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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

" Uma conversa Casual"


 O rapazinho, sentado num banco público, num jardim com vista panorâmica sobre a cidade, come um gelado ao lado do pai.
- Porque é que te foste embora? Pergunta, entre duas lambidelas no gelado.
O pai volta a cabeça para o observar. A pergunta foi feita num tom casual, como se não tivesse importância, mas apanhou-o de surpresa, deixou-o em alerta.
- Não me fui embora, responde-lhe, estou aqui contigo, não estou?
- Estás, mas já não dormes lá em casa.
- Porque agora tenho outra casa, que também é tua.
- Porque é que tens outra casa?
- Porque eu e a mãe decidimos viver assim. Às vezes, os casais preferem separar-se e ficar cada um na sua casa.
O miúdo cai em silêncio, por momentos, a absorver esta informação, enquanto continua a comer o gelado. Tem a boca suja como se a tivesse pintado de vermelho. O pai limpa-a com um guardanapo de papel.
- E vocês nunca mais vão voltar a viver juntos?
- Não, vamos viver cada um na sua casa.
- Hum, está bem. Sabes, tenho um amigo na escola que os pais dele também vivem cada um na sua casa. E ele diz que os pais discutiam muito, antes de se separarem, como vocês.
- Nós não vamos discutir mais, diz o pai.

(Joaquim Rodrigues)
 Sente uma súbita necessidade de fumar, leva a mão ao bolso, mas não quer fazê-lo à frente do filho e reprime o gesto. A criança continua a falar no mesmo tom inocente, casual, mas cada frase, cada dúvida, é como uma seta ao coração do pai, gela-lhe o sangue.
- Já não gostas da mãe?
- Gosto, mas é diferente, já não quero viver com ela e ela também já não quer viver comigo.
- E eu vou viver com quem?
- Com os dois. Uns dias ficas com a mãe, noutros comigo.
- Era mais fácil se não discutissem mais e continuassem a viver juntos, comigo.
- Assim também vai ser bom, vais ver. Terás dois quartos, vais gostar.
O filho acaba de comer o gelado. O pai volta a limpar-lhe a boca.
- Quando eu for grande e casar, não vou separar-me nunca, declara, determinado.
Nesse momento, ele vê-a ao fundo do jardim, a aproximar-se. Aponta na sua direção.
- Olha quem vem ali, diz. O miúdo reconhece a mãe, corre para ela, abraçam-se.
 Vai ao encontro deles, troca umas palavras amigáveis com ela, despede-se do filho, fica a observá-los a afastarem-se. Acende então o cigarro proibido, torna a sentar-se no banco, a recapitular a conversa com o filho, a analisar a sua vida, o que fez mal, o mal que terá feito à criança, ainda que involuntariamente. Mãe e filho desaparecem do seu campo de visão e ele sente um vazio. Sabe que não haverá um recuo, não voltará atrás, mas, nesse instante, tem a sensação de ter ficado sozinho no mundo.

(01/09/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

" O Beijo Infinito "HD" Joaquim Rodrigues


"És o meu Poema"


(Joaquim Rodrigues)

Leva-me até onde eu quero ir.
Quero-te tocar quero-te sentir.
Faz-me cansar esgota-me meus sentidos até ao fim.
Se quiseres, posso até morrer nos teus braços.
E me colar sem limites no teu corpo.
E ficarei assim, do princípio ao fim.
 
Sinto-me morrer quando estás longe.
Tu longe não te posso tocar como eu quero.
Quero-te dar o que mais desejas.
Os meus pedaços, aqueles que a distância consome.
Quero que me ilumines com a luz do teu olhar.
E me mostres algo que ninguém mais vê só eu.
 
Anda Mata-me! Anda, terminar o que começaste.
Porque desde que me surgiste não há dia que não te deseje.
Quero- te conhecer por dentro, lamber o suor do teu corpo.
E quero que tires de mim o que tens a tirar.
Quero-me sentir dentro de ti .
E ouvir o teu gemido sussurrante.
 
ÁI, eu não consigo explicar.
Hoje a minha mente viaja, em busca do teu amor.
Sinto-te aliviada de dor nesse teu orgasmo infinito.
E mandas-me continuar aquilo que estou a fazer.
E em palavras suaves nasce um amor violento.
É grande o desalento de dois corações perdidos.
 
E tu despertas num talento sem comparação.
Cheia de um desejo, que vivia escondido.
Sensual, erótico real nada fingido.
Tu meu amor, és o meu verdadeiro poema.
Não te vás embora agora.
Sem ti não sou eu! Sou um qualquer.
 
(30/08/2013)
Joaquim Rodrigues

"Onde traçar a Linha" HD" Joaquim Rodrigues


"Amor Distante"


(Joaquim Rodrigues)


Existe uma cidade.
Onde há um milhão e meio de pessoas.
E outra cidade onde há!
Cinco milhões e meio de pessoas.
Mas as duas cidades.
São muito longe uma da outra.
Numa dessas cidades é verão.
E na outra cidade é inverno.
Em cada uma dessas cidades.
Há uma pessoa.
Mas essas duas pessoas.
Estão muito distantes uma da outra!
Elas as duas têm um segredo.
Um sonho! Um sonho lindo.
Nunca deixar de pensar no amor há distancia.
Assim como se cuida. De uma planta de estufa.
 
(16/08/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 25 de agosto de 2013

"O Meu Poema"


(Joaquim Rodrigues)
Enquanto a dor não me deixa.
A dor da minha própria solidão.
Vou citando este meu poema.
Com carinho, amizade e paixão!
 
"Oh solidão, que me tiras meu ser.
E a toda a hora me acompanhas.
Solidão, que tanto me faz sofrer.
E de lágrimas, meu rosto tu banhas!"
 
23/08/2013
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"Te Amo, Assim!" (HD) Joaquim Rodrigues


"É Irónico o Destino"


Todas as manhãs ele sai de casa bem cedo. Levanta-se muito cedo porque não consegue dormir vai há onze anos, um mês e cinco dias. Sabe exatamente quanto tempo já passou porque o conta como um encarcerado conta os dias de sua pena.
Sai para a rua e como sempre, passa na loja de fruta a comprar cerejas, se for época delas, ou laranjas, que há durante o ano inteiro. Em seguida passa pela tabacaria, cumprimenta o ancião que está atrás do balcão que lhe entrega um maço de tabaco da marca que ele fuma sem necessidade de o solicitar. Como se encontra na rua, talvez compre pão e mais alguma coisa em falta, senão regressa logo a casa.
Já em casa vai sentar-se à secretária no pequeno escritório que mantém inalterado desde que compraram o apartamento, há vinte e dois anos, sim! Já lá vai vinte e dois anos! Tal como todas as outras divisões. Recusa-se a mudar seja o que for, apesar de, a certa altura, a filha ter insistido para que o fizesse. De qualquer modo, desistiu de o convencer quando percebeu que era inútil continuar a insistir com ele. Quando está no escritório sozinho liga sempre o computador, mas nunca chega a escrever uma única linha.
O seu editor telefona-lhe às dez a perguntar como vai o novo livro. Responde-lhe sempre o mesmo que lhe diz todos os dias desde há onze anos.
 - Está a andar bem.
O último livro que ele escreveu, nessa época, foi um sucesso tal que, se editasse realmente um livro novo, seria o acontecimento literário da década. O editor sabia disso, ele tinha a certeza disso.
 
(Joaquim Rodrigues)
Faz o seu almoço, como todos os dias, qualquer coisa lhe serve, come na cozinha, e volta para o computador, e, todos os dias, invariavelmente, acaba por lhe escrever uma carta que começa assim.
- Se tu soubesses minha querida! As saudades que eu tenho de ti.
Não se conforma por lhe ter sobrevivido e, de certa forma, isso não foi o que aconteceu, pois limita-se a existir desde então.
Foi uma coisa estúpida, ela tropeçou no passeio, caiu na estrada, foi atropelada. Ele tinha-se oferecido para a levar de carro, mas ela disse que não valia a pena e ele não insistiu, pois estava lançado a escrever e não quis cortar o raciocínio. Não há dia que não pense nisso, que deveria se ter levantado logo. Se a tivesse levado de carro, ela ainda estaria a seu lado, como deveria estar. Não se perdoa por isso.
É irónico o destino, sim, mas como é! Numa destas manhãs, ele vem a descer a rua e a pequenita que vai à sua frente pela mão da mãe, larga-a inesperadamente e foge-lhe. É um segundo decisivo. Ele salta sem pensar, empurra a criança para a mãe, e é apanhado em cheio pelo carro que não consegue travar a tempo. Está deitado de costas no asfalto a ver o céu muito azul, a pensar que o destino é irónico, e o destino de todos nós é sim irónico! E esse é o seu último pensamento.
Passados três meses depois, a sua filha vai ter com o editor dele e entrega-lhe todas as cartas que o pai escreveu para a mãe. Descobriu-as no computador quando desmanchava a casa. São centenas e, quando forem editadas em livro, serão o acontecimento literário da década.
 
18/08/2013
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"Como Louco" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Tango"


(Joaquim Rodrigues)
 
Com meus olhos!
Percorro o teu corpo que dispo lentamente.
E as minhas mãos entrelaçadas nas tuas.
Dissipam o palco, num tango.
Avanço!
Rodopio na pista num passo de dança.
Nossos corpos balançam.
Bailemos agora um tango.
Somos dois loucos!
E, nossos passos embriagados,
Cadenciados compassados.
São longos, rasgados.
Rasgo o teu decote  e olho os teus seios.
Isto não é passo! É dança.
Dancemos os dois, freneticamente sós.
Unidos colados! Entrelaçados!
Afastados? Nós?
(Num tango?)
Vamos, dancemos agora os dois.
Um tango!
 
(Joaquim Rodrigues)

domingo, 28 de julho de 2013

"Sonha" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Sábio"


(Joaquim Rodrigues)
 
O meu amigo Mário.
Para mim, é um sábio!
Eu, um dia perguntei.
 
Mário, porque se perde alguns dos nossos amigos?
Meu amigo Mário, com toda a sua sabedoria.
Me respondeu!
 
 - Joaquim, os amigos não se perdem.
Se por vezes perdemos amigos.
É porque eles nunca foram nossos amigos.
Lembra-te de uma coisa!
Quem tem amigos, esses, são para sempre.
 
(28/07/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 21 de julho de 2013

"Eu não sei de você!" (HD) Joaquim Rodrigues


"Determinação"


Ele pousa os olhos nela e observa-a com uma expressão de carinho num rosto iluminado, a extravasar de admiração. É a mulher mais determinada que conhece, e já a conhece desde miúda. Foi sempre assim, pronta a virar o mundo para alcançar o seu objetivo.
Reencontrou-a anos depois de crescerem e de terem seguido rumos diferentes que voltaram a cruzar-se. Entretanto, casara-se, tivera filhos, divorciara-se. Ele fizera um percurso semelhante. Descobriu-a tão bonita como sempre, mas amarga com a vida. O marido deixara-a a braços com as crianças, construíra uma segunda família e ignorava a primeira. Encontrou-a na rua quando voltou ao bairro da sua infância. Ela mantinha-se fiel ao lugar onde crescera. Convidou-a para um café, perguntou-lhe como ia.
- Tramada, disse ela, vocês são todos iguais, umas bestas.
- Nós, quem?
- Vocês, os homens.
- Nós somos todos umas bestas? Admirou-se.
- Exatamente, disse ela.
E ele, um pouco perdido perante aquele desabafo preso de ressentimento, disse.
 - Bolas, não te vejo há anos e a primeira coisa que me dizes após nos encontrarmos, é que sou uma besta!
- E és, insistiu ela, são todos.
No entanto, telefonou-lhe dois dias mais tarde e convidou-o para outro café, sem rodeios.
- Já não sou uma besta?
- És, tal e qual, uma besta igual aos outros. Então, vamos ao café?
- Acho que não, respondeu-lhe ele, vou ficar por casa.
Ela insistiu, e, oh, se ela conseguia ser insistente.
- Pronto, eu vou, rendeu-se, só para não te ouvir mais.
- Isso mesmo, anda lá.

(Joaquim Rodrigues)
Mas ouviu-a, porque ela não se calou desde o primeiro ao terceiro café. Queixou-se muito do marido, ex-marido, corrigia, referindo-se a ele como aquele anormal, aquela besta. Eram tempos difíceis, ele próprio enfrentava um divórcio belicoso e pensou.
  “Não me vou envolver com ela, já tenho problemas de sobra.“
Mas ela continuou a telefonar-lhe, a exigir a sua atenção, ignorando as respostas negativas.
- Não podes viver sozinho o resto da vida, afirmou.
- Quem disse que não posso? Retorquiu ele, irritado, posso viver como muito bem entender.
- Então, faz como entenderes, explodiu ela, desligando-lhe o telefone na cara.
Mas voltou a ligar-lhe pouco depois para lhe perguntar:
- Não gostas de mim?
- Neste momento, não gosto muito.
Não, respondeu, levando-a a desligar novamente. Nesse mesmo dia, ela foi ao seu encontro, apanhou-o quando saía de casa.
- Porque não gostas de mim? Perguntou, furiosa.
- Que queres de mim? Respondeu ele.
- Quero que estejas comigo e que não sejas uma besta!
Ele ergueu as mãos e rosnou, exasperado. Agora, passados mais de vinte anos juntos, olha para ela a seu lado e ainda recorda essa época com perplexidade, mas, pensa com um sorriso, valeu a pena.

(21/07/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Faz por Mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Plateia da Vida"


(Joaquim Rodrigues)
Na vida sempre sentimos alegrias e tristezas.
Ficar triste é um sentimento tão legítimo.
Como é a alegria.
Reclamar do medo é fácil.
Difícil é levantar a cabeça.
E fazer aquilo que nunca foi feito.
Nem sempre nos sentimos bem.
Pelo que aconteceu ao nosso redor.
Porque a felicidade foi sempre.
A combinação da sorte.
Temos é que escolher bem.
Para que a sorte nos toque.
Todas as pessoas que têm vidas interessantes.
Sempre se interessaram por quem é o oposto delas.
Nenhuma emoção é banal, se for autêntica.
O dar certo não está relacionado com o ponto de chegada.
Temos é trabalho a fazer, trabalho prazeroso.
O prazer está na invenção da própria alegria.
É do erro, que aprendemos, e surgem novas soluções.
Os erros nos ensinam, nos humanizam, nos aproximam dos outros.
Fazer o bem, nos dá felicidade, dá saúde.
As pessoas que se julgam superiores.
Esses nem conseguem olhar para o lado.
Porque têm medo de ver o seu mundo cair.
O mundo já caiu amor.
Agora só nos resta cantar e dançar, sobre os destroços.
Lembra-te que o maior inimigo é a falta de humor.
Vamos rir juntos rir muito.
Porque existe tanta tristeza, nesta nossa planeta que é a vida!
 
(17/07/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 14 de julho de 2013

"Noite Maravilhosa" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Prencepesinho e a Raposa"


Noutro tempo não muito distante eles se conheceram, quase ontem, na verdade, e ele citava-lhe uma passagem d’O Principezinho a ouvir a raposa. Jurou de verdade o que sentia, e do companheirismo dela que mais desejava, tudo sentido tudo de verdade.
 - Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três já eu começo a ser feliz, dizia-lhe. E quanto mais perto for da hora, mais feliz eu me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar todo agitado e inquieto, é o preço da felicidade! Se vieres a uma hora qualquer não saberei quando hei-de arranjar meu coração, pô-lo bonito.
Mas agora acabou, já não há breve, ela já não virá a hora nenhuma, partiu de vez. Num dia muito recente ela também estava de partida, mas ele pediu-lhe.
 - Não partas hoje, fica comigo esta noite.
E ela, só porque ele lhe pediu, suspendeu as responsabilidades, adiou a vida e ficou. E assim tiveram uma noite mágica, melhor do que a vida toda. Saíram pela noite, passearam de carro pela cidade, apreciando as luzes da cidade em festa, passearam por ruas movimentadas, com multidões à porta dos bares; atravessaram outras adormecidas, vendo de relance montras de lojas iluminadas. Sentaram-se a partilhar uma bebida numa esplanada à beira do rio, reparando nos navios que passavam ao longe debaixo da ponte, no reflexo prateado da Lua nas águas calmas do Douro.
(Joaquim Rodrigues)
Visitaram lugares românticos, e ele sentiu no seu olhar, um olhar radiante de felicidade, ele amou. Sentaram-se com as mãos dadas, escutando uma música deles, conversando olhos nos olhos, rindo-se juntos, observando-se com o deslumbramento da novidade, descobrindo-se um pouco mais. Rolaram abraçados na areia da praia, na relva do parque, sempre de bocas coladas, e ouviam de vez em quando uma música lenta, antiga, sentiram-se como se tivessem quinze anos, beijaram-se como adolescentes apaixonados, e cheios de esperança um no outro. Namoraram, só os dois perdidos na noite, sem pressa para nada, seguros de que, enquanto prolongassem aquele momento, enquanto retivessem os tempos juntos, tudo estaria bem. Em contrapartida, voltaram para a cama deles, e amaram-se com urgência, tiveram-se com paixão. Adormeceram juntos já de madrugada, despertaram juntos na manhã seguinte, sorriram, e pensaram aliviados ainda aí estás.
Um dia, não muito distante, ela também lhe citou uma passagem d’O Principezinho. Disse-lhe.
   - Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. Para ti, não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti.
Depois ele cativou-a. Mas agora ela partiu para longe e já não estará a hora nenhuma. Ela partiu com o coração vazio, e ele ficou, com o coração vazio. Ela já não esperará por ele porque a vida não permite, mas ele fica a pensar se voltares um dia, no dia anterior, já eu começarei a ser feliz.

(13/07/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Nas asas do Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Sinal"


(Joaquim Rodrigues)
Tu sabes, onde encontrar o amor?
Responde-me!
Onde podes encontrar o amor?
 
Se todos nós!
Tivéssemos esse conhecimento.
Todos saberíamos, para onde olhar.
 
Às vezes.
Tudo o que precisamos.
É de um sinal!
 
(11/07/2013)
Joaquim Rodrigues

"Com Você!" (HD) Joaquim Rodrigues


"Falando de Nós"


(Joaquim Rodrigues)
Posso não ser aquilo que um dia.
Tu sonhaste que eu fosse.
Embora saiba que todos têm o direito de sonhar.
Mas um dia tu vais querer sonhar comigo.
E não estarei perto de ti.
Eu vou saber também que nesse dia.
Eu não vou estar nos teus sonhos!
 
Posso não ser o teu edredão macio.
Que te aquece do frio no inverno.
Mas uma coisa é certa.
Esse edredão não tem, o calor do meu corpo.
Posso não ser a pessoa querida, que tu mais gostas.
Mas um dia vais perceber.
Que eu poderia ser quem tu mais precisas.
 
Até podes colocar outro no meu lugar.
Mas outro igual a mim não terás.
Eu posso não ser em muitas coisas.
Aquilo que tu sonhaste que eu fosse.
Mas podes ter a certeza que eu nunca seria o que não sou!
Quando se ama alguém nunca se faz cobranças.
Muito menos querer mudar o jeito de ser de alguém.
 
Podemos sim, tentar melhorar.
Mas não mudamos como somos.
 
Porque se um dia eu tentasse ser.
O que tu sonhaste que eu fosse para ti.
Eu nunca poderia ser eu.
Ser a mesma pessoa que sou.
E com certeza enquanto no teu sonho.
Tu estarias a ser muito feliz.
Eu só poderia ser uma pessoa muito infeliz nesse teu sonho.
E isso não estaria certo!
 
(11/07/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 9 de julho de 2013

"Vidas"


(Joaquim Rodrigues)
As nossas vidas.
São como uma viagem de barco.
Subimos e descemos.
Conforme o balanço das ondas.
 
Mas graças à amizade, ao amor.
Esses dois fortes sentimentos.
Nunca nos deixa longe.
Distantes, no horizonte.
 
E quando a gente naufraga.
A amizade e o amor é a âncora.
Que nos apoia enquanto procuramos.
Um rumo novo, uma nova vida.
 
(09/07/2013)
Joaquim Rodrigues

"Chances" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ambiêntes"


O almoço é no jardim, à beira da piscina. Faz muito calor. As crianças aproveitam o dia na água, mergulhos, colchões, brincadeira; os adultos vigiam-nas. Sentada um pouco à parte, ela observa o ambiente, sentindo-se uma intrusa. É jovem, bonita, divorciada. Os homens casados rondam-na, cautelosos, conversam com ela, dispensam-lhe delicadezas sem exageros, vêm e vão, embora não faça nada para os incentivar. As suas mulheres concedem-lhe apenas uma atenção educada, de cerimónia, mas percebe que não gostam da sua presença, estão desconfiadas, sussurram ao longe, lançando olhares mal disfarçados na sua direção. Acham, talvez, que é um mau exemplo, pensa divertida, preferiam que não tivesse vindo.
Há pouco tempo, ainda casada, sentia-se perfeitamente nestes ambientes, casais, todos amigos, um dia bem passado. Mas, de repente, ela é a curiosidade dos homens, a ameaça das mulheres. O almoço decorre sem problemas, pensa, sorrindo para dentro, nenhuma atitude antipática, nenhuma frase agressiva. É apenas convenientemente ignorada pelas mulheres, quando as conversas se separam e eles embalam em considerações sobre as contratações futebolísticas para a nova época.
A dona da casa, sua amiga, convidou-a para que se distraísse, para a tirar de casa, disse-lhe, mas ela não se sente integrada no grupo, sente-se pouco à vontade, aborrecida e arrependida por ter vindo.

(Joaquim Rodrigues)
Por isso, fica só mais um bocado, depois do almoço, o tempo suficiente para não parecer mal, e vai-se embora. Ao fim da tarde, encontra-se com duas amigas na praia, também divorciadas. Bebem sangria numa esplanada com os pés na areia.
  - Onde estiveste? Perguntam-lhe.
  - Num almoço com o inimigo, responde-lhes, fazendo um esgar irónico.
Deixa-se cair numa cadeira, desembaraça-se das sandálias, suspira, pede um copo e conta-lhes o almoço. As amigas divertem-se com o relato que lhes faz, riem-se das outras com aberto desprezo. Dali a pouco, aparecem dois conhecidos das amigas e convidam-nos a sentar-se à mesa. Ela nota que usam aliança, nada que os impeça de ficar, evidentemente. Mais um jarro de sangria, conversa animada, jogo de sedução. Ela observa-os e lembra-se delas, ainda há minutos, a rirem-se das outras, as do almoço. Já se esqueceram, já estão noutra, mas, pensa, fossem estas casadas e a conversa seria diferente, tal e qual como as do almoço, que sussurravam, hostis, na sua direção. De modo que fica mais um pouco e depois despede-se e sai com um sorriso na cara, a pensar que aqueles quatro quase nem repararam que se foi embora.

  (06/07/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 6 de julho de 2013

"D, de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Lágrimas"


(Joaquim Rodrigues)
Durante as nossas vidas.
Deixamos cair lágrimas.
Lágrimas de tristeza, de dor.
E até de alegria, quando sorrimos.
Mas quando a gente ama.
Esse amor que tens pelo outro.
Te alivia o coração.
E te seca qualquer lágrima.
Que queira molhar teu rosto.
E aí, não vai ter mais importância.
Ficar triste.
Teu coração iluminará teu caminho.
E serás feliz.
As lágrimas pouco importam.
Pois tu já derramas-te muitas.
Agora deu lugar só aos sorrisos.
Sorrisos que te iluminam com carinho.
Assim como o Sol ilumina o mar.
Por mais que a vida.
Nos dê, oportunidades e escolhas difíceis.
Sorri sempre, e as lágrimas secarão.
Como o sol seca as águas da chuva.
 
(02/07/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 2 de julho de 2013

"Significado da Vida" (HD) Joaquim Rodrigues


 

"Vem Comigo"


(Joaquim Rodrigues)
Vem comigo numa viagem sob a nossa pele.
Vem comigo numa viagem ao nosso interior.
Vamos olhar juntos.
Só paramos os dois.
Fecha os olhos vamos começar.
Respira lentamente.
Vamos começar juntos.
Vamos olhar só para nosso interior ok?.
Contigo eu sinto que o amor pode ser melhor.
Porque amo à minha maneira.
Á nossa maneira.
Ama-me com ternura.
É tudo o que temos de fazer.
E nos entregarmos um ao outro.
Tudo o que temos de fazer.
É rendermos.
Coloca o teu rosto aqui na janela.
Respira esta noite repleta de tesouros.
E sente como o vento é maravilhoso doce.
O vento selvagem com promessas de prazer.
Vê as estrelas, estão vivas.
Noites como estas.
Nasceram para serem santificadas por ti, e por mim.
Noites que nasceram para os amantes.
Para os ladrões.
Para os loucos e pretendentes.
Temos tudo isto para fazer os dois.
Tudo o que temos de fazer é nos entregarmos.
Anda, faz-me sentir emoção.
Tu dás-me esperança.
Obrigado pelos presentes vindos da alma.
Vem comigo nesta viagem ao nosso interior.
Hoje vamos juntos olhar só para dentro de nós.
Vem comigo, vem!
 
(28/06/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"Coração" (HD) Joaquim Rodrigues


"Histórias de Vida"


“O meu Pai tem uma amante. A minha Mãe tem outro.”

 - Mãe, o pai tem outra mulher?
- Ó Joana, que conversa é essa?
- Se tem outra mulher? O papá...
- Sim, eu percebi o que tu disseste. Mas onde é que foste buscar essa ideia? O que é que tu ouviste? Ouviste o teu pai a falar com alguém?
- Não, não ouvi.
- Então porque é que estás a perguntar isso? De onde é que isso vem agora?
- Não sei...
- Não sabes, não... Isso não é resposta... Conta lá à mãe. Anda cá, diz-me lá. Porque é que fizeste essa pergunta, diz lá à mamã.
- Os pais dos meus colegas na sala têm outras mulheres. O papá se calhar também tem.
- Ó filha, mas quem é que te contou isso? Foram os teus amigos? Foram? Se calhar não é bem assim... Olha, agora a mãe está com pressa e tu tens de ir para a escola, mas logo falamos disso. Está bem? Sabes que às vezes os crescidos deixam de namorar, e os pais e as mães resolvem separar-se, porque não estão felizes. Já falámos sobre isto, Joaninha. Não é nada do outro mundo.
- Sim, mãe, são os divorciados. Tenho amigos com pais divorciados. A mãe do Pedro é divorciada. E o pai dele também. E a mãe do João Maria. E a mãe. E o pai da Raquel...
- Então, sabes como é que isso funciona... Isso não quer dizer que deixem de gostar dos filhos... continuam a ser pais deles e a gostar muito deles...
- Ó mãe, estás a baralhar tudo. Esses são os divorciados. Eu estava a falar de amantes.
- Ó Joana? Mau! Mau Maria! Isso não é conversa para a tua idade.
- Eu já tenho 8 anos. Já sei falar de amantes.
- Mas eu não quero falar contigo sobre amantes. Tu sabes o que é uma amante, por acaso?
- Daaaahhh! Eu vejo televisão.
- Tu vês programas para a tua idade. Não vês programas com amantes.


- Ó mãe, eu tenho oito anos. Já sei o que é uma amante desde os sete.
- Mas tu não vês filmes. Nem sequer tens televisão no quarto.
- Isso é o que tu pensas.
- Tu tens uma televisão escondida no quarto, Joana?!
- Não. Eu vejo o que tu e o pai veem.
- Eu não vejo filmes com amantes.
- Eu já vi duas temporadas do Sexo e a Cidade...
- E por isso achas que o teu pai tem uma amante...
- Não. É porque o pai da Sara tem uma amante. E o da Filipa também.
- Mas quem é que te disse isso que o pai da Sara tem uma amante? E o da Filipa?
- Primeiro foi a Filipa. A Sara foi depois.
- Mas como é que elas sabem isso?
- A Filipa ouviu o pai a falar com a outra mulher. Chama-se Maria.
- E a Sara?
- A Sara ouviu a mãe a falar com a tia dela.
- E a mãe da Filipa sabe?
- Não sei. Mas eu sei. E o Pedro também. E a Raquel. E a professora Andreia também sabe.
- A professora Andreia?
- Sim, ela ouviu a Sara a contar.
- Vá, vamos embora. Mais logo falamos disto.
- Eu não me importo, se o pai tiver outra mulher.
- Joana, acabou a conversa. Ai... Ainda nos vamos chatear antes de tu ires para a escola
- Porquê? O que é que eu fiz?
- Porque eu sou tua mãe e estou-te a dizer para não dizeres disparates.
- Mas eu não estou a dizer nada de mal.
- Estás, estás. Estás a dizer asneiras. Era o que faltava, o teu pai ter uma amante.
- Se o pai tiver uma amante eu tenho mais presentes no Natal?
- Joana, não fales assim comigo.
- E tu, mãe? Tens algum amante?

 (01/07/2013)
Joaquim Rodrigues

"Loucura" (HD) Joaquim Rodrigues


 

"Pessoas"

(Joaquim Rodrigues)

Não existe amor à primeira vista.
O que existe é a pessoa certa.
No momento certo.
E tu por acaso estavas lá.

(01/07/2013) 
Joaquim Rodrigues

domingo, 30 de junho de 2013

"Mais" (HD) Joaquim ROdrigues


"Invisivel"




(Joaquim Rodrigues)


Eu gostava de ser invisível!
Assim entrava no teu quarto.
E no silêncio da noite.
Beijava teus lábios.
 
(Joaquim Rodrigues)

"A Questão" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Vestido Mágico"


De cabelo liso, esvoaçante, o nariz arrebitado e as pernas bronzeadas abaixo da saia, que lhe dá um pouco acima dos joelhos, é a sua imagem, que vê de relance, refletida no vidro de uma montra, ao passar por uma loja. Nota, um pouco irritada, aquele pneuzinho na base da barriga, que tanto a aflige quando se vê ao espelho antes do banho e que parece ser uma guerra perdida. Suspira, o que ela daria para recuperar a barriga lisa dos seus vintes anos. Detém-se frente à montra seguinte, observando-se atentamente, mais curiosa do que vaidosa, e conclui que poderia estar melhor. Enfim, sempre são trinta e nove anos, não se fazem milagres, pensa, mas não está satisfeita com o que vê.
No entanto, pergunta-se, o que lhe interessa, se está sozinha há tanto tempo e já não acredita que volte a apaixonar-se um dia. Teve um casamento tardio e desastroso, do qual só se salvou o filho adorado. De resto, não lhe sobram recordações capazes de a resgatar da memória amarga dessa época.
Um aceno insistente no interior da loja obriga-a a desfocar os olhos do vidro para se concentrar no homem sorridente que lhe faz sinal. Espantada, aponta para si própria com uma expressão de dúvida, como que perguntando se é para ela. O desconhecido faz que sim com a cabeça e convida-a a entrar. Aproxima-se da porta e espreita para dentro, aflorando um sorriso tímido.

(Joaquim Rodrigues)
  - Entre, entre, diz o homem.
  - Mas olhe que eu não quero comprar nada, replica ela.
  - Não faz mal, não precisa de pagar para ver.
Ela faz uma expressão engraçada, divertida com a audácia do homem, encolhe os ombros, entra. É uma loja de roupa de marca, um espaço encantador, repleto de peças bonitas. O homem revela-se um mestre de vendas, elogia-a educadamente, com tato. Ela dá consigo a pensar que já não compra nada bonito para si faz muito tempo.
Sai da loja com um saco na mão, sorridente, satisfeita. Comprou um vestido. O homem disse-lhe que era um vestido mágico, pois fazia maravilhas, e, de facto, sente-se bem mais animada e até decide ir ao cabeleireiro em vez de seguir diretamente para casa. À saída, pensa mais uma vez que não lhe apetece ir para casa, que é um desperdício, tendo em conta o corte de cabelo, as unhas arranjadas, o vestido novo.
Nem de propósito, toca o telemóvel, atende, é aquele amigo que já a fez sonhar, mas que nunca passou disso. Contudo, hoje não podia estar melhor preparada, e, quando ele a convida para jantar, ela aceita. E, então sim, põe-se a caminho de casa, para vestir o seu vestido mágico e, bem, depois se verá se realmente faz maravilhas.

(30/06/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 26 de junho de 2013

"Noite Inesquecivel" (HD) Joaquim Rodrigues


"Desejos"

(Joaquim Rodrigues)
Quando eu te mandei deitar, a meu lado.
Deitas-te nua e faminta, cheia de desejo.
Tinhas os teus olhos brilhantes, os teus lábios húmidos.
E eu senti o teu corpo, tua pele macia de cetim.
Um corpo molhado, que molhava o meu.
E enquanto uma boca se envolvia no meu sexo.
A outra se envolvia num mamilo.
E assim de repente, nos vimos os dois envolvidos.
Distantes do que nos rodeava.
Distantes do mundo real, do presente.
Só existiam nossas bocas, nossos olhos.
Teus seios, tuas mãos, minhas mãos.
O meu sexo, e o teu sexo.
Que nunca mais pararam de se moverem.
E assim ficamos, de corpos colados até extrair.
A primeira Lágrima, o primeiro sumo do nosso prazer.
Levantamo-nos tão alto, rodopiamo-nos tão rápido.
E nesta sequência de encantamentos, sentimos o amor.
Para depois deixarmos cair uma lágrima.
Quando nosso máximo desejo brilhou no escuro.
E onde os dois fomos incapazes de parar, por ser impossível.
 
(26/06/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 25 de junho de 2013

"Sonho" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Verdadeira Amizade"

(Joaquim Rodrigues)

 A verdadeira amizade.
É testemunha de todos os segredos.
De todas as alegrias, e angústias.
É testemunha das lágrimas dos sorrisos.
E das deceções.
 
A verdadeira amizade.
É andar com o carinho de mãos dadas.
É ter sempre quem nos defenda quando precisamos.
Sem gritos e murmúrios em nossos sonhos.
É ficar de coração alegre quando me lembro de ti.
 
A verdadeira amizade.
É fazer com prazer viagens ao infinito.
E voltar sempre acompanhado e feliz.
Mas a principal testemunha, da verdadeira amizade.
É e será sempre a verdade.
 
(24/06/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 23 de junho de 2013

"Uma vida inteira"


Ela observa o marido com irritação, vendo-o apático, sentado na velha poltrona de pele gasta. Uma chávena de chá intacta fumega em cima da mesinha de apoio, a seu lado.
  - Bebe o chá, diz--lhe.
  - Hã? Resmunga, olhando-a como se acordasse de um sonho distante.
  - O chá, repete ela, está a ficar frio.
Ele volta-se para o lado e parece descobrir a chávena, não obstante ter sido o próprio a colocá-la ali há minutos, quando ela lha entregou. Sentada no sofá, ao lado da filha, abana a cabeça, descoroçoada, baixa os olhos, agarra as agulhas que tem no colo e recomeça a tricotar.
  - Esquece-se de tudo, comenta, está a tomar umas cápsulas para a memória, mas esquece-se de as tomar. Se não for eu a lembrá-lo.
A filha solta uma gargalhada curta.
  - Pois, é normal que se esqueça, diz.
Tem a impressão de que já o vê ali sentado naquela poltrona de orelhas há um século, e, enfim, não será tanto, mas não anda lá muito longe. O seu exaspero é mais inquietação do que irritação, porque o sente a definhar de dia para dia, e sabe que é um processo irremediável. Mas estão juntos há tanto tempo que não sabe como viveria sem ele.
   - O pai está bem, diz a filha, para a sossegar.
   - Sim, responde, pouco convencida, ciente de que podem falar dele à sua frente que nem se apercebe.
O marido dá um gole no chá e volta a pousar a chávena ao lado, cuidadosamente.
   - É uma vida inteira, afirma ela, observando-o com afeição.


(Joaquim Rodrigues)
A filha assente com a cabeça, depois começa a tagarelar sobre os preparativos lá em casa, só para a distrair, mas ela parou outra vez de tricotar e pensa que deve a felicidade àquele homem. Há muitos anos.
  - Antes de tu nasceres, interrompe-a, o teu pai atravessou meio mundo para casar comigo.
  - Eu sei, diz a filha, foi atrás de ti quando a tua família emigrou para os Estados Unidos.
  - Sim, mas o que tu não sabes é que o teu pai, praticamente, acampou à minha porta durante um mês para me convencer a casar com ele. Isto apesar de eu lhe ter dito que não o queria, antes de partir de Lisboa. Venceu-me pelo cansaço, afirma, e convenceu-me pela coragem. Não tinha dinheiro nem para uma semana e aguentou-se quatro, por mim. Ainda bem, nunca me arrependi.
  - Um mês?! A filha arregala os olhos, espantada.
  - Um mês, confirma a mãe. Tive de casar com ele, porque não me largaria a porta, diz, sorrindo, saudosa.
A filha abana a cabeça,
  - Foi uma grande prova de amor, comenta.
  - Foi, concorda, erguendo à sua frente o casaquinho quase pronto, que está a tricotar. Foi há muito tempo, diz, noutra vida. E agora vem aí uma nova geração. Está bonito?
  - Muito, diz a filha, passando instintivamente a palma da mão pela barriga, com os olhos marejados de emoção.

(23/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"Acalma-me" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amor"

(Joaquim Rodrigues)

AMOR
Sempre te vou amar nas sombras da minha dor.
Sempre te chamarei do fundo do meu poço.
Eu me sinto sufocado de memórias.
E não vou servir para nada, se tu esperares.
Amor
Eu te estou chamando como o destino.
Como o sonho chama a paz.
Chamando com minha voz com o meu corpo.
Com a minha vida, com tudo o que tenho.
Amor
Com desespero sedento, com lágrimas.
Só contigo tenho oxigénio, tenho ar puro.
Na tua luz eu morrerei feliz.
De dia ou de noite e nas horas de esquecimento.
Horas fechadas apenas em lágrimas, com dor.
Estarei sempre chamando por ti meu amor.
 
(23/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"Sêde de Prazer" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Poema de Amor"

(Joaquim Rodrigues)
O poema nasceu antes do poeta.
Mas não havia amor, antes do primeiro verso.
O amor nasceu antes de tudo.
Antes de tudo ninguém amava.
Antes de tudo, antes do poeta.
Existem duas formas de vida.
Duas formas, que são, amor, e o poema.
Não se pode falar sobre o beijo.
Sem amor, sem poema.
Não se pode falar sobre abraços.
Sem amor, sem poema.
Não se pode falar de amor.
Sem o poeta.
Como vamos omitir, cores e luzes.
Ter olhares silenciosos, triste refletidos.
Sem um poema de amor!?
Com o poema de amor.
Não há necessidade.
De chamar as estrelas.
Nem precisamos de usar.
O arco-íris.
Nem requer corações pintados.
O poema é vida.
Nunca morre sem sol, sem lua.
O poeta quando escreve.
Um poema de amor.
É como vivesse na lua.
Sentado na lua.
Um poema de amor nasce.
Porque ele ama.
Porque ele fala, ele sente.
E a lua é o melhor lugar.
Para escrever.
Escrever, um poema de amor.
 
(21/06/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 21 de junho de 2013

"A Saudade de Ti" (HD) Joaquim Rodrigues


"Como o Mundo se Partisse"


Ela vai a descer a rua com sacos na mão. Vem das compras, roupa para o Inverno, que está a chegar. Um sol inesperado rompe a manhã de chumbo e traz-lhe algum calor. Por debaixo das árvores, um tapete amarelo de folhas secas esvoaça a cada passo dela. Sente-se bem, tranquila, embora haja uma certa melancolia a pairar sobre a sua cabeça. Mas tem esperança no dia. Ao passar por um café, um homem encostado à porta com um cigarro na mão atira-lhe um elogio desajeitado, simpático mas brejeiro. Finge que não o ouve, sorri para dentro, desconcertada, segue o seu caminho. Vira a esquina, entra no seu bairro, decide parar na pastelaria e tomar um café.
Atrás do balcão, o empregado de sempre troca piadas com ela enquanto toma uma bica em pé. O telemóvel toca, leva a mão ao bolso do casaco, vê o nome dele no visor e atende, sem reparar que sorri.
(Joaquim Rodrigues)
Ele vai sozinho no carro com Norah Jones a cantar ‘Cold, Cold Heart’, a pensar nela, que não a vê há vários dias, e decide telefonar-lhe sem ponderar, sem querer saber dos prós e dos contras. Aconteceram entre eles tantas coisas em tão pouco tempo, que parece que viveram uma vida em poucos meses. Antes disso, parecia-lhes que o mundo se poderia partir ao meio e nem assim se separariam. Mas descobriram com espanto que a fragilidade dos sentimentos pode estragar tudo num ápice. E descobriram que quanto mais queriam ficar juntos, mais erros cometiam, mais mal faziam um ao outro, mais se afastavam. Quando se separaram foi definitivo. Ela disse-lhe isso, ele decidiu isso. Mas agora ele liga-lhe num impulso.
- Olá, que andas a fazer? Diz.
Ela responde.
- Olá, ando na minha vidinha, a fazer compras e assim.
- Onde estás? Pergunta ele.
- No café, ao pé de casa, e tu?
- Estou perto, diz ele, apeteceu-me ligar-te.
- Fizeste bem, queres passar por aqui? Convida-o, simplesmente, sem pensar em nada.
Em cinco minutos, ele chega, sai do carro. Ela sai do café, vai ao seu encontro. Sorriem um para o outro, não precisam de dizer as saudades que tiveram, o vazio que sentiram. Abraçam-se, beijam-se, e, nesse momento, é como se o mundo se pudesse partir ao meio que nem assim os separaria.

(21/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"Amo-te" (HD) Joaquim Rodrigues


"Minha Loucura"

(Joaquim Rodrigues)
Deixa-me hoje.
Tocar no teu corpo.
Quero acariciar-te.
Beijar teus seios.
Colar minha boca na tua.
E saborear o gosto da tua saliva.
Deixa-me entrar no teu desejo.
Hoje eu quero fazer de ti.
A minha fonte de prazer.
Deslizar pelo teu corpo lindo.
Quero sentir.
O calor das tuas coxas.
E acariciar as tuas nádegas macias.
Te tocar com minha língua.
Minha boca febril.
Deixa-me leva-te à loucura.
Em profundos gemidos.
Quero fazer do teu sexo.
O meu brinquedo ideal.
Te sentir cheia de orgasmos.
E de prazer.
Quero-te arrancar da tua vida.
Do teu ser.
Prometo, tu vais amar.
17/06/2013)
Joaquim Rodrigues