O meu blog: “histórias do coração” ele mostra a beleza e todas as maravilhas que existem em nossas vidas em todos nossos sentimentos tudo em forma encantadora de palavras que nos saem do meu coração, um coração que acredita na vida na felicidade de tudo que a vida nos reserva. O meu coração é um livro sobre o amor que vivem na minha alma. (Aqui encontramos poemas, música, e histórias da vida real) (Joaquim Rodrigues)
quarta-feira, 17 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
"A Minha Cruz"
Eu já conheci a felicidade.
Não me lembro é de ser feliz.
Já me acusaram de maldade.
E nunca soube, o mal que eu fiz.
Já fui traído mas não sabia.
Aguentei muito sem querer.
Caminhei na vida como podia.
Meus olhos não queriam ver.
Nunca quis aceitar a derrota.
Por não querer cair no chão.
Caminhei numa estrada torta.
Com a esperança no coração.
Mas carregando a minha cruz.
Fui há igreja de cabeça perdida.
E contei tudo mas tudo, a Jesus.
Todos os retalhos da minha vida.
Ainda não sei o que aconteceu.
E como a história chegou ao fim.
Só lembro, que alguém apareceu.
Me olhou, se sentou, junto a mim.
Foi um fato bom, mas do passado.
Que tenho hoje, como recordação.
Não paro de pensar, foi colocado.
Muito amor, em meu coração.
(16/04/2013)
Joaquim Rodrigues
segunda-feira, 15 de abril de 2013
"A Criança"
Minha querida, sabes o que eu gostava de fazer hoje contigo? Gostava de brincar contigo, no meio da rua, só nós os dois tu e eu!
Assim os dois, rebolávamos no chão agarradinho, um no outro. Eu gostava tanto amor! De brincar contigo hoje!
Gostava de rir, rir muito, me divertir, e te ver divertida também. Sabes? Fazia-mos cócegas um no outro, como duas crianças. E deitados no meio da rua, nós podíamos contar as estrelas. Tu gostas tanto de contar estrelas à noite!
Ficávamos agarradinhos um no outro, até o nascer do dia. Assim, os dois sozinhos podíamos dar muitos beijinhos. E até fazer tudo aquilo que nos apetecesse fazer.
Nosso amor já tem idade, e é verdadeiro, mas o que tem isso? A gente nunca tem hora para nada. Nem para dormir.
Vem meu amor, vem brincar comigo na rua hoje. Podemos saltar correr de mãos dadas, e não tenhas medo! Eu te protejo, se sentires medo, eu te dou a minha mão. Podes confiar em mim! Eu nunca te vou deixar cair.
Eu amo me sentir como uma criança, a teu lado. Te abraçar, quero correr, saltar e me sentir novamente um adolescente, e ficar contigo até o dia raiar. E se tu fores uma criança como eu. Eu te vou dar três beijinhos. E de seguida um beijo de cinema. Queres?
Vem amor, vem comigo rebolar hoje na rua. Gosto tanto de te ver sorrir, me faz sentir tão feliz. Mas nada acontece sem ti, tu sabes disso!
Quando tu pegares na minha mão. Vamos ser como dois namoradinhos de escola. Só que agora é verdadeiro é real, este amor!
E a minha felicidade, não é imaginária. Nós podemos até dividir nossos sonhos, e planos para o futuro. Porque a nossa idade sempre vai ser a mesma. Nosso amor nunca ficará velho, o meu amor por ti.
Vai ser um amor de criança e para sempre. E eu, não precisarei de fechar os olhos para imaginar. E de cada vez que eu os abrir, vai ser um novo dia para te amar.
Um dia de duas crianças que se amam, e desejam ser felizes! Vem querida, vem comigo bricar na rua.
(09/04/2013)
Joaquim Rodrigues
domingo, 14 de abril de 2013
"A Rapariga Estranha"
“A tua fraqueza será a tua força, pensa ela, repetindo esta ideia na cabeça até à exaustão, como uma lengalenga”.
Quanto mais a olham de lado, pior ela faz. É a rapariga estranha da escola, a que se veste de preto, a que pinta o cabelo de vermelho, a que tem piercings e usa botas de cano alto com saias de xadrez. As colegas fazem troça dela, mas não à frente, pois têm medo das suas atitudes intempestivas. É o bicho raro da escola, incompreendida, de resposta fácil, torcida. Mas há um rapaz que gosta dela, mas repele-o por insegurança, não obstante ser o preferido das raparigas. Ainda assim, não se livra da inveja das outras.
Está sentada à secretária no seu gabinete com uma janela panorâmica para a cidade atrás de si. É bonita, elegante e é advogada mais competente do escritório. À sua frente senta-se o cliente, um empresário. Tem a mesma idade que ela e é igualmente bem-parecido. Alguns dias mais tarde têm um almoço de trabalho. Tratam-se com cerimónia, não obstante ser óbvio o entusiasmo dele. Pode ser a sua advogada, mas é difícil esconder o fascínio que exerce nele.
O empregado serve-lhes vinho, ela baixa os olhos para o copo, ele observa-a e tem a sensação de a conhecer desde sempre, o que, evidentemente, é impossível, pois seria difícil esquecer-se de uma mulher tão bonita. E no entanto ela não deixa de lhe ser familiar. É uma mulher determinada, que não se intimida facilmente e está à-vontade em ambientes sofisticados.
No final do almoço contínua perplexo com aquela estranha impressão de já a conhecer, e acaba por lhe dizer.
- Posso-te confessar um segredo?
Ela dá uma gargalhada, como quem já estivesse, à espera da pergunta dele, e pergunta-lhe.
- Desde quando tens segredos com a tua advogada? Claro conta lá o teu segredinho, mas pensa primeiro, olha que vai deixar de ser segredo, conta lá fiquei curiosa.
- Desde que te vi pela primeira vez no teu escritório, fiquei com a sensação que te conheço diz ele. Ela confessa que se lembra dele, embora não lhe tivesse dito antes.
- Fomos colegas na escola.
- Fomos? Estranho, não me lembro nada.
- Eu era aquela do cabelo vermelho.
- Ah! Não é possível!
Ela ri-se, ele está incrédulo, impressionado com o que ela mudou.
- Foram quinze anos, comenta ela.
- É verdade, diz, mas foi uma grande transformação.
Ela abre os braços, sorri com graça.
Ele tem um apartamento espaçoso e confortável. Acorda muito cedo e fica a vê-la a dormir, tranquila. Passaram-se dois meses, mas ainda se espanta com o regresso dela à sua vida. A paixão que tinha por esta mulher ficara-lhe para sempre como uma daquelas memórias indeléveis da juventude. E agora ali está ela, na sua cama. Ela abre os olhos, surpreende-o a observá-la, sorri deleitada, e diz
- Bom-dia.
Ele beija-a e abraça-a, quase como se precisasse de lhe tocar para ter a certeza de que é real, que está mesmo ali, abana a cabeça sem palavras.
- Que foi? Pergunta ela.
- Nada, diz ele, encolhendo os ombros, “nada, pensa,” foi só um milagre.
(14/04/2013)
Joaquim Rodrigues
sábado, 13 de abril de 2013
"Corpo de Mulher"
Como quem sai sem rumo prá viagem.
Eu Juro beijar teu corpo sem descanso
Vou-te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço.
Luzes ao norte, tuas pernas são estradas
Beijo teus pés, me perco entre teus dedos.
Onde meus lábios correm as madrugadas
Pra de manhã chegar aos teus segredos.
Me perco entre teus montes, vales escondidos.
Como em teus bosques. E bebo nos teus rios.
Faço fogueiras, choro, canto e danço.
Línguas de lua varrem tua nuca.
Línguas de sol percorrem tuas ruas.
Juro beijar teu corpo sem descanso.
(21/02/2013
Joaquim Rodrigues.
Eu Juro beijar teu corpo sem descanso
Vou-te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço.
Luzes ao norte, tuas pernas são estradas
Beijo teus pés, me perco entre teus dedos.
Onde meus lábios correm as madrugadas
Pra de manhã chegar aos teus segredos.
Me perco entre teus montes, vales escondidos.
Como em teus bosques. E bebo nos teus rios.
Faço fogueiras, choro, canto e danço.
Línguas de lua varrem tua nuca.
Línguas de sol percorrem tuas ruas.
Juro beijar teu corpo sem descanso.
(21/02/2013
Joaquim Rodrigues.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
"Dez dias de Amor"
Ela vem a Portugal pela primeira vez em muitos anos de sua vida. Chega de avião o transporte possível de cá chegar, trazendo a reboque uma mala de rodinhas. Está de férias e decidiu tirar uns dias sozinha na cidade do Porto, onde não conhece ninguém. Vai ficar uma semana num pequeno e agradável hotel para os lados de Matosinhos uma pequena cidade um pouco mais a norte da cidade do Porto a cidade que ela vem visitar.
Entra no hotel, vai ver o quarto, deixa a mala e volta a sair sem demora, excitada com a perspetiva de aproveitar o resto da tarde. Vai vagueando por Matosinhos, a reparar nos turistas que andam por ali com a maravilhosa sensação de ser também como uma estrangeira numa terra estranha. Mete por uma ruazinha estreita e, chegando ao fim, dá com um café de especto acolhedor. Como tem fome e quer refugiar-se do calor, entra e senta-se a uma mesa. O empregado que vem atendê-la fala-lhe em inglês. Ela solta uma risadinha e pergunta-lhe com o seu sotaque do Brasil.
- O que o levou a pensar que fosse estrangeira?
- Ele coça a sua cabeleira já rara, desgrenhada, ligeiramente embaraçado. Ela com cabelo bem tratado ligeiramente castanho claro, olhos castanhos, ar um pouco perdido e sem pressa.
- Achei que era, explica-se, peço desculpa.
Ela ri-se, divertida com a situação.
- Não faz mal, diz ela.
- Não é estrangeira mas é de fora, nota ele.
- Sim, é verdade, sou Brasileira, vivo no estado Rio Grande do Sul.
- Pois, já tinha reparado no sotaque.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Despede-se, volta ao calor excessivo que ainda faz ao fim da tarde. Mas nos dias seguintes regressa sempre para tomar o pequeno-almoço e ele lá está para a servir, maravilhado por tornar a vê-la. Ela fica a saber que está ali a trabalhar porque tinha ficado desempregado, mas que contava ser por pouco tempo, já tinha em vista algo melhor, e como a vida continua tem que ser, e trabalha ali para pagar os custos de uma casa onde ele vive, fica a saber outras coisas dele. Passam juntos todas as noites, no quarto dela.
Ao fim de o 10º dia, ele leva-a ao avião, e depois de a beijar com paixão ajuda-a a subir com a mala e só volta com a partida deste já em movimento. Regressa a casa com um sorriso triste, já com saudades. Três meses depois ainda sente a mesma azia no fundo do seu estômago, a mesma que sentiu ao ver aquela mulher que o amou com o máximo carinho partir, ele quando se lembra disto deixa sempre cair uma lágrima.
Ela passada alguns meses talvez porque não aguentasse voltou! Entra no café mas não o vê, pergunta por ele a uma empregada. Fica a saber que se despediu e não deixou nenhum contacto. O número de telefone que ele lhe deu já não funciona, procurou-o no Facebook e não o encontrou. De modo que sai do café desconsolada e, após alguns dias a procurá-lo pelos lugares em que andaram, volta ao Brasil com uma desilusão.
Nunca mais saberá nada dele, nunca mais voltará a vê-lo, mas ficará sempre com a melancólica recordação daquele amor de 10 dias.
(10/06/2012)
Rodrigues Joaquim:
"Trinta dias, Trinta Anos"
Conhecem-se no comboio, algures entre Portugal e França. Ela vai para Paris, ele para Berlim. Têm ambos vinte e poucos anos e viajam sozinhos. Vêem-se pela primeira vez quando se sentam frente a frente numa carruagem de passagem por Espanha. Ele surpreende-a a espreitar por cima do livro que tem nas suas mãos, interessada na capa do livro que ele lê. Sorri-lhe.
- Já leste este? Pergunta-lhe.
- Não, responde ela, é bom?
- Para dizer a verdade, não estou a adorar.
- E o teu? Ela encolhe os ombros.
- Eh ! Já li melhor.
E é o início de uma longa conversa que lhes permite conhecerem-se melhor. Vão assim, por aquelas horas todas, na companhia um do outro, sempre a falar, sem darem pelo tempo a passar.
Chegados a Paris, despedem-se com a sensação de terem uma ligação, como se se conhecessem há muito mais do que aquelas escassas horas no comboio. Mas antes, ele propõe-lhe trocarem de livros.
- Lês o meu e eu leio o teu, depois digo-te o que achei, e tu fazes o mesmo.
- Combinado, - concorda ela.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Por fim, não resistindo à distância que os separa, acabam por combinar um encontro em Estrasburgo, a meio caminho entre Paris e Berlim. Cada um deverá tomar o seu comboio em direção à cidade francesa, junto à fronteira com a Alemanha.
Passaram-se trinta anos. Ele está na estação em Estrasburgo quando ela chega. Abraçam-se. Falam em inglês, porque ela não sabe alemão e ele não sabe francês. Ela repara que ele agora tem o cabelo todo branco, mas de resto continua o mesmo. Também ela tem umas rugas mais, mas reconhece-lhe o mesmo sorriso juvenil de antigamente. Já lá vão tantos anos e hoje deixaram as suas famílias por vinte e quatro horas, para se reverem.
Recentemente, descobriram-se por sorte no Facebook e mantiveram o contacto, sempre que podem, corem para o Facebook para matar aquela saudade que os vai roendo por dentro.
Mas agora sentam-se num café, abanam a cabeça com um sorriso desconcertado e pensam como poderiam ter sido diferentes as suas vidas se tivessem chegado a reencontrar-se naquela época. Tinham combinado regressar a Estrasburgo trinta dias mais tarde, mas afinal, por motivos distantes que hoje lhes parecem menores, embora determinantes na altura, só o fizeram trinta anos depois.
(12/03/2013)
Joaquim Rodrigues
"Ingénua Felina"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Amo o teu olhar cor de mel.
Esse teu sorriso de felina.
Conheço tua alma teu fel.
Essa tua paixão assassina.
No teu coração de papel.
És uma ingénua menina.
Pintas o amor com pincel.
Nessa tua vida libertina.
Tu guardas nas tuas entranhas.
Todos os desejos mais puros.
E na essência das manhas.
Tu seduzes os imaturos.
Que caiam em tuas manhas.
Nesses momentos obscuros.
(12/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"Tão Forte e tão Frágil"
Normalmente, ela é muito senhor de si, muito segura. Bem, pelo menos é a imagem que as pessoas têm de si, que ela própria projeta. Mas por vezes perde a confiança subitamente e então fica deprimida, quase assustada. Basta uma palavra errada que lhe digam, uma crítica maldosa, e fica infeliz para o resto do dia. É difícil de explicar esse seu sentimento, ela mesma não consegue arranjar uma explicação muito racional. Sabe o que o desencadeia, mas não sabe porque é tão forte, porque uma simples frase negativa de alguém a seu respeito tem o poder de a desmoralizar.
Habitualmente, reage como as pessoas esperam que reaja, mal, responde mal, agressiva. Mas só ela sabe como essa reação dura, que procura anular quem a põe em xeque, é afinal uma fraqueza. As pessoas retraem-se quando lhes fala assim, levanta a voz, disparata, no entanto, depois não é capaz de esquecer, fica a empreender no que aconteceu, no que lhe disseram, no que disse. Nessas alturas sente-se muito frágil, olha em redor no trabalho e tem a sensação de que todos os colegas estão com um pensamento crítico sobre ela, não obstante cada um estar na sua vida, ocupado com o seu trabalho.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Vai na rua, passa defronte de uma montra, vê-se de relance, pára, volta-se para o vidro fingindo-se interessada nos artigos da loja. Fica ali uns instantes a observar-se. A imagem que o vidro reflete não é a pessoa que está ali. A pessoa que ela vê é bonita, vestida de um modo atraente, quase ousado, de saia curta, desinibida, como que andando pela vida sem uma preocupação.
Chega a casa, tranca a porta, prepara um chá e vai enroscar-se no sofá, sentindo-se fraca e irritada. Pensa que lhe falta alguém que a abrace nestas alturas, oferecendo-lhe a certeza do refúgio seguro que a liberte de todos os medos.
No entanto, recebe uma mensagem no telemóvel, um convite para jantar. Suspira. Ele é a pessoa certa no momento certo. E decide que chega de sentir pena de si própria e, já mais animada, responde-lhe que sim, com uma esperança de que a noite lhe salve o dia.
“Mulher, pensa nisso por favor, a tua vida não depende só de um dia, mesmo que esse dia não seja muito bom, logo a felicidade chega via mensagem.
(12/04/2013)
Rodrigues Joaquim:
quinta-feira, 11 de abril de 2013
"Forma de Poesia"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Gosto sempre de falar.
Em forma de poesia.
Assim tenho a certeza.
Que esta triste alma.
Em forma de poesia.
Assim tenho a certeza.
Que esta triste alma.
Tu vais entender um dia.
As palavras que escrevo.
É o que o coração sente.
Cheias de Amor e carinho.
As palavras que escrevo.
É o que o coração sente.
Cheias de Amor e carinho.
Como gostas de o ouvir.
Coração fala nunca mente.
Coração fala nunca mente.
Como eu adoro te contar.
Tudo que meu coração diz.
E tudo o que me faz vibrar.
É só, este amor e carinho.
Que eu, em poesia fiz.
(11/04/2013)
Joaquim Rodrigues
quarta-feira, 10 de abril de 2013
"Retalhos da Vida"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Lembranças que vão tão distantes.
Mas que sinto boa e bela sensação.
Da infância e como ela era antes.
Tão vivas ainda em meu coração.
Lembro de um lindo, e belo lugar.
Que lá tinha, meu nome gravado.
Com um jardim de rosas, de amar.
E lembro como lá, eu fui amado.
Eh! Eu ainda hoje, sinto o cheiro.
Como eu adorava aquela beleza.
Meu avô, o forno e o pão caseiro.
O pomar as frutas e tanta pureza.
Dos meus joelhos machucados.
Nas arvores trepar seus galhos.
Como era bela minha infância.
Digno de manta de retalhos.
Hoje vivo aqui, é tão diferente.
Os jardins são pedra e cimento.
Com a maldade de muita gente.
E falta de amor, no pensamento.
Meu balanço, feito com carinho.
Retalhos de uma vida de paixão.
Aos amigos abraço ou beijinho.
Fala o Joaquim com o coração.
Se te cruzares comigo eu contigo.
Te estendo amigo, a minha mão.
(10/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"Gosto de Ti"
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| (Joaquim Rodrigues) |
O facto de eu ser muito indeciso e tímido,
não quer dizer que não saiba o que quero,
do que gosto, e que não tenha certezas.
Eu hoje tenho a certeza de uma coisa.
Gosto de ti!
E gosto de ti
já desde do início que te conheci!
Querida eu tenho essa certeza, e mantenho-a.
Gosto de ti
porque me fazes viver, me fazes sorrir e acreditar.
Gosto de ti,
porque és uma pessoa inteligente
e sensível também.
Gosto de ti
porque me deixas te abraçar
daquela maneira calma, e paciente,
e te enrolas em mim cheia de carinho,
como quem quer entrar pela minha pele dentro
e ficares lá, sem de lá sair mais.
Gosto de ti
porque és como eu!
E ao mesmo tempo te esforças
para fazer tudo o que eu gosto.
Gosto de ti
porque tu também gostas de mim,
e porque nunca me deixas tropeçar.
Gosto de ti
porque quando me vez triste, olhas para mim e dizes.
Amor!
Gosto muito te ti.
Gosto de ti,
porque eu sei que me amas!
Tu sabes meu bem, tu sabes também que te amo.
Olha minha querida?
Eu gosto de ti!
(10/01/2013)
Joaquim rodrigues
"Parabéns"
Como é bom recordar! Tenho dias que fecho os olhos e esforço-me! Vejo-me naquela janela antiga, sinto a vizinhança da minha amada, como se fosse agora mesmo! Bem, se o afeto que eu lhe jurei, permanece ainda vivo em mim! Mas como é bom recordar! Ela pergunta-se. "O que estará ele a pensar?" Ele espreita o seu decote pelo canto do olho. Ela pensa que ele deve achá-la uma tagarela insuportável. Ele só está a imaginar coisas com ela. Ela receia que ele ache que não é suficientemente inteligente, ou culta, sabe lá. Ele pensa que a quer abraçar e beijar. Estão no carro, à porta de casa dela. Foram jantar fora, porque ele faz anos amanhã e aproveitou o pretexto do aniversário para a convidar. Ela ainda não fez dezoito anos e mal conseguiu acreditar quando ele, que já tem dezanove, a convidou. Ficou cinco minutos de boca aberta, incrédula, cheia de calor, nervosa, aflita e a morrer de felicidade.
Ele pensou que nunca mais seria capaz de a enfrentar se ela dissesse que não e teve a consciência do coração a bombear no peito como um cavalo de corridas durante os três minutos que ela demorou a responder-lhe. Por fim, aqui estou, e ele pôde voltar a respirar. Claro que foi tudo mais fácil por terem tido a conversa através do chat. Escolheram um restaurante à beira-rio, uma esplanada com um ambiente agradável. Ele foi buscá-la a casa e no caminho não falaram muito. Ela tem amigas que pegam no telefone, ligam a um rapaz e convidam-no para sair, assim, sem mais nem menos. E às vezes odeia-se por ser tão tímida e não se atrever a fazer nada do género.
Já ele, nunca teve uma namorada e todos os dias se pergunta como farão aqueles seus amigos que conseguem saltar de namorada em namorada com uma rapidez estonteante. O jantar decorre sem constrangimentos, a conversa flui facilmente e eles, surpreendidos, conseguem relaxar, aproveitam a companhia um do outro, divertem-se. Ele sente-se aliviado por ela falar tanto e não o obrigar a inventar assunto. Ela, no início, estava tão nervosa que desatou a falar, horrorizada com a perspetiva de caírem num silêncio constrangedor. Mas depois embalou na conversa e ultrapassou a timidez ao ver que ele se ria, divertidíssimo com as suas histórias.
No entanto, agora estão no carro e ela pensa que ele deve achá-la uma chata, porque caíram finalmente em silêncio e, provavelmente, ele não diz nada porque está mortinho por se ver livre dela. Ele está a pensar que correu tudo mal porque não conseguiu dizer-lhe que gosta dela. Paralisado, vê-a abrir a porta, despedir-se, partir. "Um desastre, pensa." Mas ela tem uma inspiração, volta atrás, abre a porta, entra de joelhos no banco e lembra que é meia-noite!
- Já me ia embora sem te dar os parabéns, diz.
E, na hesitação de um abraço desajeitado, os seus lábios encontram-se e beijam-se finalmente como desejaram e imaginaram durante a noite inteira.
(28/12/2012)
Rodrigues Joaquim:
terça-feira, 9 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
"Cada um, na sua Cabana"
Ela pelo menos podia-lhe ter dito que ia sair de casa dele, e voltar à dela. Com certeza ele iria compreender. Ele sabe como toda gente, que a paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor. A paixão muitas vezes não resiste à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância.
- Olha, não te chateies comigo, mas explica-me lá outra vez, pergunta amiga admirada.
- Explico-te o quê?!
- Essa coisa de não quereres viver com o Pedro.
- Outra vez essa conversa? Quantas vezes são precisas para eu ter de falar disto? Essa ideia de ter várias pessoas a atazanar-me o miolo com o mesmo assunto, à espera que eu mude de ideias? Não me agrada nada. Ontem era a minha mãe. Agora és tu. Mas é assim tão difícil de entender?
- Um bocadinho, sim. Eu sei que sou conservadora, que sou Gold Scholl, que gosto das coisas à moda antiga. Já me disseste isso tudo, poupa-me o sermão. Para mim, é difícil entender. Se vocês gostam um do outro, porque é que não vivem juntos? Isso é que é o normal? Se ele quer tanto, não percebo a tua resistência. Até falei com o Rui, para saber se era eu que não estava a apanhar alguma coisa. E ele também não percebe.
- O Rui?! Tu falaste com o teu marido? Eu tinha-te pedido para não comentares.
- Vá, não te chateies. Somos teus amigos, só queremos ajudar.
- Ajudar?! Mas está tudo parvo? Eu não preciso de ajuda. Importam-se de parar de me tratar como se eu fosse maluquinha? E que conversa é essa de “isso é que é o normal”?! Eu é que sei o que é normal para mim. Isto é a minha vida. Para tua informação, há muita gente a pensar como eu. Há muita gente que não tem vontade de partilhar casa com outra pessoa.
- Mas não é partilhar a casa. É partilhar a vida. Tu não gostas dele?
- Já te disse que sim. E também já lho disse a ele, de todas as vezes que ele perguntou, de todas as vezes que a porra do assunto veio à baila. Eu adoro o Pedro, mas não quero viver com ele. É só isso. Estou muito bem assim. Eu e os meus filhos, na nossa vidinha, nas nossas rotinas.
- O que é que eles dizem disso?
- Eles estão-se nas tintas. Querem que a mãe faça o que lhe der na gana. Eles ao menos percebem. Ao contrário de vocês.
- Mas achas que eles gostavam de viver com o Pedro e com a filha dele?
- Desde que não tivessem de partilhar quartos. Mas já pensaste onde é que vamos viver os cinco? Eu, ele e os três miúdos? Onde é que vamos arranjar uma casa com tantos quartos? Eles são adolescentes, precisam de privacidade. Quem é que vai pagar isso tudo?
- Isso arranja-se, se quiseres.
- Pois é, mas não quero. Estou divorciada há sete anos e dou muito valor a fazer o que me apetece na minha casa, com o meu tempo. A não ser que haja uma grande reviravolta na minha vida, não penso voltar a viver com outra pessoa. Gosto muito do Pedro, mas ele gosta de acordar cedo aos fins-de-semana e eu gosto de dormir até tarde. Agora que os miúdos já não precisam de mim ao pequeno-almoço, não vou arranjar um miúdo grande que quer brincar às bicicletas ao domingo de manhã. A sério, acredita em mim, já não tenho pachorra para tratar de um homem. É isso que eles todos querem. Querem que tratemos deles. Estão sempre à procura de uma mãezinha.
- Acho que estás a exagerar. Mas ter uma relação passa por isso. Por fazer cedências.
- Não! Ter uma relação passa por gostar da outra pessoa e respeitar as preferências e necessidades dela. E eu estou fartinha de passar a vida a explicar as minhas necessidades ao Pedro. Eu necessito de dormir até tarde, por exemplo. Necessito de não fazer jantar, se não me apetece. Ver um filme estúpido, só porque sim. Não ver maratonas de futebol na televisão. Não jantar em casa e ficar até tarde à conversa com amigas. Não aturar os amigos idiotas dele. Planear as minhas férias sem estar preocupada com os gostos dele. Preciso de fazer o que quero em minha casa, quando quero, sem ter um tipo a moer-me o juízo. Preciso de acordar nos braços de um homem, mas só de vez em quando. Quando eu quero.
- Tu és estranha.
- Pois sou! Mas sou muito feliz. Ao contrário de muitos de vocês.
(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues
domingo, 7 de abril de 2013
"Mágoas"
Minhas mágoas tantas são.
Mas não as conto a ninguém.
Guardo-as no meu coração.
E levo-os para o Além.
Hei-de fazer por sorrir.
Mesmo sem vontate ter.
Já que sabendo mentir.
Poderei menos sofrer.
Pensar na vida, na morte.
Chorar um amor perdido.
Lamentar a minha sorte.
Não, não, não quero pensar.
Quero é ter força, e calor.
Quero rir, quero folgar.!
(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"O Lago dos Cines"
Em passeio pelo jardim num domingo feliz, param frente ao lago onde dois cisnes nadam graciosamente lado a lado. Ela lembra-se de algo que leu algures e comenta.
- Sabes que os cisnes são animais que acasalam para toda vida, nunca se separam?
Ele gosta da ideia e, realmente, pensa que também são assim, que vão ficar juntos para a vida.
Ela regressa ao lago muito tempo depois, numa manhã de domingo cinzenta, e encontra o casal de cisnes partilhando com a mesma cumplicidade de sempre os bocados de pão que as crianças lhe atiram. Passaram quatro anos desde a última vez que esteve ali com ele e, vendo agora o casal de cisnes, sente uma infinita tristeza por não terem cumprido o desejo de ficarem juntos.
Acabaram separados devido a uma série de equívocos, nós pouco firmes que lhes embaçaram a vida, mas que o tempo foi desatando e hoje lhe parecem irrisórios. Ele sempre lhe disse que o tempo resolve tudo, no entanto, ela não acreditou.
Senta-se num banco à beira do caminho que contorna o lago e ali fica, hipnotizada com os cisnes, a ponderar as decisões do passado, o que fez, o que poderia ter feito. Cai uma chuva miudinha de que não se dá conta, cai uma lágrima pelo seu rosto. Há nela uma infelicidade perene que a faz pensar que ele não tinha inteira razão quando dizia que o tempo resolvia tudo, porque o tempo não lhe devolveu a alegria.
| (Joaquim Rodrigues) |
Ela sente que vai adiando tudo e que, sem se dar conta, a vida vai passando. Tem dias cheios, que a absorvem e, de noite, só lhe resta energia para se deixar cair no sofá a dormitar em frente à televisão, no entanto, não consegue ultrapassar a impressão de que não está verdadeiramente a viver, mas apenas à espera de algo que lhe devolva a felicidade.
O jardim já ficou para trás quando o telemóvel vibra no bolso. Ele tira-o e lê a mensagem dela.
“Os cisnes ainda estão juntos no lago.”
Sem pensar duas vezes, vira o volante, passa por cima do traço contínuo, faz inversão de marcha e acelera sem ligar às buzinas de protesto. Não passaram nem cinco minutos desde que ela enviou a mensagem e, de repente, ali está ele, sentado ao seu lado, quatro anos depois, de olhos postos no lago, a ver os cisnes.
- Como chegaste aqui tão depressa? Pergunta-lhe, perplexa.
- Eu sou como os cisnes, também estou sempre perto de ti.
Ela sorri, aliviada.
- Deve ser destino, diz.
Ele encolhe os ombros.
- Pode ser, afirma, mas eu chamo-lhe amor.
(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues
sábado, 6 de abril de 2013
"Conversas de Mulheres"
Entram os dois na galeria. É a inauguração da nova exposição. Palácio da bolsa. O ambiente é soturno, paredes azul-escuras onde estão pendurados os quadros. Retratam mulheres antigas, que podem ser estrelas de cinema do século passado, encantadoras, sedutoras, independentes, envergando ricos vestidos, numa sucessão de bonitas molduras douradas, trabalhadas.
Encontram um grupo de amigos, juntam-se a eles. Uma das amigas puxa-a para o lado, dá-lhe o braço, afasta-a do grupo.
- Então, que se passa? Pergunta-lhe.
- Nada, responde ela, porquê?
- Hum, a mim não me enganas, não estás nos teus dias. Chateada com alguma coisa?
Ela olha para trás, para o grupo onde está o namorado, hesita.
- Ele disse que gosta de mim, afirma.
A amiga abre os braços, perplexa com a tristeza dela.
- Não é o que tu queres?
- É, diz.
- Então, qual é o problema?
Ela faz uma cara de dúvida.
- Não sei, confessa.
- Não sabes se gostas dele?
- Sei, sim, gosto, não é isso, não sei se ele gosta mesmo de mim.
- Não foi o que ele disse?
- Foi, mas. Oh, sei lá, não ligues. Sabes como é.
A amiga faz que sim com a cabeça.
- Sei, diz. Ahhh, irrita-se consigo própria, com a situação.
- Ontem à noite, conta, ele trouxe-me flores e disse que me amava. Fez-me uma declaração, estás a imaginar? Foi bonito, mas só que. Estamos juntos há quase cinco meses e ele nunca me ofereceu flores.
A amiga encolhe os ombros.
- Apeteceu-lhe, diz, quis fazer-te uma surpresa.
- Achas? Reage ela, desconfiada. Nunca me deu flores, e de repente aparece com um ramo em casa, assim sem mais nem menos.
A amiga apoia o queixo no polegar, o indicador pousado na linha dos lábios, pondera a questão.
- Achas que fez alguma? Pergunta-lhe.
Ela lança-lhe um olhar espantado, como se não tivesse pensado em tal coisa.
- Não, não é isso, responde.
- Não?
- Não, assevera, o problema é que às vezes fico com a impressão de que ele não gosta tanto de mim como diz. Acho que as flores foram para me compensar, percebes?
- Não acreditas quando ele diz que te ama?
- Acredito que ele quer gostar, mas não sei se gosta mesmo.
- Olha, conta a amiga sem pensar, o meu primeiro trazia-me montes de flores e depois deixou-me, este nunca me trouxe flores e não se vai embora de certeza.
Ela revira os olhos, exasperada com a amiga.
- Obrigadinha, diz, é reconfortante saber isso, estou muito mais tranquila.
A amiga repara no que disse, começa a rir-se, contagia-a, acabam as duas às gargalhadas.
Voltam para junto dos amigos, dos namorados, ainda a sorrir.
- Estão muito divertidas, comenta um deles.
- O que se passa?
- Nada, dizem, encolhendo os ombros,
- Conversas de mulheres.
(10/12/2012)
Rodrigues Joaquim
"Tango"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Vou percorrendo teu corpo.
Que o dispo lentamente.
Minhas mãos entrelaçadas.
Nas tuas
dissipam no palco.
Num tango.
Avanço.
Rodopiando na pista.
Num passo de dança.
Nossos corpos balançam.
Bailamos agora.
Um tango.
Somos dois loucos!
Em passos embriagados.
Cadenciados.
Compassados.
Passos longos.
Rasgados.
Rasgo teu decote.
E olho teus seios.
Passo a passo, de dança.
Dançamos.
Freneticamente mas sós.
(Unidos!)
(Entrelaçados!)
(Afastados nós?)
Num tango?
Vamos dançar agora os dois.
Um tango!
(05/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"Um amor, para a internidade"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Eu já conheço esse teu olhar triste.
E todas as saudades que sentes.
Nunca soube foi porque partiste.
Nem porque ainda me mentes.
Ninguém pode enganar o coração.
Ninguém consegue matar o amor.
Quem o fizer, sentirá a maldição.
Que o vai perseguir, até onde for.
Na vida, nem sempre devemos.
Querer ter razão em tudo.
No que sentimos ou fazemos.
Porque vai parecer, absurdo.
A onde tu queres ir, te seguirei.
De ti nunca estarei ausente.
Pois sinto que sempre voltarei.
Nesta saudade internamente.
Como tenho tanta certeza?
Não sei, não tenho explicação.
Mas quem te amou, como eu amei.
Nunca mais te tirará do coração.
Minha vida, foi feita para amar assim.
Meu corpo, e minha alma, não mente.
Sempre te guardarei dentro de mim.
Meu maior amor, um eterno presente.
(06/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"Notalgias III"
Vai tomar um café ao fim da tarde, farta de estar em casa a remoer tristezas e fracassos. Sai para espairecer. Entra numa pastelaria, escolhe uma mesa afastada do bulício alegre de um grupo de jovens que ri alto. Hoje em dia não consegue estar muito tempo tranquila no seu canto, porque as pessoas reconhecem-na e vêm falar com ela.
No início era divertido, quando começou a ser conhecida pelas suas músicas que passavam na rádio, pelas entrevistas, os concertos, mas agora já não tem tanta graça. Enfim, faz parte da vida de artista, resigna-se, forçando um sorriso para os estudantes que já perceberam quem é e pasmam para ela com uma desconcertante impudência. Terminou recentemente uma relação caótica com um músico da sua banda e sente um imenso vazio. Mas não é dele que tem saudades, pois reconhece que foi um erro e está bastante aliviada por ter acabado.
O que a deixa angustiada é a consciência de que deixou o homem certo por um indigente moral e que o desprezou quando ele só merecia o melhor dela. Quer voltar para ele, pedir-lhe desculpa, ficar com ele para sempre, mas não acredita que a perdoe porque ela própria, se estivesse no lugar dele, não teria a nobreza de espírito suficiente para a perdoar. Não obstante, reconhece que ele merece uma satisfação e que terá de ir ao seu encontro porque um telefonema não é suficiente.
Espera sentada no carro que o bar feche e os últimos clientes se vão embora. Olha para o relógio, passam dez minutos das três da manhã. Finalmente, respira fundo, controla os nervos, sai do carro, atravessa a rua. Fica parada à entrada do bar, vendo-o sentado à mesa do costume, no canto à sua direita. Aguarda que lhe diga alguma coisa.
- Estava a pensar em ti, afirma ele.
-O quê?, pergunta.
A pensar se voltarias um dia.
- Nunca me fui embora, responde ela, na minha cabeça estive sempre aqui.
E nesse preciso instante compreende quão verdadeira é essa afirmação, "estive sempre aqui", pensa, mais saudosa do que imaginava.
Nota-lhe a sombra de um sorriso, uma desconfiança perpassando-lhe pela mente.
- Queres sentar-te? Convida-a.
Ela tira o casaco, senta-se. Ele serve-lhe uma bebida. Parece-lhe cansado, mas pode ser só a expressão grave, que não lhe é habitual. Mas depois ele descontrai-se um pouco e diz então.
- Conta lá por onde tens andado.
E uma esperança invade-lhe o coração e ela confessa de uma vez o arrependimento que a traz ali, a angústia que não a deixa dormir, e a saudade que a faz infeliz.
(11/09/2012)
Rodrigues Joaquim:
sexta-feira, 5 de abril de 2013
"Notalgias II"
- Onde moras? Perguntou-lhe uma vez.
Ele, sentado frente ao teclado, no palco ao fundo do bar, com um cigarro no canto da boca, os olhos semicerrados, respondeu-lhe que a música era a sua casa. Ela adorava aquele seu ar diletante, aquela atitude despreocupada com que pairava pela vida. Estão ligados pela música, juntou-os o dono do bar. Ela vivia com o dono do bar, que a ajudou, a apoiou, a amou. Mas partiu em digressão, deu a volta ao país, viveu num mundo encantado, desinteressou-se dele. Apaixonou-se pelo companheiro de viagem, pelos seus olhos cinzentos perdidos na música quando os seus dedos deslizam pelas teclas, com uma expressão etérea envolvida pelo fumo do cigarro no canto da boca. No entanto, ele não quer realmente saber dela. É encantador e as mulheres vêm e vão, passam por si como tudo o resto, sem um compromisso perene que o prenda para a vida. Tem um pequeno apartamento caótico onde só vai dormir, enfim, um buraco sujo, como ela diz. Ele encolhe os ombros, despreocupado, mas ela seria incapaz de viver ali, de modo que, normalmente fica ele em sua casa.
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| (Joaquim Rodrigues) |
(22/06/2012)
Rodrigues Joaquim:
"Tua Beleza"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Tua beleza, é uma beleza sem par.
Faz de ti Rainha para o mundo ver.
Se tu olhas, ordenas com teu olhar.
A quem olhas jamais te pode esquecer.
Já que és tão bela tens direito a escolher.
De entre os belos o mais belo para amar.
E é o que fazes pois é esse o teu prazer.
Muito embora seja breve o seu reinar.
Se assim perdes o mais belo, sedutor.
Por eu ser feio, mesquinho, desengraçado.
Dou muitas, muitas graças ao Senhor.
Jamais tu me verás - eu não sou nada.
Não vê ninguém um coração cheio de amor.
E muito menos se for de um malfadado.
(05/04/2013)
Joaquim Rodrigues
quinta-feira, 4 de abril de 2013
"Nós os Dois"
De mãos dadas campo fora.
Nós corremos.
Nós vivemos.
Que belo instante o de agora.
Meu amor.
Minha senhora.
Só tu e eu, mais ninguém.
Que singela.
E que bela!
Para mim o maior bem.
É o de ter-te.
Pertencer-te
Preso a esse teu olhar.
Meu querer.
Se poder.
Para sempre assim ficar.
E morrer.
De prazer.
(04/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"As Voltas do Destino"
Quando naquela Sexta as duas amigas se encontraram sós depois de o horário de trabalho ter chegado ao fim, voltaram a se questionarem o que já seria talvez a decima vez, pois a festa era nesse fim-de-semana.
- Vens ou não passar o fim-de-semana connosco? Questionou.
A pergunta da amiga era lógica, se ela jurara a pés juntos que a sua história com o Joaquim fazia parte do passado, não havia motivo para não querer ir passar aquele fim-de-semana fora só porque ele ia lá estar. Tinha duas hipóteses, ou mantinha-se fiel à mentira, e ai não havia desculpa para recusar o convite, ou então dizia a verdade e confessava a Marta que ainda estava apaixonada por ele. Teimosa por natureza, Rosa ficou pela primeira hipótese. Seria forte e iria passar aquele fim-de-semana com todo o grupo de amigos onde, por azar, se incluía Joaquim. A decisão custou-lhe caro. Andou a restante semana angustiada sem saber o que a esperava.
Será que ele ia com a namorada? Afinal, o que acontecera entre eles fora breve e fugaz como um dia de Sol no inverno. Duas pessoas que se tinham conhecido e sentido irresistivelmente atraídas uma pela outra e passado uma noite de amor. Uma só noite de amor, mas que Rosa jamais esqueceria até ao fim dos seus dias. Tinham-se amado em sua casa, ligeiramente entontecidos pelo vinho bebido ao jantar, mas ela nunca estivera tão consciente de que desejava aquele homem. Que queria que ele tocasse no seu corpo, a acariciasse como a brisa da tarde, a beijasse com os lábios carnudos que tão facilmente sorriam como ficavam sérios. Gostava do seu corpo firme, da sua pele morena, dos seus olhos de um castanho luminoso, e sentia que também ele a desejava. E se duvidas existissem na sua mente ter-se-ia dissipado mal entrou no apartamento, quando ele lhe roubou um beijo que fez o seu coração bater mais depressa e lhe roubou o ar. A partir daí caíram nos braços um do outro, despiram-se com ansia, misturaram as línguas e as pernas, ele devassou com os lábios o seu corpo e ela estremecera de paixão e prazer quando ele a penetrara docemente, olhando-a nos olhos, sussurrando-lhe palavras ternas ao ouvido que ela jamais esqueceria.
Depois, moveram-se em compasso, sentindo cada pequena sensação de prazer e a volúpia a aumentar como uma onda até ao clímax. Dormiram aninhados nos braços um do outro e Rosa permitiu-se acreditar que assim seria para sempre.
Porém, de manha, escutou a sua voz vinda da sala, a falar ao telemóvel, e ouviu as palavras dele.
- Amor, desculpa não ter avisado, mas fui sair com o António ontem à noite e fiquei a dormir em casa dele.
Deitada na cama, Rosa sentiu que todo o seu mundo ruía. As lágrimas começaram a cair pelo seu rosto e foi assim que Joaquim a encontrou quando chegou ao quarto.
- Não digas nada e sai de minha casa, disse-lhe.
Joaquim não se atreveu a defender-se, mas a forma triste e apaixonada como a olhou antes de deixar a sua casa entrou direta ao seu coração. Aquilo acontecera há duas semanas atrás. Desde então, nunca mais vira Joaquim, mas foi ele a primeira pessoa com quem se deparou quando entrou na imensa casa de Marta naquele fim-de-semana.
Falaram-se claramente constrangidos, mas a química estava lá? Quando os seus olhos se encontravam, prendiam-se um no outro de forma irresistível. De tal forma que foram apanhados desprevenidos por uma voz feminina a seu lado.
- Não me apresentas? Rosa estremeceu.
Era a namorada de Joaquim. Sabia que aquilo podia acontecer, mas na verdade não estava preparada. A outra deve ter lido no seu rosto o desconforto, porque foi irônica quando disse.
- É um prazer conhece-la.
Arrastando depois um atarantado Joaquim para fora da sala. Todavia, do que Rosa se apercebeu é que era impossível esconder o que sentiam um pelo outro. Os seus olhos atraiam-se irresistivelmente e, quando isso não acontecia, apercebia-se que Joaquim estava calado, pensativo, chegando a responder com alguma brusquidão à namorada, que parecia decidida a trata-lo como um cachorro de trela.
No final dessa noite, Rosa sentiu que precisava de paz e foi até à varanda. E eis que Joaquim também lá estava. Primeiro olharam-se, em silêncio, o coração a querer saltar do peito, depois ele disse.
- Sabes Rosa me desculpa, eu nunca mais consegui-te esquecer desde aquele dia, tenho pensado em ti todos estes meus dias e noites que. Mas não pode dizer mais nada, porque nisto a sua namorada surgiu na varanda. Acusou-o de traição e a ela de uma sem vergonha. Rosa ficou chocada, sem reação. Por fim, a outra obrigou Joaquim a tomar uma decisão ali, naquele instante.
- Mosta aqui se és homem, e diz com quem queres ficar, comigo ou com ela?
Para espanto de Rosa, Joaquim não hesitou e, olhando-a nos olhos, disse.
- Com a Rosa.
(30/11/2013)
Rodrigues Joaquim:
- Vens ou não passar o fim-de-semana connosco? Questionou.
A pergunta da amiga era lógica, se ela jurara a pés juntos que a sua história com o Joaquim fazia parte do passado, não havia motivo para não querer ir passar aquele fim-de-semana fora só porque ele ia lá estar. Tinha duas hipóteses, ou mantinha-se fiel à mentira, e ai não havia desculpa para recusar o convite, ou então dizia a verdade e confessava a Marta que ainda estava apaixonada por ele. Teimosa por natureza, Rosa ficou pela primeira hipótese. Seria forte e iria passar aquele fim-de-semana com todo o grupo de amigos onde, por azar, se incluía Joaquim. A decisão custou-lhe caro. Andou a restante semana angustiada sem saber o que a esperava.
Será que ele ia com a namorada? Afinal, o que acontecera entre eles fora breve e fugaz como um dia de Sol no inverno. Duas pessoas que se tinham conhecido e sentido irresistivelmente atraídas uma pela outra e passado uma noite de amor. Uma só noite de amor, mas que Rosa jamais esqueceria até ao fim dos seus dias. Tinham-se amado em sua casa, ligeiramente entontecidos pelo vinho bebido ao jantar, mas ela nunca estivera tão consciente de que desejava aquele homem. Que queria que ele tocasse no seu corpo, a acariciasse como a brisa da tarde, a beijasse com os lábios carnudos que tão facilmente sorriam como ficavam sérios. Gostava do seu corpo firme, da sua pele morena, dos seus olhos de um castanho luminoso, e sentia que também ele a desejava. E se duvidas existissem na sua mente ter-se-ia dissipado mal entrou no apartamento, quando ele lhe roubou um beijo que fez o seu coração bater mais depressa e lhe roubou o ar. A partir daí caíram nos braços um do outro, despiram-se com ansia, misturaram as línguas e as pernas, ele devassou com os lábios o seu corpo e ela estremecera de paixão e prazer quando ele a penetrara docemente, olhando-a nos olhos, sussurrando-lhe palavras ternas ao ouvido que ela jamais esqueceria.
Depois, moveram-se em compasso, sentindo cada pequena sensação de prazer e a volúpia a aumentar como uma onda até ao clímax. Dormiram aninhados nos braços um do outro e Rosa permitiu-se acreditar que assim seria para sempre.
Porém, de manha, escutou a sua voz vinda da sala, a falar ao telemóvel, e ouviu as palavras dele.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Deitada na cama, Rosa sentiu que todo o seu mundo ruía. As lágrimas começaram a cair pelo seu rosto e foi assim que Joaquim a encontrou quando chegou ao quarto.
- Não digas nada e sai de minha casa, disse-lhe.
Joaquim não se atreveu a defender-se, mas a forma triste e apaixonada como a olhou antes de deixar a sua casa entrou direta ao seu coração. Aquilo acontecera há duas semanas atrás. Desde então, nunca mais vira Joaquim, mas foi ele a primeira pessoa com quem se deparou quando entrou na imensa casa de Marta naquele fim-de-semana.
Falaram-se claramente constrangidos, mas a química estava lá? Quando os seus olhos se encontravam, prendiam-se um no outro de forma irresistível. De tal forma que foram apanhados desprevenidos por uma voz feminina a seu lado.
- Não me apresentas? Rosa estremeceu.
Era a namorada de Joaquim. Sabia que aquilo podia acontecer, mas na verdade não estava preparada. A outra deve ter lido no seu rosto o desconforto, porque foi irônica quando disse.
- É um prazer conhece-la.
Arrastando depois um atarantado Joaquim para fora da sala. Todavia, do que Rosa se apercebeu é que era impossível esconder o que sentiam um pelo outro. Os seus olhos atraiam-se irresistivelmente e, quando isso não acontecia, apercebia-se que Joaquim estava calado, pensativo, chegando a responder com alguma brusquidão à namorada, que parecia decidida a trata-lo como um cachorro de trela.
No final dessa noite, Rosa sentiu que precisava de paz e foi até à varanda. E eis que Joaquim também lá estava. Primeiro olharam-se, em silêncio, o coração a querer saltar do peito, depois ele disse.
- Sabes Rosa me desculpa, eu nunca mais consegui-te esquecer desde aquele dia, tenho pensado em ti todos estes meus dias e noites que. Mas não pode dizer mais nada, porque nisto a sua namorada surgiu na varanda. Acusou-o de traição e a ela de uma sem vergonha. Rosa ficou chocada, sem reação. Por fim, a outra obrigou Joaquim a tomar uma decisão ali, naquele instante.
- Mosta aqui se és homem, e diz com quem queres ficar, comigo ou com ela?
Para espanto de Rosa, Joaquim não hesitou e, olhando-a nos olhos, disse.
- Com a Rosa.
(30/11/2013)
Rodrigues Joaquim:
"Obrigado"
O meu muito Obrigado a todos os visitantes do meu blog.
(Amor e Carinho).
Reparei que são visitantes, dos cinco continentes que!
Passam por aqui.
Fico muito contente por pessoas do Mundo inteiro já terem!
Passado por aqui.
São amigos e amigas, conhecidos e desconhecidos.
Passam por aqui.
Doutores e doutoras, professores, e professoras.
Passam por aqui.
Homens e mulheres, novos e velhos, e de todas as idades.
Passam por aqui.
De várias classes sociais e raças, familiares, e muito mais.
Passam por aqui.
Comentadores, e apostadores, com sentido ou sem sentido de humor.
Passam por aqui.
Gente igual a todos nós, pobres e ricos, e muita vez aflitos esses também.
Passam por aqui.
Apaixonadas, apaixonados, amadas e amados, trazendo muito ou nada.
Passam por aqui.
Sivernaltas e astronautas, e muitas maltas, a todos o meu muito obrigado.
Por passarem por aqui.
Por me ajudarem! Todos juntos fazemos do planeta um “amor e carinho”.
Passem por aqui.
Nunca deixem então de se lembrarem de tudo isso, fiquem à vontade sempre.
Passem por aqui.
(04/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"Vem Sentar-te Comigo na Lua"
"Vem sentar-te comigo na Lua", desafiou-a ele em pensamento, e o convite não podia ser mais tentador. Por isso, imaginou que ela lhe respondeu que sim, eu vou, porque, na realidade, ela iria a qualquer lado, desde que fosse com ele. Sentaram-se num banco à beira da Lua, cada um na sua ponta, separados por outras pessoas. A luz branca refletia-se nos seus rostos, a cidade à volta deles girava apressada e barulhenta, agitando-se impaciente na ânsia do regresso a casa ao fim do dia. Mas era como se, momentaneamente, eles os dois estivessem fora do mundo, a comunicar um com o outro, por sinais, indiferentes a tudo o mais.
Ele surpreendeu-se a observá-la quando a descobriu por acaso, ali na paragem do autocarro. Ficou logo preso a ela, a adivinhar o seu nome, a calcular a idade, a imaginar onde trabalharia. Inicialmente, ela não pareceu reparar nele, mas depois houve um momento em que os seus olhos se encontraram e ela demorou um ou dois segundos a mais a desviar a atenção, como que tomando nota de que ele estava ali.
Ele sentiu-se encorajado a abordá-la, pensou em aproximar-se e fazer um qualquer comentário ocasional, dizer uma piada, mas não lhe saiu nada, pelo menos nada que servisse como princípio de conversa e que não o fizesse parecer um perfeito idiota.
Trocaram olhares furtivos por entre as cabeças de permeio, demonstrando interesse um pelo outro, mas sem se atreverem a mais, pois, afinal de contas, eram apenas dois desconhecidos na multidão.
Ele esperou que ela lhe sorrisse e ela esboçou um sorriso tímido logo depois de os seus olhos voltarem a cruzar-se, um instante depois de desviar o olhar.
"Tenho de a conhecer, pensou ele", decidindo-se e enchendo-se de coragem, pronto para fazer figura de parvo se tivesse de a fazer, arriscando-se, mesmo que ela rejeitasse a sua abordagem.
Mas então o autocarro chegou e o encanto quebrou-se. Ela levantou-se, as outras pessoas levantaram-se, ele levantou-se, sem ter possibilidade de se aproximar, travado por uma parede humana. As portas do autocarro abriram-se com um suspiro quente. Já vinha cheio. Ela estava à frente e entrou, juntamente com outros dois passageiros, mas não restou lugar para mais ninguém. Logo a seguir, as portas fecharam-se e eles ficaram ali suspensos um no outro, separados pelo vidro, ao alcance de um braço, de uma mão. Ela sorriu-lhe abertamente, ele sorriu-lhe, o autocarro retomou a marcha, ela partiu, ele ficou.
Ficou a odiar-se por ter deixado escapar a sua oportunidade, a pensar ainda na frase que pretendia dizer-lhe se tivesse tido oportunidade. - "Vem sentar-te comigo na Lua".
(04/03/2013)
Joaquim Rodrigues
Ele surpreendeu-se a observá-la quando a descobriu por acaso, ali na paragem do autocarro. Ficou logo preso a ela, a adivinhar o seu nome, a calcular a idade, a imaginar onde trabalharia. Inicialmente, ela não pareceu reparar nele, mas depois houve um momento em que os seus olhos se encontraram e ela demorou um ou dois segundos a mais a desviar a atenção, como que tomando nota de que ele estava ali.
Ele sentiu-se encorajado a abordá-la, pensou em aproximar-se e fazer um qualquer comentário ocasional, dizer uma piada, mas não lhe saiu nada, pelo menos nada que servisse como princípio de conversa e que não o fizesse parecer um perfeito idiota.
Trocaram olhares furtivos por entre as cabeças de permeio, demonstrando interesse um pelo outro, mas sem se atreverem a mais, pois, afinal de contas, eram apenas dois desconhecidos na multidão.
Ele esperou que ela lhe sorrisse e ela esboçou um sorriso tímido logo depois de os seus olhos voltarem a cruzar-se, um instante depois de desviar o olhar.
"Tenho de a conhecer, pensou ele", decidindo-se e enchendo-se de coragem, pronto para fazer figura de parvo se tivesse de a fazer, arriscando-se, mesmo que ela rejeitasse a sua abordagem.
Mas então o autocarro chegou e o encanto quebrou-se. Ela levantou-se, as outras pessoas levantaram-se, ele levantou-se, sem ter possibilidade de se aproximar, travado por uma parede humana. As portas do autocarro abriram-se com um suspiro quente. Já vinha cheio. Ela estava à frente e entrou, juntamente com outros dois passageiros, mas não restou lugar para mais ninguém. Logo a seguir, as portas fecharam-se e eles ficaram ali suspensos um no outro, separados pelo vidro, ao alcance de um braço, de uma mão. Ela sorriu-lhe abertamente, ele sorriu-lhe, o autocarro retomou a marcha, ela partiu, ele ficou.
Ficou a odiar-se por ter deixado escapar a sua oportunidade, a pensar ainda na frase que pretendia dizer-lhe se tivesse tido oportunidade. - "Vem sentar-te comigo na Lua".
(04/03/2013)
Joaquim Rodrigues
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