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terça-feira, 16 de abril de 2013

"Esta Noite" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Minha Cruz"


Eu já conheci a felicidade.
Não me lembro é de ser feliz.
Já me acusaram de maldade.
E nunca soube, o mal que eu fiz.
 
Já fui traído mas não sabia.
Aguentei muito sem querer.
Caminhei na vida como podia.
Meus olhos não queriam ver.
 
Nunca quis aceitar a derrota.
Por não querer cair no chão.
Caminhei numa estrada torta.
Com a esperança no coração.
 
Mas carregando a minha cruz.
Fui há igreja de cabeça perdida.
E contei tudo mas tudo, a Jesus.
Todos os retalhos da minha vida.
 
Ainda não sei o que aconteceu.
E como a história chegou ao fim.
Só lembro, que alguém apareceu.
Me olhou, se sentou, junto a mim.
 
Foi um fato bom, mas do passado.
Que tenho hoje, como recordação.
Não paro de pensar, foi colocado.
Muito amor, em meu coração.
 
(16/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Desvaneios" (HD) Joaquim Rodrigues


segunda-feira, 15 de abril de 2013

"A Criança"


Minha querida, sabes o que eu gostava de fazer hoje contigo? Gostava de brincar contigo, no meio da rua, só nós os dois tu e eu!
Assim os dois, rebolávamos no chão agarradinho, um no outro. Eu gostava tanto amor! De brincar contigo hoje!
Gostava de rir, rir muito, me divertir, e te ver divertida também. Sabes? Fazia-mos cócegas um no outro, como duas crianças. E deitados no meio da rua, nós podíamos contar as estrelas. Tu gostas tanto de contar estrelas à noite!
Ficávamos agarradinhos um no outro, até o nascer do dia. Assim, os dois sozinhos podíamos dar muitos beijinhos. E até fazer tudo aquilo que nos apetecesse fazer.
Nosso amor já tem idade, e é verdadeiro, mas o que tem isso? A gente nunca tem hora para nada. Nem para dormir.
Vem meu amor, vem brincar comigo na rua hoje. Podemos saltar correr de mãos dadas, e não tenhas medo! Eu te protejo, se sentires medo, eu te dou a minha mão. Podes confiar em mim! Eu nunca te vou deixar cair.
 

Eu amo me sentir como uma criança, a teu lado. Te abraçar, quero correr, saltar e me sentir novamente um adolescente, e ficar contigo até o dia raiar. E se tu fores uma criança como eu. Eu te vou dar três beijinhos. E de seguida um beijo de cinema. Queres?
Vem amor, vem comigo rebolar hoje na rua. Gosto tanto de te ver sorrir, me faz sentir tão feliz. Mas nada acontece sem ti, tu sabes disso!
Quando tu pegares na minha mão. Vamos ser como dois namoradinhos de escola. Só que agora é verdadeiro é real, este amor!
E a minha felicidade, não é imaginária. Nós podemos até dividir nossos sonhos, e planos para o futuro. Porque a nossa idade sempre vai ser a mesma. Nosso amor nunca ficará velho, o meu amor por ti.
Vai ser um amor de criança e para sempre. E eu, não precisarei de fechar os olhos para imaginar. E de cada vez que eu os abrir, vai ser um novo dia para te amar.
Um dia de duas crianças que se amam, e desejam ser felizes! Vem querida, vem comigo bricar na rua.

(09/04/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 14 de abril de 2013

"My Love" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Rapariga Estranha"


“A tua fraqueza será a tua força, pensa ela, repetindo esta ideia na cabeça até à exaustão, como uma lengalenga”.
Quanto mais a olham de lado, pior ela faz. É a rapariga estranha da escola, a que se veste de preto, a que pinta o cabelo de vermelho, a que tem piercings e usa botas de cano alto com saias de xadrez. As colegas fazem troça dela, mas não à frente, pois têm medo das suas atitudes intempestivas. É o bicho raro da escola, incompreendida, de resposta fácil, torcida. Mas há um rapaz que gosta dela, mas repele-o por insegurança, não obstante ser o preferido das raparigas. Ainda assim, não se livra da inveja das outras.
Está sentada à secretária no seu gabinete com uma janela panorâmica para a cidade atrás de si. É bonita, elegante e é advogada mais competente do escritório. À sua frente senta-se o cliente, um empresário. Tem a mesma idade que ela e é igualmente bem-parecido. Alguns dias mais tarde têm um almoço de trabalho. Tratam-se com cerimónia, não obstante ser óbvio o entusiasmo dele. Pode ser a sua advogada, mas é difícil esconder o fascínio que exerce nele.
O empregado serve-lhes vinho, ela baixa os olhos para o copo, ele observa-a e tem a sensação de a conhecer desde sempre, o que, evidentemente, é impossível, pois seria difícil esquecer-se de uma mulher tão bonita. E no entanto ela não deixa de lhe ser familiar. É uma mulher determinada, que não se intimida facilmente e está à-vontade em ambientes sofisticados.
No final do almoço contínua perplexo com aquela estranha impressão de já a conhecer, e acaba por lhe dizer.
  - Posso-te confessar um segredo?


Ela dá uma gargalhada, como quem já estivesse, à espera da pergunta dele, e pergunta-lhe.
 - Desde quando tens segredos com a tua advogada? Claro conta lá o teu segredinho, mas pensa primeiro, olha que vai deixar de ser segredo, conta lá fiquei curiosa.
 - Desde que te vi pela primeira vez no teu escritório, fiquei com a sensação que te conheço diz ele. Ela confessa que se lembra dele, embora não lhe tivesse dito antes.
 - Fomos colegas na escola.
- Fomos? Estranho, não me lembro nada.
- Eu era aquela do cabelo vermelho.
- Ah! Não é possível!
Ela ri-se, ele está incrédulo, impressionado com o que ela mudou.
- Foram quinze anos, comenta ela.
- É verdade, diz, mas foi uma grande transformação.
Ela abre os braços, sorri com graça.
Ele tem um apartamento espaçoso e confortável. Acorda muito cedo e fica a vê-la a dormir, tranquila. Passaram-se dois meses, mas ainda se espanta com o regresso dela à sua vida. A paixão que tinha por esta mulher ficara-lhe para sempre como uma daquelas memórias indeléveis da juventude. E agora ali está ela, na sua cama. Ela abre os olhos, surpreende-o a observá-la, sorri deleitada, e diz
- Bom-dia.
Ele beija-a e abraça-a, quase como se precisasse de lhe tocar para ter a certeza de que é real, que está mesmo ali, abana a cabeça sem palavras.
- Que foi? Pergunta ela.
- Nada, diz ele, encolhendo os ombros, “nada, pensa,” foi só um milagre.

(14/04/2013)
Joaquim Rodrigues

sábado, 13 de abril de 2013

"Luxuria" (HD) Joaquim Rodrigues


"Corpo de Mulher"


Como quem sai sem rumo prá viagem.
Eu Juro beijar teu corpo sem descanso
Vou-te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço.

Luzes ao norte, tuas pernas são estradas
Beijo teus pés, me perco entre teus dedos.
Onde meus lábios correm as madrugadas
Pra de manhã chegar aos teus segredos.

Me perco entre teus montes, vales escondidos.
Como em teus bosques. E bebo nos teus rios.
Faço fogueiras, choro, canto e danço.

Línguas de lua varrem tua nuca.
Línguas de sol percorrem tuas ruas.
Juro beijar teu corpo sem descanso.

(21/02/2013
Joaquim Rodrigues.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Maeva" (HD) Joaquim Rodrigues


"Dez dias de Amor"


Ela vem a Portugal pela primeira vez em muitos anos de sua vida. Chega de avião o transporte possível de cá chegar, trazendo a reboque uma mala de rodinhas. Está de férias e decidiu tirar uns dias sozinha na cidade do Porto, onde não conhece ninguém. Vai ficar uma semana num pequeno e agradável hotel para os lados de Matosinhos uma pequena cidade um pouco mais a norte da cidade do Porto a cidade que ela vem visitar.
Entra no hotel, vai ver o quarto, deixa a mala e volta a sair sem demora, excitada com a perspetiva de aproveitar o resto da tarde. Vai vagueando por Matosinhos, a reparar nos turistas que andam por ali com a maravilhosa sensação de ser também como uma estrangeira numa terra estranha. Mete por uma ruazinha estreita e, chegando ao fim, dá com um café de especto acolhedor. Como tem fome e quer refugiar-se do calor, entra e senta-se a uma mesa. O empregado que vem atendê-la fala-lhe em inglês. Ela solta uma risadinha e pergunta-lhe com o seu sotaque do Brasil.
- O que o levou a pensar que fosse estrangeira?
- Ele coça a sua cabeleira já rara, desgrenhada, ligeiramente embaraçado. Ela com cabelo bem tratado ligeiramente castanho claro, olhos castanhos, ar um pouco perdido e sem pressa.
- Achei que era, explica-se, peço desculpa.
Ela ri-se, divertida com a situação.
- Não faz mal, diz ela.
  - Não é estrangeira mas é de fora, nota ele.
- Sim, é verdade, sou Brasileira, vivo no estado Rio Grande do Sul.
- Pois, já tinha reparado no sotaque.


(Joaquim Rodrigues)
Ele vai voltando à mesa dela, para saber se precisa de alguma coisa, para fazer conversa. Ela acha-lhe graça e responde-lhe com gosto. É um homem entroncado, descontraído, veste jeans e t-shirt, tem uma alegria natural que a entusiasma. À saída, vai abrir-lhe a porta e pergunta-lhe se tenciona voltar.  - Talvez, responde ela, enigmática.
Despede-se, volta ao calor excessivo que ainda faz ao fim da tarde. Mas nos dias seguintes regressa sempre para tomar o pequeno-almoço e ele lá está para a servir, maravilhado por tornar a vê-la. Ela fica a saber que está ali a trabalhar porque tinha ficado desempregado, mas que contava ser por pouco tempo, já tinha em vista algo melhor, e como a vida continua tem que ser, e trabalha ali para pagar os custos de uma casa onde ele vive, fica a saber outras coisas dele. Passam juntos todas as noites, no quarto dela.
Ao fim de o 10º dia, ele leva-a ao avião, e depois de a beijar com paixão ajuda-a a subir com a mala e só volta com a partida deste já em movimento. Regressa a casa com um sorriso triste, já com saudades. Três meses depois ainda sente a mesma azia no fundo do seu estômago, a mesma que sentiu ao ver aquela mulher que o amou com o máximo carinho partir, ele quando se lembra disto deixa sempre cair uma lágrima.
Ela passada alguns meses talvez porque não aguentasse voltou! Entra no café mas não o vê, pergunta por ele a uma empregada. Fica a saber que se despediu e não deixou nenhum contacto. O número de telefone que ele lhe deu já não funciona, procurou-o no Facebook e não o encontrou. De modo que sai do café desconsolada e, após alguns dias a procurá-lo pelos lugares em que andaram, volta ao Brasil com uma desilusão.
Nunca mais saberá nada dele, nunca mais voltará a vê-lo, mas ficará sempre com a melancólica recordação daquele amor de 10 dias.

(10/06/2012)
Rodrigues Joaquim:

"Na Cabana" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Rio"


"Meu Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Rosa"


"Importante é você Comigo" (HD) Joaquim Rodrigues


"Trinta dias, Trinta Anos"


Conhecem-se no comboio, algures entre Portugal e França. Ela vai para Paris, ele para Berlim. Têm ambos vinte e poucos anos e viajam sozinhos. Vêem-se pela primeira vez quando se sentam frente a frente numa carruagem de passagem por Espanha. Ele surpreende-a a espreitar por cima do livro que tem nas suas mãos, interessada na capa do livro que ele lê. Sorri-lhe.
- Já leste este? Pergunta-lhe.
- Não, responde ela, é bom?
- Para dizer a verdade, não estou a adorar.
- E o teu? Ela encolhe os ombros.
- Eh ! Já li melhor.
E é o início de uma longa conversa que lhes permite conhecerem-se melhor. Vão assim, por aquelas horas todas, na companhia um do outro, sempre a falar, sem darem pelo tempo a passar.
Chegados a Paris, despedem-se com a sensação de terem uma ligação, como se se conhecessem há muito mais do que aquelas escassas horas no comboio. Mas antes, ele propõe-lhe trocarem de livros.
- Lês o meu e eu leio o teu, depois digo-te o que achei, e tu fazes o mesmo.
- Combinado, - concorda ela.
(Joaquim Rodrigues)
Ele lê o livro dela durante o resto da viagem. Ela faz o mesmo em Paris. Em breve estão de novo em contacto telefonico, a propósito dos livros, ou tendo estes como desculpa para voltarem a falar, pois ficou-lhes uma enorme vontade de se juntarem outra vez. Atravessam a semana seguinte em permanente contacto, falando ao telefone, dizendo onde estão, o que fazem, o que pensam das coisas que vêm ou experimentam.
Por fim, não resistindo à distância que os separa, acabam por combinar um encontro em Estrasburgo, a meio caminho entre Paris e Berlim. Cada um deverá tomar o seu comboio em direção à cidade francesa, junto à fronteira com a Alemanha.
Passaram-se trinta anos. Ele está na estação em Estrasburgo quando ela chega. Abraçam-se. Falam em inglês, porque ela não sabe alemão e ele não sabe francês. Ela repara que ele agora tem o cabelo todo branco, mas de resto continua o mesmo. Também ela tem umas rugas mais, mas reconhece-lhe o mesmo sorriso juvenil de antigamente. Já lá vão tantos anos e hoje deixaram as suas famílias por vinte e quatro horas, para se reverem.
Recentemente, descobriram-se por sorte no Facebook e mantiveram o contacto, sempre que podem, corem para o Facebook para matar aquela saudade que os vai roendo por dentro.
Mas agora sentam-se num café, abanam a cabeça com um sorriso desconcertado e pensam como poderiam ter sido diferentes as suas vidas se tivessem chegado a reencontrar-se naquela época. Tinham combinado regressar a Estrasburgo trinta dias mais tarde, mas afinal, por motivos distantes que hoje lhes parecem menores, embora determinantes na altura, só o fizeram trinta anos depois.

(12/03/2013)
Joaquim Rodrigues

"Calma de Rosas" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ingénua Felina"

(Joaquim Rodrigues)

Amo o teu olhar cor de mel.
Esse teu sorriso de felina.
Conheço tua alma teu fel.
Essa tua paixão assassina.
 
No teu coração de papel.
És uma ingénua menina.
Pintas o amor com pincel.
Nessa tua vida libertina.
 
Tu guardas nas tuas entranhas.
Todos os desejos mais puros.
E na essência das manhas.
 
Tu seduzes os imaturos.
Que caiam em tuas manhas.
Nesses momentos obscuros.
 
(12/04/2013)
Joaquim Rodrigues

"Será?" (HD) Joaquim Rodrigues


"Tão Forte e tão Frágil"


Normalmente, ela é muito senhor de si, muito segura. Bem, pelo menos é a imagem que as pessoas têm de si, que ela própria projeta. Mas por vezes perde a confiança subitamente e então fica deprimida, quase assustada. Basta uma palavra errada que lhe digam, uma crítica maldosa, e fica infeliz para o resto do dia. É difícil de explicar esse seu sentimento, ela mesma não consegue arranjar uma explicação muito racional. Sabe o que o desencadeia, mas não sabe porque é tão forte, porque uma simples frase negativa de alguém a seu respeito tem o poder de a desmoralizar.
Habitualmente, reage como as pessoas esperam que reaja, mal, responde mal, agressiva. Mas só ela sabe como essa reação dura, que procura anular quem a põe em xeque, é afinal uma fraqueza. As pessoas retraem-se quando lhes fala assim, levanta a voz, disparata, no entanto, depois não é capaz de esquecer, fica a empreender no que aconteceu, no que lhe disseram, no que disse. Nessas alturas sente-se muito frágil, olha em redor no trabalho e tem a sensação de que todos os colegas estão com um pensamento crítico sobre ela, não obstante cada um estar na sua vida, ocupado com o seu trabalho.

(Joaquim Rodrigues)
Hoje é um desses dias e, quando sai do emprego, caminha pela rua com as pernas a tremer. Sente-se insegura e ocorre-lhe a ideia absurda de que um destes dias pode quebrar-se algo dentro de si, na sua cabeça, e nunca mais conseguir ter controlo sobre os pensamentos, sobre as emoções, tornar-se definitivamente incoerente. Pergunta-se se será isso a loucura, se todas as pessoas sentem o mesmo, se anda o mundo inteiro à beira da loucura mas, tal como ela, esconde esse medo dos outros.
Vai na rua, passa defronte de uma montra, vê-se de relance, pára, volta-se para o vidro fingindo-se interessada nos artigos da loja. Fica ali uns instantes a observar-se. A imagem que o vidro reflete não é a pessoa que está ali. A pessoa que ela vê é bonita, vestida de um modo atraente, quase ousado, de saia curta, desinibida, como que andando pela vida sem uma preocupação.
Chega a casa, tranca a porta, prepara um chá e vai enroscar-se no sofá, sentindo-se fraca e irritada. Pensa que lhe falta alguém que a abrace nestas alturas, oferecendo-lhe a certeza do refúgio seguro que a liberte de todos os medos.
No entanto, recebe uma mensagem no telemóvel, um convite para jantar. Suspira. Ele é a pessoa certa no momento certo. E decide que chega de sentir pena de si própria e, já mais animada, responde-lhe que sim, com uma esperança de que a noite lhe salve o dia.
“Mulher, pensa nisso por favor, a tua vida não depende só de um dia, mesmo que esse dia não seja muito bom, logo a felicidade chega via mensagem.

(12/04/2013)
Rodrigues Joaquim: