O meu blog: “histórias do coração” ele mostra a beleza e todas as maravilhas que existem em nossas vidas em todos nossos sentimentos tudo em forma encantadora de palavras que nos saem do meu coração, um coração que acredita na vida na felicidade de tudo que a vida nos reserva. O meu coração é um livro sobre o amor que vivem na minha alma. (Aqui encontramos poemas, música, e histórias da vida real) (Joaquim Rodrigues)
sábado, 18 de maio de 2013
"Hoje no Cinema"
Já não podes mais negar.
te deixas transparecer.
não queres mais continuar.
no cinema, deu para ver.
Sei, que sou difícil de lidar.
e muito te faço sofrer.
e muito te faço sofrer.
mas juro, nunca te quis magoar.
com medo de te perder.
com medo de te perder.
Eu sempre fui, e sou assim.
já me tentaram foi mudar.
tenho é este defeito em mim.
nasci assim, nasci para me dar.
Sinto é medo de ficar sozinho.
isso é que me faz refletir.
isso é que me faz refletir.
mas um coração com carinho.
tem sempre um caminho a seguir.
por amor, sempre quis tentar.
mas nunca mudar meu ser.
não gosto, te ver chorar.
no momento de te perder.
numa relação a dois.
a vida é para viver e amar.
se nada ficar para depois.
vale sempre a pena, continuar.
(17/05/2013)
a vida é para viver e amar.
se nada ficar para depois.
vale sempre a pena, continuar.
(17/05/2013)
Joaquim Rodrigues
quinta-feira, 16 de maio de 2013
"As Pontas do Cabelo"
- hmmmm, não sei. Não sei mesmo, o que é que tu tens de novo?
- Vá lá. Tenta. Já disseste algumas coisas contínuas.
- Os sapatos. São os sapatos. São? Esses sapatos são novos? Não tinhas já esses sapatos?
- Frio, muito frio. Já, já tinha estes. Até os comprei contigo. Já os tenho há uma data de tempo.
- Não sei então! A sério, não sei mesmo. Estou aqui há cinco minutos a dizer se é disto, se é daquilo, já estou a ficar um bocado sem juízo. Diz lá.
- Não digo. Repara tu. Não desistas. Tem mais graça assim. Faz um esforço.
- Já disse que não sei. Um esforço estou eu a fazer desde que cheguei.
- Não notas nada?
- Não, já disse que não noto nada.
- Não vês nada diferente em mim? Não há nada um bocadinho diferente?
- Mas tu estás a gozar comigo? Não, não noto nada diferente. já te disse. E começo a achar que sim, que estás a gozar comigo.
- Não, não estou a gozar contigo. Pensava é que ias reparar. É só isso.
- Pois, eu também pensava que ia reparar. Quando perguntaste se eu não tinha notado nada diferente em ti, até me senti mal por não ter dado conta. «É o costume», já sei que é o que tu vais dizer. Mas palavra que eu não consigo perceber o que é.
- Então faz um esforço, bolas! Esforça-te. Procura. Puxa pela cabeça. Olha para mim com olhos de ver. Se estou a perguntar-te é por alguma razão, não achas?
- Mas eu já olhei. Não faço outra coisa desde que perguntaste.
- Sabes o que é que eu acho? Que tu não reparas em mim. Agora a serio. Não reparas, pois não? Não olhas para mim, sequer. Vivo contigo há cinco anos, mas tu não olhas para mim. Eu podia ter o cabelo a arder, vestido de baiana, um macaco em cima do ombro, que tu não ias reparar. Nem sei bem se tu me conheces. A sério. Não faças essa cara, estou a falar a sério. Tu não me conheces.
- Oh, valham-me os santinhos. Para o que havíamos de estar fadados a esta hora da noite. São oito horas. Tenho fome. Vamos jantar. Não sei o que te deu nem de onde é que veio essa conversa. Não amues, vá lá.
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| (Joaquim Rodrigues) |
- Eu não estou a amuar. Estou só triste porque tu não reparaste. Nunca reparas em nada. Se não for eu a chamar-te a atenção, tu nem olhas para mim. - Mas reparar no quê? Reparar no quê? Já te perguntei se tinhas cortado o cabelo. Disseste que não. Não arranjaste os dentes. Não tens uns óculos novos. A tua cara está igual ao que estava hoje quando saí de casa. Esse casaco é o mesmo. Acho. Essas calças são as mesmas. Os sapatos, pelos vistos, também. Palavra de honra, não sei o que queres que eu note de diferente em ti. Não aumentaste de peso num dia. Não diminuíste de peso. Eu não sei o que possa ser. Só sei que estou com fome e estamos aqui há uma data de tempo porque tu estás a amuar.
- Já te disse que não estou a amuar. Olha, é o cinto. Estás contente? É o cinto?
- O cinto? Tu estás a fazer este escarfeu todo por causa da porra do cinto? Tu estavas à espera de que eu reparasse nisso? E ficaste assim porque eu não reparei num cinto?
- Eu estou-me nas tintas para o cinto. Quero é que tu repares em mim.
- Mas eu reparo em ti querido. Só não tenho muita pachorra quando tens esses ataques de diva e pareces uma gaja. A sério. As mulheres é que ficam assim quando os maridos não reparam que elas cortaram meio centímetro de cabelo porque tinham as pontas espigadas. Ou quando não veem que elas têm uma cor de Báton nova. Vá não amues,
- Não estou amuado.
- Então anda jantar.
- Não vou. Não tenho fome. Vou ficar aqui. De braços cruzados. Eu e o meu cinto novo. Aquele em que tu não reparaste.
(16/05/2013)
Joaquim Rodrigues
"O Amor e o Tempo"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Pela montanha alcantilada.
Todos quatro em alegre companhia.
O Amor, O Tempo, a minha Amada.
E eu, subia-mos um dia.
Da minha amada no gentil semblante.
Já se viam indícios de cansaço.
O amor passava-nos adiante.
E o tempo acelerava-nos o passo.
- Amor, amor! Mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira.
Não pode com certeza caminhar.
A minha, doce companheira!
De súbito, o amor e o tempo, combinados.
Abrem as asas trémulas ao vento.
- Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis? Neste momento?
Volta-se o amor e diz com azedume.
- Tende paciência, amigos, meus!
Eu sempre tive este costume.
De fugir com o tempo.
Adeus, adeus!
(16/05/2013)
Joaquim Rodrigues
terça-feira, 14 de maio de 2013
"Tormento de Amor"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Nada, me importa agora.
Tudo morreu para mim.
Não tenho dia nem hora.
Só uma tristeza sem-fim.
Meu amor por ti morreu.
E só agora é que vejo.
Como te amava Deus meu.
Era amor era desejo.
Não me quiseste lamento.
Tinha tanto para te dar.
E só recordo um tormento.
Tormento que já passou.
Mas que ainda me faz chorar.
Porque em mim nada ficou.
(14/05/2013)
Joaquim Rodrigues
domingo, 12 de maio de 2013
"Um Passado com História"
- Tens que começar a sair mais mãe.
- Não me apetece sair, responde-lhe, antes ia a todo o lado, mas era com o teu pai.
- Quem me dera ter um casamento como o vosso, desabafa a filha, a pensar no namorado que deixou há pouco.
- Ah, não julgues que foram só alegrias, diz ela. Antes de nos casarmos, estivemos dois anos sem nos vermos.
- A sério? Não sabia isso, diz a filha, espantada.
Ele era um jovem co-piloto no início da carreira e passava muito tempo a voar. Estavam apaixonados e já falavam em casamento, mas ela quase não o via, e acabaram por se separar. Dois anos mais tarde, ela está noiva e vai casar dali a uma semana. Quando se encontram num bar. Ela tem o anel de noivado no dedo e faz a despedida de solteira com um grupo de amigas. Os seus olhos cruzam-se e, nesse preciso momento, ela sente um impacto tremendo, como se o passado nunca tivesse passado realmente e ele estivesse ali porque lhe pertence, porque pertencem naturalmente um ao outro. Não consegue vê-lo de outra maneira. Ele aproxima-se, ela tem uns escassos segundos para se recompor, e ficam por uns momentos a conversar. Conta-lhe
- Vou-me casar, estou aqui nesta festinha com minhas amigas como despedida de solteira.
Nessa noite ela não dorme sossegada, não consegue conciliar o sono, enfim, não dorme de todo. De manhã batem à porta, ela vai abrir e ali está ele, à sua frente.
- Que fazes aqui? Pergunta-lhe, estupefacta.
- Não foi fácil dar contigo, afirma ele.
- Mudei-me há dois anos.
- Eu sei, também te procurei nessa altura e tinhas desaparecido.
- Eu nunca soube que me procuraras, pensei que tinhas desistido de mim, simplesmente.
- Nunca desisti de ti, diz ele, achei que tinha sido o contrário, que não me querias ver, e daí a tua mudança de casa.
Ela não sabe o que pensar, não sabe o que dizer nem o que fazer. Ele está ali, e ela vai casar-se com outro. Ele convida-a para almoçar e, sem que o tivessem planeado, passam o dia juntos, e os seguintes.
- De modo que casei na data prevista, mas com o teu pai, conta à filha. Foi terrível o que fiz ao outro, diz, parecendo ainda embaraçada com a situação, mas era o homem da minha vida e não podia desistir dele, nunca desisti, na realidade, só pensava que não o podia ter.
A filha, incrédula, emocionada, pensa na história da mãe, no namorado, na asneira que foi deixá-lo, e decide que tem de fazer algo rapidamente para não o perder de vez.
(12/05/2013)
Joaquim Rodrigues
sexta-feira, 10 de maio de 2013
"A Luz dos meus Olhos"
Senta-te aqui a meu lado, amor!
Gostas que te conte segredos?
Sempre que eu penso em ti.
Tenho a sensação, de ver teus olhos.
Eles olham para mim, e têm um sorriso lindo.
Me faz lembrar sempre, esta paisagem.
E me dá paz, só de lembrar esse teu olhar.
A luz que vejo é do pôr-do-sol, no horizonte.
E no seu interior um mundo cheio de amor.
Um sorriso belo! Deslumbrante, que me seduz.
Que revela uma alegria provocante.
É a primeira coisa que vejo todos os dias.
Tu és tão linda, e me faz sorrir meu coração.
Que tenho pensado, que só pode ser amor!
(10/05/2013)
Joaquim Rodrigues
"Falar de Amor"
Numa manhã cinzenta desta semana, vi um velhote com um ramo de cinco túlipas vermelhas na mão, e me fez ficar curioso! Quando o vi, eu tinha acabado de abrir minha janela pela manhã.
O velhote ia com o ramo empinado na mão, reparei que nem a sua posição, nem o seu rosto denotavam qualquer informação que pudesse dar a entender a curiosidade que existe em mim. Fiquei curioso, porque ainda meio adormecido, eu queria era saber para quem ele levava o ramo das tulipas vermelhas. Naquele momento não deixei de pensar!
“Um dia, quando eu tiver a idade dele, e já estiver demasiado antiquado. Se esta cena se passar comigo nessa altura, prometo Joaquim, tu vais-te sentir muito feliz! Porque um velhinho na rua com flores na mão, e depois de sair do seu carro, tem sempre história garantida, e tem história daquelas que deveriam estar nos nossos murais todos os dias, e não estão! Por falta de tempo, por inércia, porque deixamos de nos importar com as coisas pequenas da vida. Fossem as túlipas para uma amante tardia, ou para uma mulher precocemente falecida, ali havia uma história com toda certeza!"
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| (Joaquim Rodrigues) |
E eu sabia que ali havia mais do que uma simples história. Havia uma história à qual eu poderia acrescentar algum mural nela, espécie de fábula que nos ajudam a explicar o mundo real com base em moralidades e supostos, que todos nós conhecemos.
Aquele homem ia levar flores a alguém, sem que isso tivesse sido obrigado pelo calendário que é o dia dos namorados. Antecipou-se, até! A sua agenda era diferente da economia e do comércio mundial.
A sua idade, a sua experiencia, o facto de ser do tempo em que não havia dia de S. Valentim a leste do seu mundo cultural! Tudo isso, e muito mais poderia estar na origem da sua decisão de comprar flores num dia qualquer.
E isso para mim, dava um bom final para a minha história de amor! Como me dá um bom argumento para este meu texto em que me obrigou a falar do meu futuro. E a sonhar que ainda aí serei muito feliz, caminhando na rua com um ramo de túlipas vermelhas na mão.
O romantismo de que estamos todos necessitados, não pode vir só em dias como aquele que está marcado no calendário para se namorar, como aquele velhinho o fez! Afinal, nunca foi proibido, falar de amor, todos os dias!
(09/05/2013)
Joaquim Rodrigues
quinta-feira, 9 de maio de 2013
"Até Já"
Sinto os meus pés cansados.
Minha mente leva-me ao alto.
Ao pico da montanha.
Esse sim é o meu objetivo.
É onde eu quero chegar.
Onde eu preciso chegar.
Quero me sentir e me esquecer.
De todo o fardo, que tem a cara do mundo.
De todo o fardo, que tem a cara do mundo.
Meu corpo se curva a cada passo meu.
E ficam pelo caminho, as sementes.
Do que não quero.
Eu seleciono tudo.
E a espaços sinto sede de ti.
Mas tu ficaste pelo caminho.
Agora há um lugar vazio.
Para quem chegar.
Mas neste momento.
Chegar ao alto da montanha.
É o meu objetivo, só pergunto.
Como serei eu, lá no alto?
Eh! Ainda não sei.
Talvez na descida, eu veja.
Que tudo afinal está melhor.
Agora o objetivo, é lá chegar ao cimo.
Então! Até já?
(09/05/2013)
Joaquim Rodrigues.
"Obrigado"
A todos os invejosos, o meu
muito obrigado!
A todos eles, fico
agradecido por terem cuidado
Da minha vida.
E por me ajudarem a ver, o
valor da sua amizade.
Enquanto eles perdiam o seu
tempo.
Eu resolvia os meus
problemas.
E ia, me sentindo, muito
feliz.
Só me resta agradecer,
obrigado!
Porque perderam tempo e
paciência.
E me deixarem muito mais
forte.
Também lhes agradeço!
Obrigado, por me ensinarem.
A ignorar quem não presta!
Joaquim Rodrigues
"O Último Romãntico"
Ana tem 55 anos e o Carlos 57! Eles namoraram, na adolescência, e depois terminaram tudo. Casaram com outras pessoas, fizeram as suas vidas, tiveram filhos.
Mas, por força do destino, por coincidência ou simplesmente porque sim!
«Eu prefiro a versão do destino», um dia voltaram a encontrar-se. Eles mal se viram! Logo se aproximaram um do outro, e deram um abraço demorado e tudo deixou de se mover naquele momento, e só passado alguns segundos, notaram que daquele abraço eles os dois já estavam a precisar desde à trinta e muitos anos. Como se o mundo tivesse ficado, assim, congelado, trinta anos à espera deste reencontro. Ana ainda trazia ao pescoço uma medalha que Carlos lhe tinha destinado, há trinta anos, para o Dia de São Valentim.
Começaram a viver juntos no final do ano passado, e um dia destes casam. Aquele sonho com que faz o Carlos ser um homem romântico está quase acontecer! Esperou três décadas, mas brevemente vai concretizar-se. O de Ana já passou à prática. Foi lindo os ver recordar, o tempo da adolescência! A Ana contou.
- Sabes, ainda uso esta medalha que trago ao pescoço em forma de colar, sempre a estimei durante estas décadas, senti sempre que esta medalha me fazia recordar o primeiro beijo, a primeira discussão como só os adultos o faziam. nesta medalha está cá tudo.
Ele sorrindo feliz por Ana ainda ter a medalha que ele se lembra muito bem lhe ter oferecido, diz.
- Lembro-me quando tu te metes-te comigo, lembra ele.
Ana abana a cabeça.
- «Não, não, não, nada disso, tu sim!
- Uma vez eu estava a jogar flippers e tu começaste a dar-me empurrões, uns toques, uns pontapés, responde ele.
Ana arqueia o sobrolho, e nega tal coisa, respondendo.
- Tu é que não paravas de me fazer olhinhos, e atiravas larachas para me provocar.
Não importa. O que interessa para o caso é que, quando ela tinha 14 anos e ele 16, em Agosto de 70, começaram um namorico, muito amaldiçoado por uma fação da família dela, que não queria ver a filha namorar um rapaz lá da terra.
- Os meus pais achavam que eu era muito nova, mas sobretudo odiavam o falatório. E além disso creio que o meu pai sentia que uma relação com um rapaz da terra era um recuar nos planos que ele tinha para mim. Ele queria mais para a filha como todos os pais. Mas lembro-me muito bem que apesar da idade, tu fos-te para mim o homem mais romântico que eu um dia namorei, e ao longo do tempo quando eu ouvia falar de romantismo logo me lembrava de ti, diz ela no seu jeito. Mas quando eu tive que ter a difícil tarefa de te informar que meus pais não concordavam com nada daquilo? Nem emaginas, sempre me escapou uma lágrima por me lembrar tudo isso! Então uso esta medalha que tu um dia me deste, porque sempre a amei muito.
Ele abraçou-a e lhe deu um beijo carinhoso na testa, e tapando-lhe com mão a boca, respondeu.
- Pronto amor, não digas mais nada, isso foi à trinta anos.
(08/05/2013)
Joaquim Rodrigues
«Eu prefiro a versão do destino», um dia voltaram a encontrar-se. Eles mal se viram! Logo se aproximaram um do outro, e deram um abraço demorado e tudo deixou de se mover naquele momento, e só passado alguns segundos, notaram que daquele abraço eles os dois já estavam a precisar desde à trinta e muitos anos. Como se o mundo tivesse ficado, assim, congelado, trinta anos à espera deste reencontro. Ana ainda trazia ao pescoço uma medalha que Carlos lhe tinha destinado, há trinta anos, para o Dia de São Valentim.
Começaram a viver juntos no final do ano passado, e um dia destes casam. Aquele sonho com que faz o Carlos ser um homem romântico está quase acontecer! Esperou três décadas, mas brevemente vai concretizar-se. O de Ana já passou à prática. Foi lindo os ver recordar, o tempo da adolescência! A Ana contou.
- Sabes, ainda uso esta medalha que trago ao pescoço em forma de colar, sempre a estimei durante estas décadas, senti sempre que esta medalha me fazia recordar o primeiro beijo, a primeira discussão como só os adultos o faziam. nesta medalha está cá tudo.
Ele sorrindo feliz por Ana ainda ter a medalha que ele se lembra muito bem lhe ter oferecido, diz.
- Lembro-me quando tu te metes-te comigo, lembra ele.
Ana abana a cabeça.
- «Não, não, não, nada disso, tu sim!
- Uma vez eu estava a jogar flippers e tu começaste a dar-me empurrões, uns toques, uns pontapés, responde ele.
Ana arqueia o sobrolho, e nega tal coisa, respondendo.
- Tu é que não paravas de me fazer olhinhos, e atiravas larachas para me provocar.
Não importa. O que interessa para o caso é que, quando ela tinha 14 anos e ele 16, em Agosto de 70, começaram um namorico, muito amaldiçoado por uma fação da família dela, que não queria ver a filha namorar um rapaz lá da terra.
- Os meus pais achavam que eu era muito nova, mas sobretudo odiavam o falatório. E além disso creio que o meu pai sentia que uma relação com um rapaz da terra era um recuar nos planos que ele tinha para mim. Ele queria mais para a filha como todos os pais. Mas lembro-me muito bem que apesar da idade, tu fos-te para mim o homem mais romântico que eu um dia namorei, e ao longo do tempo quando eu ouvia falar de romantismo logo me lembrava de ti, diz ela no seu jeito. Mas quando eu tive que ter a difícil tarefa de te informar que meus pais não concordavam com nada daquilo? Nem emaginas, sempre me escapou uma lágrima por me lembrar tudo isso! Então uso esta medalha que tu um dia me deste, porque sempre a amei muito.
Ele abraçou-a e lhe deu um beijo carinhoso na testa, e tapando-lhe com mão a boca, respondeu.
- Pronto amor, não digas mais nada, isso foi à trinta anos.
(08/05/2013)
Joaquim Rodrigues
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