.
Eu seleciono tudo.
 
E a espaços sinto sede de ti.
Mas tu ficaste pelo caminho.
Agora há um lugar vazio.
Para quem chegar.

Mas neste momento.
Chegar ao alto da montanha.
É o meu objetivo, só pergunto.
Como serei eu, lá no alto?
 
Eh! Ainda não sei.
Talvez na descida, eu veja.
Que tudo afinal está melhor.
Agora o objetivo, é lá chegar ao cimo.
 
Então! Até já?
 
(09/05/2013)
Joaquim Rodrigues.

"Bebé Azul" (HD) Joaquim Rodrigues


"Obrigado"


A todos os invejosos, o meu muito obrigado!
A todos eles, fico agradecido por terem cuidado
Da minha vida.
E por me ajudarem a ver, o valor da sua amizade.

 Reparei que cuidaram, muito bem!
Enquanto eles perdiam o seu tempo.
Eu resolvia os meus problemas.
E ia, me sentindo, muito feliz.

 Àqueles que tentaram derrubar-me.
Só me resta agradecer, obrigado!
Porque perderam tempo e paciência.
E me deixarem muito mais forte.

 Aos que traíram minha amizade.
Também lhes agradeço!
Obrigado, por me ensinarem.
A ignorar quem não presta!

 (08/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"És meu Vicio" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Último Romãntico"

Ana tem 55 anos e o Carlos 57! Eles namoraram, na adolescência, e depois terminaram tudo. Casaram com outras pessoas, fizeram as suas vidas, tiveram filhos. Mas, por força do destino, por coincidência ou simplesmente porque sim!
«Eu prefiro a versão do destino», um dia voltaram a encontrar-se. Eles mal se viram! Logo se aproximaram um do outro, e deram um abraço demorado e tudo deixou de se mover naquele momento, e só passado alguns segundos, notaram que daquele abraço eles os dois já estavam a precisar desde à trinta e muitos anos. Como se o mundo tivesse ficado, assim, congelado, trinta anos à espera deste reencontro. Ana ainda trazia ao pescoço uma medalha que Carlos lhe tinha destinado, há trinta anos, para o Dia de São Valentim.
Começaram a viver juntos no final do ano passado, e um dia destes casam. Aquele sonho com que faz o Carlos ser um homem romântico está quase acontecer! Esperou três décadas, mas brevemente vai concretizar-se. O de Ana já passou à prática. Foi lindo os ver recordar, o tempo da adolescência! A Ana contou.
 - Sabes, ainda uso esta medalha que trago ao pescoço em forma de colar, sempre a estimei durante estas décadas, senti sempre que esta medalha me fazia recordar o primeiro beijo, a primeira discussão como só os adultos o faziam. nesta medalha está cá tudo.
Ele sorrindo feliz por Ana ainda ter a medalha que ele se lembra muito bem lhe ter oferecido, diz.
 - Lembro-me quando tu te metes-te comigo, lembra ele.


Ana abana a cabeça.
- «Não, não, não, nada disso, tu sim!
- Uma vez eu estava a jogar flippers e tu começaste a dar-me empurrões, uns toques, uns pontapés, responde ele.
Ana arqueia o sobrolho, e nega tal coisa, respondendo.
 - Tu é que não paravas de me fazer olhinhos, e atiravas larachas para me provocar.
Não importa. O que interessa para o caso é que, quando ela tinha 14 anos e ele 16, em Agosto de 70, começaram um namorico, muito amaldiçoado por uma fação da família dela, que não queria ver a filha namorar um rapaz lá da terra.
- Os meus pais achavam que eu era muito nova, mas sobretudo odiavam o falatório. E além disso creio que o meu pai sentia que uma relação com um rapaz da terra era um recuar nos planos que ele tinha para mim. Ele queria mais para a filha como todos os pais. Mas lembro-me muito bem que apesar da idade, tu fos-te para mim o homem mais romântico que eu um dia namorei, e ao longo do tempo quando eu ouvia falar de romantismo logo me lembrava de ti, diz ela no seu jeito. Mas quando eu tive que ter a difícil tarefa de te informar que meus pais não concordavam com nada daquilo? Nem emaginas, sempre me escapou uma lágrima por me lembrar tudo isso! Então uso esta medalha que tu um dia me deste, porque sempre a amei muito.
Ele abraçou-a e lhe deu um beijo carinhoso na testa, e tapando-lhe com mão a boca, respondeu.
 - Pronto amor, não digas mais nada, isso foi à trinta anos.

(08/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Romantico" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Poema"



O poema é como um corpo, de mulher.
Tem de ser suave, leve, e belo.
 
Tem de possuir, pontos sensíveis.
Que com um simples toque o faça vibrar.
 
Tem de ser forte, delicado flexível.
Mas inquebrável.
 
Para alguns é impenetrável.
Mas para alguém é especial.
É aberto transparente claro.
 
  (14/03/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 8 de maio de 2013

"Outros Tempos" (HD) Joaquim Rodrigues


""Se me Amas Da-me a tua Password"


As relações humanas são terreno fértil para os maiores sinais de que os homens, e mulheres pode ser uma criatura fantástica ou, uma verdadeira besta-quadrada descompensada. Ou, pronto, um indivíduo que às vezes precisa de um recado e que lhe digam.
  «Vou esquecer que disseste essa asneira, porque toda a gente tem direito a gastar créditos no banco de idiotices.»
No campo do amor e dos afectos, esta escala de comportamentos é ainda mais flagrante. Eu tento sempre não fazer grandes juízos de valor sobre a vida dos outros. O que é certo ou faz sentido para mim pode ser errado ou absurdo para muita gente. Mas há coisas mais difíceis de entender do que outras. Quando chegarem ao fim destas linhas, podem sempre dizer que a besta-quadrada sou eu, e que gastei uma data de créditos de uma vez. Vem isto a propósito de uma tendência de que uma amiga psicóloga me deu conta há dias. Cada vez lhe chegam mais pacientes ao consultório a dizer que o marido, namorado, mulher ou namorada lhes pedem a palavra-chave do e-mail ou da conta de Facebook para poderem consultar a bel-prazer. Assim como o telemóvel, para verem as mensagens e as chamadas feitas e recebidas. Alguns acham isso normal, outros ficam espantados com a recusa do parceiro. E desde quando é que um disparate de meia dúzia de controladores se torna uma tendência preocupante? Perguntam vocês. Bom, desde que falei com outros psicólogos, que confirmam que se deparam com situações semelhantes. Sobretudo, com pacientes com menos de 25 anos, mas em alguns casos com pessoas mais velhas. O absurdo não é apenas geracional, portanto. Vejam a coisa desta maneira.
 

Da próxima vez que tiverem dúvidas sobre o vosso casamento e colocarem em causa o bom senso da outra pessoa, da próxima vez que acharem que têm um azar do caraças ao amor, e que a vossa vida sentimental dava um filme, pensem que, afinal, até estão muito bem. Não é que isto seja o derradeiro nível da descompensação de uma relação, até porque há muitas maneiras de infernizar a vida ao outro. Mas no que toca a comportamentos difíceis de perceber, até pedirem a password do e-mail do vosso marido ou da vossa mulher e acharem que isso é a coisa mais normal do mundo, há ainda um longo caminho de disparates pegados para fazer e asneiras para soltar da boca para fora. Falando diretamente para vocês, os que acham isto natural. Onde é que estavam com a cabeça quando acharam que isto é boa ideia? E vocês aí. Os outros. Onde é que vocês estavam com a cabeça quando acharam que abdicar da vossa privacidade não tem nada de mal? Esperem, não respondam. Eu sei!    «Se me amas, dás-me a password do teu e-mail . Se não dás, é porque tens segredos para mim. E não me amas.»
  É isto? Vocês acham que é uma grande prova de amor dar a entender à outra pessoa que não têm segredos para ela, certo? Errado! Todos temos segredos. É normal ter segredos! Os segredos fazem parte das nossas características, daquilo que nos torna diferentes. Além disso, é uma coisa privada, caramba! E toda a gente tem direito à privacidade. Até a pessoa que está ao vosso lado, controle freaks . Essa insegurança ou a mania de controlarem tudo e mais alguma coisa na vossa vida e na dos outros depois descamba nisto. São capazes de não entrar na casa de banho quando a outra pessoa está lá dentro, porque é preciso manter um certo glamour na relação e há coisas que se devem manter na esfera íntima. Mas ir ao e-mail ou Facebook do outro, ou pegar no telemóvel e espiolhar a caixa de mensagens, mesmo com autorização do próprio, isso já está bem. A sério: mais preocupante do que esta perversão é o facto assustador de não acharem que isto é perverso.

(08/05/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 7 de maio de 2013

"Faça Isso, por Mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"Despedida"

(Joaquim Rodrigues)
Me cansei dos meus versos.
Porque nunca os quiseste ler.
Agora vou juntar todos.
Esse versos que escrevi.
Numa bandeja de prata.
Que pertenceu a meu avô.
E Chorarei minhas lembranças
Em forma de poemas.
E regados com restos de uísque.
Que deixei em garrafas inacabadas.
Nesta dolorosa embriaguez
Beijarei tua fotografia.
Mas juro-te, será a última vez.
Porque tua foto reacenderá o fogo.
Embriagado assistirei à cremação.
E tudo o que me faz lembrar de ti.
Da mulher feita fogo da distância.
Que sempre eu quis tanto.
Mas que nunca se pode amar.
O que já não está entre nós.
 (07/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Espero" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amizade"

 
O meu maior erro!
Foi querer fazer.
O teu rosto alegre.
 Quando tu tinhas.
Teu coração, muito triste.
E à noite querer que a lua.
Recebesse a claridade do sol.
Eu sinto em teu rosto.
Quando tudo é escuro.
Um dia eu terei, muita honra.
Em te dar meu coração.
E receber de ti um abraço.
E tu não tens.
Que me agradecer.
Só recebes!
Eu te darei, com muita paixão.
Com muito amor, e carinho.
 (07/05/2013)
Joaquim Rodrigues


domingo, 5 de maio de 2013

"Eu te Amo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Uma Queda no Meio da Rua"



Antes de atravessar a rua, ao início da noite, ele suspira com um belo sentimento de liberdade na alma. É sexta-feira e tem um jantar com amigos. Nada de trabalho, só o fim-de-semana.
Ela sai da loja meio atrapalhada com três sacos nas mãos. Nisto, o salto fino do sapato fica preso numa reentrância da calçada e, num momento, vai a andar normalmente e, no outro, está estendida no chão com os sacos espalhados à sua volta. Uma mão solícita segura-lhe o braço, ajuda-a a levantar-se. Ela agradece, ele recolhe os sacos.
- Você está bem? Pergunta-lhe.
 Responde-lhe que sim, mais embaraçada do que magoada.
- Tem as mãos feridas, nota ele.
- Não é nada, diz ela.
No entanto, convence-a a entrar num café e fica à espera que vá lavar as mãos. À saída, vão na mesma direção e ele acompanha-a. Começa a estar atrasado, mas acha-a bonita e acaba por convidá-la para jantar. Só que não consegue mais do que uma amável recusa.
Passa uma semana. Ao sair de casa de manhã, ela enfia distraidamente a mão no bolso do casaco e descobre um cartão-de-visita. Não reconhece o nome que tem inscrito nem se recorda de o ter guardado. Vai trabalhar intrigada com aquele cartão. Finalmente, derrotada, liga para o número e uma voz pergunta-lhe.
- Como estão suas mãos?
Ela cerra os olhos, já arrependida de ter ligado.
- Como é que o seu cartão estava no meu casaco?
 - Fui eu, confesso, meti-o sem você reparar, tinha esperança que me ligasse.
- Só liguei porque não sabia de quem era, replica ela, um pouco brusca.
Despede-se de forma atabalhoada, desliga. Ainda assim, ele não desanima e envia-lhe uma mensagem a convidá-la novamente para jantar. Ela responde.
- Não posso!
- Então amanhã, ou depois, ou depois, ou depois.
Normalmente ela diria que não, mas ele insiste tanto que pensa.
 “- Porque não?
E, depois de uma longa negociação por mensagem, concorda em almoçar.
- É sempre assim tão persistente? Pergunta-lhe.
Ele espreita por cima do menu, sorri, faz que sim com a cabeça.
- E agora, qual é a sua ideia?
A pergunta surpreende-o, mas encolhe os ombros.
- Agora, diz, almoçamos, depois logo vemos onde isto nos leva.
- Isto? Repete ela, hum, e baixa os olhos para o seu menu a pensar que ele é um convencido. No entanto, sente-se desafiada, e uma voz no canto do seu cérebro segreda-lhe
" - Pois, vamos ver onde isto nos leva!
Passou um ano. Ele costuma dizer a brincar que ela tem uma certa queda por si, ao que ela responde.
- Tenho outras formas de chamar a atenção e não costumo atirar-me assim de cabeça, mas, sim, que ele é irresistível.
Ainda se riem da forma como se conheceram. Um dia, dizem.
"- haverão de contar esta história aos seus filhos.

(05/05/2013)
Joaquim Rodrgues

"Regresso à Inocencia" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dia da Mãe"

(Joaquim Rodrigues)
Mãe! Se o teu coração.
Fosse de vidro.
Eu poderia ver.
Como tu choras por dentro.
 
Tu és forte, batalhadora.
E talvez seja por isso.
Que não deixas.
Ninguém perceber.
A tua tristeza.
 
Mãe, quando te vejo triste.
Me dá tanta vontade.
De te pegar no meu colo.
E te fazer um carinho.
 
Se eu fosse grande.
Eu te pegava em meu colo.
E te levava comigo.
A passear num barquinho.
 
Eu ia conher a rosa mais linda.
No nosso quintal.
E te oferecia mãe.
Te dava muitos beijinhos.
Até te ver sorrir.
 
E assim eu ia ajudar.
A meteres fora.
Toda essa tristeza.
Dentro de ti guardada.
E te pegava no colo,
 
Ou será que gente grande.
Não gosta de colo?
Feliz dia da mãe.
Minha mãe querida.
 
(05/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Juntos Caminhando" (HD) Joaquim Rodrigues


"Eu e Tu"



De mãos dadas, campos fora.
Sempre em frente, nós corremos.
Que belo instante, o de agora.
Assim feliz nós vivemos.
 
Corremos entre o verde e a cor.
Só tu e eu, e mais ninguém.
Que singelo, e belo, nosso amor!
Para mim, o maior bem.
 
É ter-te, pertencer-te.
Sempre preso a esse teu olhar.
Eu quererei, se puder ser.
Para sempre assim ficar.
 
Meu prazer é meu sonho, meu querer.
Tenho muito amor, e carinho para dar.
Minha dama, minha amada, meu amor.
Quero seguir Juntinho a ti até morrer.
E só parar, para te amar.
 
(05/05/2013)
Rodrigues Joaquim

"Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Silencio ao Jantar"

(Joaquim Rodrigues)
Um silêncio pautado por gestos lentos marca a rotina tranquila do jantar. À mesa, o casal ensimesmado é como que uma ilha serena rodeada de águas alvoroçadas. Perto dele, um grupo de jovens contrasta com uma vozearia animada, e outras mesas mais completam a sala do restaurante cheia de conversas descontraídas de sábado à noite.
Tanto ele como ela já passaram dos sessenta e vão entrando sem sobressaltos no ocaso de uma vida que nem sempre foi desenhada pelas escolhas mais certeiras, ou, enfim, sem arrependimentos. Mas foram as que foram e ambos acreditam que já não vão a tempo de as corrigir. Ele molha uma tosta no pratinho de azeite, leva-a à boca, mastiga-a demoradamente, em silêncio. Ela observa-o sem qualquer perplexidade. Conhece-lhe os silêncios tão bem quanto é capaz de lhe antecipar as respostas. Se lhe perguntasse agora o que está a pensar, ele demoraria uma pequena eternidade a responder para, finalmente, dizer.
- Nada.
Como se fosse possível ser um vazio de ideias enquanto mastiga uma tosta. Por isso, não lhe pergunta. E, no entanto, gostaria que ele dissesse qualquer coisa, nem que fosse para embirrar, para sacudir a apatia em que vai soçobrando a sua companhia. Houve um tempo em que ele ponderou mudar tudo, ousou sonhar de novo. Quis outro rumo com outra mulher. Ainda hoje acredita que era a mulher da sua vida. Mas não foi capaz de trocar uma vida pela outra, de enfrentar a dúvida da mulher certa pela mulher perfeita. Houve um tempo em que tudo ainda era possível, mas claudicou, faltou-lhe a coragem. Ela bebe um gole de água, pousa delicadamente o copo no lugar exato onde estava, cumprindo o espírito metódico de que nem se apercebe. Ele observa-a a limpar a boca com o guardanapo. Sabe que o ama mais do que o tolera, mais do que ele a tolera sem mágoa, pois não tem uma crítica para ela, nada que o incentive a detestá-la. Reconhece-lhe a dedicação exemplar, apesar da desilusão, apesar de saber que não merece o amor dela, e a única forma que tem para a recompensar é cumprir a promessa íntima de ficar com ela até ao fim.
O empregado serve-os. Comem com vagar, num silêncio entrecortado por comentários breves que não dão azo a verdadeiras conversas. Por vezes, fica-lhes a impressão de que não têm nada a dizer um ao outro, que não seriam capazes de falar cinco minutos de um assunto em comum ou de uma futilidade qualquer. Pagam a conta, ele ajuda-a a vestir o casaco, saem do restaurante, vão caminhando ao frio para casa, perto. Um ligeiro assomo de culpa leva-o a dar-lhe o braço, sem saber que ela leva sempre um sentimento de gratidão por ter ficado quando podia ter partido.

(03/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Só Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Confesso"



Todos nós, já nos apaixonamos,
Pelo menos, uma vez na vida,
Mas eu prometo,
Que na próxima vez que, eu me sentir assim!
Vou parar por uns segundos,
E pensar, no que se está a passar na minha cabeça!
Mas sinceramente, tenho que confessar.
Esta sensação que a gente sente.
É tão agradável!
 
(05/05/2013)
Joaquim Rodrigues