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sábado, 22 de março de 2014

“A quem telefonar?”


Estão agora os dois sentados frente a frente naquele salão de chá. Tomam chá num acolhedor café da rua de Santa Catarina, na cidade do Porto. Está uma tarde chuvosa e a água escorre pelos vidros das janelas, derramando neles a melancolia do inverno, ela declara com amargura.
 - Os homens são todos iguais, umas bestas! Não se pode confiar neles.
Ele pousa nela os seus olhos perplexos, e logo pensa que dizer mal dos homens no primeiro encontro não é a melhor estratégia romântica.
 - Meã culpa, defeito meu desculpa.
Conheceram-se no Facebook numa daquelas noites muito chuvosas e frias que nos deprime e nos faz ficar em casa. Passaram a trocar mensagens e acabaram por combinar este encontro. Desde o seu divórcio, já passaram alguns anos, ela não voltou a casar. Nesse período, teve dois namorados, nenhum por mais de seis meses. Diz que não acerta, que só lhe aparecem homens que não prestam. Ele tem um sorriso benévolo e pensa, mas não diz, que nunca casou, já teve muitas namoradas, nenhuma por mais de seis meses nos últimos anos, e está muito bem assim. Então porque se queixa ela? Queixa-se porque, apesar de ter tido um casamento miserável durante cinco anos, ambiciona casar-se novamente. A sua extrema sensibilidade em relação a esse fracasso não lhe destruiu só o casamento, mas também as três relações subsequentes. Com efeito, ela tem saltado de falhanço em falhanço porque saiu magoada e desconfiada do casamento e
(Joaquim Rodrigues)
estendeu os sentimentos negativos aos dois namorados seguintes. Mas não tem a lucidez suficiente para entender que, ao tratar os namorados como culpados e ao fazer-lhes exigências insensatas, o seu comportamento irascível provoca uma reação de desconforto e de rejeição.
Ela tem cinquenta e dois anos e um sentimento de urgência, quer, desesperadamente, corrigir o pesadelo desse casamento falhado e retomar o sonho de uma relação que lhe permita ser feliz o resto de sua vida e ter uma segurança no futuro que ainda resta. Mantem-se, portanto, num limbo, com a sensação de ter a vida suspensa já há anos. Só considera o futuro, falta-lhe a tranquilidade necessária para aproveitar o presente. Ele não sabe nada disto, evidentemente, mas, ao escutá-la no decorrer da tarde, vai começando a ter uma ideia dos motivos da sua amargura. Em redor, o sábado vai-se escoando num rumor de conversas serenas, de chávenas fumegantes, de chuva a bater nas janelas. Finalmente, pensa que poderia dizer-lhe que os homens não são todos iguais, que ela é que os faz todos iguais, porém, já a ouviu lamentar-se tanto que começa a sentir-se saturado. Paga a conta levanta-se olha para ela e pergunta.
 - Vamos?
Saem. Tinha pensado convidá-la para jantar, mas desistiu da ideia. Acompanha-a ao táxi e despede-se sem promessas. Depois, respira fundo o ar fresco da noite e pensa.
 “A quem hei-de telefonar agora, para compensar este fiasco?”

 (23/02/2014)
Joaquim Rodrigues

"O Vento"

                             
                                                             (Joaquim Rodrigues)

"Será sempre um olhar" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                              (Joaquim Rodrigues)

“Acredita no teu futuro”


Hoje ela já sabe o seu futuro. Ela tem a perfeita noção de que a sua vida se foi compondo de raros e preciosos momentos de grande felicidade. Um determinado Natal em que recebeu um presente especial das mãos do pai, era ainda criança, o dia em que concluiu o curso superior, o instante em que deu o primeiro beijo quão namorado e o dia em que casou com ele, a madrugada em que lhe passaram para os braços o filho recém-nascido. São momentos de felicidade gravados na sua memória. No entanto, para além desses instantâneos de alegria descomedida, persiste a sensação de uma vida sem graça, no seu todo. Teve a infância fácil e despreocupada que qualquer criança merece. Depois, sentiu-se traída pela natureza ao descobrir que não passava de uma rapariga vulgar, pouco abençoada pela beleza, que não despertava o interesse dos rapazes. Finalmente, cativou um jovem tão pouco interessante quanto ela e, sabe-o agora, confundiu o alivio com felicidade e a necessidade de amar com amor verdadeiro. Casou. Vinte anos passaram. O filho cresceu e saiu de casa. Ela pensou que se fechava um ciclo. Entretanto, ia trabalhar dia após dia, semana após semana, na empresa vulgar onde tinha um emprego banal. O seu sonho era largar tudo e partir, a sua fantasia foi por de lado um bocadinho do ordenado durante anos a fio para um dia concretizar o seu sonho.
(Joaquim Rodrigues)
Mas, no fundo, nunca acreditou que chegasse a dar o passo decisivo. Era só um sonho muito pouco realista e, portanto, nada faria para tornar verdadeiro. E, pensando bem, nem sequer se pode dizer que fosse um sonho muito original. Ela própria pensava que havia milhões de pessoas com a mesma ideia vaga de largar tudo e partir. E que, sendo uma ideia tão vaga que não chegava a ser um plano, nunca partiam realmente. Por isso, continuou no seu trabalho aborrecido, a sentir-se encurralada e a pensar num futuro diferente, esquecendo-se de viver o presente. Até que o mundo se encarregou de decidir por ela a mudança que sonhava. Com a chegada da crise económica, a empresa onde trabalhava foi arrastada na avalancha das falências e ficou desempregada. Agora, ali está ela sozinha, sentada num banco publico à frente da praia de Copacabana. A noite caiu morna e ela, sem nada para fazer, escuta o rumorejar da cidade enquanto fuma um cigarro. Com quarenta e sete anos, está feliz porque realizou o seu sonho, embora sinta um cliché e tenha feito esta descoberta surpreendente de que tem saudades do marido. Apaga o cigarro, suspira, levanta-se e regressa ao hotel a sorrir. Já decidiu voltar para casa, mas desta vez para viver o momento, ser feliz e não se preocupar com o futuro.

 (13/03/2014)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"SIM,SIM" (HD) Joaquim Rodrigues


"Uma noite feliz"



No salão de portas abertas, soltam-se os sons musicais de uma banda onde todos os fim-de semana faz encher o espaço noturno, com diversão até de madrugada. A voz do vocalista da banda é profunda, acompanhada por musicos com muita experiencia, canta uma música de Roberto Carlos, “Sorriso bonito, olhar de quem sabe, um pouco da vida”. Ele encostado ao balcão, embala o gelo no copo... de uísque. Tem um cigarro esquecido a queimar entre os dedos a pensar nela, espera por ela sem saber se vem.
Da janela ao fundo do salão chegam-lhe rumores de vidas alheias, gargalhadas, passos na calçada molhada de uma chuva recente que lhe atraem o olhar. Dois vultos fugazes passam lá fora de braço dado, ficando-lhe registados na retina como uma fotografia tremida ao piscar do néon azul, branco, violeta, que ilumina as letras gastas do nome que dá ao salão de baile. Ele pensa nela, imagina-se a dançar com ela enquanto espera por ela sem saber se vem.
A banda agora toca "I'm Just a scarecrow without you Baby, please don't disappear, I beg your pardon dear”. E o seu cantor canta do fundo da alma.
Ela surge à porta, dá alguns passos já no interior do salão. Ali parada, consegue ver a luz amarela que incide sobre o pianista da banda. Vê as suas mãos tranquilas correndo ao de leve sobre o teclado, e ouve a voz profunda, de quem canta: "Eu nunca quis dizer aquelas coisas que eu te disse, aquilo era uma paisagem na minha cabeça"I didn't mean those things I Said You are the landscape of my dreams”.
(Joaquim Rodrigues)
Ela localiza-o encostado ao balcão do bar, a fazer-lhe sinal com o braço levantado, um copo na mão, como que saudando a sua chegada.
Ele segue-a com os olhos à medida que ela se aproxima. Traz um vestido cor de areia, justo na cintura, que brilha ligeiramente no escuro, o cabelo apanhado, brincos, duas luas cheias nas orelhas, um sorriso triste. Juntam-se num longo abraço, e o vocalista canta, "I beg your pardon dear".
Ele pousou o copo no balcão, apagou o cigarro, segura-a pela mão, leva-a para o centro da pista estreita-a contra si passando-lhe os braços pela cintura. Ela passa os seus à volta do pescoço dele.
Dançam assim, devagar. Ela esconde o rosto nele. Ele sente-a respirar no seu pescoço, sente-lhe o perfume no seu cabelo. Depois fá-la rodopiar numa volta lenta e segura-a pela mão quando ela se desequilibra ao rodar sobre os sapatos a rir-se. Puxa-a e ela volta para ele. Continuam abraçados depois de a música acabar, desejando prolongar a madrugada que se aproxima do fim. Pensam que poderiam ficar sempre assim, mas a noite está a terminar e com ela a magia. Amanhã volta tudo ao normal.
- Gosto tanto disto, diz ela.
- Danças mais uma comigo? Pergunta ele.
- Claro que sim, ainda estamos aqui, ainda estamos a dançar, responde-lhe ela.

(18/01/2014)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

"Preciso do teu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues)


                                                               (Joaquim Rodrigues)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

"O Anjo da Guarda"


São três e meia da manhã, ele está concentrado no computador, agarra sem olhar no maço de tabaco que tem em cima da mesa, mas percebe que os seus dedos não encontram nenhum cigarro. Tenciona prolongar o serão para acabar de vez o processo, mas sem cigarros não consegue pensar, sente-se irracional, como se o fumo tivesse realmente a ver com isso, mas na verdade é que o ajuda. Desde aquele maldito acidente, tem sentido muito mais dificuldade em concentrar-se. Suspira fundo, olha para o relógio e vê que já são horas tardias e não tem onde ir comprar cigarros, mas contrariado, decide ir à bomba de gasolina comprar tabaco.
São já três e meia da manhã, quando ela dobra a bata com gestos cansados, o seu turno no hospital já terminou há muito, mas um casamento que começou muito mal entrou de urgência e foi o que se viu uma confusão, com cento e cinquenta convidados intoxicados a expelir de jorro um mar de camarões venenosos para os baldes arranjados à pressa, que a obrigou a permanecer muito mais tempo até para lá do horário, que ela tinha a cumprir. Finalmente chega à rua e inspira o ar fresco da noite, e logo apercebe como se acaba insensível ao ambiente saturado lá de dentro, e pensa na mãe a dizer-lhe.
  “ Passas demasiado tempo no hospital filha, assim com esse andar ainda vais casar com um médico, ou então ficar solteira”.
Encolhe os ombros ao pensamento, só quer ir para casa. Mas de repente lembra-se que não tem cigarros e que terá de passar pela bomba de gasolina para os comprar, porque se alguma vez um cigarro lhe fez falta, nunca mais do que agora. Então faz um pequeno desvio e passa pela bomba de gasolina, afinal era o único lugar que encontrava naquele momento para os comprar. Compra um maço de tabaco que lhe chega através da caixa de segurança empurrada pelo homem no outro lado do vidro, abre-o, retira um cigarro, procura o isqueiro nos bolsos mas uma chama acende-se à frente dela. Leva o cigarro à boca, acende-o. Levanta os olhos e sente um impacto de reconhecimento ao ver aquele rosto sorridente. Diz um obrigado mudo de espanto.
 - De nada, responde ele, e afasta-se, ficando por ali encostado a uma moto.
 
(Joaquim Rodrigues)
Ela fica a olhar de longe para ele, hesita em falar com ele, mas é irresistível, descobre aquela força que lhe é habitual e. Aproxima-se dele.
  - Não se lembra de mim, pois não?
  - Não, responde-lhe, surpreendido.
  - O acidente há uns anos, diz ela. Quantos foram? Pensa, quase quatro. Parece que o está a ver, inanimado no asfalto como morto, a moto desfeita, a ressuscitá-lo com manobras respiratórias, os seus olhos confusos, assustados, presos aos dela, a segurar-lhe a mão enquanto não chega a ambulância. Foi o seu primeiro salvamento, nunca mais o viu. Conta-lhe tudo.
 - Foi você! Exclama ele com os olhos turvos de emoção, e abraça-a num impulso, como que um imã a o obrigar, sem resistência alguma.
  - O meu anjo da guarda. E ela sem saber o que fazer às mãos, embaraçada.
  - Não imagina o que eu a procurei, queria tanto agradecer-lhe, percorri os hospitais todos! E nunca a encontrei, e finalmente este abraço, finalmente abracei o meu anjo da guarda, desculpe-me por favor. Ela ficou ali quietinha com os braços dele ao seu redor, e retribui-o também porque são destes abraços emocionados que é feito o belo, do nosso mundo.
Seis meses passaram. E ela acaba o turno e vai logo para casa. Ele está à sua espera a trabalhar no computador e mal a sente chegar, levanta-se logo para a abraçar. Nunca se cansa de a abraçar. E para ela é a melhor hora do dia, quando volta para ele.
A mãe agora abana a cabeça ao vê-los todos os dias abraçados, e diz-lhe com uma fatalidade mas feliz.
 - Não casas-te com um médico, mas casas-te com um paciente!

(Joaquim Rodrigues)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

"Vencer ao Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Como descer ao Inferno"


(Joaquim Rodrigues)
 
- Tu gostas de mim, Joaquim?
Há palavras que nos consegue gelar o sangue que nos corre nas veias, e nos faz paralisar os nervos faciais, e ficamos assim, sem conseguir ter uma resposta, mesmo que façamos um grande esforço para o conseguir.
Vivemos no tempo que conseguimos confundir o amor com muitas outras coisas, coisas essas, que todos nós vamos fazendo ao longo da vida. Quando passamos por aqueles dias que algo mau se apodera da nossa mente, isso tem um nome, (o dia da raiva) tudo somos capaz de fazer, e dizer, mesmo que para isso, seja preciso usar as ferramentas do amor.
 - Tu gostas de mim, Joaquim?
Para ela, ele é o homem mais bonito e charmoso que ela conhece na sua página do Facebook pelo menos foi assim que ela se apresentou sempre para ele. Quando ele acaba de escrever mais uma história, ela adora, logo fica súper excitada, se reconhece dentro da história imagina ser a protagonista da mesma, se vê sempre, dentro dela. Por isso não lhe resiste ao charme, e à sua maneira tão carinhosa, que ele tem com ela. Sempre reconheceu nele um talento especial naquilo que escreve, e por isso, é sua admiradora. Chegam a passar muitos minutos, horas, dias, e até noites, a conversar, e assim criam uma amizade que rapidamente é uma dependência para eles os dois.
- Tu gostas de mim, Joaquim?
Cristo nasceu, e logo tratou de fazer um planeta há sua imagem, há imagem do homem. União entre os homens, e uma vida com amor, muito amor. Mas não deu resultado, um dia Cristo foi crucificado, e o planeta que” Ele” queria, com ou sem amor, continuou. Acabei de ler um livro de seu nome, (Como descer ao Inferno). Eu acho que já desci, ao Inferno! E eu, como Cristo. Amava.

(27/12/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 7 de dezembro de 2013

"O Natal"

(Joaquim Rodrigues)


 
A noite de natal é em todo mundo.
Onde juntamos amor com esperança.
 Seria tão bom que o natal em todo mundo.
Fosse igual para todos, e alegria nas crianças .

Crianças tristes, magras e famintas.
Crianças sujas descalças chorando.
Que na rua estendem as mãozitas.
Porque o mundo está se ma-ribando.

 Tivesse eu algum poder.
Eu saberia o que fazer.
Não haveria em todo mundo.
Nenhuma criança, a sofrer.

Neste natal a Deus eu vou pedir.
Amor para os pequeninos.
Alegria para quem chora.
E pão para os pobrezinhos.

E se eu conseguir ajudar quem sofre.
E a cada um, eu dar a minha mão.
Vou passar o natal feliz com certeza.
Mas com muita paz, no coração.

(Joaquim Rodrigues)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"Fica" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                                (Joaquim Rodrigues)

sábado, 30 de novembro de 2013

"Final Feliz"


Muito se escreveu depois sobre aquele velho homem que vinha a subir vagarosamente a rua com um passo inseguro e, todavia, determinado. Por mais do que uma vez teve de se deter, ganhar fôlego, retomar a marcha, seguindo em frente pelo passeio estreito. A subida, um pouco inclinada, para ele, era como uma escalada vertiginosa. Ainda assim, não vacilou na vontade de chegar ao seu destino, persistente, confiante de que o esforçou valia a pena.
Via-se que era um homem elegante, alto, enxuto, exuberante, vestido com esmero, mesmo se envergando um fato de corte antiquado, de colete cuidadosamente abotoado. Usava uma camisa branca, uma gravata clara com o nó grosso corretamente apertado, e não descurara o pormenor do lenço perfumado ao peito, no bolso do casaco. Era, em suma, um homem orgulhoso com uma vida longa, de muitas conquistas. Mais tarde, apurou-se que teria pouco mais de oitenta anos e, apesar do desfecho ingrato dessa caminhada matinal, encontrava-se em boa forma.
Chegou a meio da rua, virou a esquina, seguiu a direito ao longo do muro alto que entrava por um jardim que havia ao fundo, formando um vasto canto verdejante e fresco de árvores frondosas e caminhos calcetados, delimitados por largos espaços de relva viçosa, bem aparada. O velho homem foi em busca de um banco público nesse jardim agradável e abrigado do burburinho inquietante do trânsito das primeiras horas, que agitava a rua do colégio que ele demorara muito a subir. Sentou-se, enfim, extenuado, no banco de madeira. Pescou do bolso do colete um relógio de ouro preso a uma corrente, abriu a tampa com dedos trémulos, consultou com espanto a hora exata a que o seu coração exausto parou, definitivamente.

(Joaquim Rodrigues)
Uma mulher que se aproximava reparou que ele viu as horas e olhou para ela a sorrir, antes de deixar cair o queixo sobre o peito. O rosto escondido pela aba negra do chapéu de feltro dava a impressão de que dormitava. Mas não!
Estranhamente, constatou-se que não trazia documentos e não foi possível identificá-lo. A sua fotografia saiu nos jornais dos dias seguintes e o país inquietou-se com o mistério do ancião elegante que ninguém conhecia, até acabar esquecido sem uma resolução satisfatória. Não se inteirou quem era ele nem o seu propósito nessa derradeira manhã.
Mas se houvesse forma de descobrir o que o levara ali, ficar-se-ia a saber que ia ao encontro da mulher que amara mais do que todas. Um dia, essa mulher especial prometera encontrar-se com ele naquele jardim, mas não aparecera. Contudo, por alguma razão insondável, ele imaginara que ela viria naquela manhã e que ficariam, enfim, juntos por muitos e muitos anos. Na verdade, morreu feliz, convencido de que ela estava a chegar.

(30/11/2013)
(Joaquim Rodrigues)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"Delilah" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                                 (Joaquim Rodrigues)

"Sou um Convencido"


Todas as coisas boas, como o amor e a sabedoria, nunca trazem a felicidade pela simples razão que as coisas boas têm, para ser boas, de ser «boas por si mesmas». Não podem ser boas por aquilo que trazem. Pelo contrário, têm um preço. O mais das vezes, o preço do amor e da sabedoria, ambos artigos finos, artigos de luxo, coisas boas, é a infelicidade.
Quando gente ama, ou quando se estuda muito, ficamos sujeito às vontades e às verdades mais alheias. Nada depende de nós ou quase nada. E sofremos. Irritamos as pessoas que esperam que o amor traga a felicidade. É como esperar que os morangos tragam as natas. O amor não é um meio para atingir um fim. Não é através do amor que se chega à felicidade. O amor é um exagerador, exagera os êxtases e as agonias, torna tudo o que não lhe diz respeito (como o mundo inteiro) numa coisa pequenina. Assim como a arte tem de ser pela arte e a ciência pela ciência (seria um horror ouvir alguém dizer.

(Joaquim Rodrigues)
- Eu quero ser pintor ou biólogo para ganhar muito dinheiro e ir a muitas festas e ter duas carrinhas Volvo com galgos do Afeganistão lá dentro.
 O amor tem de ser só pelo amor. Custe o que custar. Ora, o amor é uma coisa rara. Para se ser feliz, é preciso ser-se um pouco cegueta. Entre as coisas que as pessoas miseráveis, normais, estão sempre a chamar às pessoas felizes, há, ingénua, lírica, naïf, boazinha. Aquela de que gosto mais.
 - É, vives noutro mundo?
Haverá coisa melhor do que viver noutro mundo, para quem conheça minimamente este?
Não acreditar que alguém nos queira fazer mal é um sinal seguro de felicidade. Quem é mesmo feliz é a pessoa que pensa.
- “No fundo, até os meus inimigos gostam um bocadinho de mim” É por isso que as pessoas felizes são sempre bastante convencidas como eu o sou.

(Joaquim Rodrigues)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"Na Feira da Vida"

(Joaquim Rodrigues)
Na feira da vida eu fiquei sentido.
Vi uma linda boneca.
E por tal boneca.
Eu ando perdido.
 
Queria-a só para mim.
Pois era muito bonita.
Bonita, bonita.
Nunca vi outra assim!
 
E uma casinha.
Para viver com ela.
Para viver para ela.
Fosse sua e minha!
 
Com jardins e flores.
Com as flores mais belas.
Que coisas tão belas.
Elas e os amores.
 
Foi bom meu Senhor.
Pois fez-me feliz.
E um dia feliz.
Deu-me aquele amor.
 
E também me deu.
O senhor a casa.
Uma linda casa.
Para o sonho meu.
 
24/11/2013
(Joaquim Rodrigues)

"Beleza não tem Fim" (HD) Joaquim Rodrigues


domingo, 24 de novembro de 2013

(O Mar)


(Joaquim Rodrigues)
Oh mar.
Eu respeito a tua imensidão.
A tua beleza, o teu mistério.
Que tanto nos tira, ou nos pode dar.
Observo-te, com respeito, te levo a sério.
Calmo ou agitado tu és um companheiro.
Nos dias de solidão, te amo oh! Mar.
Entro em ti, e vou longe num vapor.
Quer- te conhecer melhor ele me vai levar.
Á tua imensidão, ao mistério deste amor.
Quero-te sentir, só tu e eu, e nos amar.
E na tua alteza, na prata do teu luar.
Os dois juntinhos, nesta paixão nos beijar.
No meu barquinho em tua casa em alto mar.
Que prazer, que viagem maravilhosa.
Que o nosso amor nos deixou fazer e ver.
Tu e eu ó mar, que vida tão cor-de-rosa.
Eu nunca mais quero, nunca mais recordar.
Mesmo sabendo que nunca mais vou esquecer.
E enquanto pudermos e quisemos nos amar.
Nossa vida é um sonho, um sonho de amor contigo.
Hoje como sempre eu te tenho como o meu amor.
E tu, mar, sempre me terás como teu amigo.
 
(24/11/2013)
Joaquim Rodrigues

"Embalada no Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                                  (Joaquim Rodrigues)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"Casto Segredo"


(Joaquim Rodrigues)
Como eu amo, o teu doce sorriso.
O teu lindo, e carinhoso olhar.
E esta minha pobre alma.
Por muito eu, te amar.
 
Esse teu olhar profundo.
Que fixa o meu, quase a medo.
Temo que alguém adivinhe.
Este nosso, e casto segredo!
 
(Joaquim Rodrigues)

domingo, 17 de novembro de 2013

"Minha querida" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                               (Joaquim Rodrigues)

"Vamos Reagir"


(Joaquim Rodrigues)
Como reagir à saudade e à tristeza? A maneira de reagir à saudade e à tristeza é ter um coração bom e uma cabeça viva. A saudade e a tristeza não são doenças, ou lapsos, ou intervalos, como se diz nos países do Norte. São verdades, condições, coisas do dia-a-dia, parecidas com o apertar dos atacadores dos sapatos. É banalizando-as que as acompanhamos. Um sofrimento não anula outro. Mas acompanha-o. Para isto é preciso inteligência e bondade. Aquilo que resta são as pequenas alegrias. No contexto de tamanha tristeza e tanta verdade tornam-se grandes, por serem as únicas que há. Não falo nas alegrias que passam, como passam quase todas as paixões.
Falo das alegrias que se tornam rotinas, com que se conta: comprar revistas, jantar ao balcão, dormir junto do mar, dizer disparates, beber de mais, rir. Coisas assim.
São essas coisas, entre as quais o amor, que não se podem deitar fora sem, pelo menos, morrer primeiro.

"15/11/2013)
  (Joaquim Rodrigues)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"Evie" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                               (Joaquim Rodrigues)

"Amor, ou Paixão"


(Joaquim Rodrigues)
A Paixão é um fogo que nos aquece o peito.
Que arde por dentro, nos inflama, e satisfaz.
 Nos leva ao delírio, e nos mexe, nossa alma.
Nosso corpo, nossa mente, mas ferir, ela é capaz.
 
Enquanto o amor, é como uma brisa matinal.
É o que precisamos, uma estrada de ternura.
Nos dá carinho, afeto, aquele fogo essencial.
Nos trás prazer, toda fonte, da felicidade pura.
 
A paixão se torna como uma ação, devastadora.
 Enquanto o amor nos faz feliz, é um encantamento.
A paixão é perigosa, roí por dentro, nos deixa marcas.
Mas o amor não! Nos dá vida, nos alivia, o sofrimento.
 
A paixão como ela é, nem sempre nos leva ao amor.
 E nem sempre no amor, existe paixão.
Mas os dois juntos teimam, em nos confundir.
Com tudo o que tem de belo, a sua sedução.
 
Eu procuro, em todos meus sentimentos, me equilibrar.
Seja na paixão, no amor, no carinho, ou nas emoções.
Mas como gosto de viver, amo a vida, e de me enlaçar.
Vou amando com paixão, e me entrego sem restrições.
 
(29/04/2013)
 Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"Terra Prometida" (HD) Joaquim Rodrigues

  
                                                               (Joaquim Rodrigues)

"Longa Jornada"


Passados aqueles anos todos, ali estão os dois, sentados no bar da praia numa tarde soalheira de Outono a tomar uma bebida, ensimesmados num silêncio cúmplice, a contemplar o mar embravecido. Ele dá consigo a refletir na longa jornada que tem sido a sua vida. Pensa em tudo o que passaram, e não foi pouco, nas longas noites de vigília quando os filhos adoeceram, no nascimento dos netos, na luta diária da sua carreira profissional. Recorda as aflições e as inúmeras situações em que teve a sensação de que não haveria saída para os problemas. O acidente do filho, a altura em que perdeu o emprego. Mas o filho recuperou e até já casou e já lhe deu dois netos; e o emprego que conseguiu a seguir revelou-se bem melhor do que aquele que tinha.
Lá em baixo na areia, à beira-mar, uma gaivota porfia com outra por um bocado de pão e ele assiste distraído ao bater de asas das aves pelo seu pedaço de sobrevivência. Curiosamente, repara, tem mais dificuldade em lembrar-se das piores alturas do que das boas recordações. Supõe que a memória tem tendência para apagar as tormentas do passado, enquanto as coisas boas perduram com uma certa nostalgia. São momentos felizes que passou sem se aperceber então de como eram valiosos.

(Joaquim Rodrigues)
A mulher, que o acompanha há décadas e que teve de conquistar vezes sem conta ao longo de anos porque ela vacilava, duvidando do seu amor, proporciona-lhe um misto de desafio e determinação.
Ainda agora sabe que não pode viver sem ela, que conta com o seu apoio como sempre contou nas épocas mais complicadas. Hoje, tem a sensação de que enfrentaram juntos tudo o que havia para ultrapassar e isso reforçou a sua união, transmite-lhes um sentimento de intimidade e de sucesso.
No mar, um surfista solitário é engolido por uma onda, enrolado pela água na rebentação, emerge em segundos por entre a espuma. Ele admira-lhe a força da juventude com uma pontinha de inveja. Em tempos, também entrou no mar com uma prancha. Já lá vão os anos em que experimentava os desportos que lhe dava na gana. Sorri com um pensamento ufano, considerando que a vida nos atropela a cada instante, mas há sempre uma saída, graças à nossa extraordinária capacidade de resistência.
O Sol vai descendo lentamente no horizonte, pintando o céu em tons de laranja, de uma beleza única, arrebatadora. É uma hora romântica. Põe os olhos na mulher, sentada ao lado, bebendo um chá com as mãos em concha para aproveitar o calor da chávena. Ela sente-se observada, volta a cabeça, estende-lhe a mão, segura a dele, oferece-lhe um sorriso tranquilizador e, nesse instante, ele sabe que está tudo bem e não há motivo para preocupações.

  (09/11/2013)
Joaquim Rodrigues

"Quando entras-te na minha vida" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                                  (Joaquim Rodrigues)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"O Risco"

(Joaquim Rodrigues)

Quem tem sentido de humor.
Só pode ser uma pessoa feliz.
Embora rir, corra algum risco.
O de ser apontado de tolo, de louco.

Existem muitos outros riscos.
Exemplo! Para quem chora.
Pode ser acusado de sentimental.
Cumprimentar é se envolver.
 
Já desabafar nossos sentimentos.
É também correr sério risco.
Mostramos tudo o que somos.
Tudo o que sentimos.
 
Ao defender nossos sonhos.
Nossas ideias, e pensamentos.
Também correremos alguns riscos.
O de perder pessoas amigas.
 
Amar, é correr um sério risco.
De não ser correspondido.
Quanto ao vivermos.
O risco é termos um dia de morrer.
 
Confiar, é arriscar nos dececionarmos.
Como ser valente, o risco é de fracassar.
Por tudo isso, o melhor que fazemos.
É deitar fora os riscos, porque o maior risco.
É nunca na vida, ter arriscado nada.
 
"11/11/2013"
(Joaquim Rodrigues)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

"Um Dia Perfeito" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Lei"


(Joaquim Rodrigues)
Não existe amor neste mundo.
Igual ao que eu sinto, por ti.
Sinto o coração moribundo.
Desde o momento, que eu te vi.
 
Dizem, para que te não queira.
Porque os teus olhos, é traição.
Ensinem-me por favor, a maneira.
Como se dá leis, ao coração!
 
(Joaquim Rodrigues)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"Doce Amargo" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Casamento"



Já passaram quinze anos, que casaram (oficialmente) mas passados todos estes anos, eles sempre se casavam um com o outro, voluntária ou involuntariamente, várias vezes por dia. Esta semana, quando os dois voltavam ao fim da tarde a casa de carro do passeio do costume há beira-mar, ela penteava-se e deu por uns cabelos soltos, entregou-os a ele para os deitar pela janela do carro.
 - Tive ciúmes que alguém pudesse apanhar os teus lindos cabelos, e dei-lhes um beijinho e atirei-os ao vento, disse-lhe.
- Agora tenho eu ciúmes que alguém apanhe o cabelo com os beijinhos teus.
Casaram um com o outro nesse momento. Já tinham casado cinco vezes entre o parque e a praia. Casar é o que acontece quando duas pessoas descobrem que, por estarem a fazer ou terem feito uma coisa grande ou pequena, e se sentem que são as duas únicas pessoas no mundo. Todas as outras pessoas não podem fazer parte daquele prazer. Aquele prazer só é possível para duas pessoas concretamente, para ele e para ela.

(Joaquim Rodrigues)
À volta deles iam se casando muitas outras pessoas, casavam-se mais por eles estarem de fora, Juntamente com todas as outras. Às vezes somos nós os espectadores. Vemos outras pessoas a casarem-se.
 Pararam o carro com o mar em frente, e viram um homem a rir-se, leva uma mulher a rir-se nos braços pelo mar adentro e não a deixa cair até ela pedir. Há cuidado, medo de desiludir, proteção, ternura e vontade de agradar.
Depressa eles perceberam que estão a rir-se juntos, de uma coisa a que só eles acham graça, que é rirem-se os dois de uma mesma coisa.
  - Casas comigo hoje, meu amor?
 - Caso hoje, e todas as vezes que tu quiseres, Vez após vez.
E abraçaram-se mesmo ali, beijaram-se com todo o carinho, e voltaram a chamar o mundo para eles. Voltaram a casar.

(03/11/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

"Evie" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Desastre ao Jantar"


Por ser muito importante para o futuro de suas vidas, escolheram os dois jantar fora e falarem tudo o que tinham para falar. Não podiam demorar muito mais tempo. Ela, com o seu ar desempoeirado e impertinente, de nariz arrebitado, soltou um provido chorrilho de imprecações que lhe provocou um grande embaraço. Ficou quedo e mudo, lívido, incapaz de uma réplica à altura. Depois, ela levantou-se e saiu de cabeça erguida, deixando-o a jantar sozinho, com a sensação de ter em redor o restaurante dividido entre os olhares femininos de condenação pousando sobre si e as expressões compassivas dos seus pares masculinos. Sendo um restaurante de luxo, caiu um silêncio espantado perante o escândalo, seguido de um lento retomar das conversas em sussurros contidos, depois que ela, erguendo-se de rompante e atirando o guardanapo de pano para cima da mesa, deixou a sala com um passo determinado. Ele olhou em redor com um sorriso forçado, comprometido, como que dizendo
"mulheres, que fazer?".
Logo enfiando os olhos no prato para não ter de encarar ninguém. O empregado, discreto, apaziguador, veio perguntar.
 - O senhor deseja mais vinho?

(Joaquim Rodrigues)
- Sirva, sirva, respondeu, descoroçoado, e pode retirar esse lugar, acrescentou, apontando discretamente para o prato à sua frente, no outro lado da mesa.
- Com certeza, disse o empregado, num murmúrio de respeito.
 "Que barraca, pensou, envergonhado, tomando uma golada valente de vinho, mas eu mereci, eu mereci, e acompanhou esta reflexão com um menear de cabeça carregado de fatalidade, um encolher de ombros resignado, gestos inconscientes de quem não se apercebe que está a sublinhar os pensamentos com expressões corporais, como se falando com alguém.
Era aquilo o culminar espetacular de quatro semanas de romance, um mês de paixão desabrida, sem moderação, falando-se já de um casamento urgente, de um futuro para sempre. Enfim, o afeto vivo, avassalador, esfumou-se nele como um pavio curto, enquanto ela, exultante de entusiasmo, planeava já a festa, a lista dos presentes, o padre! Aborreceu-se, quis libertar-se, sacudir o apuro em que se via, convidou-a para jantar fora num ambiente requintado, de cerimónia, acreditando que haveria só uma reação de tristeza contida.
  “ Qual quê, uma explosão indignada, foi o que foi! Bem feito, censurou-se, para aprender a não ser esperto e a ser mais corajoso. Acabou o vinho, pediu a conta, levantou-se e foi andando para a saída com o vil peso da derrota sobre os ombros.

(24/10/2013)
(Joaquim Rodrigues)

"Olá" (HD) Joaquim Rodrigues


"Alma"

(Joaquim Rodrigues)
Quando de manhã eu acordo, penso logo em ti.
E logo sinto o meu coração se erguer de alegria.
Uma alegria estonteante.
Como as estrelas do céu cheias de vontade de abraçar o planeta.

E todo o meu corpo é como uma semente do bem.
Uma harmonia entre o meu espirito e a minha alma.
Eu sei que os nossos caminhos podem ser imperfeitos.
Mas o que importa isso?

Lembra-te que o céu é azul, e lá há estrelas.
O céu sempre brilhou para nos completar.
É como as flores que sempre iluminaram o amor.
E sempre nos deu uma corrente, uma energia pura.

Sempre nos faz unir eternamente.
Penso em nós os dois entrelaçados num apaixonado beijo.
Envolvidos os dois, neste perfume da alma, que nos consome.
E nos faz unir nosso sangue há vida.

Como sempre nos deu esperança pausada, em sonhos, e paz.
Amar-te-ei sempre, como um eterno enamorado.
Os meus carinhos te aquecerão todos os dias, todos os momentos.
E ao leres os meus versos, os que eu escrevo, serão para ti.
Senti-os, como a mais linda história de amor, que tu já algum dia leste.
 
(24/10/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"Amantes"


(Joaquim Rodrigues)

Hoje ficamos o dia em casa.
Sós desligamo-nos de tudo, dispensamos roupa.
contei todas as curvas do teu corpo nu. e nelas me perdi.
Ama-mo-nos em todo lado da casa.
Rebolamos no chão, trepamos as paredes 
E respiramos exaustos.
 
Somos duas almas unidas, só tu e eu existimos.
Se é verdade o amor ser cego, os dois somos cegos de amor.
Os dois nascemos para o amor para unir o teu e o meu corpo.
Eu beijo-te com todo o meu prazer.
Provei o sabor da tua língua, 69 vezes,
 Beijos magoados, e nos magoamos mais e mais.
 
Não fomos prisioneiros um do outro.
Somos livres,
Hoje libertamo-nos do mundo.
Para nos ligar ao nosso instinto animal
Ao nosso amor.
Rende-mo-nos ao nosso cansaço.
E morremos no nosso quente, e cúmplice leito.

Abro os olhos e lá estás tu.
Rosto deitado na minha almofada.
E um sorriso atrevido que eu adoro.
Sorriso malicioso desafiando a continuar.
E logo tudo voltou ao princípio.
 
Novamente o amor voltou, rolou pelo chão.
Nas paredes, ao som da tua música preferida.
A música que, passou a ser a minha.
O meu corpo atravessa o teu corpo.
E tu recebes dele a minha presença.
Tudo o que tu mais desejavas dele.
 
E tu serena, te entregas ao meu pecado.
Eu, beijo os teus lindos e saborosos seios.
Tu gemes de prazer.
O teu gemer dá-me vontade de te fazer mal.
De te apagar o fogo ardente que queima teu corpo.
Como eu adoro-te ver gemer meu amor.
 
Vou descendo pelo teu corpo.
Decidido apagar o fogo da tua carne.
O fogo que te queima o teu prazer.
Decidido desço sem medo ao teu vulcão já em erupção.
E nele me perco até me queimar.
Afinal, tu me fizeste prisioneiro do amor.
Desse teu vulcão, jorrando lava, mas que eu extingui.
 

(12/10/2013)
Joaquim Rodrigues

"Desculpa parece ser a palavra mais dificil" (HD) Joaquim Rodrigues


terça-feira, 15 de outubro de 2013

"Apaixonado"

(Joaquim Rodrigues)

Ontem à noite, eu passei há tua porta.
Não te vi. mas escorreguei e caí na lama!
Como era já, a uma hora morta.
Pensei com seria tão bom, ter caído na tua cama!

Tinha-te dado muito, mas muito amor.
Que há muito, eu te desejo dar.
Sinto um aperto no coração que me causa dor.
Sinto muitos desejos, eu quero te beijar.
 
Passei na tua rua, para te dar uma flor.
Comprei-a numa loja na tua rua.
Como não te pude entregar guardei-a.
Quando a quiseres meu amor ela é tua.

Este poema é um, um pouco infeliz.
Mas se quiseres, podes contar ao mundo.
 Quem o escreveu, quem o mandou.
Diz que foi um louco apaixonado, que sempre diz.
Que foi há muito tempo, por ti se apaixonou.
 
(14/10/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"O Reencontro" (HD) Joaquim Rodrigues


"Uma Surpreendente Paixão"


Há muito tempo, ela tem um segredo que não lhe conta. Porém, esse segredo impede-a de continuar com ele e, assim, contra toda a certeza do seu instinto, abandona-o miseravelmente com a alma num pranto. Escorraça-o sem um pingo de piedade, sem um sinal de compaixão. Diz-lhe que não o ama, não o quer, que a deixe de uma vez. Ofende-o com a insensibilidade que desmente os seus verdadeiros sentimentos, contraria tudo o que ela o deixou pensar na última semana de arrebatamento, vira costas e afasta-se, entra no comboio que a levará a casa, senta-se à janela com uma primeira lágrima a escorrer-lhe pelo rosto.
Ele fica no início do cais, incrédulo, a vê-la subir para a carruagem. E ela não se atreve sequer a espreitar por cima do ombro, receando não se conter e saltar do comboio e correr para os seus braços. Ele espera pelos primeiros solavancos tímidos dos vagões, enfia as mãos resignadas nos bolsos do casaco e retira-se, enfim, indo em direção à saída da estação.
Ela tem algumas horas de viagem para se recompor, limpa os olhos marejados de uma mágoa surpreendente. Pergunta-se como foi possível apaixonar-se em cinco dias. Era só uma semana de trabalho bastante atarefada, reuniões e debates num agradável hotel à beira-mar. Sabe que foi irresponsável, que se deixou ir sem pensar. Sabe que não devia ter dado aquele passeio pela praia, que não devia ter ficado a conversar com ele à lareira, na sala, nem, finalmente, ter subido ao quarto na sua companhia.
Pensa no marido, na filha pequena, diz a si própria que tudo não passou de um desvario, de um deslize que vai calar fundo e jamais se repetirá. Sente-se aliviada por não lhe ter contado que era casada e por não lhe ter dado nenhum contacto pessoal. Procura convencer-se de que voltará à sua rotina normal e esquecer. No entanto, já vai no fim da viagem e continua a não encontrar uma explicação razoável para o sentimento tão forte que teve por ele, que tem, como nunca teve por ninguém. Não o verá mais, supõe, fora de questão, não pode, mas parece-lhe tremendamente injusto que seja assim.

(Joaquim Rodrigues)
Dois anos depois, ele fuma um cigarro sentado na explanada do costume com vistas para o Mar. É um dia de Outono um pouco cinzento, são muitos os dias que ele gosta de sentar ali apreciando os sons característicos e exuberantes, que as ondas do mar fazem ao bater nas rochas, o mar lhe dá a paz que precisa.
Ela hoje é uma mulher divorciada seu casamento nunca mais foi o mesmo desde que eles se deixaram de ver. Foram muitas as vezes que pensou nele que o procurou, mas nunca o encontrou, desistiu.
Nas suas costas ele ouve vozes femininas, pessoas que acabam de chegar ao bar, mas não dá importância, contínua com olhar profundo a fumar o seu cigarro a imaginar como é sobrenatural a força que o mar tem.
Ela depois de sentada com a sua melhor amiga muda de cor como quem desfalece, amiga preocupada pergunta.
- Estás bem?
Ela abana a cabeça afirmativa, mas a emoção a faz passar a mão na cara para limpar a lágrima que escorre no seu rosto, amiga volta a perguntar.
 - Então? O que se passa contigo? Queres ir embora?
Ele ao ouvir a conversa das suas vizinhas de esplanada deixa por minutos de olhar o mar e volta-se para trás. E quando os seus olhos se encontram, ficam ali se olhando por segundos sem forças, sem palavras, frente a frente, olhos, nos olhos.
- Ok, já percebi tudo, responde amiga.

(13/10/2013
(Joaquim Rodrigues)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"Morrer de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Vento Amigo"

(Joaquim Rodrigues)

Oh vento usa a tua força.
E vai ter com o meu amor.
Acaricia-a e volta para mim.
E conta-me tudo por favor.
 
Quero sentir sua mão suave.
E ver sua beleza na lua.
Do meu amor ela não sabe.
Sem ela, sou uma alma nua.
 
Aqui sentado, estou eu e o mar.
Onde me refujo todos os dias.
O mesmo planeta o mesmo ar.
Vai vento amigo ver se a vias.
 
Amanha volto aqui novamente.
Para me contares as novidades.
Fixa por favor, este demente.
Que vive morrendo, de saudades

(2013/10/10)
(Joaquim Rodrigues)