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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"Na Feira da Vida"

(Joaquim Rodrigues)
Na feira da vida eu fiquei sentido.
Vi uma linda boneca.
E por tal boneca.
Eu ando perdido.
 
Queria-a só para mim.
Pois era muito bonita.
Bonita, bonita.
Nunca vi outra assim!
 
E uma casinha.
Para viver com ela.
Para viver para ela.
Fosse sua e minha!
 
Com jardins e flores.
Com as flores mais belas.
Que coisas tão belas.
Elas e os amores.
 
Foi bom meu Senhor.
Pois fez-me feliz.
E um dia feliz.
Deu-me aquele amor.
 
E também me deu.
O senhor a casa.
Uma linda casa.
Para o sonho meu.
 
24/11/2013
(Joaquim Rodrigues)

"Beleza não tem Fim" (HD) Joaquim Rodrigues


domingo, 24 de novembro de 2013

(O Mar)


(Joaquim Rodrigues)
Oh mar.
Eu respeito a tua imensidão.
A tua beleza, o teu mistério.
Que tanto nos tira, ou nos pode dar.
Observo-te, com respeito, te levo a sério.
Calmo ou agitado tu és um companheiro.
Nos dias de solidão, te amo oh! Mar.
Entro em ti, e vou longe num vapor.
Quer- te conhecer melhor ele me vai levar.
Á tua imensidão, ao mistério deste amor.
Quero-te sentir, só tu e eu, e nos amar.
E na tua alteza, na prata do teu luar.
Os dois juntinhos, nesta paixão nos beijar.
No meu barquinho em tua casa em alto mar.
Que prazer, que viagem maravilhosa.
Que o nosso amor nos deixou fazer e ver.
Tu e eu ó mar, que vida tão cor-de-rosa.
Eu nunca mais quero, nunca mais recordar.
Mesmo sabendo que nunca mais vou esquecer.
E enquanto pudermos e quisemos nos amar.
Nossa vida é um sonho, um sonho de amor contigo.
Hoje como sempre eu te tenho como o meu amor.
E tu, mar, sempre me terás como teu amigo.
 
(24/11/2013)
Joaquim Rodrigues

"Embalada no Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                                  (Joaquim Rodrigues)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"Casto Segredo"


(Joaquim Rodrigues)
Como eu amo, o teu doce sorriso.
O teu lindo, e carinhoso olhar.
E esta minha pobre alma.
Por muito eu, te amar.
 
Esse teu olhar profundo.
Que fixa o meu, quase a medo.
Temo que alguém adivinhe.
Este nosso, e casto segredo!
 
(Joaquim Rodrigues)

domingo, 17 de novembro de 2013

"Minha querida" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                               (Joaquim Rodrigues)

"Vamos Reagir"


(Joaquim Rodrigues)
Como reagir à saudade e à tristeza? A maneira de reagir à saudade e à tristeza é ter um coração bom e uma cabeça viva. A saudade e a tristeza não são doenças, ou lapsos, ou intervalos, como se diz nos países do Norte. São verdades, condições, coisas do dia-a-dia, parecidas com o apertar dos atacadores dos sapatos. É banalizando-as que as acompanhamos. Um sofrimento não anula outro. Mas acompanha-o. Para isto é preciso inteligência e bondade. Aquilo que resta são as pequenas alegrias. No contexto de tamanha tristeza e tanta verdade tornam-se grandes, por serem as únicas que há. Não falo nas alegrias que passam, como passam quase todas as paixões.
Falo das alegrias que se tornam rotinas, com que se conta: comprar revistas, jantar ao balcão, dormir junto do mar, dizer disparates, beber de mais, rir. Coisas assim.
São essas coisas, entre as quais o amor, que não se podem deitar fora sem, pelo menos, morrer primeiro.

"15/11/2013)
  (Joaquim Rodrigues)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"Evie" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                               (Joaquim Rodrigues)

"Amor, ou Paixão"


(Joaquim Rodrigues)
A Paixão é um fogo que nos aquece o peito.
Que arde por dentro, nos inflama, e satisfaz.
 Nos leva ao delírio, e nos mexe, nossa alma.
Nosso corpo, nossa mente, mas ferir, ela é capaz.
 
Enquanto o amor, é como uma brisa matinal.
É o que precisamos, uma estrada de ternura.
Nos dá carinho, afeto, aquele fogo essencial.
Nos trás prazer, toda fonte, da felicidade pura.
 
A paixão se torna como uma ação, devastadora.
 Enquanto o amor nos faz feliz, é um encantamento.
A paixão é perigosa, roí por dentro, nos deixa marcas.
Mas o amor não! Nos dá vida, nos alivia, o sofrimento.
 
A paixão como ela é, nem sempre nos leva ao amor.
 E nem sempre no amor, existe paixão.
Mas os dois juntos teimam, em nos confundir.
Com tudo o que tem de belo, a sua sedução.
 
Eu procuro, em todos meus sentimentos, me equilibrar.
Seja na paixão, no amor, no carinho, ou nas emoções.
Mas como gosto de viver, amo a vida, e de me enlaçar.
Vou amando com paixão, e me entrego sem restrições.
 
(29/04/2013)
 Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"Terra Prometida" (HD) Joaquim Rodrigues

  
                                                               (Joaquim Rodrigues)

"Longa Jornada"


Passados aqueles anos todos, ali estão os dois, sentados no bar da praia numa tarde soalheira de Outono a tomar uma bebida, ensimesmados num silêncio cúmplice, a contemplar o mar embravecido. Ele dá consigo a refletir na longa jornada que tem sido a sua vida. Pensa em tudo o que passaram, e não foi pouco, nas longas noites de vigília quando os filhos adoeceram, no nascimento dos netos, na luta diária da sua carreira profissional. Recorda as aflições e as inúmeras situações em que teve a sensação de que não haveria saída para os problemas. O acidente do filho, a altura em que perdeu o emprego. Mas o filho recuperou e até já casou e já lhe deu dois netos; e o emprego que conseguiu a seguir revelou-se bem melhor do que aquele que tinha.
Lá em baixo na areia, à beira-mar, uma gaivota porfia com outra por um bocado de pão e ele assiste distraído ao bater de asas das aves pelo seu pedaço de sobrevivência. Curiosamente, repara, tem mais dificuldade em lembrar-se das piores alturas do que das boas recordações. Supõe que a memória tem tendência para apagar as tormentas do passado, enquanto as coisas boas perduram com uma certa nostalgia. São momentos felizes que passou sem se aperceber então de como eram valiosos.

(Joaquim Rodrigues)
A mulher, que o acompanha há décadas e que teve de conquistar vezes sem conta ao longo de anos porque ela vacilava, duvidando do seu amor, proporciona-lhe um misto de desafio e determinação.
Ainda agora sabe que não pode viver sem ela, que conta com o seu apoio como sempre contou nas épocas mais complicadas. Hoje, tem a sensação de que enfrentaram juntos tudo o que havia para ultrapassar e isso reforçou a sua união, transmite-lhes um sentimento de intimidade e de sucesso.
No mar, um surfista solitário é engolido por uma onda, enrolado pela água na rebentação, emerge em segundos por entre a espuma. Ele admira-lhe a força da juventude com uma pontinha de inveja. Em tempos, também entrou no mar com uma prancha. Já lá vão os anos em que experimentava os desportos que lhe dava na gana. Sorri com um pensamento ufano, considerando que a vida nos atropela a cada instante, mas há sempre uma saída, graças à nossa extraordinária capacidade de resistência.
O Sol vai descendo lentamente no horizonte, pintando o céu em tons de laranja, de uma beleza única, arrebatadora. É uma hora romântica. Põe os olhos na mulher, sentada ao lado, bebendo um chá com as mãos em concha para aproveitar o calor da chávena. Ela sente-se observada, volta a cabeça, estende-lhe a mão, segura a dele, oferece-lhe um sorriso tranquilizador e, nesse instante, ele sabe que está tudo bem e não há motivo para preocupações.

  (09/11/2013)
Joaquim Rodrigues

"Quando entras-te na minha vida" (HD) Joaquim Rodrigues


                                                                  (Joaquim Rodrigues)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"O Risco"

(Joaquim Rodrigues)

Quem tem sentido de humor.
Só pode ser uma pessoa feliz.
Embora rir, corra algum risco.
O de ser apontado de tolo, de louco.

Existem muitos outros riscos.
Exemplo! Para quem chora.
Pode ser acusado de sentimental.
Cumprimentar é se envolver.
 
Já desabafar nossos sentimentos.
É também correr sério risco.
Mostramos tudo o que somos.
Tudo o que sentimos.
 
Ao defender nossos sonhos.
Nossas ideias, e pensamentos.
Também correremos alguns riscos.
O de perder pessoas amigas.
 
Amar, é correr um sério risco.
De não ser correspondido.
Quanto ao vivermos.
O risco é termos um dia de morrer.
 
Confiar, é arriscar nos dececionarmos.
Como ser valente, o risco é de fracassar.
Por tudo isso, o melhor que fazemos.
É deitar fora os riscos, porque o maior risco.
É nunca na vida, ter arriscado nada.
 
"11/11/2013"
(Joaquim Rodrigues)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

"Um Dia Perfeito" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Lei"


(Joaquim Rodrigues)
Não existe amor neste mundo.
Igual ao que eu sinto, por ti.
Sinto o coração moribundo.
Desde o momento, que eu te vi.
 
Dizem, para que te não queira.
Porque os teus olhos, é traição.
Ensinem-me por favor, a maneira.
Como se dá leis, ao coração!
 
(Joaquim Rodrigues)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"Doce Amargo" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Casamento"



Já passaram quinze anos, que casaram (oficialmente) mas passados todos estes anos, eles sempre se casavam um com o outro, voluntária ou involuntariamente, várias vezes por dia. Esta semana, quando os dois voltavam ao fim da tarde a casa de carro do passeio do costume há beira-mar, ela penteava-se e deu por uns cabelos soltos, entregou-os a ele para os deitar pela janela do carro.
 - Tive ciúmes que alguém pudesse apanhar os teus lindos cabelos, e dei-lhes um beijinho e atirei-os ao vento, disse-lhe.
- Agora tenho eu ciúmes que alguém apanhe o cabelo com os beijinhos teus.
Casaram um com o outro nesse momento. Já tinham casado cinco vezes entre o parque e a praia. Casar é o que acontece quando duas pessoas descobrem que, por estarem a fazer ou terem feito uma coisa grande ou pequena, e se sentem que são as duas únicas pessoas no mundo. Todas as outras pessoas não podem fazer parte daquele prazer. Aquele prazer só é possível para duas pessoas concretamente, para ele e para ela.

(Joaquim Rodrigues)
À volta deles iam se casando muitas outras pessoas, casavam-se mais por eles estarem de fora, Juntamente com todas as outras. Às vezes somos nós os espectadores. Vemos outras pessoas a casarem-se.
 Pararam o carro com o mar em frente, e viram um homem a rir-se, leva uma mulher a rir-se nos braços pelo mar adentro e não a deixa cair até ela pedir. Há cuidado, medo de desiludir, proteção, ternura e vontade de agradar.
Depressa eles perceberam que estão a rir-se juntos, de uma coisa a que só eles acham graça, que é rirem-se os dois de uma mesma coisa.
  - Casas comigo hoje, meu amor?
 - Caso hoje, e todas as vezes que tu quiseres, Vez após vez.
E abraçaram-se mesmo ali, beijaram-se com todo o carinho, e voltaram a chamar o mundo para eles. Voltaram a casar.

(03/11/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

"Evie" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Desastre ao Jantar"


Por ser muito importante para o futuro de suas vidas, escolheram os dois jantar fora e falarem tudo o que tinham para falar. Não podiam demorar muito mais tempo. Ela, com o seu ar desempoeirado e impertinente, de nariz arrebitado, soltou um provido chorrilho de imprecações que lhe provocou um grande embaraço. Ficou quedo e mudo, lívido, incapaz de uma réplica à altura. Depois, ela levantou-se e saiu de cabeça erguida, deixando-o a jantar sozinho, com a sensação de ter em redor o restaurante dividido entre os olhares femininos de condenação pousando sobre si e as expressões compassivas dos seus pares masculinos. Sendo um restaurante de luxo, caiu um silêncio espantado perante o escândalo, seguido de um lento retomar das conversas em sussurros contidos, depois que ela, erguendo-se de rompante e atirando o guardanapo de pano para cima da mesa, deixou a sala com um passo determinado. Ele olhou em redor com um sorriso forçado, comprometido, como que dizendo
"mulheres, que fazer?".
Logo enfiando os olhos no prato para não ter de encarar ninguém. O empregado, discreto, apaziguador, veio perguntar.
 - O senhor deseja mais vinho?

(Joaquim Rodrigues)
- Sirva, sirva, respondeu, descoroçoado, e pode retirar esse lugar, acrescentou, apontando discretamente para o prato à sua frente, no outro lado da mesa.
- Com certeza, disse o empregado, num murmúrio de respeito.
 "Que barraca, pensou, envergonhado, tomando uma golada valente de vinho, mas eu mereci, eu mereci, e acompanhou esta reflexão com um menear de cabeça carregado de fatalidade, um encolher de ombros resignado, gestos inconscientes de quem não se apercebe que está a sublinhar os pensamentos com expressões corporais, como se falando com alguém.
Era aquilo o culminar espetacular de quatro semanas de romance, um mês de paixão desabrida, sem moderação, falando-se já de um casamento urgente, de um futuro para sempre. Enfim, o afeto vivo, avassalador, esfumou-se nele como um pavio curto, enquanto ela, exultante de entusiasmo, planeava já a festa, a lista dos presentes, o padre! Aborreceu-se, quis libertar-se, sacudir o apuro em que se via, convidou-a para jantar fora num ambiente requintado, de cerimónia, acreditando que haveria só uma reação de tristeza contida.
  “ Qual quê, uma explosão indignada, foi o que foi! Bem feito, censurou-se, para aprender a não ser esperto e a ser mais corajoso. Acabou o vinho, pediu a conta, levantou-se e foi andando para a saída com o vil peso da derrota sobre os ombros.

(24/10/2013)
(Joaquim Rodrigues)

"Olá" (HD) Joaquim Rodrigues