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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

"Recordações Antigas" HD

                                                                Joaquim Rodrigues

"Sentires a Alma"


**** 
Estou rendido, assumidamente fascinado 
embora já com muitos cabelos brancos 
ouvi dizer que os anos dão experiência 
quanto mais eu conheço, mais eu sinto. 

As sensações são muitas, estranha-se a pele. 
as rugas, as forças que não são as mesmas 
ah, uma vontade maior de ir até ao âmago. 
todas as noites e os dias, são mais sensíveis 

Tratamos a chuva e o vento com mais carinho 
conhecemos os cheiros, as cores, o misticismo 
a interligação entre o passado e o presente. 
a forma como a vida é vivida, os sentidos 

Conhecemos todos os contos, todas as lendas 
e juntando tudo, nasce uma história 
assim o real e o irreal finamente se cruzam 
num infinito respeito perpétuo sem gloria 

O Existir por si, nunca recusa o passado. 
integrando o passado nos dias presentes 
sem pressas, nem criticas nem julgamentos. 
é por aí! Que meus cabelos branquearam 

É assim que se vive e respira, com aceitação. 
hoje já começo a contar os dias do fim 
de trás para a frente, 
talvez deste modo sejam maiores, 
quero os dias maiores 

As noites intensas de cores sem relógio 
nem contagem do tempo, para quê ?
 a sabedoria é ancestral e verdadeira 
intrínseca a todos os que nela nasceram 

Que se cola como uma segunda pele 
 a quem trilha os seus longos caminhos. 
até te sentires poderoso, estado de Alma. 
vou viver o que me resta, estou velho. 
**** 
(28/10/2015) 
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

"Calafrios" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

"SAUDADES"


Olá,minha querida amiga 
como era bom 
que tu me escutasses um pouco 
tu estás ai minha amiga? 

quero contar-te uma coisa 
que tu vais gostar de saber 
eu quero que tu saibas 
que eu sinto-me cheio 

é verdade minha amiga 
sinto-me cheio de fé 
de sede, de fome, de frio 
sinto-me cheio de tudo querida 

mas hoje eu descobri amiga
que a causa de eu andar doente
e do que eu mais sinto falta
é de saudades de ti 
*** 
(25/10/2015) 
Joaquim Rodrigues


 
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

"UNICA MULHER" HD

                                                              Joaquim Rodrigues

"SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE"


há dias em que as emoções 
são difíceis de abater 
em que qualquer simples palavra 
faz uma lágrima escorrer ! 

Basta um simples “ olá, como vai?” 
e logo a emoção vem 
Dá uma sacudidela 
parece que nada é bem! 

Até um gesto carinhoso 
nos fere às vezes a alma 
será o cansaço da espera 
que nos faz ficar sem calma? 

E estes comportamentos 
quem me os saberá explicar 
não há meio, não há jeito 
de os aprender a controlar! 

Só há apenas um modo 
é apelar à razão 
esquecer o que nos vai na alma
e o que sente o coração! 

Apenas uma coisa queria eu saber 
isso eu peço com fervor 
era que alguém me ensinasse 
a odiar o amor!

 (25/10/2015) 
Joaquim Rodrigues

                                                                 Joaquim Rodrigues

quinta-feira, 25 de junho de 2015

"Hoje"

                                                                Joaquim Rodrigues

"Fica comigo" HD

                                                                    Joaquim Rodrigues

“O HOMEM DO RESTAURANTE”


- “O que pode levar uma mulher bonita a amar um homem feio?”, Pergunta-se ele, obcecado por esta perplexidade, sempre que a vê entrar no seu restaurante.
Ela costuma vir almoçar com os colegas de trabalho e, se não aparece um dia, ele fica sorumbático e preocupado. Não sabe nada dela, nada mais do que o seu nome e que trabalha ali perto, mas por ela, vai para a cozinha e compraz-se a preparar pessoalmente as refeições que lhe serve. Ela gosta da atenção especial que ele lhe dá, embora não veja nesses gestos mais do que a atitude magnânima de quem quer servir bem. Tanta simpatia não passa despercebida aos colegas e, para a espicaçar, dizem que só vão ao restaurante se ela for, porque assim são servidos como Reis. Dizem que o dono do restaurante está apaixonado por ela! Ri-se mas não os leva a sério.
Hoje, vai ao restaurante só com uma amiga que veio para almoçarem e porem a conversa em dia. Ele aproxima-se da mesa, (a felicidade em pessoa), recomenda-lhes um prato especial que se oferece para preparar exclusivamente para as duas. Elas aceitam, e lá vai ele para o forno cozinhar cheio de amor. A amiga, espantada, abre muito os olhos e exclama.
 - O homem está apaixonado por ti!
 - Está nada, és tonta, ele é sempre assim, réplica, desvalorizando o espanto da amiga.
 - Ah, diz esta, é sempre assim?

Joaquim Rodrigues

Ele pensa que não está à altura da sua cliente preferida, que é tão bonita que pode ter quem quiser e, portanto, nunca reparará nele. Está imerso nestas reflexões enquanto os seus empregados se divertem a comentar em segredo a paixão do patrão. Leva a travessa para a mesa e fica atrás do balcão a observar a reacção delas, que, evidentemente, é de grande satisfação, pois é realmente bom cozinheiro. Quase no final da refeição, a amiga declara que tem um compromisso urgente e precisa de ir embora.
 - Depois contas-me como correu com o chefe, diz, com uma piscadela de olho cúmplice.
Ela abana a cabeça, numa leve censura. E ele vendo-a sozinha, aproveita a oportunidade e traz-lhe a sua melhor sobremesa, atreve-se a sentar-se à mesa, consegue arrancar-lhe uma gargalhada. E ela pensa que, pelo menos, já a conquistou pela boa disposição e pela comida.
Depois desse dia, arranja maneira de aparecer muitas vezes sozinha, e não só para almoçar, pois até já jantaram os dois e ficaram a conversar muito depois de o restaurante fechar. E ele descobriu que afinal não é uma conquista impossível. O que não sabe é que ela não é tão bonita como a vê, nem ele tão desinteressante como se imagina.
 (15/06/2015)
Joaquim Rodrigues

sábado, 23 de maio de 2015

"AMOR" HD

                                                                    Joaquim Rodrigues

"UMA HISTÓRIA SIMPLES"


Ainda não me contaste meu amor
aquela história do homem 
que transformou os teus olhos em insónias? 
ainda não contaste acerca daqueles poetas 
que constroem poemas em castelos de areia?

se esta noite tu não conseguires dormir
nem empurrar o sono para dentro
se esta noite tu ficares acordada
eu prometo, que ficarei contigo acordado também

então eu te contarei uma história de um homem
que passava horas e noites sem dormir
era como não soubesse ler ou escrever
mas guardava pacientemente minutos de silêncios
em baixo da tua almofada da tua respiração 

 (22/05/2015) 
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

domingo, 17 de maio de 2015

"LONGE DO AMOR"


Ele sentiu um tremendo golpe com a partida dela, aquilo foi como tivesse perdido metade de si, no entanto o seu pensamento era exagerado, mas que naquela altura lhe pareceu mais do que evidente, de não poder voltar a amar outra mulher com a mesma sinceridade. Não há nada mais puro que o amor que admite todos os desastres com a certeza de sobreviver a qualquer contratempo. Era assim a paixão dele, mesmo nos piores momentos, quando mal se falavam e ele se fazia desentendido para não ter de rebater a perpétua insatisfação dela. Por fim ela anunciou-lhe que se ia embora. Fez as malas, saiu de casa, telefonou-lhe mais tarde a avisa-lo de que já não estaria lá quando voltasse. Tinha pressa de partir e alardeou até uma alegria insensata com o intuito despropositado de lhe mostrar que a separação não lhe pesava nem um bocadinho. Este seu espírito vingativo surpreendeu-o muito, pois pensou sempre não haver nas desavenças deles nada de tão grave que não pudesse ser remediado. Mas a mente humana é capaz de esconder ressentimentos insondáveis e, quando ele lhe apelou ao bom senso e lhe pediu que o ouvisse com a promessa de escutar também as suas razões, ela remeteu-se a um silêncio obstinado que era, evidentemente, mais uma forma de retaliar por algo que ele não entendia, mas ela não esclarecia. Ficaram assim separados por este desencontro absurdo, ela convencida de que ele sabia bem as suas razões, ele tentando adivinhá-las. No fim, tudo se resumia a isto, ela acreditava que ele não a amava o suficiente ou, pelo menos, não tanto quanto ela o desejava.

                                                                    Joaquim Rodrigues

Estava convencida de que poderia deixa-la num dia qualquer sem dor nem remorsos e, em virtude dessa angústia permanente, foi germinando nela uma mágoa que depois de ganhar raízes se desenvolveu livremente até se tornar destrutiva. Agora, na mente dela as suspeitas eram bem reais e o desencanto nada tinha a ver com a insegurança crónica que lhe toldava o humor e a tornava cada vez mais exigente e sufocante. O resultado perverso desse processo insano foi chegar ao ponto de já não o amar desesperadamente e até o querer muito menos do que ele a ela. Destruiu o amor de uma vida por causa de equivoco do coração, mas ficou tão tranquila por não se sentir dependente dele que se animou com o desejo pueril de o castigar com um desprezo despudorado. A injustiça soube-lhe bem. Provavelmente, no futuro, ela conquistará um homem que não a apaixone e que possa manipular facilmente, e assim poderá viver com serenidade. E sem amor.

 (16/05/2015)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 28 de abril de 2015

"Nós os dois" HD

Joaquim Rodrigues

“Ternura na nossa vida”

Joaquim Rodrigues

Juntos, fomos crescendo, os dois juntos, tu e eu 
foram momentos fantásticos, que nós os dois 
passamos, mergulhamos em tantas promessas
que nunca foram faladas, só o nosso olhar 
prometia, nunca falamos mas a emoção tomou 
sempre conta de tudo, a emoção vivia cercada 
da nossa ternura, do nosso carinho, do nosso 
prazer sem fim, mas só o nosso olhar conduzia 
a nossa Inocência mas intensa vontade. 
Vivíamos entre suspiros abafados e encontros
furtivos. Aguentamos todas as brisas que 
sopravam ao entardecer, todas as tempestades 
que os dois sentíamos no peito, mas Isso durou 
só até ao primeiro abraço e findou no prazer do 
primeiro beijo. Foram beijos ardentes, beijos 
furtivos molhados na chuva, no frio, abraços 
apertos quentes, tão quentes como o sol de verão, 
e o nosso inocente desejo fervia mesmo em dias
 gelados. Há, nunca existiu clima que apagasse 
a chama que até hoje nos esquenta nos acende, 
nos une, nos inflama, porque o nosso amor! 
É um amor esplendoroso, inocente e puro. 

 (28/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

sábado, 25 de abril de 2015

"Como eu te amo" HD

Joaquim Rodrigues


"O AMOR"


Ele quando era mais novo procurava mulheres mais velhas. Gostava de se apresentar perante os amigos na companhia de mulheres maduras, ou, pelo menos, que pensava serem maduras. Não era exactamente verdade, pois nessa altura ainda era muito jovem e elas, embora um pouco mais adultas e ponderadas, não deixavam de ser igualmente jovens. Casou-se com a mais bonita dessas namoradas, mulher vistosa que, pela sua beleza e sabedoria, o entusiasmava e enchia de orgulho. Pensava ele que estava apaixonado por ela. No entanto, a sua deusa da beleza murchou em segredo sem que ele notasse, porque, como conviviam diariamente, não tinha o distanciamento necessário para se aperceber das suas transformações indeléveis. Porém, houve um determinado dia em que, estando a conversar com ela à beira de uma piscina sobre algum assunto inocente e irrelevante, deu subitamente consigo a reparar que a sua mulher envelhecera. Perguntou-se como fora possível que isso tivesse acontecido sem que ele se apercebesse. Mas era um facto indisfarçável, as rugas vincadas no rosto, as peles descaídas nos braços flácidos. Embora consciente de que não a podia culpar de nada, sentiu-se enganado e, desde então, tinha que admitir, envergonhado da presença dela a seu lado.

Joaquim Rodrigues

Divorciou-se. Aos quarenta anos iniciou uma nova vida regulada pelo deslumbramento por mulheres mais jovens e, novamente, sentia-se orgulhoso das suas companheiras, belas e invejáveis. Foram tempos estonteantes de romances leves e fugazes, sempre marcados por expectativas nunca concretizadas, com namoradas caprichosas, insatisfeitas e manipuladoras. Alimentavam-lhe o ego, mas consumiam-lhe a alma. Hoje, com quase sessenta anos, tem a seu lado uma mulher apenas cinco anos mais nova. Nestas idades as diferenças tendem a esbater-se. E, pela primeira vez, sabe que ama realmente, pois, quando ela ainda não era sua, imaginava a felicidade como nunca fora capaz de imaginar, e agora, quando não está com ela, sente penosamente a sua falta. Percebeu, com espanto, que passou a vida a amar pelas razoes erradas e que nunca descobrira realmente o amor. E agora também sabe que o amor não tem medida, mas só é verdadeiro quando não está subordinado a projectos, aparências ou a outros motivos mesquinhos que nada têm a ver com simples prazer de uma companhia indispensável. Sim, pensa, olhando para ela com orgulho, o amor é isto. Depois, abraça-a impulsivamente.
 - O que foi? Pergunta ela, sorridente.
 - Nada, responde, amo-te.

 (25/04/2015)
Joaquim Rodrigues