(Joaquim Rodrigues)
O meu blog: “histórias do coração” ele mostra a beleza e todas as maravilhas que existem em nossas vidas em todos nossos sentimentos tudo em forma encantadora de palavras que nos saem do meu coração, um coração que acredita na vida na felicidade de tudo que a vida nos reserva. O meu coração é um livro sobre o amor que vivem na minha alma. (Aqui encontramos poemas, música, e histórias da vida real) (Joaquim Rodrigues)
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
"Final Feliz"
Muito se escreveu depois sobre aquele velho homem que vinha a subir vagarosamente a rua com um passo inseguro e, todavia, determinado. Por mais do que uma vez teve de se deter, ganhar fôlego, retomar a marcha, seguindo em frente pelo passeio estreito. A subida, um pouco inclinada, para ele, era como uma escalada vertiginosa. Ainda assim, não vacilou na vontade de chegar ao seu destino, persistente, confiante de que o esforçou valia a pena.
Via-se que era um homem elegante, alto, enxuto, exuberante, vestido com esmero, mesmo se envergando um fato de corte antiquado, de colete cuidadosamente abotoado. Usava uma camisa branca, uma gravata clara com o nó grosso corretamente apertado, e não descurara o pormenor do lenço perfumado ao peito, no bolso do casaco. Era, em suma, um homem orgulhoso com uma vida longa, de muitas conquistas. Mais tarde, apurou-se que teria pouco mais de oitenta anos e, apesar do desfecho ingrato dessa caminhada matinal, encontrava-se em boa forma.
Chegou a meio da rua, virou a esquina, seguiu a direito ao longo do muro alto que entrava por um jardim que havia ao fundo, formando um vasto canto verdejante e fresco de árvores frondosas e caminhos calcetados, delimitados por largos espaços de relva viçosa, bem aparada. O velho homem foi em busca de um banco público nesse jardim agradável e abrigado do burburinho inquietante do trânsito das primeiras horas, que agitava a rua do colégio que ele demorara muito a subir. Sentou-se, enfim, extenuado, no banco de madeira. Pescou do bolso do colete um relógio de ouro preso a uma corrente, abriu a tampa com dedos trémulos, consultou com espanto a hora exata a que o seu coração exausto parou, definitivamente.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Estranhamente, constatou-se que não trazia documentos e não foi possível identificá-lo. A sua fotografia saiu nos jornais dos dias seguintes e o país inquietou-se com o mistério do ancião elegante que ninguém conhecia, até acabar esquecido sem uma resolução satisfatória. Não se inteirou quem era ele nem o seu propósito nessa derradeira manhã.
Mas se houvesse forma de descobrir o que o levara ali, ficar-se-ia a saber que ia ao encontro da mulher que amara mais do que todas. Um dia, essa mulher especial prometera encontrar-se com ele naquele jardim, mas não aparecera. Contudo, por alguma razão insondável, ele imaginara que ela viria naquela manhã e que ficariam, enfim, juntos por muitos e muitos anos. Na verdade, morreu feliz, convencido de que ela estava a chegar.
(30/11/2013)
(Joaquim Rodrigues)
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
"Sou um Convencido"
Todas as coisas boas, como o amor e a sabedoria, nunca trazem a felicidade pela simples razão que as coisas boas têm, para ser boas, de ser «boas por si mesmas». Não podem ser boas por aquilo que trazem. Pelo contrário, têm um preço. O mais das vezes, o preço do amor e da sabedoria, ambos artigos finos, artigos de luxo, coisas boas, é a infelicidade.
Quando gente ama, ou quando se estuda muito, ficamos sujeito às vontades e às verdades mais alheias. Nada depende de nós ou quase nada. E sofremos. Irritamos as pessoas que esperam que o amor traga a felicidade. É como esperar que os morangos tragam as natas. O amor não é um meio para atingir um fim. Não é através do amor que se chega à felicidade. O amor é um exagerador, exagera os êxtases e as agonias, torna tudo o que não lhe diz respeito (como o mundo inteiro) numa coisa pequenina. Assim como a arte tem de ser pela arte e a ciência pela ciência (seria um horror ouvir alguém dizer.
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| (Joaquim Rodrigues) |
O amor tem de ser só pelo amor. Custe o que custar. Ora, o amor é uma coisa rara. Para se ser feliz, é preciso ser-se um pouco cegueta. Entre as coisas que as pessoas miseráveis, normais, estão sempre a chamar às pessoas felizes, há, ingénua, lírica, naïf, boazinha. Aquela de que gosto mais.
- É, vives noutro mundo?
Haverá coisa melhor do que viver noutro mundo, para quem conheça minimamente este?
Não acreditar que alguém nos queira fazer mal é um sinal seguro de felicidade. Quem é mesmo feliz é a pessoa que pensa.
- “No fundo, até os meus inimigos gostam um bocadinho de mim” É por isso que as pessoas felizes são sempre bastante convencidas como eu o sou.
(Joaquim Rodrigues)
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
"Na Feira da Vida"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Na feira da vida eu fiquei sentido.
Vi uma linda boneca.
E por tal boneca.
Eu ando perdido.
Queria-a só para mim.
Pois era muito bonita.
Bonita, bonita.
Nunca vi outra assim!
E uma casinha.
Para viver com ela.
Para viver para ela.
Fosse sua e minha!
Com jardins e flores.
Com as flores mais belas.
Que coisas tão belas.
Elas e os amores.
Foi bom meu Senhor.
Pois fez-me feliz.
E um dia feliz.
Deu-me aquele amor.
E também me deu.
O senhor a casa.
Uma linda casa.
Para o sonho meu.
24/11/2013
(Joaquim Rodrigues)
domingo, 24 de novembro de 2013
(O Mar)
| (Joaquim Rodrigues) |
Oh mar.
Eu respeito a tua imensidão.
A tua beleza, o teu mistério.
Que tanto nos tira, ou nos pode dar.
Observo-te, com respeito, te levo a sério.
Calmo ou agitado tu és um companheiro.
Nos dias de solidão, te amo oh! Mar.
Entro em ti, e vou longe num vapor.
Quer- te conhecer melhor ele me vai levar.
Á tua imensidão, ao mistério deste amor.
Quero-te sentir, só tu e eu, e nos amar.
E na tua alteza, na prata do teu luar.
Os dois juntinhos, nesta paixão nos beijar.
No meu barquinho em tua casa em alto mar.
Que prazer, que viagem maravilhosa.
Que o nosso amor nos deixou fazer e ver.
Tu e eu ó mar, que vida tão cor-de-rosa.
Eu nunca mais quero, nunca mais recordar.
Mesmo sabendo que nunca mais vou esquecer.
E enquanto pudermos e quisemos nos amar.
Nossa vida é um sonho, um sonho de amor contigo.
Hoje como sempre eu te tenho como o meu amor.
E tu, mar, sempre me terás como teu amigo.
(24/11/2013)
Joaquim Rodrigues
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
"Vamos Reagir"
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| (Joaquim Rodrigues) |
Falo das alegrias que se tornam rotinas, com que se conta: comprar revistas, jantar ao balcão, dormir junto do mar, dizer disparates, beber de mais, rir. Coisas assim.
São essas coisas, entre as quais o amor, que não se podem deitar fora sem, pelo menos, morrer primeiro.
"15/11/2013)
(Joaquim Rodrigues)
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
"Amor, ou Paixão"
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(Joaquim Rodrigues)
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A Paixão é um fogo que nos aquece o peito.
Que arde por dentro, nos inflama, e satisfaz.
Nos leva ao delírio, e nos mexe, nossa alma.
Nosso corpo, nossa mente, mas ferir, ela é capaz.
Enquanto o amor, é como uma brisa matinal.
É o que precisamos, uma estrada de ternura.
Nos dá carinho, afeto, aquele fogo essencial.
Nos trás prazer, toda fonte, da felicidade pura.
A paixão se torna como uma ação, devastadora.
Enquanto o amor nos faz feliz, é um encantamento.
A paixão é perigosa, roí por dentro, nos deixa marcas.
Mas o amor não! Nos dá vida, nos alivia, o sofrimento.
A paixão como ela é, nem sempre nos leva ao amor.
E nem sempre no amor, existe paixão.
Mas os dois juntos teimam, em nos confundir.
Com tudo o que tem de belo, a sua sedução.
Eu procuro, em todos meus sentimentos, me equilibrar.
Seja na paixão, no amor, no carinho, ou nas emoções.
Mas como gosto de viver, amo a vida, e de me enlaçar.
Vou amando com paixão, e me entrego sem restrições.
(29/04/2013)
Joaquim Rodrigues
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
"Longa Jornada"
Passados aqueles anos todos, ali estão os dois, sentados no bar da praia numa tarde soalheira de Outono a tomar uma bebida, ensimesmados num silêncio cúmplice, a contemplar o mar embravecido. Ele dá consigo a refletir na longa jornada que tem sido a sua vida. Pensa em tudo o que passaram, e não foi pouco, nas longas noites de vigília quando os filhos adoeceram, no nascimento dos netos, na luta diária da sua carreira profissional. Recorda as aflições e as inúmeras situações em que teve a sensação de que não haveria saída para os problemas. O acidente do filho, a altura em que perdeu o emprego. Mas o filho recuperou e até já casou e já lhe deu dois netos; e o emprego que conseguiu a seguir revelou-se bem melhor do que aquele que tinha.
Lá em baixo na areia, à beira-mar, uma gaivota porfia com outra por um bocado de pão e ele assiste distraído ao bater de asas das aves pelo seu pedaço de sobrevivência. Curiosamente, repara, tem mais dificuldade em lembrar-se das piores alturas do que das boas recordações. Supõe que a memória tem tendência para apagar as tormentas do passado, enquanto as coisas boas perduram com uma certa nostalgia. São momentos felizes que passou sem se aperceber então de como eram valiosos.
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| (Joaquim Rodrigues) |
Ainda agora sabe que não pode viver sem ela, que conta com o seu apoio como sempre contou nas épocas mais complicadas. Hoje, tem a sensação de que enfrentaram juntos tudo o que havia para ultrapassar e isso reforçou a sua união, transmite-lhes um sentimento de intimidade e de sucesso.
No mar, um surfista solitário é engolido por uma onda, enrolado pela água na rebentação, emerge em segundos por entre a espuma. Ele admira-lhe a força da juventude com uma pontinha de inveja. Em tempos, também entrou no mar com uma prancha. Já lá vão os anos em que experimentava os desportos que lhe dava na gana. Sorri com um pensamento ufano, considerando que a vida nos atropela a cada instante, mas há sempre uma saída, graças à nossa extraordinária capacidade de resistência.
O Sol vai descendo lentamente no horizonte, pintando o céu em tons de laranja, de uma beleza única, arrebatadora. É uma hora romântica. Põe os olhos na mulher, sentada ao lado, bebendo um chá com as mãos em concha para aproveitar o calor da chávena. Ela sente-se observada, volta a cabeça, estende-lhe a mão, segura a dele, oferece-lhe um sorriso tranquilizador e, nesse instante, ele sabe que está tudo bem e não há motivo para preocupações.
(09/11/2013)
Joaquim Rodrigues
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