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segunda-feira, 29 de abril de 2013

"Titanic" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amor ou Paixão"


A Paixão é um fogo que nos aquece o peito.
Que arde por dentro, nos inflama, e satisfaz.
Nos leva ao delírio, e nos mexe, nossa alma.
Nosso corpo, nossa mente, mas ferir, ela é capaz.
 
Enquanto o amor, é como uma brisa matinal.
É o que precisamos, uma estrada de ternura.
Nos dá carinho, afeto, aquele fogo essencial.
Nos trás prazer, toda fonte, da felicidade pura.
 
A paixão se torna como uma ação, devastadora.
Enquanto o amor nos faz feliz, é um encantamento.
A paixão é perigosa, roí por dentro, nos deixa marcas.
Mas o amor não! Nos dá vida, nos alivia, o sofrimento.
 
A paixão como ela é, nem sempre nos leva ao amor.
E nem sempre no amor, existe paixão.
Mas os dois juntos teimam, em nos confundir.
Com tudo o que tem de belo, a sua sedução.
 
Eu procuro, em todos meus sentimentos, me equilibrar.
Seja na paixão, no amor, no carinho, ou nas emoções.
Mas como gosto de viver, amo a vida, e de me enlaçar.
Vou amando com paixão, e me entrego sem restrições.
 
(29/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Amo-te" (HD) Joaquim Rodrigues


"Um Caso Inesperado"


Entro na discoteca, está tão cheia, e é difícil uma pessoa movimentar-se entre a multidão alegre que preenche todo o espaço junto ao balcão, entre as mesas, e a pista de dança. Olho ao redor procurando um lugar onde me possa encostar, como não existe, encosto-me a uma coluna a observar o ambiente. Para onde quer que me volte, só vejo pessoas a falar aos gritos, embora não seja possível ouvi-las porque a música alta abafa suas vozes.
Com um copo na mão vou bebericando, enquanto penso que faria melhor se fosse embora, porque já não tenho idade para estar apertado, que nem sardinha enlatada. Olho para o meu lado direito onde existe três mesas e mais atras encostado a uma parede de vidro um maple, ocupado por um casal ainda muito jovem, que de vez em quando, se vai beijando como dois apaixonados.
Mas em uma das mesas baixas, reparo numa mulher sentada a alguns metros mais à minha esquerda, que me sorri. Quando nossos olhos se cruzam, eu devolvo o sorriso. Acho-a muito bonita, e divertida também, pois tem um gesto engraçado, apontando para o banco vazio ao seu lado, convidando-me para me sentar.
  “Deve estar ali, já há muito tempo, a ver a figura que eu tenho andado aqui a fazer com a minha idade, no meio desta juventude, de copo na mão, quem me mandou a mim se meter nesta vida que não é a minha?”- Pensei.
Mas aceitei o convite, afinal era a única maneira de me adaptar ao ambiente, conversar com alguém. Mas depressa os dois percebemos que é difícil manter uma conversa com tanto barulho, de modo que eu recorri a uma caneta que tinha no bolso e a um guardanapo de papel que encontrei em cima da mesa para lhe escrever uma mensagem. Ela entra na brincadeira e responde-me igualmente por escrito. Ficamos assim a saber o nome de cada um e pouco mais, porque ela vai-se logo embora, não volto a vê-la, e deixei então de pensar mais nela.
Estou debruçado sobre o balcão da loja a verificar uma nota de encomenda quando minha irmã entra.
 

Há dois anos que tenho a loja de electrodomésticos no centro comercial e acabei por lhe dar emprego. Dez minutos mais tarde, sai para ir tomar um café. Sento-me a uma mesa a folhear o jornal do dia enquanto espero que o empregado me sirva. Este regressa com o café e com uma mensagem escrita num guardanapo de papel.
- Aquela senhora disse para lhe entregar isto, informa-me.
Ergo meus olhos, e vejo-a a sorrir de longe e reconheço-a da outra noite na discoteca.
- Ainda se lembra de mim? É a pergunta escrita no guardanapo.
- Claro que sim, escrevo em resposta, e vou devolver-lhe pessoalmente o guardanapo.
Sento-me com ela e descubro com espanto que trabalha-mos no mesmo centro comercial, embora nunca nos tivéssemos cruzado.
Os últimos seis meses passaram a correr e, quando ela pensa na sua vida, sente-se encantada com a volta inesperada que esta deu em tão pouco tempo. Deixou o emprego que tinha e veio trabalhar para a minha loja, depois de minha irmã ter decidido montar o seu próprio negócio. Eu hoje chego mais tarde e abraço-a com o mesmo carinho da primeira vez. Ela sorri com cara de caso.
- Que foi? Perguntei.
Ela não responde, mas escreve-me uma mensagem num guardanapo de papel.
- É um hábito só de nós dois, que, por graça, nunca perdermos, diz.
Eu li o que está escrito no guardanapo e encaro-a com os olhos brilhantes.
- A sério?! Hum-hum, diz ela, fazendo que sim com a cabeça.
- Estás de quanto tempo?
- Três meses, meu querido, responde-me.

(28/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 27 de abril de 2013

"Além do Sol" (HD) Joaquim Rodrigues


"Amigo Sempre"



Amiga! Eu não posso acabar com os teus problemas.
Tuas dúvidas ou medos.
O que posso fazer por ti, é, te ouvir.

E juntos procurar uma solução.
Eu não posso é acabar com as tuas mágoas.
E dores do teu passado.
Nem posso decidir qual vai ser o teu futuro.

No presente, eu posso é estar aqui contigo.
Se precisares de mim!
O que eu não posso, é impedir que tu leves tombos.

Posso é oferecer a minha mão para te agarrares nela.
E te ajudar a levantar.
Mas sempre à distância como tu sabes.

Tu para mim serás sempre linda, com tuas alegrias.
Teus sucessos, teus triunfos de felicidade.
Mas não me pertences.

Adoro teus sorrisos.
Eles já fazem parte dos meus maiores bens.
Eu não posso falar nem de ti, nem como deverias de ser.
Por isso, eu só posso ser teu amigo e amar-te, do jeito como tu és!

(27/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Olá como Estás?" (HD) Joaquim Rodrigues


"Escolhas"


Todas as escolhas da nossa vida,
Não podem ser apenas intuitivas.
Elas têm sempre que refletir o que a gente é!
 
Lógico que se deve reavaliar decisões,
E trocar destinos.
Ninguém é o mesmo para sempre.
 
Mas essas mudanças de rota.
Que venham só para acrescentar algo.
E não, para anular nada da vida.
Ou do caminho anteriormente já percorrido.
 
Lembremo-nos sempre que a estrada é longa.
e o tempo é muito curto.
Nunca deixes de fazer nada que queiras fazer!
 
Mas tens sempre que ter em atenção.
Das tuas responsabilidades.
E com maturidade assumires.
Todas as consequências, dessas tuas ações.
 
Lembra-te sempre, que as tuas escolhas.
têm 50% de chance, de darem certo.
Mas também 50% de darem errado.
Por isso, escolhe bem! A escolha é tua.
 
(27/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 26 de abril de 2013

"Desejos" (HD) Joaquim Rodrigues


"Chegadas"


Ele já não a vê há muito tempo, por isso está cheio de dúvidas se a vai reconhecer. Já lá vão mais de quinze anos e, sem dar por isso, sem querer, a memória que tem dela, das suas feições, da cor dos seus olhos, do modo como se penteia, tudo se foi esfumando, ficando só uma imagem vaga, o conceito que tem dela. Mas no entanto nunca deixou de a amar. Mas também isso já não sabe se é verdade. Sabe que a amou, e muito, que foi a mulher que mais mexeu com ele, e tudo aquilo que ela representou na sua vida, sabe também a falta que ela lhe fez desde que partiu, a angústia devastadora que lhe deixou, tão forte que lhe ficou uma vontade irreprimível de a ter de volta. Mas não está certo se não estará a confundir esse sentimento de perda, com amor verdadeiro.
À um tempo atrás quando a encontrou no facebook não a reconheceu, foi preciso algum tempo para se reconhecerem, e falaram sobre o passado dos dois com desculpas que não o convenceram muito.
Estaciona o carro no parque coberto do aeroporto, sai, dirige-se para as Chegadas. Entra no átrio e sente logo a melancolia agradável das viagens de férias ao escutar o rumor festivo das pessoas que esperam alguém. Caminha ao longo do átrio, passa pela livraria bem iluminada, onde pessoas com malas a tiracolo folheiam livros. Pega num jornal e volta a pousar, o café logo ao lado está cheio de gente. Senta-se numa das poucas mesas disponíveis.
Passados uns dez minutos volta a levantar-se e caminha na direcção do lugar que os passageiros devem passar, cruza-se com uma criança que foge de outra e vem enfiar-se debaixo das suas pernas com um risinho estridente de excitação. Dá um pequeno salto para o lado, desviando-se do rapazinho sorridente. Olha para a esquerda e vê o balcão de informação turística, olha para a direita, vê a rampa e a porta de onde saem os passageiros que aterraram há momentos. O átrio é arejado, respira a frescura do Inverno, reflecte o brilho das estruturas metálicas. Detém-se defronte do quadro grande que informa o estado dos voos. Procura o dela, que vem de Bruxelas. Aterrou há cinco minutos.


(Joaquim Rodrigues)
Espera que um funcionário acabe de passar com uma fila interminável de carrinhos de transporte de malas encaixados uns nos outros. Dá uns passos em frente e continua a esperar. Vai mudando o peso do corpo de uma perna para a outra, nervoso, como se fosse um primeiro encontro, como se não conhecesse o mais íntimo dela. Pudera, já lá vão mais de quinze anos. E agora através do facebook, uns meses atrás, ela passou a estar novamente na sua vida normal, embora desde que partiu há tanto tempo, nunca mais tinha imaginado isto.
Ele estava ali, porque há uma semana atrás, recebeu o telefonema dela a dizer que ia voltar, definitivamente para Portugal, e lhe perguntou se a vinha esperar. Ele disse que sim, que a ia esperar ao aeroporto que contasse com ele. Desde aí conversaram ao telefone uma, duas vezes por dia, trocaram mensagens com um entusiasmo frenético, foram falando de tudo o que ficara por falar, e agora ali está ele.
Ela passa pela porta que dá acesso ao átrio, mas ele vai olhando para todas as pessoas que por lá passa, fixando-se em todas as senhoras que por lá vai passando, mas parece não a reconhecer. Parado ali no meio, começa a ficar bastante nervoso, tira o telemóvel do bolso e tenta procurar a ultima mensagem que ela lhe tinha mandado, talvez tivesse lido mal, e na mensagem o tivesse avisado que afinal tinha desistido já não vinha. Reparou que não tinha compreendido mal, a mensagem, por isso volta a guardar o aparelho, levanta os olhos, e ali está ela na sua frente sorrindo linda como sempre.
 - Olá! Sempre vieste me esperar meu querido? Pergunta ela com voz trémula.
Ele não responde logo, aliviado por a reconhecer, e a ter ali tão perto dele, e encantado por a ver tão linda tão igual, sorrindo-lhe somente.
Ela larga a mala abraça-o, puxa-o forte para ela, beijam-se, e as suas dúvidas desfazem-se nesse beijo ansiado. Eles se amam, não mudou nada, foi só o tempo que passou.

(26/04/2013)
Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"Cavaleiro Andante" (HD) Joaquim Rodrigues


"Contigo"



Meu desejo de hoje, e sempre.
É o desejo, que eu sempre quis!
Enrolar-me todo, no teu corpo.
E contigo, me sentir, feliz.
 
Assim, usaremos nossos corpos.
Nossas bocas, nossas mentes.
Quero que de mim, tomes conta.
Te enroles em mim, me experimentes.
 
E tu, cheia de vontade, e querer.
Me beijas, e mostras vontade louca.
Eu mexo com teu vício, com teu ser.
Quero estar contigo, quero tua boca.
 
(25/04/2013)
Rodrigues Joaquim

" Dança Também é Arte" (HD) Joaquim Rodrigues


" Eu "


Tenho um amigo que me perguntou,
Onde eu ia buscar toda a minha inspiração .
Para escrever em meu blogue,
(AMOR E CARINHO)
Eu, respondi…
- Escrever é esquecer...
A literatura é a maneira…
Mais agradável de ignorar a vida…
A música embala…
As artes visuais animam…
As artes vivas como a dança…
E a arte de representar, entretêm…
A primeira porém afasta-se da vida…
Por fazer dela um sono…
As segundas, contudo não se afastam da vida…
Umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais…
Outras porque vivem da mesma vida humana…
Não é o caso da literatura…
Essa simula a vida…
Um romance é uma história…
Mas um poema é a expressão de ideias…
Ou de sentimentos de linguagem que ninguém emprega…
Pois que ninguém fala em verso…
Eu me encarrego de dar vida a tudo!
É isso mesmo que vou tentar fazer aqui!
 
(25/04/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"Eu Vivo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Mundo Novo"


Se todos nós fôssemos contabilizar todas as paixões desta vida, os ódios os amores, os grandes sobressaltos, as comoções, os transtornos, os arrebatamentos e os arroubos, os momentos de terror que passamos da esperança, os ataques de ansiedade e de ternura, a violência dos desejos, os acessos de saudade e as elevações religiosas! E se as somássemos todas numa só sensação, não seria nada comparada com o peso bruto da irritação. Passamos mais tempo nas nossas vidas a gastarmos nosso coração, a sermos irritados, do que em qualquer outro estado de espírito.
Apaixonamo-nos uma vez na vida, odiamos duas, sofremos três, mas somos irritados pelo menos vinte vezes por dia. Mais que o divórcio, mais que o despedimento, mais que ser traído por um amigo, a irritação é a principal causa do «stress». E logo de mortalidade da nossa existência. É a torneira que pinga e o colega que funga, a criança que bate com o garfinho no rebordo do prato, a empregada que se esquece sempre de comprar maionese, a namorada que não enche o tabuleiro de gelo, o namorado que se esquece de tapar a pasta dentífrica, a nossa própria incompetência ao tentar programar o vídeo, o homem que mete cinco euros de gasolina e pede para verificar a pressão dos pneus, a mania de pôr o pacotinho vazio de açúcar debaixo da chávena de café, a esferográfica do jornalista! É por estas e por outras que as pessoas se suicidam. E têm toda a razão.


É nos engarrafamentos, Nas filas do supermercado ou do multibanco, no cinema atrás do cabeçudo que não nos deixa ver, ou levamos com o irritante mastigar das pipocas durante todo o filme, no autocarro cheio de gente, que somos diariamente irritados.
Há-de reparar que as pessoas que mais nos irritam são as que estão à nossa frente. São estas as pessoas que demoram, que levam horas a tirar o porta-moedas para pagar o táxi, que insistem em passar um cheque para comprar um quilo de cebolas e uma embalagem de liquido para lavar a loiça, que se mexem na cadeira e desembrulham rebuçados durante a cena mais dramática do filme, que têm um tempo de reacção ao semáforo verde de aproximadamente 360 segundos, que pagam as contas da água, da luz e do telefone no Multibanco, levando o tempo que acha que tem direito, sem nunca se importar de quem está a trás de si, como se fosse dono da maquina? Que se esquecem de tomar banho antes de usar um transporte público e depois insistem em esfregar-se contra quem tomou. Parabéns ao nosso novo mundo.

(24/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Dançamos os Dois" (HD) Joaquim Rodrigues


terça-feira, 23 de abril de 2013

"Amada e Doce"



Como sinto que longe de mim, chora.
Mas que o teu coração me abraça.
 
Te peço! Por favor, não te vás embora.
Vem a mim, faz do meu corpo, tua casa.
 
Juntos não vão querer, saber da hora.
O relógio não existe, a hora! Atrasa.
 
Porque tu és doce, a mais linda senhora.
Quero voar contigo, vem alto, sem asa.
 
E em tão pouco tempo eu atinjo.
A temperatura da felicidade.
 
Mesmo quando resisto e finjo.
Todo aquele fogo de verdade.
 
E nesse louco desejo eu atinjo!
A maior, a mais amada, fertilidade.
 
(19/04/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 21 de abril de 2013

"O Importante é que te Encontrei" (HD) Joaquim Rodrigues


"Pedido de Casamento"


Estão os dois sentados no café restaurante onde tinham combinado ir almoçar juntos, de repente já no fim do almoço ela levanta-se, pega na carteira que está na cadeira livre ao lado da mesa, deixa-a escorregar dos dedos, traída pelos nervos, abaixa-se, apanha a carteira do chão, ergue-se, dá meia-volta, afasta-se, abre a porta, e sai para a rua.
Enquanto isso, ele fica a observá-la a sair sozinha, do restaurante, a pensar! “Ali vai a mulher da minha vida”. Pondera levantar-se e ir atrás dela, mas, em vez disso, chama a empregada e pede mais um café.
Lá fora, ela respira fundo o ar fresco da tarde que lhe bate no rosto como uma bênção. Tem as pernas a tremer e sente que não consegue andar. Não imaginou que fosse tão difícil.
Ele agora sente-se triste desanimado por toda aquela sena que nunca tinha pensado que iria acontecer, é como se sentisse colado à cadeira, concentra-se numa menina dos seus seis anos, aborrecida enquanto a mãe tagarela com uma amiga. A menina abre com os dedinhos desajeitados um pacote de açúcar, derrama o conteúdo em cima da mesa, olha para a mãe à espera que esta lhe ralhe, mas, como ela não repara na asneira, começa a juntar o açúcar num montinho. Ele sorri com a cena que o distraiu um pouco momentaneamente, mas o sorriso morre-lhe de imediato no rosto.


Ela mais segura, vai caminhando pelo passeio, entra no autocarro ali à frente, atira-se para o canto do banco, volta a cabeça para a janela. Lágrimas de frustração descem-lhe pelo rosto, a pensar que acreditou que este poderia ser o dia mais feliz da sua vida.
Entretanto ele chegando a casa, vai ao frigorífico, tira de lá uma cerveja, abre-a, dirige-se para a sala, senta-se, liga a televisão e fica a olhar absorto. Dá um gole na cerveja, coça a cabeça irritado e solta um grunhido para o ar, furioso por ela ser tão casmurra e tão, tão dramática! Ela quer casar, acha que já estão na altura de dar esse passo, argumenta que quer ter filhos e que não pode esperar muito mais. Ele ama-a, mas não quer ouvir falar de casamento e muito menos de filhos. A sua vida é demasiado boa para a complicar. Ela pensa que esse é o epílogo perfeito para ambos. Ele pensa que não está preparado.
Ele acorda-a de manhã com um beijo. Se lhe perguntassem há pouco tempo se acreditava que estaria com ela em breve, teria respondido terminantemente que não! “E impossível perdia-a há muito “. Passaram-se oito anos desde aquele dia, ela casou com outro, teve dois filhos, divorciou-se. Ele nunca se casou. Encontrou-a há uma semana numa discoteca e, desde então, ainda não se separaram. Retira uma caixinha debaixo da almofada dela, fingindo um truque de magia, e oferece-lhe.
Ela senta-se na cama, abre a caixa e vê o anel, coloca-o no dedo e diz.
- É lindo !.
- Queres casar comigo? Pergunta-lhe, esperançado.
Ela hesita antes de responder olhando para ele, muito séria.
- Quero! diz, mas vamos com calma, estamos tão bem agora, não apressemos as coisas, está bem?

(21/04/2013)
Joaquim Rodrigues