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sábado, 23 de maio de 2015

"AMOR" HD

                                                                    Joaquim Rodrigues

"UMA HISTÓRIA SIMPLES"


Ainda não me contaste meu amor
aquela história do homem 
que transformou os teus olhos em insónias? 
ainda não contaste acerca daqueles poetas 
que constroem poemas em castelos de areia?

se esta noite tu não conseguires dormir
nem empurrar o sono para dentro
se esta noite tu ficares acordada
eu prometo, que ficarei contigo acordado também

então eu te contarei uma história de um homem
que passava horas e noites sem dormir
era como não soubesse ler ou escrever
mas guardava pacientemente minutos de silêncios
em baixo da tua almofada da tua respiração 

 (22/05/2015) 
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

domingo, 17 de maio de 2015

"LONGE DO AMOR"


Ele sentiu um tremendo golpe com a partida dela, aquilo foi como tivesse perdido metade de si, no entanto o seu pensamento era exagerado, mas que naquela altura lhe pareceu mais do que evidente, de não poder voltar a amar outra mulher com a mesma sinceridade. Não há nada mais puro que o amor que admite todos os desastres com a certeza de sobreviver a qualquer contratempo. Era assim a paixão dele, mesmo nos piores momentos, quando mal se falavam e ele se fazia desentendido para não ter de rebater a perpétua insatisfação dela. Por fim ela anunciou-lhe que se ia embora. Fez as malas, saiu de casa, telefonou-lhe mais tarde a avisa-lo de que já não estaria lá quando voltasse. Tinha pressa de partir e alardeou até uma alegria insensata com o intuito despropositado de lhe mostrar que a separação não lhe pesava nem um bocadinho. Este seu espírito vingativo surpreendeu-o muito, pois pensou sempre não haver nas desavenças deles nada de tão grave que não pudesse ser remediado. Mas a mente humana é capaz de esconder ressentimentos insondáveis e, quando ele lhe apelou ao bom senso e lhe pediu que o ouvisse com a promessa de escutar também as suas razões, ela remeteu-se a um silêncio obstinado que era, evidentemente, mais uma forma de retaliar por algo que ele não entendia, mas ela não esclarecia. Ficaram assim separados por este desencontro absurdo, ela convencida de que ele sabia bem as suas razões, ele tentando adivinhá-las. No fim, tudo se resumia a isto, ela acreditava que ele não a amava o suficiente ou, pelo menos, não tanto quanto ela o desejava.

                                                                    Joaquim Rodrigues

Estava convencida de que poderia deixa-la num dia qualquer sem dor nem remorsos e, em virtude dessa angústia permanente, foi germinando nela uma mágoa que depois de ganhar raízes se desenvolveu livremente até se tornar destrutiva. Agora, na mente dela as suspeitas eram bem reais e o desencanto nada tinha a ver com a insegurança crónica que lhe toldava o humor e a tornava cada vez mais exigente e sufocante. O resultado perverso desse processo insano foi chegar ao ponto de já não o amar desesperadamente e até o querer muito menos do que ele a ela. Destruiu o amor de uma vida por causa de equivoco do coração, mas ficou tão tranquila por não se sentir dependente dele que se animou com o desejo pueril de o castigar com um desprezo despudorado. A injustiça soube-lhe bem. Provavelmente, no futuro, ela conquistará um homem que não a apaixone e que possa manipular facilmente, e assim poderá viver com serenidade. E sem amor.

 (16/05/2015)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 28 de abril de 2015

"Nós os dois" HD

Joaquim Rodrigues

“Ternura na nossa vida”

Joaquim Rodrigues

Juntos, fomos crescendo, os dois juntos, tu e eu 
foram momentos fantásticos, que nós os dois 
passamos, mergulhamos em tantas promessas
que nunca foram faladas, só o nosso olhar 
prometia, nunca falamos mas a emoção tomou 
sempre conta de tudo, a emoção vivia cercada 
da nossa ternura, do nosso carinho, do nosso 
prazer sem fim, mas só o nosso olhar conduzia 
a nossa Inocência mas intensa vontade. 
Vivíamos entre suspiros abafados e encontros
furtivos. Aguentamos todas as brisas que 
sopravam ao entardecer, todas as tempestades 
que os dois sentíamos no peito, mas Isso durou 
só até ao primeiro abraço e findou no prazer do 
primeiro beijo. Foram beijos ardentes, beijos 
furtivos molhados na chuva, no frio, abraços 
apertos quentes, tão quentes como o sol de verão, 
e o nosso inocente desejo fervia mesmo em dias
 gelados. Há, nunca existiu clima que apagasse 
a chama que até hoje nos esquenta nos acende, 
nos une, nos inflama, porque o nosso amor! 
É um amor esplendoroso, inocente e puro. 

 (28/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

sábado, 25 de abril de 2015

"Como eu te amo" HD

Joaquim Rodrigues


"O AMOR"


Ele quando era mais novo procurava mulheres mais velhas. Gostava de se apresentar perante os amigos na companhia de mulheres maduras, ou, pelo menos, que pensava serem maduras. Não era exactamente verdade, pois nessa altura ainda era muito jovem e elas, embora um pouco mais adultas e ponderadas, não deixavam de ser igualmente jovens. Casou-se com a mais bonita dessas namoradas, mulher vistosa que, pela sua beleza e sabedoria, o entusiasmava e enchia de orgulho. Pensava ele que estava apaixonado por ela. No entanto, a sua deusa da beleza murchou em segredo sem que ele notasse, porque, como conviviam diariamente, não tinha o distanciamento necessário para se aperceber das suas transformações indeléveis. Porém, houve um determinado dia em que, estando a conversar com ela à beira de uma piscina sobre algum assunto inocente e irrelevante, deu subitamente consigo a reparar que a sua mulher envelhecera. Perguntou-se como fora possível que isso tivesse acontecido sem que ele se apercebesse. Mas era um facto indisfarçável, as rugas vincadas no rosto, as peles descaídas nos braços flácidos. Embora consciente de que não a podia culpar de nada, sentiu-se enganado e, desde então, tinha que admitir, envergonhado da presença dela a seu lado.

Joaquim Rodrigues

Divorciou-se. Aos quarenta anos iniciou uma nova vida regulada pelo deslumbramento por mulheres mais jovens e, novamente, sentia-se orgulhoso das suas companheiras, belas e invejáveis. Foram tempos estonteantes de romances leves e fugazes, sempre marcados por expectativas nunca concretizadas, com namoradas caprichosas, insatisfeitas e manipuladoras. Alimentavam-lhe o ego, mas consumiam-lhe a alma. Hoje, com quase sessenta anos, tem a seu lado uma mulher apenas cinco anos mais nova. Nestas idades as diferenças tendem a esbater-se. E, pela primeira vez, sabe que ama realmente, pois, quando ela ainda não era sua, imaginava a felicidade como nunca fora capaz de imaginar, e agora, quando não está com ela, sente penosamente a sua falta. Percebeu, com espanto, que passou a vida a amar pelas razoes erradas e que nunca descobrira realmente o amor. E agora também sabe que o amor não tem medida, mas só é verdadeiro quando não está subordinado a projectos, aparências ou a outros motivos mesquinhos que nada têm a ver com simples prazer de uma companhia indispensável. Sim, pensa, olhando para ela com orgulho, o amor é isto. Depois, abraça-a impulsivamente.
 - O que foi? Pergunta ela, sorridente.
 - Nada, responde, amo-te.

 (25/04/2015)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 15 de abril de 2015

"Depressão"

Concentrada nas suas vontades, tu nem vê 
aparece como quem não queira, assim mansa
nunca avisa qual o propósito, nem o  porquê
toma conta de ti, faz-te mal, tira-te a esperança

és prisioneira da infelicidade esse é o teu espelho
esguía como sempre foste, segura nesse teu existir
mas triste sem saber porquê, doente de olho vermelho
sempre isolada de ti, nessa tua desventura sem sorrir

passam os dias, sem fazer nada, cai uma lágrima
que ocultas, no teu belo e já muito amado rosto
és assim, tornas-te numa oferta chamada lástima
sempre teimosa vivendo uma vida, sem gosto

tens de abandonar essa tua apatia
deixa de viver esse teu mundo confuso,
não patenteeis com a covardia
fala comigo eu acertarei teu fuso

(15/04/2015)
Joaquim Rodrigues

                                                                  Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 13 de abril de 2015

"Eu não quero viver sem o teu amor" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

"A vida é uma luta"

Se a luta que tu travas para ser feliz
Está a demorar muito tempo a chegar
O melhor que tens a fazer
É continuar a lutar sem nunca desanimar
Olha que ninguém consegues subir o Evereste
De uma só vez, Só com um passo atrás do outro.

(13/04/2015)

Joaquim Rodrigues

                                                                Joaquim Rodrigues

"Ventos Selvagens" HD

                                                              Joaquim Rodrigues

"Amo-te"

A vida é mesmo assim! 
Por vezes bate uma saudade 
que só nos dá vontade de gritar 
AMO-TE !!! 

(13/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues

"Subir ao amor" HD

Joaquim Rodrigues

domingo, 12 de abril de 2015

"HUMILDADE"


A noite depois de jantar com o marido e de arrumar a cozinha enquanto ele dormita já no sofá em frente à televisão. Ela sai de casa. Tem o álibi perfeito para se ausentar sem levantar suspeitas ao seu marido comatoso, esgotado de um dia de trabalho. Vai passear o cão. Embora se demore sempre uma hora e meia na rua, tempo mais do que suficiente para não dizer demasiado para o animal fazer as suas necessidades, ela não tem nada a recear. O marido baba-se a dormir no sofá e nem dá pelo passar do tempo, mas, mesmo que desse, era-lhe indiferente. Ele tem uma fraca auto-estima e, consequentemente, não a tem em grande conta. Pensa que se ela fosse mulher de muitos predicados não estaria com ele. Esta sua indigente consideração pelo dois dá-lhe segurança, nada teme, pois tem a certeza de que a mulher não o pode enganar porque ninguém a quer. Não podia estar mais enganado. Ela sai com o cão, percorre nem cinquenta metros, entra no terceiro prédio a contar do seu. O vizinho, que todas as manhãs cumprimenta gentilmente o marido dela na rua, espera-a ansiosamente. Faz agora seis meses, o vizinho surpreendeu a mulher com outro homem na sua própria cama. 

                                                                 Joaquim Rodrigues

Depararam-se, agora delicia-se com as carnes opulentas e moles da amante, e o que lhe dá mais gozo é ela trair o marido por sua causa. Ele está convencido de que as mulheres têm vantagem em relação aos homens porque, como eles vão com a primeira que conquistarem, elas podem escolher aquele que quiserem. A sua mulher escolheu-o, mas depois escolheu o colega de trabalho sem que, e tem a certeza disso, tivesse feito nada para o ter, foi a oportunidade, ele seduziu-a durante as horas que passavam na empresa. Ele ainda a deseja, mas odeia-a pela humilhação. De modo que o seu caso secreto com a vizinha representa, ao mesmo tempo, uma compensação pela perda sofrida e uma vingança, ainda que se desforre no vizinho inocente. A mulher que lhe bate à porta com um cãozinho odioso que fecham na cozinha antes de se enredarem nos lençóis desfeitos da cama dele, pensa que o amante é um milagre inesperado, um homem muito melhor do que o seu, e o caso com ele é algo que nunca imaginou que ainda fosse possível viver. Sente-se renascida e abençoada pela sorte. Quem diria que um tipo tão bem apessoado haveria de olhar para si? Ela sempre achou que não podia ambicionar melhor do que o marido, homem bom mas medíocre, por isso agarra-se a cada momento do seu adultério com felicidade e deleite, certa de que é só até ele se fartar. 

(10/04/2015) 
Joaquim Rodrigues

"Meu amigo está longe" HD

                                                               Joaquim Rodrigues

" Sou um palhaço"


De ar e figura patética, tu oh palhaço
Finges ter alegria de coração triste
Rosto pintado, e cabelo palha de, aço
Imitando um boneco desengonçado

Dele todos se riem às gargalhadas
É alegria de crianças e outros muitos
É sucesso absoluto de palhaçadas
Onde quem mais ri, são os adultos

Sempre perguntei quem é o palhaço?
Trago esta triste recordação de infância
Serei eu, será ele, quem eu sou palhaço
Arrasto comigo a ideia, nesta distância

Tenho saudades da infância e da pipoca
Do mundo em uma tenda onde ele mora
Hoje o circo é outro é viver todos na toca
Eu sou o palhaço que não ri, mas chora

Até amizade fugiu sem deixar abraços
O novo de ontem é o velho infindável
Tudo mudou, o mundo é diferente

O desafio é continuar como palhaços
Hoje nada é igual, tudo é descartável
Olha que o fim vem já ali, de repente

 (26/03/2015)
Joaquim Rodrigues

Joaquim Rodrigues