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sexta-feira, 19 de abril de 2013

"Amada e Doce"


Como sinto que longe de mim tu chora.
E que com o teu coração me abraça.
Te peço! Por favor, não te vás embora.
Vem a mim, faz do meu corpo, tua casa.
 
Juntos não, vamos querer, saber da hora.
O relógio não existe, a hora! Se atrasa.
Porque tu és doce, a mais linda senhora.
Quero voar contigo vem alto, sem ter asa.

 E em tão pouco tempo eu atinjo.
A temperatura da felicidade.
Mesmo quando resisto e finjo.

Todo aquele fogo da verdade.
E nesse nosso louco desejo eu atinjo!
A maior, a mais amada, felicidade.
 (19/04/2013)
Joaquim Rodrigues

" Eu não Sei de Você " (HD) Joaquim Rodrigues


 

"Despedida?"


Depois de o comboio partir, de ela ter ido, depois do derradeiro beijo com a máquina já em movimento, ele fica ali, na estação, ainda uma hora, a despedir-se dela, a pensar nela com a saudade deixada a pairar na memória do seu perfume, do último abraço. Fica ali, preso à nostalgia da partida, a tomar um café com o cais de embarque à vista, observando outros casais que se separam com os comboios que seguem viagem e outros que se reúnem com os comboios que chegam. Para trás ficam umas férias encantadas, só os dois, juntos, com aquela sensação feliz de perenidade que perdurou enquanto, nos braços um do outro, garantiam que era para sempre sem se quererem lembrar de que era só por uns dias. Nesse tempo exíguo passearam por muitos lugares, mas faltar-lhes-ia ainda uma vida inteira para continuarem a passear, a visitar todos os recantos de todos os lugares que sonharam ver sem a ansiedade dos dias contados.
Ali sentado na esplanada que dá para o cais da estação, ele dá consigo a recordar-se dos momentos bons que passou com ela, das conversas exclusivas, das mãos dadas ao final da tarde numa praia, de uma piada trocada entre os dois, de uma gargalhada. Lembra-se de cada pormenor do seu corpo, de passar as mãos pelo seu cabelo comprido acabado de lavar, do seu sorriso único, do seu sentido de humor. Revê-se a abrir os olhos e a descobri-la ao seu lado ao despertar da manhã numa cama demasiado pequena para tanto amor.


Um dia, há não muito tempo, ela disse-lhe que não poderiam ficar juntos, que não acabariam um com o outro, pois iam demasiado adiantados na vida e estavam ambos presos às escolhas do passado, mas depois o desejo foi mais forte do que a razão, depois ela não quis saber de nada e veio e, observando agora os namorados que se despedem à porta do comboio, ele pergunta-se quando a voltará a ver e decide que, não obstante as contrariedades que os separam, quer ir ao seu encontro e irá mesmo, inevitavelmente, reencontrá-la em breve.
Acaba o café sem pressa de deixar o lugar onde a viu pela última vez, levanta-se, encaminha-se para o átrio da estação, olha ainda para trás, espreitando por cima do ombro como se fosse possível ela não ter partido e estar ali, algures no cais, à procura dele. Depois vai-se embora, assegurando-se de que tem o telemóvel na mão e de que está ligado. Quando o comboio partiu ele tentou dizer-lhe uma última palavra, uma última recomendação, mas as portas já se tinham fechado e ele deu consigo a pensar o que não lhe conseguiu dizer.
 "telefona-me quando lá chegares."

(19/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Teu Corpo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Vos Amo, Mulheres"



Vinde, me encantar e fazer feliz.
Onde eu estiver, sempre vos amarei.
Sejas amiga, amante, ou meretriz.
Minha alma por guarida, eu, vos darei.
 
Mesmo quando a dor me de-lacerar.
Meu corpo feito escravo do prazer.
Meus pecados poderão até expiar.
Um dia se o criador assim o quiser.
 
Livre, o meu amor eu, vos entrego.
Hoje, como ontem e enquanto viver.
Eleitas do coração sois, não nego.
 
Renascer em cada amanhecer.
E amar loucamente até ficar cego.
Será sempre a minha razão de viver.
 
(19/04/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 17 de abril de 2013

"Sonhos" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Palhaço"




 
Por eu gostar, de levar a vida.
Na brincadeira!
Tu um dia me chamaste.
De covarde e palhaço.
Lembras-te?

Mas na verdade!
Se tivesses acreditado.
Nas minhas brincadeiras.
De dizer verdades, quando brinco.

Terias ouvido muitas verdades.
Que insisto dizer, a brincar.
Falei muitas vezes, como um palhaço.
Mas nunca como um covarde.

Porque em toda a minha vida.
Sempre acreditei.
Na seriedade da plateia.
Que sempre sorria!

 (17/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Às Vezes Tu" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tédio"


terça-feira, 16 de abril de 2013

"Esta Noite" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Minha Cruz"


Eu já conheci a felicidade.
Não me lembro é de ser feliz.
Já me acusaram de maldade.
E nunca soube, o mal que eu fiz.
 
Já fui traído mas não sabia.
Aguentei muito sem querer.
Caminhei na vida como podia.
Meus olhos não queriam ver.
 
Nunca quis aceitar a derrota.
Por não querer cair no chão.
Caminhei numa estrada torta.
Com a esperança no coração.
 
Mas carregando a minha cruz.
Fui há igreja de cabeça perdida.
E contei tudo mas tudo, a Jesus.
Todos os retalhos da minha vida.
 
Ainda não sei o que aconteceu.
E como a história chegou ao fim.
Só lembro, que alguém apareceu.
Me olhou, se sentou, junto a mim.
 
Foi um fato bom, mas do passado.
Que tenho hoje, como recordação.
Não paro de pensar, foi colocado.
Muito amor, em meu coração.
 
(16/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Desvaneios" (HD) Joaquim Rodrigues


segunda-feira, 15 de abril de 2013

"A Criança"


Minha querida, sabes o que eu gostava de fazer hoje contigo? Gostava de brincar contigo, no meio da rua, só nós os dois tu e eu!
Assim os dois, rebolávamos no chão agarradinho, um no outro. Eu gostava tanto amor! De brincar contigo hoje!
Gostava de rir, rir muito, me divertir, e te ver divertida também. Sabes? Fazia-mos cócegas um no outro, como duas crianças. E deitados no meio da rua, nós podíamos contar as estrelas. Tu gostas tanto de contar estrelas à noite!
Ficávamos agarradinhos um no outro, até o nascer do dia. Assim, os dois sozinhos podíamos dar muitos beijinhos. E até fazer tudo aquilo que nos apetecesse fazer.
Nosso amor já tem idade, e é verdadeiro, mas o que tem isso? A gente nunca tem hora para nada. Nem para dormir.
Vem meu amor, vem brincar comigo na rua hoje. Podemos saltar correr de mãos dadas, e não tenhas medo! Eu te protejo, se sentires medo, eu te dou a minha mão. Podes confiar em mim! Eu nunca te vou deixar cair.
 

Eu amo me sentir como uma criança, a teu lado. Te abraçar, quero correr, saltar e me sentir novamente um adolescente, e ficar contigo até o dia raiar. E se tu fores uma criança como eu. Eu te vou dar três beijinhos. E de seguida um beijo de cinema. Queres?
Vem amor, vem comigo rebolar hoje na rua. Gosto tanto de te ver sorrir, me faz sentir tão feliz. Mas nada acontece sem ti, tu sabes disso!
Quando tu pegares na minha mão. Vamos ser como dois namoradinhos de escola. Só que agora é verdadeiro é real, este amor!
E a minha felicidade, não é imaginária. Nós podemos até dividir nossos sonhos, e planos para o futuro. Porque a nossa idade sempre vai ser a mesma. Nosso amor nunca ficará velho, o meu amor por ti.
Vai ser um amor de criança e para sempre. E eu, não precisarei de fechar os olhos para imaginar. E de cada vez que eu os abrir, vai ser um novo dia para te amar.
Um dia de duas crianças que se amam, e desejam ser felizes! Vem querida, vem comigo bricar na rua.

(09/04/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 14 de abril de 2013

"My Love" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Rapariga Estranha"


“A tua fraqueza será a tua força, pensa ela, repetindo esta ideia na cabeça até à exaustão, como uma lengalenga”.
Quanto mais a olham de lado, pior ela faz. É a rapariga estranha da escola, a que se veste de preto, a que pinta o cabelo de vermelho, a que tem piercings e usa botas de cano alto com saias de xadrez. As colegas fazem troça dela, mas não à frente, pois têm medo das suas atitudes intempestivas. É o bicho raro da escola, incompreendida, de resposta fácil, torcida. Mas há um rapaz que gosta dela, mas repele-o por insegurança, não obstante ser o preferido das raparigas. Ainda assim, não se livra da inveja das outras.
Está sentada à secretária no seu gabinete com uma janela panorâmica para a cidade atrás de si. É bonita, elegante e é advogada mais competente do escritório. À sua frente senta-se o cliente, um empresário. Tem a mesma idade que ela e é igualmente bem-parecido. Alguns dias mais tarde têm um almoço de trabalho. Tratam-se com cerimónia, não obstante ser óbvio o entusiasmo dele. Pode ser a sua advogada, mas é difícil esconder o fascínio que exerce nele.
O empregado serve-lhes vinho, ela baixa os olhos para o copo, ele observa-a e tem a sensação de a conhecer desde sempre, o que, evidentemente, é impossível, pois seria difícil esquecer-se de uma mulher tão bonita. E no entanto ela não deixa de lhe ser familiar. É uma mulher determinada, que não se intimida facilmente e está à-vontade em ambientes sofisticados.
No final do almoço contínua perplexo com aquela estranha impressão de já a conhecer, e acaba por lhe dizer.
  - Posso-te confessar um segredo?


Ela dá uma gargalhada, como quem já estivesse, à espera da pergunta dele, e pergunta-lhe.
 - Desde quando tens segredos com a tua advogada? Claro conta lá o teu segredinho, mas pensa primeiro, olha que vai deixar de ser segredo, conta lá fiquei curiosa.
 - Desde que te vi pela primeira vez no teu escritório, fiquei com a sensação que te conheço diz ele. Ela confessa que se lembra dele, embora não lhe tivesse dito antes.
 - Fomos colegas na escola.
- Fomos? Estranho, não me lembro nada.
- Eu era aquela do cabelo vermelho.
- Ah! Não é possível!
Ela ri-se, ele está incrédulo, impressionado com o que ela mudou.
- Foram quinze anos, comenta ela.
- É verdade, diz, mas foi uma grande transformação.
Ela abre os braços, sorri com graça.
Ele tem um apartamento espaçoso e confortável. Acorda muito cedo e fica a vê-la a dormir, tranquila. Passaram-se dois meses, mas ainda se espanta com o regresso dela à sua vida. A paixão que tinha por esta mulher ficara-lhe para sempre como uma daquelas memórias indeléveis da juventude. E agora ali está ela, na sua cama. Ela abre os olhos, surpreende-o a observá-la, sorri deleitada, e diz
- Bom-dia.
Ele beija-a e abraça-a, quase como se precisasse de lhe tocar para ter a certeza de que é real, que está mesmo ali, abana a cabeça sem palavras.
- Que foi? Pergunta ela.
- Nada, diz ele, encolhendo os ombros, “nada, pensa,” foi só um milagre.

(14/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 13 de abril de 2013

"Luxuria" (HD) Joaquim Rodrigues


"Corpo de Mulher"


Como quem sai sem rumo prá viagem.
Eu Juro beijar teu corpo sem descanso
Vou-te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço.

Luzes ao norte, tuas pernas são estradas
Beijo teus pés, me perco entre teus dedos.
Onde meus lábios correm as madrugadas
Pra de manhã chegar aos teus segredos.

Me perco entre teus montes, vales escondidos.
Como em teus bosques. E bebo nos teus rios.
Faço fogueiras, choro, canto e danço.

Línguas de lua varrem tua nuca.
Línguas de sol percorrem tuas ruas.
Juro beijar teu corpo sem descanso.

(21/02/2013
Joaquim Rodrigues.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Maeva" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dez dias de Amor"


Ela vem a Portugal pela primeira vez em muitos anos de sua vida. Chega de avião o transporte possível de cá chegar, trazendo a reboque uma mala de rodinhas. Está de férias e decidiu tirar uns dias sozinha na cidade do Porto, onde não conhece ninguém. Vai ficar uma semana num pequeno e agradável hotel para os lados de Matosinhos uma pequena cidade um pouco mais a norte da cidade do Porto a cidade que ela vem visitar.
Entra no hotel, vai ver o quarto, deixa a mala e volta a sair sem demora, excitada com a perspetiva de aproveitar o resto da tarde. Vai vagueando por Matosinhos, a reparar nos turistas que andam por ali com a maravilhosa sensação de ser também como uma estrangeira numa terra estranha. Mete por uma ruazinha estreita e, chegando ao fim, dá com um café de especto acolhedor. Como tem fome e quer refugiar-se do calor, entra e senta-se a uma mesa. O empregado que vem atendê-la fala-lhe em inglês. Ela solta uma risadinha e pergunta-lhe com o seu sotaque do Brasil.
- O que o levou a pensar que fosse estrangeira?
- Ele coça a sua cabeleira já rara, desgrenhada, ligeiramente embaraçado. Ela com cabelo bem tratado ligeiramente castanho claro, olhos castanhos, ar um pouco perdido e sem pressa.
- Achei que era, explica-se, peço desculpa.
Ela ri-se, divertida com a situação.
- Não faz mal, diz ela.
  - Não é estrangeira mas é de fora, nota ele.
- Sim, é verdade, sou Brasileira, vivo no estado Rio Grande do Sul.
- Pois, já tinha reparado no sotaque.


(Joaquim Rodrigues)
Ele vai voltando à mesa dela, para saber se precisa de alguma coisa, para fazer conversa. Ela acha-lhe graça e responde-lhe com gosto. É um homem entroncado, descontraído, veste jeans e t-shirt, tem uma alegria natural que a entusiasma. À saída, vai abrir-lhe a porta e pergunta-lhe se tenciona voltar.  - Talvez, responde ela, enigmática.
Despede-se, volta ao calor excessivo que ainda faz ao fim da tarde. Mas nos dias seguintes regressa sempre para tomar o pequeno-almoço e ele lá está para a servir, maravilhado por tornar a vê-la. Ela fica a saber que está ali a trabalhar porque tinha ficado desempregado, mas que contava ser por pouco tempo, já tinha em vista algo melhor, e como a vida continua tem que ser, e trabalha ali para pagar os custos de uma casa onde ele vive, fica a saber outras coisas dele. Passam juntos todas as noites, no quarto dela.
Ao fim de o 10º dia, ele leva-a ao avião, e depois de a beijar com paixão ajuda-a a subir com a mala e só volta com a partida deste já em movimento. Regressa a casa com um sorriso triste, já com saudades. Três meses depois ainda sente a mesma azia no fundo do seu estômago, a mesma que sentiu ao ver aquela mulher que o amou com o máximo carinho partir, ele quando se lembra disto deixa sempre cair uma lágrima.
Ela passada alguns meses talvez porque não aguentasse voltou! Entra no café mas não o vê, pergunta por ele a uma empregada. Fica a saber que se despediu e não deixou nenhum contacto. O número de telefone que ele lhe deu já não funciona, procurou-o no Facebook e não o encontrou. De modo que sai do café desconsolada e, após alguns dias a procurá-lo pelos lugares em que andaram, volta ao Brasil com uma desilusão.
Nunca mais saberá nada dele, nunca mais voltará a vê-lo, mas ficará sempre com a melancólica recordação daquele amor de 10 dias.

(10/06/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Na Cabana" (HD) Joaquim Rodrigues