Powered By Blogger

domingo, 5 de maio de 2013

"Eu e Tu"



De mãos dadas, campos fora.
Sempre em frente, nós corremos.
Que belo instante, o de agora.
Assim feliz nós vivemos.
 
Corremos entre o verde e a cor.
Só tu e eu, e mais ninguém.
Que singelo, e belo, nosso amor!
Para mim, o maior bem.
 
É ter-te, pertencer-te.
Sempre preso a esse teu olhar.
Eu quererei, se puder ser.
Para sempre assim ficar.
 
Meu prazer é meu sonho, meu querer.
Tenho muito amor, e carinho para dar.
Minha dama, minha amada, meu amor.
Quero seguir Juntinho a ti até morrer.
E só parar, para te amar.
 
(05/05/2013)
Rodrigues Joaquim

"Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Silencio ao Jantar"

(Joaquim Rodrigues)
Um silêncio pautado por gestos lentos marca a rotina tranquila do jantar. À mesa, o casal ensimesmado é como que uma ilha serena rodeada de águas alvoroçadas. Perto dele, um grupo de jovens contrasta com uma vozearia animada, e outras mesas mais completam a sala do restaurante cheia de conversas descontraídas de sábado à noite.
Tanto ele como ela já passaram dos sessenta e vão entrando sem sobressaltos no ocaso de uma vida que nem sempre foi desenhada pelas escolhas mais certeiras, ou, enfim, sem arrependimentos. Mas foram as que foram e ambos acreditam que já não vão a tempo de as corrigir. Ele molha uma tosta no pratinho de azeite, leva-a à boca, mastiga-a demoradamente, em silêncio. Ela observa-o sem qualquer perplexidade. Conhece-lhe os silêncios tão bem quanto é capaz de lhe antecipar as respostas. Se lhe perguntasse agora o que está a pensar, ele demoraria uma pequena eternidade a responder para, finalmente, dizer.
- Nada.
Como se fosse possível ser um vazio de ideias enquanto mastiga uma tosta. Por isso, não lhe pergunta. E, no entanto, gostaria que ele dissesse qualquer coisa, nem que fosse para embirrar, para sacudir a apatia em que vai soçobrando a sua companhia. Houve um tempo em que ele ponderou mudar tudo, ousou sonhar de novo. Quis outro rumo com outra mulher. Ainda hoje acredita que era a mulher da sua vida. Mas não foi capaz de trocar uma vida pela outra, de enfrentar a dúvida da mulher certa pela mulher perfeita. Houve um tempo em que tudo ainda era possível, mas claudicou, faltou-lhe a coragem. Ela bebe um gole de água, pousa delicadamente o copo no lugar exato onde estava, cumprindo o espírito metódico de que nem se apercebe. Ele observa-a a limpar a boca com o guardanapo. Sabe que o ama mais do que o tolera, mais do que ele a tolera sem mágoa, pois não tem uma crítica para ela, nada que o incentive a detestá-la. Reconhece-lhe a dedicação exemplar, apesar da desilusão, apesar de saber que não merece o amor dela, e a única forma que tem para a recompensar é cumprir a promessa íntima de ficar com ela até ao fim.
O empregado serve-os. Comem com vagar, num silêncio entrecortado por comentários breves que não dão azo a verdadeiras conversas. Por vezes, fica-lhes a impressão de que não têm nada a dizer um ao outro, que não seriam capazes de falar cinco minutos de um assunto em comum ou de uma futilidade qualquer. Pagam a conta, ele ajuda-a a vestir o casaco, saem do restaurante, vão caminhando ao frio para casa, perto. Um ligeiro assomo de culpa leva-o a dar-lhe o braço, sem saber que ela leva sempre um sentimento de gratidão por ter ficado quando podia ter partido.

(03/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Só Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Confesso"



Todos nós, já nos apaixonamos,
Pelo menos, uma vez na vida,
Mas eu prometo,
Que na próxima vez que, eu me sentir assim!
Vou parar por uns segundos,
E pensar, no que se está a passar na minha cabeça!
Mas sinceramente, tenho que confessar.
Esta sensação que a gente sente.
É tão agradável!
 
(05/05/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 3 de maio de 2013

"Adeus Tristeza" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Fado Português"

(Joaquim Rodrigues)

O Fado nasceu um dia.
Quando o vento mal bulia.
E o céu o mar prolongava.
Na amurada dum veleiro.
No peito dum marinheiro.
Que, estando triste, cantava.
 
Ai, que lindeza tamanha.
Meu chão, meu monte, meu vale.
De folhas, flores, frutas de ouro.
Vê se vês terras de Espanha.
Areias de Portugal.
Olhar ceguinho de choro.
 
Na boca dum marinheiro.
do frágil barco veleiro.
Morrendo a canção magoada.
Diz o pungir dos desejos.
Do lábio a queimar de beijos.
Que beija o ar, e mais nada,
 
Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido.
Que aqui te faço uma jura.
Que ou te levo à sacristia.
Ou foi Deus que foi servido.
Dar-me no mar sepultura.
 
Ora eis que embora outro dia.
Quando o vento nem bulia.
E o céu o mar prolongava.
À proa de outro veleiro.
velava outro marinheiro.
Que, estando triste, cantava.
 
(José Régio)
por… Joaquim Rodrigues:

"Amor Longe" (HD) Joaquim Rodrigues


"Carta a uma Desconhecida"

(Joaquim Rodrigues)

As tuas cartas vêm tocadas.
Duma ideal melancolia.
Não sei quem és, e todavia.
Beijo essas letras desmaiadas.
 
Como as violetas perfumadas.
Que a sombra esconde à luz do dia.
As tuas cartas vêm tocadas.
Duma ideal melãncolia.
 
Nas minhas horas tresloucadas.
Horas de febre e de agonia.
Como esperança fugidia.
De mil quimeras iriadas.
As tuas cartas vêm tocadas.
 
(03/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 2 de maio de 2013

"Uma Canção Pra Ti" (HD) Joaquim Rodrigues


"Pessoas Amadas"

(Joaquim Rodrigues)

Sempre admirei as pessoas.
Que acordam de manhã.
Cheias de alegria, no coração.
 
E depois têm ainda a coragem.
De se levantarem.
Sem se lembrarem.
Das quedas do dia anterior.
 
Essas pessoas não precisam.
De elogios, nem de aplausos.
Sabem pedir por favor.
Pedir desculpas!
 
Pessoas que não se envergonham.
Ao dizerem.
Eu amo-te!
Como eu admiro, essas pessoas!
 
Pessoas que têm a coragem.
De insistir.
Mesmo depois, de receber um não!
 
(28/02/2013)
Joaquim Rodrigues:

segunda-feira, 29 de abril de 2013

"Titanic" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amor ou Paixão"


A Paixão é um fogo que nos aquece o peito.
Que arde por dentro, nos inflama, e satisfaz.
Nos leva ao delírio, e nos mexe, nossa alma.
Nosso corpo, nossa mente, mas ferir, ela é capaz.
 
Enquanto o amor, é como uma brisa matinal.
É o que precisamos, uma estrada de ternura.
Nos dá carinho, afeto, aquele fogo essencial.
Nos trás prazer, toda fonte, da felicidade pura.
 
A paixão se torna como uma ação, devastadora.
Enquanto o amor nos faz feliz, é um encantamento.
A paixão é perigosa, roí por dentro, nos deixa marcas.
Mas o amor não! Nos dá vida, nos alivia, o sofrimento.
 
A paixão como ela é, nem sempre nos leva ao amor.
E nem sempre no amor, existe paixão.
Mas os dois juntos teimam, em nos confundir.
Com tudo o que tem de belo, a sua sedução.
 
Eu procuro, em todos meus sentimentos, me equilibrar.
Seja na paixão, no amor, no carinho, ou nas emoções.
Mas como gosto de viver, amo a vida, e de me enlaçar.
Vou amando com paixão, e me entrego sem restrições.
 
(29/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Amo-te" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Caso Inesperado"


Entro na discoteca, está tão cheia, e é difícil uma pessoa movimentar-se entre a multidão alegre que preenche todo o espaço junto ao balcão, entre as mesas, e a pista de dança. Olho ao redor procurando um lugar onde me possa encostar, como não existe, encosto-me a uma coluna a observar o ambiente. Para onde quer que me volte, só vejo pessoas a falar aos gritos, embora não seja possível ouvi-las porque a música alta abafa suas vozes.
Com um copo na mão vou bebericando, enquanto penso que faria melhor se fosse embora, porque já não tenho idade para estar apertado, que nem sardinha enlatada. Olho para o meu lado direito onde existe três mesas e mais atras encostado a uma parede de vidro um maple, ocupado por um casal ainda muito jovem, que de vez em quando, se vai beijando como dois apaixonados.
Mas em uma das mesas baixas, reparo numa mulher sentada a alguns metros mais à minha esquerda, que me sorri. Quando nossos olhos se cruzam, eu devolvo o sorriso. Acho-a muito bonita, e divertida também, pois tem um gesto engraçado, apontando para o banco vazio ao seu lado, convidando-me para me sentar.
  “Deve estar ali, já há muito tempo, a ver a figura que eu tenho andado aqui a fazer com a minha idade, no meio desta juventude, de copo na mão, quem me mandou a mim se meter nesta vida que não é a minha?”- Pensei.
Mas aceitei o convite, afinal era a única maneira de me adaptar ao ambiente, conversar com alguém. Mas depressa os dois percebemos que é difícil manter uma conversa com tanto barulho, de modo que eu recorri a uma caneta que tinha no bolso e a um guardanapo de papel que encontrei em cima da mesa para lhe escrever uma mensagem. Ela entra na brincadeira e responde-me igualmente por escrito. Ficamos assim a saber o nome de cada um e pouco mais, porque ela vai-se logo embora, não volto a vê-la, e deixei então de pensar mais nela.
Estou debruçado sobre o balcão da loja a verificar uma nota de encomenda quando minha irmã entra.
 

Há dois anos que tenho a loja de electrodomésticos no centro comercial e acabei por lhe dar emprego. Dez minutos mais tarde, sai para ir tomar um café. Sento-me a uma mesa a folhear o jornal do dia enquanto espero que o empregado me sirva. Este regressa com o café e com uma mensagem escrita num guardanapo de papel.
- Aquela senhora disse para lhe entregar isto, informa-me.
Ergo meus olhos, e vejo-a a sorrir de longe e reconheço-a da outra noite na discoteca.
- Ainda se lembra de mim? É a pergunta escrita no guardanapo.
- Claro que sim, escrevo em resposta, e vou devolver-lhe pessoalmente o guardanapo.
Sento-me com ela e descubro com espanto que trabalha-mos no mesmo centro comercial, embora nunca nos tivéssemos cruzado.
Os últimos seis meses passaram a correr e, quando ela pensa na sua vida, sente-se encantada com a volta inesperada que esta deu em tão pouco tempo. Deixou o emprego que tinha e veio trabalhar para a minha loja, depois de minha irmã ter decidido montar o seu próprio negócio. Eu hoje chego mais tarde e abraço-a com o mesmo carinho da primeira vez. Ela sorri com cara de caso.
- Que foi? Perguntei.
Ela não responde, mas escreve-me uma mensagem num guardanapo de papel.
- É um hábito só de nós dois, que, por graça, nunca perdermos, diz.
Eu li o que está escrito no guardanapo e encaro-a com os olhos brilhantes.
- A sério?! Hum-hum, diz ela, fazendo que sim com a cabeça.
- Estás de quanto tempo?
- Três meses, meu querido, responde-me.

(28/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 27 de abril de 2013

"Além do Sol" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amigo Sempre"



Amiga! Eu não posso acabar com os teus problemas.
Tuas dúvidas ou medos.
O que posso fazer por ti, é, te ouvir.

E juntos procurar uma solução.
Eu não posso é acabar com as tuas mágoas.
E dores do teu passado.
Nem posso decidir qual vai ser o teu futuro.

No presente, eu posso é estar aqui contigo.
Se precisares de mim!
O que eu não posso, é impedir que tu leves tombos.

Posso é oferecer a minha mão para te agarrares nela.
E te ajudar a levantar.
Mas sempre à distância como tu sabes.

Tu para mim serás sempre linda, com tuas alegrias.
Teus sucessos, teus triunfos de felicidade.
Mas não me pertences.

Adoro teus sorrisos.
Eles já fazem parte dos meus maiores bens.
Eu não posso falar nem de ti, nem como deverias de ser.
Por isso, eu só posso ser teu amigo e amar-te, do jeito como tu és!

(27/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Olá como Estás?" (HD) Joaquim Rodrigues


"Escolhas"


Todas as escolhas da nossa vida,
Não podem ser apenas intuitivas.
Elas têm sempre que refletir o que a gente é!
 
Lógico que se deve reavaliar decisões,
E trocar destinos.
Ninguém é o mesmo para sempre.
 
Mas essas mudanças de rota.
Que venham só para acrescentar algo.
E não, para anular nada da vida.
Ou do caminho anteriormente já percorrido.
 
Lembremo-nos sempre que a estrada é longa.
e o tempo é muito curto.
Nunca deixes de fazer nada que queiras fazer!
 
Mas tens sempre que ter em atenção.
Das tuas responsabilidades.
E com maturidade assumires.
Todas as consequências, dessas tuas ações.
 
Lembra-te sempre, que as tuas escolhas.
têm 50% de chance, de darem certo.
Mas também 50% de darem errado.
Por isso, escolhe bem! A escolha é tua.
 
(27/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 26 de abril de 2013

"Desejos" (HD) Joaquim Rodrigues


"Chegadas"


Ele já não a vê há muito tempo, por isso está cheio de dúvidas se a vai reconhecer. Já lá vão mais de quinze anos e, sem dar por isso, sem querer, a memória que tem dela, das suas feições, da cor dos seus olhos, do modo como se penteia, tudo se foi esfumando, ficando só uma imagem vaga, o conceito que tem dela. Mas no entanto nunca deixou de a amar. Mas também isso já não sabe se é verdade. Sabe que a amou, e muito, que foi a mulher que mais mexeu com ele, e tudo aquilo que ela representou na sua vida, sabe também a falta que ela lhe fez desde que partiu, a angústia devastadora que lhe deixou, tão forte que lhe ficou uma vontade irreprimível de a ter de volta. Mas não está certo se não estará a confundir esse sentimento de perda, com amor verdadeiro.
À um tempo atrás quando a encontrou no facebook não a reconheceu, foi preciso algum tempo para se reconhecerem, e falaram sobre o passado dos dois com desculpas que não o convenceram muito.
Estaciona o carro no parque coberto do aeroporto, sai, dirige-se para as Chegadas. Entra no átrio e sente logo a melancolia agradável das viagens de férias ao escutar o rumor festivo das pessoas que esperam alguém. Caminha ao longo do átrio, passa pela livraria bem iluminada, onde pessoas com malas a tiracolo folheiam livros. Pega num jornal e volta a pousar, o café logo ao lado está cheio de gente. Senta-se numa das poucas mesas disponíveis.
Passados uns dez minutos volta a levantar-se e caminha na direcção do lugar que os passageiros devem passar, cruza-se com uma criança que foge de outra e vem enfiar-se debaixo das suas pernas com um risinho estridente de excitação. Dá um pequeno salto para o lado, desviando-se do rapazinho sorridente. Olha para a esquerda e vê o balcão de informação turística, olha para a direita, vê a rampa e a porta de onde saem os passageiros que aterraram há momentos. O átrio é arejado, respira a frescura do Inverno, reflecte o brilho das estruturas metálicas. Detém-se defronte do quadro grande que informa o estado dos voos. Procura o dela, que vem de Bruxelas. Aterrou há cinco minutos.


(Joaquim Rodrigues)
Espera que um funcionário acabe de passar com uma fila interminável de carrinhos de transporte de malas encaixados uns nos outros. Dá uns passos em frente e continua a esperar. Vai mudando o peso do corpo de uma perna para a outra, nervoso, como se fosse um primeiro encontro, como se não conhecesse o mais íntimo dela. Pudera, já lá vão mais de quinze anos. E agora através do facebook, uns meses atrás, ela passou a estar novamente na sua vida normal, embora desde que partiu há tanto tempo, nunca mais tinha imaginado isto.
Ele estava ali, porque há uma semana atrás, recebeu o telefonema dela a dizer que ia voltar, definitivamente para Portugal, e lhe perguntou se a vinha esperar. Ele disse que sim, que a ia esperar ao aeroporto que contasse com ele. Desde aí conversaram ao telefone uma, duas vezes por dia, trocaram mensagens com um entusiasmo frenético, foram falando de tudo o que ficara por falar, e agora ali está ele.
Ela passa pela porta que dá acesso ao átrio, mas ele vai olhando para todas as pessoas que por lá passa, fixando-se em todas as senhoras que por lá vai passando, mas parece não a reconhecer. Parado ali no meio, começa a ficar bastante nervoso, tira o telemóvel do bolso e tenta procurar a ultima mensagem que ela lhe tinha mandado, talvez tivesse lido mal, e na mensagem o tivesse avisado que afinal tinha desistido já não vinha. Reparou que não tinha compreendido mal, a mensagem, por isso volta a guardar o aparelho, levanta os olhos, e ali está ela na sua frente sorrindo linda como sempre.
 - Olá! Sempre vieste me esperar meu querido? Pergunta ela com voz trémula.
Ele não responde logo, aliviado por a reconhecer, e a ter ali tão perto dele, e encantado por a ver tão linda tão igual, sorrindo-lhe somente.
Ela larga a mala abraça-o, puxa-o forte para ela, beijam-se, e as suas dúvidas desfazem-se nesse beijo ansiado. Eles se amam, não mudou nada, foi só o tempo que passou.

(26/04/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"Cavaleiro Andante" (HD) Joaquim Rodrigues


"Contigo"



Meu desejo de hoje, e sempre.
É o desejo, que eu sempre quis!
Enrolar-me todo, no teu corpo.
E contigo, me sentir, feliz.
 
Assim, usaremos nossos corpos.
Nossas bocas, nossas mentes.
Quero que de mim, tomes conta.
Te enroles em mim, me experimentes.
 
E tu, cheia de vontade, e querer.
Me beijas, e mostras vontade louca.
Eu mexo com teu vício, com teu ser.
Quero estar contigo, quero tua boca.
 
(25/04/2013)
Rodrigues Joaquim

" Dança Também é Arte" (HD) Joaquim Rodrigues


" Eu "


Tenho um amigo que me perguntou,
Onde eu ia buscar toda a minha inspiração .
Para escrever em meu blogue,
(AMOR E CARINHO)
Eu, respondi…
- Escrever é esquecer...
A literatura é a maneira…
Mais agradável de ignorar a vida…
A música embala…
As artes visuais animam…
As artes vivas como a dança…
E a arte de representar, entretêm…
A primeira porém afasta-se da vida…
Por fazer dela um sono…
As segundas, contudo não se afastam da vida…
Umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais…
Outras porque vivem da mesma vida humana…
Não é o caso da literatura…
Essa simula a vida…
Um romance é uma história…
Mas um poema é a expressão de ideias…
Ou de sentimentos de linguagem que ninguém emprega…
Pois que ninguém fala em verso…
Eu me encarrego de dar vida a tudo!
É isso mesmo que vou tentar fazer aqui!
 
(25/04/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"Eu Vivo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Mundo Novo"


Se todos nós fôssemos contabilizar todas as paixões desta vida, os ódios os amores, os grandes sobressaltos, as comoções, os transtornos, os arrebatamentos e os arroubos, os momentos de terror que passamos da esperança, os ataques de ansiedade e de ternura, a violência dos desejos, os acessos de saudade e as elevações religiosas! E se as somássemos todas numa só sensação, não seria nada comparada com o peso bruto da irritação. Passamos mais tempo nas nossas vidas a gastarmos nosso coração, a sermos irritados, do que em qualquer outro estado de espírito.
Apaixonamo-nos uma vez na vida, odiamos duas, sofremos três, mas somos irritados pelo menos vinte vezes por dia. Mais que o divórcio, mais que o despedimento, mais que ser traído por um amigo, a irritação é a principal causa do «stress». E logo de mortalidade da nossa existência. É a torneira que pinga e o colega que funga, a criança que bate com o garfinho no rebordo do prato, a empregada que se esquece sempre de comprar maionese, a namorada que não enche o tabuleiro de gelo, o namorado que se esquece de tapar a pasta dentífrica, a nossa própria incompetência ao tentar programar o vídeo, o homem que mete cinco euros de gasolina e pede para verificar a pressão dos pneus, a mania de pôr o pacotinho vazio de açúcar debaixo da chávena de café, a esferográfica do jornalista! É por estas e por outras que as pessoas se suicidam. E têm toda a razão.


É nos engarrafamentos, Nas filas do supermercado ou do multibanco, no cinema atrás do cabeçudo que não nos deixa ver, ou levamos com o irritante mastigar das pipocas durante todo o filme, no autocarro cheio de gente, que somos diariamente irritados.
Há-de reparar que as pessoas que mais nos irritam são as que estão à nossa frente. São estas as pessoas que demoram, que levam horas a tirar o porta-moedas para pagar o táxi, que insistem em passar um cheque para comprar um quilo de cebolas e uma embalagem de liquido para lavar a loiça, que se mexem na cadeira e desembrulham rebuçados durante a cena mais dramática do filme, que têm um tempo de reacção ao semáforo verde de aproximadamente 360 segundos, que pagam as contas da água, da luz e do telefone no Multibanco, levando o tempo que acha que tem direito, sem nunca se importar de quem está a trás de si, como se fosse dono da maquina? Que se esquecem de tomar banho antes de usar um transporte público e depois insistem em esfregar-se contra quem tomou. Parabéns ao nosso novo mundo.

(24/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Dançamos os Dois" (HD) Joaquim Rodrigues


terça-feira, 23 de abril de 2013

"Amada e Doce"



Como sinto que longe de mim, chora.
Mas que o teu coração me abraça.
 
Te peço! Por favor, não te vás embora.
Vem a mim, faz do meu corpo, tua casa.
 
Juntos não vão querer, saber da hora.
O relógio não existe, a hora! Atrasa.
 
Porque tu és doce, a mais linda senhora.
Quero voar contigo, vem alto, sem asa.
 
E em tão pouco tempo eu atinjo.
A temperatura da felicidade.
 
Mesmo quando resisto e finjo.
Todo aquele fogo de verdade.
 
E nesse louco desejo eu atinjo!
A maior, a mais amada, fertilidade.
 
(19/04/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 21 de abril de 2013

"O Importante é que te Encontrei" (HD) Joaquim Rodrigues


"Pedido de Casamento"


Estão os dois sentados no café restaurante onde tinham combinado ir almoçar juntos, de repente já no fim do almoço ela levanta-se, pega na carteira que está na cadeira livre ao lado da mesa, deixa-a escorregar dos dedos, traída pelos nervos, abaixa-se, apanha a carteira do chão, ergue-se, dá meia-volta, afasta-se, abre a porta, e sai para a rua.
Enquanto isso, ele fica a observá-la a sair sozinha, do restaurante, a pensar! “Ali vai a mulher da minha vida”. Pondera levantar-se e ir atrás dela, mas, em vez disso, chama a empregada e pede mais um café.
Lá fora, ela respira fundo o ar fresco da tarde que lhe bate no rosto como uma bênção. Tem as pernas a tremer e sente que não consegue andar. Não imaginou que fosse tão difícil.
Ele agora sente-se triste desanimado por toda aquela sena que nunca tinha pensado que iria acontecer, é como se sentisse colado à cadeira, concentra-se numa menina dos seus seis anos, aborrecida enquanto a mãe tagarela com uma amiga. A menina abre com os dedinhos desajeitados um pacote de açúcar, derrama o conteúdo em cima da mesa, olha para a mãe à espera que esta lhe ralhe, mas, como ela não repara na asneira, começa a juntar o açúcar num montinho. Ele sorri com a cena que o distraiu um pouco momentaneamente, mas o sorriso morre-lhe de imediato no rosto.


Ela mais segura, vai caminhando pelo passeio, entra no autocarro ali à frente, atira-se para o canto do banco, volta a cabeça para a janela. Lágrimas de frustração descem-lhe pelo rosto, a pensar que acreditou que este poderia ser o dia mais feliz da sua vida.
Entretanto ele chegando a casa, vai ao frigorífico, tira de lá uma cerveja, abre-a, dirige-se para a sala, senta-se, liga a televisão e fica a olhar absorto. Dá um gole na cerveja, coça a cabeça irritado e solta um grunhido para o ar, furioso por ela ser tão casmurra e tão, tão dramática! Ela quer casar, acha que já estão na altura de dar esse passo, argumenta que quer ter filhos e que não pode esperar muito mais. Ele ama-a, mas não quer ouvir falar de casamento e muito menos de filhos. A sua vida é demasiado boa para a complicar. Ela pensa que esse é o epílogo perfeito para ambos. Ele pensa que não está preparado.
Ele acorda-a de manhã com um beijo. Se lhe perguntassem há pouco tempo se acreditava que estaria com ela em breve, teria respondido terminantemente que não! “E impossível perdia-a há muito “. Passaram-se oito anos desde aquele dia, ela casou com outro, teve dois filhos, divorciou-se. Ele nunca se casou. Encontrou-a há uma semana numa discoteca e, desde então, ainda não se separaram. Retira uma caixinha debaixo da almofada dela, fingindo um truque de magia, e oferece-lhe.
Ela senta-se na cama, abre a caixa e vê o anel, coloca-o no dedo e diz.
- É lindo !.
- Queres casar comigo? Pergunta-lhe, esperançado.
Ela hesita antes de responder olhando para ele, muito séria.
- Quero! diz, mas vamos com calma, estamos tão bem agora, não apressemos as coisas, está bem?

(21/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 20 de abril de 2013

"Vida é Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Vida"


Só temos uma oportunidade na vida.
Aproveita-a.
Lembra-te que a vida é beleza.
Admira-a.
A vida é gosto, tu sentes seu paladar.
Saboreai-a.
É um sonho tornado realidade.
É um desafio, enfrenta-o.
A vida é para ser vivida como ela é!
A vida é um dever.
Cumpri-o.
É um jogo, por isso.
Joga-o.
A vida é preciosa.
Cuida dela.
Conserve-a porque.
É riqueza.
Tua vida é amor.
Goza-a.
Se a vida for pra ti um mistério.
Revela-o.
Se é uma promessa.
Cumpri-a.
Se é tristeza.
Supera-a.
A vida é um hino.
Canta-o.
Se é um combate.
Aceita-o.
Se for tragédia.
Domina-a.
Se for uma aventura a tua vida.
Afronta-a.
Porque a vida é linda é felicidade.
Merece-a.
Lembra-te que a vida é vida.
Defende-a.
No final da tua vida não te irás.
Arrepender.
Dirás!
Eu vivi, mas fui muito feliz!
 
(20/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Sonho" (HD) Joaquim Rodrigues


 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

"Amada e Doce"


Como sinto que longe de mim tu chora.
E que com o teu coração me abraça.
Te peço! Por favor, não te vás embora.
Vem a mim, faz do meu corpo, tua casa.
 
Juntos não, vamos querer, saber da hora.
O relógio não existe, a hora! Se atrasa.
Porque tu és doce, a mais linda senhora.
Quero voar contigo vem alto, sem ter asa.

 E em tão pouco tempo eu atinjo.
A temperatura da felicidade.
Mesmo quando resisto e finjo.

Todo aquele fogo da verdade.
E nesse nosso louco desejo eu atinjo!
A maior, a mais amada, felicidade.
 (19/04/2013)
Joaquim Rodrigues

" Eu não Sei de Você " (HD) Joaquim Rodrigues


 

"Despedida?"


Depois de o comboio partir, de ela ter ido, depois do derradeiro beijo com a máquina já em movimento, ele fica ali, na estação, ainda uma hora, a despedir-se dela, a pensar nela com a saudade deixada a pairar na memória do seu perfume, do último abraço. Fica ali, preso à nostalgia da partida, a tomar um café com o cais de embarque à vista, observando outros casais que se separam com os comboios que seguem viagem e outros que se reúnem com os comboios que chegam. Para trás ficam umas férias encantadas, só os dois, juntos, com aquela sensação feliz de perenidade que perdurou enquanto, nos braços um do outro, garantiam que era para sempre sem se quererem lembrar de que era só por uns dias. Nesse tempo exíguo passearam por muitos lugares, mas faltar-lhes-ia ainda uma vida inteira para continuarem a passear, a visitar todos os recantos de todos os lugares que sonharam ver sem a ansiedade dos dias contados.
Ali sentado na esplanada que dá para o cais da estação, ele dá consigo a recordar-se dos momentos bons que passou com ela, das conversas exclusivas, das mãos dadas ao final da tarde numa praia, de uma piada trocada entre os dois, de uma gargalhada. Lembra-se de cada pormenor do seu corpo, de passar as mãos pelo seu cabelo comprido acabado de lavar, do seu sorriso único, do seu sentido de humor. Revê-se a abrir os olhos e a descobri-la ao seu lado ao despertar da manhã numa cama demasiado pequena para tanto amor.


Um dia, há não muito tempo, ela disse-lhe que não poderiam ficar juntos, que não acabariam um com o outro, pois iam demasiado adiantados na vida e estavam ambos presos às escolhas do passado, mas depois o desejo foi mais forte do que a razão, depois ela não quis saber de nada e veio e, observando agora os namorados que se despedem à porta do comboio, ele pergunta-se quando a voltará a ver e decide que, não obstante as contrariedades que os separam, quer ir ao seu encontro e irá mesmo, inevitavelmente, reencontrá-la em breve.
Acaba o café sem pressa de deixar o lugar onde a viu pela última vez, levanta-se, encaminha-se para o átrio da estação, olha ainda para trás, espreitando por cima do ombro como se fosse possível ela não ter partido e estar ali, algures no cais, à procura dele. Depois vai-se embora, assegurando-se de que tem o telemóvel na mão e de que está ligado. Quando o comboio partiu ele tentou dizer-lhe uma última palavra, uma última recomendação, mas as portas já se tinham fechado e ele deu consigo a pensar o que não lhe conseguiu dizer.
 "telefona-me quando lá chegares."

(19/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Teu Corpo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Vos Amo, Mulheres"



Vinde, me encantar e fazer feliz.
Onde eu estiver, sempre vos amarei.
Sejas amiga, amante, ou meretriz.
Minha alma por guarida, eu, vos darei.
 
Mesmo quando a dor me de-lacerar.
Meu corpo feito escravo do prazer.
Meus pecados poderão até expiar.
Um dia se o criador assim o quiser.
 
Livre, o meu amor eu, vos entrego.
Hoje, como ontem e enquanto viver.
Eleitas do coração sois, não nego.
 
Renascer em cada amanhecer.
E amar loucamente até ficar cego.
Será sempre a minha razão de viver.
 
(19/04/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 17 de abril de 2013

"Sonhos" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Palhaço"




 
Por eu gostar, de levar a vida.
Na brincadeira!
Tu um dia me chamaste.
De covarde e palhaço.
Lembras-te?

Mas na verdade!
Se tivesses acreditado.
Nas minhas brincadeiras.
De dizer verdades, quando brinco.

Terias ouvido muitas verdades.
Que insisto dizer, a brincar.
Falei muitas vezes, como um palhaço.
Mas nunca como um covarde.

Porque em toda a minha vida.
Sempre acreditei.
Na seriedade da plateia.
Que sempre sorria!

 (17/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Às Vezes Tu" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tédio"


terça-feira, 16 de abril de 2013

"Esta Noite" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Minha Cruz"


Eu já conheci a felicidade.
Não me lembro é de ser feliz.
Já me acusaram de maldade.
E nunca soube, o mal que eu fiz.
 
Já fui traído mas não sabia.
Aguentei muito sem querer.
Caminhei na vida como podia.
Meus olhos não queriam ver.
 
Nunca quis aceitar a derrota.
Por não querer cair no chão.
Caminhei numa estrada torta.
Com a esperança no coração.
 
Mas carregando a minha cruz.
Fui há igreja de cabeça perdida.
E contei tudo mas tudo, a Jesus.
Todos os retalhos da minha vida.
 
Ainda não sei o que aconteceu.
E como a história chegou ao fim.
Só lembro, que alguém apareceu.
Me olhou, se sentou, junto a mim.
 
Foi um fato bom, mas do passado.
Que tenho hoje, como recordação.
Não paro de pensar, foi colocado.
Muito amor, em meu coração.
 
(16/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Desvaneios" (HD) Joaquim Rodrigues


segunda-feira, 15 de abril de 2013

"A Criança"


Minha querida, sabes o que eu gostava de fazer hoje contigo? Gostava de brincar contigo, no meio da rua, só nós os dois tu e eu!
Assim os dois, rebolávamos no chão agarradinho, um no outro. Eu gostava tanto amor! De brincar contigo hoje!
Gostava de rir, rir muito, me divertir, e te ver divertida também. Sabes? Fazia-mos cócegas um no outro, como duas crianças. E deitados no meio da rua, nós podíamos contar as estrelas. Tu gostas tanto de contar estrelas à noite!
Ficávamos agarradinhos um no outro, até o nascer do dia. Assim, os dois sozinhos podíamos dar muitos beijinhos. E até fazer tudo aquilo que nos apetecesse fazer.
Nosso amor já tem idade, e é verdadeiro, mas o que tem isso? A gente nunca tem hora para nada. Nem para dormir.
Vem meu amor, vem brincar comigo na rua hoje. Podemos saltar correr de mãos dadas, e não tenhas medo! Eu te protejo, se sentires medo, eu te dou a minha mão. Podes confiar em mim! Eu nunca te vou deixar cair.
 

Eu amo me sentir como uma criança, a teu lado. Te abraçar, quero correr, saltar e me sentir novamente um adolescente, e ficar contigo até o dia raiar. E se tu fores uma criança como eu. Eu te vou dar três beijinhos. E de seguida um beijo de cinema. Queres?
Vem amor, vem comigo rebolar hoje na rua. Gosto tanto de te ver sorrir, me faz sentir tão feliz. Mas nada acontece sem ti, tu sabes disso!
Quando tu pegares na minha mão. Vamos ser como dois namoradinhos de escola. Só que agora é verdadeiro é real, este amor!
E a minha felicidade, não é imaginária. Nós podemos até dividir nossos sonhos, e planos para o futuro. Porque a nossa idade sempre vai ser a mesma. Nosso amor nunca ficará velho, o meu amor por ti.
Vai ser um amor de criança e para sempre. E eu, não precisarei de fechar os olhos para imaginar. E de cada vez que eu os abrir, vai ser um novo dia para te amar.
Um dia de duas crianças que se amam, e desejam ser felizes! Vem querida, vem comigo bricar na rua.

(09/04/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 14 de abril de 2013

"My Love" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Rapariga Estranha"


“A tua fraqueza será a tua força, pensa ela, repetindo esta ideia na cabeça até à exaustão, como uma lengalenga”.
Quanto mais a olham de lado, pior ela faz. É a rapariga estranha da escola, a que se veste de preto, a que pinta o cabelo de vermelho, a que tem piercings e usa botas de cano alto com saias de xadrez. As colegas fazem troça dela, mas não à frente, pois têm medo das suas atitudes intempestivas. É o bicho raro da escola, incompreendida, de resposta fácil, torcida. Mas há um rapaz que gosta dela, mas repele-o por insegurança, não obstante ser o preferido das raparigas. Ainda assim, não se livra da inveja das outras.
Está sentada à secretária no seu gabinete com uma janela panorâmica para a cidade atrás de si. É bonita, elegante e é advogada mais competente do escritório. À sua frente senta-se o cliente, um empresário. Tem a mesma idade que ela e é igualmente bem-parecido. Alguns dias mais tarde têm um almoço de trabalho. Tratam-se com cerimónia, não obstante ser óbvio o entusiasmo dele. Pode ser a sua advogada, mas é difícil esconder o fascínio que exerce nele.
O empregado serve-lhes vinho, ela baixa os olhos para o copo, ele observa-a e tem a sensação de a conhecer desde sempre, o que, evidentemente, é impossível, pois seria difícil esquecer-se de uma mulher tão bonita. E no entanto ela não deixa de lhe ser familiar. É uma mulher determinada, que não se intimida facilmente e está à-vontade em ambientes sofisticados.
No final do almoço contínua perplexo com aquela estranha impressão de já a conhecer, e acaba por lhe dizer.
  - Posso-te confessar um segredo?


Ela dá uma gargalhada, como quem já estivesse, à espera da pergunta dele, e pergunta-lhe.
 - Desde quando tens segredos com a tua advogada? Claro conta lá o teu segredinho, mas pensa primeiro, olha que vai deixar de ser segredo, conta lá fiquei curiosa.
 - Desde que te vi pela primeira vez no teu escritório, fiquei com a sensação que te conheço diz ele. Ela confessa que se lembra dele, embora não lhe tivesse dito antes.
 - Fomos colegas na escola.
- Fomos? Estranho, não me lembro nada.
- Eu era aquela do cabelo vermelho.
- Ah! Não é possível!
Ela ri-se, ele está incrédulo, impressionado com o que ela mudou.
- Foram quinze anos, comenta ela.
- É verdade, diz, mas foi uma grande transformação.
Ela abre os braços, sorri com graça.
Ele tem um apartamento espaçoso e confortável. Acorda muito cedo e fica a vê-la a dormir, tranquila. Passaram-se dois meses, mas ainda se espanta com o regresso dela à sua vida. A paixão que tinha por esta mulher ficara-lhe para sempre como uma daquelas memórias indeléveis da juventude. E agora ali está ela, na sua cama. Ela abre os olhos, surpreende-o a observá-la, sorri deleitada, e diz
- Bom-dia.
Ele beija-a e abraça-a, quase como se precisasse de lhe tocar para ter a certeza de que é real, que está mesmo ali, abana a cabeça sem palavras.
- Que foi? Pergunta ela.
- Nada, diz ele, encolhendo os ombros, “nada, pensa,” foi só um milagre.

(14/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 13 de abril de 2013

"Luxuria" (HD) Joaquim Rodrigues


"Corpo de Mulher"


Como quem sai sem rumo prá viagem.
Eu Juro beijar teu corpo sem descanso
Vou-te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço.

Luzes ao norte, tuas pernas são estradas
Beijo teus pés, me perco entre teus dedos.
Onde meus lábios correm as madrugadas
Pra de manhã chegar aos teus segredos.

Me perco entre teus montes, vales escondidos.
Como em teus bosques. E bebo nos teus rios.
Faço fogueiras, choro, canto e danço.

Línguas de lua varrem tua nuca.
Línguas de sol percorrem tuas ruas.
Juro beijar teu corpo sem descanso.

(21/02/2013
Joaquim Rodrigues.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Maeva" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dez dias de Amor"


Ela vem a Portugal pela primeira vez em muitos anos de sua vida. Chega de avião o transporte possível de cá chegar, trazendo a reboque uma mala de rodinhas. Está de férias e decidiu tirar uns dias sozinha na cidade do Porto, onde não conhece ninguém. Vai ficar uma semana num pequeno e agradável hotel para os lados de Matosinhos uma pequena cidade um pouco mais a norte da cidade do Porto a cidade que ela vem visitar.
Entra no hotel, vai ver o quarto, deixa a mala e volta a sair sem demora, excitada com a perspetiva de aproveitar o resto da tarde. Vai vagueando por Matosinhos, a reparar nos turistas que andam por ali com a maravilhosa sensação de ser também como uma estrangeira numa terra estranha. Mete por uma ruazinha estreita e, chegando ao fim, dá com um café de especto acolhedor. Como tem fome e quer refugiar-se do calor, entra e senta-se a uma mesa. O empregado que vem atendê-la fala-lhe em inglês. Ela solta uma risadinha e pergunta-lhe com o seu sotaque do Brasil.
- O que o levou a pensar que fosse estrangeira?
- Ele coça a sua cabeleira já rara, desgrenhada, ligeiramente embaraçado. Ela com cabelo bem tratado ligeiramente castanho claro, olhos castanhos, ar um pouco perdido e sem pressa.
- Achei que era, explica-se, peço desculpa.
Ela ri-se, divertida com a situação.
- Não faz mal, diz ela.
  - Não é estrangeira mas é de fora, nota ele.
- Sim, é verdade, sou Brasileira, vivo no estado Rio Grande do Sul.
- Pois, já tinha reparado no sotaque.


(Joaquim Rodrigues)
Ele vai voltando à mesa dela, para saber se precisa de alguma coisa, para fazer conversa. Ela acha-lhe graça e responde-lhe com gosto. É um homem entroncado, descontraído, veste jeans e t-shirt, tem uma alegria natural que a entusiasma. À saída, vai abrir-lhe a porta e pergunta-lhe se tenciona voltar.  - Talvez, responde ela, enigmática.
Despede-se, volta ao calor excessivo que ainda faz ao fim da tarde. Mas nos dias seguintes regressa sempre para tomar o pequeno-almoço e ele lá está para a servir, maravilhado por tornar a vê-la. Ela fica a saber que está ali a trabalhar porque tinha ficado desempregado, mas que contava ser por pouco tempo, já tinha em vista algo melhor, e como a vida continua tem que ser, e trabalha ali para pagar os custos de uma casa onde ele vive, fica a saber outras coisas dele. Passam juntos todas as noites, no quarto dela.
Ao fim de o 10º dia, ele leva-a ao avião, e depois de a beijar com paixão ajuda-a a subir com a mala e só volta com a partida deste já em movimento. Regressa a casa com um sorriso triste, já com saudades. Três meses depois ainda sente a mesma azia no fundo do seu estômago, a mesma que sentiu ao ver aquela mulher que o amou com o máximo carinho partir, ele quando se lembra disto deixa sempre cair uma lágrima.
Ela passada alguns meses talvez porque não aguentasse voltou! Entra no café mas não o vê, pergunta por ele a uma empregada. Fica a saber que se despediu e não deixou nenhum contacto. O número de telefone que ele lhe deu já não funciona, procurou-o no Facebook e não o encontrou. De modo que sai do café desconsolada e, após alguns dias a procurá-lo pelos lugares em que andaram, volta ao Brasil com uma desilusão.
Nunca mais saberá nada dele, nunca mais voltará a vê-lo, mas ficará sempre com a melancólica recordação daquele amor de 10 dias.

(10/06/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Na Cabana" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Rio"


"Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Rosa"


"Importante é você Comigo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Trinta dias, Trinta Anos"


Conhecem-se no comboio, algures entre Portugal e França. Ela vai para Paris, ele para Berlim. Têm ambos vinte e poucos anos e viajam sozinhos. Vêem-se pela primeira vez quando se sentam frente a frente numa carruagem de passagem por Espanha. Ele surpreende-a a espreitar por cima do livro que tem nas suas mãos, interessada na capa do livro que ele lê. Sorri-lhe.
- Já leste este? Pergunta-lhe.
- Não, responde ela, é bom?
- Para dizer a verdade, não estou a adorar.
- E o teu? Ela encolhe os ombros.
- Eh ! Já li melhor.
E é o início de uma longa conversa que lhes permite conhecerem-se melhor. Vão assim, por aquelas horas todas, na companhia um do outro, sempre a falar, sem darem pelo tempo a passar.
Chegados a Paris, despedem-se com a sensação de terem uma ligação, como se se conhecessem há muito mais do que aquelas escassas horas no comboio. Mas antes, ele propõe-lhe trocarem de livros.
- Lês o meu e eu leio o teu, depois digo-te o que achei, e tu fazes o mesmo.
- Combinado, - concorda ela.
(Joaquim Rodrigues)
Ele lê o livro dela durante o resto da viagem. Ela faz o mesmo em Paris. Em breve estão de novo em contacto telefonico, a propósito dos livros, ou tendo estes como desculpa para voltarem a falar, pois ficou-lhes uma enorme vontade de se juntarem outra vez. Atravessam a semana seguinte em permanente contacto, falando ao telefone, dizendo onde estão, o que fazem, o que pensam das coisas que vêm ou experimentam.
Por fim, não resistindo à distância que os separa, acabam por combinar um encontro em Estrasburgo, a meio caminho entre Paris e Berlim. Cada um deverá tomar o seu comboio em direção à cidade francesa, junto à fronteira com a Alemanha.
Passaram-se trinta anos. Ele está na estação em Estrasburgo quando ela chega. Abraçam-se. Falam em inglês, porque ela não sabe alemão e ele não sabe francês. Ela repara que ele agora tem o cabelo todo branco, mas de resto continua o mesmo. Também ela tem umas rugas mais, mas reconhece-lhe o mesmo sorriso juvenil de antigamente. Já lá vão tantos anos e hoje deixaram as suas famílias por vinte e quatro horas, para se reverem.
Recentemente, descobriram-se por sorte no Facebook e mantiveram o contacto, sempre que podem, corem para o Facebook para matar aquela saudade que os vai roendo por dentro.
Mas agora sentam-se num café, abanam a cabeça com um sorriso desconcertado e pensam como poderiam ter sido diferentes as suas vidas se tivessem chegado a reencontrar-se naquela época. Tinham combinado regressar a Estrasburgo trinta dias mais tarde, mas afinal, por motivos distantes que hoje lhes parecem menores, embora determinantes na altura, só o fizeram trinta anos depois.

(12/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Calma de Rosas" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ingénua Felina"

(Joaquim Rodrigues)

Amo o teu olhar cor de mel.
Esse teu sorriso de felina.
Conheço tua alma teu fel.
Essa tua paixão assassina.
 
No teu coração de papel.
És uma ingénua menina.
Pintas o amor com pincel.
Nessa tua vida libertina.
 
Tu guardas nas tuas entranhas.
Todos os desejos mais puros.
E na essência das manhas.
 
Tu seduzes os imaturos.
Que caiam em tuas manhas.
Nesses momentos obscuros.
 
(12/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Será?" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tão Forte e tão Frágil"


Normalmente, ela é muito senhor de si, muito segura. Bem, pelo menos é a imagem que as pessoas têm de si, que ela própria projeta. Mas por vezes perde a confiança subitamente e então fica deprimida, quase assustada. Basta uma palavra errada que lhe digam, uma crítica maldosa, e fica infeliz para o resto do dia. É difícil de explicar esse seu sentimento, ela mesma não consegue arranjar uma explicação muito racional. Sabe o que o desencadeia, mas não sabe porque é tão forte, porque uma simples frase negativa de alguém a seu respeito tem o poder de a desmoralizar.
Habitualmente, reage como as pessoas esperam que reaja, mal, responde mal, agressiva. Mas só ela sabe como essa reação dura, que procura anular quem a põe em xeque, é afinal uma fraqueza. As pessoas retraem-se quando lhes fala assim, levanta a voz, disparata, no entanto, depois não é capaz de esquecer, fica a empreender no que aconteceu, no que lhe disseram, no que disse. Nessas alturas sente-se muito frágil, olha em redor no trabalho e tem a sensação de que todos os colegas estão com um pensamento crítico sobre ela, não obstante cada um estar na sua vida, ocupado com o seu trabalho.

(Joaquim Rodrigues)
Hoje é um desses dias e, quando sai do emprego, caminha pela rua com as pernas a tremer. Sente-se insegura e ocorre-lhe a ideia absurda de que um destes dias pode quebrar-se algo dentro de si, na sua cabeça, e nunca mais conseguir ter controlo sobre os pensamentos, sobre as emoções, tornar-se definitivamente incoerente. Pergunta-se se será isso a loucura, se todas as pessoas sentem o mesmo, se anda o mundo inteiro à beira da loucura mas, tal como ela, esconde esse medo dos outros.
Vai na rua, passa defronte de uma montra, vê-se de relance, pára, volta-se para o vidro fingindo-se interessada nos artigos da loja. Fica ali uns instantes a observar-se. A imagem que o vidro reflete não é a pessoa que está ali. A pessoa que ela vê é bonita, vestida de um modo atraente, quase ousado, de saia curta, desinibida, como que andando pela vida sem uma preocupação.
Chega a casa, tranca a porta, prepara um chá e vai enroscar-se no sofá, sentindo-se fraca e irritada. Pensa que lhe falta alguém que a abrace nestas alturas, oferecendo-lhe a certeza do refúgio seguro que a liberte de todos os medos.
No entanto, recebe uma mensagem no telemóvel, um convite para jantar. Suspira. Ele é a pessoa certa no momento certo. E decide que chega de sentir pena de si própria e, já mais animada, responde-lhe que sim, com uma esperança de que a noite lhe salve o dia.
“Mulher, pensa nisso por favor, a tua vida não depende só de um dia, mesmo que esse dia não seja muito bom, logo a felicidade chega via mensagem.

(12/04/2013)
Rodrigues Joaquim: