O meu blog: “histórias do coração” ele mostra a beleza e todas as maravilhas que existem em nossas vidas em todos nossos sentimentos tudo em forma encantadora de palavras que nos saem do meu coração, um coração que acredita na vida na felicidade de tudo que a vida nos reserva. O meu coração é um livro sobre o amor que vivem na minha alma. (Aqui encontramos poemas, música, e histórias da vida real) (Joaquim Rodrigues)
segunda-feira, 8 de abril de 2013
"Cada um, na sua Cabana"
Ela pelo menos podia-lhe ter dito que ia sair de casa dele, e voltar à dela. Com certeza ele iria compreender. Ele sabe como toda gente, que a paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor. A paixão muitas vezes não resiste à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância.
- Olha, não te chateies comigo, mas explica-me lá outra vez, pergunta amiga admirada.
- Explico-te o quê?!
- Essa coisa de não quereres viver com o Pedro.
- Outra vez essa conversa? Quantas vezes são precisas para eu ter de falar disto? Essa ideia de ter várias pessoas a atazanar-me o miolo com o mesmo assunto, à espera que eu mude de ideias? Não me agrada nada. Ontem era a minha mãe. Agora és tu. Mas é assim tão difícil de entender?
- Um bocadinho, sim. Eu sei que sou conservadora, que sou Gold Scholl, que gosto das coisas à moda antiga. Já me disseste isso tudo, poupa-me o sermão. Para mim, é difícil entender. Se vocês gostam um do outro, porque é que não vivem juntos? Isso é que é o normal? Se ele quer tanto, não percebo a tua resistência. Até falei com o Rui, para saber se era eu que não estava a apanhar alguma coisa. E ele também não percebe.
- O Rui?! Tu falaste com o teu marido? Eu tinha-te pedido para não comentares.
- Vá, não te chateies. Somos teus amigos, só queremos ajudar.
- Ajudar?! Mas está tudo parvo? Eu não preciso de ajuda. Importam-se de parar de me tratar como se eu fosse maluquinha? E que conversa é essa de “isso é que é o normal”?! Eu é que sei o que é normal para mim. Isto é a minha vida. Para tua informação, há muita gente a pensar como eu. Há muita gente que não tem vontade de partilhar casa com outra pessoa.
- Mas não é partilhar a casa. É partilhar a vida. Tu não gostas dele?
- Já te disse que sim. E também já lho disse a ele, de todas as vezes que ele perguntou, de todas as vezes que a porra do assunto veio à baila. Eu adoro o Pedro, mas não quero viver com ele. É só isso. Estou muito bem assim. Eu e os meus filhos, na nossa vidinha, nas nossas rotinas.
- O que é que eles dizem disso?
- Eles estão-se nas tintas. Querem que a mãe faça o que lhe der na gana. Eles ao menos percebem. Ao contrário de vocês.
- Mas achas que eles gostavam de viver com o Pedro e com a filha dele?
- Desde que não tivessem de partilhar quartos. Mas já pensaste onde é que vamos viver os cinco? Eu, ele e os três miúdos? Onde é que vamos arranjar uma casa com tantos quartos? Eles são adolescentes, precisam de privacidade. Quem é que vai pagar isso tudo?
- Isso arranja-se, se quiseres.
- Pois é, mas não quero. Estou divorciada há sete anos e dou muito valor a fazer o que me apetece na minha casa, com o meu tempo. A não ser que haja uma grande reviravolta na minha vida, não penso voltar a viver com outra pessoa. Gosto muito do Pedro, mas ele gosta de acordar cedo aos fins-de-semana e eu gosto de dormir até tarde. Agora que os miúdos já não precisam de mim ao pequeno-almoço, não vou arranjar um miúdo grande que quer brincar às bicicletas ao domingo de manhã. A sério, acredita em mim, já não tenho pachorra para tratar de um homem. É isso que eles todos querem. Querem que tratemos deles. Estão sempre à procura de uma mãezinha.
- Acho que estás a exagerar. Mas ter uma relação passa por isso. Por fazer cedências.
- Não! Ter uma relação passa por gostar da outra pessoa e respeitar as preferências e necessidades dela. E eu estou fartinha de passar a vida a explicar as minhas necessidades ao Pedro. Eu necessito de dormir até tarde, por exemplo. Necessito de não fazer jantar, se não me apetece. Ver um filme estúpido, só porque sim. Não ver maratonas de futebol na televisão. Não jantar em casa e ficar até tarde à conversa com amigas. Não aturar os amigos idiotas dele. Planear as minhas férias sem estar preocupada com os gostos dele. Preciso de fazer o que quero em minha casa, quando quero, sem ter um tipo a moer-me o juízo. Preciso de acordar nos braços de um homem, mas só de vez em quando. Quando eu quero.
- Tu és estranha.
- Pois sou! Mas sou muito feliz. Ao contrário de muitos de vocês.
(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues
domingo, 7 de abril de 2013
"Mágoas"
Minhas mágoas tantas são.
Mas não as conto a ninguém.
Guardo-as no meu coração.
E levo-os para o Além.
Hei-de fazer por sorrir.
Mesmo sem vontate ter.
Já que sabendo mentir.
Poderei menos sofrer.
Pensar na vida, na morte.
Chorar um amor perdido.
Lamentar a minha sorte.
Não, não, não quero pensar.
Quero é ter força, e calor.
Quero rir, quero folgar.!
(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"O Lago dos Cines"
Em passeio pelo jardim num domingo feliz, param frente ao lago onde dois cisnes nadam graciosamente lado a lado. Ela lembra-se de algo que leu algures e comenta.
- Sabes que os cisnes são animais que acasalam para toda vida, nunca se separam?
Ele gosta da ideia e, realmente, pensa que também são assim, que vão ficar juntos para a vida.
Ela regressa ao lago muito tempo depois, numa manhã de domingo cinzenta, e encontra o casal de cisnes partilhando com a mesma cumplicidade de sempre os bocados de pão que as crianças lhe atiram. Passaram quatro anos desde a última vez que esteve ali com ele e, vendo agora o casal de cisnes, sente uma infinita tristeza por não terem cumprido o desejo de ficarem juntos.
Acabaram separados devido a uma série de equívocos, nós pouco firmes que lhes embaçaram a vida, mas que o tempo foi desatando e hoje lhe parecem irrisórios. Ele sempre lhe disse que o tempo resolve tudo, no entanto, ela não acreditou.
Senta-se num banco à beira do caminho que contorna o lago e ali fica, hipnotizada com os cisnes, a ponderar as decisões do passado, o que fez, o que poderia ter feito. Cai uma chuva miudinha de que não se dá conta, cai uma lágrima pelo seu rosto. Há nela uma infelicidade perene que a faz pensar que ele não tinha inteira razão quando dizia que o tempo resolvia tudo, porque o tempo não lhe devolveu a alegria.
| (Joaquim Rodrigues) |
Ela sente que vai adiando tudo e que, sem se dar conta, a vida vai passando. Tem dias cheios, que a absorvem e, de noite, só lhe resta energia para se deixar cair no sofá a dormitar em frente à televisão, no entanto, não consegue ultrapassar a impressão de que não está verdadeiramente a viver, mas apenas à espera de algo que lhe devolva a felicidade.
O jardim já ficou para trás quando o telemóvel vibra no bolso. Ele tira-o e lê a mensagem dela.
“Os cisnes ainda estão juntos no lago.”
Sem pensar duas vezes, vira o volante, passa por cima do traço contínuo, faz inversão de marcha e acelera sem ligar às buzinas de protesto. Não passaram nem cinco minutos desde que ela enviou a mensagem e, de repente, ali está ele, sentado ao seu lado, quatro anos depois, de olhos postos no lago, a ver os cisnes.
- Como chegaste aqui tão depressa? Pergunta-lhe, perplexa.
- Eu sou como os cisnes, também estou sempre perto de ti.
Ela sorri, aliviada.
- Deve ser destino, diz.
Ele encolhe os ombros.
- Pode ser, afirma, mas eu chamo-lhe amor.
(07/04/2013)
Joaquim Rodrigues
sábado, 6 de abril de 2013
"Conversas de Mulheres"
Entram os dois na galeria. É a inauguração da nova exposição. Palácio da bolsa. O ambiente é soturno, paredes azul-escuras onde estão pendurados os quadros. Retratam mulheres antigas, que podem ser estrelas de cinema do século passado, encantadoras, sedutoras, independentes, envergando ricos vestidos, numa sucessão de bonitas molduras douradas, trabalhadas.
Encontram um grupo de amigos, juntam-se a eles. Uma das amigas puxa-a para o lado, dá-lhe o braço, afasta-a do grupo.
- Então, que se passa? Pergunta-lhe.
- Nada, responde ela, porquê?
- Hum, a mim não me enganas, não estás nos teus dias. Chateada com alguma coisa?
Ela olha para trás, para o grupo onde está o namorado, hesita.
- Ele disse que gosta de mim, afirma.
A amiga abre os braços, perplexa com a tristeza dela.
- Não é o que tu queres?
- É, diz.
- Então, qual é o problema?
Ela faz uma cara de dúvida.
- Não sei, confessa.
- Não sabes se gostas dele?
- Sei, sim, gosto, não é isso, não sei se ele gosta mesmo de mim.
- Não foi o que ele disse?
- Foi, mas. Oh, sei lá, não ligues. Sabes como é.
A amiga faz que sim com a cabeça.
- Sei, diz. Ahhh, irrita-se consigo própria, com a situação.
- Ontem à noite, conta, ele trouxe-me flores e disse que me amava. Fez-me uma declaração, estás a imaginar? Foi bonito, mas só que. Estamos juntos há quase cinco meses e ele nunca me ofereceu flores.
A amiga encolhe os ombros.
- Apeteceu-lhe, diz, quis fazer-te uma surpresa.
- Achas? Reage ela, desconfiada. Nunca me deu flores, e de repente aparece com um ramo em casa, assim sem mais nem menos.
A amiga apoia o queixo no polegar, o indicador pousado na linha dos lábios, pondera a questão.
- Achas que fez alguma? Pergunta-lhe.
Ela lança-lhe um olhar espantado, como se não tivesse pensado em tal coisa.
- Não, não é isso, responde.
- Não?
- Não, assevera, o problema é que às vezes fico com a impressão de que ele não gosta tanto de mim como diz. Acho que as flores foram para me compensar, percebes?
- Não acreditas quando ele diz que te ama?
- Acredito que ele quer gostar, mas não sei se gosta mesmo.
- Olha, conta a amiga sem pensar, o meu primeiro trazia-me montes de flores e depois deixou-me, este nunca me trouxe flores e não se vai embora de certeza.
Ela revira os olhos, exasperada com a amiga.
- Obrigadinha, diz, é reconfortante saber isso, estou muito mais tranquila.
A amiga repara no que disse, começa a rir-se, contagia-a, acabam as duas às gargalhadas.
Voltam para junto dos amigos, dos namorados, ainda a sorrir.
- Estão muito divertidas, comenta um deles.
- O que se passa?
- Nada, dizem, encolhendo os ombros,
- Conversas de mulheres.
(10/12/2012)
Rodrigues Joaquim
"Tango"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Vou percorrendo teu corpo.
Que o dispo lentamente.
Minhas mãos entrelaçadas.
Nas tuas
dissipam no palco.
Num tango.
Avanço.
Rodopiando na pista.
Num passo de dança.
Nossos corpos balançam.
Bailamos agora.
Um tango.
Somos dois loucos!
Em passos embriagados.
Cadenciados.
Compassados.
Passos longos.
Rasgados.
Rasgo teu decote.
E olho teus seios.
Passo a passo, de dança.
Dançamos.
Freneticamente mas sós.
(Unidos!)
(Entrelaçados!)
(Afastados nós?)
Num tango?
Vamos dançar agora os dois.
Um tango!
(05/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"Um amor, para a internidade"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Eu já conheço esse teu olhar triste.
E todas as saudades que sentes.
Nunca soube foi porque partiste.
Nem porque ainda me mentes.
Ninguém pode enganar o coração.
Ninguém consegue matar o amor.
Quem o fizer, sentirá a maldição.
Que o vai perseguir, até onde for.
Na vida, nem sempre devemos.
Querer ter razão em tudo.
No que sentimos ou fazemos.
Porque vai parecer, absurdo.
A onde tu queres ir, te seguirei.
De ti nunca estarei ausente.
Pois sinto que sempre voltarei.
Nesta saudade internamente.
Como tenho tanta certeza?
Não sei, não tenho explicação.
Mas quem te amou, como eu amei.
Nunca mais te tirará do coração.
Minha vida, foi feita para amar assim.
Meu corpo, e minha alma, não mente.
Sempre te guardarei dentro de mim.
Meu maior amor, um eterno presente.
(06/04/2013)
Joaquim Rodrigues
"Notalgias III"
Vai tomar um café ao fim da tarde, farta de estar em casa a remoer tristezas e fracassos. Sai para espairecer. Entra numa pastelaria, escolhe uma mesa afastada do bulício alegre de um grupo de jovens que ri alto. Hoje em dia não consegue estar muito tempo tranquila no seu canto, porque as pessoas reconhecem-na e vêm falar com ela.
No início era divertido, quando começou a ser conhecida pelas suas músicas que passavam na rádio, pelas entrevistas, os concertos, mas agora já não tem tanta graça. Enfim, faz parte da vida de artista, resigna-se, forçando um sorriso para os estudantes que já perceberam quem é e pasmam para ela com uma desconcertante impudência. Terminou recentemente uma relação caótica com um músico da sua banda e sente um imenso vazio. Mas não é dele que tem saudades, pois reconhece que foi um erro e está bastante aliviada por ter acabado.
O que a deixa angustiada é a consciência de que deixou o homem certo por um indigente moral e que o desprezou quando ele só merecia o melhor dela. Quer voltar para ele, pedir-lhe desculpa, ficar com ele para sempre, mas não acredita que a perdoe porque ela própria, se estivesse no lugar dele, não teria a nobreza de espírito suficiente para a perdoar. Não obstante, reconhece que ele merece uma satisfação e que terá de ir ao seu encontro porque um telefonema não é suficiente.
Espera sentada no carro que o bar feche e os últimos clientes se vão embora. Olha para o relógio, passam dez minutos das três da manhã. Finalmente, respira fundo, controla os nervos, sai do carro, atravessa a rua. Fica parada à entrada do bar, vendo-o sentado à mesa do costume, no canto à sua direita. Aguarda que lhe diga alguma coisa.
- Estava a pensar em ti, afirma ele.
-O quê?, pergunta.
A pensar se voltarias um dia.
- Nunca me fui embora, responde ela, na minha cabeça estive sempre aqui.
E nesse preciso instante compreende quão verdadeira é essa afirmação, "estive sempre aqui", pensa, mais saudosa do que imaginava.
Nota-lhe a sombra de um sorriso, uma desconfiança perpassando-lhe pela mente.
- Queres sentar-te? Convida-a.
Ela tira o casaco, senta-se. Ele serve-lhe uma bebida. Parece-lhe cansado, mas pode ser só a expressão grave, que não lhe é habitual. Mas depois ele descontrai-se um pouco e diz então.
- Conta lá por onde tens andado.
E uma esperança invade-lhe o coração e ela confessa de uma vez o arrependimento que a traz ali, a angústia que não a deixa dormir, e a saudade que a faz infeliz.
(11/09/2012)
Rodrigues Joaquim:
sexta-feira, 5 de abril de 2013
"Notalgias II"
- Onde moras? Perguntou-lhe uma vez.
Ele, sentado frente ao teclado, no palco ao fundo do bar, com um cigarro no canto da boca, os olhos semicerrados, respondeu-lhe que a música era a sua casa. Ela adorava aquele seu ar diletante, aquela atitude despreocupada com que pairava pela vida. Estão ligados pela música, juntou-os o dono do bar. Ela vivia com o dono do bar, que a ajudou, a apoiou, a amou. Mas partiu em digressão, deu a volta ao país, viveu num mundo encantado, desinteressou-se dele. Apaixonou-se pelo companheiro de viagem, pelos seus olhos cinzentos perdidos na música quando os seus dedos deslizam pelas teclas, com uma expressão etérea envolvida pelo fumo do cigarro no canto da boca. No entanto, ele não quer realmente saber dela. É encantador e as mulheres vêm e vão, passam por si como tudo o resto, sem um compromisso perene que o prenda para a vida. Tem um pequeno apartamento caótico onde só vai dormir, enfim, um buraco sujo, como ela diz. Ele encolhe os ombros, despreocupado, mas ela seria incapaz de viver ali, de modo que, normalmente fica ele em sua casa.
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| (Joaquim Rodrigues) |
(22/06/2012)
Rodrigues Joaquim:
"Tua Beleza"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Tua beleza, é uma beleza sem par.
Faz de ti Rainha para o mundo ver.
Se tu olhas, ordenas com teu olhar.
A quem olhas jamais te pode esquecer.
Já que és tão bela tens direito a escolher.
De entre os belos o mais belo para amar.
E é o que fazes pois é esse o teu prazer.
Muito embora seja breve o seu reinar.
Se assim perdes o mais belo, sedutor.
Por eu ser feio, mesquinho, desengraçado.
Dou muitas, muitas graças ao Senhor.
Jamais tu me verás - eu não sou nada.
Não vê ninguém um coração cheio de amor.
E muito menos se for de um malfadado.
(05/04/2013)
Joaquim Rodrigues
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