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sábado, 25 de abril de 2015

"Como eu te amo" HD

Joaquim Rodrigues


"O AMOR"


Ele quando era mais novo procurava mulheres mais velhas. Gostava de se apresentar perante os amigos na companhia de mulheres maduras, ou, pelo menos, que pensava serem maduras. Não era exactamente verdade, pois nessa altura ainda era muito jovem e elas, embora um pouco mais adultas e ponderadas, não deixavam de ser igualmente jovens. Casou-se com a mais bonita dessas namoradas, mulher vistosa que, pela sua beleza e sabedoria, o entusiasmava e enchia de orgulho. Pensava ele que estava apaixonado por ela. No entanto, a sua deusa da beleza murchou em segredo sem que ele notasse, porque, como conviviam diariamente, não tinha o distanciamento necessário para se aperceber das suas transformações indeléveis. Porém, houve um determinado dia em que, estando a conversar com ela à beira de uma piscina sobre algum assunto inocente e irrelevante, deu subitamente consigo a reparar que a sua mulher envelhecera. Perguntou-se como fora possível que isso tivesse acontecido sem que ele se apercebesse. Mas era um facto indisfarçável, as rugas vincadas no rosto, as peles descaídas nos braços flácidos. Embora consciente de que não a podia culpar de nada, sentiu-se enganado e, desde então, tinha que admitir, envergonhado da presença dela a seu lado.

Joaquim Rodrigues

Divorciou-se. Aos quarenta anos iniciou uma nova vida regulada pelo deslumbramento por mulheres mais jovens e, novamente, sentia-se orgulhoso das suas companheiras, belas e invejáveis. Foram tempos estonteantes de romances leves e fugazes, sempre marcados por expectativas nunca concretizadas, com namoradas caprichosas, insatisfeitas e manipuladoras. Alimentavam-lhe o ego, mas consumiam-lhe a alma. Hoje, com quase sessenta anos, tem a seu lado uma mulher apenas cinco anos mais nova. Nestas idades as diferenças tendem a esbater-se. E, pela primeira vez, sabe que ama realmente, pois, quando ela ainda não era sua, imaginava a felicidade como nunca fora capaz de imaginar, e agora, quando não está com ela, sente penosamente a sua falta. Percebeu, com espanto, que passou a vida a amar pelas razoes erradas e que nunca descobrira realmente o amor. E agora também sabe que o amor não tem medida, mas só é verdadeiro quando não está subordinado a projectos, aparências ou a outros motivos mesquinhos que nada têm a ver com simples prazer de uma companhia indispensável. Sim, pensa, olhando para ela com orgulho, o amor é isto. Depois, abraça-a impulsivamente.
 - O que foi? Pergunta ela, sorridente.
 - Nada, responde, amo-te.

 (25/04/2015)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 15 de abril de 2015

"Depressão"

Concentrada nas suas vontades, tu nem vê 
aparece como quem não queira, assim mansa
nunca avisa qual o propósito, nem o  porquê
toma conta de ti, faz-te mal, tira-te a esperança

és prisioneira da infelicidade esse é o teu espelho
esguía como sempre foste, segura nesse teu existir
mas triste sem saber porquê, doente de olho vermelho
sempre isolada de ti, nessa tua desventura sem sorrir

passam os dias, sem fazer nada, cai uma lágrima
que ocultas, no teu belo e já muito amado rosto
és assim, tornas-te numa oferta chamada lástima
sempre teimosa vivendo uma vida, sem gosto

tens de abandonar essa tua apatia
deixa de viver esse teu mundo confuso,
não patenteeis com a covardia
fala comigo eu acertarei teu fuso

(15/04/2015)
Joaquim Rodrigues

                                                                  Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 13 de abril de 2015

"Eu não quero viver sem o teu amor" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

"A vida é uma luta"

Se a luta que tu travas para ser feliz
Está a demorar muito tempo a chegar
O melhor que tens a fazer
É continuar a lutar sem nunca desanimar
Olha que ninguém consegues subir o Evereste
De uma só vez, Só com um passo atrás do outro.

(13/04/2015)

Joaquim Rodrigues

                                                                Joaquim Rodrigues

"Ventos Selvagens" HD

                                                              Joaquim Rodrigues

"Amo-te"

A vida é mesmo assim! 
Por vezes bate uma saudade 
que só nos dá vontade de gritar 
AMO-TE !!! 

(13/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

"Subir ao amor" HD

Joaquim Rodrigues

domingo, 12 de abril de 2015

"HUMILDADE"


A noite depois de jantar com o marido e de arrumar a cozinha enquanto ele dormita já no sofá em frente à televisão. Ela sai de casa. Tem o álibi perfeito para se ausentar sem levantar suspeitas ao seu marido comatoso, esgotado de um dia de trabalho. Vai passear o cão. Embora se demore sempre uma hora e meia na rua, tempo mais do que suficiente para não dizer demasiado para o animal fazer as suas necessidades, ela não tem nada a recear. O marido baba-se a dormir no sofá e nem dá pelo passar do tempo, mas, mesmo que desse, era-lhe indiferente. Ele tem uma fraca auto-estima e, consequentemente, não a tem em grande conta. Pensa que se ela fosse mulher de muitos predicados não estaria com ele. Esta sua indigente consideração pelo dois dá-lhe segurança, nada teme, pois tem a certeza de que a mulher não o pode enganar porque ninguém a quer. Não podia estar mais enganado. Ela sai com o cão, percorre nem cinquenta metros, entra no terceiro prédio a contar do seu. O vizinho, que todas as manhãs cumprimenta gentilmente o marido dela na rua, espera-a ansiosamente. Faz agora seis meses, o vizinho surpreendeu a mulher com outro homem na sua própria cama. 

                                                                 Joaquim Rodrigues

Depararam-se, agora delicia-se com as carnes opulentas e moles da amante, e o que lhe dá mais gozo é ela trair o marido por sua causa. Ele está convencido de que as mulheres têm vantagem em relação aos homens porque, como eles vão com a primeira que conquistarem, elas podem escolher aquele que quiserem. A sua mulher escolheu-o, mas depois escolheu o colega de trabalho sem que, e tem a certeza disso, tivesse feito nada para o ter, foi a oportunidade, ele seduziu-a durante as horas que passavam na empresa. Ele ainda a deseja, mas odeia-a pela humilhação. De modo que o seu caso secreto com a vizinha representa, ao mesmo tempo, uma compensação pela perda sofrida e uma vingança, ainda que se desforre no vizinho inocente. A mulher que lhe bate à porta com um cãozinho odioso que fecham na cozinha antes de se enredarem nos lençóis desfeitos da cama dele, pensa que o amante é um milagre inesperado, um homem muito melhor do que o seu, e o caso com ele é algo que nunca imaginou que ainda fosse possível viver. Sente-se renascida e abençoada pela sorte. Quem diria que um tipo tão bem apessoado haveria de olhar para si? Ela sempre achou que não podia ambicionar melhor do que o marido, homem bom mas medíocre, por isso agarra-se a cada momento do seu adultério com felicidade e deleite, certa de que é só até ele se fartar. 

(10/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

"Meu amigo está longe" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

" Sou um palhaço"


De ar e figura patética, tu oh palhaço
Finges ter alegria de coração triste
Rosto pintado, e cabelo palha de, aço
Imitando um boneco desengonçado

Dele todos se riem às gargalhadas
É alegria de crianças e outros muitos
É sucesso absoluto de palhaçadas
Onde quem mais ri, são os adultos

Sempre perguntei quem é o palhaço?
Trago esta triste recordação de infância
Serei eu, será ele, quem eu sou palhaço
Arrasto comigo a ideia, nesta distância

Tenho saudades da infância e da pipoca
Do mundo em uma tenda onde ele mora
Hoje o circo é outro é viver todos na toca
Eu sou o palhaço que não ri, mas chora

Até amizade fugiu sem deixar abraços
O novo de ontem é o velho infindável
Tudo mudou, o mundo é diferente

O desafio é continuar como palhaços
Hoje nada é igual, tudo é descartável
Olha que o fim vem já ali, de repente

 (26/03/2015)
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

"Não me condenes por amor" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 6 de abril de 2015

"DESESPERO"


Toda esta paz que eu sinto no meu peito / Toda esta acalmaria que teima não passar /
É como tempestade que me atira para o leito / Esse lugar onde um dia eu vou chegar /
O tempo e a vida nunca nos dão tréguas / Apenas nos deixa apenas descansar um pouco /
Invade-nos o peito de constantes mágoas / Longe da paz que hoje me vai pondo louco /
Invade a minha alma a minha intimidade pura / E leva-me ao lugar que tu dormias comigo /
Rouba-me pensamentos que em mim, ainda dura / Foram noites amor, que eu passei contigo /
Esta loucura quando chega nunca pede licença / Nunca se identifica nunca nos encoraja /
Nunca pede licença acomoda-se no nosso peito / Invade nosso sangue e em nassas veias viaja /

A calma de hoje não pode ser um adeus / É os melhores momentos, meus sonhos de amor /
Lembro aquele tempo, teu corpo nos braços meus / Apertando com carinho, e beijos, longe da dor/
Esperar o amanhã pode ser muito tarde eu sei / É muito tempo a carregar o peso que me dás /
Divido com todos, contigo e com quem eu amei / Podes escolher à vontade deixa-me só em paz/ Partiste procuras outro amor que te respeita / Dividiste sentimentos o teu amor que não era meu /
Hoje troquei a forte dor de peito por esta calma suspeita / Só tenho certeza que este foi um doce dia que me pertenceu.

 (06/04/2015)
Joaquim Rodrigues



Joaquim Rodrigues

sábado, 4 de abril de 2015

"OMEGA" SKYROVER = HD


O FANTASMA


Desculpa-me eu estar muito mais velho assim / 
E eu já não ter pensamentos como tem os novos /
Desculpa-me eu ter ficado assim um velho sem graça / 
Que faz lembrar as árvores sem folhas no inverno /
É que agora todos meus dias são cinzentos sabias? / 
E as sombras nos meus olhos são intermináveis /
Peço-te desculpa por tu veres tudo isso em mim / 
Por veres destroços, só destroços, imagens sem glória /
Desculpa-me, por esta pele seca, este rosto cheio de rugas / 
A culpa é do tempo, podes crer, foi ele que pintou este quadro /
Por favor, desculpa este velho de pálpebras descaídas / 
Desculpa-me por eu ser assim, ser um fantasma /

(03/04/2015)

Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"EU"




Arde-me este ardor tamanho
Que me inflama tão profundo
Pois o amor que te tenho
É do tamanho do mundo.
(J.R)

"Evie"

                                                                  Joaquim Rodrigues

"Longe de ti"



 Ele partiu para longe em viagem de trabalho e deixou para trás uma dúvida entre eles. Telefona-lhe à noite de lá, do hotel.
- Como estás? – Pergunta-lhe.
- Estou bem, - Responde ela, estou em casa, e a viagem, está a correr b...em?
A sua voz simula uma alegria que não sente, pois, embora feliz por o ouvir, já tem saudades dele.
- Está tudo a correr bem, diz ele, mas tenho saudades tuas.
- Eu também, ouve-a dizer com palavras sumidas, abafadas pela voz embargada por uma inquietação.
Faz-se um silêncio, sentido na linha. Ele muda de mão o telemóvel, volta-se na cadeira. Está sentado no bar do hotel, que dá para o átrio. Os seus olhos registam de relance a confusão da entrada de um grupo de turistas barulhentos que vêm a arrastar as malas e se dirigem ao balcão da recepção. Volta-se de novo para a frente, onde uma televisão por cima do bar está a dar notícias de um acontecimento actual que prende a atenção do mundo.
 

                                                                 Joaquim Rodrigues
Depois ela começa a falar das suas preocupações pessoais, que gosta de desabafar com ele, de lhe pedir uma opinião, um conselho. Ele levanta-se e atravessa o átrio a ouvi-la, passa pela porta de entrada e sai para o exterior, onde nota a queda abrupta da temperatura. Lá fora faz frio negativo, a que ele se sacrifica para poder fumar um cigarro enquanto fala ao telefone.
Dali a pouco, ela esgota o assunto, cala-se. Quando ele estava por perto, ela andava perdida numa angústia, dividida entre o amor que lhe tinha e as dificuldades que enfrentavam. A vida corria mais depressa que eles, ultrapassara-os, impedindo-os de serem felizes sem obstáculos, mas, assim que ele lhe anuncia que partia, sentiu uma imensa falta dele.
- Tens mesmo de ir? – Perguntou-lhe.
- Tenho, confirmou, terminante.
- Quando eu regressar, diz-lhe ele agora ao telefone, vamos fazer tudo diferente.
- Vamos, concorda ela.
- Vamos fazer com que a nossa vida resulte.
- Sim, é isso que eu quero.
- Tens a certeza?
- Tenho, garante-lhe ela, agora tenho.
Ele diz que a ama, ela responde-lhe o mesmo, desligam. Antes, os problemas pareciam-lhes demasiado difíceis, mas hoje à noite, separados por milhares de quilómetros, percebem ambos que não podem viver afastados, que precisam um do outro e que não há problema, por maior que seja, que vá impedi-los de ficarem juntos.
 

(30/11/2014)
Joaquim Rodrigues

sábado, 22 de março de 2014

"Fala-me de amor"


                                                                       (Joaquim Rodrigues)

"O ladrão de Sonhos)

(Joaquim Rodrigues)