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sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Tão Forte e tão Frágil"


Normalmente, ela é muito senhor de si, muito segura. Bem, pelo menos é a imagem que as pessoas têm de si, que ela própria projeta. Mas por vezes perde a confiança subitamente e então fica deprimida, quase assustada. Basta uma palavra errada que lhe digam, uma crítica maldosa, e fica infeliz para o resto do dia. É difícil de explicar esse seu sentimento, ela mesma não consegue arranjar uma explicação muito racional. Sabe o que o desencadeia, mas não sabe porque é tão forte, porque uma simples frase negativa de alguém a seu respeito tem o poder de a desmoralizar.
Habitualmente, reage como as pessoas esperam que reaja, mal, responde mal, agressiva. Mas só ela sabe como essa reação dura, que procura anular quem a põe em xeque, é afinal uma fraqueza. As pessoas retraem-se quando lhes fala assim, levanta a voz, disparata, no entanto, depois não é capaz de esquecer, fica a empreender no que aconteceu, no que lhe disseram, no que disse. Nessas alturas sente-se muito frágil, olha em redor no trabalho e tem a sensação de que todos os colegas estão com um pensamento crítico sobre ela, não obstante cada um estar na sua vida, ocupado com o seu trabalho.

(Joaquim Rodrigues)
Hoje é um desses dias e, quando sai do emprego, caminha pela rua com as pernas a tremer. Sente-se insegura e ocorre-lhe a ideia absurda de que um destes dias pode quebrar-se algo dentro de si, na sua cabeça, e nunca mais conseguir ter controlo sobre os pensamentos, sobre as emoções, tornar-se definitivamente incoerente. Pergunta-se se será isso a loucura, se todas as pessoas sentem o mesmo, se anda o mundo inteiro à beira da loucura mas, tal como ela, esconde esse medo dos outros.
Vai na rua, passa defronte de uma montra, vê-se de relance, pára, volta-se para o vidro fingindo-se interessada nos artigos da loja. Fica ali uns instantes a observar-se. A imagem que o vidro reflete não é a pessoa que está ali. A pessoa que ela vê é bonita, vestida de um modo atraente, quase ousado, de saia curta, desinibida, como que andando pela vida sem uma preocupação.
Chega a casa, tranca a porta, prepara um chá e vai enroscar-se no sofá, sentindo-se fraca e irritada. Pensa que lhe falta alguém que a abrace nestas alturas, oferecendo-lhe a certeza do refúgio seguro que a liberte de todos os medos.
No entanto, recebe uma mensagem no telemóvel, um convite para jantar. Suspira. Ele é a pessoa certa no momento certo. E decide que chega de sentir pena de si própria e, já mais animada, responde-lhe que sim, com uma esperança de que a noite lhe salve o dia.
“Mulher, pensa nisso por favor, a tua vida não depende só de um dia, mesmo que esse dia não seja muito bom, logo a felicidade chega via mensagem.

(12/04/2013)
Rodrigues Joaquim:

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