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sábado, 25 de maio de 2013

"Eu Vi a Mão de Deus"

(Joaquim Rodrigues)

 
Eu olhei! E vi a mão de Deus.
Ela parecia estar em toda parte.
No Sol, no Ceu, no horizonte.
No sorriso das pessoas.
Que cruzavam por mim.

Para tudo que eu olhei, eu vi uma luz.
O que parece ter chamado atenção.
Era uma mão muito iluminada.
Aquela mão dava paz, a quem a merecia.
A quem fazia o bem.

Uma mão, que se desviava.
De quem mentia, de quem culpava.
Sinto pena, poucos a terem visto.
Mas ela estava ali, tão pertinho de mim.
E em toda a parte.

Nas águas, nas árvores, nos pássaros.
Que por aqui passaram, e em tudo.
Do mais vulgar que havia.
Mas parecia falar?  Ama sempre.
Faz o bem, e receberás o bem!


Uma mão incrivelmente linda.
E poderosa! Trouxe vida.
A quem por ali andava. Eu vi!
Poucos a viram mas a mão está por perto.
Está em toda a parte.
 

E vai dando sua graça com prazer.
A todos que acreditam nela.
Em todo o lado eu vi, a mão de Deus!
 (25/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Um Sorriso Apaixonado" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Sorriso"


Ele foi sozinho passar alguns dias de férias a um país estrangeiro, que no seu caso, sempre representa uma aventura assinalável, porque sempre o fez acompanhado! Mas desta vez não deu, foi mesmo só! Há mais de 20 anos sempre tivera um interesse especial em conhecer aquele país, só o conhecia pela televisão, e até aí bastava-lhe. Meteu-se ao caminho e lá foi ele apanhar o transporte que o levaria ao sonho de 20 anos. E desta vez o faria distanciar de sua casa mais de 6000 Km. De modo que se deixou ir atrás de uma curiosidade nova, e decidiu conhecer outro país que não o seu. Escolheu-o sem critério. Dado que desconhecia o mundo todo, pensou que qualquer um lhe servia para começar.
E agora ali está ele, na capital de um país distante, pasmado com uma pirâmide de vidro. À sua frente tem um museu e decide entrar. Aguarda na fila, compra o bilhete, percorre as salas com quadros de pintores célebres de que nunca ouviu falar. Há um pequeno, que todos querem ver e mostra o retrato de uma mulher com um sorriso enigmático. Não percebe por que motivo esse quadro atrai tanta gente, mas fica preso à ambiguidade daquele sorriso tímido. Sente uma vontade irresistível de comentar o assunto com alguém, olha em redor, à direita está uma mulher da sua idade.
 - É estranho o sorriso dela, diz, parece que não estava nada interessada em ser retratada.

(Joaquim Rodrigues)
A mulher olha para ele, um pouco espantada. Não percebeu o que disse, mas depois começa a falar numa língua desconhecida. Nenhum dos dois compreende o que o outro diz, mas de repente ela cala-se, encolhe os ombros e oferece-lhe um sorriso encantador que o deixa rendido.
Estão sozinhos numa cidade estranha, desamparados, sem saberem falar a língua local, mas aquele sorriso aberto é suficiente para se entenderem. Ambos precisam de companhia e continuam juntos pelo museu fora, comentando por gestos o que veem. À saída ele vira-se para ela e pergunta-lhe.
 - Quer vir comigo tomar um café?
Ela percebe a palavra café, sorri-lhe de novo com aquela expressão que o cativou na primeira vez.
 - Café, ok! Responde.
Descobrem uma esplanada e sentam-se a uma mesa, felizes por estarem juntos, divertidos com a comunicação errática, procurando maneiras imaginativas de se fazerem entender. E desde esse dia e durante os dias que se seguem não se largaram mais, bastando-lhes sempre um sorriso quando a língua falhava.

(07/09/2012)
Joaquim Rodrigues

"Um Anjo" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Anjo"



Um dia me chamaste de anjo.
E eu, me senti no céu!
Imaginei que tinha umas asas enormes!
E com carinho te abraçava com elas.
E, te protegia de todos os teus medos.
 
E eu, ao teu lado me sentia um herói!
Um herói orgulhoso por ser teu protetor.
Por te ter ali junto a mim.
Que foi sempre o que mais desejei!
 
E assim finalmente te olhar nos olhos.
Te tocar quando eu quisesse.
Te dar todo meu carinho, te beijar.
Afinal eu gosto de viver abraçado ao amor.
 
Mas minha querida amiga, minha amada.
Tens que aprender também a saber.
Que os anjos também fraquejam como tudo na vida!
Fraquejam porque têm coração como todos os seres vivos!
 
Os anjos também amam minha querida.
Os anjos também fraquejam.
Tanto vestem a capa de heróis que são suas asas.
Como se deixam cair, e ficam à mercê do coração!
 
Mas hoje quero-te lembrar que te adoro!
Adoro quando me chamas de teu anjo!
Me arrepia, eu fico como paralisado.
Sem saber o que te responder!
 
Eu tenho tanta coisa para te dizer!
Mas penso que vai chegar o dia!
De te apertar num abraço.
E te chamar de minha querida.
 
Tenho pensado tanto como é preciso aprender.
E saber perder, saber ouvir, e não responder!
Prefiro ficar calado quando não quero dizer o que penso.
Do que ter que falar e não te dizer nada.
 
Mas por favor nunca pares de me chamar anjo.
adoro que me toques com palavras, mexe comigo.
E lembra-te sempre que um homem.
Quando fica calado perante uma mulher.
É porque tem muita consideração por ela!
 
(19/12/ 2012)
Joaquim Rodrigues

"Fragil" (HD) Joaquim Rodrigues


"Escolhas Erradas"


Quando sinto a noite chegar.
E aquela brisa do mar, a me envolver.
De ti sempre me irei lembrar.
E não tenho teus braços, para me aquecer.
 
Vou-me sentir muito triste e até só.
Me lembrando de todos, nossos bons momentos.
E envolvido nesta minha tristeza, de dar dó.
Me lembrarei da felicidade daqueles tempos.
 
Agora sei, como era feliz e não sabia.
E mesmo assim, te mandei embora.
Só me resta apenas, este vazio, agora.
 
E seguir a minha vida com lembranças.
Vou pedir a Deus felicidade.
Que deitei fora, e só colhi tempestade, não bonanças.
 
(24/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Um conto que não estava Bem" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Varanda do Hotel"


Foi há muito, muito tempo, mas ele lembra-se como se fosse hoje desse episódio fugaz que o marcou indelevelmente a vida. De tempos a tempos ainda regressa ao hotel onde a conheceu, já não com a esperança de a reencontrar, embora, no fundo, persista a fantasia de imaginar como seria se desse com ela tantos anos depois. Faz hoje exatamente dez anos que se conheceram na larga varanda onde serviam refeições leves. Lembra-se de ter fechado os olhos protegidos pelos óculos escuros, deleitado com o Sol quente do final desse Inverno, e, ao reabri-los, ter reparado que ela se sentara à mesa do lado. Sorriu-lhe, ela retribuiu. Era uma mulher bonita e o seu cabelo, de um amarelo quase branco, fulgia com o reflexo da intensa claridade do dia. Acendeu um cigarro, estendeu-lhe o maço, ela rejeitou educadamente.
- Obrigado, não fumo, disse.
Comentou que era agradável aproveitar aquela varanda num dia soalheiro. Ela concordou. Continuou a falar. Não era o seu género meter conversa, muito menos sair-se bem, mas estava inspirado, eloquente, bem-disposto, fê-la rir-se com gosto. À frente deles estendia-se um extraordinário jardim desenhado à tesoura, com sebes geometricamente recortadas. A conversa fluiu pela tarde, continuou durante um passeio tranquilo pelo jardim florido, acabou de novo na varanda com o Sol mortiço, uma chávena de chá. E, no final do dia, ficaram com a sensação de se conhecerem há muito. Convidou-a para jantar, ela recusou.
 

 - Hoje não posso, disse, mas talvez amanhã, se nos encontrarmos aqui.
- Combinado, respondeu, entusiasmado.
- Combinadíssimo, reforçou ela, sorridente.
No entanto, no dia seguinte não compareceu ao encontro e, ainda hoje, ele não sabe porquê. Não estava hospedada no hotel e não havia forma de a localizar, perdeu-lhe irremediavelmente o rasto. Contudo, ficou sempre aquela impressão de se entenderem perfeitamente, de natural cumplicidade. Agora, sentado à mesma mesa, na mesma varanda do hotel, fecha os olhos e imagina que, ao reabri-los, como seria ao descobri-la sentada ali ao lado como na primeira vez. Isso não acontece, evidentemente. Mais tarde, ao sair do hotel, cruza-se com uma mulher de cabelo loiro quase branco no preciso momento em que o empregado o chama, trazendo uma chave esquecida, e ele, voltando-se para o homem, não dá atenção ao vulto que passa por trás de si. Ela também não lhe vê o rosto e não o reconhece de costas. Ele vai-se embora e ela vai sentar-se na varanda, à mesma mesa de sempre, onde, por vezes, gosta de aproveitar o sol e imaginar como seria se ele aparecesse de repente e retomassem a conversa como se não tivessem passado dez anos.

(10/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Partidas" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tu Consegues"



Tu vais conseguir com o tempo, tudo o que queres.
E vais perceber também, que para se ser feliz.
Com uma outra pessoa.
Tu precisas em primeiro lugar, não precisares dela.
 
Percebes também, que aquele alguém que tu amas.
Ou achas que amas, mas que não quer nada contigo.
Definitivamente não é a pessoa da tua vida.
Tu vais aprender a gostar de ti, a cuidar de ti.
 
E principalmente gostar de quem também gosta de ti.
O segredo é não correr atrás das borboletas.
E sim cuidar do teu jardim, para que essas borboletas.
Venham até ti no final de contas.
 
Tu vais encontrar quem estás procurando, tenho a certeza.
Como vais encontrar, quem está procurando por ti!
EH! Eu acredito, que tu vais conseguir encontrar o que queres.
Mas por favor, tens que aprender primeiro a gostar de ti.
 
(22/05/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 21 de maio de 2013

"Lenda" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Minha Avó"

(Joaquim Rodrigues)
Parece que ainda estou a ver a minha avó ao longe na sua silhueta descontraída, vestida de tarde, essa sim era uma mulher, e nunca lhe fizeram homenagem alguma por ter sido mulher como hoje fazem. (hoje a mulher tem muitas vénias, tem até o seu dia internacional).
Minha avó subia a calçada na calma amarelada do dia que suportava uma beleza silenciosa. Era já velha com os seus oitenta anos (a idade não serve só para envelhecer), magra, de mãos enroladas, vestida de negro, rosto cansado pelos tantos anos já vividos sobre aquela face que, tantas tardes, como aquela já viu e viveu.
Sobe com a energia possível, carregada de umas sacas de quilos de compras, que ao passar pela mercearia ela as tinha pedido que as pesasse. Quando chegava ao cimo da calçada chegava sempre transpirada mas feliz, ela foi uma mulher feliz, o que não entendo é que era feliz para que todos os outros o fôssemos, principalmente os que a rodeava como eu. Hoje sei que era verdadeira e pura, a felicidade da minha avó.
Quando chega o Dia Internacional da Mulher, é bonito, fica mesmo bem, é fixe tecer comentários elogiosos sobre a mulher. Quase nenhum especialista que se pronuncia pelos média, a torto e a direito, e pretende exibi-la como género superior a expõe, e a apresenta como a origem de conflitos. Ninguém a quer ver como personagem capaz de incendiar uma casa, estragar uma relação, de levar aos arames uma companhia, uma família.
A mulher de hoje não é a mãe querida, que se torna na avó querida de outrora, e da fantasia, que se perdia por entre tachos e panelas, e que nos criava sempre debaixo da saia, com o amor e o carinho de mulher, que reluzia por dentro. Já sei que a vida é feita de coisas boas e más, que existem pessoas más e boas pessoas, mas temos que falar disso porque é preciso. A mulher do tempo moderno não é deusa, e é cada vez mais espécie do sexo feminino, mais capa de revista, do urbano e mundano, e menos da cozinha e do consenso sociofamiliar. Sobre ela atraem necessidades novas, apelam exigências sociais que moldam para padrões de vida exigentes e egoístas, às vezes degradantes, que lhe induziram características que não a beneficiam, antes a despem, antes a tomam mais dependente, insatisfeita, mais objeto, que outros mais bem-intencionados a anunciam como revolução e emancipação.
Coisa polémica será sempre a mulher de hoje! Para mim, a minha Avó, e todas as avós do mundo, hoje como sempre merecem uma homenagem!

(11/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Gostasses Tu de mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Cofre"

(Joaquim Rodrigues)

 
Para todos os meus amigos.
Hoje tenho uma verdade a dizer.
Mas para o saber.
 
Vais ter é que ler tudo o que te escrevo aqui!
Se o fizeres, vais passar a conhecer-me melhor.
E ai, ficarás mais há vontade.
Para comentares algo de mim.
Mas com todo o respeito claro.

Quando eu amo alguém.
Eu guardo esse amor.
No meu cofre a sete chaves.
Assim ninguém conseguirá.
Roubar o que de mais importante.
Eu tenho na minha vida.

Amar é olhar para dentro de nós mesmo.
E dizer! Eu quero, é viver intensamente.
E sonhar, e me perder no meio de tantos sonhos!
 

É estar presente mesmo até na ausência.
É vencer através do silêncio.
Amar é ser adulto e criança ao mesmo tempo.
É viver a vida em versos.
A maior e mais emocionante experiência humana.

Amar é ter o Sol, e querer só se aquecer nele.
É ter o Céu azul e querer apenas uma estrela.
É ter o Mar e querer apenas uma gota de Água.
Amar é ter o Mundo, a seus pés.
E apenas querer-vos a todos aqui.
Guardados no meu cofre.
(21/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Tudo tem Limite" (HD) Joaquim Rodrigues