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quarta-feira, 10 de abril de 2013

"Sonho" (HD) Joaquim Rodrigues


"Retalhos da Vida"

(Joaquim Rodrigues)

Lembranças que vão tão distantes.
Mas que sinto boa e bela sensação.
Da infância e como ela era antes.
Tão vivas ainda em meu coração.
 
Lembro de um lindo, e belo lugar.
Que lá tinha, meu nome gravado.
Com um jardim de rosas, de amar.
E lembro como lá, eu fui amado.
 
Eh! Eu ainda hoje, sinto o cheiro.
Como eu adorava aquela beleza.
Meu avô, o forno e o pão caseiro.
O pomar as frutas e tanta pureza.
 
Dos meus joelhos machucados.
Nas arvores trepar seus galhos.
Como era bela minha infância.
Digno de manta de retalhos.
 
Hoje vivo aqui, é tão diferente.
Os jardins são pedra e cimento.
Com a maldade de muita gente.
E falta de amor, no pensamento.
 
Meu balanço, feito com carinho.
Retalhos de uma vida de paixão.
Aos amigos abraço ou beijinho.
 
Fala o Joaquim com o coração.
Se te cruzares comigo eu contigo.
Te estendo amigo, a minha mão.
 
(10/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Aime Moi" (HD) Joaquim Rodrigues


"Gosto de Ti"

(Joaquim Rodrigues)

O facto de eu ser muito indeciso e tímido,
não quer dizer que não saiba o que quero,
do que gosto, e que não tenha certezas.
Eu hoje tenho a certeza de uma coisa.
Gosto de ti!
 
E gosto de ti
já desde do início que te conheci!
Querida eu tenho essa certeza, e mantenho-a.
 
Gosto de ti
porque me fazes viver, me fazes sorrir e acreditar.
 
Gosto de ti,
porque és uma pessoa inteligente
e sensível também.
 
Gosto de ti
porque me deixas te abraçar
daquela maneira calma, e paciente,
e te enrolas em mim cheia de carinho,
como quem quer entrar pela minha pele dentro
e ficares lá, sem de lá sair mais.
 
Gosto de ti
porque és como eu!
E ao mesmo tempo te esforças
para fazer tudo o que eu gosto.
 
Gosto de ti
porque tu também gostas de mim,
e porque nunca me deixas tropeçar.
 
Gosto de ti
porque quando me vez triste, olhas para mim e dizes.
Amor!
Gosto muito te ti.
 
Gosto de ti,
porque eu sei que me amas!
Tu sabes meu bem, tu sabes também que te amo.
Olha minha querida?
Eu gosto de ti!
 
(10/01/2013)
Joaquim rodrigues

"Ancora Qui" (HD) Joaquim Rodrigues


"Parabéns"


Como é bom recordar! Tenho dias que fecho os olhos e esforço-me! Vejo-me naquela janela antiga, sinto a vizinhança da minha amada, como se fosse agora mesmo! Bem, se o afeto que eu lhe jurei, permanece ainda vivo em mim! Mas como é bom recordar! Ela pergunta-se. "O que estará ele a pensar?" Ele espreita o seu decote pelo canto do olho. Ela pensa que ele deve achá-la uma tagarela insuportável. Ele só está a imaginar coisas com ela. Ela receia que ele ache que não é suficientemente inteligente, ou culta, sabe lá. Ele pensa que a quer abraçar e beijar. Estão no carro, à porta de casa dela. Foram jantar fora, porque ele faz anos amanhã e aproveitou o pretexto do aniversário para a convidar. Ela ainda não fez dezoito anos e mal conseguiu acreditar quando ele, que já tem dezanove, a convidou. Ficou cinco minutos de boca aberta, incrédula, cheia de calor, nervosa, aflita e a morrer de felicidade.
Ele pensou que nunca mais seria capaz de a enfrentar se ela dissesse que não e teve a consciência do coração a bombear no peito como um cavalo de corridas durante os três minutos que ela demorou a responder-lhe. Por fim, aqui estou, e ele pôde voltar a respirar. Claro que foi tudo mais fácil por terem tido a conversa através do chat. Escolheram um restaurante à beira-rio, uma esplanada com um ambiente agradável. Ele foi buscá-la a casa e no caminho não falaram muito. Ela tem amigas que pegam no telefone, ligam a um rapaz e convidam-no para sair, assim, sem mais nem menos. E às vezes odeia-se por ser tão tímida e não se atrever a fazer nada do género.


Já ele, nunca teve uma namorada e todos os dias se pergunta como farão aqueles seus amigos que conseguem saltar de namorada em namorada com uma rapidez estonteante. O jantar decorre sem constrangimentos, a conversa flui facilmente e eles, surpreendidos, conseguem relaxar, aproveitam a companhia um do outro, divertem-se. Ele sente-se aliviado por ela falar tanto e não o obrigar a inventar assunto. Ela, no início, estava tão nervosa que desatou a falar, horrorizada com a perspetiva de caírem num silêncio constrangedor. Mas depois embalou na conversa e ultrapassou a timidez ao ver que ele se ria, divertidíssimo com as suas histórias.
No entanto, agora estão no carro e ela pensa que ele deve achá-la uma chata, porque caíram finalmente em silêncio e, provavelmente, ele não diz nada porque está mortinho por se ver livre dela. Ele está a pensar que correu tudo mal porque não conseguiu dizer-lhe que gosta dela. Paralisado, vê-a abrir a porta, despedir-se, partir. "Um desastre, pensa." Mas ela tem uma inspiração, volta atrás, abre a porta, entra de joelhos no banco e lembra que é meia-noite!
 - Já me ia embora sem te dar os parabéns, diz.
E, na hesitação de um abraço desajeitado, os seus lábios encontram-se e beijam-se finalmente como desejaram e imaginaram durante a noite inteira.

(28/12/2012)
Rodrigues Joaquim:

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"Minha Secreta Vida" (HD) Joaquim Rodrigues


"Cada um, na sua Cabana"


Ela pelo menos podia-lhe ter dito que ia sair de casa dele, e voltar à dela. Com certeza ele iria compreender. Ele sabe como toda gente, que a paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor. A paixão muitas vezes não resiste à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância.
- Olha, não te chateies comigo, mas explica-me lá outra vez, pergunta amiga admirada.
- Explico-te o quê?!
- Essa coisa de não quereres viver com o Pedro.
- Outra vez essa conversa? Quantas vezes são precisas para eu ter de falar disto? Essa ideia de ter várias pessoas a atazanar-me o miolo com o mesmo assunto, à espera que eu mude de ideias? Não me agrada nada. Ontem era a minha mãe. Agora és tu. Mas é assim tão difícil de entender?
- Um bocadinho, sim. Eu sei que sou conservadora, que sou Gold Scholl, que gosto das coisas à moda antiga. Já me disseste isso tudo, poupa-me o sermão. Para mim, é difícil entender. Se vocês gostam um do outro, porque é que não vivem juntos? Isso é que é o normal? Se ele quer tanto, não percebo a tua resistência. Até falei com o Rui, para saber se era eu que não estava a apanhar alguma coisa. E ele também não percebe.
- O Rui?! Tu falaste com o teu marido? Eu tinha-te pedido para não comentares.
- Vá, não te chateies. Somos teus amigos, só queremos ajudar.
- Ajudar?! Mas está tudo parvo? Eu não preciso de ajuda. Importam-se de parar de me tratar como se eu fosse maluquinha? E que conversa é essa de “isso é que é o normal”?! Eu é que sei o que é normal para mim. Isto é a minha vida. Para tua informação, há muita gente a pensar como eu. Há muita gente que não tem vontade de partilhar casa com outra pessoa.
- Mas não é partilhar a casa. É partilhar a vida. Tu não gostas dele?


- Já te disse que sim. E também já lho disse a ele, de todas as vezes que ele perguntou, de todas as vezes que a porra do assunto veio à baila. Eu adoro o Pedro, mas não quero viver com ele. É só isso. Estou muito bem assim. Eu e os meus filhos, na nossa vidinha, nas nossas rotinas.
- O que é que eles dizem disso?
- Eles estão-se nas tintas. Querem que a mãe faça o que lhe der na gana. Eles ao menos percebem. Ao contrário de vocês.
- Mas achas que eles gostavam de viver com o Pedro e com a filha dele?
- Desde que não tivessem de partilhar quartos. Mas já pensaste onde é que vamos viver os cinco? Eu, ele e os três miúdos? Onde é que vamos arranjar uma casa com tantos quartos? Eles são adolescentes, precisam de privacidade. Quem é que vai pagar isso tudo?
  - Isso arranja-se, se quiseres.
- Pois é, mas não quero. Estou divorciada há sete anos e dou muito valor a fazer o que me apetece na minha casa, com o meu tempo. A não ser que haja uma grande reviravolta na minha vida, não penso voltar a viver com outra pessoa. Gosto muito do Pedro, mas ele gosta de acordar cedo aos fins-de-semana e eu gosto de dormir até tarde. Agora que os miúdos já não precisam de mim ao pequeno-almoço, não vou arranjar um miúdo grande que quer brincar às bicicletas ao domingo de manhã. A sério, acredita em mim, já não tenho pachorra para tratar de um homem. É isso que eles todos querem. Querem que tratemos deles. Estão sempre à procura de uma mãezinha.
- Acho que estás a exagerar. Mas ter uma relação passa por isso. Por fazer cedências.
- Não! Ter uma relação passa por gostar da outra pessoa e respeitar as preferências e necessidades dela. E eu estou fartinha de passar a vida a explicar as minhas necessidades ao Pedro. Eu necessito de dormir até tarde, por exemplo. Necessito de não fazer jantar, se não me apetece. Ver um filme estúpido, só porque sim. Não ver maratonas de futebol na televisão. Não jantar em casa e ficar até tarde à conversa com amigas. Não aturar os amigos idiotas dele. Planear as minhas férias sem estar preocupada com os gostos dele. Preciso de fazer o que quero em minha casa, quando quero, sem ter um tipo a moer-me o juízo. Preciso de acordar nos braços de um homem, mas só de vez em quando. Quando eu quero.
- Tu és estranha.
- Pois sou! Mas sou muito feliz. Ao contrário de muitos de vocês.

(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 7 de abril de 2013

"Amor é Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Mágoas"


 
 
Minhas mágoas tantas são.
Mas não as conto a ninguém.
Guardo-as no meu coração.
E levo-os para o Além.
 
Hei-de fazer por sorrir.
Mesmo sem vontate ter.
Já que sabendo mentir.
Poderei menos sofrer.
 
Pensar na vida, na morte.
Chorar um amor perdido.
Lamentar a minha sorte.
 
Não, não, não quero pensar.
Quero é ter força, e calor.
Quero rir, quero folgar.!
 
(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues

 

"Estou Aqui" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Lago dos Cines"


Em passeio pelo jardim num domingo feliz, param frente ao lago onde dois cisnes nadam graciosamente lado a lado. Ela lembra-se de algo que leu algures e comenta.
 - Sabes que os cisnes são animais que acasalam para toda vida, nunca se separam?
Ele gosta da ideia e, realmente, pensa que também são assim, que vão ficar juntos para a vida.
Ela regressa ao lago muito tempo depois, numa manhã de domingo cinzenta, e encontra o casal de cisnes partilhando com a mesma cumplicidade de sempre os bocados de pão que as crianças lhe atiram. Passaram quatro anos desde a última vez que esteve ali com ele e, vendo agora o casal de cisnes, sente uma infinita tristeza por não terem cumprido o desejo de ficarem juntos.
Acabaram separados devido a uma série de equívocos, nós pouco firmes que lhes embaçaram a vida, mas que o tempo foi desatando e hoje lhe parecem irrisórios. Ele sempre lhe disse que o tempo resolve tudo, no entanto, ela não acreditou.
Senta-se num banco à beira do caminho que contorna o lago e ali fica, hipnotizada com os cisnes, a ponderar as decisões do passado, o que fez, o que poderia ter feito. Cai uma chuva miudinha de que não se dá conta, cai uma lágrima pelo seu rosto. Há nela uma infelicidade perene que a faz pensar que ele não tinha inteira razão quando dizia que o tempo resolvia tudo, porque o tempo não lhe devolveu a alegria.

(Joaquim Rodrigues)
De manhã, ele entra no carro, liga o motor, arranca. Embora não se falem há muito tempo, lembra-se dela todos os dias ao passar pelo jardim a caminho do trabalho. Tem sempre um pensamento para ela, pois recorda-se inevitavelmente dos cisnes e da conversa que tiveram à beira do lago.
Ela sente que vai adiando tudo e que, sem se dar conta, a vida vai passando. Tem dias cheios, que a absorvem e, de noite, só lhe resta energia para se deixar cair no sofá a dormitar em frente à televisão, no entanto, não consegue ultrapassar a impressão de que não está verdadeiramente a viver, mas apenas à espera de algo que lhe devolva a felicidade.
O jardim já ficou para trás quando o telemóvel vibra no bolso. Ele tira-o e lê a mensagem dela.   
 “Os cisnes ainda estão juntos no lago.”
Sem pensar duas vezes, vira o volante, passa por cima do traço contínuo, faz inversão de marcha e acelera sem ligar às buzinas de protesto. Não passaram nem cinco minutos desde que ela enviou a mensagem e, de repente, ali está ele, sentado ao seu lado, quatro anos depois, de olhos postos no lago, a ver os cisnes.
- Como chegaste aqui tão depressa? Pergunta-lhe, perplexa.
- Eu sou como os cisnes, também estou sempre perto de ti.
Ela sorri, aliviada.
 - Deve ser destino, diz.
Ele encolhe os ombros.
- Pode ser, afirma, mas eu chamo-lhe amor.

(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 6 de abril de 2013

"Diário Intimo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Conversas de Mulheres"

Entram os dois na galeria. É a inauguração da nova exposição. Palácio da bolsa. O ambiente é soturno, paredes azul-escuras onde estão pendurados os quadros. Retratam mulheres antigas, que podem ser estrelas de cinema do século passado, encantadoras, sedutoras, independentes, envergando ricos vestidos, numa sucessão de bonitas molduras douradas, trabalhadas. Encontram um grupo de amigos, juntam-se a eles. Uma das amigas puxa-a para o lado, dá-lhe o braço, afasta-a do grupo.
- Então, que se passa? Pergunta-lhe.
- Nada, responde ela, porquê?
- Hum, a mim não me enganas, não estás nos teus dias. Chateada com alguma coisa?
Ela olha para trás, para o grupo onde está o namorado, hesita.
- Ele disse que gosta de mim, afirma.
A amiga abre os braços, perplexa com a tristeza dela.
- Não é o que tu queres?
- É, diz.
- Então, qual é o problema?
Ela faz uma cara de dúvida.
- Não sei, confessa.
- Não sabes se gostas dele?
- Sei, sim, gosto, não é isso, não sei se ele gosta mesmo de mim.
- Não foi o que ele disse?
- Foi, mas. Oh, sei lá, não ligues. Sabes como é.
A amiga faz que sim com a cabeça.
- Sei, diz. Ahhh, irrita-se consigo própria, com a situação.
- Ontem à noite, conta, ele trouxe-me flores e disse que me amava. Fez-me uma declaração, estás a imaginar? Foi bonito, mas só que. Estamos juntos há quase cinco meses e ele nunca me ofereceu flores.


A amiga encolhe os ombros.
- Apeteceu-lhe, diz, quis fazer-te uma surpresa.
- Achas? Reage ela, desconfiada. Nunca me deu flores, e de repente aparece com um ramo em casa, assim sem mais nem menos.
A amiga apoia o queixo no polegar, o indicador pousado na linha dos lábios, pondera a questão.
- Achas que fez alguma? Pergunta-lhe.
Ela lança-lhe um olhar espantado, como se não tivesse pensado em tal coisa.
- Não, não é isso, responde.
 - Não?
 - Não, assevera, o problema é que às vezes fico com a impressão de que ele não gosta tanto de mim como diz. Acho que as flores foram para me compensar, percebes?
- Não acreditas quando ele diz que te ama?
- Acredito que ele quer gostar, mas não sei se gosta mesmo.
- Olha, conta a amiga sem pensar, o meu primeiro trazia-me montes de flores e depois deixou-me, este nunca me trouxe flores e não se vai embora de certeza.
Ela revira os olhos, exasperada com a amiga.
 - Obrigadinha, diz, é reconfortante saber isso, estou muito mais tranquila.
A amiga repara no que disse, começa a rir-se, contagia-a, acabam as duas às gargalhadas. Voltam para junto dos amigos, dos namorados, ainda a sorrir.
 - Estão muito divertidas, comenta um deles.
- O que se passa?
- Nada, dizem, encolhendo os ombros,
- Conversas de mulheres.

(10/12/2012)
Rodrigues Joaquim

"Vamos" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tango"

(Joaquim Rodrigues)

Vou percorrendo teu corpo.
Que o dispo lentamente.
Minhas mãos entrelaçadas.
Nas tuas dissipam no palco.
Num tango.
Avanço.
Rodopiando na pista.
Num passo de dança.
Nossos corpos balançam.
Bailamos agora.
Um tango.
Somos dois loucos!
Em passos embriagados.
Cadenciados.
Compassados.
Passos longos.
Rasgados.
Rasgo teu decote.
E olho teus seios.
Passo a passo, de dança.
Dançamos.
Freneticamente mas sós.
(Unidos!)
(Entrelaçados!)
(Afastados nós?)
Num tango?
Vamos dançar agora os dois.
Um tango!
 
(05/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Breve" (HD) Joaquim Rodrigues


"Lembranças"

(Joaquim Rodrigues)
Esquercer-te,
seria perder,
a minha identidade.
Mudar a minha vida,
a minha personalidade,
apagar o melhor,
que a vida, me deu.
(Eu te Amo)
 
(20/02/2013)
Joaquim Rodrigues