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sábado, 26 de agosto de 2017

"O livro da memória" HD

Joaquim Rodrigues

"Porque amamos o cheiro?"

Joaquim Rodrigues

Quando amamos alguém com alma, até o cheiro desse alguém nos dá prazer cheirar, o amor quando existe, tem até cheiro, quem nunca ouviu isso? Quem consegue chegar perto do seu parceiro e aceitar o seu cheiro, é a maneira mais directa, e mais valiosa de mostrar que está ali porque ama, é mostrar que o seu parceiro ou sua parceira, é a ideal. O contrário pode ser muito frustrante, pode magoar o outro ao ponto de nunca mais se sentir há vontade a seu lado. A dor maior que o ser humano sente, é a dor da rejeição.
Quem se queixa do cheiro da pessoa que diz amar é mentira esse amor, o cheiro do seu amor é muito bom, mesmo que seja um cheiro activo será sempre normal, pois quem ama habitua-se amar o cheiro.
Os cheiros fortes são das nossas áreas olfactivas muito reduzidas no cérebro. Pelo menos em comparação com animais de outra espécie como cães e cavalos, os humanos são na verdade surpreendentemente sensíveis a odores. O exemplo que podemos fazer está nos recém-nascidos com as suas mães, elas podem identificar um ao outro pelo cheiro poucas horas depois do nascimento, uma das razoes é pela qual o bebé vai directo ao seio da mãe assim que nasce. Isso é algo que compartilhamos com a maioria dos outros mamíferos. Os ovinos e caprinos, a mãe aprende a reconhecer os filhotes recém-nascidos pelo cheiro dentro de 24 horas, e nos dias seguintes permitirão apenas suas crias mamar. Os cordeiros aprendem a identificar a mãe, da mesma forma, apesar de serem um pouco mais lentos e normalmente levarem uns dois dias até se acostumarem ao cheiro da mãe.
Se duas pessoas se amam, até o momento sexual deles tem evolução pelo cheiro, até o cheiro eles amam, é natural. É que na verdade, o cheiro fornece uma das melhores definições de quem a gente realmente é. A razão para isso é que o seu cheiro é determinado pelo mesmo conjunto de genes que o seu sistema imunológico. Ele mostra parte de quem nós somos, a sua assinatura química pessoal. Esse complexo de genes é particularmente susceptível a mutação, produzindo novos genes de imunidade a cada nova geração.
Por isso, quando amamos alguém, amamos também o seu cheiro, para cada animal o cheiro existe e tem muito poder com o amor. A ciência fala da complexidade do ser humano, porque somos o único animal que se rejeita mesmo quando afectividade parece ser enorme, o que é sempre duvidosa essa efectividade.
 - O meu namorado tem um cheiro que não suporto - diz uma mulher para a amiga - ele cheira muito a sobaco, e eu não consigo me concentrar quando faço amor com ele.
 - Olha, que o teu namorado nunca perceba isso, porque vai ser um caso muito sério minha querida – responde amiga mais inteligente, e preparada sobre o caso.
Todos temos cheiro, o cheiro faz parte da defesa do nosso corpo. Os nossos genes do sistema imunológico têm evoluído para ser quase tão mutantes quanto os genes dos vírus que nos atacam. Esse é um esforço do nosso corpo para controlar as ameaças biológicas em constante mudança que enfrentamos diariamente. Por isso o cheiro pode ser uma maneira de verificar quem pode fornecer uma boa parceria e quem não pode, mas essa não é a única função do olfacto neste contexto.
Parece que depois de se ter identificado a pessoa certa, o cheiro desempenha um papel muito importante na excitação sexual, as mulheres de uma maneira, os homens de outra maneira. Talvez por isso, as mulheres classifiquem o cheiro como algo importante na escolha do seu companheiro. O cheiro nos define como e quem amamos, o cheiro marca as pessoas de forma negativa ou positiva, e acaba se tornando mesmo uma espécie de código de barras.
Por isso temos que ter muito cuidado com nossas parcerias, e como atuamos, com quem amamos, e ao lidar com este problema que é muito sério. O olfacto, como dito acima, é muito importante no ato de aproximação ou rejeição entre duas pessoas. Quando o nosso nariz reage de forma negativa ao cheiro de outra pessoa, geralmente não sobram muitas opções. É uma atitude que não está dentro do nosso controle, pois nós cheiramos, sentimos e reagimos inconscientemente.
É verdade que algumas borrifadas de perfume em lugares estratégicos, podem tornar uma pessoa irresistível, mas um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual da Flórida, nos E.U.A., confirma que, as mulheres chamam mais atenção dos homens com o seu cheiro natural do que com perfumes. Segundo a pesquisa o nível de testosterona nos homens aumenta se eles ficam perto de uma mulher dentro do período fértil.
Como vemos o olfacto acaba desempenhando um papel muito significativo no comportamento sexual. E quando o homem e a mulher ficam excitados, seus corpos produzem odores que podem gerar repulsa ou atracção no sexo oposto. O suor é um caso típico, algumas pessoas adoram esse cheiro no parceiro ou parceira, outras chegam a desistir do relacionamento por esse motivo. O cheiro é uma das fortes influências na atracção entre as pessoas. Dessa forma, devemos ficar atentas às perspectivas sensoriais para não errar, e não cometer actos impensáveis, ama o cheiro do teu companheiro não o rejeites, aprende a saber que a rejeição faz estragos irreversíveis.

(26/08/2017)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

"EM OUTRA VIDA" HD

Joaquim Rodrigues

"UMA PAIXÃO"

Joaquim Rodrigues

Há muito tempo, ela tem um segredo que não lhe conta. Porém, esse segredo impede-a de continuar com ele e, assim, contra toda a certeza do seu instinto, manda-o embora da sua vida com a alma num pranto, sem um pingo de piedade, sem um sinal de compaixão. Diz-lhe simplesmente que não o quer mais ver, que não o ama, que a deixe em paz de uma vez. E isso ofende-o com a insensibilidade que desmente os seus verdadeiros sentimentos, contraria tudo o que ela o deixou pensar durante todo tempo que namoraram um total arrebatamento, vira costas e afasta-se dele sem que ele entenda o que se está a passar, ela entra no comboio que a levará a casa, senta-se à janela com uma primeira lágrima a escorrer-lhe pelo rosto.
Ele fica ali parado no início do cais, incrédulo, a vê-la subir para a carruagem. E ela não se atreve sequer a espreitar por cima do ombro, receando não se conter e saltar do comboio e correr para os seus braços. Ele espera pelos primeiros solavancos tímidos dos vagões, enfia as mãos resignadas nos bolsos do casaco e retira-se, enfim, indo em direcção à saída da estação.
Ela tem algumas horas de viagem para se recompor, limpa os olhos marejados de uma mágoa surpreendente. Pergunta-se como foi possível apaixonar-se em cinco dias. Era só uma semana de trabalho bastante atarefada, reuniões e debates num agradável hotel à beira-mar. Sabe que foi irresponsável, que se deixou ir sem pensar. Sabe que não devia ter dado aquele passeio pela praia, que não devia ter ficado a conversar com ele à lareira, na sala, nem, finalmente, ter subido ao quarto na sua companhia.
Pensa no marido, na filha pequena, diz a si própria que tudo não passou de um desvario, de um deslize que vai calar fundo e jamais se repetirá. Sente-se aliviada por não lhe ter contado que era casada e por não lhe ter dado nenhum contacto pessoal. Procura convencer-se de que voltará à sua rotina normal e esquecer. No entanto, já vai no fim da viagem e continua a não encontrar uma explicação razoável para o sentimento tão forte que teve por ele, que tem, como nunca teve por ninguém. Não o verá mais, supõe, fora de questão, não pode, mas parece-lhe tremendamente injusto que seja assim.
Dois anos depois, ele fuma um cigarro sentado na explanada do costume com vistas para o Mar. É um dia de Outono um pouco cinzento, são muitos os dias que ele gosta de sentar ali apreciando os sons característicos e exuberantes, que as ondas do mar fazem ao bater nas rochas, o mar lhe dá a paz que precisa.
Ela hoje é uma mulher divorciada seu casamento nunca mais foi o mesmo desde que eles se deixaram de ver. Foram muitas as vezes que pensou nele que o procurou, mas nunca o encontrou, desistiu.
Nas suas costas ele ouve vozes femininas, pessoas que acabam de chegar ao bar, mas não dá importância, contínua com olhar profundo a fumar o seu cigarro a imaginar como é sobrenatural a força que o mar tem.
Ela depois de sentada com a sua melhor amiga muda de cor como quem desfalece, amiga preocupada pergunta.
- Estás bem?
Ela abana a cabeça afirmativa, mas a emoção a faz passar a mão na cara para limpar a lágrima que escorre no seu rosto, amiga volta a perguntar.
 - Então? O que se passa contigo? Queres ir embora?
Ele ao ouvir a conversa das suas vizinhas de esplanada deixa por minutos de olhar o mar e volta-se para trás. E quando os seus olhos se encontram, ficam ali se olhando por segundos sem forças, sem palavras, frente a frente, olhos, nos olhos.
- Ok, já percebi tudo, responde amiga.

(13/10/2013

(Joaquim Rodrigues)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

"AMOR" HD

Joaquim Rodrigues

"AMAR É"

Joaquim Rodrigues

 Amar é ter paciência, é proteger mesmo que esteja com raiva, dar abraços sem nunca se encher de o fazer, mesmo que o dia seja mau. Procurar ser sempre fácil, mesmo sentindo ciúmes de algo que não se gosta muito, antes mesmo de conversar. Seja gentil e delicado com o outro, você vai receber muito mais em troca. Demonstre sempre que a pessoa amada é especial todos os dias, se esforce para que o outro assim intenda, só assim consegue cuidar de quem amamos, mesmo que o momento seja de pouca paciência.
Dar abraços quentes sempre passa energia corporal e aquece o nosso coração, apanhamos o vício dos beijinhos e é tão bom! Sair de casa, sempre que se pode juntos, sozinhos ou com amigos, e sentir orgulho de caminhar lado a lado, se você mostrar esse prazer, é o mesmo que dizer, “Eu amo-te” sem ter de dizer nada”.
Nunca parar de elogiar a pessoa amada, e tudo o que ela faz e diz. Olha que ela precisa disso, nunca contradizer, isso não é bom para o amor. Fazer planos juntos, e saber guardar segredos um do outro, nunca passe a sua vida com seu companheiro pra ninguém, olhe que quando ele perceber disso deixa de ter confiança em você. É ai, que tudo que foi construído pode ceder, ninguém precisa de saber como funciona um amor que é só seu, ninguém intende o amor de ninguém, não brinque com os sentimentos de quem te ama, isso é muito importante.
Viver sempre feliz, e para isso temos de mostrar sempre felicidade, fazer uma ou outra vez uma surpresa como dar miminhos sem que o outro esteja a contar, isso é amor, isso é cuidando do outro com sensibilidade como se tratasse de uma flor, isso é regar todos os dias o vaso, para a flor-o-amor não morrer. Ou então fazer uma outra surpresa como comprar um bilhete para assistirem ao filme que os dois falaram há mesa, fazer uma surpresa é amar com o coração.
 “Hoje vamos jantar fora meu bem, hoje vamos no centro comercial antes do cinema. Ou algo mais, que os faça aos dois sentir feliz”.
Saber andar ao lado um do outro na rua, nunca se separar um do outro, ter postura e respeito nos lugares que os dois frequentam. Saber adoçar o seu amor é muito importante, quebra a rotina, e fortalece a união, temos também de saber ceder às vontades do outro, e continuar amando tanto nas horas fáceis, como complicadas.
Amor é cuidar de quem amamos, é ser fiel sempre, sem segredo algum, nunca deixar que o outro deixe de ter confiança, o amor é ter confiança sempre, priorize quem te ama, quem te dá amor, quem está a teu lado e te apoia, nunca dê mais importância a outra coisa qualquer, dê a quem tudo faz por você.
Escolha um só caminho a seguir, sempre juntos, façamos o outro se sentir feliz com segurança, você sentirá total felicidade também. Não aceite nada que seja forçado, nem faça nada forçado, seja livre.
Mas defenda sempre o seu amor, defenda sempre de quem o quer humilhar. Quem ama, e quer ser amado, tem essa obrigação, quando amamos defendemos o nosso amor, nunca ninguém terá o direito de o humilhar na nossa frente, não podemos nunca ser cúmplice dessa humilhação. Para isso, nós temos de sentir a humilhação como fosse nossa.
 Cada dia pense que é um dia muito especial com o seu amor a seu lado, pois é a sua coisa mais importante e especial. E você tem o amor ali, a seu lado, tem de cuidar dele e só.
Na vida nunca foi proibido sonhar e ter um grande amor, mas só podemos realizar esse sonho, se tentarmos nos esforçar em dar amor para receber amor.
Temos então que prometer e cumprir o que prometemos, o amor é o principal alimento da alma e do coração é o sentimento mais valioso, e mesmo à distância creio que para quem ama, nunca vai fazer esquecer.
Alguém um dia teve a coragem de dizer o que eu nunca esqueci. Quem ama nunca esquece.

(29/05/2017)
Joaquim Rodrigues

"Dois corações perdidos" HD

Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

" A viagem mais longa"

Joaquim Rodrigues

 Um certo dia ele fez a mala para ir ao encontro dela, para partir de vez, tomando um novo rumo. Agarrados os dois a um amor que nasceu nas suas cabeças combinaram juntos que tudo daria certo. Arruma as coisas e, enquanto o faz, enquanto dobra a roupa e a coloca empilhada no interior da mala, vai pensando no que vai fazer, na decisão que tomou e a aventura que isso representa. Conheceu-a há um ano e meio, mas só tem uma certeza, de que não pode viver sem ela. Por isso prepara-se para uma longa viagem, a maior que jamais empreendeu, a de uma vida nova. Sente-se dividido entre a excitação da felicidade e o medo do desconhecido. O seu coração bate num frenesim, as mãos tremem de nervos, incertas, o espirito anima-se de coragem, procurando não pensar em tudo o que poderá correr mal e só querendo prender-se à certeza da felicidade que o espera. Diz a si próprio que a decisão está tomada e não vai permitir-se desanimar com pensamentos negativos, derrotistas. Quando eles os dois falaram sobre essa possível forma de acabarem os seus dias juntos, tudo era positivo, e sendo assim tudo iria dar certo.
Entra pela madrugada ocupado com questões práticas, arrumações de ultima hora, riscando um a um os artigos de uma lista de coisas que não quer esquecer. Quando se dá por satisfeito, vai tomar um duche demorado com um sorriso nos lábios. É bom saber que tem tudo pronto, pois fá-lo sentir-se preparado. Deita-se tarde. É a última noite nesta casa, nesta cidade. Deita-se cansado mas demasiado excitado para adormecer, de maneira que vai até de manhã a sonhar acordado com a vida que tem pela frente e só cai no sono quase à hora do despertador anunciar a hora marcada. Acorda ensonado e com o mesmo cansaço pendente da noite passada, mas encorajado pela promessa da novidade.
Olha para trás antes de fechar a porta de casa, observando os requisitos dos últimos anos, os móveis, os quadros, tudo aquilo que lhe fez parece ter sido uma vida inteira, um lugar onde se sentia seguro. Deixa escapar um suspiro, abana a cabeça como quem se questiona o que é que eu vou fazer, faz um sorriso desafiador, fecha a porta, roda a chave e parte.
Atravessa o Oceano a dormitar com a cabeça apoiada do braço, à janela, enquanto o Avião avança. Mais para o fim da viagem já está bem desperto e nervoso, numa ânsia de expectativa. Quanto mais perto do destino mais se pergunta se não terá cometido um erro, se não terá precipitado, se não voltará a falhar, se, se, se.
Desce do Avião com um saco, e procura a mala, avança cansado a custo ao longo do cais, lutando com a própria bagagem, tropeçando nela, sem saber se é isso que o irrita se é o receio que o enerva. Mas depois avista-a lá ao longe no fim do cais e ela avança para ele sorridente e, quando se encontram, abraça-a, beija-a e ela diz-lhe que bom estar aqui finalmente, e nesse instante, todos os receios, duvidas, nervos se dissipam num encantamento, numa certeza de que tomou a decisão correcta.

(09/07/2012)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

"Ter sempre voz" HD

Joaquim Rodrigues

"Viver"

Joaquim Rodrigues

Nunca senti vergonha de amar alguém, os sentimentos que eu sempre expus, foram sempre verdadeiros, naturais e justos. Todos nós na nossa vida amamos sempre alguém, mas como tudo na vida acaba?
Acaba porque talvez seja um amor daqueles amores descartáveis, talvez seja porque como todos nós estamos marchando em bando para esse precipício sem fundo, que é transformar o afecto em satisfação do ego.
E lá vamos nós, galopando, sedentos e tropeçantes, lá vamos nós, reduzindo o amor à citação da frase bonita nas redes sociais, lá vamos nós, reduzindo o amor a uma selfs bonita, mesmo distante, superficial e irreal.
Todos nós fazemos promessas que nunca vamos cumprir! Damos a mão ao desconhecido jurando ser um velho amigo, esquecemos, no entanto, das lacunas individuais do outro. Esquecemos das rachaduras que há, no eu, que se transporta para você e para os nós, fingimos que o outro não está ali, porque o importante é a nossa projecção ficar intacta, no nosso ego, e se prejudicamos o outro, passa a ser um problema dele, desde que estejamos bem connosco mesmo.
Ai! …O amor dos sonhos. O amor desenhado e pré concebido. O amor e seu passo em falso, o amor do sorriso aberto no canto da boca, fazendo uma fenda, tudo isso é inabalável até o primeiro estalo, até o mirado no tecto de olhar triste, até o desmoronamento até virarmos ameaça, é ai que a gente pula do barco antes que este se afunde, não existe bote preferencial, é cada um por si, e Deus por todos.
É aí que deixa de haver marinheiro, quem mais acreditou que se lasquem, a falácia não se sustenta, o amor coisa nenhuma, e sim vaidade, o amor coisa nenhuma, e sim um passatempo, o amor coisa nenhuma, e sim, uma droga alucinogénia da sua própria e única felicidade, e assim acaba o efeito, a ressaca, acaba a droga da imaginação do amor, o amor? Vamos é negociar como o fazem os traficantes.
O amor entorpecente, com mais ressaca, com mais vício, até ficarmos todos irreconhecíveis, revirando qualquer lixo para uma refeição saudável, somos óptimos teóricos, mas não somos pragmáticos, tentamos ensinar é ao outro aquilo que que não sabemos, e muitas das vezes a quem mais sabe do que nós sabemos. Somos Ph.D. em teorização socrática do amor, mas desarmamos logo tudo na primeira questão que aparece.
Culpamos sempre Deus, por tudo que fazemos, culpamos nosso modelo económico, culpamos a sociedade, e esquecemos que a sociedade somos nós mesmo.
Suplicamos, mais amor, “por favor”, mas não temos nada a oferecer, a não ser uma noite vazia, uma estação do ano, uma garrafa de vinho barato.
Se o outro não está mais para servir a bomba de endorfina, descartamo-nos dele. Fazemos dos nossos parceiros traficantes do bem-estar, afinal, para que serve um garçom com a bandeja sem nada, vazia?
Vamos é chamar outro, e outro, e outro, até encontrar quem nos sirva, morrer pobre não está no nosso sonho, não vamos é fechar o bar, sem encontrar nada, e acabar caídos na calçada praguejando Deus ou a pouca sorte ao infinito, só porque não somos capaz de reconhecer quando erramos.
É verdade que já estamos em outros tempos, que a idade já não nos ajuda a convencer ninguém, mas deixar de tentar não se ganha nada.
Também é verdade que quase ninguém leva a sério a promessa, (de que nos vamos amar até que a morte nos separe?), e talvez seja mais saudável assim.
As relações acabam, a vida é um rio com várias fluentes, que nem sempre corre para o mesmo lado, tem sempre quem mude o seu trajecto, o trajecto muda, mas o rio segue a sua viagem, o problema é quando achamos que no mundo, a definição do amor ideal é só para satisfazer nossos desejos, e viver nossos sonhos, o problema é quando perdemos a noção do sagrado, mentimos com todos os dentes que temos na boca, e conseguimos convencer o mundo, (só o mundo que nos é igual pois é claro), e compramos todo o tempo do profano.
E assim, as juras dão lugar ao silêncio, e ao sentimento não correspondido em uma via de mão única, basta rasgar umas fotos do outro, virar as costas ao outro, que o outro logo deixa de existir.
E vamos repetindo sempre os mesmos erros, e vamos seguindo todos, nessa marcha fúnebre, que é a dor do amor morrido, podemos saber que não nos fizeram juras eternas, podemos saber que ninguém pode prometer nada, mas quem vive com o amor, acredita que fosse verdade, mas nada foi feito para durar.
Mas nunca podemos é, sentir vergonha de amar, a vida é constituída com amor, sem amor não existe vida, o amor-próprio, e o amor ao próximo também.

(21/08/2017)
Joaquim Rodrigues

Distâncias" HD

Joaquim Rodrigues

"O palhaço"


Joaquim Rodrigues

Por eu levar a minha vida sempre a brincar
 um dia chamaste-me covarde e palhaço
mas na verdade o que aconteceu, 
foi que nunca acreditaste em mim, 
na minha maneira de brincar, 
dizendo verdades! 
Se tu acreditasses, 
terias ouvido muitas verdades 
que eu digo a brincar.
Posso ter-me portado 
muitas vezes como um palhaço, 
mas nunca como um covarde. 
Tudo porque eu sempre acreditei, 
na seriedade da plateia 
que nunca parava de rir.

(13/09/2014)
Joaquim Rodrigues

"Sentir por dentro" HD

Joaquim Rodrigues

"Despedida Sentida"


Joaquim Rodrigues


 Nestas últimas linhas que escrevo para você, nesta última mensagem, não quero esquecer nada, quero dizer-te tudo quanto está ainda na minha alma.
Começo por agradecer a Deus por eu te ter conhecido, e passado momentos muito felizes contigo. Agradeço a Deus por me ter dado o prazer de te ter conhecido pessoalmente, te ter tocado e abraçado com abraços ternurentos como foram sempre os meus, de beijar tua boca com muito amor, agradeço a Deus porque teria morrido antes se não tivesse beijado você, e assim cumpri um sonho desde o primeiro dia que te conheci, um sonho que me ia matando de desejo.
Adorei ficar a teu lado, te ver ali na minha frente tão pertinho sentir o teu cheiro, o calor do teu corpo, adorei olhar nos teus olhos ternurentos, quando tu me abraçavas, e me fazias sentir um homem amado, obrigado por me fazeres sentir tantas sensações boas, como, o teu cheiro que era único pra mim, eu já me tinha habituado a ele, já o notava ao longe, obrigado por sentir-me tão amado obrigado.
Confesso, que poderia ter sentido muito mais de você, muito mais, mas cada segundo que estive a teu lado foi o meu melhor, e eu aproveitei o máximo, foi a teu lado que eu só vivi o momento nada mais, foi a teu lado que consegui esquecer tudo que eu já tinha vivido pra trás, todo o meu sofrimento.
Foi pouco aquilo que Deus me deu contigo, mas foi lindo, poderia ser mais, mas Deus é quem sabe, Deus só nos dá aquilo a que temos direito, deu-me momentos mágicos deu-me o prazer de sentir um sonho na realidade, de passar a sentir a esperança renascer, e por isso só posso ficar muito, mas muito agradecido.
A gente na vida, não podemos é idealizar tudo o que sonhamos, nem tudo o que a gente deseja está ao nosso alcance. E eu idealizei-te demais, eu nunca pensei que existe-se horas de partir. Muito menos como o fizemos.
Se pudéssemos voltar o tempo para trás, eu confesso que voltaria até ao primeiro beijo, mas já não há tempo, foi-se o tempo, esvaziou-se o tempo por entre nossos dedos, mas nunca vou esquecer o meu amor! Pois o meu amor por você, para mim será eterno.
Agora o que eu não quero, é que sintas pena de mim, ou penses que sofro por ti, quero que fiques feliz, pela oportunidade que eu tive a teu lado, e sempre te lembrares que eu tentei te cativar, fazendo o meu melhor, o que estava ao meu alcance, o que eu podia fazer, se por acaso eu em alguma coisa falhei nunca foi intenção minha eu sempre te quis muito bem, porque te amei. Nunca te pedi nada em troca, porque estavas o tempo todo dentro de mim, e era tudo o que eu mais queria. Só quero que tenhas uma certeza que tudo que eu disse e escrevi pra você, eu fui sempre sincero.
Quero que sejas feliz e encontres o amor como tu desejas, que tenhas um amor mais forte que o meu, é isso que eu espero. Não posso mentir se disser que não está a ser difícil! Mas agora eu liberto o teu coração, e só posso dizer, seja sempre feliz sempre…Adeus meu amor!

(21/07/2017)
Joaquim Rodrigues

domingo, 20 de agosto de 2017

"Promessa de Amor" HD

Joaquim Rodrigues

"Saudades"

Joaquim Rodrigues


Sinto ainda a frescura de um perfume que ainda deixa o ar com o aroma da saudade. Sinto ainda o cheiro do seu hálito que me chegou tão doce e tão fresco, trazido pelo vento.
Sinto a saudade do entardecer, do final dos nossos dias juntos, saudades daquelas tardes de Verão que mais pareciam de outono, do friozinho que sentia dentro e fora do meu corpo só porque ali estavas tu comigo. Saudades da pracinha que eu e tu visitávamos, saudade daquela árvore de cheiro agreste que lá havia, que deixava cair as suas flores pálidas, dando um ar de nostalgia.
Lembro-me de uma tarde em que eu tremia a teu lado, acho que se fosse retratada em uma tela aquela tarde, ganharia uma cor especial, um rubro-alaranjado do pôr-do-sol que teimava nos visitar de vez em vez. Talvez algumas gotas de amor a deixariam com uma aparência menos bucólica.
É inegável o bem que me fez hoje eu lá voltar àquela praça escolhida por nós dois, íamos lá namorar, como não existisse lugar mais nenhum para namorar e poder sentir o nosso amor, sempre no fim das tardes Outonais numa época de Verão.
Eu hoje ainda sinto o perfume das pétalas daquela flor que caia sobre nós da árvore que lá havia. Tudo era lindo, parecia uma encomenda dos anjos do céu, a impressão que dava, que a cada "Te amo" que trocávamos, eles derramavam uma cascata de flores e sorriam satisfeitos pela missão cumprida.
Á muito tempo alguém me disse que nunca temesse amar, que mesmo que fosse um amor passageiro que eu o acolhesse que o guardasse com carinho. Nessa época eu perguntei porquê, mas hoje eu sei e sinto a resposta que recebi. 
É sobrenatural, tem muitas emoções, sinto desejo de viver cada segundo, de sorrir cada momento, de amar sempre. Sinto desejo de a ter comigo para aquecer todas as tardes frias de um outono em tempos de Verão.
Tudo isto, como posso eu, esquecer? Se não paro de sentir o perfume das pétalas caídas e perfumadas de todos aqueles meus dias a seu lado? A cada dia que eu regresso atrás daqueles lindos e felizes momentos, como eu vou esquecer se até o cheiro do seu hálito eu sinto? E o seu paladar também.

(29/06/2017)
Joaquim Rodrigues

sábado, 19 de agosto de 2017

"Amor sentido" HD

Joaquim Rodrigues

"Um amor vulgar"

Joaquim Rodrigues


A um sábado há tarde eles os dois entram no supermercado vai às compras, são um casal vulgar, na casa dos sessenta, daqueles que ninguém repara duas vezes, quando cruzam com eles. Ele veste um fato cinza escuro, gasto, de má qualidade, e usa gravata apesar de ser fim-de-semana. Ela traz um dos seus eternos vestidos leves de Verão, floridos, que dão a impressão de serem todos iguais e todos igualmente banais.
Demoram-se cerca de uma hora pelos corredores do supermercado. Escolhem criteriosamente os produtos que compram, e trocam uma ou duas palavras sobre a marca dos cereais ou do azeite e, estando os dois de acordo, colocam-nos no carrinho. Nenhum deles toma uma decisão autónoma e faz uma compra por impulso. Tudo o que levam obedece à regra do consenso. Dir-se-á que é uma negociação inútil, visto que no final levam exactamente as mesmas compras de sempre, mas trata-se de um ritual antigo que lhes dá prazer cumprir.
Colocam os produtos no tapete rolante da caixa, onde a empregada jovem vai passando com eficiente indiferença as embalagens pela máquina que lê o código de barras. A rapariga não abre a boca, senão para lhes perguntar se querem sacos e para os informar do total da conta. E muito se poderia dizer sobre uma pessoa pelas compras que faz. Mas ela só está interessada em verificar quanto tempo falta para acabar o turno.
Ele enche dois sacos de plástico enquanto ela atrapalha a fila de clientes ao apresentar um maço de papéis de desconto que obriga a empregada a verificar antes de fazer a conta. Depois, tira uma nota da carteira e alguns trocos do porta-moedas. Saem do supermercado, atravessam a rua, colocam os sacos no porta-bagagens do carro, voltam a trancá-lo, dirigem-se para a pastelaria ali mesmo em frente, sentam-se na esplanada. Pedem dois cafés e dois pastéis de nata. E, se não pedissem, o empregado saberia o que lhes deveria trazer, pois vão lá há anos e, que ele se lembre, nunca fizeram um pedido diferente.
Não conversam muito, mas há uma ternura óbvia na forma como comunicam com um olhar cúmplice ou um gesto atencioso. Demoram-se ali cerca de meia hora. Há sempre uma ou outra pessoa que entra ou sai da pastelaria e que os cumprimenta educadamente, gente conhecida do bairro, só isso. Eles não têm propriamente amigos, nem filhos, nem sequer família afastada. Vivem um para o outro com uma dedicação pacífica, muito agarrados às rotinas quotidianas. Houve um tempo em que pensaram em viajar um pouco, depois de se reformarem, mas, chegada a altura, acabaram por desistir da ideia. São um casal sem ideias. Ainda assim, são felizes à sua maneira, enfim, moderadamente felizes, como tudo na vida deles.

(18/07/2014)
Joaquim Rodrigues

"No escuro" HD

Joaquim Rodrigues

"O lênço de papel"

Joaquim Rodrigues

Na vida a gente aprende de tudo, aprendemos como podemos ver o amor, e como o amor muitas vezes nos faz chorar, e como durante esse período de tempo consome-se dezenas de lenços de papel, só para limpar a ranheta que largamos.
Todos tipos de lenços usados são muito frágeis, e todos os namorados não param de ter erros ortográficos, foi sempre assim, e sempre assim será! Ainda hoje na reprodução dos lenços originais, os erros não foram corrigidos, se tu aceitares, só te posso aconselhar duas coisas.
Primeiro proponho que participes num concurso, reescreves todas as quadras que tens na tua memória em lenços de papel, mas escreve sem erros.
Segundo vais ter de lembrar que eu existi na tua vida, e que as quadras que escreveres têm sempre forçosamente de ter o meu nome, caso contrário, o que reescreveres nunca vai ser verdadeiro. Convém te preparares bem, para entrares no concurso, para não falhares, entras então numa biblioteca, pode ser a biblioteca da vida, pois ela ensina muito bem, e lê tudo sobre pessoas que não param de consumir papel, e então é ai, que tu me vais conhecer melhor.
 Aproveita para aprender de onde sai o papel para fazer os lenços dos ranhosos, e como os lenços depois são feitos.
Quanto ao concurso atenção só serão aceites os melhores trabalhos. Mas se tu fores inteligente, talvez consigas, talvez sejas a melhor, depois já não tens de consumir papel. Portanto despacha-te há um prémio para o melhor trabalho. Eu já mandei o meu.
Meu amor deixa-me eu chorar até eu me cansar e consumir todo este papel, só quero que me leves para um lugar qualquer contigo e chorar há vontade, mas onde Deus nos possa ouvir aos dois”

(26/07/2017)
Joaquim Rodrigues