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terça-feira, 9 de julho de 2013

"Ambiêntes"


O almoço é no jardim, à beira da piscina. Faz muito calor. As crianças aproveitam o dia na água, mergulhos, colchões, brincadeira; os adultos vigiam-nas. Sentada um pouco à parte, ela observa o ambiente, sentindo-se uma intrusa. É jovem, bonita, divorciada. Os homens casados rondam-na, cautelosos, conversam com ela, dispensam-lhe delicadezas sem exageros, vêm e vão, embora não faça nada para os incentivar. As suas mulheres concedem-lhe apenas uma atenção educada, de cerimónia, mas percebe que não gostam da sua presença, estão desconfiadas, sussurram ao longe, lançando olhares mal disfarçados na sua direção. Acham, talvez, que é um mau exemplo, pensa divertida, preferiam que não tivesse vindo.
Há pouco tempo, ainda casada, sentia-se perfeitamente nestes ambientes, casais, todos amigos, um dia bem passado. Mas, de repente, ela é a curiosidade dos homens, a ameaça das mulheres. O almoço decorre sem problemas, pensa, sorrindo para dentro, nenhuma atitude antipática, nenhuma frase agressiva. É apenas convenientemente ignorada pelas mulheres, quando as conversas se separam e eles embalam em considerações sobre as contratações futebolísticas para a nova época.
A dona da casa, sua amiga, convidou-a para que se distraísse, para a tirar de casa, disse-lhe, mas ela não se sente integrada no grupo, sente-se pouco à vontade, aborrecida e arrependida por ter vindo.

(Joaquim Rodrigues)
Por isso, fica só mais um bocado, depois do almoço, o tempo suficiente para não parecer mal, e vai-se embora. Ao fim da tarde, encontra-se com duas amigas na praia, também divorciadas. Bebem sangria numa esplanada com os pés na areia.
  - Onde estiveste? Perguntam-lhe.
  - Num almoço com o inimigo, responde-lhes, fazendo um esgar irónico.
Deixa-se cair numa cadeira, desembaraça-se das sandálias, suspira, pede um copo e conta-lhes o almoço. As amigas divertem-se com o relato que lhes faz, riem-se das outras com aberto desprezo. Dali a pouco, aparecem dois conhecidos das amigas e convidam-nos a sentar-se à mesa. Ela nota que usam aliança, nada que os impeça de ficar, evidentemente. Mais um jarro de sangria, conversa animada, jogo de sedução. Ela observa-os e lembra-se delas, ainda há minutos, a rirem-se das outras, as do almoço. Já se esqueceram, já estão noutra, mas, pensa, fossem estas casadas e a conversa seria diferente, tal e qual como as do almoço, que sussurravam, hostis, na sua direção. De modo que fica mais um pouco e depois despede-se e sai com um sorriso na cara, a pensar que aqueles quatro quase nem repararam que se foi embora.

  (06/07/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 6 de julho de 2013

"D, de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Lágrimas"


(Joaquim Rodrigues)
Durante as nossas vidas.
Deixamos cair lágrimas.
Lágrimas de tristeza, de dor.
E até de alegria, quando sorrimos.
Mas quando a gente ama.
Esse amor que tens pelo outro.
Te alivia o coração.
E te seca qualquer lágrima.
Que queira molhar teu rosto.
E aí, não vai ter mais importância.
Ficar triste.
Teu coração iluminará teu caminho.
E serás feliz.
As lágrimas pouco importam.
Pois tu já derramas-te muitas.
Agora deu lugar só aos sorrisos.
Sorrisos que te iluminam com carinho.
Assim como o Sol ilumina o mar.
Por mais que a vida.
Nos dê, oportunidades e escolhas difíceis.
Sorri sempre, e as lágrimas secarão.
Como o sol seca as águas da chuva.
 
(02/07/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 2 de julho de 2013

"Significado da Vida" (HD) Joaquim Rodrigues


 

"Vem Comigo"


(Joaquim Rodrigues)
Vem comigo numa viagem sob a nossa pele.
Vem comigo numa viagem ao nosso interior.
Vamos olhar juntos.
Só paramos os dois.
Fecha os olhos vamos começar.
Respira lentamente.
Vamos começar juntos.
Vamos olhar só para nosso interior ok?.
Contigo eu sinto que o amor pode ser melhor.
Porque amo à minha maneira.
Á nossa maneira.
Ama-me com ternura.
É tudo o que temos de fazer.
E nos entregarmos um ao outro.
Tudo o que temos de fazer.
É rendermos.
Coloca o teu rosto aqui na janela.
Respira esta noite repleta de tesouros.
E sente como o vento é maravilhoso doce.
O vento selvagem com promessas de prazer.
Vê as estrelas, estão vivas.
Noites como estas.
Nasceram para serem santificadas por ti, e por mim.
Noites que nasceram para os amantes.
Para os ladrões.
Para os loucos e pretendentes.
Temos tudo isto para fazer os dois.
Tudo o que temos de fazer é nos entregarmos.
Anda, faz-me sentir emoção.
Tu dás-me esperança.
Obrigado pelos presentes vindos da alma.
Vem comigo nesta viagem ao nosso interior.
Hoje vamos juntos olhar só para dentro de nós.
Vem comigo, vem!
 
(28/06/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"Coração" (HD) Joaquim Rodrigues


"Histórias de Vida"


“O meu Pai tem uma amante. A minha Mãe tem outro.”

 - Mãe, o pai tem outra mulher?
- Ó Joana, que conversa é essa?
- Se tem outra mulher? O papá...
- Sim, eu percebi o que tu disseste. Mas onde é que foste buscar essa ideia? O que é que tu ouviste? Ouviste o teu pai a falar com alguém?
- Não, não ouvi.
- Então porque é que estás a perguntar isso? De onde é que isso vem agora?
- Não sei...
- Não sabes, não... Isso não é resposta... Conta lá à mãe. Anda cá, diz-me lá. Porque é que fizeste essa pergunta, diz lá à mamã.
- Os pais dos meus colegas na sala têm outras mulheres. O papá se calhar também tem.
- Ó filha, mas quem é que te contou isso? Foram os teus amigos? Foram? Se calhar não é bem assim... Olha, agora a mãe está com pressa e tu tens de ir para a escola, mas logo falamos disso. Está bem? Sabes que às vezes os crescidos deixam de namorar, e os pais e as mães resolvem separar-se, porque não estão felizes. Já falámos sobre isto, Joaninha. Não é nada do outro mundo.
- Sim, mãe, são os divorciados. Tenho amigos com pais divorciados. A mãe do Pedro é divorciada. E o pai dele também. E a mãe do João Maria. E a mãe. E o pai da Raquel...
- Então, sabes como é que isso funciona... Isso não quer dizer que deixem de gostar dos filhos... continuam a ser pais deles e a gostar muito deles...
- Ó mãe, estás a baralhar tudo. Esses são os divorciados. Eu estava a falar de amantes.
- Ó Joana? Mau! Mau Maria! Isso não é conversa para a tua idade.
- Eu já tenho 8 anos. Já sei falar de amantes.
- Mas eu não quero falar contigo sobre amantes. Tu sabes o que é uma amante, por acaso?
- Daaaahhh! Eu vejo televisão.
- Tu vês programas para a tua idade. Não vês programas com amantes.


- Ó mãe, eu tenho oito anos. Já sei o que é uma amante desde os sete.
- Mas tu não vês filmes. Nem sequer tens televisão no quarto.
- Isso é o que tu pensas.
- Tu tens uma televisão escondida no quarto, Joana?!
- Não. Eu vejo o que tu e o pai veem.
- Eu não vejo filmes com amantes.
- Eu já vi duas temporadas do Sexo e a Cidade...
- E por isso achas que o teu pai tem uma amante...
- Não. É porque o pai da Sara tem uma amante. E o da Filipa também.
- Mas quem é que te disse isso que o pai da Sara tem uma amante? E o da Filipa?
- Primeiro foi a Filipa. A Sara foi depois.
- Mas como é que elas sabem isso?
- A Filipa ouviu o pai a falar com a outra mulher. Chama-se Maria.
- E a Sara?
- A Sara ouviu a mãe a falar com a tia dela.
- E a mãe da Filipa sabe?
- Não sei. Mas eu sei. E o Pedro também. E a Raquel. E a professora Andreia também sabe.
- A professora Andreia?
- Sim, ela ouviu a Sara a contar.
- Vá, vamos embora. Mais logo falamos disto.
- Eu não me importo, se o pai tiver outra mulher.
- Joana, acabou a conversa. Ai... Ainda nos vamos chatear antes de tu ires para a escola
- Porquê? O que é que eu fiz?
- Porque eu sou tua mãe e estou-te a dizer para não dizeres disparates.
- Mas eu não estou a dizer nada de mal.
- Estás, estás. Estás a dizer asneiras. Era o que faltava, o teu pai ter uma amante.
- Se o pai tiver uma amante eu tenho mais presentes no Natal?
- Joana, não fales assim comigo.
- E tu, mãe? Tens algum amante?

 (01/07/2013)
Joaquim Rodrigues

"Loucura" (HD) Joaquim Rodrigues


 

"Pessoas"

(Joaquim Rodrigues)

Não existe amor à primeira vista.
O que existe é a pessoa certa.
No momento certo.
E tu por acaso estavas lá.

(01/07/2013) 
Joaquim Rodrigues

domingo, 30 de junho de 2013

"Mais" (HD) Joaquim ROdrigues


"Invisivel"




(Joaquim Rodrigues)


Eu gostava de ser invisível!
Assim entrava no teu quarto.
E no silêncio da noite.
Beijava teus lábios.
 
(Joaquim Rodrigues)

"A Questão" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Vestido Mágico"


De cabelo liso, esvoaçante, o nariz arrebitado e as pernas bronzeadas abaixo da saia, que lhe dá um pouco acima dos joelhos, é a sua imagem, que vê de relance, refletida no vidro de uma montra, ao passar por uma loja. Nota, um pouco irritada, aquele pneuzinho na base da barriga, que tanto a aflige quando se vê ao espelho antes do banho e que parece ser uma guerra perdida. Suspira, o que ela daria para recuperar a barriga lisa dos seus vintes anos. Detém-se frente à montra seguinte, observando-se atentamente, mais curiosa do que vaidosa, e conclui que poderia estar melhor. Enfim, sempre são trinta e nove anos, não se fazem milagres, pensa, mas não está satisfeita com o que vê.
No entanto, pergunta-se, o que lhe interessa, se está sozinha há tanto tempo e já não acredita que volte a apaixonar-se um dia. Teve um casamento tardio e desastroso, do qual só se salvou o filho adorado. De resto, não lhe sobram recordações capazes de a resgatar da memória amarga dessa época.
Um aceno insistente no interior da loja obriga-a a desfocar os olhos do vidro para se concentrar no homem sorridente que lhe faz sinal. Espantada, aponta para si própria com uma expressão de dúvida, como que perguntando se é para ela. O desconhecido faz que sim com a cabeça e convida-a a entrar. Aproxima-se da porta e espreita para dentro, aflorando um sorriso tímido.

(Joaquim Rodrigues)
  - Entre, entre, diz o homem.
  - Mas olhe que eu não quero comprar nada, replica ela.
  - Não faz mal, não precisa de pagar para ver.
Ela faz uma expressão engraçada, divertida com a audácia do homem, encolhe os ombros, entra. É uma loja de roupa de marca, um espaço encantador, repleto de peças bonitas. O homem revela-se um mestre de vendas, elogia-a educadamente, com tato. Ela dá consigo a pensar que já não compra nada bonito para si faz muito tempo.
Sai da loja com um saco na mão, sorridente, satisfeita. Comprou um vestido. O homem disse-lhe que era um vestido mágico, pois fazia maravilhas, e, de facto, sente-se bem mais animada e até decide ir ao cabeleireiro em vez de seguir diretamente para casa. À saída, pensa mais uma vez que não lhe apetece ir para casa, que é um desperdício, tendo em conta o corte de cabelo, as unhas arranjadas, o vestido novo.
Nem de propósito, toca o telemóvel, atende, é aquele amigo que já a fez sonhar, mas que nunca passou disso. Contudo, hoje não podia estar melhor preparada, e, quando ele a convida para jantar, ela aceita. E, então sim, põe-se a caminho de casa, para vestir o seu vestido mágico e, bem, depois se verá se realmente faz maravilhas.

(30/06/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 26 de junho de 2013

"Noite Inesquecivel" (HD) Joaquim Rodrigues


"Desejos"

(Joaquim Rodrigues)
Quando eu te mandei deitar, a meu lado.
Deitas-te nua e faminta, cheia de desejo.
Tinhas os teus olhos brilhantes, os teus lábios húmidos.
E eu senti o teu corpo, tua pele macia de cetim.
Um corpo molhado, que molhava o meu.
E enquanto uma boca se envolvia no meu sexo.
A outra se envolvia num mamilo.
E assim de repente, nos vimos os dois envolvidos.
Distantes do que nos rodeava.
Distantes do mundo real, do presente.
Só existiam nossas bocas, nossos olhos.
Teus seios, tuas mãos, minhas mãos.
O meu sexo, e o teu sexo.
Que nunca mais pararam de se moverem.
E assim ficamos, de corpos colados até extrair.
A primeira Lágrima, o primeiro sumo do nosso prazer.
Levantamo-nos tão alto, rodopiamo-nos tão rápido.
E nesta sequência de encantamentos, sentimos o amor.
Para depois deixarmos cair uma lágrima.
Quando nosso máximo desejo brilhou no escuro.
E onde os dois fomos incapazes de parar, por ser impossível.
 
(26/06/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 25 de junho de 2013

"Sonho" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Verdadeira Amizade"

(Joaquim Rodrigues)

 A verdadeira amizade.
É testemunha de todos os segredos.
De todas as alegrias, e angústias.
É testemunha das lágrimas dos sorrisos.
E das deceções.
 
A verdadeira amizade.
É andar com o carinho de mãos dadas.
É ter sempre quem nos defenda quando precisamos.
Sem gritos e murmúrios em nossos sonhos.
É ficar de coração alegre quando me lembro de ti.
 
A verdadeira amizade.
É fazer com prazer viagens ao infinito.
E voltar sempre acompanhado e feliz.
Mas a principal testemunha, da verdadeira amizade.
É e será sempre a verdade.
 
(24/06/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 23 de junho de 2013

"Uma vida inteira"


Ela observa o marido com irritação, vendo-o apático, sentado na velha poltrona de pele gasta. Uma chávena de chá intacta fumega em cima da mesinha de apoio, a seu lado.
  - Bebe o chá, diz--lhe.
  - Hã? Resmunga, olhando-a como se acordasse de um sonho distante.
  - O chá, repete ela, está a ficar frio.
Ele volta-se para o lado e parece descobrir a chávena, não obstante ter sido o próprio a colocá-la ali há minutos, quando ela lha entregou. Sentada no sofá, ao lado da filha, abana a cabeça, descoroçoada, baixa os olhos, agarra as agulhas que tem no colo e recomeça a tricotar.
  - Esquece-se de tudo, comenta, está a tomar umas cápsulas para a memória, mas esquece-se de as tomar. Se não for eu a lembrá-lo.
A filha solta uma gargalhada curta.
  - Pois, é normal que se esqueça, diz.
Tem a impressão de que já o vê ali sentado naquela poltrona de orelhas há um século, e, enfim, não será tanto, mas não anda lá muito longe. O seu exaspero é mais inquietação do que irritação, porque o sente a definhar de dia para dia, e sabe que é um processo irremediável. Mas estão juntos há tanto tempo que não sabe como viveria sem ele.
   - O pai está bem, diz a filha, para a sossegar.
   - Sim, responde, pouco convencida, ciente de que podem falar dele à sua frente que nem se apercebe.
O marido dá um gole no chá e volta a pousar a chávena ao lado, cuidadosamente.
   - É uma vida inteira, afirma ela, observando-o com afeição.


(Joaquim Rodrigues)
A filha assente com a cabeça, depois começa a tagarelar sobre os preparativos lá em casa, só para a distrair, mas ela parou outra vez de tricotar e pensa que deve a felicidade àquele homem. Há muitos anos.
  - Antes de tu nasceres, interrompe-a, o teu pai atravessou meio mundo para casar comigo.
  - Eu sei, diz a filha, foi atrás de ti quando a tua família emigrou para os Estados Unidos.
  - Sim, mas o que tu não sabes é que o teu pai, praticamente, acampou à minha porta durante um mês para me convencer a casar com ele. Isto apesar de eu lhe ter dito que não o queria, antes de partir de Lisboa. Venceu-me pelo cansaço, afirma, e convenceu-me pela coragem. Não tinha dinheiro nem para uma semana e aguentou-se quatro, por mim. Ainda bem, nunca me arrependi.
  - Um mês?! A filha arregala os olhos, espantada.
  - Um mês, confirma a mãe. Tive de casar com ele, porque não me largaria a porta, diz, sorrindo, saudosa.
A filha abana a cabeça,
  - Foi uma grande prova de amor, comenta.
  - Foi, concorda, erguendo à sua frente o casaquinho quase pronto, que está a tricotar. Foi há muito tempo, diz, noutra vida. E agora vem aí uma nova geração. Está bonito?
  - Muito, diz a filha, passando instintivamente a palma da mão pela barriga, com os olhos marejados de emoção.

(23/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"Acalma-me" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amor"

(Joaquim Rodrigues)

AMOR
Sempre te vou amar nas sombras da minha dor.
Sempre te chamarei do fundo do meu poço.
Eu me sinto sufocado de memórias.
E não vou servir para nada, se tu esperares.
Amor
Eu te estou chamando como o destino.
Como o sonho chama a paz.
Chamando com minha voz com o meu corpo.
Com a minha vida, com tudo o que tenho.
Amor
Com desespero sedento, com lágrimas.
Só contigo tenho oxigénio, tenho ar puro.
Na tua luz eu morrerei feliz.
De dia ou de noite e nas horas de esquecimento.
Horas fechadas apenas em lágrimas, com dor.
Estarei sempre chamando por ti meu amor.
 
(23/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"Sêde de Prazer" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Poema de Amor"

(Joaquim Rodrigues)
O poema nasceu antes do poeta.
Mas não havia amor, antes do primeiro verso.
O amor nasceu antes de tudo.
Antes de tudo ninguém amava.
Antes de tudo, antes do poeta.
Existem duas formas de vida.
Duas formas, que são, amor, e o poema.
Não se pode falar sobre o beijo.
Sem amor, sem poema.
Não se pode falar sobre abraços.
Sem amor, sem poema.
Não se pode falar de amor.
Sem o poeta.
Como vamos omitir, cores e luzes.
Ter olhares silenciosos, triste refletidos.
Sem um poema de amor!?
Com o poema de amor.
Não há necessidade.
De chamar as estrelas.
Nem precisamos de usar.
O arco-íris.
Nem requer corações pintados.
O poema é vida.
Nunca morre sem sol, sem lua.
O poeta quando escreve.
Um poema de amor.
É como vivesse na lua.
Sentado na lua.
Um poema de amor nasce.
Porque ele ama.
Porque ele fala, ele sente.
E a lua é o melhor lugar.
Para escrever.
Escrever, um poema de amor.
 
(21/06/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 21 de junho de 2013

"A Saudade de Ti" (HD) Joaquim Rodrigues


"Como o Mundo se Partisse"


Ela vai a descer a rua com sacos na mão. Vem das compras, roupa para o Inverno, que está a chegar. Um sol inesperado rompe a manhã de chumbo e traz-lhe algum calor. Por debaixo das árvores, um tapete amarelo de folhas secas esvoaça a cada passo dela. Sente-se bem, tranquila, embora haja uma certa melancolia a pairar sobre a sua cabeça. Mas tem esperança no dia. Ao passar por um café, um homem encostado à porta com um cigarro na mão atira-lhe um elogio desajeitado, simpático mas brejeiro. Finge que não o ouve, sorri para dentro, desconcertada, segue o seu caminho. Vira a esquina, entra no seu bairro, decide parar na pastelaria e tomar um café.
Atrás do balcão, o empregado de sempre troca piadas com ela enquanto toma uma bica em pé. O telemóvel toca, leva a mão ao bolso do casaco, vê o nome dele no visor e atende, sem reparar que sorri.
(Joaquim Rodrigues)
Ele vai sozinho no carro com Norah Jones a cantar ‘Cold, Cold Heart’, a pensar nela, que não a vê há vários dias, e decide telefonar-lhe sem ponderar, sem querer saber dos prós e dos contras. Aconteceram entre eles tantas coisas em tão pouco tempo, que parece que viveram uma vida em poucos meses. Antes disso, parecia-lhes que o mundo se poderia partir ao meio e nem assim se separariam. Mas descobriram com espanto que a fragilidade dos sentimentos pode estragar tudo num ápice. E descobriram que quanto mais queriam ficar juntos, mais erros cometiam, mais mal faziam um ao outro, mais se afastavam. Quando se separaram foi definitivo. Ela disse-lhe isso, ele decidiu isso. Mas agora ele liga-lhe num impulso.
- Olá, que andas a fazer? Diz.
Ela responde.
- Olá, ando na minha vidinha, a fazer compras e assim.
- Onde estás? Pergunta ele.
- No café, ao pé de casa, e tu?
- Estou perto, diz ele, apeteceu-me ligar-te.
- Fizeste bem, queres passar por aqui? Convida-o, simplesmente, sem pensar em nada.
Em cinco minutos, ele chega, sai do carro. Ela sai do café, vai ao seu encontro. Sorriem um para o outro, não precisam de dizer as saudades que tiveram, o vazio que sentiram. Abraçam-se, beijam-se, e, nesse momento, é como se o mundo se pudesse partir ao meio que nem assim os separaria.

(21/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"Amo-te" (HD) Joaquim Rodrigues


"Minha Loucura"

(Joaquim Rodrigues)
Deixa-me hoje.
Tocar no teu corpo.
Quero acariciar-te.
Beijar teus seios.
Colar minha boca na tua.
E saborear o gosto da tua saliva.
Deixa-me entrar no teu desejo.
Hoje eu quero fazer de ti.
A minha fonte de prazer.
Deslizar pelo teu corpo lindo.
Quero sentir.
O calor das tuas coxas.
E acariciar as tuas nádegas macias.
Te tocar com minha língua.
Minha boca febril.
Deixa-me leva-te à loucura.
Em profundos gemidos.
Quero fazer do teu sexo.
O meu brinquedo ideal.
Te sentir cheia de orgasmos.
E de prazer.
Quero-te arrancar da tua vida.
Do teu ser.
Prometo, tu vais amar.
17/06/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 19 de junho de 2013

"Amo-te até na Morte" (HD) Joaquim Rodrigues


"Sentimentos"

(Joaquim Rodrigues)
Por cada lágrima.
Que teus olhos derramarem.
Vai ser uma forte emoção.
A emoção de sentires a distância.
Se puxares a minha mão.
Sem a deixar escapar.
Eu a secarei com a brisa.
E vou segurar os teus sonhos.
Com muito amor.
Eu serei a luz na neve.
Quando sentires.
O meu coração.
Ele está resfriado.
Em meus sentimentos.
Como o sol escondido.
No pico de uma montanha.
Eu vou estar na diluvia.
Seco de teus afetos.
E todas as manhãs.
Não vou sentir teu toque.
Aquela borboleta colorida.
De fácil gargalhada.
Eu fico demais sentido.
Porque tu és como.
A estrela esquecida.
O arco-íris iluminado.
Eu estou sempre contigo.
Na puta desta distância.
Que deverá ser eterna!?.
 
(18/06/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 16 de junho de 2013

"Lê-me" (HD) Joaquim Rodrigues


"Sonho Lindo"

(Joaquim Rodrigues)

Quando um sonho lindo.
Que a gente tem.
Se quebra.
Mesmo que esse sonho.
Se quebre em mil pedaços.
Não sinta medo.
Pegue num desses pedaços.
E comece tudo de novo.
 (16/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"De Repente" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Casamento"


Sobe os degraus da escadaria da igreja aos dois e dois e pára subitamente na entrada. Veio debaixo de um Sol escaldante e sente o misericordioso ar fresco do interior da igreja bater-lhe no rosto afogueado. Chegou há pouco de fora, regressado da cidade, e entrou no café logo que desceu da camioneta. Mas estranhou por estar tão vazio a um domingo de manhã. Disseram-lhe.
- Então não sabes quem se casa hoje?
Não sabia.
- Está toda a gente lá para a igreja, acrescentaram.
De modo que recebeu a notícia como um murro no estômago e saiu disparado do café. Veio sempre a correr, terrivelmente angustiado, mas agora que parou à porta da igreja não sabe o que fazer. Sai do Sol flamejante que se reflete nas paredes caiadas e imerge na penumbra da igreja. Demora uns segundos a habituar-se à luz mortiça.
Ao fundo, como que pressentindo a sua presença, ela vira-se. Está defronte do altar, ao lado do noivo. O padre suspende a palavra. O noivo volta-se também. Os convidados espreitam por cima do ombro. Ficam todos em suspenso.
Partiu há três meses depois de uma discussão. Foi à procura de trabalho na cidade, apesar de ela se opor. Não queria que ele partisse, pois tinha a certeza de que, se fosse, nunca mais voltaria. No entanto, ele voltou, já com o emprego assegurado, determinado a casar-se com ela e a levá-la consigo.

(Joaquim Rodrigues)
Reparando que estão todos os olhos postos em si, avança pelo corredor central, mais uma vez sem pensar. A escassos metros do altar, o noivo salta em frente para o impedir de se aproximar. Empurra-o, dizendo-lhe.
 - Vai-te embora.
Ele tenta forçar a passagem, sempre com os olhos postos na noiva. O noivo, desesperado, estica o braço para o esmurrar, mas falha o alvo. Os convidados precipitam-se para os separar. Ele grita por ela. A confusão generaliza-se e o padre procura furar por entre o tumulto com o intuito de recuperar a ordem, debalde. O noivo ameaça-o de morte, ele chama por ela.
Nisto, um grito agudo e prolongado paralisa a igreja. Voltam-se todos na direção da noiva e cai um silêncio. Ela retira-se para a sacristia tentando por ordem naquilo, e diz-lhe.
 - Por favor entra aqui comigo.
Abrem-se alas e ele passa. Daí a pouco, sai e vai sentar-se, cabisbaixo, no banco da primeira fila. Ela chama o noivo e este entra na sacristia com ela também. Quando saem, a noiva conferencia com o padre e, de seguida, retoma o seu lugar no altar, anunciado aos convidados que o casamento vai prosseguir, só que, afirma, com outro noivo.
Ouve-se um bruaá de espanto. O noivo dispensado retira-se com a família e a cerimónia é retomada. À saída da igreja, os recém-casados descem sob uma chuva de arroz e palmas. E a festa continua pelo dia fora, pela noite dentro.

(15/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"Para Ti" (HD) Joaquim Rodrigues


"Falando da Amizade"

(Joaquim Rodrigues)
Amizade é sentir.
Um enorme carinho.
Por alguém que gosta de nós.
É nosso amigo.
É saber escutar esse amigo.
Porque ele nos escuta também.
 
Amizade é sabermos nos calar.
No momento certo.
Quando é preciso.
É juntar todas as nossas alegrias.
E corrermos de mãos dadas juntas.
E em qualquer direção.
 
É ajudarmos a deitar fora.
Todas as nossas tristezas.
É sabermos respeitar.
O espaço um do outro.
Quando isso é necessário.
 
Amizade é guardar.
Todos os segredos que nos contam.
Porque nossas histórias de vida.
Nos são como algo sagrado.
E sentir confiança nessa amizade.
Para falar há vontade.
 
Amizade é sentir.
Que a mão que nos é estendida.
É sincera, é uma cumplicidade.
Que não dá para explicar.
É algo que nos faz viver feliz.
Muito feliz!
 
Amizade é uma coisa muito séria.
Que eu adoro, que eu amo.
Hoje deu-me uma enorme vontade.
De falar sobre Amizade.
 
(16/06/2013)
Joaquim Rodrigues

"Esqueci de Viver" (HD) Joaquim Rodrigues

 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

"Teu Olhar"



O teu olhar meu bem!
É como um sonho para mim.
Como uma noite de luar.
Um luar sem fim.
Esse teu olhar ilumina-me.
O teu sorriso acende em mim.
Esta paixão, por tudo isso!
Quero navegar nos teus desejos.
E desenhar o teu rosto para sempre.
 Em meu coração.
Quero ser o culpado de realçar.
O brilho dos teus olhos.
E afastar de vez toda esta solidão.
Que tem tomado conta de nós.
Quero navegar no teu dia-a-dia.
Quero tudo isso e muito mais.
Deixa eu te fazer feliz.
E ser a tua riqueza, um amor sem fim.
Um amor terno, o teu amanhecer.
E tu serás o meu sol, a luz do meu querer.
O meu céu deixa-me navegar no teu mar.
E para todo sempre te amar?!
 
(14/06/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 13 de junho de 2013

"Há sempre um Amanhã" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amanhã"

(Joaquim Rodrigues)
Eu hoje falo-te no dia de amanhã.
Para que nunca te aches mais que os outros.
Pois tudo o que é demais é sobra.
E tudo o que sobra vai para o lixo.
Qual é a tua dúvida sobre o dia de amanhã?
Eu não tenho duvidas para amanhã.
Eu amanhã vou querer beijar a tua boca.
Vou saciar todos os meus desejos.
E vou matar as saudades que sinto do teu corpo.
Eu sei como vai ser o amanhã.
O amanhã sempre nos reserva tantas coisas boas.
Coisas que a gente hoje não pode duvidar.
Se tu queres saber qual a visão secreta do amanhã.
Fecha agora os teus olhos.
E deseja um abraço meu, um abraço bem forte.
Hoje abre o teu coração.
Amanhã tu voltarás abrir, não te vai custar nada.
Tu sabes que o dia de amanhã, só pertence a Deus.
Lembra-te que não à bem que sempre dure.
Nem há mal que nunca acabe.
A única preparação do amanhã.
É usarmos corretamente o dia de hoje.
 (12/06/2013
Joaquim Rodrigues


domingo, 9 de junho de 2013

"Nossa História" (HD) Joaquim Rodrigues


" A História"


Há uns meses atrás, um certo dia, ela pediu-lhe que escrevesse uma história onde ela se podesse ver nela, a sua história. Ele no momento logo pensou que talvez ela o estivesse obrigar a escrever a história mais difícil que até ali conseguiu escrever, e se a vida dela, dava uma história de vida, ela não prometeu narrar a mesma, de maneira que o desafio é escrever uma história a partir do nada, de um ecrã de computador em branco, sem qualquer ideia senão as palavras dela a ressoarem no seu pensamento.
 - Escreve-me uma história.
Ele coça a cabeça, embaraçado. Está no emprego, a roubar tempo ao trabalho e a pensar.
  “Por que raio é que ela me pede que lhe escreva uma história se não sou escritor e não escrevo nada de jeito?”
Ele não quer dar-se como derrotado, mas, ao fim de uma hora sentado ao computador, começa a sentir-se desesperado, sem uma ideia decente. E, no entanto, mantém-se determinado em escrever algo que a faça feliz. Então, lembra-se que pode comprar-lhe um ramo de flores e escrever-lhe umas palavras bonitas num cartão. Não será a história que lhe pediu, mas espera compensar a sua incapacidade com as flores.
Olha para o relógio, o dia está a acabar e verifica que tem pouco tempo antes de a florista fechar. Agarra no casaco e vai-se embora, com pressa, antes da hora de saída. Quando chega, a porta já está fechada. Espreita pelo vidro, não vê a florista, mas há um rapaz a varrer a loja. Bate no vidro, o rapaz apoia-se indolentemente na vassoura, faz-lhe sinal de que já fecharam, recomeça a varrer.
 

Volta a bater, o rapaz olha para fora, aborrecido, lá se decide a arrastar os pés até à porta, abre. Pede-lhe para lhe vender um ramo de flores. Responde-lhe que só está ali para varrer e não sabe nada de flores. Pensa que também não percebe nada de histórias e tem uma para escrever.
 - Vamos improvisar, afirma, acenando-lhe com uma nota de vinte.
O rapaz rola os olhos, contrariado, guarda a nota no bolso, convida-o a entrar.
No autocarro, coloca o ramo de flores no lugar livre ao seu lado e concentra-se no cartão com uma caneta na mão. Um homem, de pé no corredor, desequilibra-se com uma guinada do condutor e aterra em cima do ramo de flores. O homem olha para ele com um sorriso culpado, antes de voltar a levantar-se.
Senta-se num banco público, na rua, desanimado. O ramo de flores arruinado está enfiado no caixote de lixo ali ao lado. Ela está à sua espera para jantar e não tem nada para lhe oferecer. Nem história nem flores. Subitamente, surge-lhe uma ideia e percebe que já tem a sua história!
Quando ela abre a porta oferece-lhe uma garrafa de náufrago com uma folha enrolada no interior. Ela retira a folha e lê a história que ele escreveu e que começa assim.
"As vicissitudes de um pobre apaixonado para agradar, à namorada."
Depois de ler, abraça-se a ele, emocionada.
- É uma história bonita, afirma, melhor do que ficção e melhor do que um ramo de flores.
Ele sorri, aliviado, até ela acrescentar.
- Querido estive a pensar numa coisa.

(09/06/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 8 de junho de 2013

"Voar" (HD) Joaquim Rodrigues


"O que eu Quero"


Eu só quero.
Poder acordar todos os dias.
E saber que tu estás a meu lado.
Para me aquecer.
Enquanto lá fora o dia é gelado.
Só quero que me acordes aos beijos.
E me cubras de abraços e carinhos.
Eu só quero poder acordar.
E olhar o teu lindo rosto deitado.
Sob meu travesseiro.
E o observar todo dia.
Quero poder tomar o café-da-manhã.
Contigo deitado na cama.
Em dias chuvosos.
E cobertos pelo nosso édredon.
Vamos assistindo Televisão.
Eu só quero cometer loucuras contigo.
E adormecer cansado junto a ti.
Eu só quero sorrir.
Olhando para o teu sorriso.
E me encantar.
E me perder no brilho dos teus olhos.
Te beijar, te abraçar.
Eu só te quero comigo.
Eu quero-te abraçada a mim.
 “08/06/2013”
Joaquim Rodrigues

"O meu Filme" (HD) Joaquim Rodrigues


"Despedida"

(Joaquim Rodrigues)
Depois de o comboio partir, de ela ter ido, depois do derradeiro beijo com a máquina já em movimento, ele fica ali, na estação, ainda uma hora, a despedir-se dela, a pensar nela com a saudade deixada a pairar na memória do seu perfume, do último abraço. Fica ali, preso à nostalgia da partida, a tomar um café com o cais de embarque à vista, observando outros casais que se separam com os comboios que seguem viagem e outros que se reúnem com os comboios que chegam. Para trás ficam umas férias encantadas, só os dois, juntos, com aquela sensação feliz de perenidade que perdurou enquanto, nos braços um do outro, garantiam que era para sempre sem se quererem lembrar de que era só por uns dias.
Nesse tempo exíguo passearam por muitos lugares, mas faltar-lhes-ia ainda uma vida inteira para continuarem a passear, a visitar todos os recantos de todos os lugares que sonharam ver sem a ansiedade dos dias contados. Ali sentado na esplanada que dá para o cais da estação, ele dá consigo a recordar-se dos momentos bons que passou com ela, das conversas exclusivas, das mãos dadas ao final da tarde numa praia, de uma piada trocada entre os dois, de uma gargalhada. Lembra-se de cada pormenor do seu corpo, de passar as mãos pelo seu cabelo comprido acabado de lavar, do seu sorriso único, do seu sentido de humor. Revê-se a abrir os olhos e a descobri-la ao seu lado ao despertar da manhã numa cama demasiado pequena para tanto amor.
Um dia, há não muito tempo, ela disse-lhe que não poderiam ficar juntos, que não acabariam um com o outro, pois iam demasiado adiantados na vida e estavam ambos presos às escolhas do passado, mas depois o desejo foi mais forte do que a razão, depois ela não quis saber de nada e veio e, observando agora os namorados que se despedem à porta do comboio, ele pergunta-se quando a voltará a ver e decide que, não obstante as contrariedades que os separam, quer ir ao seu encontro e irá mesmo, inevitavelmente, reencontrá-la em breve.
Acaba o café sem pressa de deixar o lugar onde a viu pela última vez, levanta-se, encaminha-se para o átrio da estação, olha ainda para trás, espreitando por cima do ombro como se fosse possível ela não ter partido e estar ali, algures no cais, à procura dele. Depois vai-se embora, assegurando-se de que tem o telemóvel na mão e de que está ligado. Quando o comboio partiu ele tentou dizer-lhe uma última palavra, uma última recomendação, mas as portas já se tinham fechado e ele deu consigo a pensar o que não lhe conseguiu dizer: “Telefona-me quando lá chegares.”

(08/06/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 7 de junho de 2013

"Classico" (HD) Joaquim Rodrigues


"Lembranças"


Eu quando acordo de manha.
Tu és o meu primeiro pensamento do dia.
Vou logo a correr, te procurar.
Como não te vejo, quase morro de agonia.
Sou dependente do teu amor.
Porque o teu beijo me vicia.
Longe um do outro, sinto dor.
Quero-te a meu lado quero-te todo dia.
Se não gostas de te arrepender.
Escolhe viver a vida, a rir e a cantar.
Afinal como teria sido, como ia ser?
Não passes tua vida, a perguntar.
Tenho dias que penso com o coração.
Ele manda vai, corre atrás dela.
Mas logo minha cabeça entra em ação.
Vai acontecer a mesma esparrela!
 (07/06/2013)
Joaquim Rodrigues