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quinta-feira, 16 de maio de 2013

"O Amor e o Tempo"

(Joaquim Rodrigues)
Pela montanha alcantilada.
Todos quatro em alegre companhia.
O Amor, O Tempo, a minha Amada.
E eu, subia-mos um dia.
 
Da minha amada no gentil semblante.
Já se viam indícios de cansaço.
O amor passava-nos adiante.
E o tempo acelerava-nos o passo.
 
- Amor, amor! Mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira.
Não pode com certeza caminhar.
A minha, doce companheira!
 
De súbito, o amor e o tempo, combinados.
Abrem as asas trémulas ao vento.
- Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis? Neste momento?
 
Volta-se o amor e diz com azedume.
- Tende paciência, amigos, meus!
Eu sempre tive este costume.
De fugir com o tempo.
Adeus, adeus!
 
(16/05/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 14 de maio de 2013

"Longos Momentos" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tormento de Amor"

(Joaquim Rodrigues)

Nada, me importa agora.
Tudo morreu para mim.
Não tenho dia nem hora.
Só uma tristeza sem-fim.

Meu amor por ti morreu.
E só agora é que vejo.
Como te amava Deus meu.
Era amor era desejo.

Não me quiseste lamento.
Tinha tanto para te dar.
E só recordo um tormento.

Tormento que já passou.
Mas que ainda me faz chorar.
Porque em mim nada ficou.
 

(14/05/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 12 de maio de 2013

"Carrie" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Passado com História"



Ela tem um velho rádio no balcão da cozinha, que gosta de ligar de manhã. Acorda muito cedo, arranja-se, dá as suas voltas pela casa e acaba na cozinha. Fica a ouvir música enquanto prepara uma refeição a contar com a filha que costuma vir almoçar. Mas não esteve sempre sozinha, perdeu o marido no ano passado. A filha quando senta-se à mesa acha-a um pouco abatida, e diz-lhe.
- Tens que começar a sair mais mãe.
- Não me apetece sair, responde-lhe, antes ia a todo o lado, mas era com o teu pai.
- Quem me dera ter um casamento como o vosso, desabafa a filha, a pensar no namorado que deixou há pouco.
- Ah, não julgues que foram só alegrias, diz ela. Antes de nos casarmos, estivemos dois anos sem nos vermos.
- A sério? Não sabia isso, diz a filha, espantada.
Ele era um jovem co-piloto no início da carreira e passava muito tempo a voar. Estavam apaixonados e já falavam em casamento, mas ela quase não o via, e acabaram por se separar. Dois anos mais tarde, ela está noiva e vai casar dali a uma semana. Quando se encontram num bar. Ela tem o anel de noivado no dedo e faz a despedida de solteira com um grupo de amigas. Os seus olhos cruzam-se e, nesse preciso momento, ela sente um impacto tremendo, como se o passado nunca tivesse passado realmente e ele estivesse ali porque lhe pertence, porque pertencem naturalmente um ao outro. Não consegue vê-lo de outra maneira. Ele aproxima-se, ela tem uns escassos segundos para se recompor, e ficam por uns momentos a conversar. Conta-lhe
- Vou-me casar, estou aqui nesta festinha com minhas amigas como despedida de solteira.
Nessa noite ela não dorme sossegada, não consegue conciliar o sono, enfim, não dorme de todo. De manhã batem à porta, ela vai abrir e ali está ele, à sua frente.
- Que fazes aqui? Pergunta-lhe, estupefacta.
- Não foi fácil dar contigo, afirma ele.
- Mudei-me há dois anos.
- Eu sei, também te procurei nessa altura e tinhas desaparecido.
- Eu nunca soube que me procuraras, pensei que tinhas desistido de mim, simplesmente.
- Nunca desisti de ti, diz ele, achei que tinha sido o contrário, que não me querias ver, e daí a tua mudança de casa.
Ela não sabe o que pensar, não sabe o que dizer nem o que fazer. Ele está ali, e ela vai casar-se com outro. Ele convida-a para almoçar e, sem que o tivessem planeado, passam o dia juntos, e os seguintes.
 - De modo que casei na data prevista, mas com o teu pai, conta à filha. Foi terrível o que fiz ao outro, diz, parecendo ainda embaraçada com a situação, mas era o homem da minha vida e não podia desistir dele, nunca desisti, na realidade, só pensava que não o podia ter.
A filha, incrédula, emocionada, pensa na história da mãe, no namorado, na asneira que foi deixá-lo, e decide que tem de fazer algo rapidamente para não o perder de vez.

(12/05/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 10 de maio de 2013

"Preciso de Ti" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Luz dos meus Olhos"


Senta-te aqui a meu lado, amor!
Gostas que te conte segredos?
 
Sempre que eu penso em ti.
Tenho a sensação, de ver teus olhos.
 
Eles olham para mim, e têm um sorriso lindo.
Me faz lembrar sempre, esta paisagem.
 
E me dá paz, só de lembrar esse teu olhar.
A luz que vejo é do pôr-do-sol, no horizonte.

E no seu interior um mundo cheio de amor.
Um sorriso belo! Deslumbrante, que me seduz.
 
Que revela uma alegria provocante.
É a primeira coisa que vejo todos os dias.
 
Tu és tão linda, e me faz sorrir meu coração.
Que tenho pensado, que só pode ser amor!
 
(10/05/2013)
Joaquim Rodrigues

" Perfeito Coração" (HD) Joaquim Rodrigues


"Falar de Amor"


Numa manhã cinzenta desta semana, vi um velhote com um ramo de cinco túlipas vermelhas na mão, e me fez ficar curioso! Quando o vi, eu tinha acabado de abrir minha janela pela manhã.
O velhote ia com o ramo empinado na mão, reparei que nem a sua posição, nem o seu rosto denotavam qualquer informação que pudesse dar a entender a curiosidade que existe em mim. Fiquei curioso, porque ainda meio adormecido, eu queria era saber para quem ele levava o ramo das tulipas vermelhas. Naquele momento não deixei de pensar!
   “Um dia, quando eu tiver a idade dele, e já estiver demasiado antiquado. Se esta cena se passar comigo nessa altura, prometo Joaquim, tu vais-te sentir muito feliz! Porque um velhinho na rua com flores na mão, e depois de sair do seu carro, tem sempre história garantida, e tem história daquelas que deveriam estar nos nossos murais todos os dias, e não estão! Por falta de tempo, por inércia, porque deixamos de nos importar com as coisas pequenas da vida. Fossem as túlipas para uma amante tardia, ou para uma mulher precocemente falecida, ali havia uma história com toda certeza!"
 
(Joaquim Rodrigues)
E eu sabia que ali havia mais do que uma simples história. Havia uma história à qual eu poderia acrescentar algum mural nela, espécie de fábula que nos ajudam a explicar o mundo real com base em moralidades e supostos, que todos nós conhecemos.
 Aquele homem ia levar flores a alguém, sem que isso tivesse sido obrigado pelo calendário que é o dia dos namorados. Antecipou-se, até! A sua agenda era diferente da economia e do comércio mundial. A sua idade, a sua experiencia, o facto de ser do tempo em que não havia dia de S. Valentim a leste do seu mundo cultural! Tudo isso, e muito mais poderia estar na origem da sua decisão de comprar flores num dia qualquer.
E isso para mim, dava um bom final para a minha história de amor! Como me dá um bom argumento para este meu texto em que me obrigou a falar do meu futuro. E a sonhar que ainda aí serei muito feliz, caminhando na rua com um ramo de túlipas vermelhas na mão.
O romantismo de que estamos todos necessitados, não pode vir só em dias como aquele que está marcado no calendário para se namorar, como aquele velhinho o fez! Afinal, nunca foi proibido, falar de amor, todos os dias!

(09/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Queres Falar" (HD) Joaquim Rodrigues


quinta-feira, 9 de maio de 2013

"Até Já"


Sinto os meus pés cansados.
Minha mente leva-me ao alto.
Ao pico da montanha.
Esse sim é o meu objetivo.
 
É onde eu quero chegar.
Onde eu preciso chegar.
Quero me sentir e me esquecer.
De todo o fardo, que tem a cara do mundo.
 
Meu corpo se curva a cada passo meu.
E ficam pelo caminho, as sementes.
Do que não quero.
Eu seleciono tudo.
 
E a espaços sinto sede de ti.
Mas tu ficaste pelo caminho.
Agora há um lugar vazio.
Para quem chegar.

Mas neste momento.
Chegar ao alto da montanha.
É o meu objetivo, só pergunto.
Como serei eu, lá no alto?
 
Eh! Ainda não sei.
Talvez na descida, eu veja.
Que tudo afinal está melhor.
Agora o objetivo, é lá chegar ao cimo.
 
Então! Até já?
 
(09/05/2013)
Joaquim Rodrigues.

"Bebé Azul" (HD) Joaquim Rodrigues


"Obrigado"


A todos os invejosos, o meu muito obrigado!
A todos eles, fico agradecido por terem cuidado
Da minha vida.
E por me ajudarem a ver, o valor da sua amizade.

 Reparei que cuidaram, muito bem!
Enquanto eles perdiam o seu tempo.
Eu resolvia os meus problemas.
E ia, me sentindo, muito feliz.

 Àqueles que tentaram derrubar-me.
Só me resta agradecer, obrigado!
Porque perderam tempo e paciência.
E me deixarem muito mais forte.

 Aos que traíram minha amizade.
Também lhes agradeço!
Obrigado, por me ensinarem.
A ignorar quem não presta!

 (08/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"És meu Vicio" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Último Romãntico"

Ana tem 55 anos e o Carlos 57! Eles namoraram, na adolescência, e depois terminaram tudo. Casaram com outras pessoas, fizeram as suas vidas, tiveram filhos. Mas, por força do destino, por coincidência ou simplesmente porque sim!
«Eu prefiro a versão do destino», um dia voltaram a encontrar-se. Eles mal se viram! Logo se aproximaram um do outro, e deram um abraço demorado e tudo deixou de se mover naquele momento, e só passado alguns segundos, notaram que daquele abraço eles os dois já estavam a precisar desde à trinta e muitos anos. Como se o mundo tivesse ficado, assim, congelado, trinta anos à espera deste reencontro. Ana ainda trazia ao pescoço uma medalha que Carlos lhe tinha destinado, há trinta anos, para o Dia de São Valentim.
Começaram a viver juntos no final do ano passado, e um dia destes casam. Aquele sonho com que faz o Carlos ser um homem romântico está quase acontecer! Esperou três décadas, mas brevemente vai concretizar-se. O de Ana já passou à prática. Foi lindo os ver recordar, o tempo da adolescência! A Ana contou.
 - Sabes, ainda uso esta medalha que trago ao pescoço em forma de colar, sempre a estimei durante estas décadas, senti sempre que esta medalha me fazia recordar o primeiro beijo, a primeira discussão como só os adultos o faziam. nesta medalha está cá tudo.
Ele sorrindo feliz por Ana ainda ter a medalha que ele se lembra muito bem lhe ter oferecido, diz.
 - Lembro-me quando tu te metes-te comigo, lembra ele.


Ana abana a cabeça.
- «Não, não, não, nada disso, tu sim!
- Uma vez eu estava a jogar flippers e tu começaste a dar-me empurrões, uns toques, uns pontapés, responde ele.
Ana arqueia o sobrolho, e nega tal coisa, respondendo.
 - Tu é que não paravas de me fazer olhinhos, e atiravas larachas para me provocar.
Não importa. O que interessa para o caso é que, quando ela tinha 14 anos e ele 16, em Agosto de 70, começaram um namorico, muito amaldiçoado por uma fação da família dela, que não queria ver a filha namorar um rapaz lá da terra.
- Os meus pais achavam que eu era muito nova, mas sobretudo odiavam o falatório. E além disso creio que o meu pai sentia que uma relação com um rapaz da terra era um recuar nos planos que ele tinha para mim. Ele queria mais para a filha como todos os pais. Mas lembro-me muito bem que apesar da idade, tu fos-te para mim o homem mais romântico que eu um dia namorei, e ao longo do tempo quando eu ouvia falar de romantismo logo me lembrava de ti, diz ela no seu jeito. Mas quando eu tive que ter a difícil tarefa de te informar que meus pais não concordavam com nada daquilo? Nem emaginas, sempre me escapou uma lágrima por me lembrar tudo isso! Então uso esta medalha que tu um dia me deste, porque sempre a amei muito.
Ele abraçou-a e lhe deu um beijo carinhoso na testa, e tapando-lhe com mão a boca, respondeu.
 - Pronto amor, não digas mais nada, isso foi à trinta anos.

(08/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Romantico" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Poema"



O poema é como um corpo, de mulher.
Tem de ser suave, leve, e belo.
 
Tem de possuir, pontos sensíveis.
Que com um simples toque o faça vibrar.
 
Tem de ser forte, delicado flexível.
Mas inquebrável.
 
Para alguns é impenetrável.
Mas para alguém é especial.
É aberto transparente claro.
 
  (14/03/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 8 de maio de 2013

"Outros Tempos" (HD) Joaquim Rodrigues


""Se me Amas Da-me a tua Password"


As relações humanas são terreno fértil para os maiores sinais de que os homens, e mulheres pode ser uma criatura fantástica ou, uma verdadeira besta-quadrada descompensada. Ou, pronto, um indivíduo que às vezes precisa de um recado e que lhe digam.
  «Vou esquecer que disseste essa asneira, porque toda a gente tem direito a gastar créditos no banco de idiotices.»
No campo do amor e dos afectos, esta escala de comportamentos é ainda mais flagrante. Eu tento sempre não fazer grandes juízos de valor sobre a vida dos outros. O que é certo ou faz sentido para mim pode ser errado ou absurdo para muita gente. Mas há coisas mais difíceis de entender do que outras. Quando chegarem ao fim destas linhas, podem sempre dizer que a besta-quadrada sou eu, e que gastei uma data de créditos de uma vez. Vem isto a propósito de uma tendência de que uma amiga psicóloga me deu conta há dias. Cada vez lhe chegam mais pacientes ao consultório a dizer que o marido, namorado, mulher ou namorada lhes pedem a palavra-chave do e-mail ou da conta de Facebook para poderem consultar a bel-prazer. Assim como o telemóvel, para verem as mensagens e as chamadas feitas e recebidas. Alguns acham isso normal, outros ficam espantados com a recusa do parceiro. E desde quando é que um disparate de meia dúzia de controladores se torna uma tendência preocupante? Perguntam vocês. Bom, desde que falei com outros psicólogos, que confirmam que se deparam com situações semelhantes. Sobretudo, com pacientes com menos de 25 anos, mas em alguns casos com pessoas mais velhas. O absurdo não é apenas geracional, portanto. Vejam a coisa desta maneira.
 

Da próxima vez que tiverem dúvidas sobre o vosso casamento e colocarem em causa o bom senso da outra pessoa, da próxima vez que acharem que têm um azar do caraças ao amor, e que a vossa vida sentimental dava um filme, pensem que, afinal, até estão muito bem. Não é que isto seja o derradeiro nível da descompensação de uma relação, até porque há muitas maneiras de infernizar a vida ao outro. Mas no que toca a comportamentos difíceis de perceber, até pedirem a password do e-mail do vosso marido ou da vossa mulher e acharem que isso é a coisa mais normal do mundo, há ainda um longo caminho de disparates pegados para fazer e asneiras para soltar da boca para fora. Falando diretamente para vocês, os que acham isto natural. Onde é que estavam com a cabeça quando acharam que isto é boa ideia? E vocês aí. Os outros. Onde é que vocês estavam com a cabeça quando acharam que abdicar da vossa privacidade não tem nada de mal? Esperem, não respondam. Eu sei!    «Se me amas, dás-me a password do teu e-mail . Se não dás, é porque tens segredos para mim. E não me amas.»
  É isto? Vocês acham que é uma grande prova de amor dar a entender à outra pessoa que não têm segredos para ela, certo? Errado! Todos temos segredos. É normal ter segredos! Os segredos fazem parte das nossas características, daquilo que nos torna diferentes. Além disso, é uma coisa privada, caramba! E toda a gente tem direito à privacidade. Até a pessoa que está ao vosso lado, controle freaks . Essa insegurança ou a mania de controlarem tudo e mais alguma coisa na vossa vida e na dos outros depois descamba nisto. São capazes de não entrar na casa de banho quando a outra pessoa está lá dentro, porque é preciso manter um certo glamour na relação e há coisas que se devem manter na esfera íntima. Mas ir ao e-mail ou Facebook do outro, ou pegar no telemóvel e espiolhar a caixa de mensagens, mesmo com autorização do próprio, isso já está bem. A sério: mais preocupante do que esta perversão é o facto assustador de não acharem que isto é perverso.

(08/05/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 7 de maio de 2013

"Faça Isso, por Mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"Despedida"

(Joaquim Rodrigues)
Me cansei dos meus versos.
Porque nunca os quiseste ler.
Agora vou juntar todos.
Esse versos que escrevi.
Numa bandeja de prata.
Que pertenceu a meu avô.
E Chorarei minhas lembranças
Em forma de poemas.
E regados com restos de uísque.
Que deixei em garrafas inacabadas.
Nesta dolorosa embriaguez
Beijarei tua fotografia.
Mas juro-te, será a última vez.
Porque tua foto reacenderá o fogo.
Embriagado assistirei à cremação.
E tudo o que me faz lembrar de ti.
Da mulher feita fogo da distância.
Que sempre eu quis tanto.
Mas que nunca se pode amar.
O que já não está entre nós.
 (07/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Espero" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amizade"

 
O meu maior erro!
Foi querer fazer.
O teu rosto alegre.
 Quando tu tinhas.
Teu coração, muito triste.
E à noite querer que a lua.
Recebesse a claridade do sol.
Eu sinto em teu rosto.
Quando tudo é escuro.
Um dia eu terei, muita honra.
Em te dar meu coração.
E receber de ti um abraço.
E tu não tens.
Que me agradecer.
Só recebes!
Eu te darei, com muita paixão.
Com muito amor, e carinho.
 (07/05/2013)
Joaquim Rodrigues


domingo, 5 de maio de 2013

"Eu te Amo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Uma Queda no Meio da Rua"



Antes de atravessar a rua, ao início da noite, ele suspira com um belo sentimento de liberdade na alma. É sexta-feira e tem um jantar com amigos. Nada de trabalho, só o fim-de-semana.
Ela sai da loja meio atrapalhada com três sacos nas mãos. Nisto, o salto fino do sapato fica preso numa reentrância da calçada e, num momento, vai a andar normalmente e, no outro, está estendida no chão com os sacos espalhados à sua volta. Uma mão solícita segura-lhe o braço, ajuda-a a levantar-se. Ela agradece, ele recolhe os sacos.
- Você está bem? Pergunta-lhe.
 Responde-lhe que sim, mais embaraçada do que magoada.
- Tem as mãos feridas, nota ele.
- Não é nada, diz ela.
No entanto, convence-a a entrar num café e fica à espera que vá lavar as mãos. À saída, vão na mesma direção e ele acompanha-a. Começa a estar atrasado, mas acha-a bonita e acaba por convidá-la para jantar. Só que não consegue mais do que uma amável recusa.
Passa uma semana. Ao sair de casa de manhã, ela enfia distraidamente a mão no bolso do casaco e descobre um cartão-de-visita. Não reconhece o nome que tem inscrito nem se recorda de o ter guardado. Vai trabalhar intrigada com aquele cartão. Finalmente, derrotada, liga para o número e uma voz pergunta-lhe.
- Como estão suas mãos?
Ela cerra os olhos, já arrependida de ter ligado.
- Como é que o seu cartão estava no meu casaco?
 - Fui eu, confesso, meti-o sem você reparar, tinha esperança que me ligasse.
- Só liguei porque não sabia de quem era, replica ela, um pouco brusca.
Despede-se de forma atabalhoada, desliga. Ainda assim, ele não desanima e envia-lhe uma mensagem a convidá-la novamente para jantar. Ela responde.
- Não posso!
- Então amanhã, ou depois, ou depois, ou depois.
Normalmente ela diria que não, mas ele insiste tanto que pensa.
 “- Porque não?
E, depois de uma longa negociação por mensagem, concorda em almoçar.
- É sempre assim tão persistente? Pergunta-lhe.
Ele espreita por cima do menu, sorri, faz que sim com a cabeça.
- E agora, qual é a sua ideia?
A pergunta surpreende-o, mas encolhe os ombros.
- Agora, diz, almoçamos, depois logo vemos onde isto nos leva.
- Isto? Repete ela, hum, e baixa os olhos para o seu menu a pensar que ele é um convencido. No entanto, sente-se desafiada, e uma voz no canto do seu cérebro segreda-lhe
" - Pois, vamos ver onde isto nos leva!
Passou um ano. Ele costuma dizer a brincar que ela tem uma certa queda por si, ao que ela responde.
- Tenho outras formas de chamar a atenção e não costumo atirar-me assim de cabeça, mas, sim, que ele é irresistível.
Ainda se riem da forma como se conheceram. Um dia, dizem.
"- haverão de contar esta história aos seus filhos.

(05/05/2013)
Joaquim Rodrgues

"Regresso à Inocencia" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dia da Mãe"

(Joaquim Rodrigues)
Mãe! Se o teu coração.
Fosse de vidro.
Eu poderia ver.
Como tu choras por dentro.
 
Tu és forte, batalhadora.
E talvez seja por isso.
Que não deixas.
Ninguém perceber.
A tua tristeza.
 
Mãe, quando te vejo triste.
Me dá tanta vontade.
De te pegar no meu colo.
E te fazer um carinho.
 
Se eu fosse grande.
Eu te pegava em meu colo.
E te levava comigo.
A passear num barquinho.
 
Eu ia conher a rosa mais linda.
No nosso quintal.
E te oferecia mãe.
Te dava muitos beijinhos.
Até te ver sorrir.
 
E assim eu ia ajudar.
A meteres fora.
Toda essa tristeza.
Dentro de ti guardada.
E te pegava no colo,
 
Ou será que gente grande.
Não gosta de colo?
Feliz dia da mãe.
Minha mãe querida.
 
(05/05/2013)
Joaquim Rodrigues

"Juntos Caminhando" (HD) Joaquim Rodrigues


"Eu e Tu"



De mãos dadas, campos fora.
Sempre em frente, nós corremos.
Que belo instante, o de agora.
Assim feliz nós vivemos.
 
Corremos entre o verde e a cor.
Só tu e eu, e mais ninguém.
Que singelo, e belo, nosso amor!
Para mim, o maior bem.
 
É ter-te, pertencer-te.
Sempre preso a esse teu olhar.
Eu quererei, se puder ser.
Para sempre assim ficar.
 
Meu prazer é meu sonho, meu querer.
Tenho muito amor, e carinho para dar.
Minha dama, minha amada, meu amor.
Quero seguir Juntinho a ti até morrer.
E só parar, para te amar.
 
(05/05/2013)
Rodrigues Joaquim

"Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Silencio ao Jantar"

(Joaquim Rodrigues)
Um silêncio pautado por gestos lentos marca a rotina tranquila do jantar. À mesa, o casal ensimesmado é como que uma ilha serena rodeada de águas alvoroçadas. Perto dele, um grupo de jovens contrasta com uma vozearia animada, e outras mesas mais completam a sala do restaurante cheia de conversas descontraídas de sábado à noite.
Tanto ele como ela já passaram dos sessenta e vão entrando sem sobressaltos no ocaso de uma vida que nem sempre foi desenhada pelas escolhas mais certeiras, ou, enfim, sem arrependimentos. Mas foram as que foram e ambos acreditam que já não vão a tempo de as corrigir. Ele molha uma tosta no pratinho de azeite, leva-a à boca, mastiga-a demoradamente, em silêncio. Ela observa-o sem qualquer perplexidade. Conhece-lhe os silêncios tão bem quanto é capaz de lhe antecipar as respostas. Se lhe perguntasse agora o que está a pensar, ele demoraria uma pequena eternidade a responder para, finalmente, dizer.
- Nada.
Como se fosse possível ser um vazio de ideias enquanto mastiga uma tosta. Por isso, não lhe pergunta. E, no entanto, gostaria que ele dissesse qualquer coisa, nem que fosse para embirrar, para sacudir a apatia em que vai soçobrando a sua companhia. Houve um tempo em que ele ponderou mudar tudo, ousou sonhar de novo. Quis outro rumo com outra mulher. Ainda hoje acredita que era a mulher da sua vida. Mas não foi capaz de trocar uma vida pela outra, de enfrentar a dúvida da mulher certa pela mulher perfeita. Houve um tempo em que tudo ainda era possível, mas claudicou, faltou-lhe a coragem. Ela bebe um gole de água, pousa delicadamente o copo no lugar exato onde estava, cumprindo o espírito metódico de que nem se apercebe. Ele observa-a a limpar a boca com o guardanapo. Sabe que o ama mais do que o tolera, mais do que ele a tolera sem mágoa, pois não tem uma crítica para ela, nada que o incentive a detestá-la. Reconhece-lhe a dedicação exemplar, apesar da desilusão, apesar de saber que não merece o amor dela, e a única forma que tem para a recompensar é cumprir a promessa íntima de ficar com ela até ao fim.
O empregado serve-os. Comem com vagar, num silêncio entrecortado por comentários breves que não dão azo a verdadeiras conversas. Por vezes, fica-lhes a impressão de que não têm nada a dizer um ao outro, que não seriam capazes de falar cinco minutos de um assunto em comum ou de uma futilidade qualquer. Pagam a conta, ele ajuda-a a vestir o casaco, saem do restaurante, vão caminhando ao frio para casa, perto. Um ligeiro assomo de culpa leva-o a dar-lhe o braço, sem saber que ela leva sempre um sentimento de gratidão por ter ficado quando podia ter partido.

(03/03/2013)
Joaquim Rodrigues:

"Só Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Confesso"



Todos nós, já nos apaixonamos,
Pelo menos, uma vez na vida,
Mas eu prometo,
Que na próxima vez que, eu me sentir assim!
Vou parar por uns segundos,
E pensar, no que se está a passar na minha cabeça!
Mas sinceramente, tenho que confessar.
Esta sensação que a gente sente.
É tão agradável!
 
(05/05/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 3 de maio de 2013

"Adeus Tristeza" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Fado Português"

(Joaquim Rodrigues)

O Fado nasceu um dia.
Quando o vento mal bulia.
E o céu o mar prolongava.
Na amurada dum veleiro.
No peito dum marinheiro.
Que, estando triste, cantava.
 
Ai, que lindeza tamanha.
Meu chão, meu monte, meu vale.
De folhas, flores, frutas de ouro.
Vê se vês terras de Espanha.
Areias de Portugal.
Olhar ceguinho de choro.
 
Na boca dum marinheiro.
do frágil barco veleiro.
Morrendo a canção magoada.
Diz o pungir dos desejos.
Do lábio a queimar de beijos.
Que beija o ar, e mais nada,
 
Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido.
Que aqui te faço uma jura.
Que ou te levo à sacristia.
Ou foi Deus que foi servido.
Dar-me no mar sepultura.
 
Ora eis que embora outro dia.
Quando o vento nem bulia.
E o céu o mar prolongava.
À proa de outro veleiro.
velava outro marinheiro.
Que, estando triste, cantava.
 
(José Régio)
por… Joaquim Rodrigues:

"Amor Longe" (HD) Joaquim Rodrigues


"Carta a uma Desconhecida"

(Joaquim Rodrigues)

As tuas cartas vêm tocadas.
Duma ideal melancolia.
Não sei quem és, e todavia.
Beijo essas letras desmaiadas.
 
Como as violetas perfumadas.
Que a sombra esconde à luz do dia.
As tuas cartas vêm tocadas.
Duma ideal melãncolia.
 
Nas minhas horas tresloucadas.
Horas de febre e de agonia.
Como esperança fugidia.
De mil quimeras iriadas.
As tuas cartas vêm tocadas.
 
(03/05/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 2 de maio de 2013

"Uma Canção Pra Ti" (HD) Joaquim Rodrigues


"Pessoas Amadas"

(Joaquim Rodrigues)

Sempre admirei as pessoas.
Que acordam de manhã.
Cheias de alegria, no coração.
 
E depois têm ainda a coragem.
De se levantarem.
Sem se lembrarem.
Das quedas do dia anterior.
 
Essas pessoas não precisam.
De elogios, nem de aplausos.
Sabem pedir por favor.
Pedir desculpas!
 
Pessoas que não se envergonham.
Ao dizerem.
Eu amo-te!
Como eu admiro, essas pessoas!
 
Pessoas que têm a coragem.
De insistir.
Mesmo depois, de receber um não!
 
(28/02/2013)
Joaquim Rodrigues:

segunda-feira, 29 de abril de 2013

"Titanic" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amor ou Paixão"


A Paixão é um fogo que nos aquece o peito.
Que arde por dentro, nos inflama, e satisfaz.
Nos leva ao delírio, e nos mexe, nossa alma.
Nosso corpo, nossa mente, mas ferir, ela é capaz.
 
Enquanto o amor, é como uma brisa matinal.
É o que precisamos, uma estrada de ternura.
Nos dá carinho, afeto, aquele fogo essencial.
Nos trás prazer, toda fonte, da felicidade pura.
 
A paixão se torna como uma ação, devastadora.
Enquanto o amor nos faz feliz, é um encantamento.
A paixão é perigosa, roí por dentro, nos deixa marcas.
Mas o amor não! Nos dá vida, nos alivia, o sofrimento.
 
A paixão como ela é, nem sempre nos leva ao amor.
E nem sempre no amor, existe paixão.
Mas os dois juntos teimam, em nos confundir.
Com tudo o que tem de belo, a sua sedução.
 
Eu procuro, em todos meus sentimentos, me equilibrar.
Seja na paixão, no amor, no carinho, ou nas emoções.
Mas como gosto de viver, amo a vida, e de me enlaçar.
Vou amando com paixão, e me entrego sem restrições.
 
(29/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Amo-te" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Caso Inesperado"


Entro na discoteca, está tão cheia, e é difícil uma pessoa movimentar-se entre a multidão alegre que preenche todo o espaço junto ao balcão, entre as mesas, e a pista de dança. Olho ao redor procurando um lugar onde me possa encostar, como não existe, encosto-me a uma coluna a observar o ambiente. Para onde quer que me volte, só vejo pessoas a falar aos gritos, embora não seja possível ouvi-las porque a música alta abafa suas vozes.
Com um copo na mão vou bebericando, enquanto penso que faria melhor se fosse embora, porque já não tenho idade para estar apertado, que nem sardinha enlatada. Olho para o meu lado direito onde existe três mesas e mais atras encostado a uma parede de vidro um maple, ocupado por um casal ainda muito jovem, que de vez em quando, se vai beijando como dois apaixonados.
Mas em uma das mesas baixas, reparo numa mulher sentada a alguns metros mais à minha esquerda, que me sorri. Quando nossos olhos se cruzam, eu devolvo o sorriso. Acho-a muito bonita, e divertida também, pois tem um gesto engraçado, apontando para o banco vazio ao seu lado, convidando-me para me sentar.
  “Deve estar ali, já há muito tempo, a ver a figura que eu tenho andado aqui a fazer com a minha idade, no meio desta juventude, de copo na mão, quem me mandou a mim se meter nesta vida que não é a minha?”- Pensei.
Mas aceitei o convite, afinal era a única maneira de me adaptar ao ambiente, conversar com alguém. Mas depressa os dois percebemos que é difícil manter uma conversa com tanto barulho, de modo que eu recorri a uma caneta que tinha no bolso e a um guardanapo de papel que encontrei em cima da mesa para lhe escrever uma mensagem. Ela entra na brincadeira e responde-me igualmente por escrito. Ficamos assim a saber o nome de cada um e pouco mais, porque ela vai-se logo embora, não volto a vê-la, e deixei então de pensar mais nela.
Estou debruçado sobre o balcão da loja a verificar uma nota de encomenda quando minha irmã entra.
 

Há dois anos que tenho a loja de electrodomésticos no centro comercial e acabei por lhe dar emprego. Dez minutos mais tarde, sai para ir tomar um café. Sento-me a uma mesa a folhear o jornal do dia enquanto espero que o empregado me sirva. Este regressa com o café e com uma mensagem escrita num guardanapo de papel.
- Aquela senhora disse para lhe entregar isto, informa-me.
Ergo meus olhos, e vejo-a a sorrir de longe e reconheço-a da outra noite na discoteca.
- Ainda se lembra de mim? É a pergunta escrita no guardanapo.
- Claro que sim, escrevo em resposta, e vou devolver-lhe pessoalmente o guardanapo.
Sento-me com ela e descubro com espanto que trabalha-mos no mesmo centro comercial, embora nunca nos tivéssemos cruzado.
Os últimos seis meses passaram a correr e, quando ela pensa na sua vida, sente-se encantada com a volta inesperada que esta deu em tão pouco tempo. Deixou o emprego que tinha e veio trabalhar para a minha loja, depois de minha irmã ter decidido montar o seu próprio negócio. Eu hoje chego mais tarde e abraço-a com o mesmo carinho da primeira vez. Ela sorri com cara de caso.
- Que foi? Perguntei.
Ela não responde, mas escreve-me uma mensagem num guardanapo de papel.
- É um hábito só de nós dois, que, por graça, nunca perdermos, diz.
Eu li o que está escrito no guardanapo e encaro-a com os olhos brilhantes.
- A sério?! Hum-hum, diz ela, fazendo que sim com a cabeça.
- Estás de quanto tempo?
- Três meses, meu querido, responde-me.

(28/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 27 de abril de 2013

"Além do Sol" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amigo Sempre"



Amiga! Eu não posso acabar com os teus problemas.
Tuas dúvidas ou medos.
O que posso fazer por ti, é, te ouvir.

E juntos procurar uma solução.
Eu não posso é acabar com as tuas mágoas.
E dores do teu passado.
Nem posso decidir qual vai ser o teu futuro.

No presente, eu posso é estar aqui contigo.
Se precisares de mim!
O que eu não posso, é impedir que tu leves tombos.

Posso é oferecer a minha mão para te agarrares nela.
E te ajudar a levantar.
Mas sempre à distância como tu sabes.

Tu para mim serás sempre linda, com tuas alegrias.
Teus sucessos, teus triunfos de felicidade.
Mas não me pertences.

Adoro teus sorrisos.
Eles já fazem parte dos meus maiores bens.
Eu não posso falar nem de ti, nem como deverias de ser.
Por isso, eu só posso ser teu amigo e amar-te, do jeito como tu és!

(27/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Olá como Estás?" (HD) Joaquim Rodrigues


"Escolhas"


Todas as escolhas da nossa vida,
Não podem ser apenas intuitivas.
Elas têm sempre que refletir o que a gente é!
 
Lógico que se deve reavaliar decisões,
E trocar destinos.
Ninguém é o mesmo para sempre.
 
Mas essas mudanças de rota.
Que venham só para acrescentar algo.
E não, para anular nada da vida.
Ou do caminho anteriormente já percorrido.
 
Lembremo-nos sempre que a estrada é longa.
e o tempo é muito curto.
Nunca deixes de fazer nada que queiras fazer!
 
Mas tens sempre que ter em atenção.
Das tuas responsabilidades.
E com maturidade assumires.
Todas as consequências, dessas tuas ações.
 
Lembra-te sempre, que as tuas escolhas.
têm 50% de chance, de darem certo.
Mas também 50% de darem errado.
Por isso, escolhe bem! A escolha é tua.
 
(27/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 26 de abril de 2013

"Desejos" (HD) Joaquim Rodrigues


"Chegadas"


Ele já não a vê há muito tempo, por isso está cheio de dúvidas se a vai reconhecer. Já lá vão mais de quinze anos e, sem dar por isso, sem querer, a memória que tem dela, das suas feições, da cor dos seus olhos, do modo como se penteia, tudo se foi esfumando, ficando só uma imagem vaga, o conceito que tem dela. Mas no entanto nunca deixou de a amar. Mas também isso já não sabe se é verdade. Sabe que a amou, e muito, que foi a mulher que mais mexeu com ele, e tudo aquilo que ela representou na sua vida, sabe também a falta que ela lhe fez desde que partiu, a angústia devastadora que lhe deixou, tão forte que lhe ficou uma vontade irreprimível de a ter de volta. Mas não está certo se não estará a confundir esse sentimento de perda, com amor verdadeiro.
À um tempo atrás quando a encontrou no facebook não a reconheceu, foi preciso algum tempo para se reconhecerem, e falaram sobre o passado dos dois com desculpas que não o convenceram muito.
Estaciona o carro no parque coberto do aeroporto, sai, dirige-se para as Chegadas. Entra no átrio e sente logo a melancolia agradável das viagens de férias ao escutar o rumor festivo das pessoas que esperam alguém. Caminha ao longo do átrio, passa pela livraria bem iluminada, onde pessoas com malas a tiracolo folheiam livros. Pega num jornal e volta a pousar, o café logo ao lado está cheio de gente. Senta-se numa das poucas mesas disponíveis.
Passados uns dez minutos volta a levantar-se e caminha na direcção do lugar que os passageiros devem passar, cruza-se com uma criança que foge de outra e vem enfiar-se debaixo das suas pernas com um risinho estridente de excitação. Dá um pequeno salto para o lado, desviando-se do rapazinho sorridente. Olha para a esquerda e vê o balcão de informação turística, olha para a direita, vê a rampa e a porta de onde saem os passageiros que aterraram há momentos. O átrio é arejado, respira a frescura do Inverno, reflecte o brilho das estruturas metálicas. Detém-se defronte do quadro grande que informa o estado dos voos. Procura o dela, que vem de Bruxelas. Aterrou há cinco minutos.


(Joaquim Rodrigues)
Espera que um funcionário acabe de passar com uma fila interminável de carrinhos de transporte de malas encaixados uns nos outros. Dá uns passos em frente e continua a esperar. Vai mudando o peso do corpo de uma perna para a outra, nervoso, como se fosse um primeiro encontro, como se não conhecesse o mais íntimo dela. Pudera, já lá vão mais de quinze anos. E agora através do facebook, uns meses atrás, ela passou a estar novamente na sua vida normal, embora desde que partiu há tanto tempo, nunca mais tinha imaginado isto.
Ele estava ali, porque há uma semana atrás, recebeu o telefonema dela a dizer que ia voltar, definitivamente para Portugal, e lhe perguntou se a vinha esperar. Ele disse que sim, que a ia esperar ao aeroporto que contasse com ele. Desde aí conversaram ao telefone uma, duas vezes por dia, trocaram mensagens com um entusiasmo frenético, foram falando de tudo o que ficara por falar, e agora ali está ele.
Ela passa pela porta que dá acesso ao átrio, mas ele vai olhando para todas as pessoas que por lá passa, fixando-se em todas as senhoras que por lá vai passando, mas parece não a reconhecer. Parado ali no meio, começa a ficar bastante nervoso, tira o telemóvel do bolso e tenta procurar a ultima mensagem que ela lhe tinha mandado, talvez tivesse lido mal, e na mensagem o tivesse avisado que afinal tinha desistido já não vinha. Reparou que não tinha compreendido mal, a mensagem, por isso volta a guardar o aparelho, levanta os olhos, e ali está ela na sua frente sorrindo linda como sempre.
 - Olá! Sempre vieste me esperar meu querido? Pergunta ela com voz trémula.
Ele não responde logo, aliviado por a reconhecer, e a ter ali tão perto dele, e encantado por a ver tão linda tão igual, sorrindo-lhe somente.
Ela larga a mala abraça-o, puxa-o forte para ela, beijam-se, e as suas dúvidas desfazem-se nesse beijo ansiado. Eles se amam, não mudou nada, foi só o tempo que passou.

(26/04/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"Cavaleiro Andante" (HD) Joaquim Rodrigues


"Contigo"



Meu desejo de hoje, e sempre.
É o desejo, que eu sempre quis!
Enrolar-me todo, no teu corpo.
E contigo, me sentir, feliz.
 
Assim, usaremos nossos corpos.
Nossas bocas, nossas mentes.
Quero que de mim, tomes conta.
Te enroles em mim, me experimentes.
 
E tu, cheia de vontade, e querer.
Me beijas, e mostras vontade louca.
Eu mexo com teu vício, com teu ser.
Quero estar contigo, quero tua boca.
 
(25/04/2013)
Rodrigues Joaquim

" Dança Também é Arte" (HD) Joaquim Rodrigues


" Eu "


Tenho um amigo que me perguntou,
Onde eu ia buscar toda a minha inspiração .
Para escrever em meu blogue,
(AMOR E CARINHO)
Eu, respondi…
- Escrever é esquecer...
A literatura é a maneira…
Mais agradável de ignorar a vida…
A música embala…
As artes visuais animam…
As artes vivas como a dança…
E a arte de representar, entretêm…
A primeira porém afasta-se da vida…
Por fazer dela um sono…
As segundas, contudo não se afastam da vida…
Umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais…
Outras porque vivem da mesma vida humana…
Não é o caso da literatura…
Essa simula a vida…
Um romance é uma história…
Mas um poema é a expressão de ideias…
Ou de sentimentos de linguagem que ninguém emprega…
Pois que ninguém fala em verso…
Eu me encarrego de dar vida a tudo!
É isso mesmo que vou tentar fazer aqui!
 
(25/04/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"Eu Vivo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Mundo Novo"


Se todos nós fôssemos contabilizar todas as paixões desta vida, os ódios os amores, os grandes sobressaltos, as comoções, os transtornos, os arrebatamentos e os arroubos, os momentos de terror que passamos da esperança, os ataques de ansiedade e de ternura, a violência dos desejos, os acessos de saudade e as elevações religiosas! E se as somássemos todas numa só sensação, não seria nada comparada com o peso bruto da irritação. Passamos mais tempo nas nossas vidas a gastarmos nosso coração, a sermos irritados, do que em qualquer outro estado de espírito.
Apaixonamo-nos uma vez na vida, odiamos duas, sofremos três, mas somos irritados pelo menos vinte vezes por dia. Mais que o divórcio, mais que o despedimento, mais que ser traído por um amigo, a irritação é a principal causa do «stress». E logo de mortalidade da nossa existência. É a torneira que pinga e o colega que funga, a criança que bate com o garfinho no rebordo do prato, a empregada que se esquece sempre de comprar maionese, a namorada que não enche o tabuleiro de gelo, o namorado que se esquece de tapar a pasta dentífrica, a nossa própria incompetência ao tentar programar o vídeo, o homem que mete cinco euros de gasolina e pede para verificar a pressão dos pneus, a mania de pôr o pacotinho vazio de açúcar debaixo da chávena de café, a esferográfica do jornalista! É por estas e por outras que as pessoas se suicidam. E têm toda a razão.


É nos engarrafamentos, Nas filas do supermercado ou do multibanco, no cinema atrás do cabeçudo que não nos deixa ver, ou levamos com o irritante mastigar das pipocas durante todo o filme, no autocarro cheio de gente, que somos diariamente irritados.
Há-de reparar que as pessoas que mais nos irritam são as que estão à nossa frente. São estas as pessoas que demoram, que levam horas a tirar o porta-moedas para pagar o táxi, que insistem em passar um cheque para comprar um quilo de cebolas e uma embalagem de liquido para lavar a loiça, que se mexem na cadeira e desembrulham rebuçados durante a cena mais dramática do filme, que têm um tempo de reacção ao semáforo verde de aproximadamente 360 segundos, que pagam as contas da água, da luz e do telefone no Multibanco, levando o tempo que acha que tem direito, sem nunca se importar de quem está a trás de si, como se fosse dono da maquina? Que se esquecem de tomar banho antes de usar um transporte público e depois insistem em esfregar-se contra quem tomou. Parabéns ao nosso novo mundo.

(24/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Dançamos os Dois" (HD) Joaquim Rodrigues