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terça-feira, 9 de julho de 2013

"Vidas"


(Joaquim Rodrigues)
As nossas vidas.
São como uma viagem de barco.
Subimos e descemos.
Conforme o balanço das ondas.
 
Mas graças à amizade, ao amor.
Esses dois fortes sentimentos.
Nunca nos deixa longe.
Distantes, no horizonte.
 
E quando a gente naufraga.
A amizade e o amor é a âncora.
Que nos apoia enquanto procuramos.
Um rumo novo, uma nova vida.
 
(09/07/2013)
Joaquim Rodrigues

"Chances" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ambiêntes"


O almoço é no jardim, à beira da piscina. Faz muito calor. As crianças aproveitam o dia na água, mergulhos, colchões, brincadeira; os adultos vigiam-nas. Sentada um pouco à parte, ela observa o ambiente, sentindo-se uma intrusa. É jovem, bonita, divorciada. Os homens casados rondam-na, cautelosos, conversam com ela, dispensam-lhe delicadezas sem exageros, vêm e vão, embora não faça nada para os incentivar. As suas mulheres concedem-lhe apenas uma atenção educada, de cerimónia, mas percebe que não gostam da sua presença, estão desconfiadas, sussurram ao longe, lançando olhares mal disfarçados na sua direção. Acham, talvez, que é um mau exemplo, pensa divertida, preferiam que não tivesse vindo.
Há pouco tempo, ainda casada, sentia-se perfeitamente nestes ambientes, casais, todos amigos, um dia bem passado. Mas, de repente, ela é a curiosidade dos homens, a ameaça das mulheres. O almoço decorre sem problemas, pensa, sorrindo para dentro, nenhuma atitude antipática, nenhuma frase agressiva. É apenas convenientemente ignorada pelas mulheres, quando as conversas se separam e eles embalam em considerações sobre as contratações futebolísticas para a nova época.
A dona da casa, sua amiga, convidou-a para que se distraísse, para a tirar de casa, disse-lhe, mas ela não se sente integrada no grupo, sente-se pouco à vontade, aborrecida e arrependida por ter vindo.

(Joaquim Rodrigues)
Por isso, fica só mais um bocado, depois do almoço, o tempo suficiente para não parecer mal, e vai-se embora. Ao fim da tarde, encontra-se com duas amigas na praia, também divorciadas. Bebem sangria numa esplanada com os pés na areia.
  - Onde estiveste? Perguntam-lhe.
  - Num almoço com o inimigo, responde-lhes, fazendo um esgar irónico.
Deixa-se cair numa cadeira, desembaraça-se das sandálias, suspira, pede um copo e conta-lhes o almoço. As amigas divertem-se com o relato que lhes faz, riem-se das outras com aberto desprezo. Dali a pouco, aparecem dois conhecidos das amigas e convidam-nos a sentar-se à mesa. Ela nota que usam aliança, nada que os impeça de ficar, evidentemente. Mais um jarro de sangria, conversa animada, jogo de sedução. Ela observa-os e lembra-se delas, ainda há minutos, a rirem-se das outras, as do almoço. Já se esqueceram, já estão noutra, mas, pensa, fossem estas casadas e a conversa seria diferente, tal e qual como as do almoço, que sussurravam, hostis, na sua direção. De modo que fica mais um pouco e depois despede-se e sai com um sorriso na cara, a pensar que aqueles quatro quase nem repararam que se foi embora.

  (06/07/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 6 de julho de 2013

"D, de Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Lágrimas"


(Joaquim Rodrigues)
Durante as nossas vidas.
Deixamos cair lágrimas.
Lágrimas de tristeza, de dor.
E até de alegria, quando sorrimos.
Mas quando a gente ama.
Esse amor que tens pelo outro.
Te alivia o coração.
E te seca qualquer lágrima.
Que queira molhar teu rosto.
E aí, não vai ter mais importância.
Ficar triste.
Teu coração iluminará teu caminho.
E serás feliz.
As lágrimas pouco importam.
Pois tu já derramas-te muitas.
Agora deu lugar só aos sorrisos.
Sorrisos que te iluminam com carinho.
Assim como o Sol ilumina o mar.
Por mais que a vida.
Nos dê, oportunidades e escolhas difíceis.
Sorri sempre, e as lágrimas secarão.
Como o sol seca as águas da chuva.
 
(02/07/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 2 de julho de 2013

"Significado da Vida" (HD) Joaquim Rodrigues


 

"Vem Comigo"


(Joaquim Rodrigues)
Vem comigo numa viagem sob a nossa pele.
Vem comigo numa viagem ao nosso interior.
Vamos olhar juntos.
Só paramos os dois.
Fecha os olhos vamos começar.
Respira lentamente.
Vamos começar juntos.
Vamos olhar só para nosso interior ok?.
Contigo eu sinto que o amor pode ser melhor.
Porque amo à minha maneira.
Á nossa maneira.
Ama-me com ternura.
É tudo o que temos de fazer.
E nos entregarmos um ao outro.
Tudo o que temos de fazer.
É rendermos.
Coloca o teu rosto aqui na janela.
Respira esta noite repleta de tesouros.
E sente como o vento é maravilhoso doce.
O vento selvagem com promessas de prazer.
Vê as estrelas, estão vivas.
Noites como estas.
Nasceram para serem santificadas por ti, e por mim.
Noites que nasceram para os amantes.
Para os ladrões.
Para os loucos e pretendentes.
Temos tudo isto para fazer os dois.
Tudo o que temos de fazer é nos entregarmos.
Anda, faz-me sentir emoção.
Tu dás-me esperança.
Obrigado pelos presentes vindos da alma.
Vem comigo nesta viagem ao nosso interior.
Hoje vamos juntos olhar só para dentro de nós.
Vem comigo, vem!
 
(28/06/2013)
Joaquim Rodrigues

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"Coração" (HD) Joaquim Rodrigues


"Histórias de Vida"


“O meu Pai tem uma amante. A minha Mãe tem outro.”

 - Mãe, o pai tem outra mulher?
- Ó Joana, que conversa é essa?
- Se tem outra mulher? O papá...
- Sim, eu percebi o que tu disseste. Mas onde é que foste buscar essa ideia? O que é que tu ouviste? Ouviste o teu pai a falar com alguém?
- Não, não ouvi.
- Então porque é que estás a perguntar isso? De onde é que isso vem agora?
- Não sei...
- Não sabes, não... Isso não é resposta... Conta lá à mãe. Anda cá, diz-me lá. Porque é que fizeste essa pergunta, diz lá à mamã.
- Os pais dos meus colegas na sala têm outras mulheres. O papá se calhar também tem.
- Ó filha, mas quem é que te contou isso? Foram os teus amigos? Foram? Se calhar não é bem assim... Olha, agora a mãe está com pressa e tu tens de ir para a escola, mas logo falamos disso. Está bem? Sabes que às vezes os crescidos deixam de namorar, e os pais e as mães resolvem separar-se, porque não estão felizes. Já falámos sobre isto, Joaninha. Não é nada do outro mundo.
- Sim, mãe, são os divorciados. Tenho amigos com pais divorciados. A mãe do Pedro é divorciada. E o pai dele também. E a mãe do João Maria. E a mãe. E o pai da Raquel...
- Então, sabes como é que isso funciona... Isso não quer dizer que deixem de gostar dos filhos... continuam a ser pais deles e a gostar muito deles...
- Ó mãe, estás a baralhar tudo. Esses são os divorciados. Eu estava a falar de amantes.
- Ó Joana? Mau! Mau Maria! Isso não é conversa para a tua idade.
- Eu já tenho 8 anos. Já sei falar de amantes.
- Mas eu não quero falar contigo sobre amantes. Tu sabes o que é uma amante, por acaso?
- Daaaahhh! Eu vejo televisão.
- Tu vês programas para a tua idade. Não vês programas com amantes.


- Ó mãe, eu tenho oito anos. Já sei o que é uma amante desde os sete.
- Mas tu não vês filmes. Nem sequer tens televisão no quarto.
- Isso é o que tu pensas.
- Tu tens uma televisão escondida no quarto, Joana?!
- Não. Eu vejo o que tu e o pai veem.
- Eu não vejo filmes com amantes.
- Eu já vi duas temporadas do Sexo e a Cidade...
- E por isso achas que o teu pai tem uma amante...
- Não. É porque o pai da Sara tem uma amante. E o da Filipa também.
- Mas quem é que te disse isso que o pai da Sara tem uma amante? E o da Filipa?
- Primeiro foi a Filipa. A Sara foi depois.
- Mas como é que elas sabem isso?
- A Filipa ouviu o pai a falar com a outra mulher. Chama-se Maria.
- E a Sara?
- A Sara ouviu a mãe a falar com a tia dela.
- E a mãe da Filipa sabe?
- Não sei. Mas eu sei. E o Pedro também. E a Raquel. E a professora Andreia também sabe.
- A professora Andreia?
- Sim, ela ouviu a Sara a contar.
- Vá, vamos embora. Mais logo falamos disto.
- Eu não me importo, se o pai tiver outra mulher.
- Joana, acabou a conversa. Ai... Ainda nos vamos chatear antes de tu ires para a escola
- Porquê? O que é que eu fiz?
- Porque eu sou tua mãe e estou-te a dizer para não dizeres disparates.
- Mas eu não estou a dizer nada de mal.
- Estás, estás. Estás a dizer asneiras. Era o que faltava, o teu pai ter uma amante.
- Se o pai tiver uma amante eu tenho mais presentes no Natal?
- Joana, não fales assim comigo.
- E tu, mãe? Tens algum amante?

 (01/07/2013)
Joaquim Rodrigues

"Loucura" (HD) Joaquim Rodrigues


 

"Pessoas"

(Joaquim Rodrigues)

Não existe amor à primeira vista.
O que existe é a pessoa certa.
No momento certo.
E tu por acaso estavas lá.

(01/07/2013) 
Joaquim Rodrigues

domingo, 30 de junho de 2013

"Mais" (HD) Joaquim ROdrigues


"Invisivel"




(Joaquim Rodrigues)


Eu gostava de ser invisível!
Assim entrava no teu quarto.
E no silêncio da noite.
Beijava teus lábios.
 
(Joaquim Rodrigues)

"A Questão" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Vestido Mágico"


De cabelo liso, esvoaçante, o nariz arrebitado e as pernas bronzeadas abaixo da saia, que lhe dá um pouco acima dos joelhos, é a sua imagem, que vê de relance, refletida no vidro de uma montra, ao passar por uma loja. Nota, um pouco irritada, aquele pneuzinho na base da barriga, que tanto a aflige quando se vê ao espelho antes do banho e que parece ser uma guerra perdida. Suspira, o que ela daria para recuperar a barriga lisa dos seus vintes anos. Detém-se frente à montra seguinte, observando-se atentamente, mais curiosa do que vaidosa, e conclui que poderia estar melhor. Enfim, sempre são trinta e nove anos, não se fazem milagres, pensa, mas não está satisfeita com o que vê.
No entanto, pergunta-se, o que lhe interessa, se está sozinha há tanto tempo e já não acredita que volte a apaixonar-se um dia. Teve um casamento tardio e desastroso, do qual só se salvou o filho adorado. De resto, não lhe sobram recordações capazes de a resgatar da memória amarga dessa época.
Um aceno insistente no interior da loja obriga-a a desfocar os olhos do vidro para se concentrar no homem sorridente que lhe faz sinal. Espantada, aponta para si própria com uma expressão de dúvida, como que perguntando se é para ela. O desconhecido faz que sim com a cabeça e convida-a a entrar. Aproxima-se da porta e espreita para dentro, aflorando um sorriso tímido.

(Joaquim Rodrigues)
  - Entre, entre, diz o homem.
  - Mas olhe que eu não quero comprar nada, replica ela.
  - Não faz mal, não precisa de pagar para ver.
Ela faz uma expressão engraçada, divertida com a audácia do homem, encolhe os ombros, entra. É uma loja de roupa de marca, um espaço encantador, repleto de peças bonitas. O homem revela-se um mestre de vendas, elogia-a educadamente, com tato. Ela dá consigo a pensar que já não compra nada bonito para si faz muito tempo.
Sai da loja com um saco na mão, sorridente, satisfeita. Comprou um vestido. O homem disse-lhe que era um vestido mágico, pois fazia maravilhas, e, de facto, sente-se bem mais animada e até decide ir ao cabeleireiro em vez de seguir diretamente para casa. À saída, pensa mais uma vez que não lhe apetece ir para casa, que é um desperdício, tendo em conta o corte de cabelo, as unhas arranjadas, o vestido novo.
Nem de propósito, toca o telemóvel, atende, é aquele amigo que já a fez sonhar, mas que nunca passou disso. Contudo, hoje não podia estar melhor preparada, e, quando ele a convida para jantar, ela aceita. E, então sim, põe-se a caminho de casa, para vestir o seu vestido mágico e, bem, depois se verá se realmente faz maravilhas.

(30/06/2013)
Joaquim Rodrigues