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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"Como Louco" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Tango"


(Joaquim Rodrigues)
 
Com meus olhos!
Percorro o teu corpo que dispo lentamente.
E as minhas mãos entrelaçadas nas tuas.
Dissipam o palco, num tango.
Avanço!
Rodopio na pista num passo de dança.
Nossos corpos balançam.
Bailemos agora um tango.
Somos dois loucos!
E, nossos passos embriagados,
Cadenciados compassados.
São longos, rasgados.
Rasgo o teu decote  e olho os teus seios.
Isto não é passo! É dança.
Dancemos os dois, freneticamente sós.
Unidos colados! Entrelaçados!
Afastados? Nós?
(Num tango?)
Vamos, dancemos agora os dois.
Um tango!
 
(Joaquim Rodrigues)

domingo, 28 de julho de 2013

"Sonha" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Sábio"


(Joaquim Rodrigues)
 
O meu amigo Mário.
Para mim, é um sábio!
Eu, um dia perguntei.
 
Mário, porque se perde alguns dos nossos amigos?
Meu amigo Mário, com toda a sua sabedoria.
Me respondeu!
 
 - Joaquim, os amigos não se perdem.
Se por vezes perdemos amigos.
É porque eles nunca foram nossos amigos.
Lembra-te de uma coisa!
Quem tem amigos, esses, são para sempre.
 
(28/07/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 21 de julho de 2013

"Eu não sei de você!" (HD) Joaquim Rodrigues


"Determinação"


Ele pousa os olhos nela e observa-a com uma expressão de carinho num rosto iluminado, a extravasar de admiração. É a mulher mais determinada que conhece, e já a conhece desde miúda. Foi sempre assim, pronta a virar o mundo para alcançar o seu objetivo.
Reencontrou-a anos depois de crescerem e de terem seguido rumos diferentes que voltaram a cruzar-se. Entretanto, casara-se, tivera filhos, divorciara-se. Ele fizera um percurso semelhante. Descobriu-a tão bonita como sempre, mas amarga com a vida. O marido deixara-a a braços com as crianças, construíra uma segunda família e ignorava a primeira. Encontrou-a na rua quando voltou ao bairro da sua infância. Ela mantinha-se fiel ao lugar onde crescera. Convidou-a para um café, perguntou-lhe como ia.
- Tramada, disse ela, vocês são todos iguais, umas bestas.
- Nós, quem?
- Vocês, os homens.
- Nós somos todos umas bestas? Admirou-se.
- Exatamente, disse ela.
E ele, um pouco perdido perante aquele desabafo preso de ressentimento, disse.
 - Bolas, não te vejo há anos e a primeira coisa que me dizes após nos encontrarmos, é que sou uma besta!
- E és, insistiu ela, são todos.
No entanto, telefonou-lhe dois dias mais tarde e convidou-o para outro café, sem rodeios.
- Já não sou uma besta?
- És, tal e qual, uma besta igual aos outros. Então, vamos ao café?
- Acho que não, respondeu-lhe ele, vou ficar por casa.
Ela insistiu, e, oh, se ela conseguia ser insistente.
- Pronto, eu vou, rendeu-se, só para não te ouvir mais.
- Isso mesmo, anda lá.

(Joaquim Rodrigues)
Mas ouviu-a, porque ela não se calou desde o primeiro ao terceiro café. Queixou-se muito do marido, ex-marido, corrigia, referindo-se a ele como aquele anormal, aquela besta. Eram tempos difíceis, ele próprio enfrentava um divórcio belicoso e pensou.
  “Não me vou envolver com ela, já tenho problemas de sobra.“
Mas ela continuou a telefonar-lhe, a exigir a sua atenção, ignorando as respostas negativas.
- Não podes viver sozinho o resto da vida, afirmou.
- Quem disse que não posso? Retorquiu ele, irritado, posso viver como muito bem entender.
- Então, faz como entenderes, explodiu ela, desligando-lhe o telefone na cara.
Mas voltou a ligar-lhe pouco depois para lhe perguntar:
- Não gostas de mim?
- Neste momento, não gosto muito.
Não, respondeu, levando-a a desligar novamente. Nesse mesmo dia, ela foi ao seu encontro, apanhou-o quando saía de casa.
- Porque não gostas de mim? Perguntou, furiosa.
- Que queres de mim? Respondeu ele.
- Quero que estejas comigo e que não sejas uma besta!
Ele ergueu as mãos e rosnou, exasperado. Agora, passados mais de vinte anos juntos, olha para ela a seu lado e ainda recorda essa época com perplexidade, mas, pensa com um sorriso, valeu a pena.

(21/07/2013)
Joaquim Rodrigues

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Faz por Mim" (HD) Joaquim Rodrigues


"A Plateia da Vida"


(Joaquim Rodrigues)
Na vida sempre sentimos alegrias e tristezas.
Ficar triste é um sentimento tão legítimo.
Como é a alegria.
Reclamar do medo é fácil.
Difícil é levantar a cabeça.
E fazer aquilo que nunca foi feito.
Nem sempre nos sentimos bem.
Pelo que aconteceu ao nosso redor.
Porque a felicidade foi sempre.
A combinação da sorte.
Temos é que escolher bem.
Para que a sorte nos toque.
Todas as pessoas que têm vidas interessantes.
Sempre se interessaram por quem é o oposto delas.
Nenhuma emoção é banal, se for autêntica.
O dar certo não está relacionado com o ponto de chegada.
Temos é trabalho a fazer, trabalho prazeroso.
O prazer está na invenção da própria alegria.
É do erro, que aprendemos, e surgem novas soluções.
Os erros nos ensinam, nos humanizam, nos aproximam dos outros.
Fazer o bem, nos dá felicidade, dá saúde.
As pessoas que se julgam superiores.
Esses nem conseguem olhar para o lado.
Porque têm medo de ver o seu mundo cair.
O mundo já caiu amor.
Agora só nos resta cantar e dançar, sobre os destroços.
Lembra-te que o maior inimigo é a falta de humor.
Vamos rir juntos rir muito.
Porque existe tanta tristeza, nesta nossa planeta que é a vida!
 
(17/07/2013)
Joaquim Rodrigues

domingo, 14 de julho de 2013

"Noite Maravilhosa" (HD) Joaquim Rodrigues


"O Prencepesinho e a Raposa"


Noutro tempo não muito distante eles se conheceram, quase ontem, na verdade, e ele citava-lhe uma passagem d’O Principezinho a ouvir a raposa. Jurou de verdade o que sentia, e do companheirismo dela que mais desejava, tudo sentido tudo de verdade.
 - Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três já eu começo a ser feliz, dizia-lhe. E quanto mais perto for da hora, mais feliz eu me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar todo agitado e inquieto, é o preço da felicidade! Se vieres a uma hora qualquer não saberei quando hei-de arranjar meu coração, pô-lo bonito.
Mas agora acabou, já não há breve, ela já não virá a hora nenhuma, partiu de vez. Num dia muito recente ela também estava de partida, mas ele pediu-lhe.
 - Não partas hoje, fica comigo esta noite.
E ela, só porque ele lhe pediu, suspendeu as responsabilidades, adiou a vida e ficou. E assim tiveram uma noite mágica, melhor do que a vida toda. Saíram pela noite, passearam de carro pela cidade, apreciando as luzes da cidade em festa, passearam por ruas movimentadas, com multidões à porta dos bares; atravessaram outras adormecidas, vendo de relance montras de lojas iluminadas. Sentaram-se a partilhar uma bebida numa esplanada à beira do rio, reparando nos navios que passavam ao longe debaixo da ponte, no reflexo prateado da Lua nas águas calmas do Douro.
(Joaquim Rodrigues)
Visitaram lugares românticos, e ele sentiu no seu olhar, um olhar radiante de felicidade, ele amou. Sentaram-se com as mãos dadas, escutando uma música deles, conversando olhos nos olhos, rindo-se juntos, observando-se com o deslumbramento da novidade, descobrindo-se um pouco mais. Rolaram abraçados na areia da praia, na relva do parque, sempre de bocas coladas, e ouviam de vez em quando uma música lenta, antiga, sentiram-se como se tivessem quinze anos, beijaram-se como adolescentes apaixonados, e cheios de esperança um no outro. Namoraram, só os dois perdidos na noite, sem pressa para nada, seguros de que, enquanto prolongassem aquele momento, enquanto retivessem os tempos juntos, tudo estaria bem. Em contrapartida, voltaram para a cama deles, e amaram-se com urgência, tiveram-se com paixão. Adormeceram juntos já de madrugada, despertaram juntos na manhã seguinte, sorriram, e pensaram aliviados ainda aí estás.
Um dia, não muito distante, ela também lhe citou uma passagem d’O Principezinho. Disse-lhe.
   - Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. Para ti, não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti.
Depois ele cativou-a. Mas agora ela partiu para longe e já não estará a hora nenhuma. Ela partiu com o coração vazio, e ele ficou, com o coração vazio. Ela já não esperará por ele porque a vida não permite, mas ele fica a pensar se voltares um dia, no dia anterior, já eu começarei a ser feliz.

(13/07/2013)
Joaquim Rodrigues

sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Nas asas do Amor" (HD) Joaquim Rodrigues


"Sinal"


(Joaquim Rodrigues)
Tu sabes, onde encontrar o amor?
Responde-me!
Onde podes encontrar o amor?
 
Se todos nós!
Tivéssemos esse conhecimento.
Todos saberíamos, para onde olhar.
 
Às vezes.
Tudo o que precisamos.
É de um sinal!
 
(11/07/2013)
Joaquim Rodrigues

"Com Você!" (HD) Joaquim Rodrigues


"Falando de Nós"


(Joaquim Rodrigues)
Posso não ser aquilo que um dia.
Tu sonhaste que eu fosse.
Embora saiba que todos têm o direito de sonhar.
Mas um dia tu vais querer sonhar comigo.
E não estarei perto de ti.
Eu vou saber também que nesse dia.
Eu não vou estar nos teus sonhos!
 
Posso não ser o teu edredão macio.
Que te aquece do frio no inverno.
Mas uma coisa é certa.
Esse edredão não tem, o calor do meu corpo.
Posso não ser a pessoa querida, que tu mais gostas.
Mas um dia vais perceber.
Que eu poderia ser quem tu mais precisas.
 
Até podes colocar outro no meu lugar.
Mas outro igual a mim não terás.
Eu posso não ser em muitas coisas.
Aquilo que tu sonhaste que eu fosse.
Mas podes ter a certeza que eu nunca seria o que não sou!
Quando se ama alguém nunca se faz cobranças.
Muito menos querer mudar o jeito de ser de alguém.
 
Podemos sim, tentar melhorar.
Mas não mudamos como somos.
 
Porque se um dia eu tentasse ser.
O que tu sonhaste que eu fosse para ti.
Eu nunca poderia ser eu.
Ser a mesma pessoa que sou.
E com certeza enquanto no teu sonho.
Tu estarias a ser muito feliz.
Eu só poderia ser uma pessoa muito infeliz nesse teu sonho.
E isso não estaria certo!
 
(11/07/2013)
Joaquim Rodrigues

terça-feira, 9 de julho de 2013

"Vidas"


(Joaquim Rodrigues)
As nossas vidas.
São como uma viagem de barco.
Subimos e descemos.
Conforme o balanço das ondas.
 
Mas graças à amizade, ao amor.
Esses dois fortes sentimentos.
Nunca nos deixa longe.
Distantes, no horizonte.
 
E quando a gente naufraga.
A amizade e o amor é a âncora.
Que nos apoia enquanto procuramos.
Um rumo novo, uma nova vida.
 
(09/07/2013)
Joaquim Rodrigues

"Chances" (HD) Joaquim Rodrigues


"Ambiêntes"


O almoço é no jardim, à beira da piscina. Faz muito calor. As crianças aproveitam o dia na água, mergulhos, colchões, brincadeira; os adultos vigiam-nas. Sentada um pouco à parte, ela observa o ambiente, sentindo-se uma intrusa. É jovem, bonita, divorciada. Os homens casados rondam-na, cautelosos, conversam com ela, dispensam-lhe delicadezas sem exageros, vêm e vão, embora não faça nada para os incentivar. As suas mulheres concedem-lhe apenas uma atenção educada, de cerimónia, mas percebe que não gostam da sua presença, estão desconfiadas, sussurram ao longe, lançando olhares mal disfarçados na sua direção. Acham, talvez, que é um mau exemplo, pensa divertida, preferiam que não tivesse vindo.
Há pouco tempo, ainda casada, sentia-se perfeitamente nestes ambientes, casais, todos amigos, um dia bem passado. Mas, de repente, ela é a curiosidade dos homens, a ameaça das mulheres. O almoço decorre sem problemas, pensa, sorrindo para dentro, nenhuma atitude antipática, nenhuma frase agressiva. É apenas convenientemente ignorada pelas mulheres, quando as conversas se separam e eles embalam em considerações sobre as contratações futebolísticas para a nova época.
A dona da casa, sua amiga, convidou-a para que se distraísse, para a tirar de casa, disse-lhe, mas ela não se sente integrada no grupo, sente-se pouco à vontade, aborrecida e arrependida por ter vindo.

(Joaquim Rodrigues)
Por isso, fica só mais um bocado, depois do almoço, o tempo suficiente para não parecer mal, e vai-se embora. Ao fim da tarde, encontra-se com duas amigas na praia, também divorciadas. Bebem sangria numa esplanada com os pés na areia.
  - Onde estiveste? Perguntam-lhe.
  - Num almoço com o inimigo, responde-lhes, fazendo um esgar irónico.
Deixa-se cair numa cadeira, desembaraça-se das sandálias, suspira, pede um copo e conta-lhes o almoço. As amigas divertem-se com o relato que lhes faz, riem-se das outras com aberto desprezo. Dali a pouco, aparecem dois conhecidos das amigas e convidam-nos a sentar-se à mesa. Ela nota que usam aliança, nada que os impeça de ficar, evidentemente. Mais um jarro de sangria, conversa animada, jogo de sedução. Ela observa-os e lembra-se delas, ainda há minutos, a rirem-se das outras, as do almoço. Já se esqueceram, já estão noutra, mas, pensa, fossem estas casadas e a conversa seria diferente, tal e qual como as do almoço, que sussurravam, hostis, na sua direção. De modo que fica mais um pouco e depois despede-se e sai com um sorriso na cara, a pensar que aqueles quatro quase nem repararam que se foi embora.

  (06/07/2013)
Joaquim Rodrigues